Mobilidade Urbana

Página 22 é uma publicação da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O número 67 dessa revista (que pode ser baixado gratuitamente neste link aqui) trata especificamente do tema: Mobilidade – como reduzir a distância entre a cidade e as pessoas.

Se vocês, assim como eu, não são experts no assunto, com certeza a leitura dessa revista vai ajudar a esclarecer um pouco os enormes problemas e desafios que TODAS as cidades têm pela frente – quer sejam grandes ou não.

Segue o editorial dessa edição para que possam ter uma palhinha. Mas, na minha opinião, a chamada pergunta que não quer calar – e tão difícil de responder quanto de atribuir – é a seguinte: “Qual é a responsabilidade de cada um dos atores e setores envolvidos no problema?”…

Só um pacto salva

Como se resolve o deslocamento de diversos fluxos de gente e de veículos por um mesmo ponto? Organiza-se um cruzamento, criam-se regras e sinalizações, instalam-se semáforos e faixas. Cada um concorda – pelo menos em teoria – em esperar a sua vez antes de avançar. Isso é um tipo de pacto.

As grandes cidades chegaram a um ponto em que o simples e ir e vir tem ficado a cada dia mais impraticável. Para piorar, as médias e pequenas tendem a seguir o mesmo modelo. O trânsito e a mobilidade já ocupam o topo das insatisfações do cidadão. Mas, assim como em um simples cruzamento, a solução não partirá apenas de um lado da via. “Não existe uma bala de prata”, diz um dos entrevistados desta edição. Todos os envolvidos precisam participar de um acordo para que se chegue a um termo comum, em prol da (re)construção dos centros urbanos pelas pessoas e para as pessoas.

A questão envolve, além do cidadão – que antes de tudo é um pedestre –, o poder público, o mercado imobiliário, os planejadores urbanos, os órgãos de trânsito, os motoristas, motociclistas e ciclistas, as empresas, os sistemas de tecnologia e os fabricantes de automóveis. Qual é a responsabilidade de cada um desses atores e setores? E que tipo de contribuição podem oferecer? O que estão dispostos a empenhar em benefício de uma solução coletiva? O quanto sabem esperar a sua vez antes de avançar?

Esta é a provocação que PÁGINA22 lança nesta edição – em que comemora o sexto aniversário. Por entender que é impossível falar de mobilidade sem discutir o espaço urbano, e que a cidade é um sistema complexo, abordamos inicialmente o tema do urbanismo. Em seguida, a partir da “geografia urbana”, questionamos a lógica montada em cima do transporte individual motorizado e convidamos cada uma das partes a debater a questão sob diferentes olhares: econômico, cultural, ambiental e social. Enquanto alguns atores aprofundaram o tema abertamente, outros não responderam a contento, mas este é apenas um início de conversa para um assunto que não tem fim. É contínuo e permanente.

Eleições 2012

Em tempos de eleição, nas idas e vindas pelos bairros e ruas da cidade a gente acaba vendo um pouco de tudo. Por mais insólito e estapafúrdio que seja…

Numa dessas eis que um senhor postulante a uma das vagas da vereança, em pleno domingo, em horário pós-almoço (ou pós-indigestão, conforme o caso), debaixo de um sol digno de rachar pedra, munido de um megafone avançava SOZINHO pelas ruas do bairro.

Não teve como não lembrar de uma das aventuras de Asterix – O Presente de César – quando a aldeia, cindida, lançou-se a eleições por um novo chefe. E, de igual maneira, Veteranix avançava sozinho à busca de eleitores.

Pelo menos até que sua esposa o chamasse de volta para lavar os pratos…

Posicionamento

Sobre as eleições municipais… Muita coisa interessante acaba acontecendo. Mas uma que realmente me chamou a atenção em São José dos Campos foi esse posicionamento do Colinas Shopping – segundo já publicado – que ocupou a página 11 inteira do jornal O Vale de 29/08/2012.

Vocês não têm idéia do quanto tive que me segurar para não espalhar grifos pelo texto!

Leiam e tirem suas próprias conclusões…

O Colinas Shopping não está engajado em
qualquer atividade política ou eleitoral.

Cada um de seus dirigentes, servidores
ou lojistas tem sua consciência e
escolhe seu partido e candidatos.

É preciso fazer todos pensarem sobre como
sair do retrocesso, superar a caipiragem e agir
como uma metrópole capital da tecnologia,
que de fato é São José dos Campos.

O Printed Infomercial é uma ferramenta
de marketing usada para divulgar a opinião
empresarial sobre problemas que perturbam
a sociedade, mas que dirigentes não se
ocupam para resolvê-los. É considerado de
grande utilidade pública pelas
principais agências internacionais.

Foi a Mobil que, nos anos 70, usou o
New York Times para implantá-la, e que
depois se alastrou pela TV e toda a mídia.

Temos chamado a atenção sobre o que todos
veem, procurando contribuir para que
os problemas que amarram a cidade, detêm
o seu desenvolvimento, prejudicam o comércio,
a indústria e os serviços sejam sanados.

A cidade se converteu num núcleo gerador
de uma burocracia medieval.

Recentemente, por puro amadorismo e
preconceito, a Câmara de Vereadores e a
Prefeitura afugentaram a quem mais gera empregos
na cidade: os construtores e incorporadores
imobiliários. Criaram uma nova regência
para o solo urbano, que é uma peça de horror
urbanístico que aparenta ter sido baseada
na antiga novela da Globo, Selva de Pedra.

O que dirá o Mestre Lúcio Costa, arquiteto
urbanista de Brasília, quando encontrar
no céu o grande Prefeito Sobral?

Limpando a ficha?

Há previsões de que a Lei da Ficha Limpa transformará a vida pregressa dos candidatos em tema principal das eleições municipais de outubro. O moralismo ocuparia o lugar da discussão de idéias e livraria os concorrentes do compromisso de apresentar programas e propostas aos eleitores. Seria um golpe silencioso e profundo na despolitização da competição.

Essa foi uma das notas na coluna Andante mosso da revista Carta Capital desta semana.

Ou seja: nada de novo sob o sol da Dinamarca…

Eleições e o Mundo Digital

Interessante.

C&P  daqui.

Campanha vai gerar ‘guerra’ digital

Mudanças novíssimas na regra eleitoral vão exigir equipe de especialistas em Internet para os partidos e candidatos

Em 2008, a propaganda na Internet era limitada, orbitando praticamente sobre o site do candidato (.can) e sem permissão do instrumento de doações. Ela também tinha ordens impossíveis de serem cumpridas, como a proibição da boca de urna digital. Ou seja, se a lei fosse levada a sério, até 48 horas antes da eleição em 2008, todos tinham que remover propaganda na Internet, algo impossível. Agora tudo mudou, sobretudo na Internet, com as novas resoluções, do final deste mês, válidas para as eleições 2012.

Em 2009, houve alteração na lei eleitoral, já com previsão da Internet, e em 2010, na eleição para deputado e presidente da República, o meio eletrônico já vem sendo permitido para propaganda com blogs, mídias sociais e mensagens.

Em 2012, mais evolução veio para a propaganda eleitoral eletrônica, com o amadurecimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), provavelmente prevendo uma guerra eleitoral pela Internet.

O especialista em perícia digital, o advogado José Antonio Milagre, prepara um manual para tratar do assunto. A publicação, em forma de livro, será em março. “O que pode é bem simples. A Internet basicamente fica liberada como plataforma de campanha. Essa plataforma pode ser feita na página pessoal do candidato. Essa propaganda pode ser feita em um blog, em redes sociais como twitter, facebook e outros, e pode ser feita por mensagens e comunicadores, como email e sms. A inovação em 2012 foi que a propaganda passa ser autorizada por candidato, partido ou coligação, mas também por qualquer terceiro”, conta José Antonio Milagre.

O especialista em mídia digital aborda, porém, que a inovação permitiu, de um lado, maior mobilização virtual, com a formação da militância cibernética, mas, de outro, gerou problemas com o controle do que está sendo veiculado. “Temos o marco da eleição pela Internet em 2008, quando o Obama lançou bases para o que temos hoje, nos EUA, buscando um público específico para formar opinião pela Internet e ainda conseguiu US$ 500 milhões em arrecadação”, cita.

A Internet passou a dar, ainda, independência política para os candidatos que não dispõem de volume de financiamento de campanha capaz de multiplicar os meios tradicionais de propaganda, como o visual na rua. “O candidato pode montar uma rádio streaming on line, pode montar uma TV virtual e difundir suas ideias por diferentes meios e atingir milhares, mesmo se seu partido tiver pouco tempo na TV”, avalia.

Além de ter de se preocupar em ter um time digital para monitorar o que está sendo divulgado sobre ele na Internet, o candidato ou partido terá de contar com especialistas para ter condições de resposta rápida a todo tipo de “ataque eletrônico”. A chamada pesquisa de reputação também será uma ferramenta necessária, onde o time digital terá de identificar, remover informação falsa e, até, estar preparado para responder verdades. “A Dilma não se preocupou com boataria pela Internet e teve muito problema com a estratégia de sua campanha. Tem de responder e com a estratégia certa. Ignorar é um erro”, avalia Milagre.

Pesquisa eleitoral

As pesquisas eleitorais também entram em um universo novo nesta eleição. A resolução 23364/2012 também é nova. “Antes tinha um problema sério com relação a pesquisa virtual. A pesquisa virtual tem um efeito tremendo. Blogueiros com 40 mil acessos por mês fazem um efeito tremendo. As pesquisas tradicionais têm de ser registradas previamente, com alguém habilitado no conselho de estatística e ainda é preciso dar prazo para que a outra parte possa contestar a pesquisa. Com a internet você joga tudo isso fora”, adverte.

Ocorre que a nova resolução permite que na Internet seja realizado apenas levantamento de opinião, que não tem nenhuma obrigação estatística. “Se você colocar uma frase que o levantamento não expressa pesquisa matemática e estatística, auditada, não estando sujeita à regulamentação do TSE, é válido fazer. E o público terá de estar ciente que é um levantamento, no máximo uma enquete. E pode divulgar, sem qualquer metodologia. E não tem como contestar inclusive. Imagine isso na mão de bloqueiros com poder de fogo”, menciona.

Antes de 5 de julho não é permitido pedir voto

Muitos filiados de partidos políticos, que seguramente serão candidatos em outubro deste ano, já estão circulando em reuniões e enviando mensagens pela Internet. A chamada pré-campanha tem uma linha tênue, vulnerável, entre o que é possível e o que, desde já, pode ser interpretado como campanha ilegal extemporânea.

“A rigor só pode usar a Internet ou fazer campanha por outro meio após 5 de julho, conforme o calendário eleitoral e a homologação das candidaturas. Não pode pedir voto de maneira alguma até 5 de julho. Por outro lado, como o candidato juridicamente hoje não existe, ele não está impedido de participar de programas e conceder entrevistas”, aponta.

Mas o interessado em participar da eleição pode ser pego por mensagens subliminares, indiretas. “Se colar adesivo no carro e distribuir, da mesma forma, folder visual pela Internet com dizeres como ‘Nelson vem ai”, ‘Neste ano, conte com Nelson’, já pode ser pego. E já temos casos mais acentuados com o uso de ‘Vote em mim’ com o nome de fulano. Isso pode ser enquadrado em propaganda extemporânea e na Internet isso pode gerar multa desde já, com aplicação de pena de R$ 5 mil a R$ 30 mil”, orienta Milagre.

Os candidatos ou partidos poderão mandar mensagens espontaneamente para eleitores, mas não poderão comprar cadastro de uma empresa, por exemplo, o que ensejará aplicação de multa. É proibida a cessão de cadastro por estruturas empresariais e mesmo ONGs.

Pinheirinho

São José dos Campos, fevereiro de 2004.

Teve início a invasão do terreno da massa falida da empresa Selecta S/A, de mais de um milhão de metros quadrados, o que se deu por cerca de 150 famílias que haviam sido despejadas de casas da CDHU no Campo dos Alemães.

São José dos Campos, janeiro de 2012.

Quase oito anos depois, a célere justiça finalmente determina a reintegração de posse da área. Segundo os populescos noticiosos da região, aquele milhão de metros hoje comporta 1.704 casas (casas?), 81 pontos de comércio (comércio?), 6 templos religiosos e um galpão comunitário. População estimada do local: algo entre 5.500 e 10.000 pessoas. O valor do terreno, segundo a massa falida seria de mais de 160 milhões; segundo a Prefeitura, aproximadamente oitenta. Cerca de quinze milhões de dívidas perante o fisco municipal. O Comando da Polícia Militar destacou mais de 1.800 policiais da região para a desocupação. Que poderá ocorrer “a qualquer momento”.

Passo por ali praticamente todos os dias. Entretanto, por enquanto, não mais. Prefiro deixar as coisas se acalmarem um pouco. Se é que vão se acalmar. Penso na massa falida que está “reivindicando” a posse do terreno. Nos oficiais de justiça que, sem nenhuma corporificação dos “verdadeiros proprietários”, estarão ombro a ombro com os policiais nessa ação. Penso em aproximadamente cinquenta por cento daquela população composta por menores e idosos. Penso num grande percentual que deve deixar a área pacificamente, com receio dessa ação. Mas, sobretudo, penso que – mesmo excluindo todo esse povo que acabei de citar – ainda restarão milhares (ei, eu disse MILHARES) de pessoas por ali.

E daí?

Pra onde esse povo todo vai?

Encaminhado? Encarcerado? Transportado? Reprimido?

É uma questão de lógica e de física. Esses corpos (não, não estou dando nenhuma conotação a essa palavra) simplesmente têm que ocupar algum lugar em algum espaço.

E mais: ainda que se consiga retirar toda essa população (e ainda que tenham algum lugar para ir), como ficam as construções existentes? Afinal trata-se de “propriedade particular”… A massa falida terá recursos financeiros para efetuar uma demolição de tudo isso? A corporação militar desguardará o resto da cidade para vigiar o local e impedir um retorno dos “invasores”? A Prefeitura local finalmente entrará no circuito emprestando máquinas não para solucionar um problema habitacional mas para resolver o problema de um particular?

Perguntas, perguntas e mais perguntas…

E, como diria Mino, meus humildes botões calam-se resignados.

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