Espirais sem fim

Por um acaso você já teve um daqueles sonhos tétricos em que pensa que acordou, mas ainda está dormindo? Normalmente vem acompanhado de alguma situação terrível, quando você tenta gritar para chamar a atenção de alguém, para que percebam que você simplesmente quer acordar e não consegue, e que, apesar de estar gritando a plenos pulmões, na vida real você não está dando mais que alguns resmungos…

Pois é, hoje tive um desses.

Mas foi pior.

Lá estava eu, na minha situação terrível, quando percebi que estava sonhando. Foi então que simplesmente deu aquele estalo: “basta acordar”, pensei. E acordei. Pra variar, dormi na frente do computador. Mesmo assim, fiquei aliviado. Mas, quando fui fazer outras coisas, percebi que estava noutra enrascada, ainda pior. E, depois de algum tempo (sabe-se lá se horas ou minutos: o conceito de tempo fica meio maluco nos sonhos), percebi que ainda estava dormindo.

E o curioso é que dessa vez tive essa noção já na minha cama. E eis que surge nova luta pra acordar, o que se deu a muito custo. Acordei, olhei para os lados e – novamente – fiquei aliviado. Mas alguma coisa ainda estava estranha. De alguma forma eu estava preso ali e não conseguia sair. E percebi que continuava dormindo.

E, daquele novo resquício de sonho em que eu estava na minha cama, após nova e brava luta, finalmente consegui acordar. Resfolegando. Assustado. Tonto. E com receio de estar em outro sonho…

E agora estou eu aqui, a escrever estas linhas, sem ter a plena certeza de que realmente já acordei ou não. E como tudo aquilo pelo que passei não foi real, nem na primeira, nem na segunda e nem na terceira vez – e se agora também não o for? E se tudo isso for um muito bem elaborado subproduto da minha mente? Dá pra pirar, não dá?

Lembro-me de ter lido, já há muito tempo, uma estória de um sábio que dormiu e sonhou que era uma borboleta. E seu sonho foi tão perfeito e tão real que, quando acordou, já não tinha certeza se era um homem que sonhou ser uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando ser um homem…

Realmente, espirais sem fim que dão nó na cabeça da gente!

E olha que nem andei assistindo Matrix por esses dias, hein?

Ainda sobre mudanças

Apesar do romantismo no ar que tem assolado este humilde integrante de um CPLF (leia-se: Casal Pra Lá de Feliz), o tema “Mudanças” continua perene, impregnado à minha volta. E, curiosamente, ainda que por vias transversas, hoje tive contato com um texto muito bom que também tem a ver com o tema em pauta e foi publicado lá no Anjos de Prata, um site que vem disponibilizando textos desde 2000. Segue o conto.

Auto-retrato

Tem dias em que a gente se sente como quem partiu ou morreu. Provavelmente o poeta urbano deve ter tido um dia daqueles quando versou esta preciosidade. Por outro lado, já sem o peso das laboriosas decisões que fazem a roda do nosso mundinho girar, peso que a morte me desobriga carregar agora, talvez eu consiga finalmente falar sinceramente sobre mim. Finalmente estou me sentindo mesmo como quem partiu ou morreu.

Cá estou eu, espectadora do meu próprio velório. Já acompanhei todo o perereco do transporte do meu corpo até São Paulo. Fui sentadinha no banco de passageiros tentando puxar conversa com o motorista que insistiu sistematicamente em ignorar-me. Não esqueçam meu último endereço em vida: Joinville/SC. Portanto, foram quase dez horas de rejeição até o velório municipal de Rio Claro/SP. Magnífico exercício de paciência para quem tem a mania da perfeição forjada pelo desejo irracional e constante de ser aceita neste mundo véio sem porteira. Interessante notar que a gente continua com exatamente os mesmos defeitos quando morre. Nem queria que ele me respondesse mesmo. Aposto que ele tinha bafo e um papo chatíssimo. Me desculpem o comentário maldoso, mas ainda estou ligada às coisas terrenas, sabem como é.

Passeando entre as pessoas presentes no meu velório, fico realmente espantada com a multidão. Será que sou mesmo uma defunta querida? Claro que a maior parte são curiosos cronicamente mórbidos que migraram dos velórios vizinhos. Morreu um bocado de gente esta noite. Mas de longe o meu velório parece ser o mais concorrido dentre as capelas. Afinal, sou uma defunta importada, vim do sul! Noto uma senhora de cabelos obviamente tingidos de loiro-escuro-médio-238 com um escandaloso avental florido. Descascando batatas duma bacia imensa aos seus pés, transborda-se numa torrente desatada e chorosa de lamúrias que parece ter origem num tempo em que o próprio tempo ainda ensaiava existir. “Merda, bosta e cagalhão, que gajo atropelou minha estrela? Também, sempre aluada, ensimesmada, menina calada, só podia dar com os burros, merda, bosta e cagalhão…”. Minha avó. Encosto a cabeça no seu colo e sorrio. Só ela sobre a terra foi capaz de colocar tanta porcaria na mesma frase. Salvo talvez George W. Bush.

Rindo dos poucos modos de minha avó, beijo-lhe as mãos e afasto-me atrapalhadamente. Assim como teria feito se estivesse viva: tropeçando em todos os pés que aparecem e que imagino aparecer no caminho. Uai, morto tropeça, sim! Estabanada a vida inteira não seria diferente na morte. Sempre tive coleção de hematomas pelo corpo. Um jeito pouco salutar mas eficaz de chamar a atenção: todos riam de mim enquanto eu imaginava que riam para mim. A necessidade atroz de ser aceita.

Pode até ser que minha auto-estima sempre foi meio baixa, mas por incrível que possa parecer, nunca tive problemas com ela. Bem, ou quase isso. Sentimentos que considerava menores nunca tomaram conta de mim. Mas não por possuir sentimentos ou alma elevados. Teimosia pura mesmo. Vou lá eu deixar de fazer minhas coisas por causa dessas bobagens? Meto o pé e vou em frente! Mas aviso ao navegantes: isso é ruim, viu? E agora que sou só alma e não tenho mais o corpo a reclamar por desejos imperiosos que desviam minha atenção das dores da alma… ui! A gente devia morrer e levar o analista junto, porque tudo é mais intenso agora.

Me vi no centro de um grupo de primos, muitos que não via há anos, contando piadas sujas e escondendo o riso das tias carpideiras. Eu mesma já participei desta rodinha muitas vezes. Era só tio fulano bater as botas e nos encontrávamos. Minha família é uma das famílias paulistanas mais espalhadas que já se viu. Todo mundo nasce e é enterrado em São Paulo (depois do meu irmão, sou o segundo membro da família que não é enterrado na capital!). Mas tem gente espalhada em Minas, Espírito Santo, Mato Grosso. Tem até um tio avô maluquérrimo, abandonado no altar pela noiva o que o levou a nunca mais bater bem dos pinos, que mora em Roraima. Velório e meio ele aparece. De repente bate um medo-pânico de ser citada na rodinha… É claro que gostavam de mim… precisam gostar de mim! Mas o tom das risadinhas e os olhares na direção do caixão não me encorajam a continuar por ali. Negar sempre foi muito mais confortável do que encarar a realidade. Mania a minha desistir de tudo que começa a ficar mais difícil. Meu mundo era cor-de-rosa sabiam? Estaria com uma taquicardia louca se meu coração não estivesse lá bem mortinho com o meu corpo no caixão. E por falar nisso (fuga estratégica), ainda não fui me espiar. Deixa ver.

Fora um roxão no queixo, tudo em ordem. Tô bonita lá! Tô usando aquele vestido de lã que guardei por anos e só consegui inaugurar quando me mudei para Santa Catarina. Nossa! Nunca pensei que tivesse olhos tão grandes… Todo mundo vive dizendo que são puxadinhos, e para mim puxadinhos ficaram sendo. Ou o espelho me enganou por anos, ou meus olhos cresceram depois que morri. Olha só, estou de batom! Ao menos tiveram o pudor de não usar os vermelhos que usava quando ainda era viva. Sempre achei melhor chamar atenção para a boca do que para o que saía dela. Vai que alguém descobrisse que eu era apenas normal? Vai que alguém descobrisse que nunca entendi nada sobre os arcos góticos perniceais na arquitetura ao sul de Flandres? Jamais!

Minha mãe está sentada na cabeceira de meu caixão. Séria, abatida, mas muito bonita. Sempre achei minha mãe bonita em meio a tragédias. Não que estar morta, para mim, seja uma tragédia. Não que minha família tenha passado por muitas. Até porque tragédias só o são quando acontecem com o vizinho. Ela não chora e fica linda assim. Aprendi com ela e por isso também não estou chorando agora, e olha que quem morreu fui eu, hein? Lágrimas desidratam a pele. Além do mais a gente nasce com um estoque limitado de água para chorar. Se chorar a toa, não sobra lágrima para chorar por um grande amor. Morri sem chorar por um grande amor.

E por falar em amor, olha lá meu primeiro namorado! Ah, se eu soubesse namorar na época teria dado um bom trato no sujeito. Ele parece muito envelhecido. Ou será que minha memória congelou aos 12 anos? Sabe por que nosso namoro acabou? Eu dei um soco nele. Bem no centro do nariz. Pau! Minhas amigas me disseram que ele estava espalhando que tinha me beijado de língua. Fiquei cega de raiva. Essa foi a primeira vez que me deixei dominar por um sentimento tão ruim. A segunda e última foi quando despejei uma menina que morava comigo. Abri a janela e joguei tudo que achei pela frente: copo, discos, livros, cama, vídeo cassete, só não joguei a menina porque a cegueira passou na hora H e sai correndo com ódio de mim e vergonha do mundo. Dentre vários outros fatores ainda não descobertos pela ciência, esses dois rasgos de irracionalidade me fizeram uma pessoa controlada. Emoção é coisa de gente de cortiço, oras!

Ih! Estão fechando o caixão! Ainda não vi meu marido, ou meu viúvo, ou sei lá eu. Imaginava-o compungido e chorando muito. Ele sempre chorou muito. Acho lindo homem que chora. Acho que foi por isso que me casei, alguém tinha que chorar na família, porra! Onde estará nesta…

Sinto alguém me segurando pela mão. Olho para trás. Um moço muito branco, de pestanas muito grandes, lábios muito vermelhos. Seus olhos são iluminados e tem um fio de sangue escorrendo pelo nariz. Meu irmão! Ele ri, e diz como se fosse a revelação que salvará a humanidade: “Se a gente coloca a letra B na frente de Estados Unidos fica ‘Bestados Unidos!’ Mas se a gente coloca a letra B na frente de Egito fica ‘Begito!'”. E me sapeca um em cada bochecha para que não restem dúvidas. Em seguida quase re-morre de falta de ar. Meu irmão sempre teve um senso de humor muito particular.

Saímos dali de mãos dadas. Ele me pergunta se não vou ver o enterro. Dou de ombros. Que diferença faz agora? Nada do que fui poderá ser mudado. O que me resta agora é esperar o próximo bonde. E rogar a Deus para que eu reencarne mais humilde da próxima vez.

Aviso: esta louca que lhes escreve encontra-se sob tratamento médico e sob o efeito de drogas fortíssimas; não representa nenhum perigo para integridade física, psicológica ou moral dos que convivem com ela ou para a sociedade.

Ainda não.

LUCIANA PRIOSTA

Mudanças

Mudanças são difíceis. Sempre.

E não me venham dizer que “temos que estar preparados”, “que quem não muda fica estagnado”, “que a vida é assim mesmo”, etc, etc, etc. Concordo em gênero, número e grau que o estar preparado ajuda bastante, mas NUNCA é o suficiente.

Mas, de fato, mudanças são realmente necessárias. Às vezes gostamos ou não delas, às vezes concordamos ou não com elas, mas, de qualquer modo, ainda assim mudanças são necessárias.

Nos obriga a lembrar que estamos vivos, e, exatamente por esse motivo, que tudo é finito. Desde questões pequeninas, como uma vontade, um compromisso, um encontro, passando por questões maiores, como uma amizade, um relacionamento, um emprego, até mesmo as grandiosas, como a própria vida. Tudo é finito. Tudo é transitório. Tudo acaba.

“Então por que se importar?” – perguntaria o incauto. Pela prudência. Pela incerteza. Pela expectativa do que nos aguarda o amanhã. Sempre temos a equivocada certeza de que seríamos donos de nossos destinos, mas, como diria o poeta, a vida é algo que nos acontece enquanto estamos fazendo outros planos

Então, ladies & gentlemen, se me permitem extrapolar um pouco este nosso relacionamento virtual, aqui vai um conselho: aproveitem. Aproveitem a vida. Aproveitem o momento. Aproveitem a paixão. Aliás, quando digo aproveitar, estou me referindo sempre ao sentido benéfico de qualquer situação! Vê, lá, hein? Quem me conhece sabe que sou um opositor incansável da “Lei de Gérson”; então – por favor – não deturpem minhas palavras!

Somente gostaria que aproveitassem a vida, de um modo geral. Pode ser saboreando um café, um pastel ou até mesmo uma feijoada. Pode ser brincando com seus filhos (ainda que perca de dez a zero), bebendo com seus amigos ou fazendo algum passeio diferente. Pode ser, ainda, através da costumeira e habitual rotina que lhes dá segurança, concentrando-se em seu dia-a-dia, esmerando-se nos seus afazeres.

Mas, qualquer que seja a opção, faça com prazer, com carinho, com dedicação, com certeza de que o momento que está vivendo é único e não voltará mais. Nunca mais. Já passou a fazer parte de sua lembrança e agora somente vai lhe servir de referencial para sua vida futura. Até mesmo a leitura dessas linhas também é assim. Já passou. Pronto. Espero que tenha sido útil, pois o momento, o estado de espírito, a primeira impressão, todo esse conjunto não voltará mais a acontecer da mesma forma que nessa primeira leitura.

Enfim, qual a mensagem do dia? Ou da semana? Ou da vida? Estejam preparados para as mudanças, pois certamente elas IRÃO ocorrer. E o fato de estar preparado sempre fará com que encare melhor sua vida. Com mais segurança. Sem borboletas adejando em seu estômago. Como diria Horácio (não, não o dinossaurinho do Maurício de Souza – estou falando do poeta), não desperdice tempo, aproveita o dia:

Carpe Diem!

Estressado, eu?

Trabalho, trabalho, muito trabalho. Meu braço direito de férias (tá, vá lá: Lua-de-Mel). Uma estagiária em treinamento. Sem notícias de uma nova contratação. Dezenas de contratos, aditamentos e pareceres a serem feitos. Marcação cerrada e cobrança de todos os lados. Triglicérides e colesterol em alta. Cerveja em baixa. Dinheiro também.

Putz, tem dias que dá vontade de voltar pra cama e dormir mais meia hora pra começar de novo…

“Como me tornei louco”

Segue uma pequena colaboração do amigo e filósofo de plantão, Evandro:

Perguntais-me como me tornei louco. Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente, gritando:

– Ladrões, ladrões, malditos ladrões!

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim. E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou:

– É um louco!

Olhei para cima para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez minha face nua. Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei:

– Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!

Assim me tornei louco. E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: e a segurança de não ser compreendido, pois aquele desigual que nos compreende escraviza alguma coisa em nós.

Autor: Gibran Khalil Gibran

Psicose

É interessante de quando em quando nos questionarmos sobre quão tênue é a linha que nos liga à realidade…

Há pouco tempo a filha de uma amiga foi abordada por seu recente ex-namorado que simplesmente surtou! Na véspera o rapaz havia desaparecido de sua própria casa, tendo surgido na casa da moçoila em andrajos, sem carro, documentos, dinheiro, nada. Mesmo após a vinda de sua família, somente queria falar com ela e nada mais. O ponto forte de seu discurso era de que havia se tornado um “Soldado do Senhor”. Tirem suas próprias conclusões…

Outro caso nas proximidades diz respeito a um sujeito que teve “alta” da instituição onde estava internado e encasquetou que um vizinho estava tentando matar seu filho. Situação digna de delegacia, onde todos foram parar ante as ameaças do desconcertado.

Mesmo na época em que eu trabalhava num banco também tivemos uma colega que chegou, acomodou-se em seu lugarzinho e começou a chorar copiosamente. Não conseguia falar nada e com ninguém. Simplesmente chorava. Lembro-me que deu um trabalho danado para levá-la a um centro médico, pois não tínhamos a quem recorrer – ela não tinha família na cidade.

Enfim, todo mundo sempre tem alguma história para contar sobre alguém assim, que, do nada, tem um curto-circuito no cérebro e passa a considerar irrelevante o que é relevante, e vice-versa. É curioso como essa conduta – quer seja definitiva ou temporária – normalmente está vinculada a algum tipo de evento ocorrido, alguma situação que faz disparar o gatilho que ativa esse comportamento esquizofrênico do indivíduo.

Acho complicado dizerem que foi algo que aconteceu num momento de fraqueza da pessoa. Ou que talvez tenha sido uma situação de stress (não, não gosto da palavra “estresse”). Afinal, o que tornaria este ou aquele indivíduo mais forte ou fraco que outrem? Qual a variável genotípica ou fenotípica que revelaria uma tendência a ser vítima de tal situação? Qual a condição espiritual dos afetados?

Podemos tão-somente conjecturar acerca das prováveis causas que levariam alguém a relevar tudo aquilo que achava importante para tornar-se uma visão deturpada de um “Soldado do Senhor”. Mas duvido que consigamos chegar a uma verdade definitiva sobre esse assunto.

De minha parte, para uma melhor compreensão acerca do que estou falando, recomendo assistir a um filme antigo chamado “Mr. Jones”, com Richard Gere, que mostra de uma maneira romântica e divertida o dia-a-dia de um psicótico maníaco-depressivo.

Dia-a-dia…

O que é tristeza? Tristeza é um dia frio e chuvoso. É um diálogo mudo. É uma viagem indesejada. É um olhar cansado e abatido. É quando ocorre uma situação inevitável. É quando não se consegue o que se deseja. É quando se deseja o impossível. É a irritação a flor da pele. É a necessidade do silêncio. É tudo. É nada.

Tô triste hoje.