Origem da Família Andrade do Sul de Minas Gerais

[Este texto é, em sua maior parte, Prefácio do “Livro da Família Andrade” que publiquei em dezembro de 2017 e que contém o registro do ramo da família Andrade ao qual pertenço, abrangendo todos os descendentes diretos a partir de meus avós paternos, bem como a nossa árvore de costados que segue por mais de 20 gerações.]

ANDRADE é tido como um sobrenome de origem toponímica (ou seja, de origem geográfica: refere-se a um determinado lugar) e está associado ao Solar de Andrade, em Galiza, na Espanha.

Não existe um consenso sobre as raízes desse nome de família, mas o mais provável é que o nome Andrade tenha por origem uma antiga nomenclatura de raízes celtas (povo que ocupou boa parte da Espanha bem como o norte de Portugal por volta de do ano I a.C.) e que desde a Idade Média dá nome a uma freguesia do Concelho de Pontedeume, em Galiza, na Espanha. Assim, o nome dessa localidade foi incorporando-se também como nome a cada uma das famílias que viviam naquele lugar, ainda que não tivessem laços sanguíneos entre si. Ou seja, se alguém fosse fazer referência a um fulano que morasse naquela região, diria algo como “Fulano, que mora na região de Andrade” ou, melhor dizendo, “Fulano de Andrade”. Os registros mais antigos já encontrados referentes a esse nome de família remontam ao século XII, justamente na região de Galiza, em especial na pessoa do cavaleiro medieval Pedro Bermúdez de Andrade (*1182 +1235) – que não necessariamente seria algum nosso ancestral – e que ficou conhecido como o “Primeiro Senhor de Andrade”. Mais tarde esse nome de família viria a se espalhar por Portugal e acabou vindo também para o Brasil.

O nosso ramo familiar começa com Ângela do Vale e Andrade, filha de André Gonçalves e Catarina Vaz, nascida no ano de 1629 na Freguesia de Santa Comba de Fornelos, no Distrito de Braga, região norte de Portugal. Ângela era solteira e trabalhava como ama (uma espécie de governanta) na casa do padre Francisco da Costa Peixoto, nascido em 1626, filho de Gonçalo da Costa e Maria Nogueira, tendo por avós paternos Miguel Martins e Catarina da Costa Peixoto, e do lado materno Bartholomeu Nogueira e Francisca Pires. Foi vigário na Freguesia de Longos Vales, Vila de Monção, praticamente na divisa com a Espanha, onde faleceu por volta de 1686, com cerca de 54 anos.

Ângela e Francisco tiveram pelo menos dois filhos dos quais se tem notícia: Antonio e Inácio de Andrade Peixoto, ambos pastores de gado e naturais também da Freguesia de Santa Comba de Fornelos. Nascido em 1648, quando chegou à idade adulta Inácio mudou-se para a cidade de Braga e aprendeu o ofício de sirgueiro (pessoa que faz trabalhos com fios ou cordões de seda) e estabeleceu-se como mercador. Foi lá que conheceu e, em 26/12/1686, casou-se com Helena de Brito, filha do padre Thomás de Brito e Costa e Domingas Gonçalves, tendo por avós paternos o padre Miguel de Brito Eirado e Isabel da Costa, e avós maternos Antônio Gonçalves e Maria Antônia. Temos ainda o registro de Gaspar de Brito e Marta Gomes, que eram os pais de Miguel e bisavós de Helena. O casal fixou residência em Braga, onde ambos viveram até o fim de suas vidas: ele faleceu em 09/04/1696, com apenas 48 anos, e ela em 11/01/1725. Dos cinco filhos que tiveram, Luísa, Josefa, Eusébio, Natália e Antônio, é deste último, o caçula, que segue nossa linhagem.

Antônio de Brito Peixoto, nasceu no início do ano de 1696 – mesmo ano em que seu pai faleceu. Considerando que teve somente um irmão, que foi padre, e todas as demais foram irmãs, então deve ter vindo para o Brasil sozinho, entre os anos de 1710 e 1724, quando do início de sua vida adulta. Esse foi também o início de um período em que se deu o maior afluxo de ouro do Brasil para Portugal, que coincidiu com o reinado de D. João V, o qual gastava a maior parte desse ouro com a manutenção de uma corte luxuosa e ociosa, com gastos enormes para mera subsistência do prestígio real. Contudo esse ouro era gasto no mercado externo, importando os luxos de outros países, já que praticamente não existia em Portugal gente preparada para criação de empresas locais – o que somente agravava a situação financeira do restante da população que não pertencia à nobreza. Ora, entre permanecer na “terrinha” enfrentando sucessivas crises tanto econômica, cultural, artística quanto política, melhor seria tentar a sorte do outro lado do mar, lá no Brasil-Colônia! E provavelmente deve ter sido assim que Antônio resolveu vir parar no Brasil, onde, de acordo com os arranjos da época, em 10/06/1725 casou-se com a mocinha mineira de 14 anos Maria de Moraes Ribeira, nascida em 1711 na Vila de São João del Rei, filha de André do Valle Ribeiro e Tereza de Moraes. Por esta linha paterna chegamos até os Gonçalves, tradicional família portuguesa; já pela linha materna temos toda a genealogia da família Moraes d’Antas, que retroage até seu representante mais antigo, Mendo Alam, que viveu por volta do ano 1050, antes mesmo da criação do Reino de Portugal. Antônio e Maria estabeleceram-se no Sul de Minas Gerais, onde hoje é a cidade de Carrancas, e ali constituíram a Fazenda das Brisas de Carrancas, próxima do Rio Grande e encostada na Serra de Carrancas. Foi onde tiveram seus onze filhos, os primeiros Andrade brasileiros desse ramo familiar: Tomás, Tereza, José, Jacinta, Ana, as gêmeas Maria Vitória e Ângela Maria, Jerônimo, Luiza, Doroteia e Manoel – que nasceu logo após a morte de Antônio, em 1749. Já Maria veio a falecer somente em 13/05/1794. Todos os filhos também se estabeleceram na mesma região de Carrancas e ali viveram em parte como mineiros, mas em maior parte ainda como agricultores.

Carrancas, Sul de Minas Gerais

Manoel Joaquim de Andrade nasceu em 14/11/1750 e foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição das Carrancas. Em 31/01/1780 casou-se com Laureana de Souza Monteiro, natural da Vila de São João del Rei, filha de André Martins Ferreira e Maria de Souza Monteira, pela linhagem da qual nos ligamos à família Souza Monteiro. Estabeleceram-se também em Carrancas, na Fazenda do Espírito Santo, e tiveram quatro filhos: Antônio Joaquim, Delfina Francisca, Ana Josefa e Venância Constância. Manoel faleceu em 03/05/1828, aos 77 anos. Poucos anos depois, em 1833, faleceu Laureana.

E nossa genealogia segue com Venância Constância de Andrade, nascida em 1780, que se casou com Manoel Joaquim de Santana, filho de José Garcia e Maria de Nazaré. Os avós maternos de Manoel foram José Rodrigues Goulart e Isabel Pedrosa; já pelo lado paterno seus avós foram Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade, sendo esta uma das “Três Ilhoas”, as famosas irmãs açorianas cujas famílias sempre entrelaçadas povoaram Minas Gerais. Também estabelecida em Carrancas, a família foi proprietária da Fazenda Antimônio e também da Fazenda Ponte das Pitangueiras. Tiveram somente três filhos: José Marcelino, Laureana Felícia e Maria Emerenciana. Neste ponto da genealogia ocorre uma situação curiosa, pois apesar do costume arraigado de sempre ser o sobrenome paterno a perpetuar nas novas gerações, foi com o Andrade de Venância que o casal nomeou todos os filhos.

Maria Emerenciana de Andrade, nascida em 1800, casou-se em 14/09/1818 com Francisco Teodoro Teixeira, nascido em 1796, filho de Manoel Ribeiro Salgado e Margarida Teixeira de São José, sendo seus avós paternos Bento Ribeiro Salgado e Ângela Ferreira Soares, e seus avós maternos João Teixeira Marinho e Ignácia Maria de São José. Foram moradores na região onde hoje é a cidade de Madre de Deus (vizinha à Carrancas), onde possuíam várias fazendas, dentre elas a Fazenda Retiro dos Dois Irmãos, a Fazenda do Leme, bem como parte da Fazenda Antimônio e da Fazenda Ponte das Pitangueiras (estas, herdadas por Emerenciana). Curiosamente uma parte de seus filhos recebeu o Teixeira em seus nomes, enquanto que outra parte recebeu o Andrade – e alguns nem isso. Ao todo tiveram onze filhos, a saber: Manoel, Antônio, José, Maria Venância, João Gualberto, Venâncio, Jesuína Emerenciana, Francisco, Joaquim, Marciano Onostório e Delfina. Em 07/02/1868, faleceu Maria Emerenciana aos 68 anos de idade. Pouco tempo depois, em 19/12/1870, com 74 anos, Francisco a seguiu.

Chegamos aos meus tetravós! Antônio Teodoro de Santana nasceu no ano de 1820, tendo sido batizado em Minas Gerais, na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Aiuruoca (cidade situada ao sul de Carrancas, já em direção ao Estado do Rio de Janeiro). Por volta de 1846 casou-se com sua prima Margarida Teixeira Guimarães, nascida em 1823, filha de Francisco de Paula Guimarães e Maria Venância Teixeira – sendo esta a tia de Antônio, irmã de seu pai. Eles também viveram na região de Madre de Deus e possuíam parte de várias fazendas: Dois Irmãos, Piedade, Mato Grosso, José Lopes e Ponte do Rio Grande. O casal teve seis filhos, pela ordem: Francisco de Paula, José Venâncio, Maria da Glória, Domingos Teodoro, Maria Venância e Maria Emerenciana. Antônio faleceu cedo, com apenas 35 anos, em 28/01/1856. Nove anos depois Margarida se casaria novamente, desta vez com João Gualberto, seu cunhado, irmão de Antônio.

Agora é que a história dá um nó! Dentre os onze irmãos, filhos do casal Maria Emerenciana de Andrade e Francisco Teodoro Teixeira, temos que Joaquim Theodoro de Andrade era um dos mais novos (nono na linhagem), enquanto que Antônio era um dos mais velhos (segundo na linhagem). Pois bem. A filha de Antônio e Margarida, nascida em 1850, Maria da Glória Teixeira Guimarães, era portanto legítima sobrinha de Joaquim Theodoro – mas provavelmente deviam ter uma idade bem próxima. Tanto o é, que se casaram! Sim, sim, isso mesmo, meus caros: a sobrinha casou-se com seu próprio tio. Tudo bem, os tempos eram outros, as idades eram compatíveis e tudo ficaria em família mesmo… Mas isso meio que dá um nozinho na cabeça, pois Joaquim Theodoro ficou sendo ao mesmo tempo tanto meu “tio-tetravô” quanto meu “trisavô”… Não tenho informações (ainda) de onde efetivamente eles viveram, mas suspeito fortemente que tenha sido nas mesmas paragens que toda sua família já vinha ocupando pelo menos nos últimos 150 anos – talvez na antiga região do Turvo, onde hoje é a cidade de Andrelândia (já que é possível encontrar por lá vários descendentes tanto da família Andrade quanto da família Teixeira). Também não sei quantos filhos tiveram ao todo, sendo que tive notícias de apenas um.

João Agnello de Andrade, meu bisavô, nasceu em 23/01/1876 na cidade de Madre de Deus, em Minas Gerais. Em 13/02/1901, na cidade de Santa Rita do Jacutinga, casou-se com Iria Rita de Bem, nascida em 1883 nessa mesma cidade, filha de Braz Carneiro de Bem e Luzia Gonzaga de Novaes. Há notícias de que ele faleceu cedo, com cerca de apenas quarenta anos… E, ainda, não sei bem o que motivou essa “marcha ao sul”, porém boa parte da geração seguinte da família viria a nascer ou ao menos fixar residência em novas paragens, quase na divisa do estado, mas ainda dentro de Minas Gerais: Santa Rita de Jacutinga.

Santa Rita de Jacutinga, MG

João e Iria Tiveram oito filhos:

– José Theodoro de Andrade, casado com Carolina Marques Machado;
– Sebastião Andrade, o Tio Tatão, casado com Marciana Carolina de Jesus (irmã da Carolina Marques);
– Theophilo Andrade, casado com Maydi Born de Araujo;
– João Andrade, que primeiro foi casado com Lucinda e, mais tarde, com Maria;
– Luzia Andrade, casada com Dionízio Ribeiro deo Vale;
– Brás Andrade, casado com Maria de Oliveira;
– Maria da Glória Andrade, casada com Pedro José de Aredes Filho; e
Antonio de Andrade, casado com Sebastianna dos Santos Maia, meus avós, pais de meu pai.

ANTONIO DE ANDRADE nasceu no dia 06/03/1909 na cidade de Santa Rita de Jacutinga, MG, sendo filho de João Agnello de Andrade, natural de Madre de Deus, MG, e de Iria Rita de Bem, natural de Santa Rita de Jacutinga, MG. São avós paternos Joaquim Theodoro de Andrade e Maria da Glória Teixeira Guimarães. São avós maternos Braz Carneiro de Bem e Luzia Gonzaga de Novaes. Faleceu às 10h20min do dia 30/09/1970, aos 61 anos, em São José dos Campos, SP e está sepultado no Cemitério de Santana, em São José dos Campos, SP. Era lavrador e foi eleitor em Igaratá, SP.

SEBASTIANNA nasceu à 01:00h do dia 13/04/1920 na Fazenda Canta Gallo, em Santa Rita de Jacutinga, MG. Filha de Alcindo de Paula Maia e Laura de Casaes Santos, sendo esta natural de Santa Rita de Jacutinga, MG, onde casaram-se. São avós paternos Fausto de Magalhães Maia e Josephina Augusta de Paula. São avós maternos Antonio Carlos da Silva Santos e Olívia Augusta de Casaes. Originalmente foi registrada apenas como “Sebastianna”, sem constar o sobrenome, mas no decorrer de sua vida também adotou o nome de “Sebastiana dos Santos” bem como o de SEBASTIANNA DOS SANTOS MAIA – que é o qual doravante vou considerar como seu nome de solteira. Após o casamento adotou o nome de Sebastiana dos Santos Andrade. Em seu registro a data de nascimento é 20/04/1920, mas não está correto. Faleceu às 07h05min do dia 10/10/2000, aos 80 anos, em São José dos Campos, SP e está sepultada também no Cemitério de Santana, junto de meu avô.

Casaram-se em 1936. Tiveram, ao todo, 12 filhos e 39 netos. E, até o final de 2017, contabilizamos também mais 75 bisnetos e 11 trinetos.

Filhos de Antonio e Sebastianna:

27/04/1937 – José Bento de Andrade / Bernardete Nunes
11/01/1939 – Fé dos Santos de Andrade (+1987) / Ivan Ramos Prianti
10/10/1940 – Roberto de Andrade
27/09/1942 – Esperança dos Santos Andrade / Olavo Alves de Souza
09/04/1945 – Caridade de Andrade / Ari Ramos Arantes
?_/?_/1947 – Luiza (+1947)
14/07/1949 – Felisberto de Andrade / Maria Aparecida Machado
10/12/1952 – Jorge Andrade (+2007) / Elza Maria das Graças
26/02/1956 – Geraldo de Andrade (+2014)
27/03/1959 – Maria Madalena de Andrade / Josué Raymundo Pereira
29/06/1961 – Pedrina de Fátima Andrade / Ângelo Mendes Ferreira
15/11/1962 – Maria Laura de Andrade / Lucílio José dos Santos

Aniversário de 80 anos da “Vó Bastiana”

José Bento de Andrade nasceu em 27/04/1937 em Santa Rita de Jacutinga, MG, mas foi registrado cerca de dez dias após seu nascimento, de modo que em seu registro consta a data de 08/05/1937. Mudou-se juntamente com a família, para São José dos Campos, SP, quando tinha apenas 12 anos de idade, em setembro de 1949. Mais tarde, em abril de 1958, saiu definitivamente da zona rural para a zona urbana.

Casou-se às 14:00h do dia 23/04/1960, na Igreja Matriz de Santana, em São José dos Campos, SP, com Bernardete Nunes, nascida em 10/09/1943, em sua própria casa, em São Paulo, Capital. Filha de Bernardo Claudino Nunes e Maria Dionísia de Jesus. Curiosamente ela foi a única de sua linhagem que não nasceu em São José dos Campos, SP, pois tanto seu pai, avô e bisavô, quanto seus filhos, netos e bisnetos, são todos dessa cidade. Adotou no casamento o nome de Bernardete Nunes de Andrade.

Seo Zé Bento e Dona Dete…


Uma última observação: para aqueles que quiserem entender visualmente toda essa bagunça aí de cima, eis o genograma dessa árvore genealógica para que possam compreender um pouquinho melhor… 😉


FONTES:
. AMATO, Marta. A ascendência paulista de Francisca de Macedo. Revista ASBRAP, São Paulo, SP, n. 6, p.229-238. 1999.
. AMATO, Marta. Família Andrade de Minas Gerais: ascendência e descendência de Antônio de Brito Peixoto / 500 anos de história. Campinas, SP: Edição da Autora,  2016. 296p.
. DORIA, Francisco Antonio. Estudo: Os primeiros troncos portugueses: os senhores de Bragança (Antas Moraes).
. GUIMARÃES, Cid. Ribeiro do Valle – Primeira parte: Martins Ferreira, Pereira Lima, Andrade, Paiva e Silva, Azevedo – Primeiras Gerações. Revista da ASBRAP, São Paulo, SP, n.4, p.127-164, 1997.
. TEIXEIRA, Maria Esther. Descendência de Francisco Teodoro Teixeira e Maria Emerenciana Andrade. Campinas, SP: Book Editora, 2014. 913p.
. Registro de Batismos da Igreja da Freguesia da Cividade, Braga.
. Registro de Batismos da Igreja de Salvador de Balzar, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Batismos da Sé de Braga.
. Registro de Batismos de Santa Comba de Fornelos, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Batismos em Salvador de Joane, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Batismos. Filme 128949, transcrito por Bartyra Sette.
. Registro de Casamentos da Capela do Espírito Santo, da Freguesia de Carrancas, MG.
. Registro de Casamentos da Freguesia de São Vítor, Concelho de Braga.
. Registro de Casamentos da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, São João del Rei, MG.
. Registro de Casamentos da Sé de Braga.
. Registro de Óbitos da Sé de Braga.
. Registro de Óbitos de Cividade, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Óbitos de Fafe, Fornelos, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Óbitos de Salvador de Joane.
. Registro de Óbitos de São João de Gondar, Guimarães, Arquivo Distrital de Braga.
. Registro de Óbitos de São João do Souto.
. Certidão de Nascimento (de Sebastiana) nr. 47 do Distrito de Santa Rita de Jacuting, MG – Fls. 95 do Livro de Registro de Nascimentos nr. A-08.
. Certidão de Casamento (de João Agnello de Andrade e Iria Rita de Bem) do Cartório do Registro Civil de Santa Rita de Jacutinga, nr. 05, fls. 54-V do Livro de Registro de Casamentos nr. B-02.
. Certidão de Casamento (de José Bento de Andrade e Bernardete Nunes) nr. 2.540 do Distrito de São José dos Campos – Fls. 109 do Livro de Registro de Casamentos nr. 10-B.
. Assentamento de falecimento de Antônio de Brito Peixoto.
. Certidão de Óbito (de Antonio de Andrade) nr. 37768 do 1. Distrito de São José dos Campos, SP – Fls. 72-v do Livro de Registro de Óbitos nr. C-37.
Certidão de Óbito (de Sebastiana) nr. 42934 do 1. Distrito de São José dos Campos, SP – Fls. 16 do Livro de Registro de Óbitos nr. C-120.
. Processo De Genere de João Gomes Salgado, Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, MG. Transcrito por Izabela Fátima Oliveira de Sales a pedido de Regina Junqueira.
. Processo de Habilitação Sacerdotal de Eusébio de Brito Peixoto.
. Processo Matrimonial de Antonio Theodoro de Santana e Margarida Teixeira de Guimarães, arquivado no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana – MG, transcrito por Izabella Fátima Oliveira de Sales, a pedido de Regina Junqueira.
. Inventário de André do Valle Ribeiro, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 324, transcrito por: Flávio Marcos dos Passos.
. Inventário de Antônio de Brito Peixoto, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 605, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em OUT/2003 a pedido de Luis Antônio Villas Bôas.
. Inventário de João Gualberto Teixeira, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 483, transcrito por Ana Bárbara Rodrigues em OUT/2004, a pedido de Adauto de Andrade.
. Inventário de Manoel Joaquim de Andrade e Lauriana de Souza Monteiro, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 565, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em NOV/2002, a pedido de Luís Antônio Villas Bôas.
. Inventário de Manoel Joaquim de Santana, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 511, transcrito por Ana Bárbara Rodrigues em JUN/2004, a pedido de Adauto de Andrade.
. Inventário de Maria de Moraes Ribeira, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 214, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em FEV/2003 a pedido de Luís Antônio Villas Bôas.
. Inventário de Maria Emerenciana de Andrade, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 413, transcrito por Edriana Aparecida Nolasco em 2003, a pedido de Maria Nazaré de Carvalho.
. Inventário de Maria Venância Teixeira, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 490, transcrito por Moacyr Villela em 2006.
. Inventário de Tereza de Morais, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 464, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em SET/2003, a pedido de Regina Moraes Junqueira.
. Inventário e Testamento de Maria de Souza Monteiro, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa C-17, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em JAN/2003, a pedido de Luis Antônio Villas Bôas.
. Inventário e Testamento de José Garcia, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 364, transcrito por Edriana Aparecida Nolasco a pedido de Regina Junqueira.
. Testamento de Francisco Teodoro Teixeira, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 141, transcrito por Edriana Aparecida Nolasco em 2003, a pedido de Maria Nazaré de Carvalho.
. Testamento de Jerônimo de Andrade Brito, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa ?, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em MAI/2003 a pedido de Luis Antônio Villas Bôas.
. Testamento de Lauriana de Souza Monteiro, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 52, transcrito em NOV/2002.
. Testamento de Manoel Joaquim de Andrade, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 6, transcrito em MAI/2003.
. Testamento de Maria de Moraes Ribeira, arquivado no Museu Regional de SJ del Rei – Livro de Testamento 11, transcrito por Flávio Marcos dos Passos em FEV/2003 a pedido de Luís Antônio Villas Bôas.
. Tradição Oral: José Bento de Andrade, Mauro Maia, Roberto de Andrade.
. FamilySearch: http://www.familysearch.org
. Projeto Compartilhar: http://www.projetocompartilhar.org

Ascendentes de Bragança

Acabei aprendendo – na raça – que quando alguém se propõe a montar uma árvore genealógica vai encontrar inúmeras dificuldades, a começar da “desconfiança” dos parentes de que você está atrás de alguma herança, a complicada (e muitas vezes cara) burocracia para levantamento de documentos, certidões, inventários e outros quetais, a escassez de livros de consulta e obras de genealogia e vai por aí afora.

Porém o mais complicado é quando sua árvore remonta a um passado longínquo, praticamente impossível de ser cabalmente comprovado através de documentos, baseado principalmente em autores de séculos atrás e que mesmo à sua época já encontravam-se num tempo distante dos fatos quando ocorreram.

É esta a nossa situação.

Assim, baseado em vários livros e um tanto de estudos que já foram feitos a respeito dessa linhagem, bem como através de algumas considerações e deduções lógicas, consegui reconstruir a linha de meus ascendentes até aproximadamente o ano 1.000 em Portugal, em Bragança, uma região situada no nordeste do país, divisa com a Espanha.


Mapa de Portugal

Essa área, onde já existia uma povoação desde a época da ocupação romana, foi destruída durante as guerras entre cristãos e mouros e estava localizada num território que pertenceu ao mosteiro beneditino de Castro de Avelãs. Fazia divisa, à época com os reinos ibéricos de Leão e também de Castela (nesses tempos a Espanha ainda não existia).

E ali, na época do reinado de Afonso VI de Leão e Castela (pai de Teresa de Leão e avô de Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro rei de Portugal), é onde começa a nossa história…

      
Afonso VI   /   Teresa de Leão   /   Afonso Henriques

1 – MENDO ALAM (*980 +1050)

Também encontrado como Mendo Alão. Nascido na Bretanha (França), dizem alguns estudiosos que se refugiou no reino de Leão para evitar um confronto com seu primo, que reivindicava o Condado da Bretanha e por isso mesmo já teria assassinado seu pai, conforme se refere José Carlos Lourinho Soares Machado em sua obra “Os Braganções”, Lisboa, 2004. Corrobora essa tese o fato de que o patronímico Alam ou Alão – derivado de Alanus – simplesmente não existia na região de Leão, nem sequer na Península Ibérica, sendo entretanto comum na região da Bretanha.

Esse Mendo foi senhor de muitas terras em Castela e também senhor da Vila de Bragança, localidade esta que teria tomado dos mouros. Muito provavelmente deve ter sido ele que fundou o Mosteiro de São Salvador de Castro de Avelãs, onde vivia.

Quando uma princesa armênia (dizem alguns autores que seu nome seria JOANA DE ROMAES ARDZROUNI-HOMAZ (*1010 + 1083), já outros que este nome seria pura invenção, posto que desconhecido), filha do último rei de Vaspuracânia, viajou com seu pai em peregrinação para Santiago de Compostela, na Galiza, para visitar o túmulo do apóstolo São Tiago, hospedou-se nesse mosteiro, Mendo tomou-a à força e a fez sua esposa, conforme conta Pedro Taques ao transcrever a obra de Arroio, de 1757. Teve aí o início da linhagem dos Braganções. Mendo Alam veio a falecer em Bragança, Portugal.

Filho(s): Fernando Mendes e Ouroana Mendes, casada com Fafes Serracin de Lanhoso (com geração).

2 – FERNANDO MENDES, “O VELHO” (*1030 +1117)

Também encontrado como Fernão Mendes de Bragança, foi ele que sucedeu seu pai no Senhorio de Bragança e de outras terras na província de Trás-os-Montes, entre Bragança e Miranda, tornando-se assim o Segundo Senhor de Bragança.

Casou-se com SANCHA DE LEÃO, filha legítima do rei Afonso VI de Leão e Castela e sua segunda esposa, Constança da Borgonha. É o que consta no “Livro Velho de Linhagens do conde D. Pedro”. Alguns autores colocam este Fernando Mendes casado com Teresa Soares, o que é um equívoco, pois ela foi na realidade casada com seu neto homônimo.

Filho(s): Mendo Fernandes.

3 – MENDO FERNANDES

Também encontrado como Mem Fernandes de Bragança e foi quem por sua vez sucedeu ao pai no Senhorio de Bragança, provavelmente tendo sido alferes-mor do rei D. Afonso I de Portugal (Afonso Henriques) por volta de 1147.

Casou-se com SANCHA VIEGAS DE BAYÃO, filha de Egas Gosendes, O Senhor de Bayão, e de sua mulher Gotina Nunes.

Filho(s): Fernando Mendes e Ruy Mendes.

4 – FERNANDO MENDES, O BRAVO (*1095 +1160)

Também encontrado como Fernão Mendes II de Bragança. Ficou conhecido como “O Bravo” tanto por ter participado com o rei D. Afonso Henriques em todas as guerras de seu tempo quanto pelo seu caráter violento (para se ter uma ideia, foi ele quem matou o próprio irmão por este ter rompido um pacto de não agressão que haviam ajustado entre si). Também foi quem sucedeu seu pai, assumindo o Senhorio de Bragança bem como um vasto território na fronteira leonesa.

Contribuiu ativamente para o povoamento de suas terras através de várias doações, permitindo assim o surgimento de diversas instituições ligadas às Ordens Templária e Hospitalária.

Foi casado com TERESA SOARES DE MAYA filha de Soeiro Mendes da Maya, O Bom. E com essa estratégia acompanhava seus antepassados, sempre unir-se cada vez mais a Portugal através de sucessivos casamentos com damas portuguesas garantindo assim uma linhagem bastante influente.

Em 1130 já era viúvo quando dizem que se deu o célebre episódio em que estavam presentes o rei D. Afonso Henriques, Gonçalo de Souza e Sancho Nunes de Celanova, o qual era casado com Sancha Henriques, legítima irmã do rei. Acontece que estes dois riram de Fernando na presença do rei por conta da nata que escorria da barba dele, D. Afonso, “em reparação”, não só confiscou e doou as terras de Gonçalo para Fernando, como também permitiu que ele tomasse para si a esposa de Sancho, irmã do rei. Na realidade – se é que foi assim – não passou de uma manobra política para garantir o apoio tanto político quanto estratégico de Fernando ao próprio rei.

Deste segundo casamento não teve filhos. Entretanto Fernando e Teresa deixaram geração.

Filho(s): Pedro Fernandes.

5 – PEDRO FERNANDES, O BRAGANÇÃO

Também encontrado como Pero Fernandes de Bragança. Foi também o Senhor de Bragança e alto oficial da corte de D. Afonso Henriques, além de, provavelmente, mordomo do infante D. Sancho, filho do rei. A essa época sua família já possuía domínio incontestável de toda região hoje conhecida como de Trás-os-Montes, nas fronteiras do reino português, bem como possuíam reputação de valentes guerreiros.

Mesmo assim, dentre outras, foi acusado de assassinatos, raptos e até mesmo de matricídio, tendo sido inclusive excomungado pelo arcebispo local por ter ocupado algumas fazendas pertencentes à Sé de Braga.

Foi casado com FROILHE SANCHES DE BARBOSA (*1140), filha de Sancho Nunes de Barbosa e de Theresa Affonso, neta pelo lado materno de D. Afonso Henriques e de Châmoa Gomes (um relacionamento que tiveram antes de o rei se casar “oficialmente”).

Filho(s): Vasco Peres, Sancha, Teresa, Nuno, Fernão e Garcia.

6 – VASCO PIRES, O BEIRÃO

Ou Vasco Pires. Seu cognome “Beirão” ou “Veirão” vem do fato de que a maior parte de seus bens situava-se ao sul do Rio Douro, ou seja, na “beira” do rio. Viveu em fins do século XII e início do século XIII. Provavelmente o Senhorio de Vimioso deve ter passado para seu irmão mais velho, Garcia Pires de Bragança.

Casou-se com URRACA ESTEVES DE ANTAS, filha de Estevão Annes de Antas, O Senhor do Paço de Antas, e de Gracia da Cunha, neta paterna de Vasco de Antas – sendo este, segundo Gayo, o primeiro de que se tem notícia como Senhor do Solar de Antas.

Para que compreendam melhor a origem desse patronímico “De Antas”, cabe esclarecer que não tem absolutamente nada a ver com os nossos paquidermes mamíferos aqui do Brasil… “Anta”, em Portugal, é uma espécie de dólmen, um monumento constituído de uma laje, geralmente bastante larga, descansando sobre outra, quase sempre duas, bastante acima do nível do solo onde estão enterradas suas bases. Em vários pontos de Portugal ainda se encontram, com essa designação, rudes altares, que serviam como marcos ou balizas, bem como para, segundo a tradição, o uso sagrado. E Paço, por sua vez, nada mais é que uma habitação suntuosa, corruptela de palácio. É daí que vem o termo “Paço de Antas”, ou seja, o lugar em que estava situado deveria ter muitas antas (dólmens) espalhados pela região.

E ainda: como veremos mais à frente a forma de sucessão dos bens em Portugal é de uma maneira tal que esses bens são sujeitos a regras estritas de indivisibilidade, primogenitura e masculinidade, de modo que os bens (“morgado”) se transmitem por sucessão a um único sucessor e não por herança (divisão), sempre visando preservar o poder econômico das Casas Nobres – evitando diluir a herança e enfraquecer a Casa – pois cabia sempre ao primogênito a posse do morgado.

E foi a partir desse Vasco, após sua união com Urraca, que seus descendentes passaram a herdar o Paço de Antas.

Filho(s): João Vasques de Antas, Estevão Vasques de Antas.

7 – JOÃO VASQUES DE ANTAS

Foi o Senhor da Vila de Vimioso, localizada nas proximidades de Bragança, tendo vivido por volta de 1242. Não se tem notícias de seu casamento – ou se sequer foi casado – entretanto é certo que teve ao menos um filho.

Filho(s) Estevão Annes de Bragança.

8 – ESTEVÃO ANNES DE BRAGANÇA

Não se tem notícias de quem teria sido sua esposa. Entretanto a sua descendência se comprova através da documentação referente a uma demanda que seu neto João Mendes de Moraes teve em face da Câmara de Vimioso, que lhe pretendia tapar uma herdade, de modo que ele teve que comprovar nos autos toda sua linhagem para garantir seus direitos.

Foi, também, Senhor da Vila de Vimioso, haja vista que foi sucedido por seu filho Gonçalo.

Filho(s): Mendo Esteves e Gonçalo Esteves.

9 – MENDO ESTEVES DE ANTAS

Casou-se com a neta de Ruy Martins de Moraes (é importante frisar: neta), chamada IGNEZ RODRIGUES DE MORAES. Voltaremos a falar deste casal e de seus filhos logo adiante. Seu irmão Gonçalo Esteves, provavelmente o mais velho, foi o Senhor da Vila de Vimioso.


7 – ESTEVÃO VASQUES DE ANTAS, O LIDADOR

Não, a numeração não está errada. Este Estevão é irmão do João Vasques de Antas já citado. Foi o Senhor do Paço de Antas e padroeiro das abadias de S. Paio de Água Longa e Romarigães. Por volta de 1243 foi cabeça de grandes brigas entre os criados da Rainha Mafalda, produzindo grandes danos na Albergaria de Monforfe. Casou-se com DORDIA MARTINS, filha de Martim Dode e de sua segunda mulher, Urraca Pires.

Filho(s): Pedro Esteves de Antas.

8 – PEDRO ESTEVES DE ANTAS

Sucedeu a seu pai como Senhor do Paço de Antas, bem como no papel de padroeiro das abadias. Casou-se com MAYOR MENDES, filha de Egas Lourenço da Cunha, Senhor do Solar dos Encourados.

Filho(s): Vasco Pires de Antas, Garcia Vasques de Antas, Gonçalo Fernandes de Antas, Rui de Antas, Maria Pires de Antas.

9 – VASCO PIRES DE ANTAS

Ou Vasco Peres de Antas. Sua descendência segue descrita por Gayo, mas equivocadamente ele o colocou como filho de Vasco de Antas (o patriarca dos Antas), o que é cronologicamente impossível haja vista a sequência de sua linhagem, colocando Balthazar (que veremos mais a frente) como seu sexto neto. O mais lógico a considerar é que houve um erro na classificação do avô, não sendo este Vasco Pires filho do patriarca, mas bisneto d’O Beirão. Corrobora essa teoria a afirmação de Gayo que seu descendente Afonso Pires viveu na época do Rei D. João I (1385-1433).

Muito bem. Seguindo nesta linha temos que ele não sucedeu seu pai como Senhor do Paço de Antas, que ficou para seu irmão mais velho Garcia Vasques de Antas.

Vasco casou-se com IGNEZ RODRIGUES DE MORAES, a filha de Ruy Martins de Moraes (é importante frisar: filha) e de sua mulher Alda Gonçalves.

E é aqui, justamente por não termos documentos a serem consultados, que utilizaremos um pouco mais de lógica dedutiva do que simplesmente seguir a linha dos autores. Acontece que Goya traz a linha da família Antas através do filho de Vasco Pires, o Beirão, com Urraca: Estevão Vasques de Antas (que foi o Senhor do Paço de Antas). Já Pedro Taques, tendo copiado Arroio, traz a linha da família Antas através de outro filho de Vasco Pires, o Beirão, com Urraca: João Vasques de Antas (que foi o Senhor da Vila de Vimioso).

Ou seja, é plenamente compatível supormos que Vasco Pires, o Beirão, teve mais de um filho – até porque somente um o sucedeu como Senhor do Paço de Antas.

E amarrando essas informações, temos que Goya afirma que Vasco Pires de Antas (descendente de Estevão Vasques de Antas) casou-se com a filha de Ruy Martins de Moraes, enquanto que Pedro Taques afirma que Mendo Esteves de Antas (descendente de João Vasques de Antas) casou-se com a neta de Ruy Martins de Moraes.

Ora, homônimos entre gerações na mesma família eram tão comuns tanto do lado masculino quanto do lado feminino! Assim podemos supor que Ignez Rodrigues de Moraes teve uma filha cujo nome era idêntico ao seu. Considerando, ainda, que Vasco Pires de Antas foi seu segundo marido e que do primeiro não teve geração, restaria justificado o casamento entre Mendo e Ignez, reatando assim os dois lados da família (de João e de Estevão).

E mais um detalhe: depois de Vasco Pires de Antas não há mais notícia de sucessão como Senhor do Paço de Antas, o que pode indicar a quebra da varonia nesse caso.

E um último detalhe: para que essa teoria se sustente teremos que “rearranjar” a posição de Afonso Pires de Moraes de Antas, que não teria como ser filho de Vasco, mas sim seu neto. Mas veremos isso a seguir.

Filho(s): Ignez Rodrigues de Moraes.

10 – IGNEZ RODRIGUES DE MORAES

Essa Ignez, filha de Vasco Pires de Antas e de outra com o mesmo nome, casou-se com MENDO ESTEVES DE ANTAS (já citado anteriormente e descendente de João Vasques de Antas), conforme fica claro na obra de Pedro Taques.

Mas em ambas as obras (a de Gayo e a de Pedro Taques) resta evidente que essa Ignez teve um filho chamado Afonso (ainda que varie o restante do nome) e que casou com uma mesma pessoa: Aldonça. Também em ambas as obras é informado que ele foi o Senhor da Vila de Vimioso. Então é por essa linha que seguiremos.

Filho(s): Afonso Pires de Moraes de Antas, João Mendes de Moraes.

11 – AFONSO PIRES DE MORAES DE ANTAS

Ou, ainda, Afonso Mendes de Antas. Esse Afonso casou-se com ALDONÇA GONÇALVES DE MORAES (ou de Moreira), filha de Luís Pires de Távora e de Alda de Moraes. Ele sucedeu seu tio, irmão de seu pai, Gonçalo Esteves (que não deixou herdeiros) como Senhor da Vila de Vimioso e de outras terras, tendo vivido à época do rei D. João I (1385-1433). Fio seu irmão João Mendes de Moraes (já citado anteriormente) que teve uma demanda em face da Câmara de Vimioso.

Filho(s): Mendo Afonso de Moraes de Antas, Estevão Mendes de Moraes de Antas, Lourenço Mendes de Moraes de Antas.

12 – MENDO AFONSO DE MORAES DE ANTAS

Filho primogênito, foi ele que sucedeu seu pai como Senhor da Vila de Vimioso. Entretanto morreu sem ter filhos varões, de modo que Vimioso passou à Coroa Portuguesa, que por sua vez a deu para D. Francisco de Portugal por carta passada pelo rei D. Manoel I (1495-1521) em 02/02/1515. Casou-se com MARGARIDA DE VASCONCELOS.

Filho(s): Izabel de Moraes de Antas, Francisca Mendes de Antas.

13 – IZABEL DE MORAES DE ANTAS

Casou-se com NUNO NAVARRO. Daqui a pouquinho voltaremos a falar de sua filha e com quem ela se casou.

Filho(s): Ignez Navarro.


12 – ESTEVÃO MENDES DE MORAES DE ANTAS

Este Estevão é irmão do Mendo Afonso Moraes de Antas já citado acima. Ele entrou com uma demanda em face de D. Francisco de Portugal para que lhe fosse devolvida Vimioso, que pertencera a seu irmão, entretanto foram tantos anos de litígio perante o corregedor da comarca que ele acabou falecendo antes que fosse decidida a causa. Casou-se com MARIA DE MADUREIRA.

Filho(s): Vasco Esteves de Moraes de Antas, Juliana Mendes, Isabel Mendes, Leonor Mendes de Moraes, Joana Mendes.

13 – VASCO ESTEVES DE MORAES DE ANTAS

Ou Vasco Rodrigues de Moraes de Antas. Casou-se com MICAELA DE ALBUQUERQUE.

Filho(s): Pedro de Moraes de Antas.

14 – PEDRO DE MORAES DE ANTAS

Consta que foi cavaleiro fidalgo dos chefes Moraes do reino de Portugal da província de Trás-os-Montes, tendo servido ao rei em vários empregos nas comarcas da Beira e de Trás-os-Montes e foi Mamposteiro-Mor dos Cativos – fazia a arrecadação de bens ou valores advindos de esmolas, penas, resíduos ou deixas testamentárias que eram destinados a recuperar a liberdade de prisioneiros de guerra.

Casou-se com sua prima IGNEZ NAVARRO (já citada anteriormente), bisneta de Afonso Pires de Moraes de Antas.

Filho(s): Balthazar de Moraes de Antas, Belchior de Moraes de Antas, Gaspar de Moraes de Antas e mais uma irmã.

15 – BALTHAZAR DE MORAES DE ANTAS (*1537 +1600)

Balthazar nasceu em Mogadouro, na região de Bragança e veio para o Brasil aproximadamente em 1556. Foi nomeado Juiz Ordinário da Vila de São Paulo, porém foi taxado de “Cristão Novo” e, orgulhoso que era por ser descendente de uma nobre Casa portuguesa, não se conformou com a acusação, de modo que voltou para Portugal e conseguiu comprovar sua nobreza através da fraternidade com Belchior, bem como ter reconhecida sua linhagem perante o juiz do Mogadouro através de Carta de Nobreza que lhe foi passada em 11/09/1579.

Casou-se em Santo André com BRITES RODRIGUES ANNES, portuguesa, filha de Joanne Annes Sobrinho e de Isabel Duarte. Estabeleceram-se em São Paulo, onde teve fazenda no Ipiranga. Através deles teve início o tronco da família Moraes em São Paulo.

Filho(s): Anna de Moraes d’Antas, Pedro de Moraes d’Antas, Balthazar de Moraes d’Antas (O Moço), Izabel de Moraes.

16 – PEDRO DE MORAES D’ANTAS

Pedro foi vereador em São Paulo em 1600, onde casou-se com LEONOR PEDROSO (+1636), filha de Estevão Ribeiro Bayão Parente e de Magdalena Fernandes Feijó de Madureira. Leonor faleceu em São Paulo.

Filho(s): Pedro de Moraes Madureira, Magdalena Fernandes Feijó casada com Diogo de Lara.

17 – PEDRO DE MORAES MADUREIRA

Casou-se com ANNA DE MORAES PEDROSO (*1604), filha de Francisco Ribeiro, primeiro marido de Maria de Moraes, e por esta neta de Pantaleão Pedroso [Bayão Parente] e de Anna de Moraes d’Antas (irmã de seu tio-avô Pedro de Moraes d’Antas, já citado).

Filho(s): Carlos de Moraes Navarro, Ignez de Moraes Navarro casada com Domingos Leme da Silva.

18 – CARLOS DE MORAES NAVARRO (*1633 +1672)

Foi casado com MARIA RAPOSO, filha do bandeirante paulista Antônio Raposo Tavares e de sua primeira esposa Beatriz Furtado de Mendonça.

Filho(s): Francisca de [Macedo e] Moraes.

19 – FRANCISCA DE [MACEDO E] MORAES

Também encontrada simplesmente como Francisco de Moraes ou ainda como Francisca de Macedo. Casou-se em São Paulo com ANTONIO VIEIRA DOURADO (*1648).

Filho(s): Tereza de Moraes, Maria de Moraes Rapozo casada com Luís Marques das Neves.

20 – TEREZA DE MORAES (+1727)

Em 1707 casou-se com ANDRÉ DO VALLE RIBEIRO (*1675 +1720), filho de Domingos Francisco e de Maria do Valle. Possuíam um sítio na estrada do caminho velho junto ao Rio das Mortes Pequeno, com casas de vivenda, senzalas e plantações. Possuíam também um outro sítio na paragem chamada Cajuru, com uma senzala de meio alqueire de planta.

Filho(s): Maria de Moraes Ribeira, Manoel do Vale Ribeiro, Antonio do Vale Ribeiro, Luzia do Vale, Ângela de Moraes, André, Quitéria.

21 – MARIA DE MORAES RIBEIRA (*1711 +1794)

Também encontrada como Maria de Moraes ou Maria Ribeira do Vale. Natural da Vila de São João del Rei, Freguesia de Nossa Senhora do Pilar, onde foi batizada. Casou-se em 1725, em Rio das Mortes Pequeno, com ANTÔNIO DE BRITO PEIXOTO (*1696 +1750), filho de Inácio de Andrade Peixoto e de Helena de Brito. Antônio era natural da Freguesia de São João de Souto, da Cidade, Concílio, Comarca, Distrito e Arcebispado de Braga, Minho. Possuíam um sítio com casas térreas, senzalas, paiol, tudo de capim, capoeira e matas virgens, encostado na Serra das Carrancas, mais terras no barranco do Rio Grande.

Filho(s): Tomás de Brito, Tereza Maria da Conceição, José de Andrade Peixoto, Jacinta Maria da Conceição, as gêmeas Ângela Maria de Jesus e Maria Vitória do Nascimento, Jerônimo de Andrade Brito, Dorotéia Maria de Jesus, Ana Antonia de Brito, Luiza Tereza de Brito e Manoel Joaquim de Andrade.


E aqui nossa história dará um basta, um até logo, faremos uma pequena despedida. Pois depois de traçarmos essa linha de mais de 20 gerações ainda estamos apenas no ano de 1750 – e agora a próxima linha que irei traçar diz respeito à minha linha paterna: os Andrade.

Uma última observação: para aqueles que quiserem entender visualmente toda essa bagunça aí de cima, basta clicar neste link aqui e baixar o arquivo PDF com o genograma dessa árvore genealógica que daí já vai dar para compreender um pouquinho melhor… 😉


FONTES:
. ALVES, Francisco Manuel. Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança. 1938. Tomo VI, pág. 35-42.
. AMATO, Marta. Artigo. A ascendência paulista de Francisca de Macedo. Revista ASBRAP nº 6, pág. 229.
. DORIA, Francisco Antonio. Estudo: Os primeiros troncos portugueses: os senhores de Bragança (Antas Moraes)
. FELGUEIRAS GAYO, Manuel José da Costa. Nobiliário de Famílias de Portugal. 1938 Tomo I. Título Aloens e Título Antas.
. GUIMARÃES, Cid. Artigo. Ribeiro do Valle, Primeira Parte. Revista ASBRAP nº 4, pág. 127.
. ORTIZ, José Bernardo. Velhos Troncos. 1996. Volume I. Título Moraes de Antas.
. PAES LEME, Pedro Taques de Almeida. Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica. 1870. Título dos Antas Moraes, da Capitânia de S. Paulo.
. PIZZARRO, José Augusto de Sotto Mayor. Dissertação: Linhagens Medievais Portuguesas. 1997. Universidade do Porto.
. SILVA LEME, Luiz Gonzaga da. Genealogia Paulistana. 1903. Volume 6, Título Bicudos. Volume 7, Título Moraes.
. Livro de batismos de Valongo 1651/1686 fls. 70v. Igreja Matriz de São Mamede.
. Inventário de André do Valle Ribeiro, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 324.
. Inventário de Antônio de Brito Peixoto, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 605.
. Inventário de Antonio Ribeiro de Moraes, SAESP – Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo, vol. 22.
. Inventário de Francisco Ribeiro, SAESP – Sistema de Arquivos do Estado de São Paulo, vol. 4.
. Inventário de Maria de Moraes Ribeira, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 214.
. Inventário de Tereza de Morais, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa 464.
. Testamento de Jerônimo de Andrade Brito, arquivado no Museu Regional de São João del Rei – Caixa ?.
. Testamento de Maria de Moraes Ribeira, arquivado no Museu Regional de São JOão del Rei – Livro de Testamento 11.
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mendo_Alão
. https://ancestors.familysearch.org/en/KNHV-S8Q/mendo-alao-de-bragacon-0980-1050
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_VI_de_Leão_e_Castela
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernão_Mendes_de_Bragança_I
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mem_Fernandes_de_Bragança
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernão_Mendes_II_de_Bragança
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Fernandes_de_Bragança
. https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_Pires_de_Bragança
. https://geneall.net/pt/forum/14617/dos-bragancoes-aos-moraes-de-s-paulo-brasil/
. http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=189&cat=Ensaios
. https://www.genealogiahistoria.com.br/index_historia.asp?categoria=4&categoria2=4&subcategoria=255