Paleografia Portuguesa

Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul
25/09/2001

Introdução

Cada pessoa tem um método único de escrita. Esses vários métodos podem ser agrupados em estilos. Estilos variam de época para época, de país para país, e podem variar até mesmo de um tipo de documento para outro. Os estilos utilizados em séculos atrás podem variar tanto daqueles que usamos atualmente que se torna difícil lê-los. O estudo de estilos de escrita e a ciência da interpretação e da compreensão de documentos antigos é chamado de paleografia.

Assim, a Paleografia pode ser definida tanto como escritos antigos, ou o estudo de escritos antigos. Qualquer pessoa empenhada em pesquisas genealógicas de registros portugueses antigos, necessitará de saber ler, entender e transcrever tais registros.

Dois grandes desafios envolvidos na leitura e na transcrição de caligrafia antiga são:

1) ser capaz de transcrever as letras e os números do documento original para um estilo com o qual você esteja mais familiarizado;

2) ser capaz de identificar as abreviaturas usadas no texto do registro.

Além desses dois desafios você deve ser capaz de:

1) interpretar os sinais de pontuação usados;

2) separar ou unir palavras que não estejam separadas ou unidas no texto original;

3) ler e transcrever números;

4) identificar palavras que são escritas de maneira diferente da que seriam em português moderno;

5) identificar erros no texto original, e

6) determinar o significado de termos não familiares ou arcaicos.

A intenção deste texto é de servir como introdução à paleografia portuguesa. Estude o material por completo e ele o capacitará a começar a pesquisa genealógica; de outra forma, será difícil ler os registros. Se você tiver interesse ou necessidade de tornar-se mais experiente na sua habilidade em ler registros antigos, cabe buscar uma bibliografia a altura. Há, entretanto, apenas uma maneira de tornar-se perito em ler e transcrever documentos portugueses antigos, e é através da prática.

É claro que cada pessoa tem um estilo ou método de escrever, o qual é único. No entanto, tem sido possível, no correr da história, reunir em grupos ou estilos definidos, muitos desses métodos individuais de escrita. Como já vimos, tais estilos podem variar de época a época, de país a país, e até mesmo entre tipos diferentes de documentos. Entretanto, uma vez que se tenha aprendido as características especiais de qualquer estilo, deveríamos ser capazes de ler qualquer documento escrito naquele estilo, usando para isso, de um esforço apenas ligeiramente maior do requerido para ler os atuais estilos de caligrafia. Naturalmente, teríamos que lidar com variações daquele estilo, má caligrafia, tinta desbotada etc. Mas o segredo de poder ler qualquer estilo determinado de caligrafia é simplesmente ser capaz de reconhecer as características daquele estilo.

A Língua Portuguesa é uma Língua Latina

Os estilos de escrita encontrados em Portugal e no Brasil têm sua origem no alfabeto romano. Os romanos ocuparam a península ibérica (Espanha e Portugal) aproximadamente do século III A.C. até a queda do Império Romano, no século V DC. É claro que outros grupos, além dos romanos, contribuíram para a formação da língua portuguesa. Originalmente a península ibérica foi habitada por um grupo de pessoas conhecidas como Celta-Ibéricos. Esse povo foi conquistado pelos romanos. Depois dos romanos vieram as tribos germânicas e depois os mouros, os quais deixaram evidência de seus costumes, não apenas na linguagem, mas também na cultura dos Ibéricos. Todavia, a despeito dessa influência, a língua portuguesa permaneceu sendo uma língua latina, e é principalmente aos romanos que ela deve sua origem.

Existem poucos registros de valor genealógico datados de antes de 1500

Lá pelo século XII os portugueses declararam seu país reino e lá pelo século XIII eles expulsaram os mouros e estenderam suas fronteiras até sua atual localização.

Registros têm sido conservados desde a formação do reino de Portugal. Entretanto, umas poucas evidências restaram daquele remoto período. Foi a partir do século XVI que os padres paroquiais da igreja católica foram solicitados a começar a registrar batismos, casamentos e falecimentos. Esses decididamente são os registros genealógicos mais valiosos em Portugal e no Brasil. Durante o século XVI outros tipos de registros de valor genealógico também começaram a proliferar.

Tradicionalmente, a escrita foi classifficada em Estilos

Desde que a paleografia é considerada uma ciência, métodos individuais de escrita têm sido agrupados em estilos. Existem muitos estilos diferentes, ou modificações de estilos que foram adotados, rejeitados, modificados e remodificados. Esses estilos foram agrupados e classificados e incluem, entre outros, a caligrafia Carolínea, resultante de uma reforma introduzida durante o reinado de Carlos Magno, a caligrafia Gótica, a caligrafia Cortesa, a caligrafia Secretária e a caligrafia Secretária Encadeada. Se você está para se tornar um perito na leitura de registros de todos os períodos, será necessário um conhecimento de cada um desses estilos.

Devemos chamar a atenção para o fato de que como em muitas outras disciplinas, a categorização pode ser perigosa. É conveniente que sejamos capazes de classificar esses vários estilos em grupos e dar-lhes nomes e títulos. Entretanto, logo que se cria uma categoria ou um grupo, automaticamente surgem dúvidas quanto a se um estilo pertence a este ou àquele grupo, ou se está em algum lugar no meio. Como Eduardo Nunes explica: “A classificação das letras é um rito sagrado, mas ao qual, atualmente todos os paleógrafos desejariam poder furtar-se … ; porque, tanto a terminologia (base da classificação), como a própria metodologia (postulado da terminologia) se encontram em plena crise de refundição.” (Nunes, Eduardo, Álbum de Paleografia Portuguesa, Vol. 1, Lisboa, Portugal: Instituto de Alta Cultura, Universidade de Lisboa, 1969, p. 11.) As categorias, no entanto, são convenientes e por essa razão são e continuarão a ser usadas.

Uma vez que a maioria dos registros de valor genealógico na Ibéria e Ibero-América, não foram iniciados até o princípio do século XVI, bem como a maioria dos registros de valor genealógico no Brasil e em Portugal surgem apenas a partir de 1550 (quando um ou dois estilos predominaram sobre os outros), somente os estilos predominantes usados desde aquele tempo nos interessam. Nesses estão incluídas a caligrafia Secretária, a caligrafia Secretária Encadeada e a Itálica, as quais são brevemente descritas nas passagens que se seguem.

A Escrita Processual e Encadeada

“A escrita processual é eminentemente cursiva, permitindo dessa forma aos escreventes, grande liberdade no traçado. Como consequência, surgiu a degeneração da letra, sendo difícil encontrar, em toda a paleografia latina e suas aplicações nas línguas vernáculas, uma escrita com tantas formas divergentes como o é a processual. À primeira vista, os variados manuscritos examinados por pessoas que não estão a par do traçado da escrita processual, podem levar à conclusão de que se trata de vários tipos de escritas. O motivo para tal, é que os tipos de caligrafia processual oscilam entre os parecidos à cortesa, que ainda mantém algumas das formas anglicanas herdadas da gótica cursiva – da qual se originou – até os extremamente redondos da caligrafia encadeada, sendo esta a última degeneração do ciclo – cortesa – processual e encadeada.” (Aurélio TanodiInterpretação Paleográfica de Nomes Indígenas, Córdoba, Argentina: Editor, 1965, p. 38.)

A Escrita Itálica ou Bastarda

“O ensino sistemático constitui uma das principais características da escrita bastarda. Os calígrafos do século XVII e anos posteriores, seguiam a escrita itálica ou bastarda, porém, com pequenas modificações. Os escreventes tiveram então exemplos calígrafos aos quais podiam recorrer e o ensino dispunha de bons manuais.

Apesar do ensino sistemático e dos exemplos caligráficos, nem todos aderiram extremamente à formação caligráfica. Havia pessoas que aprendiam a escrever sem haver tomado cursos especiais, isto é, sem passar por um aprendizado sistemático. Outras, embora o fizessem, degeneravam sua escrita pessoal, afastando-se dos preceitos caligráficos, devido a ser a caligrafia bastarda um tipo de escrita cursiva usada para uma grande variedade de manuscritos. Dessa forma, encontramos na mesma região e época, manuscritos de diversos aspectos – desde os altamente caligráficos até os extremamente descuidados. Isso dependia de muitos fatores: a perícia gráfica do aprendizado, a intenção com que se confeccionava o manuscrito, a importância do mesmo, o aspecto externo e sua composição interna etc…

Em geral, a escrita bastarda é muito mais clara e legível do que a processual ou a encadeada; não obstante, existem textos que apresentam sérias dificuldades e requerem estudo especial.” (Aurélio Tanodi, idem, p. 40.)

O Alfabeto permaneceu virtualmente inalterado

Originalmente o alfabeto romano era constituído de 21 letras: A, B, C, D, E, F, G, H, I, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, V e X. Aproximadamente em 50 AC foram adicionadas as letras Y e Z. Desde aquela época tem havido muitas mudanças nas línguas latinas e na maneira de escrevê-las, mas o alfabeto, com poucas exceções, permaneceu inalterado. Por essa razão, uma vez que você tenha aprendido as características únicas de qualquer estilo de escrita e supondo que você esteja familiarizado com o vocabulário e com a gramática usados na época da escrita, você deverá ser capaz de ler qualquer documento escrito naquele estilo, com um esforço levemente maior do que levaria para ler os estilos de escrita de hoje.

É claro que você ainda assim terá que lidar com má grafia, tinta borrada e falta de informação. A chave, porém, é ser capaz de reconhecer as características do estilo usadas pela pessoa que escreveu o documento.

Houve, é claro, muitos outros estilos pessoais usados por milhares de escribas através do curso de quatro ou cinco séculos. Aprender todos levaria uma vida inteira. Os exemplos a seguir devem ajudar a dar uma ideia de algumas das muitas variações. Estude-os cuidadosamente e à medida que você continuar seu estudo de paleografia ou quando você começar sua pesquisa em registros originais, será bom adicionar a essa lista amostras de letras que provaram ser especialmente difíceis para você. Dessa maneira você estará compilando seu estoque particular de letras, ao qual desejará recorrer.

Você também poderá vir a desejar praticar a escrita de algumas das letras que são difíceis para você transcrever. Isso pode ser feito numa folha de papel separada. Essa também é uma boa idéia quando se encontra uma combinação de letras que lhe seja nova ou estranha. Escrevendo as letras você entenderá melhor o estilo do escriba e se recordará dele por mais tempo.

A – H

H – O

O – Z

Os apelidos de família

Pércio Buys Pinto
10/01/2002

Antroponímia é o estudo do nome das pessoas. O vocábulo foi cunhado em 1887 pelo filólogo português Leite de Vasconcelos, que dedicou um capítulo de suas ‘Lições de Filosofia Portuguesa’ ao: ‘Onomástico Antigo e Moderno’. Ambos os vocábulos foram criados a partir do grego: onomatos, ‘nome’, e anthropos, ‘homem’, mais onoma. Diz o mestre: “O ‘estudo dos nomes próprios em geral’ chama-se onomatologia. O dos nomes geográficos tem em particular o nome de toponímia. Podíamos dizer paralelamente, com relação aos nomes de pessoas e seres personificados, antroponímia.”

O nome, genericamente falando e dentro do conceito de antroponímia, refere todos os vocábulos que compõem a denominação pela qual nos identificamos como pessoas, como estabelece o prof. Franz August Gernot Lippert em: ‘O Nome das Pessoas Físicas no Direito Brasileiro’. Coloquialmente chamamos nome aquele ou aqueles vocábulos que identificam o indivíduo: João ou João Antonio. Da mesma forma coloquial, chamamos sobrenome os apelidos das famílias: Silva, Santos, Oliveira, Souza, Pereira.

Os estudiosos da legislação brasileira mencionam, contudo, que esta não é uníssona nem rigorosa na conceituação dos vocábulos que compõem o nome. A expressão sobrenome, tão comum no Brasil, sequer existe na legislação; existe de fato.

Os franceses distinguem prenomes e nomes, utilizando os primeiros na identificação do indivíduo, e os segundos na identificação das famílias a que ele pertence, como ensina Albert Dauzat.

Estudiosos portugueses e brasileiros admitem apenas as designações clássicas: nomes, para os indivíduos, e apelidos, para as famílias. De um e de outro difere a alcunha, codinome que alguns indivíduos conquistam, ou sofrem.

Os apelidos de família, ou de clã, remontam a mais de cinco mil anos, como se pode ver na Bíblia, Números, 1, 20 a 50, quando o Senhor ordenou a Moisés, no Sinai, que fizesse o recenseamento dos filhos de Israel após a saída do Egito. Foram contados 603.550 homens de mais de vinte anos e toda esta gente, mais a família de cada um, foi dividida em doze tribos, mais a tribo de Levi que ficou encarregada do sacerdócio. Do nome de cada um dos patriarcas originou-se o nome da tribo ou, modernamente, seu apelido. Da tribo de Judá, a Bíblia dá minuciosa genealogia até Jesus.

Como os nomes individuais se sucediam, os judeus adotaram o apelido patronímico: Jacó filho de Abraão, que se distinguia de outros Jacós.

O patronímico foi o primeiro apelido de família; mais tarde foi usado o toponímico, que se refere ao lugar de nascimento ou vivência; e finalmente adotou-se, em certos casos, a alcunha.

O patronímico se caracteriza pelo uso da preposição, prefixos ou sufixos. Por exemplo: judaica, Bar Abas, filho de Abas; gaélica, Ab; árabe: Ibn; são preposições. MacNamara, escocês; O’Henry, irlandês; FitzGerald, inglês; são prefixos. São sufixos: o son, em Johnson, inglês; sen em Andersen, escandinavo; Álvarez, espanhol; Álvares, português. Todos estes significam: “filho de”.

São toponímicos portugueses: de Souza, da terra de Souza; de Maia, da terra de Maia; Chaves, da cidade de Chaves; Porto, da cidade do Porto, etc. Os toponímicos formam-se em geral com a preposição de, que não implica origem nobre como muitos entendem.

Finalmente os apelidos de família decorrem de alcunha: Calvo, Velho, Alegria, Negrão.

Essas introdução permitirá que o leitor possa identificar seu apelido de família com a provável origem.

O acadêmico R. Magalhães Jr. publicou em 1974 o livro ‘Como você se chama?’, dando origem a outros estudos de diferentes autores.

Considerações sobre a Genealogia

Pedro Wilson Carrano Albuquerque
25/03/2000

O vocábulo genealogia é composto pelas raízes gregas gen (geração) e logos (estudo), que, por si só, já indicam o significado da palavra: o estudo das gerações, ou melhor, o estudo das famílias.

Conforme o Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (1), o primeiro livro do Velho Testamento, o Gênesis, com cinquenta capítulos, é um grande quadro genealógico. Também nos Números e nos Paralipônemos são encontradas muitas genealogias. O Novo Testamento, por sua vez, inicia-se, segundo o Evangelho de São Mateus (2), com o registro dos ancestrais de Jesus Cristo (3), cujos nomes estão gravados nas paredes da maravilhosa Capela Sistina, no Vaticano (4).

Os Livros de Esdras (5) revelam como era grande a diligência e escrúpulo na elaboração da árvore genealógica do judeu, uma vez que, pela Lei de Moisés (6), só podia ascender ao sacerdócio quem pertencesse à descendência de Aarão (7).

A Primeira Epístola de S. Paulo (8) a Timóteo (9), no Capítulo 1, Versículo 4, contém recomendação no sentido de que os cristãos não se ocupem em fábulas e genealogias intermináveis: as quais antes ocasionam questões, que edificação de Deus, que se funda na fé. Tal admoestação, segundo intérpretes da Bíblia Sagrada, foi dirigida àqueles que só admitiam os judeus no seio do Cristianismo, rejeitando os gentios e seus descendentes. Não havia, portanto, uma posição de S. Paulo contra a Genealogia, como alguns chegaram a proclamar.

Os mórmons (10) levantam suas árvores genealógicas por entenderem ser de sua responsabilidade a realização de ordenanças de salvação dos que morreram com vistas à redenção de suas almas (11). Para isso, eles criaram, com sede na cidade de Salt Lake, U.S.A. (12), a Sociedade Genealógica da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, reconhecida nos círculos genealógicos, segundo artigo de Roy Mazzuchi publicado na Carta Mensal nº 29 do Colégio Brasileiro de Genealogia (13), como a maior e mais ativa organização genealógica do mundo.

A Igreja Católica exigia prova de limpeza do sangue dos candidatos ao sacramento da Ordem. Eram os processos De Genere et De Moribus, onde, além da comprovação de que seus antepassados eram cristãos, os futuros sacerdotes tinham de mostrar que eles e os ascendentes não tinham sido condenados a pena vil ou infame, não haviam praticado crimes de lesa majestade divina ou humana e nunca tinham sido hereges ou apóstatas da fé católica. Para isto, era necessária a elaboração da árvore genealógica do interessado, providenciada mediante consultas às paróquias onde tinham residido o futuro padre, seus pais, avós e demais ancestrais.

A obtenção de dados sobre os ascendentes permite, ainda, que o católico ore pela alma de cada um deles, o que não seria possível sem o conhecimento de sua existência.

Foram muitos os sacerdotes que se dedicaram ou se dedicam à Genealogia, destacando-se, entre outros, o Cônego Raimundo Otávio da Trindade (14), o Pe. Pedro Maciel Vidigal (15), o Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão (16), o Monsenhor José do Patrocínio Lefort (17), o Pe. Francisco Sadoc de Araújo (18), o Cônego Roque Luís de Macedo Paes Leme da Câmara (19), o Frei Adelar Primo Rigo (20), o Pe. Reynato Frazão de Sousa Breves Filho (21), o Frei Gentil Costella (22), o Padre José da Frota Gentil (23) e o Monsenhor Antônio Paes Cintra (24).

Vale lembrar, ainda, que a Genealogia trata da Família, tão defendida pela maioria dos credos religiosos. A propósito, deve ser citado o seguinte trecho de homilia do Papa João Paulo II (25) durante a celebração de missa em Campo Grande, MS (26), em 17 de outubro de 1991:

Um célebre brasileiro, o escritor Rui Barbosa, deixou-nos estas frases muito significativas: “A Pátria é a família amplificada” e “Multiplicai a família e tereis a Pátria”. Desta bela cidade que construístes, desta região privilegiada do Brasil onde morais, com esta maravilha da natureza que é o Pantanal Mato-grossense, quero lançar um veemente apelo a toda a Igreja no Brasil: a família deve ser vossa grande prioridade pastoral.

É grande a impressão de que nos aproximamos de nossos ancestrais quando vamos obtendo informações sobre cada um deles. E a sensação que fica é de que eles gostam disso, como qualquer ser humano gostaria que seus filhos, netos, bisnetos e trinetos não o esquecessem. Seria esta uma forma de trazê-los de volta ao convívio de sua família. Na verdade, o nosso elo com os antepassados representa a perpetuidade desses parentes.

A propósito, vale lembrar trecho de diálogo entre o Cardeal Franciotto Orsini (no leito de morte) e seu neto Vicino (que procurava uma fórmula que o tornaria imortal), personagens do livro Bomarzo, de Manuel Mujica Lainez (27):

A imortalidade, Vicino, pobre Vicino, sussurrou com um fio de voz – é a sucessão no tempo. Somos elos de uma cadeia imensa. Quando tiveres um filho serás imortal.

Para os que professam o espiritismo, os desencarnados são responsáveis pela recepção e orientação de seus parentes, principalmente os seus descendentes, quando eles ingressam na vida após a morte.

Assim, em mensagens atribuídas a Alceu Gouveia Andries (primo do autor; neto de Alceu Gouveia e de Maria Aparecida Siqueira de Albuquerque, citados no § 44 do Capítulo VII), recebidas em 25-MAR-1983 e 17-AGO-1984 no Grupo Espírita da Prece de Uberaba (MG), através do médium Chico Xavier (nome completo: Francisco de Paula Cândido Xavier; n. em 1910 em Pedro Leopoldo, Minas Gerais; já publicou mais de cem obras psicografadas, dirigindo significativa obra de assistência social), o jovem – falecido em 4-DEZ-1980, em Leopoldina (MG), devido a acidente de moto – informa ter sido assistido, após seu falecimento, por vários parentes, entre os quais os trisavós Manoel e Mariana Siqueira.

Vê-se, portanto, que o estudo da Genealogia poderia ser interessante, também, para os que seguem o espiritismo, porquanto poderão encontrar, no além-túmulo, parentes com quem já estariam familiarizados por intermédio dos dados levantados a seu respeito.

A pesquisa genealógica permite-nos, também, conhecer o que se passou no mundo antes de nós e melhor entender o que ocorre nos dias de hoje, uma vez que a História costuma repetir-se.

Há muitas obras já publicadas no campo da Genealogia, propiciando-nos a sua leitura não só o encontro de parentes e informações preciosas, como também o aumento de nossos conhecimentos sobre os costumes da época de nossos antepassados e sobre os lugares em que viveram. Passamos a entender os motivos por que mudavam de um local para outro, por que razão muitas mulheres morriam com pouca idade, o que levou alguns à perda de grandes fortunas e outros à conquista de expressivo patrimônio, e assim por diante.

O sociólogo que desejar aprofundar-se no exame da mobilidade social no País terá, certamente, de recorrer à Genealogia. É bom lembrar, aqui, o adágio: Pai rico, filho nobre, neto pobre.

A Genealogia é, por outro lado, de grande importância para o estudo dos movimentos migratórios no Brasil. Veja o exemplo do autor: dois netos brasilienses e um cearense, filhos cariocas, pais mineiros, um avô fluminense (de Piraí) e cinco bisavós estrangeiros (dois italianos e três portugueses).

Os primeiros versos da letra de Chico Buarque (Francisco Buarque de Holanda) para a música Paratodos também são um exemplo da movimentação das famílias brasileiras em nosso território:

O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano.

O compositor referiu-se, no caso, aos seus antepassados a seguir mencionados: o professor e escritor Sérgio Buarque de Holanda (o pai paulista), Cristóvão Buarque de Holanda (o avô pernambucano), José Cesário de Faria Alvim (o bisavô mineiro, que foi Presidente da Província do Rio de Janeiro e Governador do Estado de Minas Gerais) e Eulálio da Costa Carvalho (o tataravô baiano).

Não se pode esquecer, também, da importância da Genealogia para o fortalecimento da unidade nacional, à medida que revela a ligação entre brasileiros oriundos dos diversos Estados brasileiros. Assim, os netos do autor têm antepassados cearenses, fluminenses, mineiros, alagoanos, goianos, paulistas, pernambucanos, baianos, etc. Outrossim, as árvores de costado constantes deste livro mostram o entrelaçamento de famílias distribuídas por várias regiões do País, embora não apresentem, à primeira vista, qualquer vinculação entre si.

As buscas de dados para os apontamentos genealógicos obrigam o pesquisador a conhecer a legislação da época e os nomes das localidades de então, uma vez que, principalmente no Brasil, grande parte dos topônimos que conhecemos passaram a ser adotados há menos de cem anos atrás.

As fontes de pesquisa mais utilizadas são:

a) os livros de História, Geografia e Sociologia e aqueles sobre famílias, pessoas (inclusive as memórias e biografias) e localidades;

b) publicações da época: jornais, revistas e almanaques (muita coisa o autor encontrou no Almanaque Laemmert – nome tomado do sócio fundador Henrique Laemmert -, que, no século passado, dava informações importantes sobre as pessoas que residiam em municípios do Estado do Rio de Janeiro e da Zona da Mata Mineira);

c) os assentamentos feitos nas igrejas e cartórios (o Registro Civil é instituição que se deve à Igreja Católica Apostólica Romana, que, desde a Idade Média, teve a ideia de anotar nascimentos, casamentos e óbitos, por meio de inscrições nos livros paroquiais).

Entre nós, durante o Império, diante das relações entre a Igreja e o Estado, os registros eclesiásticos eram dotados de fidedignidade. Ainda recentemente, pessoas nascidas anteriormente à secularização do Registro Civil faziam prova de idade mediante apresentação de batistério, cujo valor probante era reconhecido sem contestação. A secularização do Registro Civil começou com o Decreto nº 9.886, de 7 de março de 1888, que inspirou toda a legislação pátria nessa matéria.

No tocante ao matrimônio, cuja regulamentação pela Igreja Católica Apostólica Romana se efetuou no Concílio de Trento (1545-1563), alguns Estados puseram à margem o casamento religioso, tendo sido a Inglaterra o primeiro país a dar esse passo, no tempo de Oliver Cromwell (28).

No Brasil, prevaleceu, por longo tempo, o casamento religioso. Em 11 de setembro de 1861, surgiu uma lei regulamentando o enlace matrimonial dos acatólicos, celebrado segundo o rito religioso dos próprios nubentes. A secularização do enlace matrimonial veio com a proclamação da República, que estabeleceu a separação entre o poder temporal e o espiritual. Assim, o casamento civil foi criado com o Decreto nº 181, de 24 de janeiro de 1890.

Alguns países só admitem o casamento civil, havendo casos, como no Brasil, em que é reconhecido o matrimônio religioso, desde que registrado em cartório de registro civil. Há outros que dão aos nubentes a opção entre o casamento civil e o religioso, dando-lhes o mesmo valor legal.

Existem, também, os que mantêm a preeminência do casamento religioso – sendo o civil acessível apenas às pessoas de outra religião que não a oficial – ou em que subsiste apenas o casamento religioso.

Não devemos esquecer, em nossas pesquisas, além do registro civil de pessoas naturais, dos antigos tabeliães do judicial e notas, dos escrivães da paz, dos de órfãos, dos da Fazenda Pública, além dos modernos tabeliães de notas e contratos marítimos, dos registros de imóveis, de títulos e documentos, do civil das pessoas jurídicas, do de interdições e tutelas, do de protesto de títulos, dos tabeliães da Fazenda Pública, de Órfãos e Sucessões, dos das Varas Cíveis, etc., onde se encontravam e se encontram milhares de documentos valiosos para a História e a Genealogia. Nas minutas, escrituras, testamentos, inventários, contratos e outros documentos encontra o pesquisador uma extraordinária fonte de natureza social, econômica, jurídica e biográfica.

No Rio de Janeiro (RJ) há tabelionatos muito antigos, tendo o primeiro sido criado por Mem de Sá (29) em 20 de setembro de 1565, com Pedro da Costa como seu serventuário.

Os mapas populacionais de municípios elaborados nos séculos XVIII e XIX, oriundos de levantamentos feitos de casa em casa, também contêm valiosas informações, notadamente os que fornecem dados sobre cada um dos residentes.

As Ordenações Filipinas, publicadas no Reinado de Felipe II (30), estabeleciam severas penas para quem tomasse apelido de solar conhecido, preceito, no entanto, que nunca passou das páginas do Código, pois cada um usava o apelido de que mais gostava, sem sofrer, por causa disso, qualquer incômodo. Diante disso, era comum encontrarmos um homem do povo com o mesmo sobrenome de um membro da fidalguia. Não raramente, pessoas pertencentes à nobreza davam os seus apelidos de família aos filhos de criados e de escravos que apadrinhavam.

Assim, há necessidade, nas buscas, de um cuidado muito grande com os antropônimos. Muitos deles eram alterados de acordo com a vontade do dono e isso pode criar dificuldades aos pesquisadores.

Conta Lutero Vargas (31), em seu livro Getúlio Vargas – A Revolução Inacabada, que, por ter Francisco de Paula Bueno, bisavô paterno de Getúlio Vargas (32), abandonado sua esposa, Ana Joaquina de Vargas, para viver com uma professora, seus filhos resolveram não mais usar o sobrenome paterno, motivo por que o Brasil não teve um Presidente chamado Getúlio Bueno.

Jarbas Albuquerque (33), tio do autor, foi registrado com o nome de Apolinário, mudando-o muitos anos depois, e o avô paterno denominou-se no primeiro casamento Franklin Sezinando de Albuquerque e nos demais Franklin de Albuquerque.

Nicola Carrano passou a utilizar no Brasil o prenome aportuguesado Nicolau, assim como seu irmão Carlo Michele passou a chamar-se Carlos Miguel. Os filhos deste último, nascidos na Espanha, abandonaram o sobrenome Segóvia, proveniente de sua mãe, quando aqui passaram a residir.

Com essa facilidade para a mudança dos antropônimos, muitos cristãos-novos – judeus que se converteram ao Cristianismo – trocaram seus sobrenomes para se protegerem da Inquisição.

A partícula de, anteposta a alguns dos nossos apelidos, também não significa, como na França, origem nobre das pessoas que os usam. O de francês exprime o domínio de uma família sobre uma parcela mais ou menos extensa de terra, enquanto o de português, quando anteposto a um apelido de origem toponímica, pode estar traduzindo apenas a proveniência ou o domicílio da pessoa que primeiro usou o apelido.

Vale registrar, também, um costume que existia em várias regiões do Brasil, principalmente em Minas Gerais: as mulheres ficavam com os sobrenomes das mães, não usando os dos pais, ou utilizavam após o prenome as formas da Conceição, de Jesus, da Assunção, dos Anjos ou outras assemelhadas.

Livros com os registros dos sepultamentos devem ser procurados nas pesquisas genealógicas. Eles geralmente são guardados nas prefeituras municipais, mas, em alguns lugares, ficam nas igrejas, principalmente quando os cemitérios foram ou são administrados pelas paróquias ou ordens religiosas. As inscrições contidas nos túmulos também podem fornecer informações não encontradas em outros lugares.

Documentos mantidos em arquivos públicos (federais, estaduais e municipais) e privados, bibliotecas, institutos históricos e geográficos e organizações dedicadas à Genealogia também devem ser olhados com atenção.

Além das fontes de consulta já mencionadas, quem quiser pesquisar suas origens deve procurar:

a) processos de naturalização ou de comprovação de nacionalidade;

b) listas de passageiros de embarcações (o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro guarda grande quantidade de documentos da espécie);

c) processos de habilitação para títulos de nobreza;

d) arquivos militares;

e) registros de solicitações ou concessões de passaportes;

f) relações de emigrantes e imigrantes;

g) listas de eleitores;

h) documentos com dados sobre os contribuintes do Erário (Tesouro Nacional, Estadual ou Municipal);

i) registros dos hospitais e hotéis (em alguns países existiam hotéis para os imigrantes, sendo de se citar, no Brasil, o da Ilha das Flores, no Rio de Janeiro);

j) atos publicados na imprensa oficial, cuja leitura nos fornece dados importantes sobre alguns parentes, principalmente os que exerceram cargos públicos;

l) registros policiais;

m) processos de inquisição;

n) registros de grupos familiares (na Itália, eles existem oficialmente desde 1869, fornecendo os cartórios aos interessados por tais dados o Certificato dello Stato di Famiglia);

o) cadastros clericais, com informações sobre os membros do clero (há, ainda, os processos De Genere et De Moribus, já referidos neste Capítulo, com dados sobre os antepassados dos sacerdotes católicos);

p) registros escolares, principalmente os constantes dos arquivos das universidades;

q) os banhos ou proclamas de casamentos, justificações de solteiro, de batismo e de casamento e processos de desquite, geralmente arquivados nas Cúrias Diocesanas.

Não deve ser esquecida, também, a ligação da Genealogia com a Ciência do Direito, principalmente com o ramo dedicado às sucessões, uma vez que é necessária, para a divisão dos bens de um espólio, a identificação de todos os herdeiros.

O Código Civil Brasileiro, ao tratar da sucessão legítima, coloca em primeiro lugar os descendentes, excluindo-se o grau mais remoto a favor do mais próximo, sem distinção de linhas. Não havendo herdeiros da classe dos descendentes, são chamados à sucessão, pela ordem, os ascendentes, o cônjuge sobrevivente, os colaterais e, por fim, o Estado, o Distrito Federal ou a União.

Muitos fazem pesquisas genealógicas esperando o aparecimento de tesouros. Segundo servidora do Arquivo Público Mineiro, não é pequeno o número de pessoas que buscam aquele Órgão à procura de dados que lhes permitam encontrar o elo perdido de uma fabulosa herança.

No Arquivo Nacional do Rio de Janeiro o autor encontrou um grupo de pessoas revirando centenas de documentos visando ao recebimento de herança de José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o Barão de Cocaes (34).

Sempre foi comentado o direito de Franklin Albuquerque, avô do autor, a parte de Romualdo José Monteiro de Barros, o Barão de Paraopeba (35). Ele e alguns de seus parentes chegaram a se habilitar em processo conduzido pela advogada Beatriz de Castro Torres. O Diário Oficial de 4 de outubro de 1930 publicou edital do Juízo da 5ª Vara Cível a respeito e o jornal A Noite, edição de 6 de junho de 1941, deu notícias sobre o inventário, que se encontrava na Comarca de Barra Mansa, RJ (36). O espólio do Barão de Paraopeba foi avaliado, em 1856, em 282 contos de réis. Há poucos anos, estava registrada, nos fichários de cartório de Ouro Preto, MG (37), a existência de inventário do Barão ainda em andamento.

Em Além Paraíba, MG (38), o autor descobriu um processo de sobrepartilha de bem de seu trisavô Vicente Ferreira Monteiro de Castro que, em função da morte do inventariante, ficou sem andamento. Tratava-se de terreno em Congonhas, MG (39) que não havia sido incluído no espólio daquele parente.

Em Mar de Espanha, MG (40), há, ainda hoje, registro de propriedades de Joaquim de Faria Salgado e de José de Oliveira Lopes, bisavós do autor e de sua esposa, respectivamente, que não foram considerados em seus inventários.

É possível, também, que alguns de nossos antepassados estejam nas relações de acionistas de boas empresas. Deve ser citado, como exemplo, o encontro pelo autor de ações do Banco do Brasil emitidas em 1910 em nome do bisavô de sua esposa, José de Oliveira Lopes, as quais foram devidamente transferidas para a filha do acionista, permitindo-lhe obter, com isso, um razoável patrimônio e um fim de vida tranquilo.

Descendentes dos súditos do Eixo (alemães, italianos e japoneses que se encontravam no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial), por falta de informações, deixaram de retirar dos cofres do Banco do Brasil ações e outros bens de propriedade de seus antepassados, avaliados em cerca de R$ 46 milhões, confiscados em 1942 pelo Governo Brasileiro. Não retirados até 1975, tais haveres, em função de lei federal, estão sendo transferidos para o Tesouro Nacional. Sobre o assunto, o autor teve a oportunidade de tecer algumas considerações no programa Fantástico, da TV Globo, no dia 1º de dezembro de 1996.

E assim, milhares de pessoas vão revolvendo os tombos de igrejas, bispados, cartórios e as papeladas dos Arquivos Públicos, cada um com a esperança de receber uma substancial herança, como diz Pedro Nava (41) em seu livro Baú de Ossos.

Também há um estreito relacionamento da Genealogia com o Direito Internacional, notadamente no que toca à obtenção da nacionalidade de um país.

As diversas legislações contemporâneas adotam critérios diferentes para a distinção de seus nacionais. Esses critérios são o do jus soli e o do jus sanguinis.

No primeiro sistema, todo aquele que nasce no território de um Estado adquire a nacionalidade desse Estado; no segundo, adquire o filho, necessariamente, a nacionalidade daqueles de que descende, pouco importando o lugar do nascimento.

O descendente de pessoa natural de país que adota o sistema jus sanguinis, como a Itália, Portugal, o Japão, a Alemanha e a Espanha, torna-se um pesquisador no campo da Genealogia para provar o parentesco com o ascendente, a partir do momento em que surge seu interesse em assumir a nacionalidade daquele antepassado. Assim, podem requerer outra cidadania:

– italiana: filhos, netos ou bisnetos de italianos, por varonia (descendência em linha masculina); a nacionalidade italiana também pode ser requerida por filhos de italiana nascidos a partir de 1948;

– portuguesa: filhos de portugueses (pai ou mãe); os netos, paternos ou maternos, também poderão requerer a cidadania portuguesa se um dos pais já a tiver obtido;

– espanhola: filhos de espanhol ou espanhola; os netos de avô espanhol, seja por parte de pai ou de mãe, também podem requerer a nacionalidade espanhola, desde que um dos pais já a tenha obtido;

– alemã: os filhos de pai alemão ou, se nascidos a partir de 1975, de mãe alemã;

– japonesa: filhos de japoneses (pai ou mãe).

A Monarquia sempre valorizou a Genealogia, principalmente ao conceder à autoridade soberana o poder de reconhecer direitos e privilégios dos nobres e sua transmissão por hereditariedade.

Albano da Silveira Pinto (42), ao escrever a sua Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, publicada em Lisboa, Portugal (43), em 1883, assim se manifestou sobre a ciência:

A genealogia tem sido considerada como guia e regra para qualificar a origem e sucessão das famílias; as regalias e privilégios que estas tiveram no antigo regime; as mercês régias per pétuas ou temporárias que desfrutaram; os altos cargos e distinções honoríficas que seus ascendentes tiveram; o direito para regular, transmitir e provar o grau de parentesco para entrar na posse de uma determinada propriedade senhorial ou vincular; e não poucas vezes de causa para nobilitação individual, ou motivo para previr algumas vantagens sociais, e por isso conceituada manifestação de nobreza, e, com sobeja razão, apreciada como curiosidade familiar.

Ao nobre cabia, como ainda ocorre em alguns países da Europa, revelar a sua linhagem, para manter um título honorífico de seus ancestrais.

Antes da consulta popular realizada em 1993 para saber se o povo brasileiro desejava a Monarquia, algumas pessoas procuraram ascendentes nobres em sua árvore genealógica, pensando, com isso, em colher alguns frutos caso a República fosse derrotada.

A Genealogia também não foi utilizada corretamente pelos nazistas, que a utilizaram para provar a ascendência ariana dos membros de seu Partido e com o deplorável objetivo de identificar e perseguir os judeus.

A Inquisição Portuguesa, que perseguiu, sequestrou, prendeu, torturou, degredou e levou à fogueira milhares de pessoas, inclusive no Brasil, foi outro exemplo de mau uso da Genealogia, conforme o seguinte texto do livro Trópico dos Pecados, de Ronaldo Vainfas:

Passados alguns dias, os inquisidores requisitavam o réu para a sessão de genealogia. Deixavam de lado as acusações e arguiam sobre o lugar de nascimento, a idade, o ofício e demais informações sobre os pais, avós e todos os parentes de que se lembrava o acusado, especialmente se haviam sido outrora penitenciados pela Inquisição. Arguição possivelmente montada para a devassa dos cristãos-novos e de seus antecedentes, o inquérito genealógico acabaria vulgarizado para todos os réus, recompondo-se a história do indivíduo em linhas gerais, sempre à cata de algum fato que lhe pudesse incriminar no passado ou na vida dos parentes.

Há ainda os que procuram alguém importante entre seus ascendentes por vaidade. Assim, poderão dizer: sou trineto de um barão, tetraneto do maior proprietário de terras de tal lugar e assim por diante.

A propósito, é difícil haver famílias que não venham, a um só tempo, do trono e da plebe. Basta um simples cálculo matemático para vermos que uma pessoa tem: dois pais, quatro avós, oito bisavós, dezesseis trisavós, 32 tetravós, 64 quintos avós, 2.048 décimos avós, 65.536 décimos quintos avós, 2.097.152 vigésimos avós, 67.108.864 vigésimos quintos avós e assim por diante.

Osvaldo Rezende (44), em seu livro Genealogia de Tradicionais Famílias de Minas, apresenta o seguinte quadro para mostrar o número de avós até a quadragésima geração:

Até a 5ª geração…………. 124
Da 6ª à 10ª geração……. 3.968
Da 11ª à 20ª geração….. 4.190.208
Da 21ª à 30ª geração….. 4.290.772.992
Da 31ª à 40ª geração….. 4.393.751.543.808
TOTAL ……………………….. 4.398.046.511.100.

Se considerado o cálculo genealógico que estabelece ser cada avô mais longínquo três, cinco ou dez vezes ascendente de uma mesma pessoa, estes números podem ser reduzidos, mas não deixam de ser expressivos.

É bem provável, portanto, que aí encontremos alguns reis e vilões e, quanto às raças, europeus, índios, negros, judeus etc. Mesmo os que vieram da Europa podem ter origem asiática ou africana, diante das constantes invasões dos mouros e de bárbaros oriundos das mais diversas e distantes regiões e do intenso movimento migratório na região do Mediterrâneo.

Grande dificuldade encontramos na elaboração de nossa árvore de costado quando encontramos um ascendente indígena ou escravo africano, uma vez que eles, geralmente, não possuíam quaisquer registros de seus antepassados e, na maioria das vezes, não utilizavam sobrenomes que os identificassem com clareza.

No caso dos escravos nascidos no Brasil, havia possibilidade de alguma informação a respeito, uma vez que a Genealogia era utilizada para esclarecer a sua situação. Caso não fosse conhecida a filiação, havia a presunção do direito à liberdade. A propósito, a Relação da Corte (45), em acórdão de 16 de outubro de 1852, ensinava que, na dúvida, a sentença só poderia ser contra a escravidão.

Vale lembrar, contudo, que Resolução do Ministro da Fazenda, Dr. Rui Barbosa (46), de 14 de dezembro de 1890, recomendou a requisição, para queima e destruição imediata na casa de máquina da Alfândega do Rio de Janeiro, de todos os papéis, livros e documentos existentes nas repartições do Ministério da Fazenda, relativos ao elemento servil, matrícula dos escravos, dos ingênuos, filhos livres de mulher escrava e libertos sexagenários. Com isto, passamos a ter maior dificuldade no levantamento de informações sobre os nossos antepassados escravos, apesar da boa intenção do grande brasileiro de apagar de nossa história sinais da nódoa social que era a escravidão.

Recentemente, os Tribunais de Justiça dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo resolveram permitir que os fóruns das comarcas façam a destruição física de processos judiciais findos há mais de cinco anos, o que deverá provocar a eliminação de muitos documentos importantes para o estudo de nossa história e da vida de nossos antepassados. O autor, no entanto, acredita que, a exemplo do que já ocorreu em muitos países europeus e nos Estados Unidos da América, providências serão adotadas visando à criação de arquivos para a guarda de tais papéis, principalmente os que contêm subsídios para o estudo do passado do povo brasileiro.

Quase todos já colecionaram figurinhas, quando crianças. Alguns guardam revistas, tampas de garrafas, figuras de artistas, moedas, etc. O autor deste trabalho, por exemplo, coleciona selos desde seus nove anos de idade (o primeiro foi-lhe dado por sua tia-avó Antonieta Carrano).

Do mesmo jeito, há pessoas que gostam da Genealogia pela satisfação de, com o conhecimento do assunto, aumentar seu círculo de relacionamento e ter mais um assunto para as conversas com parentes e amigos.

Muitas portas são abertas em função do vínculo de parentesco, podendo ser citados vários fatos que fundamentam tal afirmação. A Dra. Ellen Fensterseifer Woortmann, por exemplo, narra em seu livro Herdeiros, Parentes e Compadres que, ao iniciar trabalho de campo para a defesa de tese de doutoramento na Fundação Universidade Nacional de Brasília, encontrou dificuldade na obtenção de dados junto aos membros da comunidade de Dois Irmãos (RS), só tendo conseguido a colaboração da população local quando um antigo morador identificou um dos avós da ilustre antropóloga como um representante comercial que esteve na cidade muitos anos atrás. Como o avô era um homem de bem, a neta passou a merecer confiança.

A propósito, Cláudio de Albuquerque Bastos cita em seu Família & Poder uma passagem interessante sobre certos grupos australianos contida no livro O Homem – Uma Introdução à Antropologia, do antropólogo Ralph Linton:

Diz-se que quando um estrangeiro visita uma dessas tribos, os velhos investigam sua genealogia até encontrar algum ponto comum com as genealogias existentes no interior do grupo.

O encontro da ligação procurada, acrescenta Linton, implica em bom tratamento ao visitante, que poderá ser morto se não for achado qualquer elo com a tribo.

Além do prazer de colecionar dados, ainda há a satisfação de ligar descobertas a fatos históricos. Maria José Reiff Guimarães, a segunda esposa de José Carrano, por exemplo, tinha entre seus antepassados Josefa Maria de Rezende, irmã do inconfidente mineiro José de Rezende Costa (47), e Maria Clara de Rezende, em cuja residência se hospedou D. Pedro I (48) quando de sua jornada a Minas Gerais em 1822, além de bandeirantes e outras figuras de nossa História. O compositor Chico Buarque descende de Caramuru (Diogo Álvares Correia), da irmã do Pe. Antônio Vieira (49), de Jerônimo de Albuquerque e de José Cesário de Faria Alvim, o 1º Governador do Estado de Minas Gerais, entre outras figuras da nossa história.

Tome-se o autor. Seu pentavô Manoel José Monteiro de Barros é citado nos autos da Inconfidência Mineira como o Guarda-Mor de Congonhas, dois irmãos de sua tetravó Maria do Carmo Monteiro de Barros eram nobres (o Barão de Paraopeba e o Visconde de Congonhas de Campo) (50) e o seu trisavô Vicente Ferreira Monteiro de Castro era irmão do 1º Barão de Leopoldina (Manoel José Monteiro de Castro) (51). O Barão de Dourado (José Antônio da Silva Freire) (52) era, provavelmente, sobrinho de seu tetravô e sua esposa descende do irmão do Barão da Conceição (José Rodrigues da Costa)(53) e de uma tia de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (54) Sua neta, por seu lado, é descendente de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, de Amador Bueno de Ribeira, o Aclamado, e de João Ramalho, destacadas figuras de nossa História.

Por outro lado, cada um de nós deve ter desejado saber de onde tirou uma ou outra característica, suas qualidades e defeitos. Como somos a soma de pedaços de nossos antepassados, conhecer tais ancestrais permite-nos melhor avaliar nossas atitudes e suas consequências, evitando erros ocorridos no passado.

A Genealogia, além de permitir-nos conhecer caracteres hereditários importantes para o conhecimento de nós próprios, dá-nos conhecimento das doenças que levaram ao túmulo os nossos ascendentes, alertando-nos sobre eventual predisposição a certos problemas com a saúde. O Jornal do Brasil, em 9 de janeiro de 1994, e a revista Veja, em sua edição de 21 de junho de 1995, publicaram artigos sobre o interesse dos norte-americanos na reconstrução da história das doenças de seus pais e avós visando à avaliação dos riscos de desenvolvimento de males genéticos.

Alguns genealogistas preocupam-se com a divulgação dos resultados de seus trabalhos, uma vez que todo o seu esforço pode ser prejudicado por um simples expurgo de papéis, após seu falecimento.

A publicação de tal material poderá ser de valor incalculável para o estudo da formação, divisões, colateralidades, ascendentes, descendentes, parentescos naturais, filiações, consaguinidades e afinidades de uma grande família.

Acima de tudo, a Genealogia é importante instrumento de estudo de nossa História, motivo por que o tradicional Colégio Dom Pedro II (55) sempre deu atenção à matéria. O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (entidade de utilidade pública fundada no Rio de Janeiro em 1838, sob a proteção do Imperador D. Pedro II) (56), reconhecendo tal importância, chegou a ceder espaço de suas instalações ao Colégio Brasileiro de Genealogia para as atividades desta entidade.

Além do relacionamento com a História, Geografia, Genética, Sociologia, Religião, Antropologia e Direito, não se pode deixar de reconhecer a importância da Genealogia para o estudo da Estatística.

Também a Política está intimamente ligada com oligarquias de base familiar, assunto muito bem tratado nos livros Política e Parentela na Paraíba, de Linda Lewin, e Família & Poder, de Cláudio de Albuquerque Bastos.

Deve ser registrado, ainda, que a Economia encontra no estudo das famílias subsídios para o estudo da terra como fator de produção, dos empreendimentos familiares, com sua transferência de pai para filho, bem como da poupança de grupos domésticos e sua contribuição para o desenvolvimento de uma comunidade. A propósito, o livro De Geração para Geração, resultado de cuidadosa pesquisa de seus autores (Kelin E. Gersick, John A. Davis, Marion McCollom Hampton e Ivan Lansberg), informa que mais de 80% das empresas do mundo são familiares.

A Genealogia também tem inspirado alguns escritores na construção de importantes obras de nossa literatura, como Os Buddenbrook, de Thomas Mann, que deu ao autor o Prêmio Nobel de Literatura em 1929, e Raízes, de Alex Haley, que, transportada para a televisão americana, obteve um índice de audiência nunca visto anteriormente. Na poesia, não se pode negar a sua influência na formação de alguns versos de Os Lusíadas, de Camões, e da letra da música Paratodos, de Chico Buarque, devendo ser lembrado, ainda, o nosso poeta Gerardo Melo Mourão, que revelou a saga de uma família em seu livro O País dos Mourões.

Por tudo que aqui foi exposto, cresce o interesse das pessoas pela Genealogia. A Gazeta Mercantil, jornal dirigido a empresários e homens dedicados à economia e às finanças, publicou em 28 de agosto de 1996 um artigo do jornalista Maurício Correia destacando o interesse do autor deste livro pela matéria. Foi o bastante para que dezenas de leitores transmitissem ou pedissem informações a respeito.

Já foram mencionadas neste Capítulo muitas fontes de dados necessários à elaboração de uma árvore genealógica. Faltou, contudo, o registro da importância das informações orais provenientes dos parentes ou, até mesmo, de pessoas estranhas ao círculo familiar. Nesse caso, cabe ao pesquisador verificar a correção dos dados recebidos, em face dos erros, muitas vezes de boa fé, que podem ocorrer na sua transmissão de um indivíduo para outro.

O autor não pode deixar de consignar, aqui, a sua homenagem ao amigo João Batista Vieira Vidal (57), de Angustura, MG (58), e ao tio Hudson Carrano, que o incentivaram a realizar as pesquisas que permitiram a elaboração deste trabalho.

Os depoimentos sobre a Genealogia a seguir apresentados complementam o que foi transmitido neste capítulo:

Suprimindo a vaidade, o que procuro na Genealogia, como biologista, são minhas razões de ser animais, reflexas, instintivas, genéticas, inevitáveis. Gosto de saber – na minha hora de bom ou mau, na de digno ou indigno, nobre ou ignóbil, bravo ou covarde, veraz ou mentiroso, audaz ou fugitivo, circunspecto ou leviano, puro ou imundo, arrogante ou humilde, saudável ou doente – quem sou eu. Quem é que está na minha mão, na minha cara, no meu coração, no meu gesto, na minha palavra; quem é que me envulta e grita: estou aqui de novo, meu filho, meu neto! Você não me conheceu logo porque eu estive escondido cem, duzentos, trezentos anos.
(Pedro Nava, em Baú de Ossos)

Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia. Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas. Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo.
(Carl Jung (59), citado por Renato Otávio Carrazedo, em Carrazedo – Uma Família do Rio de Janeiro)

Para melhor ou pior, nossa avaliação de cada encontro pessoal e nossas respostas a ele são moldadas não apenas por nossos julgamentos racionais ou nossa história pessoal, mas também por nosso passado ancestral distante.
(Daniel Goleman, no seu livro Inteligência Emocional)

A falta de uma memória universal, consciente, traz à nossa vida o interesse de ser vivida. Os entes longínquos, de quem viemos, desapareceram, extraviados nas gerações. Tudo que sentiram, tudo que pensaram, anda incompreensível dentro de nós. Criamos … Não sabemos que repetimos ….
(Álvaro Moreira (60), conforme citação de José Francisco de Assunção Santos em Árvore de Costados de D. Clara Maia de Lima)

Ao mesmo tempo que temo o ridículo da prosápia, não quero evitar certo sentimento que não chego a definir mas me agrada, perante a realidade que tenho agora diante de mim, documentada por fotocópias da Torre do Tombo, de Lisboa, transcrições, quadros armados, uma teoria de nomes e referências. Pensar que também eu poderia fazer alguma vez a crônica dessa gente e de repente entroncaria na História, assusta-me e me delicia. Afinal, eis uma ocupação para o que me resta de vida. Sei que não a exercerei. Mais uma tarefa jogada fora. Viver não deixa muito tempo disponível.
(Carlos Lacerda (61), em A Casa do Meu Avô)

A Genealogia é uma das mais belas e úteis ciências, quando cultivada em função da terra e do sangue. A preocupação absorvente da gleba e da Família, do apego ao chão e às tradições domésticas, fecunda as raízes das árvores genealógicas que são áridas e frias, inexpressivas e mudas quando redundam em simples enumeração de ascendentes e descendentes. Florescem os seus ramos, enfeitam-se de cor e de som, animam-se, enchem-se de vida, esmaltam-se de glória sentida e compreendida, quando investigamos nos alfarrábios e tiramos do pó o espírito dos antepassados, para viver suas existências, comungar suas obras, beber suas lições, impregnar-nos de suas virtudes e do heroísmo de seus martírios.
(Mário Aloísio Cardoso de Miranda, em O Ciclo das Gerações)

Melhor é fazer-se história humana e lógica através de homens que amam e vivem que de nações que matam e morrem. A história das famílias-troncos será a única forma de escrever a história do povoamento do Norte brasileiro. Mas os historiadores preferem fazer a monotonia das sucessões de governo e das medidas administrativas, esquecidos das velhas fazendas de gado, das roçarias amplas, dos engenhos de açúcar, rudimentares e lentos, cujas casas grandes marcaram na extensão do pátio limpo, os limites das futuras cidades sertanejas. Reunir a vida dessa família cuja sombra cobre regiões infindas é possuir verdadeiramente a explicação social e religiosa de nosso passado.
(Luís da Câmara Cascudo (62), no prefácio de Os Linhares, de Mário Linhares)

A consanguinidade, ligando um número relativamente grande de indivíduos, permite ao genealogista a tomada de dados que, reunidos em forma conveniente, podem servir para o estudo analítico de caracteres hereditários importantes, revelando, ao mesmo tempo, o valor de cada um dos antepassados, pela transmissão de aptidões intelectuais, particularidades de temperamento, traços físicos, etc. Os quadros genealógicos não devem, portanto, ser constituídos unicamente de nomes e de datas. A simples descrição de ascendentes e descendentes torna as árvores genealógicas inexpressivas, áridas e vãs. A Genealogia moderna, aperfeiçoando seus métodos de pesquisa histórica, ilustra-os com informações detalhadas sobre os fatos principais de cada pessoa, sua carreira, hábitos, traços físicos, atributos intelectuais e outros.
(Jorge Godofredo Felizardo, na palestra O Ciclo das Gerações, realizada no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul em 11 de outubro de 1941)

Portanto, é de toda uma província que herdamos, de todo um mundo. O ângulo, na ponta do qual nos encontramos, se alarga através de nós ao infinito. Encarada sob este aspecto, a Genealogia, essa ciência tão frequentemente posta a serviço da vaidade humana, conduz primeiro à humildade, e ao sentimento do pouco que somos nessas multidões, depois à vertigem.
(Marguerite Yourcemar (63), em Arquivos do Norte)

A restauração de cada linhagem deve ser uma tarefa de honra dentro de cada família. Todos devem colaborar para ela, formando-se por esse modo uma corrente contínua de solidariedade do presente com o passado e o futuro, e de radicado apelo ao solo querido que encerra os restos dos nossos maiores e que servirá de berço aos portadores dos nossos nomes quando nos chegar a vez de ir repousar ao lado daqueles.
(João Borges Fortes, em Troncos Seculares)

A velocidade da vida moderna tem conduzido os homens ao encontro de atividades lucrativas imediatas, num tal abandono de si mesmo, que a própria pessoa humana tem sido relegada a um segundo plano. O registro de datas, de acontecimentos de família, torna-se hoje quase impossível, quando complexos e variados problemas de cada pessoa, num só dia, são maiores que toda a atividade de uma família inteira, há um século, durante uma semana.
(Mauro de Almeida Pereira, em Os Almeidas, os Britos e os Netos em Leopoldina – MG).

Quem não gosta de saber donde veio ? Quem não quer conhecer os seus e o que eles fizeram? De resto, pareceu-nos um dever, uma obrigação contraída com aqueles que já partiram e nos legaram um nome, fazê-los perpetuar no seio de nossa família, torná-los conhecidos para, a seu exemplo, os respeitar e prosseguir na sua esteira luminosa.
(Barão de Mearim, ou José Teodoro Correia de Azevedo Coutinho (64), em Genealogia do Barão de Mearim)

Reconstruir o passado familiar do indivíduo é tarefa que necessita conhecimento de fontes diversas que possibilitam pesquisar temas variados do comportamento familiar. Para realizar o estudo social do indivíduo faz-se necessário o conhecimento da Genealogia Clássica e a utilização de seus dados informativos. À medida em que as genealogias passaram a utilizar métodos científicos que procuram justificar as listas de gerações utilizando as atas de batismos, contratos de casamentos e outros documentos, tornaram-se importantes fontes históricas. Por esse motivo, pode-se classificá-los, não mais como uma Ciência Auxiliar da História, mas sim uma parte da História Social, que é a Genealogia Social. Através da Genealogia Social o campo de dados amplia-se, possibilitando acompanhar através de métodos sistemáticos a organização familiar de indivíduos de diferentes classes sociais.
(Vera Lúcia Bottrel Tostes (65), em artigo publicado na Carta Mensal do Colégio Brasileiro de Genealogia nº 7)

A História do Brasil é a história de suas famílias.
(Capistrano de Abreu (66), conforme citação no livro Os Antepassados, do Padre Pedro Maciel Vidigal)

… a Genealogia não é uma ciência subsidiária da História, nem depende dela. Muito ao contrário, constitui sua base de partida, sob a denominação de Genealogia-Histórica.
(J. F. de Assunção Santos, em seu livro Árvore de Costados de D. Clara Maia de Lima)

A pátria é um complexo de famílias enlaçadas entre si pelas recordações, pelas crenças e, até, pelo sangue. Tomai, de feito, as duas delas que vos parecerem mais estranhas, colocadas nas províncias mais opostas de um país; examinai as relações de parentesco de uma com outra família, mais as desta com uma terceira e assim por diante. Dessa primeira, que tão estranha vos pareceu, à última, achareis um fio, emendado sim, talvez inextrincável, mas sem solução de continuidade. Uma nação não é só metaforicamente uma grande família: é-o também no rigor da palavra.
(Alexandre Herculano (67), em Lendas)

Os egípcios começaram a sua história à base da Genealogia, que os gregos e romanos também tinham na mais alta conta, conforme o depoimento de Nicolau Rausueri: “Non solum a groecis, sed etiam a romanis cumprimis fuit exculta”. A razão está em que ela tira do esquecimento nomes de pessoas insignes, cujos atos merecem ser lembrados.
(Padre Pedro Maciel Vidigal, em Os Antepassados)

Qualquer estudioso do assunto tem como certo que cada homem carrega dentro de si multidões de antepassados, que aparecem em muitos de seus traços físicos. E o que é mais importante: exercendo notável influência nos mais íntimos refolhos de sua alma. Na verdade, muitas vezes, entre nós e os nossos avós e bisavós, há visíveis semelhanças assim do ponto de vista corporal como do espiritual. Na verdade, muitos filhos assemelham-se aos pais ou a seus avós, de modo bem sensível, nos defeitos da vista, no modo de crescer dos cabelos, nos traços do rosto, no feitio do nariz, e até no modo de andar. Pueril é supor desvinculada cada existência humana de quantos concorreram para lhe dar origem.
(Padre Pedro Maciel Vidigal, em Os Antepassados)

Infelizes as famílias que não têm história. Não ter história é quase não ter nome; é quase não ter pátria. Felizes, ao contrário, as famílias que têm história, porque lhes é dado o júbilo de a recordar, porque ela constitui a fonte fecunda, inesgotável e profunda de suas energias morais; porque a cada passo, que dão, sentem, atrás de si, o rastro de sua própria imortalidade. Que é a nossa vida, senão a história que começa? Que é a história, senão a vida que continua? A história de nossa família, de nossa gente, de nossa casa está conosco. Respira perto de nós. A sua presença todos adivinham. Ora bela, ora triste, é uma grande história.
(Júlio Dantas (68), no livro Outros Tempos)

A Genealogia, como ciência, não se restringe à investigação exclusiva de árvores nobiliárquicas, mas à reconstituição de todas as famílias, por mais modestas, no sentido de buscar a contribuição pessoal na obra comum de engrandecimento da pátria.
(Mário Aloísio Cardoso de Miranda, em O Ciclo das Gerações)

O melhor e o mais sábio dos homens, Sr. Littré, desejava que cada família tivesse seus arquivos e sua história moral. Disse ele: “Depois que uma boa filosofia me ensinou a estimar enormemente a tradição e a preservação, eu lastimei muitas vezes que, durante a idade média, famílias burguesas não tivessem pensado em formar modestos registros onde fossem consignados os principais incidentes de sua vida doméstica, que seriam transmitidos enquanto a família durasse. Como seriam curiosos os registros que tivessem alcançado nossa época, por mais sucintas que fossem as notas! Quantas noções e experiências perdidas, que teriam sido salvas com um pouco de cuidado e perseverança!” Pois bem, eu realizarei de minha parte o desejo do sábio ancião: isto será guardado e será o começo do registro da família. Não percamos nada do passado. É com o passado que se faz o futuro.
(Anatole France (69), no Le Livre de Mon Ami)

Enquanto trabalhava em minha árvore genealógica, compreendi a estranha comunhão de destinos que me ligava aos meus antepassados. Tenho a forte impressão de estar sob a influência de coisas e problemas que foram deixados incompletos e sem resposta por parte de meus pais, meus avós e de outros antepassados. Muitas vezes parece haver numa família um carma impessoal que se transmite dos pais aos filhos. Sempre pensei que teria de responder a questões que o destino já propusera a meus antepassados, sem que estes lhes houvessem dado qualquer resposta: ou melhor, que deveria terminar ou simplesmente prosseguir, tratando de problemas que as épocas anteriores haviam deixado em suspenso.
(Declaração de Carl Jung, publicada na Carta Mensal nº 13 do Colégio Brasileiro de Genealogia)

Parece-me poético saber onde estava o meu sangue por estes velhos séculos; e, em meio aos acontecimentos que dia a dia vão urdindo a história humana, onde se situaram esses antepassados que não previam os seus descendentes, como nós não prevemos os nossos.
(Cecília Meireles (70), em Escolha o seu Sonho)

É lastimável que os livros de família não venham, apesar de raros, despertando o merecido interesse, por parte dos nossos estudiosos. Já os que apareceram, bastante intervalados, encontraram uma acolhida morna, contrastante com o valor imenso que possuem e que não pode passar desapercebido àqueles que se preocupam com os fatores que jogaram na nossa formação. Não tivemos, contra os documentos domésticos, os livros íntimos, as cartas, os arquivos particulares, somente a adversidade do meio, divorciado pelas distâncias enormes, formando as ilhas, dispersas, isoladas, dentro da continentalidade espiritual do Brasil; mas a decidida aversão da nossa gente pela escrita, pelo papel, pela leitura, aversão que constituiu uma particularidade que não vamos aqui discutir, mas constatar. Ora, diante dessas dificuldades, seria natural que os poucos livros de família, os parcos documentos domésticos, a velha correspondência, encontrassem, quando publicados, comentados e em livro, uma acolhida em dependência direta com tal raridade e com um valor que não se pode discutir.
(Nelson Werneck Sodré (71), em artigo publicado na edição de 24-FEV-1944 do jornal O Estado de São Paulo, transcrito no livro A Família Aguiar Whitaker, de Edmur de Aguiar Whitaker)

Feliz aquele que se recorda com prazer dos seus antepassados; que conversa com estranhos sobre eles, suas ações e sua grandeza e que sente uma satisfação secreta por se ver como o último elo de uma bela corrente.
(Johann Wolfgang von Goethe (72), conforme citação de Henri Bordeaux em Le pays natal)

Estudando a vida doméstica dos antepassados sentimo-nos aos poucos nos contemplar: é outro meio de procurar-se o “tempo perdido”. Outro meio de nos sentirmos nos outros – nos que viveram antes de nós; e em cuja vida se antecipou a nossa. É um passado que se estuda tocando em nervos; um passado que emenda com a vida de cada um; uma aventura de sensibilidade e não apenas um esforço de pesquisa pelos arquivos.
(Gilberto Freire (73), em Casa Grande e Senzala)

É tempo de se deterem os escritores de história diante desses clãs, em cuja cadeia rácica como que se percebe melhor a coesão das eras, a unidade consanguínea do Brasil que ajudaram a formar, construindo sua casa patriarcal, devassando-lhe os sertões, alargando as suas fronteiras ou disciplinando a sua vida coletiva .
(Pedro Calmon (74), em História da Casa da Torre)

E os genealogistas, obreiros de uma seara ingrata, num país de arquivos desbaratados, esforçam-se em reconstruir as trajetórias do povoamento por intermédio dos fios das gerações. De quanto é penoso o labor, posso dar testemunho pessoal pelo esforço que me exigiu estabelecer a ligação de minha família materna com os troncos dos primeiros vicentinos. Também sincero prazer me trouxe este êxito: sentir-me preso à terra pátria por quinze gerações.
(Alfredo d’Esgragnolle Taunay (75), em discurso na Associação Brasileira de Letras)

O erro é reputar-se a análise genealógica apanágio da aristocracia e seu pretensioso passatempo uma exibição seródia de vaidade. Deste tipo ornamental de lisonja retrospectiva se ocupavam, na época dos seus privilégios, os que disto auferiam um adequado lucro. Com a derrogação das leis velhas fecharam-se tais escritórios, arquivaram-se aqueles estudos, dispensaram-se os especialistas, e caiu num olvido justo a sua literatura. O que agora se reinicia não é a tradição dos cronistas mais ou menos fabulosos, porém a reconstrução modesta dos troncos familiais, cuja procedência e cujo desdobramento nos instruem sobre o processo da formação nacional: a aliança da boa genealogia aos acontecimentos pátrios; a exemplificação do patriarcado de outrora; a criação, através de um inquérito vertical, do que seja representativo desse desenvolvimento, no tempo e no espaço, do povo brasileiro.
(Pedro Calmon, conforme texto publicado no Boletim da Sociedade Genealógica Judaica do Brasil de maio de 1995)

… hoje a Genealogia de uma família dominante em dada época ou região não mais se faz para defender regalias ou alardear brasões e sim para facilitar o estudo e compreender a evolução, o modo de vida e os anseios desta ou daquela aglomeração humana.
(José Ribeiro do Vale (76), em E eles também cresceram e se multiplicaram…)

Se nem toda a genealogia tem o mesmo valor em face da história, perante a sociologia toda ela tem valor, e isto é o que importa não esquecer.
(Citação constante do livro Dados Genealógicos da Família Rocha, preparado e publicado pelo Desembargador Moacir Sipaúba da Rocha)

O povo que não olha para o passado à procura de seus ancestrais jamais olhará para o futuro e para a posteridade.
(Winston Churchill (77), conforme citação do General Nicanor Porto Virmond em seu livro Genealogia de Frederico Guilherme Virmond)

Os povos que não recordam o passado são povos fadados ao perecimento.
(Trecho de conferência pronunciada pelo Presidente Tancredo Neves (78), publicado no Volume XIII da RIHGMG)

… entre as massas ignaras não faltou quem procurasse achincalhar os linhagistas, acusando-os de cultores de coisas inúteis, narcisados em gloriolas de seus antepassados. Cultivar Genealogia, entretanto, é cultivar história. A História é o todo em que se resume a atividade dos povos e das nações, a Genealogia é a parte em que se especifica a contribuição de cada indivíduo de cada família.
(José Timóteo Montalvão Machado, em Dos Pizarros de Espanha aos de Portugal e Brasil – História e Genealogia)

Porque a História é continuamente criada e escrita pelos homens e resulta do enlace das ações humanas, não pode ela prescindir da Genealogia, ciência auxiliar felizmente cultivada em Minas e presente em bom número de obras de autores mineiros. Para muitos, ela comparece como a ciência precursora da História, uma vez que a história de antigos povos, como os egípcios e babilônicos, começa com o apoio em genealogias de nobres e imperadores. O próprio livro inspirado de Deus, a Bíblia, logo no Gênesis, registra genealogias estabelecidas por Moisés.
(Oiliam José (79), em Historiografia Mineira)

Alguém há de perguntar – “Por que ainda hoje há pessoas que se interessam por assuntos tão tolos como origem de famílias?” A todos estes respondo que é com o conhecimento de onde viemos que saberemos aonde vamos. Quer queiramos ou não são os nossos ancestrais que deram a formação mais profunda do nosso ser, do nosso existir. É pois conhecendo as tendências, os modos de ser dos nossos, que saberemos lutar, com a ajuda de Deus, pelo que seremos e o que os nossos filhos serão. Desse modo, também a eles ofereçamos o gosto pelo conhecimento dos nossos.
(Carmen Coelho de Miranda Freire, em Notas Genealógicas das Famílias Correia, Meira Henriques, Albuquerque Maranhão, Vieira e Coelho)

Quando vos perguntarem quem sois, não vades revolver o nobiliário de vossos avós, ide ver a matrícula de vossas ações. O que fazeis, isso sois, e nada mais.
(Padre Antônio Vieira, no Sermão da Terceira Dominga do Advento)

… Esmerilham o nascimento e a família, e querem fazer o homem responsável por um passado que não lhe pertence. Pobres loucos, que não sabem que a vida do homem começa no momento em que brilha a primeira luz da razão e que o seu verdadeiro nome não é o que lhe legaram seus pais, mas aquele que ele próprio inscreve com os seus atos no grande livro do mundo.
(José de Alencar (80), em Crônicas Escolhidas)

Sobre a importância dos estudos genealógicos muito se terá a dizer ainda, de vez que poucos são os que dão o mérito devido a tal gênero de estudo. São mesmo, por vezes ou quase sempre, postos de lado sem maiores indagações. Existem, no entanto, os que o concebem com base científica e os levam, assim, mais adiante, procurando realizar um trabalho que cada dia mais se firma, e que, em futuro próximo, terá obrigatoriamente reservado o seu lugar no campo das ciências sociais.
(Cláudio de Albuquerque Bastos, em Família & Poder).

A Cronologia, a Geografia e a Genealogia são as três ciências sobre as quais repousa a História. A Cronologia fornece a data em que a ação se realiza. A Geografia ensina o lugar onde a ação se passa. A Genealogia mostra o personagem que faz essa ação. Esta ciência é conservadora da ilustração e dos direitos dos soberanos; faz recair sobre os que a merecem, celebridade, jatos de glória e esplendor que a posteridade jamais recusa aos príncipes que se dedicaram aos destinos e felicidades das nações, e transmite frequentemente, duma família a outra, o poder de reinar sobre diferentes povos, ou o direito de co-dividir os impérios.
(Monsieur V., em sua Histoire Généalogique des Maisons Souveraines de l’Europe, conforme registado no artigo Aspecto Moral da Genealogia, de Sebastião Pagano, publicado no oitavo volume da Revista do Instituto Heráldico-Genealógico)

A genealogia é uma ciência cuja importância ninguém contesta, e todos consideram como auxiliar precioso da história e até da biologia (encarada pelo lado psicológico).
(Eugênio de Castro, prefaciando o livro Descendência dos 1ºs. Marqueses de Pombal, de Sá e Costa, conforme citação de Cláudio de Albuquerque Bastos em Família & Poder)

Uma coisa, porém, se cristaliza sempre mais claramente, referente ao valor da Genealogia Científica: que ela, servindo-se de tantas outras ciências, como a História, a Biologia, a Estatística, a Criminologia, etc., podendo também servir a estas e mais outras ciências, possui, daí, o direito de reclamar uma cátedra no currículo universitário dos nossos dias, um fato que, aliás, já se registrou em muitas Universidades da Europa, onde a “Genealogia” é ensinada com grande sucesso.
(Enrico Schaeffer, em artigo publicado na Revista de História nº 94).

A genealogia investiga o passado, identifica o presente e resguarda o futuro, identificando a humanidade, em um passado, que já foi presente, e em um presente, que já foi futuro. A Genealogia é para a Identificação o que as horas são para os séculos. Um, a tradição; o outro, o tempo; ambos, a história.
(Ricardo Gumbleton Daunt (81), no primeiro volume do Anuário Genealógico Brasileiro)

Mesmo sem aceitá-los, poderíamos tomar para objeto formal dum estudo que revelasse o ciclo das gerações, os princípios de Galton, observando, na lei que criou, que os pais determinam a metade dos caracteres do filho, os quatro avós a quarta parte, os oito bisavós a oitava parte, e a outra oitava parte os outros ascendentes. E se o mendelismo é hoje uma doutrina que domina na genética, podemos com segurança afirmar que, afastadas as hipóteses transformistas, sobraram da obra de Carlos Darwin quatro teses que hão de influir poderosamente no problema da transmissão hereditária que há quarenta anos preocupa a biologia. As leis da herança imediata, do atavismo, da herança homócrona e da herança fixa constituem bases científicas curiosas para a genealogia, cujo estudo, uma vez generalizado, documentará preciosamente a história, onde se verificará que não só os filhos têm muitas propriedades herdadas dos pais, como outras que seus progenitores não tiveram, mas tiveram seus avós ou antepassados anteriores; que essa herança aparece no descendente, em geral na mesma idade em que apareceu no ascendente e raras vezes antes; que as propriedades não herdadas mas adquiridas, por acomodação podem ser transmitidas e assim fixadas na espécie.
(Mário Aloísio Cardoso de Miranda, em O Ciclo das Gerações)

Carlos da Silveira tem entendido a genealogia como estudo de populações e não de nobiliarquia, como se fazia no passado, e essa sua orientação parece ter obtido inúmeros seguidores. Não outro, senão esse, o pensamento de Caio Prado Júnior (“Formação do Brasil Contemporâneo” – 68) a reconhecer a importância dos estudos genealógicos corretamente orientados, quando observa: onde se poderiam buscar dados seguros para acompanhar estes deslocamentos do interior para o litoral, como aliás outros movimentos demográficos, senão nos estudos genealógicos. Infelizmente este assunto quase só ocupa por enquanto os interessados entre nós para servir à vaidade fátua de uma pseudo aristocracia, em vez de contribuir para seus objetivos legítimos que são a pesquisa científica e o esclarecimento de tantas questões úteis para a compreensão de nossa história.
(Cláudio de Albuquerque Bastos, em Família e Poder)

A propósito da completa transformação do conceito de genealogia dos tempos atuais, já tivemos ocasião de falar certa vez: hoje em dia o sentido dos estudos genealógicos mudou por completo e disso não se deram conta muitos pesquisadores que parecem dominados por um espírito completamente ultrapassado. O que se procura é encontrar os traços fundamentais que se mantêm nos descendentes de um ancestral comum (os chamados homens fortes que todas as famílias reivindicam), e compreender os laços de parentesco que justificam alguns fenômenos inexplicáveis para os observadores superficiais. A genealogia sofreu as influências da genética moderna, especialmente após os trabalhos do célebre cônego Mendel. Galton realizou, aliás, pesquisas bastante curiosas a respeito dos traços comuns das estirpes. São dele as tentativas de obtenção dos retratos de família, pela superposição de uma série de imagens em condições semelhantes de proporção e de iluminação. Chegava-se, assim, a uma fisionomia familiar paradigma, da qual se aproximavam ou afastavam os consanguíneos.
(Américo Jacobina Lacombe (82), em seu livro Introdução ao estudo da História do Brasil).

Ressuscitar as memórias
das passadas gerações,
e dentre o pó das histórias
evocar todas as glórias
das antigas tradições,

é serviço, é incitamento,
é missão honrada e nobre;
……………………
(Júlio de Castilho (83), em Manuelinas)

Os estudos genealógicos oferecem, entre outras utilidades reais, uma particularidade de grande importância: constituem um agente seguro e positivo da unidade nacional. Essa face da genealogia não tem sido ainda destacada como devia. Basta observarmos, porém, a linha de uma família paulista, carioca, gaúcha ou nortista, para compreendermos o valor desse aspecto da genealogia, pois teremos que nos transportar, mentalmente, no estudo da ascendência de uma pessoa, a vários pontos do território nacional. Entrelaçando assim os brasileiros, através da origem dos antepassados de cada figura em exame, a genealogia constitui poderoso meio de fortalecer a unidade brasileira.
(Antônio Augusto de Menezes Drummond (84), em entrevista publicada no primeiro volume do Anuário Genealógico Brasileiro)

Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grã genealogia;
Não me mandas contar estranha história:
Mas mandas-me louvar dos meus a glória.
(Luís Vaz de Camões (85), em Os Lusíadas)

A pátria é a família amplificada. E a família, devidamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a bem querença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo. Multiplicai a família e tereis a pátria.
(Rui Barbosa, conforme citação de Mário Linhares em seu livro Os Linhares)

Cresce o papel da genética na prática da Medicina e os cientistas descobrem que, fora os acidentes e as doenças infecciosas, todos os demais problemas de saúde têm uma relação qualquer com a história familiar dos pacientes.
(Reportagem de capa da revista Veja, em edição de 21 de junho de 1995, de autoria de Eurípedes Alcântara)

Cada homem carrega a história de todos os que o precederam. E faz, por sua vez, em certa medida, a história de todos os que o seguirão. Nenhum de nós começa do princípio. Nascemos no meio de nossa própria história.
(Afirmação do Padre Daniel Lima registrada por Nelson Barbalho em seu Agreste Pernambucano e transcrita por Luís Wilson em sua obra Roteiro de Velhos e Grandes Sertanejos)

O que se tem em vista agora, no estudo das famílias, não é a defesa dos privilégios, mas o exame dos movimentos da sociedade, os vínculos estabelecidos pelo parentesco na estrutura social do país. Parece missão bem mais séria do que elaborar esquemas e gráficos das estirpes dominantes. A futilidade da maior parte dos estudos genealógicos acarretou o desprestígio dessa auxiliar da história no juízo de muitos historiadores. Para o caso brasileiro o estudo genealógico, encarado de maneira científica, apresenta importância indiscutível. As relações de parentesco estabelecem entre nós uma rede bem mais séria que em outros países. Em inquérito recente, feito no interior de São Paulo, sob a direção de um sábio mestre da sociologia, Donald Pierson, com todos os preceitos da técnica, espantaram-se os pesquisadores exatamente com a força extraordinária dos laços de parentesco. Analfabetos, incapazes de conhecer pelo nome as autoridades locais ou nacionais, conhecem os parentes até graus reputados remotos pelos povos que se consideram civilizados. É este emaranhado de relações que entra em ação na política, na religião, na vida social e nas tradições – elemento imprescindível para compreensão de solidariedades inesperadas, resistências imprevisíveis e reações imponderáveis.
(Américo Jacobina Lacombe, em seu livro Introdução ao estudo da História do Brasil)

A genealogia é auxiliar das biografias, estas são poderosos apoios da História. Complete a sua obra, escrevendo o que sabe sobre toda essa gente e faça um livro, que servirá de consulta aos nossos historiadores. É obra complementar, que se impõe.
(Trecho de carta do Presidente Washington Luís (86), de 11 de abril de 1955, dirigida a Francisco de Carvalho Soares Brandão Neto, que a transcreveu em seu livro Glorioso Passado)

O culto dos antepassados é a mais antiga religião e está baseada na crença da imortalidade da alma. A principal responsabilidade dos vivos é com o culto dos ancestrais, cujos espíritos retribuem com sua proteção. Todavia, sem a lembrança dos vivos, os mortos não poderão persistir. Essa crença é o substrato das cinco grandes denominações asiáticas: hinduísmo, budismo, confucionismo, taoísmo e xintoísmo.
(Rogério C. de Cerqueira Leite, no artigo Culto de ancestrais permeia as religiões, publicado na edição da Folha de São Paulo de 30 de junho de 1997)

O estudo das genealogias representa um riquíssimo material de experiências e observações não só sob o ponto de vista antropo-biológico e étnico, senão também e sobretudo para o conhecimento dos elementos psicológicos e caracteriológicos dos grupos humanos.
(René Marital, em sua obra Vie et Constance des Races, conforme citado no livro Dona Joaquina do Pompéu, de Coriolano Pinto Ribeiro e Jacinto Guimarães)

Não há povo sem tradição. Pode o progresso modificá-la e adaptá-la às novas realidades da vida, mas não deve suprimi-la sob pena de pôr em risco os liames secretos que ligam as gerações umas às outras.
(Austregésilo de Ataíde (87), conforme citado no livro Sertões dos Puris, de Heitor de Bustamante)

O futuro da humanidade passa pela família, a família brasileira, a família latino-americana, a família de todas as partes do mundo.
(Papa João Paulo II, em mensagem enviada ao povo brasileiro em 2 de outubro de 1997)

Há no decálogo cristão uma rubrica redigida deste modo: honrai pai e mãe. Este preito aos pais só é completo honrando também os avós, pais dos nossos pais ! E lá estamos nós presos nas malhas da Genealogia.
(Armando de Matos, conforme citação contida na obra Velhos Troncos Mineiros, do Cônego Raimundo Trindade)

O homem é o extrato de seus antepassados.
(Ralph Waldo Emerson (88), conforme mencionado no livro Família & Poder, de Cláudio de Albuquerque Bastos)

Inicialmente vou lamentar a nossa triste pobreza em questões genealógicas: um falso igualitarismo tornou ridículos estes estudos entre nós. Como se a única finalidade de genealogia fosse provar fidalguias. Também contribuiu muito o receio, bem fundado, de ver árvores frondosas e ilustres, com raízes na costa da África, ou em terrenos não adubados pelos sagrados laços do matrimônio (quando não proveniente de algum “coito danado”). O famoso e tão justamente criticado Rui Barbosa mandando pôr fogo nos arquivos da escravidão deve ter tranquilizado muita gente ilustre, que não queria ter antepassados entrando no país pelo Valongo.
(João Camilo de Oliveira Torres (89), em seu livro O Homem e a Montanha).

Os que desprezam os manuscritos genealógicos atiram fora o melhor oiro da história civil, política e religiosa de nossa terra.
(Camilo Castelo Branco (90), em Os Brilhantes dos Brasileiros, conforme registrado no Vol. IV do Anuário Genealógico Brasileiro)

Milhares de genealogistas amadores estão descobrindo que a investigação da história de uma família constitui um passatempo fascinante e … compensador.
(John J. Stewart, em condensado de Family Weekly publicado no Reader’s Digest de janeiro de 1968, conforme citação de Waldemar Rodrigues de Oliveira Leal em seu livro Genealogia – Famílias Nogueira da Gama e Gomes Leal)

As nações têm necessidade de, em qualquer idade de seu desenvolvimento, rever com frequência a história de seus ascendentes, para deduzir, como na topografia das montanhas, a linha das cumeadas, no esforço de manter o nível de sua vida política e social à altura das figuras pinaculares que se destacaram nas gerações anteriores.
(José Maria Alkmim (91), em discurso na Câmara dos Deputados, conforme publicado no livro José Maria Alkmim – Uma Biografia, de Murilo Paulino Badaró)

Com a minha outra história da família Mann quero, todavia, chamar também a atenção para o fato de que todos descendemos de famílias com uma rica abundância de histórias – por mais que os Mann, os Bruhns, os Pringsheim e os Dohm sejam famílias repletas de matizes e cores incomuns, também por causa de seus filhos e filhas escritores. Onde e como quer nos localizemos em nossas próprias famílias: quer nos coloquemos à margem despercebidos ou no centro das atenções, quer sufocados numa jaula estreita, oprimidos por pesados fardos, observando curiosos o mundo em nós e à nossa volta, quer criando ativamente ou ainda, quem sabe, ligados aos outros – também somos responsáveis por nossa história, que é parte da história de nossa família. Não precisamos aceitá-la como um destino inexorável, mas podemos sem dúvida contribuir para reescrevê-las e recontá-las de uma maneira nova.
(Marianne Krüll (92), em seu livro Na Rede dos Magos – Uma outra história da família Mann)

A todo esse povo – formador de nossa raça, plasmador de nossa alma, criador de nossas devoções religiosas e de nossos princípios morais -, como seria interessante se pudéssemos arrancá-lo do “nada” para o sentir vivamente, hoje, no nosso ser, nas nossas tendências, já que somos, quero crer, nada mais nada menos, que a cristalização de um complexo ancestral que preside a nossa formação biológica.
(Dario Cardoso Vale, em Memória Histórica de Prados)

Se nós, sul-americanos, nos aprofundarmos muito nesta questão de antepassados, podemos nos expor ao perigo de terminar no mato ou na cozinha.
(Getúlio Vargas, em conversa com o Cardeal Dom Sebastião Leme, conforme registrado no livro Os Vargas, de Rubens Vidal Araújo)

Há pessoas que não apreciam “Genealogia”, não se interessam por saber quem é seu avô, bisavô ou trisavô; não querem saber de onde vêm, quais são os seus ascendentes. Ora, a Genealogia é a Ciência da nossa racionalidade, da marca indelével das nossas origens; diz de onde viemos, diz quem somos, diz quais são as nossas raízes, mostra-nos a nossa importância. A Genealogia exige paciência, perseverança e intercâmbio, mostra a necessidade da comunicação com outros Genealogistas e causa grandes surpresas e grandes emoções. Enfrenta grandes obstáculos, terríveis barreiras, surpreendentes interrogações. A Genealogia é uma paixão e quem nela entra dela não sai mais. A Genealogia é amor; amor aos antepassados. A Genealogia é gratidão; gratidão aos que nos antecederam nesta vida. A Genealogia é memória imperecível. A Genealogia quase se confunde com a Heráldica. A Genealogia atesta a importância de uma Família. A Genealogia é como o Livro; conserva a memória das gerações passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é a maior tirania, e enaltece as gerações hodiernas. A Genealogia move os ânimos e causa grandes efeitos.
(Padre Reynato Breves, no artigo Novas Revelações da Genealogia, publicado na edição de 12-SET-1998 do Jornal da Cidade, de Barra do Piraí)

Notas explicativas:

(1) O Padre Antônio Pereira de Figueiredo, estudioso do Velho e do Novo Testamento, foi autor de famosa versão da Bíblia Sagrada para o Português, publicada em dez volumes pela Editora das Américas.

(2) São Mateus, o Evangelista, foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Era cobrador dos tributos romanos, deixando tudo para seguir Jesus. Depois da morte de Cristo foi pregar na Etiópia e na Pérsia, onde faleceu. Escreveu o Evangelho em aramaico, do qual temos somente a tradução para o grego.

(3) Jesus, para os cristãos, foi o redentor do gênero humano, filho de Deus e homem ao mesmo tempo. Pelo lado de Maria, sua mãe, era descendente de Davi. Nasceu em Belém, Israel, no reinado de Augusto. Sua pregação ficou registrada nos Evangelhos, dando início ao Cristianismo. Preso, foi crucificado por volta do ano 33 da nossa Era. Sua árvore de costado pode ser elaborada com base no contido na Bíblia Sagrada, principalmente em São Mateus (I, 1 a 16) e São Lucas (III, 23 a 38). A 91ª edição da Bíblia Sagrada traduzida para o português pelo Centro Bíblico Católico (originais mediante a versão dos Monges de Maredsous, Bélgica) e o livro Quem é Quem na Bíblia, de Peter Calvocoressi, contêm quadros com a Genealogia de Jesus Cristo.

(4) A Capela Sistina, a principal do Vaticano, foi erigida pelo arquiteto Giovanni de’Dolci em 1470, a pedido do Papa Sisto IV. Suas paredes receberam, a partir de 1481, afrescos de grandes artistas, como Michelangelo, Perugino e Botticelli.

(5) Esdras era neto do Sumo Pontífice Saraias e autor de dois livros bíblicos com o seu nome, colocados em sétimo lugar na série dos chamados Livros Históricos. Caindo na graça de Artaxerxes Longímano, Rei da Pérsia, foi-lhe permitida a recondução do povo judaico para Jerusalém, a fim de levantar os seus muros.

(6) Moisés, filho de Amram e de Jocabed, da tribo de Levi, foi, certamente, o maior vulto do Antigo Testamento. Colocado em um cesto de junco untado de betume por seus pais e lançado no rio Nilo, para que escapasse de determinação do Faraó Amenófis no sentido de que fossem mortos todos os filhos varões dos judeus do Egito, foi dali retirado por Termutis, filha do faraó, que o adotou e criou ao modo dos egípcios. Posteriormente, conseguiu libertar o seu povo da escravidão, conduzindo-o do Egito à Palestina. Passou para os hebreus, no alto do Monte Sinai e em nome de Deus, o Decálogo (os Dez Mandamentos).

(7) Aarão era o irmão mais velho de Moisés. Foi o primeiro sumo sacerdote dos hebreus.

(8) São Paulo, cognominado o Apóstolo dos Gentios, nasceu em Tarso, antiga cidade da Turquia, e fal. em Roma no ano de 67. Foi um dos primeiros organizadores da disciplina eclesiástica e da doutrina cristã. Escreveu grande número de epístolas, que figuram no Novo Testamento. Pregou o Cristianismo no decurso de numerosas viagens, principalmente em Éfeso, Antioquia, Atenas, Corinto, Macedônia e Jerusalém.

(9) Timóteo, discípulo de São Paulo, de quem recebeu duas cartas, foi Bispo de Éfeso. Faleceu martirizado por impedir que se celebrasse festa à deusa Diana.

(10) Os mórmons são os membros de religião fundada em 1830, nos Estados Unidos da América, por John Smith (que teve por sucessor Brigham Yung), conhecida pelo nome de Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Fundaram o Estado de Utah nas margens do Lago Salgado.

(11) Texto extraído do livro De Você para seus Ancestrais, publicado pela Corporação do Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 1979.

(12) Salt Lake City é a capital do Estado de Utah, nos Estados Unidos da América, localizada às margens do Grande Lago Salgado, com cerca de 200.000 habitantes.

(13) O Colégio Brasileiro de Genealogia foi fundado no dia 24-JUN-1950, no Rio de Janeiro (RJ), visando à congregação de quantos se interessassem pelos estudos e pesquisas genealógicas. Sua utilidade pública foi reconhecida pelo Decreto nº 46.342, de 1º-JUL-1959, assinado pelo Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira.

(14) O Cônego Raimundo Otávio da Trindade nasceu em Furquim (MG) em 20-NOV-1883, tendo sido ordenado sacerdote em 4-ABR-1908 após ter completado seus estudos no Seminário de Mariana (MG). Foi Cônego, Tesoureiro-Mor e Chanceler da Arquidiocese de Mariana (MG), cujo arquivo eclesiástico foi por ele dirigido por muitos anos. Foi Diretor do Ginásio Dom Helvécio, em Ponte Nova (MG), e do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG). Em 2-SET-1960, foi nomeado camareiro secreto pelo Papa João XXIII. Era membro do Colégio Brasileiro de Genealogia e do Instituto Genealógico Brasileiro. Deixou várias obras no campo da Genealogia, podendo ser citadas as seguintes: Genealogias Mineiras, Monografia Histórica de Barra Longa, Efemérides da Arquidiocese de Mariana, A Família Pontes, A Família dos Andradas, Genealogia da Zona do Carmo, Velhos Troncos Ouropretanos, Garcias Velhos, Campos, Lemes e Castelo Branco, Os Belos de Minas Gerais, Furtado de Mendonça, Subsídios para a Genealogia desta Família, História dos Bispos Mineiros, Velhos Troncos Mineiros, Arquidiocese de Mariana – Subsídios para a sua História e Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana. Fal. em Belo Horizonte (MG) em 2-ABR-1962.

(15) Pedro Maciel Vidigal n. em Calambau (MG) em 18-JAN-1909. Fez os cursos de Humanidades, de Filosofia, de Direito Canônico e de Teologia no Seminário de Mariana (MG). Ordenou-se sacerdote em 30-NOV-1931. Foi eleito Deputado para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, tendo, também, representado este Estado na Câmara de Deputados. Dispensado de seus votos sacerdotais pelo Papa Paulo VI, c. no dia 12-JAN-1966, em Mariana (MG), c. Dona Rute Guerra. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e do Instituto Genealógico Brasileiro, publicou várias obras, podendo ser destacadas, no campo da Genealogia, Os Antepassados e Amador Bueno – História e Genealogia.

(16) O Frei Antônio de Santa Maria Jaboatão nasceu em Santo Amaro de Jaboatão (PE) em 1695. Foi da Ordem dos Franciscanos. Com grande cultura, era poeta, historiador, cronista, orador sacro e genealogista. Deixou várias obras, entre as quais o famoso Catálogo Genealógico das Principais Famílias que procederam de Albuquerques e Cavalcantes em Pernambuco, e Caramurus na Bahia, …. Fal. em Salvador (BA) em 7-JUL-1779.

(17) O Monsenhor José do Patrocínio Lefort n. em 5-JUN-1914 em Campanha (MG), onde fez todos seus estudos e residiu. Ordenou-se sacerdote em 5-DEZ-1937 em Mariana (MG). Entre as obras de sua autoria podem ser citadas as seguintes: Varginha, O Sul de Minas e as Bandeiras, Descoberta e povoamento do Sul de Minas, A Cidade de Campanha e Famílias Campanhenses. Filho de Francisco Augusto Lefort e de Palmira Antonieta Alves e descendente do francês François Lefort, que veio para o Brasil em 1855 e fal. em Campanha em 8-NOV-1906. Sempre atencioso, nunca deixou de responder as cartas que o autor deste livro lhe destinava. Dirigiu-se, em 1997, para um mundo melhor. A propósito, vale transcrever, aqui, nota a seu respeito publicada na Carta Mensal nº 47 do Colégio Brasileiro de Genealogia (relativa ao período de janeiro a março de 1998): O falecimento do Monsenhor José do Patrocínio Lefort (Campanha, MG), em 15 de dezembro p.p., abriu enorme lacuna na genealogia brasileira. Autor de extensa pesquisa sobre as raízes mineiras, parte incorporada ao conhecido estudo As Três Ilhoas, de José Guimarães, exerceu, por longos anos, o cargo de chanceler do Bispado de Campanha, cujos arquivos organizou e franqueou aos genealogistas de todo o país.

(18) O Cônego Francisco Sadoc de Araújo n. em Sobral (CE) em 17-DEZ-1931. Ordenado sacerdote em Roma, Itália, em 25-FEV-1956. Filho de Galdino Orlando de Araújo e de Rita Albuquerque de Araújo (nome de casada). Foi fundador e o primeiro Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Membro da Academia Cearense de Letras. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Sócio do Instituto do Ceará, do Instituto Genealógico Brasileiro e do Colégio Brasileiro de Genealogia. É autor, entre outros trabalhos, da Cronologia Sobralense, obra editada em cinco volumes.

(19) O Cônego Roque Luís de Macedo Paes Leme da Câmara, ou Roque Macedo Leme, n. em São Paulo (SP) em 2-MAR-1730, tendo obtido graduação em Leis na Universidade de Coimbra, em Portugal. Genealogista, escreveu a Nobiliarquia Brasilense ou Coleção de todas as Famílias Nobres do Brasil, de todas as Capitanias, principalmente daquela de São Paulo, com a notícia certa donde são oriundas, mortes e jazigos, tendo deixado, ainda, um códice intitulado Memórias das Famílias de todas as Capitanias do Brasil. Fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 22-FEV-1828.

(20) O Frei Adelar Primo Rigo nasceu em Capela de S. José do Tonial (RS) em 17-ABR-1923. Filho de José Rigo e de Adelina Santin. Ordenado sacerdote em 18-DEZ-1949 em Garibaldi (RS). Foi Capelão do Leprosário da Colônia Itapuã. Entre os livros que editou, podemos citar: Pinheiro Seco (Italiano de Vila Flores), História Franciscana e A Maravilhosa História da Família Rigo-Presot.

(21) O Padre Reynato Frazão de Sousa Breves, filho de Reynato Frazão de Sousa Breves e de Maria Eugênia de Sousa Breves, nasceu em 9-NOV-1935 em Piraí (RJ). Ordenado sacerdote em Barra do Piraí (RJ) em 28-JUL-1963. Autor dos livros A Saga dos Breves: Sua Família, Genealogia, Histórias e Tradições e Sant’Ana do Piraí e a sua História.

(22) Frei Marcelino Costella (ou Gentil Costella), filho de Vitório Costella e de Rosa Mattiello, nasceu no dia 7-AGO-1929 em São Valentim, Veranópolis (RS). A sua ordenação sacerdotal deu-se em 7-AGO-1955 em Porto Alegre (RS). Foi Professor e Reitor do Seminário de Nossa Senhora de Fátima, em Vila Ipê, Vacaria (RS). Autor do livro Costella-Mattiello: Uma presença Ítalo-Brasileira.

(23) O Padre José da Frota Gentil foi sócio honorário do Colégio Brasileiro de Genealogia pela excelência de seu trabalho sobre a Família Frota, dividido em duas partes: Os Frotas – Esboço de uma Genealogia, que trata do ramo cearense da família, e Os Frotas do Sul do Brasil. Faleceu no Rio de Janeiro em AGO-1989.

(24) O Monsenhor Antônio Paes Cintra nasceu em Espírito Santo do Pinhal (SP) em 13-SET-1898. Ordenado sacerdote em Olinda (PE) em 27-NOV-1921. Foi Secretário do Cardeal Dom Sebastião Leme de 1927 até 1942 e Membro do Instituto Genealógico Brasileiro. Entre suas obras, destaca-se a Genealogia dos Cintras.

(25) O Papa João Paulo II (Karol Wojtyla) nasceu em 1920 em Wodiwice, Polônia. Eleito papa em 15-OUT-1978, é o primeiro pontífice não italiano nos últimos 473 anos (o último tinha sido o holandês Adriano VI).

(26) A cidade de Campo Grande foi fundada em 26-AGO-1899. Em 1º-JAN-1979 passou a ser a capital do Estado do Mato Grosso do Sul, desmembrado do Estado de Mato Grosso por lei complementar de 11-OUT-1977. Possui cerca de 584 mil habitantes.

(27) O argentino Manuel Mujica Lainez, nascido em 1910 e falecido em 1984, é figura central da literatura contemporânea em língua castelhana. Além de Bomarzo, publicou El Unicornio, El Escarabajo e outros livros.

(28) Oliver Cromwell n. em Huntingdon, Inglaterra, em 1599. Foi político e chefe do exército parlamentar que derrubou a monarquia inglesa em 1649. Abolindo a Câmara dos Lordes, proclamou a República, tornando-se o dirigente do País. Em 1653, após dissolver o Parlamento, promulgou nova Constituição que o nomeou Lorde Protetor da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda. Fal. em Londres, Inglaterra, em 1658.

(29) Mem de Sá n. em 1504. Filho natural de Gonçalo Mendes de Sá, Cônego de Coimbra. Administrador colonial, jurista e fidalgo português, foi o terceiro Governador Geral do Brasil. Expulsou os franceses do Rio de Janeiro (RJ) e mudou o núcleo da cidade para o Morro de São Januário (depois Morro do Castelo). Fal. em 1572.

(30) Felipe II (ou Felipe III da Espanha), o Pio, n. em 14-ABR-1578. Foi o 34º Rei da Espanha e o 19º Rei de Portugal. Filho de Rei Felipe I, o Prudente. Apático, deixou governar em seu nome o Duque de Lerma. Durante o seu reinado a situação de Portugal agravou-se. Foram publicadas, sob o Governo de Felipe II, as Ordenações chamadas Filipinas. Fal. em 11-MAR-1621.

(31) Lutero Sarmanho Vargas, médico, nasceu em São Borja (RS) em 24-FEV-1911. Filho do Presidente Getúlio Dorneles Vargas e de Darcy Sarmanho. Casou-se em 21-SET-1940 no Rio de Janeiro (RJ) com a alemã Ingeborg Anita Elisabeth Ten Haeff. Escreveu o livro Getúlio Vargas: A Revolução Inacabada.

(32) Getúlio Dornelles Vargas foi um dos mais importantes políticos brasileiros. N. em São Borja (RS) em 19-ABR-1882 e fal. no Rio de Janeiro (RJ). Empossado pela Revolução de 1930 na qualidade de Chefe do Governo
Provisório, governou o País de 3-NOV-1930 a 20-JUL-1934. Eleito indiretamente ou com investidura outorgada pela Constituição, foi Presidente da República no período de 20-JUL-1934 a 29-OUT-1945. Escolhido pelo povo brasileiro, retornou em 31-JAN-1951 à Presidência da República, onde permaneceu até 24-AGO-1954, quando pôs fim à própria vida.

(33) Jarbas Albuquerque, filho de Franklin de Albuquerque e de Maria Cândida de Faria, nasceu em Volta Grande (MG) em 29-AGO-1897. Alfaiate. Casou-se em 20-NOV-1917 com Rita Capdeville, em Leopoldina (MG), onde faleceu.

(34) O Coronel José Feliciano Pinto Coelho da Cunha, citado por Silva Leme no Genealogia Paulistana (Volume IV, página 341), recebeu o título de Barão de Cocaes em 14-MAR-1855. Deputado. Filho do Brigadeiro Antônio Caetano Pinto Coelho da Cunha e de Ana Casimira Furtado de Mendonça. N. no Estado de Minas Gerais, onde fal. em 9-JUL-1869. Casou-se com a mineira Antônia Tomásia de Figueiredo Neves. Envolveu-se na Revolução de Minas Gerais de 1842. Possuidor de avultados bens, seus descendentes movimentaram-se, em 1941, no sentido do recebimento de expressiva importância de propriedade do Barão que se encontrava depositada em um banco da Inglaterra.

(35) O Coronel Romualdo José Monteiro de Barros foi agraciado com o título de Barão de Paraopeba em 2-DEZ-1854. Foi Presidente da Província de Minas Gerais. Irmão do Visconde de Congonhas de Campo (Lucas Antônio Monteiro de Barros). N. em Congonhas (MG), fal. em 16-DEZ-1855 no Estado de Minas Gerais. Filho de Manoel José Monteiro de Barros e de Margarida Eufrásia da Cunha Matos. C. em 21-NOV-1795, em Ouro Preto (MG), c. Francisca Constância Leocádia da Fonseca.

(36) Barra Mansa é município do Estado do Rio de Janeiro com cerca de 166 mil habitantes (censo de 1991, atualizado pelo IBGE em 1994), localizado às margens do rio Paraíba do Sul. Foi desmembrado do Município de Resende (RJ) por decreto provincial de 3-OUT-1832. Sede de estabelecimentos de indústria siderúrgica.

(37) Ouro Preto, cidade e município de Minas Gerais, foi sede do Governo do Estado até DEZ-1897, mês da inauguração da nova capital (Belo Horizonte). Sua criação deu-se em 8-JUL-1711, com o nome de Vila de Albuquerque, passando, logo após, a ter a denominação de Vila Rica. O nome atual foi confirmado por lei de 20-MAR-1823. Possuía, em 1994, cerca de 65.000 habitantes.

(38) Além Paraíba é município da Zona da Mata Mineira com cerca de 29.000 habitantes. Como Freguesia e com o nome de São José d’Além Paraíba foi criada por decreto de 14-JUL-1832, com subordinação à Diocese do Rio de Janeiro (por decreto pontifício de 16-JUL-1897 foi transferida para o Bispado de Mariana). O Município foi criado pela Lei nº 2.278, de 30-NOV-1880, e a atual denominação decorreu da Lei nº 843, de 7-SET-1923. Mapa com levantamento da população da localidade em 1831, guardado no Arquivo Público Mineiro, revela que aí residiam Teodoro de Faria Salgado e Manoel Rodrigues Pessoa, tetravós do autor, então ocupados com lavouras de cana e café.

(39) A Paróquia de Congonhas do Campo, no Estado de Minas Gerais, foi criada por alvará de 13-ABR-1745. Posteriormente, esteve incorporada aos Municípios de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete) e Ouro Preto. Pelo Decreto-Lei nº 148, de 17-DEZ-1938, transformou-se em Município. Recebeu a atual denominação (Congonhas) em 1948. Era de aproximadamente 36.000 habitantes a sua população em 1994.

(40) O nome Mar de Espanha dado ao município mineiro teria decorrido de um dos primeiros povoadores de origem espanhola, o qual, diante da confluência dos rios Paraibuna e Piabanha, em dia de grande cheia, teria dito: Parece mar… um mar de Espanha!. Como Curato de Nossa Senhora das Mercês do Cágado, foi criado por decreto imperial de 14-JUL-1832, vinculado à Paróquia de São José do Paraíba. Passou a Município, com o nome atual, em 1851. Possui cerca de 19.000 habitantes. Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, publicada pelo IBGE, um de seus fundadores teria sido Antônio José da Costa, pertencente a bandeira de Borda de Campo, antepassado da esposa do autor deste livro.

(41) Pedro da Silva Nava n. em Juiz de Fora (MG) em 5-JUN-1903, tendo fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 13-MAI-1984. Poeta e médico, inclui-se entre os grandes memorialistas de nossa literatura, podendo ser citadas, entre suas principais obras, as seguintes: Baú de Ossos, Balão Cativo, O Círio Perfeito, O Galo das Trevas e Chão de Ferro. Dedicou-se, também, à pintura e à poesia.

(42) Albano da Silveira Pinto, autor da Resenha das Famílias Titulares e Grandes de Portugal, foi Guarda Roupa da Câmara de Luís I, Rei de Portugal (a quem dedicou a sua referida obra), Moço Fidalgo com exercício na Casa Real, Cavaleiro das Ordens de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, de S. Gregório Magno de Roma e de Leopoldo da Bélgica, bem como Comendador de Carlos III da Espanha e da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém. Foi, ainda, Cavaleiro da Ordem dos Guelfos de Hanover e da Legião de Honra da França.

(43) Lisboa é cidade e capital de Portugal, localizada no Distrito do mesmo nome e na Província de Estremadura. Situada à margem direita do rio Tejo, foi município romano, guardando ainda alguns vestígios dessa época. Esteve sob o domínio dos visigodos e árabes, tendo sido tomada por Afonso Henriques em 1147. Do seu porto saíram as armadas para o descobrimento do Brasil. Destruída em grande parte por terremoto ocorrido em 1755, foi reedificada pelo Marquês de Pombal. A sua invasão pela França em 1807 levou a Família Real a embarcar para o Brasil.

(44) Osvaldo Antunes Chaves de Rezende n. em 1º-NOV-1912 na Fazenda das Três Barras, em Miraí (MG). Foi Delegado do Imposto de Renda em São Paulo (SP) e em Campinas (SP), bem como Oficial de Gabinete do Presidente da República. Membro do Instituto Genealógico Brasileiro. Autor de várias obras na área tributária e do livro Genealogia de Tradicionais Famílias de Minas.

(45) Relação da Corte ou do Rio de Janeiro foi criada por ato de D. José I no ano de 1751, vindo, conforme mencionado por Paulo Paranhos em artigo publicado na Revista da ASBRAP nº 2, cobrir uma lacuna na História da Justiça no Brasil. Era um tribunal que funcionava como última instância dos processos do Brasil Colônia, iniciados ao nível dos juízes municipais ou mesmo dos juízes-de-fora.

(46) Rui Barbosa de Oliveira n. em Salvador (BA) em 5-NOV-1849 e fal. em Petrópolis (RJ) em 1-MAR-1923. Jurista, político e jornalista. Ficou conhecido como a Águia de Haia ao defender o direito das pequenas nações na 2ª Conferência de Haia, em 1917. Foi Deputado pela Bahia, participando da reforma constitucional de 1881. Ministro da Fazenda no primeiro Governo Provisório da República. Ajudou a redigir a Constituição de 1891. Opondo-se ao Governo Floriano Peixoto, foi obrigado a se exilar em 1894. Voltando ao Brasil, ocupou uma cadeira no Senado. Foi candidato a Presidente da República em 1910 e em 1919, perdendo as eleições para o Marechal Hermes da Fonseca e Epitácio Pessoa, respectivamente. Deixou vasta obra publicada, inclusive literatura jurídica, escritos e discursos sobre quase todas as questões de sua época.

(47) O Capitão José de Rezende Costa foi batizado na Capela de Santo Antônio da Lagoa Dourada, Freguesia de Prados (MG) em 13-JUN-1730. Foi Capitão de Auxiliares e agricultor. Tomando parte saliente na Inconfidência Mineira, foi condenado, juntamente com seu filho com o mesmo nome, a que com baraço e pregão fosse conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morresse morte natural para sempre. A Rainha D. Maria I comutou a pena de morte na de degredo por dez anos em Guiné-Bissau, na África. Casou-se c. Ana Alves Preto. Fal. com 72 anos de idade.

(48) Dom Pedro I, 1º Imperador do Brasil (no período de 1822 a 1831), foi também Rei de Portugal, com o nome de Dom Pedro IV, após abdicar do trono brasileiro. Seu nome completo era Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Fº de D. João VI e de Carlota Joaquina de Bourbon, n. em 1798 no Palácio de Queluz, em Portugal, no mesmo cômodo em que faleceu trinta e seis anos depois (trata-se da Sala Dom Quixote, que o autor teve a oportunidade de visitar durante viagem à Europa). Em 1816, quando seu pai assumiu o trono de Portugal, recebeu o título de Príncipe do Brasil. Proclamou a Independência do Brasil em 7-SET-1822. C. em 1816 com Dona Maria Leopoldina, Arquiduquesa da Áustria, e em AGO-1829, em segundas núpcias, com Dona Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Leuchtenberg.

(49) O Padre Antônio Vieira n. em uma casa pobre, à Rua do Cônego, pertinho da Sé, em Lisboa, Portugal, em 6-FEV-1608. Célebre jesuíta e uma das figuras mais importantes da literatura portuguesa, foi orador sacro e autor de escritos de extraordinário estilo, entre os quais cerca de 200 sermões, mais de 500 cartas e muitos estudos políticos e literários. Advogado dos índios e dos judeus. Seus numerosos inimigos de Portugal e do Maranhão conseguiram obter sua prisão no Pará e posterior envio a Portugal, para se defender em processo movido pelo Tribunal da Inquisição, que, em sua sentença de 23-DEZ-1667, o condenou à reclusão e ao silêncio. A Rainha Cristina, da Suécia, quando residia em Roma, nomeou-o seu confessor e pregador. Fal. em 1697 com quase 90 anos de idade. Autor dos Sermões, obra-prima da oratória sacra portuguesa. Fº de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo. Informou ao Santo Ofício, em 1666, que era neto de Baltazar Vieira Ravasco, ignorando o nome da avó, que, segundo alguns depoentes, inclusive Francisca de Castro, viúva de Fernão Teles de Menezes (padrinho de Antônio Vieira), era uma mulata ou escrava mourisca.

(50) O Dr. Lucas Antônio Monteiro de Barros, n. em Congonhas (MG) em 18-OUT-1765 e fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 10-OUT-1851, foi agraciado com o título de Visconde de Congonhas do Campo em 2-JUN-1841. Casou-se c. sua prima Maria Teresa Joaquina de Sauvan. Foi Desembargador, Senador e Presidente da Província de São Paulo. Irmão do Barão de Paraopeba, era filho de Manoel José Monteiro de Barros e de Margarida Eufrásia da Cunha Matos.

(51) Manoel José Monteiro de Castro n. em 3-ABR-1805 em Congonhas (MG) e fal. em 27-NOV-1868 em Leopoldina (MG). Recebeu o título de Barão de Leopoldina (o 1º) em 6-SET-1862. Filho do Capitão Domiciano Ferreira de Sá e Castro e de Maria do Carmo Monteiro de Barros. Casou-se c. sua prima Clara de Sá e Castro.

(52) José Antônio da Silva Freire foi agraciado com o título de Barão de Dourado (o 1º) em 21-ABR-1883. Militou na política, tendo exercido vários cargos de nomeação do Governo no Município de Cantagalo (RJ). N. em torno de 1837 e fal. em 31-OUT-1897.

(53) José Rodrigues da Costa recebeu o título de Barão da Conceição em 27-NOV-1886. Fazendeiro no Município de Santo Antônio do Aventureiro (MG). Exerceu vários cargos de eleição popular, tendo sido vereador na Câmara Municipal de Mar de Espanha. Faleceu em 23-SET-1898 em Santo Antônio do Aventureiro (MG), havendo um seu retrato fixado na parede da igreja matriz da localidade. Filho de Antônio José da Costa e de Maria Luísa do Carmo.

(54) O Alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes, foi figura proeminente da História do Brasil. Bat. em 12-NOV-1746 no Sítio do Pombal, Ritápolis (MG). Filho de Domingos da Silva dos Santos e de Antônia da Encarnação Xavier. Foi enforcado no Campo de São Domingos, atual Praça da República, no Rio de Janeiro (RJ), em 21-ABR-1792, por sua participação na Inconfidência Mineira.

(55) Fundado em 1837, já no ano seguinte entrava a funcionar o Imperial Colégio de Pedro II. O primeiro professor nomeado para a cátedra de História foi o mineiro Justiniano José da Rocha. Em 1843 foi indicado para lecionar a disciplina Geografia Descritiva e História o Barão Carlos Roberto Edler von der Planitz, natural da Saxônia, cujas atividades genealógicas e de desenhista marcaram época, sendo D. Pedro II seu admirador. De 1838 até a presente data lecionaram a disciplina de História no Colégio Pedro II pouco mais de 100 professores.

(56) Dom Pedro II, cujo nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Gonzaga, foi o segundo imperador do Brasil, tendo governado no período de 1831 a 1889. Fº de D. Pedro I e de D. Maria Leopoldina, n. no Paço de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ), em 2-DEZ-1825, e fal. em Paris, França, em 5-DEZ-1891. Quando foi elevado ao trono tinha pouco mais de 5 anos de idade. Declarado maior em 1840, foi então sagrado e coroado. Em 1843, casou-se com a Princesa Teresa Cristina Maria, filha de Francisco I, Rei das Duas Sicílias. Com a Proclamação da República em 15-NOV-1889, teve de sair do País, acompanhado da família imperial.

(57) João Batista Vieira Vidal nasceu na Fazenda do Bom Destino, Distrito de Providência, Município de Leopoldina (MG). É cidadão honorário e benemérito do Distrito de Angustura, Município de Além Paraíba (MG). Viúvo de Maria do Carmo Lima Vidal (nome de casada). Há muitos anos vem realizando pesquisas sobre os acontecimentos ligados a Angustura e à região ligada àquele Distrito. Em 1986, quando se deu o centenário da Igreja Madre de Deus de Angustura, publicou, juntamente com o Dr. Tales Ribeiro Magalhães, o trabalho Madre Dios. Também é autor de cromo sobre o centenário do prédio do Conselho Distrital de Angustura e de vários artigos na imprensa da região. Foi professor de Matemática e Português no Colégio de Além Paraíba, bem como Diretor do extinto Patronato de Menores Oscar Teixeira Marinho, de Angustura.

(58) Angustura é distrito do Município de Além Paraíba (MG). A fundação do povoado, então denominado Madre Dios do Rio Angu, deu-se por volta de 1810. A fundação do arraial, com o nome de Madre de Deus do Angu, ocorreu em 1827, com o desmatamento de área para a construção da escola primária. Em 1840 foi nomeado vigário do Curato de Nossa Senhora da Madre de Deus o Padre Vicente Ferreira Monteiro de Castro, trisavô do autor. O Curato elevou-se a Distrito em 1841 e a Freguesia em 1857. Em 1883, sua denominação foi mudada para Madre de Deus da Angustura, reduzida, posteriormente, para Angustura. Pertencente ao Município de Leopoldina (MG), a Freguesia foi transferida em 1884 para o Município de Além Paraíba (MG).

(59) Carl Gustav Jung n. em 1875 na Suiça e fal. em 1961. Médico psiquiatra, foi o criador da psicologia analítica, que apresenta uma teoria sobre o inconsciente diferente da defendida pela psicanálise de Freud, discordando, principalmente, das ideias sobre a natureza predominantemente sexual do inconsciente. Jung postulou a existência de dois inconscientes: o individual e o coletivo, sendo este último constituído por símbolos universais transmitidos de geração a geração.

(60) Álvaro Maria da Soledade Pinto da Fonseca Velhinho Rodrigues Moreira da Silva, ou simplesmente Álvaro Moreira, n. em Porto Alegre (RS) em 1888 e fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 12-SET-1964. Concluiu o Curso de Direito. Colaborou largamente na imprensa. Participou do Movimento Modernista. Seus escritos revelam uma prosa singela, sensível e fluente. Algumas de suas obras publicadas: As Amargas, Não…, O Dia nos Olhos, Adão, Eva e Outros Membros da Família e Havia uma Oliveira no Jardim.

(61) O jornalista fluminense Carlos Frederico Werneck de Lacerda n. em 30-ABR-1914 no Rio de Janeiro (RJ), onde fal. em 21-MAI-1977. Foi grande orador e um dos mais combativos líderes políticos da História do Brasil. Ingressando na política como militante da Juventude Comunista, passou a integrar em 1945 a União Democrática Nacional (UDN). Foi Vereador e Deputado Federal pelo Distrito Federal (localizado, então, no Rio de Janeiro). Governador do Estado da Guanabara, com gestão marcada por grande número de obras públicas. Fez oposição permanente aos Presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, o que culminou com o suicídio do primeiro e com o regime militar de 1964, que afastou Lacerda do cenário político nacional. Seu movimento contra o Presidente Jânio Quadros acabou levando este político à renúncia do cargo. Fundou o jornal Tribuna da Imprensa e a Editora Nova Fronteira. Escreveu alguns livros, entre os quais a A Casa de Meus Avós e Xanan e Outras Histórias. Gravou informações autobiográficas que foram publicadas no livro Depoimento.

(62) Luís da Câmara Cascudo n. em 1898 e fal. em Natal (RN) em 31-JUL-1986. Escritor e folclorista potiguar, foi um dos mais importantes pesquisadores das raízes étnicas do Brasil. Formado pela Faculdade de Direito do Recife. Autor do Dicionário de Folclore e de importante trabalho sobre a ocupação holandesa no Rio Grande do Norte.

(63) A escritora Marguerite de Crayencour, ou Marguerite Yourcemar, nasceu na França em 1903. Em 1980, tornou-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Francesa, consagração máxima para a autora, considerada pelos franceses como a grande dama da literatura. Entre os 25 livros que escreveu, devem ser citados o Arquivos do Norte e Memórias de Adriano.

(64) O Brigadeiro José Teodoro Correia de Azevedo Coutinho foi agraciado com o título de Barão de Mearim em 25-MAR-1849. N. em 30-AGO-1775 em Alcântara (MA), onde fal. em 11-MAR-1855. Filho de Teodoro Correia de Azevedo Coutinho e de Ana de Araújo. C., no Maranhão, com Maria Rita Joaquina de Araújo. Escreveu o livro Genealogia do Barão de Mearim.

(65) Vera Lúcia Bottrel Tostes é museóloga, historiadora e professora da UNI-Rio, além de Coordenadora de Documentação e Pesquisa da Fundação Pró-Memória. É autora do livro Princípios de Heráldica.

(66) João Capistrano Honório de Abreu (Capistrano de Abreu), n. no Sítio Columinjuba, em Maranguape (CE), em 23-OUT-1853 e fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 13-AGO-1927, foi um notável historiador, considerado o pai da pesquisa histórica no Brasil. Professor de História do Brasil no Colégio Pedro II. Autor de trabalhos de grande valor sobre a História do nosso País, entre os quais se sobressaem o Descobrimento do Brasil e Capítulos da História Colonial.

(67) Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, dito Alexandre Herculano, n. em Lisboa, Portugal, em 1810 e fal. na sua Quinta de Vale de Lobos, perto de Santarém, Portugal, em 1878. Historiador, poeta e romancista, é considerado uma das maiores figuras das letras lusitanas. Autor, entre outras obras, de Harpa do Crente; Eurico, o Presbítero; História da Inquisição e História de Portugal.

(68) Júlio Dantas n. em Lagos, Portugal, em 1876 e fal. em 1962. Escritor e autor dramático. Foi Ministro da Instrução e dos Negócios Estrangeiros de Portugal e Presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Afirmou notáveis dotes de homem de teatro e um vigoroso talento literário. Autor, entre outras obras, de A Ceia dos Cardeais, Outono em Flor e Marcha Triunfal.

(69) François Anatole Thibault France, dito Anatole France, n. em 1844 e fal. em 1924. Poeta e romancista francês, foi membro da Academia Francesa. Recebeu o Prêmio Nobel de 1921 por sua obra literária, em que se incluem, entre outros, os seguintes trabalhos: O Livro do meu Amigo, Os Deuses têm Sede e O Lírio Vermelho.

(70) Cecília Meireles Grilo (nascida Cecília Benevides Meireles Correia Dias) n. em 7-NOV-1901 no Rio de Janeiro (RJ), onde fal. em 9-NOV-1964. É incluída entre os maiores poetas da língua portuguesa. Lecionou nas Universidades do Distrito Federal, no Rio de Janeiro (RJ), e do Texas (U.S.A.). Entre suas obras, podemos destacar o Romanceiro da Inconfidência, onde trata poeticamente da saga de Tiradentes e dos demais inconfidentes mineiros.

(71) Nelson Werneck Sodré, n. em 1911 no Rio de Janeiro (RJ) e fal. em 13-JAN-1999 em Itu (SP), foi figura de primeiro plano da inteligência de nosso País, dedicando-se aos problemas que envolvem a nossa nacionalidade, emancipação e desenvolvimento. General do Exército. Marxista, ficou preso durante dois meses após a Revolução de 1964. Entre suas obras podemos citar: História da Literatura Brasileira, Formação Histórica do Brasil, História da Imprensa no Brasil e Oeste – Ensaio sobre a Grande Propriedade Pastoril. Fal. em Itu (SP) em 13-JAN-1999.

(72) Johann Wolfgang von Goethe n. em 1749 na Alemanha e fal. em 1832. Foi um dos maiores vultos da literatura européia e, certamente, o mais célebre dos poetas alemães. Escreveu: Fausto, Werther, “Hermano e Dorotéia e outras obras.

(73) Gilberto Freire n. em 1900 e fal. em 1987. Sociólogo e ensaísta pernambucano. Internacionalmente famoso por seu livro Casa Grande e Senzala.

(74) Pedro Calmon Moniz de Bitencourt (ou Pedro Calmon) n. em 23-DEZ-1902 em Amargosa (BA). Escritor, historiador e jurista brasileiro. Membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi Deputado Federal, Diretor da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil e Ministro da Educação. Autor de grande número de livros de Direito, História e Literatura. Fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 17-JUN-1985.

(75) Alfredo Maria Adriano d’Esgragnolle Taunay, ou Alfredo d’Escragnolle Taunay, n. em 22-FEV-1843 no Rio de Janeiro (RJ), onde fal. em 25-JAN-1899. Foi agraciado com o título de Visconde de Taunay, com Grandeza, em 6-SET-1889. Filho do Barão de Taunay (Félix Emílio Taunay) e de Gabriela Hermínia d’Escragnolle. C. c. Cristina Teixeira Leite. Romancista, acadêmico e historiador. Bacharel em Letras pelo Colégio Pedro II. Engenheiro Militar e Oficial do Exército, participou da Guerra do Paraguai. Foi Deputado, Senador do Império e Presidente das Províncias de Santa Catarina e do Paraná. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. De sua vasta obra, podem ser destacados os seguintes trabalhos: Inocência, A Retirada de Laguna, Céus e Terras do Brasil e O Encilhamento.

(76) José Ribeiro do Vale n. em Guaxupé (MG) em 15-AGO-1908. Médico. Autor de várias obras no campo da Farmacologia, bem como dos livros E eles também cresceram e se multiplicaram … e A Escola Paulista de Medicina.

(77) Winston Churchill n. em 1874 e fal. em 1965. Estadista inglês, foi um dos mais importantes Chefes de Estado do Século XX. Como Primeiro-Lorde do Almirantado, modernizou a esquadra inglesa. Primeiro-Ministro da Inglaterra nos períodos de 1940 a 1945 e 1951 a 1955. Na Segunda Guerra Mundial, foi um dos responsáveis pela vitória dos aliados contra as potências do Eixo. Escreveu a História da Segunda Guerra Mundial e a História dos Povos de Língua Inglesa.

(78) Tancredo de Almeida Neves n. em São João del Rei (MG) em 4-MAR-1910 e fal. em São Paulo (SP) em 21-ABR-1985. Foi Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador, Diretor do Banco do Brasil, Ministro da Justiça e Governador de Minas Gerais. Foi Primeiro-Ministro no período 1961/1962, quando o País se encontrava sob o regime parlamentar. Eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional. Apesar de ter falecido antes de sua posse na Presidência, a Lei nº 7.465, de 21-ABR-1986, incluiu o seu nome na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura.

(79) Oiliam José é autor de obras de grande valor sobre o Estado de Minas Gerais, podendo ser citadas entre elas: Historiografia Mineira, Visconde do Rio Branco – Notas para sua História, Marliere, o Civilizador, A Propaganda Republicana em Minas, A Abolição em Minas, Indígenas de Minas Gerais e Tiradentes. Em Leopoldina (MG), foi professor do Colégio Leopoldinense. É membro da Academia Mineira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do Instituto Genealógico Brasileiro e do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora.

(80) José Martiniano de Alencar Júnior n. em Messejana, Fortaleza (CE) em 1º-MAI-1829 e fal. no Rio de Janeiro (RJ) em 12-DEZ-1877. Foi advogado, professor, jornalista, Deputado e Ministro da Justiça. Na Literatura Brasileira, é considerado o escritor mais representativo da Escola Romântica. Entre suas obras podem ser citadas: O Guarani, A Viuvinha, Cinco Minutos, Lucíola, Diva, As Minas de Prata, O Gaúcho, A Pata da Gazela, O Tronco do Ipê, Ubirajara, Senhora, O Sertanejo e Encarnação. Segundo o registro de seu batizado, era filho natural de Ana Josefina de Alencar (irmã de Ana Brasilina de Alencar, de quem é descendente a escritora Raquel de Queiroz), tendo sido reconhecido como filho do Padre José Martiniano de Alencar, juntamente com sete irmãos, no testamento do ilustre sacerdote, que também foi Deputado, Senador e Presidente da Província do Ceará.

(81) Richard Gumbleton Daunt (ou Ricardo Glumbleton Daunt). N. na Irlanda em 1818 e fal. no Brasil em 1893. Médico, historiador, genealogista, político e filantropo. Filho de Richard Gumbleton Daunt e de Ana Raines Dixon. C. c. Ana Francelina de Camargo.

(82) Américo Lourenço Jacobina Lacombe n. em 1909. Advogado, historiador, professor e homem de letras. Membro da Academia Brasileira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Genealógico Brasileiro e do Colégio Brasileiro de Genealogia. Diretor da Casa de Rui Barbosa. Autor, entre outras obras, da Introdução ao Estudo da História do Brasil.

(83) Júlio de Castilho n. em Lisboa, Portugal, em 1840 e fal. em 1919. Agraciado com o título de Visconde de Castilho (o 2º). Poeta, escritor e arqueólogo português. Filho do poeta Antônio Feliciano de Castilho. Como o pai, cultivava o casticismo do vernáculo. Autor de Primeiros Versos, O Ermitério, D. Inês de Castro e Lisboa Antiga.

(84) Antônio Augusto de Menezes Drummond n. em Palmeiras de São Paulo (SP) em 31-OUT-1894. Advogado e Delegado de Polícia. Foi um dos fundadores do Instituto de Estudos Genealógicos e membro dos Institutos Históricos de São Paulo, Bahia e Ceará. Fal. em São Paulo (SP) em AGO-1988. Autor, entre outros trabalhos, do Ascendência do Coronel João Hilário de Menezes Drummond e Apontamentos heráldico-genealógicos sobre a Casa de Drummond.

(85) Luís de Camões (ou Luís Vaz de Camões). N. em Coimbra, Portugal, em 1524. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá Macedo. Considerado o mais ilustre dos poetas portugueses. Autor de Os Lusíadas. Fal. em 10-JUN-1580 em Lisboa, Portugal.

(86) Washington Luís Pereira de Sousa n. em Macaé (RJ) em 26-OUT-1869 e fal. em São Paulo (SP) em 4-AGO-1957. Político, estadista e historiador brasileiro. Presidente da República no período de 15-NOV-1926 e 24-OUT-1930, foi deposto pela Revolução de 1930.

(87) Belarmino Maria Austregésilo de Ataíde n. em 1898. Escritor e jornalista brasileiro. Foi durante muitos anos Presidente da Academia Brasileira de Letras.

(88) Ralph Waldo Emerson n. em Boston, Massachusetts, U.S.A., em 1803 e fal. em Concord, Massachusetts em 1882. Filósofo, ensaísta e poeta norte-americano. Fez seus estudos de Teologia em Harvard, sendo ordenado em 1829. Suas ideias fundamentaram uma nova filosofia: o transcendentalismo. Entre suas obras podem ser citadas: O Erudito Norte-Americano e Traços do Caráter Inglês.

(89) João Camilo de Oliveira Torres n. em 1915 e fal. em 1973. Ensaísta e professor universitário brasileiro.

(90) Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Camilo Castelo Branco) n. em Lisboa em 1825 e fal. na Freguesia de São Miguel de Ceide, Concelho de Vila Nova de Famalicão, Distrito de Braga, Portugal, em 1890. Escritor português. Órfão muito cedo, foi educado por uma tia e pelo Padre Antônio de Azevedo. Deixou obra vastíssima, em que os romances ocupam lugar de destaque. Explorou a intriga folhetinesca e seu grande mérito, na fase madura, encontra-se na emoção, no realismo dos diálogos e na fixação dos costumes, tudo apoiado por linguagem vernácula e estilo pessoal. Obras principais: Amor de perdição, A Corja, A Brasileira de Prazins e Novelas do Minho.

(91) José Maria de Alkmim. N. em 11-JUN-1901 em Bocaiúva (MG). Filho de Herculano Augusto Alkmim e de Sérgia Caldeira Brant. Político brasileiro muito atuante, participou da Constituinte de 1946. Foi Ministro da Fazenda no período de 1-FEV-1956 a 25-JUN-1958, no Governo Juscelino Kubitschek. Em 11-ABR-1964, foi eleito pelo Congresso Nacional Vice-Presidente da República, juntamente com o Presidente Humberto Castelo Branco, tendo tomado posse no dia 15-ABR-1964 e exercido o mandato até 15-MAR-1967. Maiores informações a seu respeito estão contidas no livro José Maria Alkmim – Uma Biografia, de Murilo Badaró.

(92) Marianne Krüll n. em 1936 em Berlim, Alemanha. Socióloga, doutorou-se pela Universidade de Bonn, demonstrando grande interesse pela sociologia da família. Escreveu vários livros, entre os quais podemos citar: Esquizofrenia e Sociedade, O Nascimento não é o Começo, Caminhos além da Ciência Masculina e Na Rede dos Magos – Uma outra história da família Mann, romance sobre a família dos escritores Thomas (que foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1929) e Heinrich Mann, filhos da brasileira Júlia da Silva Bruhns.