Distribuindo alternativas

Ainda com o carro difícil de pegar, ora indo, ora não indo, eis que neste domingão fui almoçar na casa de meus pais.

Comentei a situação com o Seu Bento (vulgo meu pai) e perguntei-lhe se tinha como verificar a amperagem do alternador, pois achava que talvez ele estivesse aquém da amperagem da bateria, motivo pelo qual não estaria “carregando” o suficiente para atingir sua plena capacidade.

Ele simplesmente me disse que isso era bobagem.

Lembrou que durante todos os anos em que trabalhou na antiga (e já falida) Mecânica Renó, quando consertava os caminhões de carga da Transportadora, suas baterias eram de 150 ampéres, enquanto que os alternadores eram de apenas 30 ampéres. Na realidade o propósito do alternador é manter a carga da bateria, sendo que o fato de ele ser de 45, 55, 60 ou 90 ampéres não influencia em nada suas funções. O que tem que ser visto é se ele está gerando alguma amperagem.

Assim, munido com um medidor de ampéres (acho que deve ser esse o nome daquele reloginho que ele sacou das profundezas de sua oficina) fomos até o carro para checar isso. Conectou esse medidor entre o terra (acho eu) e o alternador e mandou ligar o carro. Pimba! Lá foi o ponteirinho para além dos 30 ampéres (o mostrador só ia de 30 negativo a 30 positivo). Explicou-me que o que diminui o fluxo de carga são os acessórios do carro, mas que ainda assim a carga é contínua. Mandou que ligasse os faróis do carro. E lá se foi o ponteirinho para menos de 15 ampéres. Ao desligar, voltou à sua capacidade máxima.

O que poderia, na realidade, estar ocorrendo seria o carro estar com o ponto meio adiantado. E o que, cargas d’água, seria “adiantado”? Pois bem. O perfeito funcionamento do motor depende do ponto exato em que a centelha (eu disse centelha, faísca, tá?) da vela é liberada no ponto em que o pistão está em sua posição mais alta, no momento máximo de compressão da mistura ar/combustível. Isso gera uma “boa” explosão. Se o motor estiver “adiantado”, isto é, a centelha for liberada antes de o pistão atingir seu ponto máximo, então a explosão se dará em momento inoportuno, muitas vezes fazendo até com que o motor dê um contragolpe, ou seja, “gire para trás” pela força da explosão que ocorreu antes que o pistão tivesse chegado no ponto certo. Isso fica evidente quando, ao dar a partida, percebe-se que a hélice dá alguns giros para frente e, quando o motor não pega, volte um pouco.

Para “consertar” isso teríamos que atrasar um pouco o ponto do motor. O primeiro passo foi verificar a ordem de ignição. Olhando a tampa do distribuidor (pelo lado direito do carro) localizamos a ponta do cabo do primeiro cilindro (aquele à esquerda de quem olha, ou melhor, o primeiro mesmo, à frente do carro). Desse modo, no sentido horário, a sequência dos cabos é 1-5-3-6-2-4. Explicando melhor: na tampa do distribuidor, logo após o cabo do primeiro cilindro (1), temos conectado o cabo do quinto cilindro (5), em seguida o do terceiro cilindro (3) e assim por diante. As explosões do motor se dão nessa exata ordem. Segundo ele todos os motores seis cilindros têm essa sequência.

Pois bem, para ajustar o ponto do motor primeiro há que se afrouxar o parafuso da árvore do distribuidor (mais detalhes naquela antiga aula, bem aqui e também aqui) e girá-lo no sentido horário. Recapitulando: girar o distribuidor no sentido horário atrasa o ponto; no sentido anti-horário, adianta.

Giramos quase que completamente para atrasar o motor e houve uma considerável melhora. Aliás, “considerável” é eufemismo. Ficou bom pra cacete! Mas como saber se está no ponto? Outra dica. Dê uma acelerada rápida até o final. Bem rápida mesmo. De preferência com a mão ali no carburador para poder “sentir” melhor. O motor não pode falhar, afogar ou pipocar. Sua aceleração tem que ser uniforme da marcha lenta até o berro final que vai dar. No nosso caso pipocou um pouco. Tudo bem, bastou adiantar um pouquinho, isto é, voltar um pouquinho toda a árvore do distribuidor no sentido anti-horário. Novas aceleradas. Bom. Novas partidas. Ótimo. Bateu, pegou.

Assim, entendendo o que foi feito e o que pode ser feito em caso de novas falhas ou desregulagens, fica bem mais fácil para este neófito que vos escreve.

Agora é questão de rodar e observar se está carregando direitinho, se o carro está funcionando bem, etc.

Particularmente ainda tenho uma propensão a achar que a bateria – apesar de tudo – está meia-boca mesmo…

VII Encontro de Veículos Antigos de Jacareí

Como o título já diz, trata-se do VII Encontro de Veículos Antigos de Jacareí, município de São Paulo, realizado juntamente com as comemorações do aniversário da cidade. Estive lá neste sábado, pouco antes do almoço, com a Dona Patroa e as crianças. Só lamentei que a presença dos Opalas estivesse meio que em baixa… Da última vez que fui num encontro desses, em São Francisco Xavier, a turma do Projeto 676 de São José dos Campos, esteve lá em peso. Mas desta vez a presença marcante foi mais dos carros antigos MESMO – e dá-lhes calhambeques!


Sempre achei um charme esse tal de Karman Guia…


Eis aí um autêntico Chevrolet Impala 1961, antepassado dos nossos Opalas.


Outro belo exemplar da linha Chevrolet.


O bom, velho e histórico Aero Willys.


Para quem achasse que feiras de antiguidades seriam eventos somente para veículos leves, eis aí a prova em contrário.


Até onde pude perceber esse era o calhambeque  mais antigo da feira.


Um robusto Chevrolet Sedan de 1940.


Um conservadíssimo Ford Phaeton 1928.


Um outro Ford – desta vez de 1930.


Eu acho que este deve ter sido alguma espécie de carro de corridas…


Um imponente Chevrolet 1934.


Este me lembrou o Doc, do filme Cars


Dodge Chrysler Charger R/T 1976.


Não teria sido uma verdadeira feira de antiguidades se não houvesse ao menos um representante dos fusquinhas!


Opala 1969 – parecendo que tinha acabado de sair da fábrica!


Conservadíssimo!


Um SS tunado.


Vou ser bastante sincero: não é questão de machismo, mas rosa não rola!


Ah, um jipinho Willys… Já tive um desses há muito tempo. Mas o meu “já” era de 1952.


O único dos (poucos) Opalas totalmente original.


A tradicional foto de um Miura do lado de outro…


Tá, eu sei, esse não é antigo. É de 1985. Mas até que é bonitinho!


Por incrível que pareça, é um Monza!


Essa foto foi tirada pelo meu filhote de 8 anos. Enquadramento perfeito!


Quase um século separa a turma de lá com o rapazinho de cá.

Comprinhas básicas

Comprinhas básicas na “promoção relâmpago” do Lanterneiro, loja de autopeças de São José dos Campos, SP. Todo sábado, das nove às dez da manhã, eles dão um desconto fenomenal em todas as mercadorias. Pra se ter uma ideia do vuco-vuco até senha tem que ser distribuída. De minha parte fui comprar o conjunto de capas dos pedais, bem como o próprio pedal do acelerador para o Titanic II. De R$45 saiu por apenas cerca de R$25,00…

😀

Batendo na bateria

Não, apesar do dia, o post de hoje não é mentira.

O motor de arranque vai bem, obrigado. O do quatro cilindros. Que está no Titanic II, de seis cilindros. O problema agora é outro.

Bateria.

De manhã (ou à tarde ou à noite), na hora da partida, tudo que se ouve é aquele “nhóin… nhóin… nhóóóin…” e pronto.

NÃO VIRA.

Pesquisarei alternativas para baterias para aguentar um motor de seis cilindros. Depois aviso o que fiz.

Enquanto isso GRAÇAS A DEUS o carro pega fácil com um tranquinho leve…

Arrancando os cabelos e o motor de arranque

Apesar de ter devolvido o motor de arranque original ao Titanic II, o mardito fiadaputa pifou de novo…

A dureza do japonês da autoelétrica é que o bichinho é ocupado pra caramba. Creio que já disse que ele não tem uma placa sequer em sua oficina e ainda assim sua agenda vive lotada.

Mas, sendo sabadão e tendo toda a paciência (e teimosia) do mundo à minha disposição, eis que fui lá até que ele pudesse tentar resolver meu problema.

Antes de mais nada foi necessário “destravar” o carro, pois o motor de arranque estava remontando na cremalheira. Ah, eu não falei que o carro travou? Ficou num ponto que não adiantava sequer tentar dar um tranco, pois o motor de arranque girava junto. Dentre sobre dente em vez de dentes encaixados na sequência. E eu estava na padaria. Deixei o câmbio no ponto morto e lá foi o Jamanta empurrar de novo o Titanic II. Sozinho. Ligeira subida. Até em casa. Se alguém achar algum pulmão largado na rua por aí é o meu…

Bem, já em casa, para destravar aquela remontagem, bastou arrancar a capa de proteção e com uma chave de fenda das grandes e reforçadas fazer a cremalheira girar. Sim, entrando debaixo do carro. Sim, dando um tranco. Não, não se sai com a roupa limpa de uma dessas…

Cheguei lá pelas nove da manhã. Aguardei pacientemente e resolvi tomar umas quatro ou doze latinhas de cerveja enquanto esperava. Saí de lá mais ou menos às três e meia da tarde. As duas últimas que tomei já não eram latinhas, mas sim garrafas. Junto com o japonês e seu ajudante, o Magrão. Zuzo genti bôua…

Hein? O motor? Ah, arrumou de novo o do quatro cilindros e colocou lá até “dar um jeito” no original…

Aguardemos.

Com uma aspirina no bolso, de preferência…

Alumiando

A garagem de casa é escura.

Não tem outra maneira de falar ou de suavizar. Dá pra se perceber pelas fotos do post de ontem. Ficou bem claro. É escura.

Tá certo que uma boa tinta nas paredes já ajudaria um bocadinho, mas sequer estou conseguindo tempo para o carro, que se dirá para as paredes?…

Bem, pra suavizar um pouco a coisa a solução foi arranjar dois conjuntos completos de lâmpadas fluorescentes – calha, reator e lâmpada. Daqueles “pra oficina” mesmo. Ficou vintão cada conjunto. Relação custo-benefício. Se fosse o de duas lâmpadas sairia trinta e cinco cada…

Reatorzinho eletrônico a prova de burro. Fio preto e marrom para 220 volts ou fio preto e branco para 110 volts. Isolei o branco. Aproveitei que estava mexendo na rede elétrica e já “ativei” uma tomada numa das paredes, onde antes só havia a caixinha vazia. Tomadinha dupla, bem perto do carro. Bom para ligar furadeira, lâmpada auxiliar e itens do gênero.

Enfim, instalei as lâmpadas.

Miorô.

Mas ainda ficou escuro.

Não tanto quanto antes.

Mas ainda escuro.

Por que não comprei a calha dupla?

Maldito mão-de-vaca…