“The answer is blow’n in the wind…”

Como diria minha amiga Gleice, “é de espanar”!

Existe uma proposta de um senador (PLS 374/07) visando alterar a redação do artigo 66 da Lei Orgânica da Magistratura de modo a reduzir o período de férias do magistrados (juízes) dos atuais 60 dias anuais para “apenas” 30 dias…

A ANAMATRA (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho) posicionou-se contra a proposta. Afirmaram categoricamente que essa iniciativa somente poderia ser do STF – Supremo Tribunal Federal, que os juízes não teriam demasiados feriados – pois estes seriam para todos os servidores públicos, que mesmo nas férias os juízes não conseguem colocar seus processos em dia, que os juízes na realidade não dedicariam 15% do tempo de seus dias de trabalho em palestras e posses, que o gozo de férias por parte dos juízes não seria um dos motivos de congestionamento do Judiciário, e que “a peculiaridade da atividade dos magistrados justifica plenamente a existência de um período de descanso diferenciado”.

Ora, façam-me o favor!!!

Peguem um caboclo que trabalha o dia inteiro, na labuta física mesmo, cuja mulher trabalha em casa ou mesmo fora para ajudar no orçamento, cujas crianças fazem bicos por aí quando não estão estudando na escola pública (que faz o aluno passar de ano mesmo que não tenha aprendido sequer a escrever o próprio nome), e que à noite ainda vai tentar cursar uma faculdade (que só pode ser particular, pois as públicas são destinadas àqueles que não precisam se sustentar), e, no final de cada dia, ainda tem que aguentar um coletivo, um trem, uma bicicleta, uma pernada, até que possa chegar em casa para no dia seguinte começar tudo de novo. Falei que ele ganhava salário mínimo (obviamente sem registro em carteira)?

Esse “privilegiado” tem direito somente a 30 dias de férias por ano. Se o patrão deixar, pois sequer é registrado. Aliás, todos os demais mortais que se submetem à legislação trabalhista também têm apenas 30 dias. Eu tenho 30 dias. Minha esposa tem 30 dias. E ainda damos nó em pingo d’água para fazer com que pelo menos cada 15 desses 30 possam coincidir com as férias da criançada.

O que é que há? O trabalho dos magistrados é estressante? É “intelectual” demais? Cansa? Pelamordedeus! Se os políticos de um modo geral já não têm vergonha na cara (os de Brasília, principalmente, que o digam), era de se esperar que pelo menos os magistrados a tivessem.

Sinceramente, nessas horas dá desgosto o diploma…

( Aliás, o autor da proposta não poderia ser outro senão o Eduardo Suplicy – daí o título desse post, para quem o conhece… )

Luto infantil

E então o filhotinho de uma amiga conheceu a música “Plunct, Plact Zum”, do Raul Seixas. E adorou. E queria ficar ouvindo a toda hora. E então falou com sua mãe:

– Mãe, legal essa música, né?

– É filho, é.

– Quem é que canta, mesmo?

– O nome do cantor é Raul Seixas, filho.

– Eu queria conhecer ele…

– Ah, mas não vai dar não…

– Ué? Por quê?

– É que ele já não está mais com a gente. Ele foi pro Céu.

– Quer dizer… Que ele morreu???

– É, filho.

– BUUÁÁÁÁÁÁÁÁ!!!

– ???

E assim foi. Não houve nada que consolasse o petiz. Continua lastimoso e de luto pelo pobre Raul. E se alguém toca no assunto, a voz fica imediatamente embargada e os olhos lacrimejantes.

De fato, um sentimento de luto muito mais sincero do que muitos que já vi por aí com pessoas, às vezes, mais íntimas do que algum cantor Maluco Beleza do qual só se conhece pela música…

Fênix

Bem, vocês já devem ter lido aqui o que aconteceu com relação ao Windows e sobre minha decisão de instalar o Linux, certo?

Então.

Só pra entrar na conversa, convém esclarecer que o Linux não é nenhum desconhecido absoluto pra mim. Já lá nos idos de 97 eu comecei a fuçar nesse sistema operacional. Primeiro com uma distribuição do Slackware, penosamente baixada via BBS através de uma velha placa de fax-modem Zoltrix de 28.8 kbps. Mais tarde através da primeira distribuição brasileira “oficial”, feita pela Conectiva: Marumbi.

Não se preocupem: de quando em quando ainda introduzirei por aqui alguns conceitos básicos sobre o Linux para que não fiquemos no mais puro (e, às vezes, ilegível) informatiquês…

“Distribuição”, por exemplo, pode ser definido como um dos “sabores” do Linux. Sim, existe uma explicação melhor, mas isso aqui não é uma sala de aula, certo? Basta saber que o sistema operacional Linux é um sistema Livre (não confundir com gratuito – apesar de, na maioria das vezes, sê-lo) e existem diversas pessoas e empresas ao redor do mundo que desenvolvem facilidades para esse sistema. Cada uma dessas versões personalizadas pode ser chamada de distribuição – ou “distro” – existindo tantas, mas tantas, que fica até difícil de escolher.

Bem, de volta ao fio da meada, de 97 pra cá tenho testado diversas distribuições. Umas boa, outras nem tanto, outras horríveis. Minha birra com essas distribuições sempre foi pelo fato de que um sistema criado para ser livre acabou se tornando por demais dependente da tecnologia. Explico. A Micro$oft sempre primou por lançar novas versões de seus sistemas, as quais exigiam computadores mais potentes, que por sua vez davam origem a novas versões, que novamente precisavam de computadores ainda mais potentes, e assim por diante.

Ora, e o que fazer com todas aquelas máquinas que, do dia pra noite, acabaram se tornando obsoletas pelo simples fato de não “aguentar” rodar uma nova versão do sistema? Lixo? Isso vai contra os ideais de metareciclagem que aprendi com o mestre Obi-Wan-Bicarato-San…

Enfim, tendo se tornado tão dependente da tecnologia quanto os sistemas proprietários, o Linux acabou ficando também limitado ao atual estado da técnica. Ainda bem que meu computador de casa é “parrudo” o suficiente para suportar o sistema. Mesmo assim, não abro mão dos velhinhos. Um antigo computador do escritório (Pentium 133-MMX) ainda está na ativa aqui em casa, rodando sistemas antigos, mas plenamente funcional. Hoje ele pertence ao meu filho mais velho.

Escolhi uma distribuição chamada Ubuntu, que já havia testado recentemente e que me surpreendeu pela facilidade com que reconheceu e ativou todo meu hardware instalado.

Eu já havia baixado e gravado em CD a imagem da versão 7.04 (atual), bastando apenas providenciar a instalação – que durou cerca de 20 minutos, já contada a formatação completa do disco rígido.

Confesso que fiquei apenas preocupado com a questão do acesso à Internet, que, em casa, se dá através do Speedy. Já me imaginei horas a fio com algum atendente da Telefônica, após ter passado pelo labirinto quase intransponível de menus (“para isso, disque isso, para aquilo, disque aquilo”…).

Ledo engano.

Bastou digitar no Help do sistema recém-instalado a palavra “ADSL” (Asymetric Digital Subscriber Line), que é a tecnologia utilizada para a conexão através do Speedy, e apenas com mais dois cliques aprendi a configurar o programa pppoeconf através do Terminal (uma espécie de “prompt” do Linux). O tutorial é bem didático, no estilo passo-a-passo mesmo, não deixando dúvida nenhuma para trás.

Aliás, me surpreendeu a rapidez da conexão. Tanto para conectar quanto para navegar. Deixou o programinha de conexão do Speedy no chinelo. Ponto pro Linux.

Ainda falta bastante coisa para fazer, programas a instalar, outros hardwares específicos para configurar. Meu velho scanner TCE S430, por exemplo, nunca funcionou no XP e duvido que o consiga no Linux, mas não custa tentar.

Mas, conforme se desenrole, irei contando a história por aqui.

Aliás, só pra que saibam: este post já foi totalmente escrito “via Linux”, através da distribuição Ubuntu, conectando-me à Internet por ADSL, e utilizando o navegador Firefox…

😀

Desejo de matar – I

Não. Nada com relação aos antigos filmes do Charles Bronson (salvo o “desejo” em si). O negócio é pessoal mesmo.

Imaginem a seguinte situação hipotética: seu computador, já há muito tempo, tem um comportamento não muito comportado, desde que um raio mandou sua placa de fax-modem para o sétimo círculo do inferno. Parece que a alma da motherboard foi amaldiçoada e condenada por toda a eternidade, eis que nenhuma outra placa colocada em substituição fez com o que o computador voltasse a se conectar.

Pois bem.

Com muito custo (no Real – $$$ – sentido da coisa) você finalmente conseguiu colocar uma Internet veloz em sua casa e, sendo a conexão pela placa de rede, pensa que todos seus problemas acabaram.

Ledo engano.

O XP tenta acessar recursos da máquina que estão comprometidos, fazendo com que os travamentos persistam. Não sei o que é que o desgraçado busca, mas tenho certeza absoluta que não fui eu que mandei.

No frigir dos ovos a única coisa que faz com que o bichinho funcione razoavelmente sem problemas é a boa e velha instalação do antigo Windows 98, pois as sucessivas instalações do Windows XP (pasmem: original, com licença e tudo) , simplesmente restaram infrutíferas. Quando você pensa que tudo está funcionando, o FDP trava e reinicia. E seu coração também quase trava e reinicia junto, pois a cada vez que o amaldiçoado faz isso, leva consigo uma parte dos arquivos que estavam abertos, destruindo irremediavelmente qualquer possibilidade de nova tentativa de acesso aos mesmos.

Cansei (mas não no sentido daquela viadagem ursulina).

Vou de mala e cuia para o Linux. O que, diga-se de passagem, já devia ter feito há muito tempo. Manterei o Win98 até que todos os dispositivos estejam operacionais.

Depois, adeus.

E que Bill Gates arda no fogo do inferno.

Junto com o Windows XP.

Advogado “mata” colega para assumir patrocínio da causa

Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina

AASP Clipping, 23/08/07

A concorrência por clientes entre advogados beirou o absurdo na Comarca de Tubarão, onde um causídico ingressou com novo instrumento de mandato procuratório de cliente em seu nome, sob a justificativa do falecimento do representante legal anterior. O defensor original, contudo, atento aos movimentos do processo, notou a manobra e apresentou-se ao fórum para dizer que, “retornando do além”, estava vivo – para a infelicidade de alguns e e felicidade da maioria.

O Juiz Luiz Fernando Boller, titular da 2ª Vara Cível da Comarca de Tubarão, diante de fato que classificou de “esquisito, extravagante e excêntrico”, ordenou a imediata intimação da cliente para que diga se renuncia – ou não – ao mandato outorgado àquele deslealmente dado como morto pelo colega. A ação em tela trata de homologação de partilha de bens em benefício de herdeiros de Pedro Mendes da Silva. Processo: 07505000269-9

Apensado em 25/04/08…

Taí o link com a “prova do crime” (brinde do Jus Navigandi):
o-advogado-que-retornou-do-alem1.pdf

Toga e outros babados – A passarela da Justiça

Nirlando Beirão

Carta Capital, 05/09/07, p.41

Os ministros do Supremo, às voltas com o julgamento do mensalão que nada tinha de mensal, desfilaram pela arena de suas perorações eruditas, intermináveis, em Brasília, o garbo de fardamentos negros que lhes chegam à canela. Os estilistas das autoridades chamam a isso trajes talares.

É como se atestassem, na simbólica configuração das togas e dos babados, que estão ali para ministrar justiça, apenas isso, em sisuda contrição, compenetradíssimos, embora tenham entre eles o divertido ministro Marco Aurélio Mello e ainda que um marciano desavisado que ali chegasse pudesse imaginar ter caído no meio do mais carnavalesco dos sambódromos. Quem já foi ao Vaticano sabe, aliás, do que estou falando.

A Justiça, no Brasil, legitima-se menos nos seus atos do que nos seus ritos. Por isso a extravagância de becas esvoaçantes mesmo quando se trata de um modesto júri no tórrido interior do Tocantins. Culto das aparências enganosas: aqui a Justiça tarda e falha, mas, é bom reconhecer, está sempre checando a silhueta à frente de um bom espelho.

Não se sabe de nenhuma corte que, em um surto de bom senso, tenha dispensado algum dia o valor representativo da fatiota. A cansada OAB e os organismos da magistratura estão aí, de olho nos eventuais rebeldes. É que o figurino comprido e escuro impõe, de cara, um sentido de superioridade imperiosa. Os que ministram a Justiça não prestam contas senão à sua própria consciência, quando a têm – nunca ao coro imperfeito dos míseros mortais.

Quando se propõe algum tipo de controle social sobre a Magistratura, é aquele deus-nos-acuda. Só os jornalistas – quer dizer, os donos dos veículos de comunicação – são capazes de espernear mais que juízes e promotores. É como se alguém quisesse amarfanhar-lhes a vestimenta. Fecham-se em casta, engalanados em suas togas, becas e, agora, laptops.

Conheço o caso de um aprendiz de advogado que se viu, pela primeira vez, diante de um juiz de Direito. Tão aterrorizado estava o pobrezinho, ante toda aquela farfalhante liturgia, que, quando enfim o Meritíssimo lhe dirigiu a palavra, ele replicou: “Pois não, Majestade”. Faz todo sentido.