Alimentos e emoções

Essa eu poderia catalogar numa série com o nome de “inutilidades indispensáveis”

Na dúvida, eis aí a lista.

Qualquer coisa, meninas, vocês me avisem!

Banana
contra a ansiedade

Se você anda mais ansiosa que o normal, aposte na banana para elevar os níveis de serotonina. Quando os níveis desse neurotransmissor estão baixos, falha a comunicação entre as células cerebrais. Aí você fica irritada e especialmente ansiosa. A fruta combina doses importantes de triptofano e vitamina B6. Juntas, as duas substâncias se tornam poderosíssimas na produção da serotonina.

Quanto consumir: 2 unidades por dia

Mel
pura alegria

Triste sem motivo? De novo a causa pode ser a serotonina de menos. Nesse caso, o mel funciona como um calmante natural, pois aumenta a eficiência da serotonina no cérebro. Mas não é só aí que ele atua. Quando alcança o intestino, ajuda a regenerar a microflora intestinal. Resultado: o ambiente se torna mais propício para a produção de serotonina. Surpresa? Pois é, cerca de 90% do neurotransmissor do bom humor é produzido no intestino.

Quanto consumir: 1colher (sopa) / dia.

Abacate
amigo do sono

Dormir é tão importante para viver bem quanto comer direito e fazer exercícios. Tem noite que o sono não vem? Põe fé no abacate. Tudo bem, ele tem gordura, mas é da boa. E oferece vitaminas que ajudam você a se entender melhor com o travesseiro. A vitamina B3 equilibra os hormônios que regulam as substâncias químicas cerebrais responsáveis pelo sono. Já o ácido fólico funciona como se fosse uma enzima, alimentando os neurotransmissores que fazem você dormir bem.

Quanto consumir: ½ abacate pequeno, 3x / semana.

Salmão
levanta o astral

Mau humor constante pode ser sinal de falta de ômega 3 no prato. O representante oficial dessa gordura amiga é o salmão. Mas existem outros peixes (atum, arenque e sardinha) que jogam seu astral lá para cima. O ômega 3 melhora o ânimo porque aumenta os níveis de serotonina, dopamina e noradrenalina – substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar. Estudos também comprovam que este ácido graxo tira os radicais livres de cena e assim protege o sistema nervoso central.

Quanto consumir: 1 porção, 3x / semana.

Lentilha
afasta o medo

Angústia e medo podem estar relacionados ao desequilíbrio de cálcio e magnésio. Essa dupla atua no balanceamento das sensações. Além de incluir alimentos com cálcio (queijo e iogurte) e magnésio (acelga) na dieta, consuma mais lentilha. Ela tem efeito ansiolítico, ou seja, tranquiliza e conforta. Isso porque é precursora da gaba, neurotransmissor que também interfere nos sentimentos.

Quanto consumir: 3 conchas pequenas / semana.

Nozes
mantém você concentrada

São muitos os nutrientes das nozes. Mas é a vitamina B1 a responsável por essa fruta oleaginosa melhorar a concentração, pois a B1 imita a acetilcolina, neurotransmissor envolvido em funções cerebrais relacionadas à memória.

Quanto consumir: 2 nozes, 4x / semana.

Chá verde
espanta o estresse

Essa erva, a Camellia sinensis, tem fitoquímicos (polifenóis e catequinas) capazes de neutralizar as substâncias oxidantes presentes no organismo que, em excesso, deixam você cansada e estressada e acabam desorganizando o funcionamento do organismo. O estresse é capaz de desencadear a síndrome metabólica, culpada por doenças como a obesidade e a depressão. Beber chá verde, conforme alguns estudos, melhora a digestão e deixa a mente lenta.

Quanto consumir: 4 a 6 xícaras (chá) / dia.

Brócolis
deixa a mente esperta

É comum você demorar alguns segundos para lembrar o número do seu telefone? Este alimento é rico em ácido fólico, acelera o processamento de informação nas células do cérebro, consequentemente, melhorando a memória. Porções extras desta verdura vão fazer você lembrar de tudo rapidinho.

Quanto consumir: 1 pires / dia.

Clorela
controla a preocupação

Comportamento obsessivo pode ser sinal de que as células do organismo estão desvitalizadas. A alga clorela funciona como um poderosíssimo reparador celular, melhorando as funções fisiológicas e o sistema imunológico. E mais: contém vitaminas (B3, B6, B12 e E) e minerais (cálcio, magnésio e fósforo) e aminoácidos (triptofano) que ajudam a estabilizar os circuitos nervosos, acabando com a aflição e aumentando a sensação de conforto.

Quanto consumir: de 2 a 4g / dia (cápsula)

Óleo de linhaça
dribla o apetite voraz

O óleo extraído da semente de linhaça e prensado à frio é uma fonte vegetal riquíssima em gordura ômega 3, 6 e 9. Melhor: é um dos poucos alimentos com ômega numa proporção próxima do ideal, o que é imprescindível para que exerça suas funções benéficas. Uma delas é regular os hormônios que ajudam a manter o sistema nervoso saudável. Com isso, a ansiedade perde espaço e a cumpulsão a comida fica bem menor.

Quanto consumir: 1 colher (sobremesa) / dia, antes das refeições principais.

Gérmen de trigo
acaba com a irritação

Assim como as nozes, o gérmen de trigo tem vitamina B1 e inositol, que reforçam a concentração. Mas por ter uma boa dose de vitamina B5, o gérmen é especialmente indicado como calmante, já que melhora a qualidade de impulsos nervosos, evitando nervosismo e irritabilidade.

Quanto consumir: 2 colheres (chá) / dia.

Tofu
espanta o desânimo

O queijo de soja tem o dobro de proteínas do feijão e uma boa dose de cálcio. Também é rico em magnésio (evita o enfraquecimento das enzimas que participam de produção de energia) e ferro (combate a anemia). Quando estes minerais estão em baixa no organismo, você se sente fraca e sem ânimo. Mas é a colina, substância que protege a membrana das células cerebrais, que dá ao tofu o poder de acabar com o cansaço mental.

Quanto consumir: 1 fatia média / dia.

Reminiscências escolares

Ao ler as Palavras Soltas do Renato – em especial este post aqui – por indicação do Copoanheiro, bateu uma nostalgia de minha infância.

Diferente do que vemos hoje, a escola efetivamente começava aos sete anos para a criançada. Até os cinco anos não se cogitava em absoluto nenhuma vida escolar, sendo que aos seis anos, quando muito, havia a figura do “prézinho” (sim, eu sei que a paroxítona tá brigando com o acento da proparoxítona, mas é assim mesmo que chamávamos as pequenas unidades pré-escolares).

Berçários? Infantil 1, 2, 3, o escambau? Nada disso. Tá certo que o mundo era bem outro e numa cidade do interior o comum era que as mães cuidassem da casa e dos filhos enquanto que os pais trabalhavam. E mesmo assim elas ajudavam como podiam. Lá em casa, por exemplo, enquanto meu pai era mecânico de caminhões, minha mãe era costureira. E, enquanto não saía para o mundo, sendo o caçula de três (cujos mais velhos já eram adolescentes à época), tive a sorte de ter um quintal enorme para brincar e criar minhas próprias aventuras. Tá, vendo hoje o quintal nem era tão grande assim. Mas vá explicar isso a uma criança de seis anos…

Mas, de volta à vida escolar, estudei numa única escola da primeira à oitava série – a “E.E.P.G. Dr. Rui Rodrigues Dória” – numa época em que sequer se pensava em “progressão continuada”, ou seja, simplesmente quem não estudava não passava. Isso foi entre 1976 e 1983. A escola ficava a três quarteirões da casa em que eu morava (e onde até hoje meus pais moram) e desde sempre fui a pé para as aulas. Talvez seja por isso que hoje, mesmo com uma escola relativamente perto de minha atual casa, me causa uma certa estranheza toda a logística montada pela Dona Patroa para levar e trazer as crianças. Não sei precisar se efetivamente “os tempos eram outros”, pois vivíamos num regime militar propriamente dito (ainda que em seu final), essa coisa de segurança pública era uma grande piada (alguém aí se lembra das baratinhas e camburões?) e policiamento era uma coisa que não se via. Mesmo hoje, nos bairros, a criançada continua indo a pé para escola e – pasmem! – sobrevivem.

Mas estou divagando.

Não tive pré, mas ainda assim entrei na escola já sabendo ler e escrever, graças a meu irmão mais velho que teve paciência de me ensinar como juntar aquela sopa de letrinhas que até então eu enxergava nos livros. Confesso que só tive problemas com o ponto de exclamação (“!”), pois toda frase que terminava com ele, eu terminava com “i”.

– Mas isso não é a letra “i”.

– É sim.

– Não, isso se chama “ponto de exclamação” e serve para indicar que alguém está, por exemplo, gritando.

– Não, não é.

– E o que é então?

– É um “i”. Mas está de cabeça pra baixo…

Teimoso e turrãozinho desde pequeno.

Assim, aos sete anos de idade, já com alguma vantagem com relação a maioria dos meus colegas, não me foi difícil aprender a ler, escrever, estudar e tomar gosto pela coisa. Confesso que por essa experiência às vezes me assusto com meu caçulinha que, com seus recém completados seis anos, já sabe ler alguma coisinha. Tanto eu quanto a Dona Patroa nos esforçamos para que nossa criançada não perca o momento de brincadeira que, nessa idade, a eles pertence, mas é preocupante a carga de “responsabilidades” que já lhes é despejada desde tão cedo.

E então fui aprendendo a ter um certo senso de organização e de rotina, pois desde sempre ao tocar do sino (sim, um sino mesmo, na mão da Inspetora de Alunos) os alunos se reuniam no pátio, cada classe em fila dupla (meninos e meninas), do menor para o maior (desde então eu já era o mais alto, lá no final da fila). Dali vinha algum recado que eventualmente fosse necessário o Diretor passar e, após, toca todo mundo pra sala de aula.

Toda quarta-feira era dia de hasteamento das bandeiras, quando então cantávamos o Hino Nacional – ritmo quaternário, segundo a Dona Clélia, Professora de Educação Artística (mas, antes disso, lecionava Música). Aliás, o respeito que se tinha com o pavilhão era bem outro. Não que nós, brasileiros, não devamos nos apropriar e até mesmo brincar um pouco com as cores e geometria da bandeira, como hoje fazemos, até porque vejo isso como uma forma de divulgação e orgulho. Mas, naquela época, era uma coisa quase sacrossanta. Ao final do dia tínhamos a cerimônia de arriamento e a bandeira era recolhida e guardada, sendo devidamente dobrada da “forma certa” (não me perguntem qual, não lembro mais). Esses detalhes aprendíamos com o Professor Bosco, de Educação Moral e Cívica.

Aliás, lembro-me pouco das professoras de primário (primeira a quarta série), quando havia uma única por sala de aula para lecionar todas as matérias. Posso citar somente a Dona Maria Antônia e, mais tarde, a Dona Geni – cuja música recém-lançada à época pelo Chico causou uma saia justíssima quando, certa vez, nossa classe inteira começou a cantá-la durante uma ausência temporária da professora (que não foi tão temporária assim).

De vez em quando apareciam alguns professores substitutos, e destes lembro-me de apenas dois. Um deles foi o Professor Aristóbulo – e é só pelo nome que me vem à lembrança. Outra foi a Professora Bete. Um amor de pessoa. Totalmente despirocada e divertida, não tinha quem não gostasse dela. Mais tarde, já formado, encontrei-a por diversas vezes no Fórum, pois hoje ela é advogada. E continua do mesmo jeitinho.

Entretanto tenho um pouco mais de lembranças dos professores do ginásio (quinta a oitava série). Além dos dois que já citei, tínhamos a Dona Ana Lúcia, Professora de Língua Portuguesa (antigamente dava aulas de Francês e era conhecida como “Merci Bocu” – o que mais tarde foi “traduzido” pelos alunos), com quem aprendi regras gramaticais que até hoje tenho na cabeça. O Professor Rotschild, de História, responsável por uma profunda mudança em minha cabeça ao ensinar a história como ela foi e não necessariamente como contavam os livros. O Professor Jaime (mais tarde fiquei sabendo que também foi Diretor da escola), de Ciências – sacana pra caramba em pleno momento de adolescência dos estudantes.

E só.

Lamento profundamente não conseguir me lembrar dos demais professores que, com certeza, ajudaram a influenciar quem hoje sou – e se isso é bom ou ruim, também não sei aquilatar.

E, ainda, minha formação vem da convivência que tive com os demais colegas e amigos com os quais passei esses oito anos, quer tenham estudado comigo ou não. Eis alguns, de cabeça (e desde já peço perdão àqueles que, assim à queima-roupa, deixei de citar): a pequenina Vilma, o também miudinho Jorge, o Fernando Kamezawa – amigo de toda jornada, sua irmã Edna, Marco Antônio, Celsinho, Marcelle (e olhe que não nos dávamos de jeito nenhum), a Alexandra – filha do Cuitelo, do supermercado, Fátima, Regina, Valnice e outras primas, a Ana Lúcia (ah, a Aninha), a Ana Maria, Rosele, Rosália, o Fábio (com quem briguei muito), Paulo César (sempre sacana), Josimara, Rose, Eduardo Rosa, Zezé (que, parece, também se tornou professor), Sílvio Alexandre, Sílvia Helena, João Carlos Dellu – meu mentor baguncístico para a adolescência, Vantuil, Kalil, Alexandre, Lucimara, Sirlei – a ruivinha, Izabel Cristina Coelho, Edlaine, Edvânia, os gêmeos Márcio e Maurício (também sacanas como eles só), Karla (essa mesma, mãe dos meus sobrinhos) e Edilson Roger Pascoaleto, amigo até os dias de hoje de aventuras e desventuras inomináveis.

Acho que a grande vantagem de se estudar numa mesma escola durante um longo tempo é que seu referencial se torna mais sólido. As amizades são mais duradouras. O terreno é mais conhecido. Afinal, creio que havia uma certa segurança em função disso. E essa “segurança” não só norteia minha vida como também tento passá-la aos meus próprios filhos.

Enfim, são apenas reminiscências deste velho contador de causos que vos tecla. Mas, no próximo dia três de outubro, com certeza ainda vou matar algumas saudades. Até hoje não mudei meu título de eleitor e continuo votando na mesma escola que me viu crescer. Já não é mais exatamente a mesma, mas sempre tem algum detalhe, aquele enfeite, aquela rachadura, aquela marca, que acaba me transportando a uma época em que tudo era bem mais fácil e divertido…

Advogado pode receber honorário por cartão

Direto daqui:

Os 632 mil advogados do país já podem receber honorários por meio de cartão de débito ou de crédito. O Órgão Especial do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu ontem que o uso dessas formas de pagamento não configura infração ético-disciplinar. O entendimento foi adotado pela maioria dos 27 conselheiros, que analisaram uma consulta formulada pela seccional baiana da entidade.

A questão chegou ao Conselho Federal da OAB depois de a seccional paulista aprovar, em junho, o uso de cartão de crédito. O tema estava na pauta de outras regionais. O relator da matéria, Luiz Carlos Levenzon, conselheiro pelo Rio Grande do Sul, foi vencido na votação. Ele foi contra a adoção das máquinas nos escritórios, apesar de o Estatuto da Advocacia – Lei nº 8.906, de 1994 – e o Código de Ética e Disciplina da OAB não proibirem expressamente a prática. Ele entende que a utilização de cartões mercantiliza a profissão.

O voto divergente, seguido pela maioria, foi do conselheiro Miguel Cançado, representante de Goiás. “Não há como fugir. São apenas novas formas de pagamento de honorários”, diz o advogado, acrescentando que o cheque, aceito pelos escritórios, está sendo substituído gradativamente pelo dinheiro de plástico.

Cançado alerta, no entanto, que os escritórios não podem usar a informação de que aceitam cartões como uma forma de captação de clientes, o que violaria o código de ética da categoria. “O profissional deve seguir o que determina o Provimento 94, que trata da publicidade na advocacia.”

Arthur Rosa, de São Paulo

Novo: Asterix entre os McLanches…

PARIS – Uma nova propaganda do McDonald’s com o campeão gaulês Asterix comendo hambúrguer e batata frita causou indignação entre puristas do quadrinho francês, que consideraram o anúncio um insulto contra o patrimônio nacional.

O outdoor mostra o valente gaulês e seus amigos comemorando seu tradicional banquete na rede de fast-food – com o bardo Chatotorix, como sempre, amarrado a uma árvore ao lado de fora.

Direto daqui e daqui.

Velinhas virtuais

E não é que hoje, fazendo uma atualização deste nosso cantinho virtual, enquanto subia alguns textos antigos do finado Ctrl-C, me caiu a ficha!

Agora em agosto faz onze anos que subiu ao ar o seu primeiro número (na verdade foi a edição 00).

Ou seja, já tem um bom tempinho que venho martelando assuntos que, cada vez mais, vão ficando em voga – tais como compartilhamento de informações, software livre, etc…

Com certeza não fui o primeiro a bater nessa tecla e – pior – nesse meio tempo não consegui ser tão ativista quanto gostaria – certo, Bica?

Mas tenho lá dado meus pitacos…

Fora isso – e essa passou em branco – já se vão treze anos (sempre gostei desse número!) desde que conheci a Dona Internet. De madame turrona e desajeitada, lá no começo, acabou por se tornar uma mocinha esguia e pra lá de faceira!

Enfim, este post foi só pra registrar o momento.

Mais tarde brindarei a isso!

Ferpeitamente!

                         ________________         _
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                                  '---._____./!

                              INFORMATION MUST BE FREE !

 
Em tempo: Depois de muito tempo, muita atualização e muita conta já não sei mais se essa conta bate…

Anti-Serranas

Estratégia de campanha de Serra deu ‘100%’ errado

Josias de Souza

Todos os planos que José Serra traçara para sucessão de 2010 deram errado. Em consequência, o presidenciável tucano chega à fase do horário eleitoral gratuito, último estágio da campanha, em situação de absoluta desvantagem.

No pior cenário esboçado pelo tucanato, previa-se que Serra iria à propaganda de televisão empatado nas pesquisas com Dilma Rousseff. Deu-se algo mais dramático.

Todos os institutos acomodam Serra atrás de sua principal antagonista. No Datafolha, o fosso é de oito pontos. Vai abaixo um inventário dos equívocos que distanciaram a prancheta do comitê de Serra dos fatos:

1. Chapa puro-sangue: Serra estava convicto de que Aécio Neves aceitaria compor com ele uma chapa só de tucanos. Em privado, dizia que as negativas de Aécio não sobreviveriam a abril. Aceitaria a vice quando deixasse o governo de Minas. Erro.

2. PMDB: O tucanato tentou atrair o PMDB para a coligação de Serra. Nos subterrâneos, chegou-se a levar à mesa a posição de vice. Desde o início, a chance de acordo era vista como remota. Mas o PSDB fizera uma aposta: dividido, o PMDB não entregaria o seu tempo de TV a Dilma. Equívoco.

3. Ciro Gomes: O QG de Serra achava que Ciro levaria sua candidatura presidencial às últimas consequências. Numa fase em que Serra ainda frequentava as pesquisas com dianteira de cerca de 30 pontos, o tucanato idealizou um cenário de sonho.

Candidato, Ciro polarizaria com Dilma a disputa pelo segundo lugar, dividindo o eleitorado simpático ao governo. Mais um malogro.

4. Marina Silva: Serra empenhou-se para pôr de pé, no Rio, a aliança de seus apoiadores (PSDB, DEM e PPS) com o PV de Fernando Gabeira. Imaginou-se que, tonificado, Gabeira iria à disputa pelo governo fluminense com chances de êxito. E o palanque dele roubaria votos de Dilma para Serra e Marina.

Deu chabu. Empurrado por Lula, Cabral é, hoje, candidato a um triunfo de primeiro turno. A vantagem de Dilma cresce no Estado. E Marina subtrai votos de Serra.

5. Sul e Sudeste: O miolo da tática de Serra consistia em abrir boa frente sobre Dilma nessas duas regiões. Sob reserva, Luiz Gonzales, o marqueteiro de Serra, dizia: O Nordeste é importante, mas nossas cidadelas são o Sul e o Sudeste.

Acrescentava: Não podemos perder de muito no Nordeste. E temos de ganhar muito bem no Sul e Sudeste. As duas premissas fizeram água. Ampliou-se a vantagem de Dilma no Nordeste. E ela já prevalece sobre Serra também no Sudeste.

Há 20 dias, Serra batia Dilma em São Paulo e era batido por ela no Rio. Em Minas, a situação era de equilíbrio. Hoje, informa o Datafolha, a vantagem de Dilma (41%) ampliou-se em dez pontos no Rio. Serra (25%) enxerga Marina (15%) no retrovisor.

Em Minas, Dilma saltou de 35% para 41%. E Serra deslizou de 38% para 34%. Em São Paulo, o tucano ainda lidera, mas sua vantagem sofreu uma erosão de sete pontos. Resta, por ora, a “cidadela” do Sul, insuficiente para compensar o Nordeste. Pior: Dilma fareja os calcanhares de Serra também nesse pedaço do mapa.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a vantagem de Serra caiu, em 20 dias, de 12 pontos para oito. No Paraná, encurtou-se de 15 pontos para sete.

6. Plebiscito: Lula urdira uma eleição baseada na comparação do governo dele com a era FHC. Serra e seu time de marketing deram de ombros. Como antídoto, decidiram promover um confronto de biografias: a de Serra contra a de Dilma.

Entre todos os equívocos, esse talvez tenha sido o mais crasso. Ignorou-se uma evidência. Do alto de sua popularidade lunar, Lula tornou-se o eixo da campanha. Tudo gira ao redor dele.

Lula transferiu votos para Dilma em proporção nunca antes vista na história desse país.

7. Debates e entrevistas: Em sua penúltima aposta, o grão-tucanato previra que Serra, por experiente, daria um baile em Dilma nos confrontos diretos. Não deu.

Reza a cartilha dos marqueteiros que, nesse tipo de embate, o candidato que vai bem não ganha votos. Porém, o contendor que dá vexame sujeita-se à perda de eleitores. Para o PSDB, o vexame de Dilma era certo como o nascer do Sol a cada manhã.

No primeiro debate, promovido pela TV Bandeirantes, o escorregão não veio. Na entrevista ao “Jornal Nacional”, também não. Serra houve-se bem nos dois eventos. Porém, ao esquivar-se do desastre, Dilma como que ombreou-se com ele.

8. Propaganda eletrônica: Começa nesta terça (17) a publicidade eleitoral no rádio e na TV. O comitê tucano vai à sua última aposta. No vídeo, insistir na exposição da biografia do candidato. Serra será vendido como gestor experiente.

Vai-se esgrimir a tese de que Serra –ex-secretário de Estado, ex-deputado, ex-senador, ministros duas vezes, ex-prefeito e ex-governador— está mais apto do que Dilma para continuar o que Lula fez de bom e avançar no que resta por fazer.

Até aqui, o discurso não colou. Na propaganda adversária, o próprio Lula se encarregará de dizer que a herdeira dele é Dilma, não Serra. A julgar pelas pesquisas, o eleitor parece mais propenso a dar crédito ao dono do testamento.

Serra, o anti-social

Luiz Nassif

Bico Veteranos, sobretudo no Senado, reclamam que até hoje a campanha de Serra não convocou nenhuma reunião para engajar as bancadas tucanas. Também é verdade, porém, que o único senador do PSDB a demonstrar no Twitter empenho pela candidatura presidencial do partido é Alvaro Dias (PR).

Silêncio 1 Desabafo de um candidato a governador alinhado à campanha nacional da oposição e bem posto nas pesquisas em seu Estado: “Consigo falar com todo mundo, menos com o meu candidato à Presidência”.

Silêncio 2 O candidato ouviu o conselho de um tucano acostumado com o fuso horário de Serra: “Por que você não experimenta ligar para ele de madrugada?”.

Comentário

Como Ministro da Saúde, Serra mantinha as portas do gabinete fechadas a qualquer reunião. Não recebia Secretários de Saúde, gestores, políticos. No Palácio Bandeirantes, nenhum prefeito conseguiu ser recebido por Serra. Era refratário a reuniões de secretariado, a despachar individualmente com secretários, a receber representantes de qualquer entidade – seja de trabalhadores, empresários ou movimentos sociais. Da Prefeitura, não tenho muitas informações, mas duvido que tenha se reunido uma vez sequer com os sub-prefeitos.

Na campanha, jamais se reuniu para valer com aliados, conselheiros externos, lideranças do PSDB e de partidos aliados. Nunca acatou uma sugestão sequer.

Seu mundo se resume a algumas poucas pessoas do seu círculo íntimo. E vem sua campanha martelar essa questão da experiência política? Será que se esqueceram da definição de política, do papel político da mediação?

Se eleito, como administraria uma sociedade civil que ganhou musculatura e aprendeu a ser ouvida, que passou a se organizar em torno de conferências nacionais (processo que vem desde os anos 90 e ganhou impulso nos últimos anos) ou a participar da elaboração de programas, como em Minha Casa, Minha Vida? Como administraria demandas do agrobusiness e da agricultura familiar, dos estados e municípios, da economia real e da financeira, dos movimentos sociais? Como aprenderia com as críticas, se qualquer arremedo de crítica oxida seus nervos de aço e provoca ou reações infantis (como nas pressões sobre jornalistas) ou travamento de suas ações (como na greve da Polícia Civil e nas enchentes de São Paulo).