O astronauta, o português e a guarda-mirim…

Então é isso.

Finalmente cheguei a óbvia conclusão de que a mídia (leia-se: Imprensa) definitivamente é quem manda nesta terra.

Como se não bastasse o “nosso” astronauta brasileiro, que além de feijões conseguiu mandar a língua portuguesa para o espaço (na última entrevista, além do gerundismo, me deparei com um “a gente vamos”…), tivemos também o sintomático caso da dança no Congresso.

Ora, francamente, se não fosse a mídia achincalhando cada brecha desse caso, qual teria sido o grande crime?

Esse episódio me faz lembrar um outro, de não muito tempo atrás, quando os cartolas do mundo futebolístico queriam que os gols fossem comemorados com um simples aceno à torcida. “Seria uma maneira de não ridicularizar os adversários”, foi uma das desculpas para tal estultice.

Pra mim é praticamente a mesma situação.

De início pensei em escrever uma bela de uma defesa para esse comportamento, mas, sinceramente, sob uma ótica jurídica achei limitada minha argumentação. Foi quando resolvi deixar de lado minha miopia advocatícia e percebi que o “problema” não é de ordem jurídica, mas de ordem cultural.

E volto à comparação com os cartolas: se alguém quer comemorar o que entende ser uma vitória, o que, cargas d’água, qualquer um teria a ver com isso? Não sei qual foi o mote específico para tanta alegria (e, diga-se de passagem, tampouco me importa saber), mas há que se lembrar que nós, brasileiros, somos sim um povo brincalhão, feliz, que faz troça de tudo, que ganha pouco e ainda se diverte.

Se a nação ficou “escandalizada” com o dito comportamento, tenho uma proposta simples para cada um destes: vá assistir uma sessão de Câmara em seu próprio Município. Qualquer uma. Qualquer Município. Há não muito tempo eu escrevi sobre o circo do absurdo que prolifera numa sessão dessas – vejam os arquivos aqui. Ou seja, se alguém estiver disposto a criticar outros jardins, que primeiro olhe para o próprio quintal!

Mas tais coisas, ainda que corriqueiras, são pequenas. Não atraem a grande mídia. Agora quando a coisa é no Congresso… bem, a história é outra. E contam, recontam e contam novamente o mesmo caso, abalroando a cabeça do público com a SUA história e este, em sua vida de gado, a aceita e a repete.

Heh… Me tocam sininhos acerca de uma antiga música: “Nowhere man”. O trecho que corresponderia bem a essa atitude do grande público perante os humores da mídia – e que fica martelando na minha cabeça – é o seguinte: “He’s as blind as he can be, Just sees what he wants to see”… e por aí vai.

Enfim: decidi que não vou – nem quero – perder meu tempo defendendo o óbvio para quem não quer enxergar. Particularmente continuo confiando plenamente nela. Quem teve a possibilidade de conhecer de perto o conjunto de sua obra (passada e presente), sabe que é uma bobagem inominável dar ouvidos à mídia nesse caso.

Meu voto continua sendo dela. Quem quiser que encontre – ou não – uma justificativa que lhe pareça plausível.

E ponto final.

Circo político

Sem comentários!

Ontem à noite realizou-se uma sessão de Câmara que, dentre outras coisas, serviu para confirmar a opinião que tenho daquela Casa Legislativa. Acontece que o prédio ocupado pelos “nobres edis” fica bem no meio de uma praça e é totalmente redondo. Dai a definição que tenho – que, diga-se de passagem, não é minha, mas adotei com fervor – numa construção redonda, cheia de palhaços, somente faltou o toldo…

O mote principal dessa sessão foi o questionamento sobre a área de saúde que a vereança quis impingir ao secretário da pasta do Município. Por falta de codinome melhor, vamos chamá-lo de “Pepe”. Imaginem a situação: numa Câmara com treze vereadores, sendo sete da oposição (estávamos, pois, em minoria). Todos munidos até os dentes com extensa papelada, requerimentos, denúncias, questões específicas que precisavam demonstrar e perguntar ao secretário. Este, por sua vez, sentado, sozinho, na mesa da presidência, tendo como única defesa o poder do verbo.

Foi um massacre.

Pobres vereadores… Não tiveram chance!

Não foi necessariamente o fato de o questionado ser muito bom, ELES é que eram muito ruins.

De início, o principal atacante no pleito quis – como todo político sempre quer – fazer da tribuna um local de discurso, antes mesmo de chegar às perguntas. Depois de meia hora falando, falando, falando, sem chegar a lugar nenhum, por pura pressão das hostes que ocupavam o recinto, que estavam aos gritos de “pergunta logo!”, ele foi obrigado a entrar no mérito da sessão.

Aliás, diga-se de passagem, e como foi colocado por alguns dos presentes, pensou-se seriamente em procurar na multidão o secretário da pasta de educação para verificar a possibilidade de inscrever o nobre edil em alguma EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil)…

Pô! Ele mal conseguia ler a papelada que estava à sua frente, e o tanto que leu sempre foi “comendo” as duas últimas sílabas de todas as palavras. “Constituição” virou “constituis”, “dificuldades” virou “dificuldd” (sim, “Ds” mudos), e assim por diante. É incrível como um político “profissional” consegue ser eleito por tantos mandatos seguidos e sequer se preocupar em crescer um pouco culturalmente…

Pois bem, voltemos ao assunto. O Pepe (que assumiu uma postura que lhe valeria a alcunha de “Pepe onze e meia” – só faltou a caneca) DOMINOU a sessão. Além de se explicar muito bem tecnicamente, teve tiradas sutis e sarcásticas que muitas vezes não eram compreendidas pelo intelecto inferior daqueles que o acusavam.

Sem entrar nesses detalhes técnicos, vou me prender aos “humorísticos”…

Uma das perguntas levantadas por esse vereador foi se ele estava presente no Município quanto a Santa Casa pegou fogo. “Sim, eu estava presente”, foi sua resposta, com uma emenda rápida: “Mas não fui eu não!”. A platéia veio abaixo.

“Quanto recebe o administrador da Santa Casa?”, foi outra das perguntas. Foi esclarecido que não há pagamento para pessoa física, mas sim para a empresa contratada para a gestão do órgão, e que, descontando os valores de impostos, recolhimentos obrigatórios, etc, “ainda não chega aos pés de quanto ganham os ocupantes desta Casa”. Tapa com luva de boxe de pelica…

O presidente da Câmara ocupou a tribuna logo a seguir, tendo feito uma “pergunta morna”, que serviu para recompor todos os presentes e dar a vã esperança que ainda teríamos uma noite de sanidade pela frente.

O inquisidor, desculpem, vereador seguinte já possuía um domínio maior da palavra, mas não do raciocínio. Emendou numa série de considerações altamente sugestivas e incriminatórias para, ao final, fazer uma pergunta pífia e sem relevância. Entretanto foi-lhe respondido a pergunta completa, inclusive de cada uma das consideranda, o que derrubou por terra essa manobra de acusar antes de perguntar. Nesse momento coube uma sutileza tão grande que sequer foi assimilada pela maioria dos presentes. Num comentário de uma dessa questões, Pepe ressaltou que aquela Casa parecia usar o estratagema de um famoso comunicador alemão da década de quarenta, que defendia a tese de que uma mentira, se contada inúmeras vezes, acabaria se tornando uma verdade. Era o assessor de propaganda de Hitler…

Aliás, o que mais chamou a atenção dos presentes, foi que – salvo raras exceções – cada um dos vereadores que lançava as perguntas, no decorrer das respostas, simplesmente não olhava para os olhos daquele que respondia. Ficavam folheando papéis, olhando para os lados, conversando com quem passava, num total descaso ao motivo principal que os reunia.

Triste…

Mais à frente compareceu um vereador que começou a martelá-lo com perguntas repetitivas. Num dado momento, ele se vira para alguém da platéia e pede que se levante. “O senhor conhece esse rapaz?”, foi a pergunta. “Sinto muito, mas o senhor deve compreender que, como secretário da pasta, eu cuido da área administrativa, e não da área clínica. Só na Santa Casa são mais de 400 atendimentos por dia, e não há como conhecer a todos”. “Pois é. Então eu lhe apresento o mais novo viúvo do Município. Minha pergunta é: qual foi o médico que matou a mulher dele?”

“AAAAAAAHHHHHHHH !!!!!” – foi a reação que se ouviu do público presente, que simplesmente não acreditou que alguém poderia fazer uma pergunta tão imbecil…

Mais uma vez a resposta foi técnica, explicando que seria impossível conhecer todos os casos que ocorrem diariamente no ambiente hospitalar, que, se houvesse alguma mínima desconfiança de erro médico isso teria que ser apresentado à Administração para que se pudesse discutir tal fato no foro competente, qual seja, perante o Conselho Regional de Medicina. Também ressaltou que o ambiente hospitalar é o que traz mais alegrias e tristezas à população, em se falando somente em seus extremos: o dos nascimentos e o das mortes.

As duzentas e sessenta e nove perguntas seguintes feitas por esse vereador foram EXATAMENTE sobre o mesmo tema, que obtiveram insistentemente a mesma resposta. Mais tarde, naquela noite, comentando sobre o ocorrido, foi dito à mesa de bar que “aquele vereador realmente tem problemas, pois você fala, fala, fala, e ele não escuta, não entende o que você responde”.

Pepe emendou: “Realmente isso é um problema. Chama-se AUTISMO.”

Bem, houveram inúmeras outras tiradas, sem contar no “teatro” feito pelos vereadores enquanto decorriam as perguntas. Pra se ter uma idéia, essa novela se estendeu por três horas!

Ao fim da sessão, o secretário foi abordado por uma militante que lhe disse: “Meus parabéns! Você disse pra eles TUDO que, faz anos, a gente estava querendo falar!”

Heh… Ele saiu de lá em estado de graça…

Ressalte-se que estes meus comentários não se dão em função de ideologia política ou partidária, nem em função dos escalabros que tenham ou não ocorrido na pasta desse secretário. Minha vontade de escrever sobre isso se dá em função da necessidade de se mostrar o que realmente rola numa sessão de Câmara. É horrível saber que pessoas total e completamente despreparadas sequer para a vida é que comandam o poder legislativo de toda uma sociedade.

Acho que é por isso que os principais projetos de lei que saem daquela Casa continuam sendo o de dar nome a ruas, avenidas e demais logradouros públicos…

Enfim, se as pessoas soubessem exatamente como se faz linguiça e como se legisla, não quereriam usufruir nem de um, nem de outro…

Reféns da Sociedade

Num dia normal eu costumo receber cerca de quatrocentas mensagens por e-mail. Em média umas duzentos e cinquenta fazem parte de listas de discussão de genealogia das quais participo. Umas dez são de clippings das áreas de informática, direito e política. Aproximadamente cem de amigos, colegas e clientes sobre os mais variados assuntos, desde filmes, apresentações, piadas, trabalho, etc. O restante é spam.

E, de meus amigos, uma boa parte são aqueles e-mails com textos acerca de “avisos”. Bem ao estilo “Teoria da Conspiração”. Histórias (ou estórias?) acerca de pessoas que receberam trotes pelo telefone dizendo que outro membro da família havia sido sequestrado, que deveria depositar determinada quantia em determinada conta-corrente, que não poderia ligar pra ninguém senão eles matariam o refém, e assim por diante.

Sinceramente nunca dei muito crédito a esse tipo de coisa. “Nah! Isso não acontece por aqui. Estamos no mundo real.” Ainda que já tenha visto reportagens na televisão sobre o assunto, ainda assim ficava aquela sensação de que são coisas que ocorrem com outras pessoas e nunca com a gente.

Ledo engano.

Calma. Não aconteceu nada comigo, mas sim com pessoas muito próximas. E é exatamente o que dizem as mensagens por e-mail: eles, os facínoras (sempre quis usar essa palavra), fazem um verdadeiro trabalho de desequilíbrio emocional com a pessoa do outro lado da linha, sem na realidade ter NADA de concreto. Trabalham com a imaginação da pessoa – e convenhamos, a gente sempre espera o pior. Através de fragmentos de informação conseguem montar um quadro muito próximo da realidade que acaba dando credibilidade às suas palavras.

Basta ver o caso daquele que já foi um dia conhecido como o “maior hacker de todos os tempos”, Kevin Mitnick. Analisando friamente sua história, temos que, apesar de ele ter um vasto conhecimento na área técnica, seu maior trunfo era exatamente a chamada “engenharia social”. Com telefonemas simples ele conseguia levantar junto aos desavisados as informações necessárias para invadir os sistemas de quem quer que fosse. Existe um filme sobre ele – se bem que o livro de Tsutomu Shimomura (que foi quem o rastreou e prendeu) é bem melhor.

Mas voltemos ao nosso tema. Qual a solução para quem enfrenta uma situação dessas? Não existem regras. Calma e bom senso é que REALMENTE devem imperar caso isso venha a acontecer. No caso dessa minha amiga a vítima foi a própria mãe, a qual, apesar do desespero, teve presença de espírito suficiente para contornar a situação e comprovar que realmente tratava-se de um trote. Maquiavélico, criminoso, horrendo, mas ainda assim, um trote.

O que me incomoda é que existem à disposição da polícia ferramentas mais que suficientes para contornar esse tipo de situação. Não adianta querer que todo mundo tenha identificador de chamada em casa. Não adianta dizer que não se pode registrar Boletim de Ocorrência porque não houve efetivo dano ou ameaça de dano. As companhias telefônicas, ainda que não disponibilizem na conta telefônica todas as informações possíveis (em especial acerca das chamadas locais), ainda assim têm todo o histórico do que já aconteceu com determinada linha telefônica. Eu já trabalhei lá, sei disso. Absolutamente TUDO fica registrado nos computadores, o que, em última análise, não é nada mais que uma base de dados. Gigantesca, sim, mas uma mera base de dados. E como tal pode ser consultada e filtrada para se obter a informação que se deseje.

Creio que o direito à privacidade é inviolável, mas num caso como esse haveria que se ter um policiamento para atuar de forma preventiva, visando ter subsídios para o passo seguinte: a forma repressiva. Existe a tecnologia. Existe a técnica. Existe a ferramenta. O que não existe é a VONTADE…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Desarmamento. Por que “não”? Porque sim!

Lembram-se da música? “É proibido proibir…”

E por que “NÃO”?

Ora, porque sim…

Que papo de louco, não é? Mas é assim que me sinto com relação ao bendito referendo… Recentemente no blog da Ju (respirapelabarriga), uma publicitária de mão cheia, ela trouxe um comentário MUITO feliz acerca do direcionamento de pesquisas. Vejam só:

“Exemplos, há aos montes. O mais recente (e recorrente nos blogs amigos), refere-se ao referendo (com o perdão da redundância). A pergunta ‘O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?’ é propositalmente confusa, para induzir ao erro. Se até para nós, teoricamente privilegiados, a coisa é complexa, cheia de afirmações embutidas dentro de negações, imagine para aquelas pessoas que têm o primeiro grau mal e porcamente concluído que, por sinal, são a maioria da população?”

Tenho visto na televisão uma das discussões mais absurdas dos últimos tempos. De um lado um povo mostrando criancinhas que morreram porque encontraram armas carregadas dentro de casa. De outro um pessoal que discute mais o DIREITO de possuir armas que qualquer outra coisa.

Ainda que muitos possam considerar suspeita minha opinião, pois sou advogado, é preciso deixar uma coisa bem clara: ARMAS NÃO MATAM PESSOAS. PESSOAS ARMADAS MATAM PESSOAS.

Ou seja, como tudo mais nesse nosso país tupiniquim, tudo é uma questão cultural. Só pra um exemplo bem próximo: meu pai, em sua mocidade, foi armeiro na roça. E durante toda minha infância, volta e meia, chegava algum caboclo ou compadre que trazia alguma coisinha pra ele consertar. Ora, NUNCA tivemos NENHUM problema em casa com armas. E mesmo meu pai é uma das pessoas mais pacatas e sensatas que conheço – jamais tirou a vida de nenhum ser vivo.

Quando eu falo que é uma questão cultural, é porque essa história de comercialização de armas envolve diretamente o caso do desarmamento (ainda que a médio e longo prazo). E não é com o simples desarmamento que vamos resolver todos os problemas do mundo. Com educação, treinamento e – sobretudo – fiscalização é que poder-se-á ter algum controle.

Veja o caso da habilitação para dirigir automóveis. Ora, eu tirei minha carteira de habilitação em 1987. Sabem quando vence meu exame médico? Em 2009! Sou totalmente a favor dessas novas carteiras, onde os exames vencem de cinco em cinco anos – é muito mais razoável.

E por que não se poderia fazer algo similar com a questão do porte de arma? Por exemplo: quem tivesse uma arma (com o devido porte, é claro), seria obrigado a cada três anos se apresentar perante a Polícia Federal para atualização do porte, apresentação da arma, e quaisquer outras coisas afim – sendo aplicável pesadas multas para quem não comparecesse ou não tivesse mais a arma.

Bem, é uma idéia…

Depois de tudo isso, pra que não haja dúvidas, cumpre esclarecer: a pergunta é: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” Responderá SIM quem quiser a proibição. Responderá NÃO quem quiser a manutenção do atual estado das coisas. O que não ilide eventual regulamentação futura mais severa para assegurar o direito da comercialização e do porte de armas.

A propósito, EU sou total e completamente contra armas.

Mesmo assim o direito de escolha deve SEMPRE ser do povo. Por isso votarei NÃO!

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Civilidade

Definitivamente eu sou da velha guarda. Ou nasci na época errada. Talvez algum reflexo de minha última encarnação. Ou, ainda, pode ser que eu seja simplesmente teimoso. Turrão. Uma besta energúmena incapaz de aceitar certas modernidades. Sei lá. Fiquem à vontade pra escolher.

Acontece que, no decorrer do dia, me vi numa discussão acerca da propriedade ou não de se aplaudir o hino nacional. Gente, me desculpe, mas PRA MIM não rola. Como eu disse na ocasião, sou da época em que tínhamos aulas de OSPB e Educação Moral e Cívica. Toda quarta-feira juntava a criançada no pátio da escola, em fila, do maior para o menor (desde aquela época eu já ficava por último), um braço de distância do da frente, braços estirados, cara de respeito, ritmo quaternário: “Ouviram do Ipiranga, às margens plááááácidas…”

Assim, não consigo coadunar com essa questão dos aplausos. A argumentação que eu ouvi é que “já que o povo gosta de aplaudir, então deixa aplaudir”. De que não haveria nenhum inconveniente nisso, seria mais uma forma de se homenagear, demonstrando sua devoção.

Não sei, não sei…

EU acredito que determinadas coisas merecem RESPEITO. Questão de civilidade. É certo que estamos em tempos modernos, onde rapidamente devemos nos adaptar ou fenecemos. Mas entendo que pra determinadas coisas deve ser observada a tradição. Quer exemplo maior que a Inglaterra, potência mundial que até hoje tem um povo devoto à realeza? Ou então o Japão, berço de tradições milenares – milenares MESMO – onde contam-se os anos a partir da ascensão do último imperador, existe todo um cerimonial até mesmo para uma xícara de chá, uma terra em que políticos pegos em falcatruas se suicidam como forma de expiar sua vergonha?

Heh… Já pensou se isso vira moda em terra brasilis?…

Olhem, sob o risco de ser taxado de ultrapassado, deixo aqui meu voto. Sou contra. Gosto de tradições, sim. Não só com relação ao Hino Nacional Brasileiro (ainda não vi música e letra melhores em nenhum lugar do mundo), como também com relação à bandeira, às armas nacionais, etc, etc, etc. Devem ser tratados com a mesma honra e respeito com o qual tratamos as pessoas mais velhas, ou mesmo nossos pais – até hoje ainda peço “a benção” pros meus pais…

Há que se ter consciência de coletividade, de respeito, de cooperação, de união. Os símbolos da pátria estão aí para nos lembrar disso. Contudo tais ideais estão ficando ultrapassados, sendo suplantados por campanhas de marketing bem feitas. Apesar de minha opção política, jamais engoli aquele Hino Nacional remixado que rolou durante a campanha. Por mais “bonitinho” que tenha ficado, pra mim foi mais uma falta de respeito que qualquer outra coisa. Tudo bem que surtiu efeito para o que precisava, para o motivo pelo qual foi criado; porém, passado o tempo, simplesmente sumiu. Mas o verdadeiro Hino continua aí: mesmo que pulando estrofes, trocando palavras e colocando letras onde não existem, ainda assim praticamente todos os brasileiros o conhecem.

Ora, “A pátria não é de ninguém: são todos; cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acovardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam-se, mas participam, mas discutem, mas praticam, a admiração, o entusiasmo, porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor.”

Bonito, né? Rui Barbosa, gente…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Ecologicamente caminhando para uma audiência pública…

EXAUSTO!

DUAS! DU-AS. Duas “trilhas ecológicas” num único final de semana. Isso deve ser algum tipo de recorde para um paquiderme sedentário como eu.

No sábado tivemos a comemoração (atrasada) do dia dos pais pela escola de meus filhotes. Todos fomos a um clube (Thermas do Vale), onde realizamos “atividades”. Tudo bem que é importante a integração pai e filho, escola, etc e tal, mas convenhamos: dizer o que fazer, como brincar e quando se divertir é meio muito para minha já curta paciência taurina. Até que poderiam deixar o entretenimento pra criançada e promover, sei lá, um churrascão ou piquenique. Numa dessas é que REALMENTE as pessoas acabam se conhecendo e se confraternizando (e, lógico, falando mal da vida alheia). Como prêmio máximo de nossa desenvoltura, fomos brindados com a dita caminhada pela trilha ecológica. Tá, tudo bem, pra geração apartamento deve ter sido o máximo, mas, além da puuuuuussssta volta que demos, o melhor que extraí de tudo isso foram dois carrapatos…

Já no domingo, depois do hiper-super-ultra-mega-stress de sábado à noite (já, já explico), a família Miura Andrade foi conhecer um restaurante chamado “Engenho Velho”, que fica logo após a entrada da cidade de Santa Branca, caminho para Salesópolis. MUITO bom. A comida é boa, razoavelmente barata, e tem um espaço enorme pra criançada se divertir. Como a comanda é entregue já na porteira (sim, porteira) do local, dá pra ficar totalmente à vontade pra se deslocar por onde quiser sem preocupação com a conta. Cavalos, casarões, objetos antigos e muito verde completam o quadro. Dez por cento de comissão pra mim pela propaganda.

Lá encontrei uma colega de trabalho com seu filho, que tem quase a mesma idade do meu mais velho – 6 anos. Empatia imediata. Os dois começaram a brincar como velhos conhecidos. Brincadeira de criança MESMO, esconde-esconde, pegador, correria, Yu-Gi-Oh (isso não tinha na minha época), e tudo o mais. Como corolário resolvemos fazer a trilha ecológica que existe ali. Eles foram na frente, literalmente brincando de exploradores por entre os caminhos, bambuzais, pequenas pontes e morros, seguidos de perto pela Dona Patroa com o segundinho, e o marmitão aqui por último carregando no colo o equivalente a dois sacos de arroz, ou seja, meu caçulinha. Quando eu cheguei na metade da subida de um morro, após ter levado uma bambuzada na testa, já depauperado e com o almoço a meio caminho de volta, resolvi dar um basta: “vamos voltar gente, que não tem mais caminho”. Acreditaram.

Disso tudo, quando cheguei em casa lá pelas seis da tarde resolvi tira uma soneca rápida para me recompor. Acordei hoje de manhã.

E no sábado à noite? Bem, apesar de ser advogado, nunca gostei muito de audiências. Sempre achei um circo inominável. Acabei de descobrir que gosto menos ainda de audiências públicas.

Para um procedimento licitatório de grande porte a Lei exige a realização de audiência pública, visando dar chance para que todos os interessados se manifestem a respeito do edital. Tudo bem, é certo e imprescindível que o procedimento deva se dar mediante a mais ampla publicidade, e que essa audiência deva ser democrática para que, querendo, as pessoas se manifestem. Para tanto foram determinadas algumas regras de conduta – que, é lógico, foram quebradas. Em determinado momento virou palanque. Os ânimos se inflamaram. Para ficar em poucos exemplos, houve um edil que começou: “Em primeiro lugar, bla, bla, bla; em segundo lugar, bla, bla, bla; já em SEGUNDO lugar temos que lembrar que bla, bla, bla; e, concluindo, em SEGUNDO lugar, bla, bla, bla”. Triste. Parece que mal sabia contar até três.

Houve, ainda, um dos representantes de um segmento da sociedade que veio brigar comigo: “Mas vocês estão fazendo as coisas às escondidas, ninguém falou nada! Quero saber data, hora e local da próxima audiência!” Foi quando eu o lembrei que saiu em dois jornais locais, no Diário Oficial do Estado, em outras publicações, fora as reportagens veiculadas no rádio e na tv. Pô, tenho culpa se o distinto – ainda que seja um “representante” de seus pares – sequer lê jornal?

Isso sem falar numa moça, que com uma criancinha no colo (por que ninguém chamou o Conselho Tutelar?), ficou vários minutos aos berros: “O senhor está sendo IMparcial! Não é justo!” – putz!

Sabe, o GRANDE problema do brasileiro é que prefere-se resolver qualquer situação aos berros que no diálogo. Grita-se ao invés de argumentar. Agride-se ao invés de escrever. Mobiliza-se uma tropa de choque ao invés de procurar se conquistar apoio. Se houvesse racionalidade não só na participação quanto também na argumentação dos presentes, teria sido uma noite realmente muito produtiva para todos. Mas com uma turba revoltada (por nada) que recusa-se a ouvir qualquer argumentação, não há solução possível. Triste. Perde a Administração Pública, que não consegue apurar exatamente o que o povo precisa, e, principalmente, perde o próprio povo, que não consegue se expressar de modo válido ou sequer eficaz.

Lamentável. E acho que a próxima audiência será ainda pior.

Em tempo: a mãe do guri que citei lá em cima veio há pouco conversar comigo. Disse-me que seu filho adorou o meu e perguntou se poderia vir até a casa dele pra brincar. “É lógico”, ela disse. Ao que ele respondeu: “Mas péra aí, mãe. Como é que ele vai fazer pra vir lá do Japão até aqui?”

Crianças não são o máximo?…

Tirinha do dia:
Deus!