O tráfico mapeado

Essa eu li no blog do Mino Carta. É de espanar…

Um livro de geografia, aprovado pelo ministério da Educação para alunos de sexta série das escolas publicas do Rio, oferece o mapa do tráfico na cidade outrora Maravilhosa. Ali aparecem, perfeitamente delimitadas, as áreas de atuação de cada quadrilha. Questionado, o ministério diz que o livro expõe a realidade do País. Trata-se, ao que parece, do reconhecimento de um estado paralelo. Sugiro que o livro seja distribuído também às delegações que participarão do Pan, a fim de instruí-las a respeito dos recantos de menor risco. Quanto a mim, encomendei um: quero aprender.

Hora de dormir

E então chegou a hora de dormir. Pelo menos, a da criançada. Todos no mesmo quarto, cada qual na sua cama.

Cubro o filho nº 1 e lhe dou um beijo de boa noite.

“Boa noite, pai.”

Cubro o filho nº 2 e lhe dou um beijo de boa noite.

“Bá noite pai!”

Cubro o filho nº 3 e lhe dou um beijo de boa noite.

“B’noiti…”

Apago a luz do quarto e no milésimo de segundo seguinte, o filho nº 3, coincidentemente de 3 anos, decreta:

– Paiêêê! Tá luuuz!

– Hein? Mas o papai já apagou a luz, filho.

– Tá luuuz!

– Ah! A do corredor? É pra apagar?

– É.

(Um detalhe: esse “É” dele é um negócio engraçado, posto que definitivo – vem lá do fundo do estômago e se manifesta como num sopro bem curto, encerrando qualquer questão de uma vez por todas. Ou quase.)

Então, apaguei a distante luz do corredor e já estava voltando para meu quarto, quando:

– Paiêêê! Tá luuuz!

– Como assim, filho? Papai acabou de apagar! Não tem mais luz nenhuma, não…

– Cártu…

– Quê? A do quarto do papai? Mas a mamãe tá no banho e daqui a pouquinho vem pra cá e vai precisar da luz, filho. Vamos fazer o seguinte: papai vai ler só um pouquinho e já, já apaga a luz. Combinado?

– Binádu…

Foi o tempo de me deitar, puxar o edredom, abrir o livro, e…

– Paiêêê! Tá luuuz!

Dali mesmo já soltei: “Filho, DÁ UM TEMPO! Nós já não combinamos que daqui a pouquinho o papai vai apagar a luz? Vai dormindo aí, que já já apago, tá bom?”

Silêncio.

Dez segundos depois:

– Paiêêê! Tá luuuz!

Nesse meio tempo a Dona Patroa chegou, contei-lhe (em tom de súplica) toda a desventura, e ela, pacientemente foi lá conversar com o pequerrucho. Ufa! Finalmente eu conseguiria voltar à minha leitura…

Alguns minutos depois ela voltou e se aconchegou ao meu lado, com frio. Foi o tempo exato de ela se aninhar:

– Paiêêê! Tá luuuz!

– SERÁ POSSÍVEL? TÁ BOM, TÁ BOM! JÁ VI QUE PERDI MESMO! EU APAGO A BENDITA DA LUZ E TODO MUNDO DORME FELIZ, TÁ BOM? TÁ BOM?

Apaguei a malfadada luz (pra não dizer outra coisa), me enfiei debaixo do edredom (confesso que ainda bufando) e mal tive tempo de fechar os olhos, quando ouvimos a vozinha dele no quarto ao lado:

– Paiêêê! Tá escuuuro!…

Sinistro…

“Disaôje” – ao menos era assim que minha bisa começava a falar sobre algo que houvesse lhe acontecido naquele mesmo dia – eu estava lendo o blog do jornalista Marco Aurélio e achei curioso uma citação dele sobre sua editora preferida.

Fui lá conferir e conheci, virtualmente, um pouquinho da cabeça da tal da menina, blogueira e editora de livros.

Cinco minutos depois, abri meu embornal (vulgo “imborná”) onde carrego toda a papelada e tranqueirada digna de um cavalheiro transportar e saquei uma edição de um jornal de informática que recebi do meu chefe há semanas e que ainda não havia lido.

Adivinhem quem estava lá, na última página?

Ela mesma, a “A Editora”, numa matéria sobre “Como transformar blogs em livros”

Como não acredito em coincidências, me pergunto o que raios o Universo está conspirando pra me dizer desta vez?

Não tenho a mínima intenção de transformar estas garatujas que chamo de linhas em algum tipo de livro. Conheço virtualmente gente muito mais capacitada pra isso e pessoalmente outros mais ainda.

Paciência.

Vou deixar num cantinho de minha cabeça o trabalho de pensar sobre isso em background. Quem sabe surge daí alguma idéia mirabolante?…

Desconstruindo um produto

Através do site da Lala fiquei sabendo dessa campanha publicitária do iogurte Itambé – levada a cabo pela agência Salles Chemistry. O texto diz: “Esqueça. O gosto dos homens nunca vai mudar. Iogurte Fit Light”.

Horrível.

Dêem uma lida no post dela para mais detalhes; porém, como já tive oportunidade de comentar antes, num país que prima pela excelência dos profissionais da área de publicidade, é de se estranhar que tenham criado uma campanha de tão mau gosto assim, que acaba desconstruindo o produto e, consequentemente, a própria marca…

Jovem padawan

E então você vem ensinando praticamente tudo que sabe para sua amiga, parceira e colega de trabalho (nessa ordem). E então ela vai participar de um congresso-curso-seminário de dois dias em outro estado. E então, dentre os inúmeros participantes, é justamente ela quem se levanta e, com o dedo em riste, desafia os conhecimentos do palestrante – com a aprovação convicta do restante da platéia. E então, após voltar, ela lhe conta tudo isso dizendo que na hora se lembrou de muitas das lições aprendidas com você.

É, pequena gafanhota…

Isso dá um orgulho!…