Recordando…

E eis que já tá acabando o ano…

Numa noite insone, diretamente das sombrias catacumbas de meu computador, eis que encontrei alguns bons e velhos textos e poemas interessantes, que me tocam a alma…


O que é REALMENTE IMPRESSIONANTE é que o poema seguinte tanto pode ser lido no sentido normal quanto de trás para frente (verso a verso) – o que muda totalmente seu sentido…

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…

CLARICE LISPECTOR


EU QUISERA

Eu quisera que encontrasses nos meus olhos
Todas as respostas que não sei te dizer;
Eu quisera que procurasses dentro de mim
Tudo o que ainda não consegui encontrar;
Eu quisera que estivesses realmente segura do que és – és tu para mim;
Eu quisera que todo meu ser não tivesse um só segundo para mim
Eu quisera muitas coisas
Mas resumindo, eu só quero que tu me queiras
Eu quisera acima de tudo o teu amor.


ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

ALPHONSUS DE GUIMARAENS


LIBERDADE

Você tem liberdade de ser você mesmo, de ser o seu próprio eu, aqui e agora, e não há nada que possa impor-se no seu caminho. Essa é a lei da Grande Gaivota, a lei que é. Cada um de nós é uma ilimitada idéia de liberdade, uma imagem da Grande Gaivota, e todo o corpo de vocês, da ponta de uma asa à ponta da outra, não é mais que o próprio pensamento de vocês.

Se a nossa amizade depende de coisas como o espaço e o tempo, então quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade. Mas, ultrapassado o espaço, tudo o que nos resta é AQUI. Ultrapassado o tempo, tudo o que nos resta é AGORA. E entre AQUI e AGORA você não crê que poderemos ver-nos uma ou duas vezes?

RICHARD BACH

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

E Guarulhos decola!

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 05, de setembro/2005 )

Definitivamente o Município de Guarulhos resolveu decolar, alçando um vôo em escalas jamais previstas nas pistas de seu próprio aeroporto. Porém essa decolagem diz respeito à adoção do software livre no âmbito do próprio Município de Guarulhos.

Neste último dia 11 de setembro foi realizado um Seminário sobre Software Livre na Prefeitura Municipal de Guarulhos – espero que apenas o primeiro de uma série. Nas palavras dos organizadores:

“No atual contexto nacional e internacional, o Software Livre vem ocupando um espaço cada vez maior, tanto na esfera pública quanto na iniciativa privada. Hoje em dia, existem soluções livres de altíssima qualidade para uma quantidade muito grande de atividades, tanto em servidores de rede quanto em estações de trabalho. Cientes da importância social e econômica do software livre, a Prefeitura de Guarulhos realiza o seminário sobre Software Livre, com o objetivo de disseminar os conceitos de software livre e incentivar o seu uso na administração pública e na cidade e Guarulhos.”

E assim, através de palestras e apresentações – às quais eu tive a felicidade de estar presente – é que se desenvolveram as atividades nesse dia memorável. A seguir, algumas delas…

Elói Pietá – Prefeito Municipal

Com todo o respeito ao excelentíssimo senhor Prefeito Municipal de Guarulhos, a impressão que se tem ao conhecê-lo é que o negócio dele continua sendo a boa e velha máquina de escrever. Que o computador, na prática, ainda não faria parte de seu dia a dia. Talvez lhe falte um pouco daquela vivacidade que costuma tomar conta dos apaixonados por software livre quando defendem sua causa.

Mas não se enganem: sua percepção se demonstra aguçada ante o simples fato de ele ter depositado o voto de confiança em sua equipe para que se implante esse projeto que, ainda que não seja revolucionário, ao menos é ousado o suficiente para abalar as estruturas tradicionalíssimas de um poder público municipal.

Simplesmente não conheço nada de seu plano de governo ou das metas para sua administração, mas sei reconhecer um pessoal engajado e com competência para realizar seus planos quando decididos. E, sinceramente, lá tem uma boa turma assim.

José Luiz F. Guimarães – Secretário de Admnistração

Magro, barba suave, já um tanto grisalha, e ostentando um rabo de cavalo que faz lembrar – de longe – o Mestre Jedi vivido por Liam Neeson em Star Wars I…

Em sua abertura frisou que a política adotada pelo Município será o de uso PREFERENCIAL do software livre, o que por si só já se revela como uma boa notícia, pois demonstra que não existe – aparentemente – a intenção de se forçar o usuário à aceitação de uma nova situação, mas que o trabalho será de desenvolvimento, adaptação, persuasão e conquista desse mesmo usuário.

Frisou quatro pontos que foram decisivos para a decisão pela adoção do software livre.

Em primeiro lugar, a autonomia tecnológica. O software livre definitivamente permite ao usuário se libertar das amarras do software proprietário, de modo que ele se torna customizável para atender suas demandas específicas. Contudo, na minha opinião, há que se providenciar o treinamento e a especialização de uma boa equipe, pois sem ela um projeto desse porte estará fadado ao fracasso. Simplesmente não funciona. O usuário mediano não está interessado em programação e configuração, mas simplesmente em sentar em frente de sua máquina, fazer seus textos, elaborar suas planilhas, visitar alguns sites, encaminhar e-mails, etc.

Em segundo lugar, o compartilhamento da experiência com outros Municípios. Essa, pessoalmente, eu acho uma decisão louvável. Sou da opinião de que temos que aprender com os erros dos outros, pois não teremos tempo de cometê-los todos. Da mesma maneira que Guarulhos poderá se aproveitar da experiência de migração para o software livre já realizada em outros municípios, também assim poderão outros municípios, futuramente, sorver da experiência dessa cidade, evitando cometer eventuais equívocos que tenham ocorrido, bem como acelerando seus próprios processos de implantação face a uma experiência bem sucedida.

Em terceiro lugar, seria uma solução para a pirataria. Cumpre-me ressaltar que a pirataria não tem fim. Simples assim. Por mais que haja a preocupação com sua erradicação, a atividade bucaneira já é uma “tradição” que está total e completamente arraigada no inconsciente coletivo da comunidade. Aquele que nunca usou um software pirata que atire o primeiro disquete!

E, em quarto lugar, significaria uma redução de custos. Pelo que entendi, redução esta não só no tocante à emissão de licenças de uso, como também na própria manutenção das máquinas, uma vez que, com software ESTÁVEL, acabaria a necessidade de remessa diuturna de equipamentos à manutenção, havendo também o prolongamento da vida útil dos mesmos.

Assim, com esses parâmetros em mente decidiu-se pela adoção em escala municipal de alguma das versões da distribuição Debian, que fará conjunto com o Open Office já na implantação do software livre. Outros produtos alternativos, com o tempo, seriam também devidamente homologados para utilização.

Com essa decisão já foi possível fazer um cálculo matemático de que a economia aos cofres públicos chegaria, num primeiro momento, a cerca de R$734.000,00 por ano!

Ou seja, a meta adotada é justamente “vencer a resistência ao novo”. Entenda-se, no caso, que essa resistência dar-se-ia por parte de novos usuários, que não estariam dispostos a mudar sua maneira de trabalhar, de pensar, face a algo que não conheceriam.

Para colocar em prática esse projeto foi criado um Grupo Permanente de Software Livre, cuja sigla, GPsL, ao menos para mim, não deve ter sido elaborada com essas letras por mera coincidência…

Gustavo C. Q. Mazzariol – Metrô de São Paulo

Num primeiro momento passa a impressão de ser um mero tecnocrata que estaria ali para simplesmente nos passar números e gráficos que comprovariam o sucesso pessoal de seu gerenciamento.

Ledo engano.

Se o Metrô de São Paulo tiver 30 anos, então ele está lá há pelo menos 32… Conhece absolutamente TUDO acerca dos desdobramentos daquela obra, bem como é um dos responsáveis – senão O responsável – pela implantação do software livre no Metrô.

Em primeiro lugar fez questão de frisar que software livre é diferente de software grátis. Um software pode ser livre e não ser grátis, bem como pode ser grátis e não ser livre. Destacando-se o fato de que sendo grátis não significaria que seria um software de “segunda linha”, mas simplesmente que deveria obedecer ao conceito do copyleft.

Nesse sentido fez a explicação acerca do que seria o software livre, comparando-o com uma “receita de bolo de chocolate da vovó”… Ou seja, ela teria uma receita de bolo que seria delicioso e a compartilharia com outras pessoas, suas irmãs, filhas, etc. Elas, por sua vez, poderiam perceber que haveriam alguns itens a serem melhorados nessa receita e os acrescentariam por conta própria, e, assim o fazendo, teríamos um bolo mais saboroso, de qualidade ainda melhor que o original. E essa nova receita seria compartilhada de volta com a vovó, com as demais pessoas que já a tinham e com quem mais a quisesse. E essas outras pessoas poderiam simplesmente receber e usar a receita do jeito que estaria ou melhorá-la mais ainda, repetindo assim o ciclo e “lapidando” cada vez mais a receita.

Ora, o software livre possui exatamente esse mesmo princípio. A única obrigação que um usuário de software livre – qualquer que seja – teria, seria somente o de estar sempre compartilhando não só o próprio software, como também os melhoramentos que viesse a introduzir no mesmo. Daí o ponto que eu sempre ressalto: para uma implantação em larga escala há que se ter um pessoal técnico capacitado para poder efetuar por conta própria todas as adaptações e melhoramentos, sob o risco de se ficar eternamente preso a alguma emmpresa ou entidade que seria detentora da capacidade de realizar esse trabalho.

Destacou que para a implantação do software livre não bastaria simplesmente o argumento de corte de despesas, uma vez que é imprescindível também investir em qualidade. Não se trata de uma alternativa: ou se cortam despesas ou se investe em qualidade. Isso porque, para que se obtenha um real sucesso, NUNCA se deve abrir mão da qualidade.

Dessa maneira, numa real análise das necessidades dos usuários, fica mais fácil perceber que para determinadas situações – ainda que poucas – realmente o software livre não seria viável, de modo que um sistema híbrido é o que atenderia da melhor maneira os usuários.

Independente disso, há que se ter PERSISTÊNCIA, pois toda inovação implica, também, em mudança cultural. O usuário tradicional por excelência é dotado não só de rebeldia como extremo conservadorismo, sendo em sua maioria avesso a mudanças.

Daí a necessidade de se ter CRIATIVIDADE na crise, pois a crise seria mesmo uma oportunidade que se apresenta para implantação de novos conceitos. E essa criatividade deve ser levada em consideração em todas as situações.

Citou como exemplo a renovação do parque informático. Ao consultar um usuário tradicional se gostaria de ter um equipamento mais novo e mais potente este responderia: “Sim, é lógico!” Daí o pulo do gato: “Ok. Porém esse equipamento não virá com o MS-Office, mas com o Open Office.” Ora, se o usuário responder que assim ele não quer, ótimo. Vamos para um outro que queira. Simples assim. Que ele continue com a sua máquina antiga até que esteja disposto a mudar seus próprios conceitos.

E não é tão difícil assim, pois existe software livre para praticamente todas as situações. Citou a relação do que é usualmente utilizado por ele:

 - Sistema Operacional:       Debian Sarge
 - Interface Gráfica:         Blanes 2004
 - Suíte de Escritório:       Open Office
 - Navegador de Internet:     Firefox
 - Gerenciador de E-mail:     Thunderbird
 - Gerenciador de Arquivos:   Konqueror
 - Manipulador de Imagens:    Gimp
 - Banco de Dados:            MySQL / Postgree
 - Rede:                      Nagios

 
E quem olha e utiliza seu notebook, ainda que usuário ferrenho do MS-Windows, pode nem vir a notar a diferença…

E, dentro de sua conclusão, chamou a atenção para o fato de que o software livre não pode ser associado a ideologia, credo ou bandeira política.

Heh… Nesse sentido, pessoalmente, acho um pouco complicado, pois os próprios usuários e desenvolvedores de software livre são ferrenhos defensores de suas distribuições e aplicativos… Mas, creio eu, ele não estava se referindo à esse tipo de conduta, mas sim à vinculação do software livre, principalmente, a algum tipo de conduta política, o que certamente contaminaria os ideais necessários para sua implantação.

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Ctrl-C nº 05

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 05, de setembro/2005 )

* NOTA: Essa foi a abertura de uma das edições de um e-zine que escrevi, de nome Ctrl-C, a qual transcrevo aqui no blog para viabilizar futuras buscas por artigos.

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    #####       ##            ####          #####      set/05
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 ###########  ###### ####     ####       ###########
   #######     ##### ####     ####         #######  Ctrl-C 05
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      Hoje não é o forte que engole o fraco.
      É o ligeiro que mata o lerdo.
                                   ( Joelmir Betting )
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Buenas.

Heh… Que tal essa? Menos que um e-zine por ano… Isso deve ser algum novo record editorial…

Pois bem. O digníssimo “www.habeasdata.com.br” morreu. Faleceu singelamente, sem que (quase) ninguém percebesse. Deixou bens, documentos, saudades e herdeiros. E o seu herdeiro direto é o “www.legal.adv.br”, um site bem mais LEGAL, tanto no sentido estrito, quanto no sentido amplo da palavra. E justamente em função desse novo site, onde mantenho um pseudo-blog, é que deixei de trazer informações mais recentes aqui para o nosso clássico Ctrl-C.

Da última vez que me manifestei neste espaço meu segundo filho estava começando a falar. Nada de novo debaixo do sol da Dinamarca, pois agora meu TERCEIRO filho é que está querendo começar a falar. Mas não se preocupem. Chega de filhos. Já contratei um bom taxidermista, mandei cortar, empalhar, e pendurei na parede, sobre uma placa com os seguintes dizeres: “Cumpriu seu dever com honra!” Ou, nas palavras de um amigo, transformei a zona industrial em área de lazer…

Continuo na Prefeitura de Jacareí, ainda na área de Licitação, Contratos e Convênios, agora já na segunda gestão. Cada dia aprendendo um pouquinho mais dessa área absurdamente prolífera em novidades. Também continuei com meus estudos genealógicos – que, atualmente, encontram-se no freezer por algum tempo. Tenho que dar uma centrada na vida.

Meus gibis – pra desespero da Dona Patroa – continuam se multiplicando, e tenho brincado um pouco mais com gravação de CDs e DVDs. As famosas “cópias para avaliação perpétua”. Ou seja, nada de diferente do resto do mundo.

Mas não é segredo nenhum que eu só retomo este espaço quando tenho alguma coisa enroscada na garganta, encalacrada em meu cérebro, querendo tomar forma e necessitando sair para o mundo real. Tenho conseguido um bom desabafo nas páginas do Legal (psicóloga pra quê?), mas percebi que o assunto que pretendo focar aqui – software livre na Administração Pública – iria tomar um espaço muito grande. Então nada melhor que gastar um pouco da paciência de vocês no bom e velho estilo Ctrl-C – Ctrl-V…

 [ ]s!                  ________________         _
                         __(=======/_=_/ ____.--'-`--.___
                                        `,--,-.___.----'
 Adauto                           .--`--'../
                                 '---._____./!

                             INFORMATION MUST BE FREE !

 
ADVERTÊNCIA:

O material aqui armazenado tem caráter exclusivamente educativo. Como já afirmei, minha intenção é apenas compartilhar conhecimentos de modo a informar e prevenir. Não compactuo nem me responsabilizo pelo uso ilegal ou indevido de qualquer informação aqui incluída. Se você tem acesso à Internet e está lendo estas linhas significa que já é grandinho o suficiente para saber que a utilização deste material visando infringir a lei será de sua própria, plena e única responsabilidade.

Você pode, inclusive com minha benção, reproduzir total ou parcialmente qualquer trecho deste e-zine. A informação tem de ser livre. Mas não se esqueça de citar, também, quem é o autor da matéria, pois ninguém aqui está a fim de abrir mão dos direitos autorais.

NESTE NÚMERO:

I. E Guarulhos decola!
II. IV. Edição Anterior

O homem; as viagens

Poético…

Ontem à noite a Lua estava linda, o clima gostoso e, tal qual como aconteceu com Rita Lee ao compor a música “Mania de Você”, eis que minha veia poética veio à tona. Deixemos tudo o mais um pouco de lado e desfrutemos uma saudável auto-avaliação…

O HOMEM; AS VIAGENS

O homem, bicho da terra, tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua.
Desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua
Vamos para Marte – ordena a suas máquinas
Elas obedecem, o homem desce em Marte.
Pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte…

Marte humanizado: que lugar quadrado!
Vamos a outra parte?
Claro – diz o engenho
Sofisticado e dócil
Vamos a Vênus
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto – é isto?
idem
idem
idem.

Restam outros sistemas fora
do solar a colonizar
ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

(Sim, essa é do VERDADEIRO Drummond. E não como aqueles textos pífios em Powerpoint que de quando em quando recebo e que costumam vir com a “assinatura” de autores consagrados, numa vã tentativa de lhes dar credibilidade).

Tirinha do dia:
Deus!

Escrevinhação do Damásio Santiago

Quinta “normal” (cadê aquele friozinho gostoso?)

Volto mais uma vez com esta coluna diária, que, semanalmente, publico uma vez por mês…

Respondendo às perguntas: voltarei, dentro em breve, aos comentários sobre a Lei nº 9.609/98, assim que consiga devolver ao meu dia as 24 horas que ele costumava ter antigamente.

Pra não passar em branco, e com sinceros agradecimentos ao amigo Paulo (http://www.ohermeneuta.ubbi.com.br), segue um texto escrito por Damásio Santiago da Silva, da 5ª Vara Cível do Fórum de São José dos Campos, SP, comprovando que os poetas não morrem jamais, apenas têm sua veia artística adormecida dentro de si, aguardando o momento exato para brindar o mundo com sua arte…

ELA ESTAVA LINDA!

Um contorno iluminado, realçando bem mais o seu esplendor.

Discretamente, assentei-me num banco da praça e absorto fui bebendo a sua beleza com todo gosto de um homem insaciável.

Sua forma arredondada, bem cheia, abasteciam meu olhar fixo, deixando-me hipnotizado.

Fiquei ali, absorto, por um longo tempo embevecido.

Minha imaginação fluía, minha mente coordenava meu desejo latente de um simples encontro.

Por algum tempo aquela presença exuberante me enchia de interrogações: Que se há de dizer de uma rainha tão encantadora?

Como posso expressar-me de forma tão nobre a ponto de não esvaziar o conteúdo da sua elegância? Como traduzir sem erros a vontade de contemplá-la?

Então arrisquei-me colocar as idéias no papel com certa plausibilidade, expressando o máximo respeito e cuidado.

Arranhando algumas linhas fui deixando o coração dizer o que os olhos traduziam às impressões íntimas dos sentimentos, com a correspondência respeitosa da mente.

Habilitei-me gastar um tempo na contemplação e outro na dissertação, transcrevendo certos dados que o meu cérebro transmitiam-me.

E ela, ali mesmo paralisada, sem esboçar qualquer movimento se deixava fotografar pelos meus olhos incandescentes e minha caneta registrava tudo que podia com a mais rapidez possível, temendo a sua partida.

As horas foram passando, o tempo fora embora. Eu precisava partir. Mas fui feliz, sussurrando: Que Lua!…Que Lua!…

Autor: Damásio Santiago da Silva

Tirinha do dia:
Deus!

Dia da Mulher

(Terça ensolarada)

Buenas!

Eu ia originariamente escrever parabenizando as mulheres pela data de hoje… Mas, pensando bem, pra quê?

É JUSTO ter um único dia específico para lembrar a importância que o sexo feminino representa no contexto mundial? Ainda mais se esse dia foi feito para “comemorar” a data de um massacre havido no começo do século passado?

Não acho nem um pouco justo.

A chamada mulher moderna já representa tanto no dia de hoje, como nos demais 364 restantes, o poder decisório de nossa sociedade. Desde criança já começam a se preparar para vida adulta em suas brincadeiras de “casinha”; quando adolescentes atingem a maturidade sexual MUITO mais rapidamente que os meninos que as rodeiam; na vida adulta, repletas de charme, feminilidade, inteligência e perspicácia, costumam trazer os homens a seus pés; quando se tornam mães exercem o poder discricionário direcionador da vida de seus filhos, transmitindo-lhes suas experiência, anseios e expectativas; no mercado de trabalho são excelentes profissionais, detalhistas, preocupadas e com uma visão espacial enorme; e, mesmo na velhice, são as matriarcas que possuem o poder agregador ante seus parentes, em torno das quais todos se movimentam, mantendo a coesão familiar.

E nós, meninos? A única diferença com relação à infância é que nossos brinquedos ficam mais caros…

Sei que não estou sendo original, mas, creiam-me, estou sendo FRANCO. Em que pese o sexo masculino achar que o mundo gira a seu redor e segundo seus ditames, é, verdadeiramente em função do sexo feminino, essa presença subjetiva desde nossa mais tenra infância, que as engrenagens do mundo giram. Que o digam todas as heroínas e mártires que se sacrificaram por uma sociedade mais justa. E, também, todas as mulheres comuns, que, com sua presença velada, impulsionam diuturnamente nosso povo sempre avante.

Assim, um VIVA às mulheres! E que não me venham dizer que esta ou aquela merece mais ou menos que outras, por este ou aquele motivo, pois, em verdade, TODAS as mulheres são lindas, maravilhosas, perfeitas e acabadas. E quem achar o contrário é porque não conhece realmente a inexplicável, poética, romântica e misteriosa força contida na beleza do sexo feminino.

Deixo portanto de parabenizá-las por um mero dia, e saúdo-as com a inebriante taça da alegria por todos os dias compartilhados de sua existência!

Sinceramente,

Deste fiel vassalo,

Adauto de Andrade
em 08 de março de 2005.

“Considerações”

(Sabadão… Ano-Novo… Vida Nova? Dia para divagações…)

Sempre ouço falar das famosas mudanças de Ano Novo. Eu mesmo, aqui neste espaço, já fiz algumas promessas nesse sentido…

Sinceramente? Besteira!

Nós não mudamos nossa essência em função de uma simples alteração no calendário. Somos MUITO mais complexos que isso. As verdadeiras mudanças levam tempo. Ou são pontuadas por momentos especiais, quer sejam tragédias, conquistas ou convicções pessoais. Podem até coincidir com a virada do ano, mas seria tão-somente uma coincidência.

Posso falar com alguma propriedade sobre o assunto. No decorrer de minha vida houveram diversas mudanças. Algumas radicais e outras tão suaves que eu mesmo só as percebi quando parei para pensar no assunto. E hoje percebo que essas mudanças, em sua maioria, estiveram diretamente ligadas com o coração. Nessa vida já tive a felicidade de passar por dois amores e inúmeras paixões. Sim, inúmeras, pois sou da firme convicção que todos se apaixonam o tempo todo, quer seja por pessoas, por coisas, por situações, enfim, sei lá. Mas, ao contrário do AMOR, que é perene, a paixão é fogo, que arde e dilacera, até que vai se aquietando e se apaga de vez ou, como na maior parte das vezes, se transforma numa acolhedora brasa, com a qual convivemos – não sem antes ter deixado algumas cicatrizes ou queimaduras…

Quando pequeno era um dos meninos mais comportados da escola. Daqueles que NUNCA tiveram uma nota abaixo da máxima. Faltar à aula era algo jamais cogitado e a obediência cega aos padrões estabelecidos pela sociedade era o roteiro para uma vida feliz. Isso foi a minha verdade durante algum tempo.

Chegou a adolescência e os feromônios se agitaram!… Uma primeira grande mudança. O cabelo cresceu, o gosto musical se tornou mais ácido e tornei-me um rebelde da causa inaparente. A vida era boa e o futuro simplesmente não existia.

Deixando de lado as paixonites de infância, houve uma primeira grande paixão que realmente mexeu comigo. O nome não interessa, mas isso me fez QUERER mudar, entrar naquele mundo tão diferente do meu, fazer parte, simplesmente. O cabelo foi cortado, a gandaia ficou de lado, a escola voltou a ter importância e o futuro passou a existir, ainda que longínquo. Essa foi a segunda grande mudança de minha vida. E o que aconteceu? Nada. Simplesmente ela não correspondeu àquele sentimento que lhe expus. Apesar da pele de cordeiro, minha fama continuava sendo a de lobo… E mudanças, depois de implementadas, são praticamente impossíveis de se desfazer.

Algum tempo passou, a vida continuou e conheci minha alma gêmea (daquela época). Enamoramo-nos e casamo-nos. A vida era boa e o futuro havia chegado. Mesmo casados por quase dez anos, fomos um mero casal de namorados. E como qualquer casal, o relacionamento se desgastou. Foi uma mudança mais sutil, mas foi uma mudança. Os valores da adolescência foram ficando de lado e a vida adulta manifestou-se no dia-a-dia. De tal maneira que aquela vida “deixou de me servir”. Eu queria mais. Queria mais compreensão, mais parceria, mais vida doméstica, mais desafio profissional. O desfecho final se tornou óbvio: separamo-nos.

E, enfim, casei-me novamente. Amo minha esposa, bem como os três filhos maravilhosos que temos. Reconstrui (mais uma vez) minha vida e hoje temos uma situação, se não ideal, ao menos administrável…

E o que me fez escrever esse texto? Recentemente senti no ar algo que me cheirava a ventos de mudança. Algo impalpável, uma coceira que não passa e não tem como alcançar… E vi-me obrigado a reavaliar muita coisa em minha vida. A primeira impressão que tive foi que eu havia mudado muito no decorrer de tantos anos. Que os interesses já não eram mais comuns e que a solidão – ainda que cercado de pessoas – cada vez mais se fazia presente… Porém, revendo o assunto como um todo, pude concluir que todas essas mudanças pelas quais passei foram na realidade uma evolução. Não quero dizer que evolui para um ser melhor e mais bem acabado; simplesmente evolui. O que sou HOJE é reflexo de TUDO por que já passei. Tanto as coisas boas quanto as ruins. Caso tivesse faltado algo, eu simplesmente não seria a mesma pessoa.

Por mais que me sinta tentado a resgatar uma fase boa que já passou, ora, JÁ PASSOU. Devo, sim, manter presente aquelas características que me tornaram o que hoje sou, mas também devo aprender com minha vida atual e, principalmente, com minha cara-metade. Isso não significa obediência cega – que seria submissão – nem tampouco revolta total – que seria conflito. Não desejo uma coisa nem outra. Mas o caminho do meio. E o caminho do meio implica num trabalho constante e duradouro. Não tem fim! Mutuamente apontar os erros e reconhecer os acertos da mesma maneira que avaliar os próprios erros e comemorar os próprios acertos.

Não pretendo matar ou sufocar minha essência até que seja necessária nova erupção vulcânica de mudanças. E impor meu ponto de vista seria de igual maneira sufocar ou matar a personalidade de outrem. A vida É boa e o futuro voltou a ser longínquo. E é lá que deve ficar.

Problemas existem e sempre existirão. A caixa de Pandora foi aberta e cada vez mais se escancara… Seus males jamais retornarão! A competência de evoluir é intrínseca a cada um de nós para que possamos suplantar – e aceitar – esses “males” no decorrer de nossas vidas. É de uma agradável falsidade achar que a vida já foi melhor e que poderíamos retomá-la de algum ponto no passado. De igual maneira a revolução e o reinício também poderia ser encarado como simplesmente mais uma fuga, se acovardar diante do problema ao invés de enfrentá-lo.

E essa é, hoje, a minha verdade!

TE AMO MI…