{"id":2094,"date":"2008-06-17T07:52:09","date_gmt":"2008-06-17T10:52:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projeto676.com.br\/?p=2094"},"modified":"2008-06-17T07:52:09","modified_gmt":"2008-06-17T10:52:09","slug":"dirigindo-do-lado-errado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/20080617\/dirigindo-do-lado-errado\/","title":{"rendered":"Dirigindo do lado errado"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><small>( Texto de autoria de Fabr\u00edcio Samah\u00e1, obtido no <a href=\"http:\/\/www2.uol.com.br\/bestcars\/artigos2\/volante-direita-1.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Best Cars Web Site<\/a> )<\/small><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Por que um ter\u00e7o do mundo roda &#8220;ao contr\u00e1rio&#8221;, pela esquerda da via, e como isso afeta carros e motoristas <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raro \u00e9 o motorista que nunca ouviu falar da &#8220;m\u00e3o inglesa&#8221;, a circula\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda da via adotada na Inglaterra. O que poucos sabem \u00e9 que esse padr\u00e3o vigora em mais de 70 pa\u00edses, que concentram um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando n\u00e3o havia autom\u00f3veis e os homens andavam a cavalo, a circula\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda da via era considerada a mais coerente: como a maioria das pessoas \u00e9 destra, o cavaleiro tinha maior facilidade em usar sua espada caso encontrasse um advers\u00e1rio, que viria por sua direita. Al\u00e9m disso, \u00e9 pelo lado esquerdo do cavalo que normalmente se monta e, como o mais seguro \u00e9 faz\u00ea-lo a partir da cal\u00e7ada e n\u00e3o do meio da rua, nada mais natural que sair trafegando por esse mesmo lado da via. Os ingleses foram os primeiros a tornar essa conduta obrigat\u00f3ria, por meio do General Highways Act de 1773.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, no s\u00e9culo 18 come\u00e7aram a se tornar comuns nos Estados Unidos as grandes carro\u00e7as, puxadas por pares de cavalos. O condutor sentava-se sobre o \u00faltimo cavalo \u00e0 esquerda, para poder chicotear os animais com a m\u00e3o direita. Com isso, a circula\u00e7\u00e3o \u00e0 direita da via tornava-se mais natural, pois a posi\u00e7\u00e3o mais ao centro da rua facilitava o controle da carro\u00e7a em meio aos pedestres. Data de 1792, na Pensilv\u00e2nia, a primeira lei americana que determinava que as pessoas mantivessem a direita, seguida dois anos depois por Paris.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem diga que foi Napole\u00e3o Bonaparte quem exigiu a ado\u00e7\u00e3o do sistema franc\u00eas nos pa\u00edses por ele conquistados. Para muitos \u00e9 apenas lenda, mas n\u00e3o deixa de ser curioso que na \u00c1ustria, durante muito tempo, metade do pa\u00eds tenha usado um padr\u00e3o e metade o outro \u2014 sendo a linha divis\u00f3ria o limite da regi\u00e3o conquistada por ele em 1805. O que se pode afirmar, de qualquer modo, \u00e9 que Inglaterra e Fran\u00e7a impuseram seus padr\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o aos territ\u00f3rios que colonizaram. No Canad\u00e1, as regi\u00f5es controladas por cada pa\u00eds adotaram um sistema diferente, diverg\u00eancia que s\u00f3 se extinguiu em 1920 com a op\u00e7\u00e3o pela m\u00e3o \u00e0 direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Surge o autom\u00f3vel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio da hist\u00f3ria do carro o volante era aplicado em posi\u00e7\u00e3o central, de modo que o motorista se sentava eq\u00fcidistante das extremidades do ve\u00edculo. Alguns fabricantes, no entanto, passaram a definir uma posi\u00e7\u00e3o deslocada para o condutor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se estivesse mais ao centro da via, teria melhor controle do tr\u00e1fego \u00e0 frente; se ficasse do lado oposto, poderia evitar colis\u00e3o com obst\u00e1culos \u00e0 margem da via. Depois de alguns modelos com volante \u00e0 direita, come\u00e7ou em 1908 com Henry Ford a conven\u00e7\u00e3o de coloc\u00e1-lo \u00e0 esquerda. \u00c0 medida em que os carros americanos ou seus projetos chegavam a outras na\u00e7\u00f5es, mais pa\u00edses viam a necessidade de seguir o padr\u00e3o de m\u00e3o \u00e0 direita. No entanto, at\u00e9 os anos 30 a diverg\u00eancia era geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estudo da National Geographic em 1936 ainda mostrava a domin\u00e2ncia da m\u00e3o esquerda sobre a direita, com 60 pa\u00edses contra 43. E apontava o problema dos europeus: &#8220;Considere um motorista que tente dirigir da Noruega \u00e0 It\u00e1lia pelos Dolomites. Ele come\u00e7a em Aslo pela direita at\u00e9 chegar \u00e0 fronteira sueca. Ent\u00e3o assume a esquerda. Quando chega \u00e0 Dinamarca, volta \u00e0 direita da estrada. Na Alemanha vale o mesmo, mas ele retorna \u00e0 esquerda na Tchecoslov\u00e1quia. E, assim que se acostuma a dirigir por esse lado na \u00c1ustria, tem de mostrar nervos de a\u00e7o para comutar novamente \u00e0 circula\u00e7\u00e3o \u00e0 direita na Iugosl\u00e1via e na It\u00e1lia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 a Primeira Guerra Mundial, a m\u00e3o \u00e0 esquerda era o padr\u00e3o tamb\u00e9m na R\u00fassia, Hungria, Su\u00e9cia, Argentina, Paraguai, Uruguai, China, Filipinas e em parte do Canad\u00e1, \u00c1ustria, Chile e It\u00e1lia. A maioria desses pa\u00edses adotou o sistema \u00e0 direita ainda na primeira metade do s\u00e9culo passado, embora alguns tenham levado mais tempo. Hoje algumas ex-col\u00f4nias brit\u00e2nicas mant\u00eam o padr\u00e3o ingl\u00eas, mas outras \u2014 caso dos Estados Unidos, Canad\u00e1, Gana e Nig\u00e9ria \u2014 passaram \u00e0 circula\u00e7\u00e3o \u00e0 direita. Mesmo assim, em alguns pa\u00edses expressivos no cen\u00e1rio mundial a circula\u00e7\u00e3o inglesa se mant\u00e9m, como no Jap\u00e3o e na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No total, mais de 70 pa\u00edses seguem tal conven\u00e7\u00e3o, entre eles \u00c1frica do Sul, Bahamas, Bangladesh, Cingapura, Guiana, Hong Kong, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Irlanda, Jamaica, Mal\u00e1sia, Mo\u00e7ambique, Nam\u00edbia, Nepal, Nova Zel\u00e2ndia, Paquist\u00e3o, Qu\u00eania, Suriname, Tail\u00e2ndia, Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue. A popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses com m\u00e3o \u00e0 esquerda corresponde a 34% da mundial, mais do que muitos de n\u00f3s imaginamos. Curiosamente, a propor\u00e7\u00e3o se inverte quando s\u00e3o consideradas apenas ilhas: mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o que vive nesse tipo de pa\u00eds circula pela esquerda, contra apenas 29% dos habitantes de pa\u00edses continentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As vantagens<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor ou pior, n\u00e3o h\u00e1 como dizer da circula\u00e7\u00e3o por um ou outro lado. Ainda assim, alguns pesquisadores apontam menores \u00edndices de acidentes nos pa\u00edses com &#8220;m\u00e3o inglesa&#8221;. A raz\u00e3o, defendem, \u00e9 que s\u00e3o mais comuns as pessoas com melhor vis\u00e3o pelo olho direito \u2014 mais usado, nesses casos, para se ver o tr\u00e1fego contr\u00e1rio e o retrovisor externo antes de uma ultrapassagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 outros argumentos a favor desse padr\u00e3o. Quando gira o corpo para uma manobra em marcha \u00e0 r\u00e9, o motorista mant\u00e9m a m\u00e3o direita no volante, o que \u00e9 melhor para os destros. E, em rela\u00e7\u00e3o aos ciclistas e motociclistas, vale a teoria que em outros tempos aplicava-se aos cavalos: como eles montam no ve\u00edculo com a perna direita, no padr\u00e3o brit\u00e2nico podem faz\u00ea-lo a partir da cal\u00e7ada com o ve\u00edculo na dire\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego. Em contrapartida, o volante \u00e0 esquerda faz com que a m\u00e3o mais habilidosa da maioria destra seja a usada para a alavanca de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que as diferentes m\u00e3os criam dificuldades para fabricantes de autom\u00f3veis, motoristas e pedestres. A dimens\u00e3o do assunto \u00e9 maior do que se imagina. O uso da &#8220;m\u00e3o inglesa&#8221; afeta os cruzamentos, as rotat\u00f3rias (que funcionam em sentido hor\u00e1rio), a sinaliza\u00e7\u00e3o das vias (em geral colocada no lado externo, mesmo quando as m\u00e3os s\u00e3o separadas por canteiro central), as ultrapassagens. Mesmo quem n\u00e3o dirige precisa rever h\u00e1bitos: para atravessar, o pedestre deve olhar antes para a direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o agrava-se nas fronteiras entre pa\u00edses com sistemas diferentes. Um caso t\u00edpico \u00e9 o da Tail\u00e2ndia, que circula \u00e0 esquerda, mas tem 90% de suas fronteiras com pa\u00edses de m\u00e3o oposta. Foi para eliminar essa fonte de problemas que muitos pa\u00edses trocaram de circula\u00e7\u00e3o no passado. Antigas col\u00f4nias inglesas na \u00c1frica passaram a rodar pela direita, como as na\u00e7\u00f5es vizinhas colonizadas pela Fran\u00e7a. Mas em Mo\u00e7ambique, ex-col\u00f4nia portuguesa, roda-se pela esquerda, assim como nos pa\u00edses ao redor colonizados pela Inglaterra. Taiwan e as Cor\u00e9ias do Sul e do Norte mudaram de circula\u00e7\u00e3o esquerda para direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m casos de pa\u00edses e regi\u00f5es com altera\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de tr\u00e1fego sob ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira. Nos anos 30 e 40, \u00c1ustria, Hungria e Tchecoslov\u00e1quia tiveram de abandonar a &#8220;m\u00e3o inglesa&#8221; durante o dom\u00ednio alem\u00e3o. No Jap\u00e3o, a regi\u00e3o de Okinawa adotou a circula\u00e7\u00e3o \u00e0 direita por for\u00e7a da ocupa\u00e7\u00e3o americana, ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, mas se reverteu ao padr\u00e3o do pa\u00eds quando ela cessou em 1978 \u2014 um caso raro de duas mudan\u00e7as no mesmo local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de se imaginar a complexidade de uma transi\u00e7\u00e3o como essa. Na Su\u00e9cia dirigia-se pela esquerda, embora a maioria dos carros tivesse o volante desse lado \u2014 o objetivo era maior controle em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extremidade da pista em estradas estreitas. A confus\u00e3o nas fronteiras com a Noruega e a Finl\u00e2ndia (ambas com m\u00e3o \u00e0 direita) levou a um referendo, em 1955, mas 82% da popula\u00e7\u00e3o reprovou a id\u00e9ia de mudan\u00e7a de m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, oito anos depois o parlamento sueco aprovou a troca. Houve ent\u00e3o o famoso Dagen H, o Dia H (de H\u00f6gertrafik ou tr\u00e1fego com m\u00e3o direita). Na madrugada do domingo 3 de setembro de 1967 o tr\u00e2nsito de carros particulares foi impedido e, \u00e0s cinco da manh\u00e3, os ve\u00edculos permitidos mudaram de lado nas ruas. Limites de velocidade mais baixos vigoraram por cerca de um m\u00eas at\u00e9 que as pessoas se habituassem. Embora a mudan\u00e7a de m\u00e3o tenha reduzido os \u00edndices de acidentes por algum tempo, eles voltaram ao habitual em dois anos, quando os suecos deixaram de dirigir com o cuidado redobrado inerente \u00e0 novidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os carros<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se trata dos autom\u00f3veis, a principal conseq\u00fc\u00eancia de haver dois modos de circula\u00e7\u00e3o mundo afora \u00e9 evidente: em caso de importa\u00e7\u00e3o do carro ou mesmo de seu projeto, pode ser necess\u00e1rio alterar a posi\u00e7\u00e3o do volante e de todo o sistema de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 por isso que alguns pa\u00edses com m\u00e3o \u00e0 esquerda, que s\u00e3o minoria, imp\u00f5em restri\u00e7\u00f5es \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de modelos com o volante do lado errado. Na Austr\u00e1lia e na Nova Zel\u00e2ndia, s\u00f3 podem ter dire\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda carros antigos, com mais de 20 anos no caso neozeland\u00eas. Os mais novos t\u00eam de ser convertidos, um processo que n\u00e3o custa pouco. As restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o se aplicam a carros de turistas nos pa\u00edses que assinaram a Conven\u00e7\u00e3o de Tr\u00e1fego de Viena, de 1968, que prev\u00ea que o ve\u00edculo deve atender \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o de onde foi registrado pela primeira vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas Filipinas \u00e9 o contr\u00e1rio: proibida \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o \u00e0 direita, mas h\u00e1 casos de vans importadas do Jap\u00e3o que permanecem com a porta dos passageiros \u00e0 esquerda, o lado da rua e n\u00e3o da cal\u00e7ada. Em pa\u00edses sul-americanos como Bol\u00edvia e Peru, velhos carros japoneses rodam com o volante trocado de lado, s\u00f3 que o painel inalterado fica diante do passageiro&#8230; Por mais estranho que seja, deve prejudicar menos a seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito que a predomin\u00e2ncia de carros com volante \u00e0 direita (tamb\u00e9m comprados usados do Jap\u00e3o) na R\u00fassia, onde a circula\u00e7\u00e3o \u00e9 por esse lado. O governo local j\u00e1 tentou banir os carros com dire\u00e7\u00e3o do lado errado (fontes indicam mais de 90% da frota em algumas regi\u00f5es), mas recuou diante dos protestos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E na It\u00e1lia, embora se andasse pela direita, at\u00e9 os anos 50 a Lancia insistia em usar o volante &#8220;errado&#8221;. A f\u00e1brica alegava que fazia carros esportivos, para serem usados intensamente em estradas estreitas e sinuosas, como nos Alpes. Assim, o controle da dist\u00e2ncia at\u00e9 a extremidade da via seria mais importante que a facilidade de rodar na cidade ou de fazer ultrapassagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outros equipamentos envolvidos. Os far\u00f3is assim\u00e9tricos, os mais comuns no mundo hoje, t\u00eam maior alcance de facho no lado externo da pista. Assim, a legisla\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia exige que um carro com volante oposto ao padr\u00e3o local tenha algum tipo de corre\u00e7\u00e3o nos far\u00f3is. Alguns modelos, sobretudo os dotados de l\u00e2mpadas de xen\u00f4nio, j\u00e1 prev\u00eaem um modo de invers\u00e3o de facho para essa finalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portas que n\u00e3o sejam sim\u00e9tricas tamb\u00e9m trazem complica\u00e7\u00f5es, embora menores. Assim como as vans japonesas nas Filipinas, por boa parte do planeta rodam utilit\u00e1rios esporte orientais (mesmo coreanos, que costumam seguir o padr\u00e3o nip\u00f4nico) com a tampa traseira articulada no lado direito. O v\u00e3o de acesso fica voltado \u00e0 cal\u00e7ada nos pa\u00edses de m\u00e3o esquerda, mas assume uma posi\u00e7\u00e3o inadequada onde se dirige pela direita. No Brasil, o Ford EcoSport \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o por ter sido desenhado aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os limpadores de p\u00e1ra-brisa s\u00e3o outro item que requer mudan\u00e7a conforme a posi\u00e7\u00e3o do volante, pois o lado do motorista sempre tem prioridade na \u00e1rea de varredura. Nesse sentido, sistemas como os de Honda Civic, Peugeot 307 e algumas minivans, em que os bra\u00e7os s\u00e3o opostos e conseguem uma varredura praticamente sim\u00e9trica, facilitam a vida do fabricante. Mas as empresas n\u00e3o escapam de uma conven\u00e7\u00e3o: a alavanca de luzes de dire\u00e7\u00e3o fica \u00e0 direita do volante no Jap\u00e3o e na Austr\u00e1lia; j\u00e1 os ingleses a preferem no lado esquerdo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o chega a detalhes que poucos percebem. Na circula\u00e7\u00e3o \u00e0 direita, o ideal \u00e9 que a tampa do tanque de combust\u00edvel fique desse lado, e o terminal do escapamento, do outro \u2014 menos vulner\u00e1vel a impactos com o meio-fio em manobras de estacionamento paralelo a ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois se nota o contr\u00e1rio na maioria de carros de origem japonesa ou mesmo inglesa, este o caso de alguns Fords nacionais. Tamb\u00e9m nesta marca h\u00e1 miolos de fechadura que requerem girar a chave no sentido oposto ao usual, por causa da proced\u00eancia brit\u00e2nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A invers\u00e3o do volante pode, ainda, deixar alguns comandos um pouco estranhos. No Omega trazido da Austr\u00e1lia a alavanca do freio de estacionamento permanece \u00e0 direita do console central, tornando-se mais adequada ao uso pelo passageiro, e o bot\u00e3o principal do r\u00e1dio est\u00e1 no mesmo lado, pois ambos foram previstos para o volante do lado oposto ao nosso. J\u00e1 as carca\u00e7as dos retrovisores, voltadas a quem se senta no banco da direita, n\u00e3o alojam bem os espelhos quando eles s\u00e3o ajustados para o motorista daqui. E h\u00e1 alguns anos, em que a Holden (GM australiana) aplicava um compressor ao motor V6, a vers\u00e3o era incompat\u00edvel com volante \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 que um dia essa dificuldade deixar\u00e1 de existir? Pode ser que sim, mas alguns fabricantes t\u00eam procurado contorn\u00e1-la com tecnologia. Sistemas by wire (por fios, sem conex\u00f5es mec\u00e2nicas) para dire\u00e7\u00e3o, acelerador e freios j\u00e1 tornam poss\u00edvel, em carros-conceito, alterar facilmente a posi\u00e7\u00e3o do volante conforme a conven\u00e7\u00e3o local, como mostrou a GM no Autonomy. Pode ser o caminho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>( Texto de autoria de Fabr\u00edcio Samah\u00e1, obtido no Best Cars Web Site ) Por que um ter\u00e7o do mundo roda &#8220;ao contr\u00e1rio&#8221;, pela esquerda da via, e como isso afeta carros e motoristas Raro \u00e9 o motorista que nunca ouviu falar da &#8220;m\u00e3o inglesa&#8221;, a circula\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda da via adotada na Inglaterra. O &hellip; <a href=\"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/20080617\/dirigindo-do-lado-errado\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Dirigindo do lado errado&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-2094","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-no-mundo-la-fora"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2094","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2094\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/legal.adv.br\/projeto676\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}