Mais tabelas para a coleção

Roda do SS 72 do Shibunga

Bem, como já disse mais de uma vez – e para que não restem dúvidas – minha intenção não é necessariamente uma restauração, mas sim uma reforma do carro.

Não pretendo alterar (muito) suas características básicas, mas há que se ter algum conforto bem como melhorar sua estética de acordo com os conceitos de beleza que tenho em mente. Por exemplo: sou fã incondicional da linha SS dos Opalas, e, ainda que este não seja necessariamente um representante original da categoria, por que não deixá-lo no mesmo estilo?

E uma das coisas que tem um quê de maravilhoso no SS é o desenho de suas rodas. Sei que existem variações e muitas sequer vieram de fábrica, mas no devido tempo é uma das coisas que pretendo trocar.

Com receio de que pudesse haver algum “equívoco” quando dessa futura troca, desde já tenho tentado me prevenir estudando um pouco sobre o assunto. Dessa forma encontrei uma tabela bem bacaninha, a qual disponibilizei na seção Jogado no Assoalho aí do lado para futura referência. Trata-se de uma tabela de furação de roda, que pode vir a ser bastante útil tanto para mim quanto para os demais aficionados…

De volta ao reduto

Ainda que com uma semana de atraso eu e meu pai montamos a “Operação Volta pra Casa”.

Há que se lembrar que o carro está totalmente “depenado”. Além da própria lataria, permanece o motor, rodas, suspensão, freios e – quando muito – o banco do motorista. Nada de vidros, faróis, lanternas, setas, estofamento, nada vezes nada.

Ou seja, o “correto” seria rebocar o carro até em casa (que fica exatamente do outro lado da cidade). Mas chegamos à conclusão que o carro poderia ir por si próprio, afinal de contas está com o motor funcionando perfeitamente.

Resolvemos o seguinte: ele iria com seu carro (uma boa e velha e conservadíssima Variant 74) exatamente à minha frente e carregando uma corda. Caso algum policial nos parasse no meio do caminho, aguentaríamos a bronca e simplesmente amarraríamos um carro no outro até chegar em casa.

Com essa combinação saímos da casa de meu pai, na zona norte da cidade, lá pelas sete da manhã – horário escolhido por ter pouquíssimo movimento nas ruas numa manhã de domingo. E dali nos dirigimos até em casa, na zona sul.

Mais ou menos no meio do caminho tem uma bela duma reta, conhecida como Avenida do Vidoca (sendo esse Vidoca um ribeirão poluído que corta aquele trecho). Com um certo aperto no coração, quando chegamos nesse trecho, a cerca de 60km/h, resolvi largar a direção para “checar” o alinhamento do carro.

Afinal, depois de tanta solda (aproximadamente 5kg só de varetas – fora os vários tubos de oxigênio e acetileno), achei impossível que restasse alguma coisa certa no carro.

SURPRESA, SURPRESA!!!

O carro seguiu em perfeita linha reta. Direitinho. Nem um pouco à esquerda ou à direita.

Fiquei total e completamente pasmo!!!

Aliás, apesar do vento que me fustigava a face (estávamos sem o pára-brisa, lembram?), acho que foi a primeira vez que andei com o carro de uma forma tão silenciosa. Não tinha absolutamente nada batendo ou chacoalhando, como de praxe.

Com uma ponta de orgulho pelo trabalho extremamente bem feito (pelo meu pai), garanto que meu coração ficou bem mais leve e animado para dar continuidade à reforma…

Basta, agora, conciliar meus horários malucos do trabalho com a disponibilidade para minhas tarefas na lataria do carro.

Despedindo-se da oficina do Seu Bento

Estas são as últimas cenas na oficina do Seu Bento. No próximo final de semana devo levar o carro para dar continuidade aos serviços em casa mesmo. Toda a parte de solda está concluída e agora ele passou a apenas ocupar espaço (e que espaço!) no fundo da casa de meu pai.

Como fiel escudeiro a quem compete dar um trato nas partes que foram soldadas, eis aqui a lateral esquerda do carro com o fundo devidamente aplicado. Ainda tem alguns pontos ali, bem próximo à roda, referente à solda elétrica que foi feita, mas esses vou deixar para depois.

A quina do pára-lama, bem na frente do carro, ainda vai precisar de um bom trato (como se todo o resto dele não precisasse…), mas por enquanto tenho me concentrado somente nos pontos que foram efetivamente soldados.

O pára-lama esquerdo já recebeu sua dose de fundo em toda a parte externa.

Mas, como se percebe, a parte interna ainda vai precisar de um bom trabalho. Como nem a faca, nem a mão, nem a lixa chegam lá, meu pai me emprestou uma escovinha de aço para ser acoplada na ponta da furadeira, o que vai permitir dar uma limpada categórica em toda essa ferrugem…

Uma leve massa para acompanhar…

Praticamente vinte dias se passaram desde as últimas notícias, mas é que as coisas têm sido meio devagar mesmo. O trabalho tem me consumido quase que totalmente, pois cuido da área de licitações em uma administração municipal – e só tem aparecido enroscos de grosso calibre ultimamente.

Nesse meio tempo tem ficado a cargo do Seu Bento (vulgo meu pai) o trato na barca…

Com a quase totalidade de soldas concluídas, resta agora dar início à “sintonia fina”. Ou seja, é a aplicação (novamente) de massa nos pontos deformados. Entretanto nada daquelas camadas de mais de um centímetro, como estava antes. A coisa agora já começa a ter contornos de uma verdadeira cirurgia plástica

Toda a lateral direita e parte dos vidros que também foram “vítimas” de solda tiveram sua cota de massa.

E aqui, a lateral esquerda, donde praticamente não se percebe mais os efeitos do ataque klingon sofrido pela nave…

Carro de prata II – a outra metade

É LÓGICO que não iríamos deixar somente a metade da traseira do carro pronta, certo?

Então, com todo o esmero que despendi na primeira metade, eis que também dei o mesmo “trato” na segunda metade (meio lógico isso, não – será que haveria uma terceira metade?)…

Como já disse antes, fica bonito que dá gosto!

Mas, como a intenção final é realmente pintar o carro, o fundo há que ser dado. E o foi, como podem ver acima. Mas não se iludam, pois ainda resta toda a parte interna para trabalhar, raspar, lixar e pintar!

No tocante à “redução” do pára-lamas, as fotos de ontem ficaram meio escuras, mas essa dá pra mostrar toda a extensão da coisa. Garanto-lhes que a precisão foi cirúrgica.

E precisamos nos lembrar que a lataria envolve mais que o corpo principal do carro, pois as portas também demandam cuidados. Cada pedaço de chapa foi recortado, moldado, adaptado e soldado no seu devido lugar.

Carro de prata

Mesmo o frio que tem reinado não impede este humilde escriba de (tentar) cumprir suas obrigações opalísticas – ainda que semanalmente. Nessa reforma toda que temos feito, começo a vislumbrar uma luz no fim do túnel, e, espero sinceramente, que não seja um trem na contramão…

Apesar de todo cuidado que tomamos com as soldas, tendo havido inclusive uma “deformação” no comprimento do carro (conforme já havia dito aqui), ao recolocarmos os pára-lamas percebemos que havia algo de errado no Reino da Dinamarca. Eles simplesmente não encaixavam mais! Conclusão óbvia: com a quantidade de soldas e de “calor” na lataria do carro, principalmente na parte de seu “peito” (aquele pedaço ali, onde motorista e passageiro descansam os pés) houve uma retração de toda a lataria da parte dianteira. Poderíamos novamente recortar e reposicionar a lataria, mas – pasmem – a retração foi perfeitamente homogênea! “Encolheu” exatamente 0,5cm (meio centímetro) em ambos os lados. Que fazer? Que se adapte o pára-lamas, ora!

Desse modo ambos os pára-lamas foram “encolhidos” em meio centímetro. Garanto que as medidas foram exatas, tendo meu pai, vulgo Seu Bento, perdido um dia inteiro tirando todas as medidas possíveis e imagináveis para poder atestar a perfeição do alinhamento do veículo.

Eis o pára-lama direito, também submetido à cirurgia de diminuição. Lá na primeira foto deste post dá pra perceber que o alinhamento ficou perfeito.

Mas voltemos à nossa eterna traseira! Confesso que me empolguei um pouco na limpeza e preparação, deixando essa ponta com a carinha do DeLorean do professor Doc Brown no filme “De volta ao futuro”…

Tá certo que se fosse possível ter um carro com uma lataria assim, brilhando o tempo todo, seria um negócio bem bacana. Tá, brega, talvez. Até mesmo meio aviadado. Mas, mesmo assim, bem bacana… Porém, provavelmente seríamos impedidos de dirigir por atrapalhar a visibilidade de outros motoristas. Coisa do brilho contra o Sol, questões assim… Pois é, deixemos essa questão de ostentação aos verdadeiramente endinheirados sheiks árabes e seus “carros de prata” (na verdade, polidos).

Mas voltemos à nossa dura realidade de carros reformados em fundos de quintais… Se me perguntarem o porquê fiz quase que exatamente a metade da traseira ao invés de ela inteira, a resposta é simples: não sei! Deu vontade, sei lá…

Entretanto a pintura foi cumprida à risca! E com o metal bem preparado, que delícia é fazer isso!

Eis mais uma foto, quase que no mesmo ângulo daquela lá de cima. Mesmo que não dê pra perceber muito bem as imperfeições (já era noite, afinal de contas) elas existem e serão devidamente consertadas com massa. Mas uma quantidade substancialmente menor e mais racional dessa vez…

Um estranho no ninho

Poucos avanços realmente significativos nestes últimos dias, mas, cada vez mais, o nosso bom e velho amigo Opala vem retomando sua melhor forma…

Uma foto da “nave”, demonstrando (apesar do efeito) toda a extensão da barca…

Com boa parte das soldas internas feitas, há que se tomar cuidado também com os encaixes externos. A recolocação do pára-lama visa ter uma boa idéia acerca do alinhamento das peças – até porque a parte debaixo dele, logo após a porta, também estava toda carcomida, motivo pelo qual foi reconstruída (outro ponto também comum de podridão em Opalas da vida).

Os pontos do pára-brisa vêm sendo meticulosamente refeitos, principalmente nas quinas, onde o grau de ferrugem se demonstrou bem maior que nos demais locais. Apesar de ainda ter uma “serrinha” em boa parte do comprimento da lata onde vai fixada a borracha do pára-brisa, essa mesma lata ainda está razoavelmente boa, bastando “acertar” com a esmerilhadeira as pontas piores, sendo desnecessária, neste caso, a solda. Percebe-se ali na parte de baixo que alguns “retrabalhos” tiveram que ser feitos, pois, após a aplicação da tinta de fundo, ainda apareceram alguns outros podrinhos.

A quina inferior e o perfeito encaixe do pára-lama.

Parte da lateral que tinha sido alvejada pelos fasers dos Klingons já foi refeita, faltando entretanto a cicatriz maior.

O assoalho do lado do motorista já se encontra praticamente concluído. Mas ainda falta a coluna. E toda a parte inferior do carro. Debaixo dele mesmo. Isso vai dar um trabalho…

Ambos assoalhos dianteiros reconstruídos. A diferença de cor não diz respeito à qualidade da tinta de fundo, acho que deve ter sido somente uma questão de marca mesmo… Como o próprio nome já diz, “tinta de fundo”, isso não necessariamente afetará a pintura final.

E aqui temos a traseira, já totalmente soldada e remendada (Frankenstein, te cuida mermão!). Reparem que a lata, como já dito anteriormente, foi instalada sem a curvatura – reta mesmo.

Detalhezinhos da traseira esquerda devidamente esmerilhada…

…assim como da traseira direita, com as novas quinas formadas a partir de material novo, no lugar do excesso de lata podre e massa que até então imperava.

Um detalhe interessante: essas chapas utilizadas possuem uma cobertura de zinco, que protegem muito bem o material do desgaste do tempo – mas são péssimos no caso de pintura! A tinta simplesmente “não pega”. Daí a necessidade de se remover toda essa cobertura. Como fazer isso? Na lixa? Esquece! Com uma boa esmerilhadeira mesmo tive que ir passando pedaço por pedaço de todo a extensão da traseira, retirando toda a “película” de zinco até chegar na chapa propriamente dita. Ainda bem que a danada é bem grossa, pois qualquer navalhada implicaria em acabar furando a mesma, resultando num novo trabalho de adaptação e solda.

Aqui com o fundo já aplicado. Dessa vez não foi no pincel, mas na boa e velha pistola mesmo. O perrengue é sempre achar o ponto certo de diluição da tinta, de modo a impedir o entupimento do bico da pistola.

Pequeno detalhe do ponto totalmente reconstruído onde vai o escapamento do carro.

E aqui temos meu caçulinha, Jean, de apenas três anos, que ficou fuçando em todos os cantos o dia inteiro. É ele o “estranho no ninho” ao qual me referi no título…