TSE x TRE-RJ

Conforme a notícia lá do Clipping da AASP, eis que surge mais uma voz racional no meio de todo esse imbróglio…

A posição do TSE nesse caso também é diferente da do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Em maio, o coordenador da Fiscalização da Propaganda Eleitoral no Estado do Rio, juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, baixou portaria que permite aos candidatos o uso de seus blogs e comunidades de relacionamento. O magistrado levou em conta que “o acesso às páginas da internet, aos blogs e aos sítios de relacionamento dependem da iniciativa direta dos usuários que espontaneamente buscam os endereços eletrônicos desejados ou mesmo se utilizam de habilitação ou convite para o estabelecimento de contatos nas comunidades”. Para o juiz, é “uma realidade inexorável” o fato de que “a chamada grande rede se tornou um ambiente extremamente democrático”.

Fondue de chocolate com morango

Como fazer?

Compre uma boa barra de chocolate ao leite e uma caixa de morangos maduros. Prepare a mesa. Derreta o chocolate. Deixe os espetinhos e os morangos à mão.

Acrescente três crianças (já de pijamas) de quatro, seis e nove anos.

Reinações a gosto.

Paciência também.

Permita a utilização de uvas brancas e bananas em pedaços. Bolachas não.

Deixe “fermentando” o tempo suficiente para acabar o chocolate. Não, não olhe para a toalha. Esqueça as cadeiras. As manchas de chocolate nas paredes poderão ser limpas mais tarde.

Ao final, junte tudo e coloque debaixo do chuveiro.

Mais uma pitada de paciência.

Considere seriamente a inutilização perpétua dos pijamas rebocados de chocolate.

Após um bom tempo de cozimento (e vapor) retire tudo do chuveiro, ponha dentro de novos pijamas (dentes já escovados, é lógico) e coloque-os na cama.

Deleite-se com o sorriso de satisfação e felicidade de cada um…

Mude o canal de seu computador…

Resolução nº 22.718, do Tribunal Superior Eleitoral:

Art. 4º. É vedada, desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na Internet, no rádio ou na televisão – incluídos, entre outros, as rádios comunitárias e os canais de televisão que operam em UHF, VHF e por assinatura –, e, ainda, a realização de comícios ou reuniões públicas.

Péraê, péraê, gente! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa! E ambas não se misturam…

Internet não é televisão. Internet não é rádio. Você “vai” à Internet, ela não “vem” até você. Será que o TSE não consegue dar uma dentro?

Já comentei sobre isso várias vezes por aqui… Aliás, mais do mesmo lá no Sérgio Amadeu.

PS.: Como dizia minha bisa, quando a cabeça não pensa, o corpo padece…

Emenda à Inicial: mais uma pitada em toda essa história foi acrescentada lá no blog Direito e Trabalho, com direito a acesso a mais links e opiniões. É, gente. O furdúncio tá lançado!

Emenda à Emenda: do link acima tive notícia de outro, o Direitos Fundamentais, também de um juiz, mas que assistiu o TSE julgar a resolução que disciplina o uso da Internet na campanha eleitoral deste ano. A íntegra de seu post está aqui. Aliás, seria muito interessante a leitura também deste outro aqui. Independentemente disso, eis o trecho final de seus comentários – o que demonstra a vasta sapiência ministerial…

Na medida em que eu ia vendo as argumentações apresentadas, ficava cada vez mais surpreso ante o despreparo dos ministros para entenderem o que é a internet. Parecia – e essa impressão foi muito forte – que eles não sabiam do que estavam falando. Para se ter uma idéia, Youtube virou U2.

No entanto, merece destaque o posicionamento do Min. Carlos Ayres Brito nesse assunto. Ele disse algo que eu já defendi: em matéria de liberdade de expressão, o Judiciário não deveria tentar regulamentar a internet sem saber do que se trata. Querer igualar a internet com as demais mídias é um grave equívoco. A internet, ao contrário da imprensa tradicional, não tem dona e a informação é livre e gratuita.

No final das contas, a solução foi uma amostra clara de que eles não sabiam direito o que estavam decidindo naquele momento. Ficou decidido que à medida em que os problemas surgissem, a solução seria dada caso a caso. Tanto melhor para os advogados e tanto pior para os eleitores, que ficam com uma espada de Dâmocles em suas cabeças sem saber direito o que podem e o que não podem fazer.

E que os jogos comecem!

Recebi um e-mail hoje do amigo e eventual copoanheiro Hamilton, cá de Jacareí, SP. Era pra avisar que seu blog já está no ar, lá no endereço http://www.blogdohamilton.com.br. Segundo consta, um espaço para interação, onde dividirá suas idéias e posicionamentos, bem como estará aberto para sugestões e opiniões.

Heh… Como não posso deixar de “cutucar”, só peço que em algum próximo e-mail DESTRAVE O CAPS LOCK…

😀

Saci para símbolo da Copa do Mundo

Essa eu vi primeiro lá no site do amigo e copoanheiro Bicarato. Logo no dia seguinte recebi um e-mail do amigo Paulo de Tarso com exatamente o mesmo texto. Trata-se de uma campanha proposta pelo saciólogo Mouzar. De minha parte, assino embaixo! Vamos aderir, pessoal!

Numa reunião ontem na Biblioteca Monteiro Lobato, nos lembramos de uma coisa: vem aí a Copa do Mundo (2014 tá longe, mas é bom começar logo) e com certeza os marketeiros e lobbistas vão querer inventar uma mascote besta que nem o tal de Cauê (aquele sol esquisito) dos Jogos Panamericanos.

Que tal começarmos já uma campanha para que a mascote seja o Saci?

Veja as vantagens:

Primeiro, não seria preciso pagar direitos autorais a ninguém. No máximo, o que poderia ser feito é um concurso para cartunistas etc., para escolher o melhor desenho.

E por que o Saci?

– Ele é a síntese da formação do povo brasileiro:

É o mito brasileiro mais popular, o único conhecido no Brasil inteiro (Boitatá, Curupira e mesmo a Iara requerem explicações quando a gente fala deles, em alguns lugares. O Saci não).

É o típico brasileiro: mesmo pelado e deficiente físico, é brincalhão e gozador.

E tem mais:

– No início era um indiozinho protetor da floresta. Tinha duas pernas.

– Depois foi adotado pelos negros e virou negro. A perda de uma perna tem várias histórias. Uma delas é que ele foi escravizado, ficou preso pela erna, com grilhões, e cortou a perna presa. Preferiu ser um perneta livre do que escravo com duas pernas. É um libertário, então.

– Dos brancos, ganhou o gorrinho vermelho, presente em vários mitos europeus. O gorrinho vermelho era também usado pelos republicanos, durante a Revolução Francesa. Na Roma antiga, os escravos que se libertavam ganhavam um gorrinho vermelho chamado píleo.

Só não tem orientais nessa história porque eles chegaram mais tarde, já no século XX. Mas dizem que já foi visto um Saci de olhinhos puxados, no bairro da Liberdade, o Sashimi. Você pode entrar no sítio da Sosaci que tem um monte de histórias de gente que viu o Saci, inclusive esse Sashimi (é a quarta ou quinta história).

Então, olha aí uma proposta, pedido, convocação ou sei lá o quê: entre nessa também. Se você topar, vai ser uma baita força. Ajude a divulgar esta idéia e, se tiver condições, escreva, fale com quem tem espaço na mídia para que declarem sua adesão nos jornais, revistas, rádio, TV, blogues etc.

Já pensou o Saci em camisetas no mundo inteiro? Ele provocaria muito interesse dos outros povos para a cultura popular brasileira. Coisa que esses símbolos bestas (como o dos Jogos Panamericanos) não fazem.

Por pouco

Enquanto os paradoxos teimam em rir da minha cara, e ficam por aí dançando rumba ao som de heavy metal, resolvi rever alguns links perdidos em meu computador e encontrei o Ponto Doc, e, nele, trechos de uma crônica de Veríssimo (como diria o Marcelo, “o de verdade, com “s” e sem acento no “i”) que vai ao encontro não só do sentimento dos últimos dias como também com outra crônica que eu já citei por aqui.

A crônica segue abaixo, na íntegra, cujo título é o mesmo deste post – “Por pouco” – e foi publicada por Luis Fernando Veríssimo no livro Ed Mort e Outras Histórias.

Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam – e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida mas não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.

Pena e comiseração para os que preferiram o pássaro na mão. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que envelheceram tentando decidir o que iam ser quando crescessem. E para os que decidiram, mas na hora não foram.

Alguns passam a vida acompanhados pelo que podiam ter sido. Por fantasmas do irrealizado. Um cortejo de ressentimentos. Este aqui sou eu se tivesse decidido fazer aquele curso em Paris. Este outro sou eu se tivesse chegado um minuto antes no vestibular…

Olha que bom aspecto eu teria se tivesse aceito aquela nomeação. Veja o bigode. O corte decidido do cabelo. O olhar de quem é firme, mas justo com subalternos. A cintura ajustada. As mãos que não tremem. Elas me seguem por toda a parte, as minhas alternativas.

Você conhece muitos assim. Gente que cultiva suas oportunidades perdidas como outros guardam o próprio apêndice num vidrinho. E não perdem oportunidade de contar como foi a oportunidade perdida.

– Foi num jogo de pôquer. Tinha dois pares e não joguei. Quem ganhou tinha só um. A melhor mesa da noite. Milhões. Eu, hoje, seria outro.

– Fiz uma ponta naquele filme do Tarzã, mas cortaram a minha parte. Se tivessem me visto em Hollywood…

– Se eu tivesse dito sim…

– Se eu tivesse dito não…

– Se mamãe não tivesse interferido…

– Uma vez fui fazer um teste no Fluminense. Abafei. Mas a família foi contra. Insistiu com a contabilidade. Eu, hoje, seria outro.

– Já tive a minha época de escritor, tá sabendo? Uns contos até razoáveis. Mas nunca me mexi. Hoje eles estão numa gaveta, sei lá.

– Você sabe que só não me elegi deputado, porque não quis?

– Eu, hoje, podia ser até primeiro-violino.

– Tudo porque eu não saí daqui quando devia. Pena e comiseração para os que não saíram daqui quando deviam. Há quem diga que o passo crucial só pode ser dado uma vez e nunca mais. Tem a sua hora certa, e ela não volta. Bobagem, claro. Mas não para os que tiveram a sua hora e não aproveitaram. Os mártires do por pouco.

– Sei exatamente quando foi que eu tomei a decisão errada. Foi numa noite de Ano-Bom.

Você já ouviu a história várias vezes. Mas não pode impedi-lo de falar. O único divertimento que lhe resta é o que ele poderia ter sido. Os que não deram o passo crucial quando deviam estão condenados ao condicional. E têm a volúpia da própria frustração.

– Se eu tivesse aproveitado… Ela estava gamada. Gamadona. Filha da segunda fortuna do Brasil.

Da última vez que você ouviu a história, era a terceira fortuna do Brasil, mas tudo bem.

– Bobeei e babaus. Hoje, quando eu penso…

Você tenta ajudar.

– Podia não ter dado certo. O pai dela não ia deixar. Um morto-de-fome como você…

– Morto-de-fome, porque eu não dei o passo crucial na hora que me ofereceram aquele negócio no Mato Grosso. Ia dar um dinheirão.

– Mas se você fosse para o Mato Grosso, não teria conhecido a menina na noite de Ano-Bom.

– Pois é. Agora é tarde. Sei lá.

Agora é tarde. As decisões erradas são irrecorríveis. Você o imagina cercado das suas alternativas. De um lado, casado com a, vá lá, primeira fortuna do Brasil. O último homem do Rio a usar echarpe de seda. Grisalho, mas ainda em forma com aquele tom de pele que só se consegue passando o dia na piscina do Copa, mas na sombra. Do outro lado, o próspero fazendeiro do Mato Grosso que pilota o seu próprio avião e tem rugas em torno dos olhos de tanto procurar o fim das suas terras no horizonte, ou de tanto rir dos pobres. E no meio, ele, a ponto de lhe pedir dinheiro emprestado outra vez. Triste, triste. Eu ia escrever uma boa crônica sobre tudo isso. Mas o assunto me fugiu, perdi a hora certa. Agora é tarde.

Luís Fernando Veríssimo

Mas… Pensando bem em tudo isso, agora me pergunto: e se o passo decisivo for justamente não dá-lo? Ficar exatamente onde se está para que as coisas possam fluir?

Penso e repenso em tudo isso e minha cabeça dá um nó…

E os paradoxos, ainda dançando, começam a gargalhar enquanto brindam com conhaque em copos de cristal!

Transmimento de pensação off line

Lendo um post curtinho lá no efeefe (de visual novo – bem bacana) pude perceber que mesmo desconectados virtualmente ainda assim existe uma espécie de conexão entre os pensamentos neste nosso mundão off line. Lá ele falava de paradoxos.

E numa boa discussão com o copoanheiro Bicarato, coincidentemente falávamos basicamente sobre a mesma coisa. A questão de projetos de vida em comparação com os rumos para os quais a vida acaba nos projetando…

É certo que amo-de-paixão meu trabalho, minhas responsabilidades, meus perrengues do dia-a-dia. Mas, quando paro para pensar, acabo tendo um pouco de uma sensação de vazio. Vazio no sentido de que – tenho quase certeza – eu poderia fazer mais. Contribuir mais. Compartilhar mais. Mesmo assim acabo não tomando atitudes proativas (ainda não decidi se gosto ou não dessa palavra) e também acabo permanecendo no mesmo ziquizira de sempre.

Creio que meus “problemas existenciais” (ao menos os atuais) se resumem a duas coisas. Uma seria essa questão paradoxal, como acabei de explicar. Outra seria já uma questão de “pessoalidade”. Apesar de a Internet propiciar um contato com as melhores cabeças pensantes que existem, independentemente de sua localização nesse mundão véio, ainda assim esse contato é virtual. E essa coisa de pessoalidade, de proximidade, de olho no olho, de companheirismo (de preferência copoanheirismo), bem, isso está cada vez mais escasso. Falta cumplicidade para projetos, um apoio pessoal e presencial para incentivos e mesmo para puxões de orelhas e críticas – quer sejam construtivas ou não.

Mesmo os gregos já falavam em Terminus – o deus dos limites. Ora esses limites muitas vezes nos são impostos pela própria crítica pessoal de quem conosco convive. E isso é bom. Nos ajuda a pensar melhor, a rever conceitos, a crescer e partir em busca de novos limites – os quais, por sua vez, serão também oportunamente rechaçados, numa espécie de ciclo virtuoso empacotado numa espiral sem fim.

O difícil é o primeiro passo.

Há que se romper os limites.

E isso se torna cada vez mais complicado à medida em que paradoxalmente nos acomodamos com a vidinha besta que levamos…

E essa bestagem a que me refiro diz respeito à estagnação da criatividade, da vivência numa rotina pequeno burguesa, da mesmice, enfim.

A sublime anarquia combinada com uma caótica experimentação de disparidades – ainda que sob a batuta da máscara da ordem – é que acaba por nos trazer todo o colorido da vida. Pergunte a qualquer criança de quatro ou cinco anos. Elas sabem! Temos muito a aprender com sua visão simplista da vida. Basicamente preto e branco. Entretanto os diversos tons de cinza nos quais baseamos nossos atos e pensamentos são invariável e involuntariamente construídos no decorrer de toda uma existência. E isso só serve para complicar.

Mas o tema desse nosso proseio é (ou seria) outro.

Simplesmente me chamou a atenção o fato de que pessoas tão distantes estivessem levando em conta o mesmo tema. E – pior – aquelas que estão próximas usufruindo da mesma (má) sintonia, sem possibilidade de uma crítica qualquer que seja. Algo do tipo “putz, tá foda”, ao que o outro responde “é, tá mesmo”

Mas, nesse caleidoscópio de percepções visualizado nesta montanha russa gramatical no qual este texto se transformou, só consigo chegar a uma única conclusão (por mais estapafúrdia que seja): sinto saudades.

Saudades de um tempo em que as coisas pareciam mais simples. Em que eu conseguia enxergar todas as confusões em que me metia com franco otimismo e um insuportável bom humor. Sinto saudades de mim mesmo, de um caboclo mais camarada que vivia gargalhando pelos corredores. Pregador de peças. Sacana. Otimista. Gente boa.

Tenho estado num mau humor que nem eu mesmo tenho me suportado. Ando mais rabugento que o normal – o que, diga-se de passagem, pode ser assustador! Não gosto desse caboclo. Ele precisa ser sumariamente executado. Mas, dando a mão à palmatória, tenho que reconhecer que ele possui um nível de controle e eficiência em seus serviços do qual jamais fui capaz. A perspectiva de perder esse (único) lado bom que ele manifesta acaba me deixando receoso.

Taí. Mais uma vez o maldito paradoxo!

Heh… Me sinto como Harvey Dent… Estou discutindo comigo mesmo. E brigando! E perdendo a briga!

Enfim, isso já está virando um monólogo. E tomando rumos que sequer imaginei quando comecei a escrever. De fato, textos têm vida própria…

Vou à caça do caboclo bão que conheço e que está perdido lá dentro de mim em algum lugar. E nesse meio tempo preciso dar um jeito de aumentar ainda mais o círculo pessoal (pois o virtual já é bem grandinho) de indivíduos com a mesma afinidade.

Se eu obtiver sucesso nessa empreitada, com certeza aqueles projetos de vida sobre os quais falei lá no início dessa viagem poderão ser desempacotados.

Se não… Bem, terei que ver até onde consigo me suportar desse jeito…