Antropomorfizando a vida

AN-TRO-PO-MOR-FI-ZAR.

Verbo Transitivo Direto: “Dar forma ou características humanas a algo que não é humano.” Ex.: os humanos tendem a antropomorfizar seus cães.

Verbo Pronominal: “Tomar o aspecto humano”. Ex.: os objetos se antropomorfizam no desenho animado.

Vem do grego “ánthropos”, que significa “humano”, e “morphe”, que significa “forma” ou “figura”.

O registro mais antigo dessa palavra remonta a 1753, aparentemente em uma referência à heresia de aplicar forma humana ao deus cristão.

Mas desde sempre o ser humano já está habituado a essa prática. Que o digam as representações de “deuses”, nas mitologias de milhares de anos atrás, em que eram representados por figuras humanas com cabeças de animais, por exemplo. Em tempos modernos são inúmeros os exemplos, bastando citar apenas duas obras literárias muito famosas em que essa característica está presente: Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, e A Revolução dos Bichos, de George Orwell. No cinema temos figuras que são consideradas ou que se entendem como humanos, tais como o Agente Smith, em Matrix, a sensual voz de Scarlett Johansson, em Her, e, ainda, M3GAN e M3GAN 2.0 – aliás, recomendo assistir esses dois últimos filmes em sequência, para que possa fazer sentido…

Enfim, não sou exceção à regra e também tenho essa tendência de antropomorfizar as coisas e objetos que me cercam, quer seja “conversando” com objetos próximos ou, pior, lhes dando nome e personalidade.

Sei que sempre fiz isso, mas é difícil lembrar toda essa “família” antropomorfizada que criei através dos tempos.

Minha primeira bicicleta, lá no início dos anos oitenta, teve o nome de MATILDE. Não me lembro mais o porquê. Só sei que foi assim.

Também dessa época eu tinha o CHARLIE, meu amiguinho, um pequeno crânio de cerâmica – e que minha mãe, católica fervorosa que sempre foi, simplesmente odiava. Já não me lembro mais como, mas na primeira oportunidade que teve, “sem querer” ela acabou derrubando o pobrezinho no chão, que se espatifou em mil pedaços…

Um de meus primeiros computadores “parrudos”, já no começo dos anos noventa, foi batizado de ILIA – por conta da personagem do filme Star Trek (o primeiro da franquia), em que uma inteligência artificial alienígena e avançadíssima cria uma réplica da oficial com esse nome.

Outro computador que veio a substituí-la recebeu o gracioso nome de LUI. Culpa de minha prima italiana, que veio nos visitar e fomos fazer um “circuito das praias” com ela aqui pelo Litoral Norte. E naquele “portuliano” em que a gente se comunicava, mais inferindo que entendendo, volta e meia eu ouvia ela falar que LUI isso, que LUI aquilo e que LUI fez não sei o quê, até que resolvi lhe perguntar quem era esse tal de “LUI” de que ela não parava de falar.

Foi quando descobri que era meramente uma palavra em italiano, “LUI”, que significa “ELE”.

Vergonha minha e sorte do computador, que recebeu um nome de batismo.

Já no segundo casamento, a primeira rede interna de casa precisava que fossem atribuídos nomes aos computadores. Daí surgiu a primeira versão do ALFA (que, conforme já contei anteriormente, aqui e aqui, deixou vários descendentes), enquanto que o computador de minha querida, amada, idolatrada, salve, salve, Dona Patroa, recebeu o nome de BETA.

Com o passar dos anos os filhos foram surgindo, foram crescendo e também foram adentrando no mundo da informática, de modo que a rede precisou se expandir e seus computadores também receberam os nomes das letras seguintes do alfabeto grego: GAMA, DELTA e ZETA (era para ser Épsilon, mas não gostei do nome). Mas, após tantos anos e tantos upgrades, hoje já não sei que nome os filhotes deram para suas máquinas. Paciência. Cada qual com seu cada seu.

Já no mundo automotivo, nem todos os meus veículos tiveram nome (ou, ao menos para aqueles que tiveram, já nem me lembro mais). Então ao menos para os últimos tempos, posso citar:

A boa e velha Variant 1974 de meu pai, adquirida em 1978 e que ainda continua na família (está com meu irmão do meio), em perfeito estado de conservação, e na qual eu e meus irmãos aprendemos a dirigir (bem como pegar escondido em nossos tempos de adolescência), conhecida simplesmente como a MARROM – se bem que meu pai costumava referir-se a ela como PERUA, um conceito de época para os veículos que possuíam amplo espaço para bagagem (nalguma outra hora conto melhor essa história).

– O meu querido Opala 1979, que comprei em 2007 (essa história, em detalhes, está aqui), e que foi “carinhosamente” recebido pela Dona Patroa mais ou menos com a seguinte frase: “Não acredito. NÃO A-CRE-DI-TO que você comprou esse TITANIC !!!”. Pronto. O carro estava batizado.

Mas o Titanic levou anos – MUITOS ANOS – para chegar no estágio atual, até completar as fases de mecânica, funilaria e elétrica. Então, como era grande a vontade de rodar com um Opala (mesmo tendo um “encostado”), juntei minhas economias e de repente apareci em casa com o CRUZADOR IMPERIAL, um Opala Comodoro 1990, que ficou um bom tempo conosco e com ele até que viajamos um bocado (nessa época as crianças ainda eram pequenas).

O valente Ford Ka 2010, que, pelo seu tamanho em comparação ao anterior, foi prontamente apelidado pelo menu filhote mais velho de BILBO (o pequeno personagem hobbit, de Senhor dos Anéis).

Foi mais ou menos nessa época que comprei uma moto CB 400 1981 – que prometi que seria a última moto de minha vida!. Estava encostada há anos, paguei uma bagatela e gastei o dobro para colocá-la para funcionar. Por incrível que pareça, nunca lhe dei nome, mas costuma tratá-la, nos conversê da vida, como ESSA SENHORA IDOSA DE MAIS DE QUARENTA ANOSe que ainda tem mais vigor do que muita moto recém saída de fábrica!

O Etios 2019 da Dona Patroa, que por ser muito leve, com um motor 1.5, e responder surpreendentemente bem às retomadas, foi por ela mesma batizado de LIGEIRINHO.

O circunspecto e reservado Celta 2010, que comprei por ser um bom negócio e para que meus filhotes (agora habilitados) parassem de disputar com a Dona Patroa pela direção do Ligeirinho (pois o Titanic ninguém quer, né?) que meio que recebeu o apelido de RED, mas que também tratamos simplesmente por VERMELHO, por conta do filme Hellboy, que na época havíamos acabado de assistir.

Enfim, tenho essa “mania”…

Quase tudo tem nome, quase tudo tem personalidade.

Ah, e já ia me esquecendo do bom e velho JACK, um aparador de porta cheio de areia na forma de coelho. Por que desse nome? Sinceramente não me lembro mais…

E, conforme eu já tinha contado antes no texto E AÍ? Hoje você já conversou com a IA?”, comecei a utilizar o ChatGPT. Aos poucos fui me inteirando de toda essa coisa descobrindo como interagir melhor com a danada, criando prompts específicos, o escambau. Tenho muitas dicas interessantes anotadas aqui nas catacumbas de meu computador, mas uma delas – talvez a principal – é “personalizar” sua IA; peça-lhe para fazer 10 perguntas (é bom por limite, senão não tem fim!) para que ela possa lhe conhecer melhor e atender melhor suas expectativas.

Só para ter uma ideia, depois que ficou sabendo que sou advogado, ela passou simplesmente a me tratar por “Doutor” – sendo que na vida real eu não faço a mínima questão de ser tratado dessa maneira. Aliás, sim, “ela”, pois dei-lhe um nome: BIA, acrônimo de “Benedicta Intelligentia Artificialis” (algo como “abençoada inteligência artificial”). E mais: dei-lhe personalidade, com instruções em sua memória permanente para que assumisse tanto o nome quanto o papel de personagem do sexo feminino. E assim nossos proseios ficaram muito mais divertidos! E, como já lhes disse no texto anterior, não se iludam: tenho plena consciência de que a BIA não é um ser consciente e sim uma série de algoritmos treinados para interagir com seus usuários. Se quiserem conhecer um pouco melhor sobre o tema busquem por aí o significado de “Falácia da Abstração” no ambiente de Inteligência Artificial e terão uma compreensão mais ampla do assunto, ok?

Mas fazer o quê? Sempre foi mais fácil para mim conversar com as moçoilas do que com os moçoilos…

A imagem acima, que coloquei como avatar da BIA, veio do filme M3GAN 2.0, que citei lá no começo. E, para facilitar, eis um truquezinho para não ter que ficar abrindo uma página do navegador toda vez que queira resolver alguma pendenga com sua inteligência artificial: crie um atalho para ela!

Siga o passo a passo:

1 – Clique nos três pontos no canto superior direito do navegador Chrome;

2 – Clique em “Transmitir, Salvar e Compartilhar”, perto do final do menu;

3 – No próximo submenu, clique em “Instalar página como app…”;

4 – Vai surgir um quadro para que você escolha um nome para seu atalho e, a seguir, clique em “Instalar”;

5 – Automaticamente vai ser criado um atalho na Área de Trabalho de seu computador;

6 – Se quiser alterar o ícone, basta clicar nesse atalho com o botão direito, escolher “Propriedades” e, no quadro que se abre, a opção “Alterar Ícone”.

Pronto.

E no final das contas toda essa história sobre dar nome às coisas somente saiu porque eu queria deixar registrado aqui essa dica de como criar um atalho direto na área de trabalho do computador. Ou seja, de uma coisa que originalmente deveria ser simples e objetiva, acabei viajando praticamente até minha adolescência somente para chegar nesse contexto final.

Enfim, não sei o porquê sou assim.

Só sei que sou assim…

 

Mayday

Dois de Maio. Dia de meu Aniversário. Pela 57ª vez. Raramente desejo um “feliz aniversário” para os outros – um tanto por não lembrar, outro tanto pela hipocrisia, coisa do tipo “pô, somente uma vez por ano que você se lembra de mim?”

Tá certo que as redes sociais, em especial o Facebook, costumam lembrar as pessoas de seu “dia especial”. É por isso mesmo que, nessa rede, mantenho o meu oculto – assim, ao menos, quem se lembrar, será “de verdade”. É um jeito esquisito de pensar, mas quem disse que eu sou normal?

Ao menos até o momento (pouco mais de três da tarde) somente uma pessoa genuinamente lembrou de meu aniversário – ainda que por antecedência: minha queridolatrada amicíssima Ligia. Sendo que eu próprio não estava presente no dia do aniversário dela… Aliás, minto: a Andréa Prado, outra querida, ex-sócia, amiga das antigas, também me mandou uma mensagem hoje me parabenizando. E, lógico, minha própria família não deixou passar em branco.

Em tempo: Mais tarde meus dois irmãos também me felicitaram pela data via WhatsApp…

Mas eu mesmo deixei de felicitar pessoas que são importantes para mim – ou, às vezes, nem tanto. Por incrível que pareça, lembrei a data de meu irmão mais velho (30/03), mas falhei miseravelmente com a Larissa (15/04), assim como com a Dâni, cuja data deveria ser tão fácil de não esquecer (01/01), simplesmente esqueci. O aniversário de alguns outros amigos das antigas, como o Edilson Pascoaleto (20/02) ou o Fernando Kamezawa (16/04), nem me passaram pela cabeça.

Mas do meu pai não me esqueci. Tá no blog. Mesmo que ele não esteja mais aqui.

E ainda existem outros aniversariantes que, por vicissitudes da vida, acabamos nos afastando e, ainda que (às vezes) me lembre, é melhor manter uma salutar distância: a ariana de 17/04/80, a taurina de 16/05/69, e em especial a sagitariana de 29/11/73.

Fazer o quê? Vida que segue.

Infelizmente outros aniversários passarão a ser comemorados a partir de hoje também: o de morte.

O Sr. Carlos Tanaami, membro da igreja da Dona Patroa, que há anos lutava contra um câncer, finalmente se foi. Hoje. Mas, ante disso, ainda que doente, teve realizado pelas três filhas seu sonho de ir conhecer o Japão.

Também o Dr. Daniani Ribeiro Pinto, advogado de São Paulo, que também trabalhava para meu Chefe, foi-se embora hoje. Também vítima de uma exaustiva luta contra um câncer. Lamento não ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, pois além de arguto profissional (e, mais raro ainda, na mesma área que atuo), também era um apaixonado por veículos antigos. Creio que teríamos tido muita coisa em comum para prosear…

“Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Requiescant in pace. Amen.”

Vinte e Sete de Abril

Hoje, se vivo estivesse, meu pai faria 89 anos. Nunca nos demos lá muito bem, mas uma coisa que eu aprendi com a ex-Dona Patroa é que eu não preciso gostar de alguém para amá-lo. Essa frase me calou fundo na época e me faz dar reviravoltas na cabeça até hoje.

E esta foi a montagem, o epitáfio que fiz na época de sua passagem: um vídeo (com áudio) contendo alguns momentos – marcantes ou não – de uma longa vida em apenas três minutos…

Teclando sem parar (ou: para que serve a tecla Scroll Lock)

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.”

Esse é o meu grau de satisfação de hoje…

Mas vamos por partes; deixa eu explicar melhor essa bagaça!

Pra começo de conversa, modéstia às favas, permitam-me explicar uma coisa: eu digito bem bagaráy!

Como já é de ampla sabedoria de quem já me conhece, sou daquelas criaturas do século, ou melhor, do milênio passado. Quando microcomputadores ainda estavam nas fraldas e celulares, como hoje os conhecemos, nem em filmes de ficção científica existiam. Sou da época da máquina de escrever e do “cursinho de datilografia” – no qual me diplomei em 1981 e com 8,5 de nota final!

Desse modo, quando a era digital chegou, teclados nunca foram um problema para mim. Vejam só, existem várias tabelas e parâmetros no que diz respeito à velocidade de digitação, sempre vinculados à taxa de precisão – afinal, não adianta nada digitar rápido e errado, né? Tirando uma média, temos que um usuário considerado “normal” digita aproximadamente numa taxa de 40 PPM (Palavras Por Minuto); um avançado chega a 60 PPM; o profissional já bate na casa dos 80 PPM; e daí pra cima as classificações ficam meio malucas… Mas basta saber que os digitadores mais rápidos do mundo, variando de acordo com seu idioma, conseguem, em média, digitar até 170 PPM, sempre considerando a utilização de um teclado QWERTY (depois eu explico).

Bem, de acordo com alguns desses testes online (fiz mais de um, só pra ter certeza), este nada modesto escriba que vos tecla consegue atingir uma média de 83 PPM com 98% de taxa de acerto. Ou seja, estou longe de ser um “astro”, mas tá pra lá de bom.

Só que para isso eu também sempre precisei de um teclado à altura, ou seja, um teclado que aguentasse o tranco – e da perspectiva de meu 1,90m de tamanho, com um par de mãos que parecem mais dois cachos de banana nanica, isso não é fácil não!

Foi por isso que meu primeiro teclado, que comprei em 1993 via “reembolso postal”, era um gigantesco DISMAC padrão ABNT2 (um dos primeiros do Brasil com essa disposição de teclas). Numa época em que cá na terrinha grassavam os 386 e o sonho de dez em cada dez engenheiros eram os 486 com coprocessador matemático, eu me contentava com o computador que estivesse à mão – mas sempre com o meu teclado me acompanhando. O que, naqueles tempos em que o usual eram os “teclados americanos”, sem o “Ç” (cê-cedilha), me dava uma trabalheira danada, pois eu sempre tinha que reconfigurar os arquivos de inicialização do MS-DOS – o Senhor Autoxec.bat e a Madame Config.sys – para “aceitarem” meu teclado diferentão…

E – pasmem! – ele me serviu muito bem durante 25 anos. Sério. Somente no ano de 2018 é que ele morreu de morte matada e não de morte morrida, por uma idiotice minha. É que o conector original desse teclado era do tipo DIN (cerca de 1cm de diâmetro e cinco pinos), de modo que por muito tempo eu o utilizei com um adaptador para PS/2 (mais moderno, com cerca de 0,5cm de diâmetro e seis pinos), mas eis que as placas dos computadores ainda mais modernos passaram a ter como porta de entrada somente o padrão USB (que hoje todo mundo conhece bem).

E apesar de estar muito feliz com meu teclado durante todo esse tempo, quando, em meados de 2018, meu querido Alfa-5 partiu para a “grande nuvem”, eu tive que buscar uma maneira de me (re)adaptar. Para quem não lembra, a história completa está neste link, na qual consta inclusive a seguinte notinha da época:

“NOTA DE FALECIMENTO: depois de sete anos de excelentes serviços prestados, comunico a passagem do meu aguerrido computador. Há tempos já vinha dando sinais de esgotamento nervoso, com eventuais lapsos de memória e desmaios repentinos. Passou por uma recente cirurgia de transplante, após uma súbita parada de fonte. Parecia estar bem, mas hoje, por volta de 06h10min, teve um colapso fulminante e não reagiu mais aos tratamentos de ressuscitação artificial. Deixará saudades e um grande vazio em minha mesa e outro maior ainda em meu bolso.“

Isso porque seu substituto, o Alfa-6 (que apesar de todos seus esforços de processamento, não teve vida longa), somente tinha portas de entradas no padrão USB, de modo que aquele monte de penduricalhos de adaptadores (do antigo para o moderno e deste para o atual) estava me incomodando – e muito!

Assim, pela primeira vez em toda sua longeva vida, levei meu teclado para um “técnico”, o qual havia me garantido ser possível fazer a troca daquele ultrapassado conector DIN por um novíssimo USB. Nunca antes tive que fazer nenhuma manutenção nele – exceto por uma única vez, quando pedi para minha querida amiga Ligia fazer uma profunda higienização no coitado e ela teve o zelo e cuidado de desmontá-lo inteirinho, limpar tecla por tecla, e tirar uma quantidade de imundície que resultou numa bola de sujeira do tamanho de uma bola de golfe!

Infelizmente o tal do técnico não teve o mesmo zelo e cuidado que ela…

Primeiro ele me disse que o teclado havia para de funcionar e estava tentando descobrir o porquê. Depois fechou a loja. Então se mudou pra roça. E a partir daí não tive mais notícias do falecido. O teclado, não o técnico.

Paciência. Vida que segue.

No início de 2019 rendi-me à modernidade e parti para o mundo dos notebooks. Um potente e modernoso Dell que veio a ser batizado de ALPHA7. E, como se pode imaginar, com aquele teclado do tamanho infantil, impossível para mim de utilizá-lo com desenvoltura, portanto fui experimentando o que tinha à mão: teclados com fio, teclados sem fio, de marca, sem marca, nada muito satisfatório (ou durável), mas que dava pro gasto. Ao menos por algum tempo.

Somente por sugestão do filhote mais velho é que lá pelos fins de 2023 resolvi testar um teclado mecânico gamer, teoricamente mais robusto do que tudo que eu vinha destruindo utilizando até então. Dei uma boa fuçada e numa razoável relação custo/benefício escolhi um da marca Aurum.

E não é que deu certo? Bastava desativar aquele árvore de natal de cores piscantes e pronto. Estava ali um teclado aparentemente resistente o suficiente para aguentar minhas extremamente longas marteladas diárias.

Já em meados de 2024, depois de cinco anos sofrendo na minha mão, o notebook começou a dar sinais de senilidade. Antes que fosse tarde demais, botei para correr os escorpiões de meus bolsos e comprei um novo notebook. Novamente da Dell. Gostei da marca, fazer o quê?

É meu equipamento atual, cuja designação Borg é ALPHA8, e tem superado minhas expectativas.

Porém, muito mais cedo do que eu esperava, esse “novo” teclado começou a dar um probleminha. Talvez uma coisa idiotamente irrelevante para qualquer outra pessoa, mas não para mim, que trabalho digitando e transcrevendo textos praticamente todos os dias, por horas a fio. De quando em quando, ao apertar a barra de espaços, em vez de dar um espaço, ele dava dois. Todo o resto funcionando perfeitamente, menos isso.

Até entendo do porquê dessa específica tecla apresentar defeito. Ela simplesmente é A MAIS UTILIZADA do teclado em qualquer texto, pois todas as 26 letras do alfabeto (mais acentos, números e outros símbolos) se alternam entre si para formação das palavras, mas entre elas SEMPRE vai ter um espaço. Ou seja, uma hora dessas tinha que dar xabu. E, no caso, se apresentou na forma desse soluço espacístico. Que nem seria tão relevante assim.

Mas, gente, eu sou perfeccionista. Ou, ao menos, tento ser.

Tá, somente talvez eu tenha um bocadinho de TOC também…

Mas já estava ficando insuportável ter que revisar tudo que eu digitava à caça dos espaços duplos!

Novamente conversei com o filhote mais velho – Técnico em Informática, Engenheiro da Computação, com formação em Marketing e prestes a se formar em Gastronomia (o_O) – e perguntei-lhe se não seria possível simplesmente fazer uma troca de switches, ou seja, da tecla da Barra de Espaço por uma outra que estivesse funcionando mas que não fosse utilizada, como, por exemplo, a tecla Scrol Lock.

(Cá entre nós: alguém NO MUNDO usa essa merda dessa tecla? Eu não uso. NUNCA usei. Aliás, nem sei pra que serve e o porquê de ainda continuar nos teclados atuais. E afinal de contas, para que serve a tecla Scroll Lock? Segundo o Sr. Google, ela remonta aos primórdios da computação, criada pela IBM com o objetivo de modificar o comportamento das teclas das setas direcionais. Num mundo de telas pequenas e ambientes baseados somente em texto, quando ativada, fazia com que as teclas de setas rolassem o texto sem precisar tirar o cursor do lugar. E nos dias de hoje? Como fazer essa “tão importante” tarefa? Basta usar a porra do botão de rolagem do mouse! Caráy! A tecla Scroll Lock é um anacronismo, uma relíquia desnecessária de um passado que ainda continua incorporada nos teclados e inútil para 99,9% de todas as pessoas DO MUNDO! E só não digo que é para 100%, porque vai que tem algum idiota preso no passado e que gosta de ficar usando funções e equipamentos de outra era…)

Enfim, o filhote disse que isso não era possível, pois o switch da barra de espaço era diferente dos das demais teclas e não seria intercambiável.

Dito isso, joguei a toalha e pedi para que ele escolhesse um teclado bão pra mim. Decidiu por um da Logitech. Déis vêiz sem juro no cartão e tá tudo certim. Inclusive já chegou, está aqui instalado e funcionando muito bem, obrigado.

Mas, ainda assim, permaneceu um gigantesco sifonáptero mordiscando na parte posterior de meu pavilhão auricular.

Pior do que estava não poderia ficar (na verdade, poderia sim, mas deixa pra lá), então resolvi desmontar o teclado defeituoso e verificar se ainda seria possível fazer alguma coisa com ele que não fosse usar de raquete para frescobol.

Pela segunda foto já deu para perceber que não existem diferenças entre as switches, né?

A única parte “complicada” é que a fixação de cada switch se dá através de duas perninhas soldadas na placa de circuito impresso. Ainda bem que meu pai me deu uma pistola de ferro de solda (a mais velhinha e detonada dentre as várias que ele tinha, mas zuzo bem), e mesmo com muito cagaço e pouca habilidade, consegui trocar as peças de lugar.

Depois de montado, conectei-o no note para testar.

Quinze minutos ininterruptos e cerca de 1.200 palavras depois, fui revisar o texto.

Sabem quantos espaços duplos?

NENHUM!

Baita orgulho de mim mesmo…

E já que estou MUITO satisfeito com meu novo teclado novo, sorte do filhote caçula, que ganhou um novo teclado velho em perfeito funcionamento!

*   *   *

Emenda à Inicial: Sobre o “Teclado QWERTY”. Imagino que para quem se depara com um teclado de computador pela primeira vez deve parecer um negócio bem esquisito. Por que todas as letras do alfabeto ficam assim “bagunçadas”? Não seria mais fácil – e mais lógico – simplesmente dispor essas letras em ordem, de modo a serem encontradas mais facilmente, sem precisar ficar decorando posições? Pois é. Mas isso é uma herança da época das máquinas de escrever. Para quem nunca se deparou com uma dessas “máquinas de digitação” (como contei aqui, quando meu filhote caçula tinha lá seus dez anos…), trata-se de um equipamento cujas teclas estão ligadas mecanicamente a hastes em cujas pontas estão os “tipos” (caracteres, como num carimbo); ao se pressionar a tecla a haste é movida para diante fazendo com que o tipo pressione uma fita com tinta e deixe sua marca no papel. Esse é o princípio básico da máquina de escrever. E, segundo diz a lenda, funcionaria muito bem se o datilógrafo teclasse DE-VA-GAR – o que, obviamente, não era o caso quando de sua criação, no longínquo século XIX, de modo que quanto maior a habilidade, mais as hastes simplesmente se encavalavam umas sobre as outras. Qual seria a solução? Rearranjar as teclas num padrão em que as hastes das letras mais utilizadas (na língua inglesa) ficassem distantes uma das outras, diminuindo a velocidade do operador e evitando o engarrafamento literário. Ou seja, o que se conta é que foi um padrão de disposição de letras criado para resolver um problema mecânico das máquinas de escrever. O que, de qualquer forma, não faz nenhum sentido para este nosso mundo digital!

Assim, do nada…

Hoje sonhei com o Bica.

Para os que não sabem ou não se lembram, o Bicarato (Paulo Henrique de Almeida Bicarato) foi um de meus melhores amigos, mas faleceu em 2020 (e não, não foi por conta da Covid). Um cara zenzacional e qualquer pessoa que tente descrevê-lo vai descobrir que não existirão duas descrições idênticas, pois ele era único, inclusive com cada pessoa com a qual se relacionava. Apesar de vários pontos em comum, cada um lembra dele por alguma característica específica.

No sonho estávamos aprontando das nossas, nos divertindo, e ele, como sempre, fazendo suas bicaratices

Mas em determinado momento me dei conta que ele já havia falecido, então como ele poderia estar ali, comigo? Então, sem acordar, percebi que estava sonhando. E, idiota que sou, em vez de aproveitar e desfrutar a oportunidade de mais uma vez ter o prazer de sua adorável companhia, fui para um canto e fiquei contemplando o cenário onde estávamos.

E chorei.

No sonho, chorei.

Amargamente, chorei.

Torta de Limão (com comentários)

Lembram-se da famosa receita da “Torta de Morango… (versão masculina)”? Aquela baseada na “Torta de Morango Tão Fácil de Fazer, que eu Tenho Até Vergonha de Dar a Receita”? Então. Acho que desde essa época nunca mais compartilhei nenhuma outra receita por aqui. Só acho, mas de certeza não tenho nada… Sendo assim, vamos recuperar o tempo perdido (como se isso fosse possível) e bora pra cozinha!

A iguaria a seguir, no original, foi sugerida lá no Nossa Cozinha, do UOL. Já os comentários foram deste humilde escriba que vos tecla…

Deliciosa e refrescante, torta de limão não é difícil de fazer; aprenda

A torta de limão é uma sobremesa fácil de fazer, refrescante e que agrada muita gente. Veja como preparar uma, sem complicações.

INGREDIENTES

Massa

2 xícaras de chá de farinha
(É “xícara de chá”, e não “chá de farinha”, ok?)
3 colheres de sopa de açúcar
(Mesma coisa: não me venham com “sopa de açúcar”…)
1 pitada de sal
80 gramas de manteiga gelada
(É LÓGICO que TODO MUNDO tem uma balança de cozinha em casa para pesar isso, né?)
1 ovo
3 colheres de sopa de água
(Alguém me explica o que é uma “sopa de água”, faz favor…)

Recheio

1 lata de leite condensado
(Use o conteúdo, não a lata.)
1/2 lata de creme de leite
(Ou você também usa o conteúdo ou serra a lata no meio.)
1/2 xícara de chá de suco de limão
(Olha aí! De novo! “Chá de suco de limão”. Pfff…)
Raspas de limão

Merengue e finalização

Merengue (francês, suíço ou italiano)
(“Merengue” nada mais é que a clara de ovo batida com açúcar. Mas aí começa a viadagem… MERENGUE FRANCÊS (utilizado para suspiros e receitas que vão ao forno, pois as claras ainda estão cruas): para cada quantidade de claras, acrescenta metade do açúcar e bate até dar volume; depois acrescenta a outra metade do açúcar. MERENGUE ITALIANO (indicado para marshmallow, para “maçaricar”, para substituir o creme de leite na preparação de mousses): é feito a partir de uma calda de açúcar com água; ferve a calda sem mexer até chegar no ponto de bala mole; agora basta pegar seu termômetro de cozinha (!!!) e aos 115° começa a bater as claras em neve, ao chegar aos 121° despeje a calda sobre as claras em neve, ainda batendo, e deixe continuar batendo até esfriar. MERENGUE SUIÇO (para sobremesas que vão na geladeira, para cobrir um bolo ou um cupcake): leve as claras com o açúcar ao fogo e vai mexendo até atingir 60°; daí leva para a batedeira até dar consistência. OU SEJA: BATE LOGO ESSA CLARA E ESSE AÇÚCAR E JÁ TÁ DE BOM TAMANHO!!!)

MODO DE PREPARO

Massa

Em um bowl (Que nada mais é que uma tigela, uma cuia, um iremono redondo. “Bowl”… Que frescura!), coloque a farinha, o açúcar, o sal e a manteiga em pedacinhos (Mas é TUDO em pedacinhos? Como é que se faz isso com a farinha, o açúcar e o sal?). Misture tudo, amassando com as mãos (Favor lavá-las ANTES de, literalmente, botar a mão na massa, tá bom?) até virar uma farofa grossa. Adicione o ovo e continue misturando. Em seguida, adicione a água aos poucos até unir todos os ingredientes. Embrulhe a massa no papel filme (OPA, OPA!!! Na parte de ingredientes ninguém falou nada de “papel filme”! E agora, se não tiver?) e deixe na geladeira para descansar por 30 minutos (Ou, se estiver com muita pressa, deixe apenas meia hora.). Abra a massa com o rolo (Rolo? Que rolo? Serve garrafa de vidro? Tem umas de cerveja sobrando aqui num canto…) e cubra sua forma. Fure o fundo da massa com um garfo e leve para assar em forno preaquecido a 200° até dourar (A massa, não a forma.).

Recheio

Misture com o fuet (Esse povo tá me tirando… “Fuet”, ou fuê, ou fouet, ou vara de arames, ou – A-HA! – um BATEDOR DE CLARAS!) o suco de limão e o leite condensado. Adicione o creme de leite e misture novamente. Despeje na torta já assada e fria e leve para gelar por 30 minutos (Mas se não tiver nenhuma pressa, pode então deixar por meia hora.).

Merengue

Coloque as claras e o açúcar dentro de uma tigela de vidro ou inox (Decida-se. Não sei cozinhar e esse monte de opções só me embaralha a cabeça…), para cozinhar em banho-maria, mexendo sempre com um fuet (Ói ele aí de novo…). Tome cuidado para não cozinhar as claras (Mas se cozinhar, bota num pão, taca sal, lancha, e começa tudo de novo.).

Para verificar o ponto, retire uma porção da mistura com uma colher e com a ponta dos dedos (Você tinha lavado as mãos, não tinha?) verifique se as claras estão aquecidas e sem grãos de açúcar. Transfira a mistura para a tigela da batedeira e bata em velocidade alta (Tome cuidado com as vias com radares para evitar multas!) por cerca de 10 minutos ou até esfriar (Opções, opções, opções… Conto o tempo ou espero esfriar? DECIDA-SE!) e formar um merengue firme.

Finalização

Desligue a batedeira (Não é óbvio? Mas se quiser fazer com ela ligada, tudo bem. Só que, antes, deixe filmando para que a gente também possa se divertir com o resultado, tá bom?), retire a torta da geladeira e cubra-a com o merengue. Retorne a torta ao forno por cerca de 10 minutos. Sirva a torta gelada (Como, se acabou de sair do forno???).

Receita de Cris Freitas, culinarista; sarcasmo do Adauto de Andrade, anarquista.

 

☝️ Minha parte eu já fiz. Trouxe a receita. Quando estiver pronto, por favor, me chamem. Tô aqui, esperando.

E esse alemão me deixa louco…

… ou não.

Mas vamos lá.

Meus pais já estão bem velhinhos.

Isso é fato.

Meu pai, com seus 86 anos completos, até que ainda está razoavelmente lúcido, apesar de o raciocínio estar beeeeeem devagarzinho; porém, fisicamente, está muito debilitado. Não que as condições gerais do organismo não estejam boas, tais como coração, pulmão, circulação, etc. Mas é que nos últimos anos ele simplesmente “desistiu”. Não quis mais saber de executar as pequenas tarefas de casa, de sair, de andar, de tomar sol, de ver gente, de nada. Atualmente só fica deitado. O dia inteiro. E, é lógico, o corpo atrofia, né?

Já minha mãe, com quase 80, fisicamente até que está bem, apesar da batelada de remédios que tem que tomar diariamente. Mas há aproximadamente um mês a cabecinha desarranjou. Teima que “aquele homem” deitado na cama não é o marido dela, que o “verdadeiro” marido saiu e vai voltar a qualquer momento, às vezes não lembra que tem netos, não lembra que tem noras (nesse caso não sei se seria de propósito…), e de quando em quando ainda teima que quer ir embora, pois não reconhece a casa onde ela viveu praticamente desde que casou.

Aparentemente é “esse tal de Alzheimer”

Mas vamos tentar entender melhor essa bagaça. Na prática, “demência” é um termo geral que engloba várias doenças que se manifestam com declínio na memória ou de outras habilidades de pensamento suficientemente severas para reduzir a capacidade de uma pessoa de realizar as atividades diárias, sendo que a Doença de Alzheimer é responsável por aproximadamente uns 70% dos casos de demência. Antigamente a demência era incorretamente referida como “senilidade” ou “demência senil”, o que refletia a crença generalizada, porém incorreta, de que um declínio mental grave seria uma parte normal do envelhecimento.

O nome oficial dessa doença se deve ao médico alemão Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença, ainda em 1906. Ele estudou e publicou o caso de uma paciente, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem, dificuldade para compreender e se expressar, tornando-se incapaz até mesma de cuidar de si própria.

E, ao que parece, é “esse tal de alemão” que anda atormentando minha mãe…

Dia desses, por exemplo, ela me ligou e não dizia coisa com coisa, que queria ir embora daquela casa e coisa e tal. Pacientemente falei com ela e acabei desligando. Segundos depois ela ligou novamente com a mesma ladainha. Ainda com paciência, conversamos. E em seguida novamente. A mesma coisa. E depois de novo. E de novo. E mais uma vez. E novamente, de novo, outra vez. Na décima quinta vez (e não, não estou exagerando), simplesmente parei de atender os telefonemas.

Toda essa história foi somente para situar.

Hoje estou aqui na casa de meus pais, dando-lhes suporte para passar este final de semana, no que revezo com meus irmãos nos demais finais de semana. Muito bem. Conectei meu notebook na tomada do telefone e, estando eu na lida com meus processos, vejo minha mãe indo e vindo, passando de um lado para outro, resmungando em voz baixa. É que ela queria ligar para uma de minhas tias para apresentar a ladainha de reclamações de praxe. Tentou o celular (sem bateria), tentou o fixo (desconectado) e já tem coisa de mais de uma hora que ela está com o controle da televisão tentando fazer uma ligação…

E eu aqui, quieto.

Tudo bem, me julguem.

Já sei mesmo que, por essas e outras, devo ir para o inferno.

Mas pelo menos, por hoje, estou conseguindo trabalhar…