Slow down

Então.

Já vou avisando que a produção literária (ou devo dizer “blogária”?) dos próximos dias será bastante restrita. Lembram-se do malfadado acidente do final do ano passado? Ainda continua rendendo “frutos”…

Ontem fiz uma pequena cirurgia para retirar um cisto que cresceu no pulso direito em função do trauma da batida. E isso é só uma preparação para a próxima: reconstruir o ligamento do joelho esquerdo.

Heh… Agora eu sei como se sentia o “homem de seis milhões de dólares” – todo remendado…

Como é horrível ter que ficar digitando só com uma mão, limitar-me-ei mais a referências que a textos propriamente ditos. Mas, ainda assim, tentarei não faltar por aqui!

Questão de relevância

De repente, não mais que de repente, lá estava eu envolvido numa reunião de condomínio. Num prédio de mais de cem apartamentos conseguiu-se reunir o número mínimo legal de representantes suficientes para votar a destituição do síndico. Resolveram acabar com o jugo arbitrário que até então ele vinha exercendo, tomando decisões a seu bel prazer, desrespeitando a própria convenção do condomínio, fazendo terrorismo com os condôminos, falsificando atas de reuniões, faltando para com a verdade de um modo mais amplo possível e imaginável. A gota d’água aconteceu minutos antes dessa assembléia, quando não foi possível que os presentes entrassem no salão de reuniões pela porta da frente (sendo-lhes relegada a entrada pela copa), eis que o síndico – sabedor desse encontro – simplesmente pegou a chave do salão na portaria, enfiou no bolso e saiu, como se fosse dono e senhor absoluto do pedaço.

Mas isso não é relevante.

Num ato comemorativo à destituição do síndico (deposto por unanimidade dos presentes) eis que sentamo-nos à mesa de uma movimentada padaria, rodeados pelos mais diversos tipos de pessoas, falantes, caladas, tristes, alegres, sóbrias, bêbadas, e de repente, não mais que de repente, meu amigo, chapa, camarada e copoanheiro, recebeu uma ligação de uma antiga paixão e, depois de muitos anos, parece que uma pequenina chama ainda arde no peito de ambos. É o tipo de coisa que se percebe pelas palavras ao telefone, pelo olhar perdido no vazio, pelo sorriso que involuntariamente escapa dos lábios, pela alegria com que fala da pessoa após a ligação, rememorando os velhos tempos.

Mas isso também não é relevante.

Estando lá eu sentado, aguardando o fim da ligação do parceiro (e eventualmente metendo meu bedelho na conversa), eis que de repente, não mais que de repente, o rapazola da mesa ao lado, nitidamente bêbado (ou talvez cheirado, pelo jeitão dos olhos e das narinas), virou pro meu lado, se apresentou e resolveu puxar um proseio sobre política. Comigo. Resolvi dar trela pro desinfeliz. Tentou portar-se de modo democrático, fazendo parecer num primeiro momento que ouvia algo do que eu falava, mas logo em seguida passou a defender uma linha de raciocínio de que existiam políticos sacrossantos, quase merecedores de canonização de tão dedicados, desinteressados e incorruptíveis. Argumentei que na vida real não era bem assim, que é lógico que na política da mesma maneira que existe gente muito boa também existe gente muito ruim, mas que não deveríamos ver o mundo de um modo simplista, em preto e branco, mas sim de acordo com suas diversas nuances de cinza. Ainda assim, continuou com seu palavrório falando do “nosso querido” governador e futuro presidente (“seu”, eu corrigi), do “nosso querido” prefeito e futuro governador (“seu”, corrigi novamente), mas acabou por perder a esportiva quando fizemos (a essa altura a ligação já havia acabado) perguntas simples acerca de medidas óbvias que os “queridos” políticos dele simplesmente não tomaram, ainda que cientes. Chegou ao ponto em que resolvemos deixar o ébrio de lado, viramos as cadeiras e voltamos à nossa conversa, deixando-o a resmungar consigo próprio. Suas últimas palavras foram algo do tipo “todo petista é nordestino, analfabeto e ladrão”.

Mas nada disso é relevante.

O que de fato tem relevância é quando você vê que o caboclo que passou os últimos dez minutos enchendo o saco com seu discurso teocrático direitista xiita simplesmente derramou um copo inteirinho de cerveja no próprio colo (sim, a calça parecia ser de marca) e levantou meio que escorregando para ir embora. E mais. Passados outros dez minutos, quando também decidimos ir embora, estavam o frangote e seu amigo anabolizado brigando, meio que de escanteio, ali na área do caixa porque não conseguiam ter coordenação motora o suficiente para passar o cartão na maquininha. “Eu sei que você até tem o direito de chamar a polícia, mas sem pagar a conta daqui vocês não saem”, foi o que ouvimos. Não tivemos dúvida. Pagamos nossa conta, olhamos para os olhos injetados e furiosos do rapazelho, e, sorridentes, em uníssono dissemos para a moça do caixa: “ENTÃO TÁ TUDO CERTO E PAGO. OBRIGADO, VIU?”.

Há muito tempo que eu não ria tanto ao sair de algum lugar…

Introspecção

Dragão afetando o equilíbrio...De quando em quando bate aquele sentimento de instropecção absoluta. Do tipo síndrome de interior de casca de tartaruga mesmo. Aquelas coisas de oncotô, quicofaço, poncovô… Nessas horas me valho do bom e velho Richard Bach, num livro que – pra mim – é velho como o tempo, pois já perdi a memória de quando o li pela primeira vez, ainda na minha infância. Mesmo no atual momento e de acordo com as coisas pelas quais venho passando, ainda assim tem algumas tiradas que SEMPRE me faz pensar…

Aprender
é descobrir
aquilo que você já sabe.
Fazer é demonstrar que
você o sabe.
Ensinar é lembrar aos outros
que eles sabem tanto quanto você.
Vocês são todos aprendizes,
fazedores, professores.

– # –

Você
ensina melhor
o que mais precisa
aprender.

– # –

O
melhor meio
de fugir à responsabilidade
é dizer: “Tenho
responsabilidades”.

– # –

Você é levado
em sua vida
pela criatura viva interior,
o ser espiritual brincalhão
que é o seu ser verdadeiro.
Não dê as costas
a possíveis futuros
antes de ter a certeza de que não tem
nada a aprender com eles.
Você está sempre livre
para mudar de idéia e
escolher um futuro, ou
um passado
diferentes.

– # –

Não existe
um problema que
não ofereça uma dádiva
para você.
Você procura os problemas
porque precisa das dádivas
por eles oferecidas.

– # –

O laço
que une a sua família verdadeira
não é de sangue, mas
de respeito e alegria pela
vida um do outro.
Raramente os membros
de uma família se criam
sob o mesmo
teto.

– # –

Nunca lhe dão
um desejo sem também
lhe darem
o poder de realizá-lo.
Você pode
ter de trabalhar por ele,
porém.

– # –

Cada pessoa,
todos os fatos de sua vida
ali estão porque
você os pôs ali.
O que fazer
com eles cabe a você
resolver.

– # –

Eis aqui
um teste para verificar
se a sua missão na terra está
cumprida:
Se você está vivo,
não está.

Quarenta (mas com corpinho de trinta e nove)

Acho que meio que afetado pela onda de saudosismo da Lala, ontem à noite resolvi dar uma fuçada em algumas fotos antigas. E curiosamente encontrei essa que está aí em baixo, todos adEvogados, e que prova que a falta de parafusos deve ser congênita. Da esquerda pra direita: o Santiago, que tem seu escritório em São José dos Campos; o Luís Henrique, que trabalha na Administração Municipal de Guarulhos; a Lúcia Helena, da Administração Municipal de São José; e eu (aproximadamente dez anos atrás e dez quilos a menos).

( Em tempo: a besta que vos escreve cometeu um erro crasso. Não é a Lúcia Helena. É a Cíntia (ex do Luisinho). Um viva à Andréa, sempre perspicaz, que me avisou. Acho que quem tá ficando velho sou eu… )

Aliás, no próximo dia 14 o Luisinho chega aos quatro-ponto-zero. Pois é, o tempo passa, mon ami… Mas já prometi que (dessa vez) não irei cometer nenhuma atrocidade, como fiz com o amigo Themístocles quando fez seus quarenta anos (um dia ainda conto essa história por aqui). Um brinde e um grande abraço ao doutor, compadre, copoanheiro e – sobretudo – amigo!

Zuzo lôco!