Ser ou não ser?

E essa minha compulsão por escrever?

A quantas anda?

Ao que parece, meio que bloqueada…

Não, não sei dizer o porquê. O mundo tem se apresentado tão cinza ultimamente (não, não em “cinquenta tons”, ok?) que me foge aquela verdadeira pitada de humor, aquela tirada divertida, aquela construção de palavras, o trocadilho, a brincadeira, o olhar, enfim.

Excesso de trabalho? Mau humor congênere? Desencanto com pessoas? Com situações? Tudo isso, talvez. Nada disso, provavelmente.

A fagulha me escapa. Aquela mesma fagulha que, de pequenina centelha, vai tomando corpo, crescendo, me abordando, me preenchendo e me levando a transformar em palavras meus sentimentos, minhas experiências, meus pontos de vista. Fraca. Apagada. Quase que inexistente. Praticamente inofensiva.

Este meu desencanto atribuído a sei lá o quê é que me desencanta. E olha que temos assunto, hein? Basta abrir o jornal – e basta ser o local. Há muito, muito tempo não tenho mais escrito por aqui. Não de verdade. Pequenos gracejos, uma foto interessante, uma imagem curiosa. Uma tuitada de momento. Uma instagrada de socorro. Frases desconexas com algum fundo moral ou pessoal tirada daquelas apresentações de Powerpoint que acabaram por se transformar na essência das mensagens do Facebook. E só. Acho que só. Tão só. Somente só.

O peso da idade – quatro-ponto-cinco chegando – também não ajuda em nada, a não ser na rabugice.

E se você chegou até aqui sem ímpetos de se suicidar, parabéns!

Então já é hora de chacoalhar a cachola e começar de novo.

Porque o Ano Novo nem chegou ainda (afinal ainda não passamos do Carnaval) e a primeira tá difícil de engatar, rateando, rateando, rateando, estourando, pipocando e não engrenando.

Mais uma vez, derradeira repetitiva vez, vamos arregaçar as mangas e tomar rédeas da situação em vez de lamuriar pelos cantos. Foco. Força. Fé. Se bem que cerveja, cigarro e cachaça também ajudam de quando em quando…

Enfim, caríssimos e caríssimas, já tô meio cansado de não expor minhas sempre inúteis não tão úteis palavras e pensamentos por aqui. Vamos retomar o fio da meada, fazendo o que faço de melhor: dizendo o que não deveria ser dito de modo a deixar claro que o que foi dito não disse exatamente o que deveria dizer, mas sim, se o dissesse, a dita cuja daquilo que não foi dito em forma do simples dizer teria por si só dito tudo. E nada mais há a ser dito.

E esta é a prova inequívoca de que um texto, sem dizer absolutamente nada, pode ainda dizer alguma coisa.

Ou não.

Enfim, bem-vindo de volta eu mesmo!
 
😉

Terno e gravata: liberado o uso! Só que não…

Já não é de hoje que se discute nos mais altos foros de racionalidade sobre a irracionalidade que é a obrigatoriedade de utilização do terno e gravata por uma das mais humildes formas de vida que interagem com a sociedade: o advogado.

Tá, tá… Forcei um pouquinho a barra com esse “humildes”, eu sei…

Táintão! Forcei MUITO a barra, já entendi, pô! Podemos continuar?

Bem, enfim, li uma notícia hoje que por um breve momento – bem breve mesmo, quase nadica de nada – me fez ter a vã esperança de que uma vã luz de compreensão tivesse iluminado nossos nobres magistrados no alto de seus mais nobres ainda gabinetes.

Mas foi ilusão de ótica.

Talvez um pequeno clarão oriundo de um pequeno curto circuito nos aparelhos de ar condicionado que abastecem os fóruns. Ao menos, os gabinetes dos fóruns.

E olhem que ainda hoje eu estava se me rindo com a notícia do caboclo que foi trabalhar de saia. Isso mesmo, de saia. Por quê? Uai, tava claro na regra que bermudão para os homens, ainda que até o joelho, era proibido, enquanto que as moçoilas podiam ir não só com seus vestidos, mas com saias, shorts, etc, etc. Nada contra, convenhamos. Mas o rapaz não teve dúvidas: emprestou uma saia da Dona Patroa (dele) e foi trabalhar. Não só hackeou o sistema como ainda deve ter trabalhado com um agradável ventarola nas partes íntimas…

Mas fujo do assunto. Como sempre. O que me atiçou a curiosidade e me levou a escrever este post foi o comunicado do presidente do tribunal de justiça do estado de são paulo (tá em minúsculas? que puxa…), logo abaixo:

COMUNICADO Nº 19/2014

O PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, Desembargador JOSÉ RENATO NALINI, no uso das atribuições previstas no artigo 271, III do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, COMUNICA aos Senhores Magistrados, Advogados, Servidores e público em geral que fica facultado, durante o período de 31.01.2014 a 21.03.2014, o uso ou não de terno e gravata no exercício profissional, dentro das dependências dos fóruns e demais prédios do Tribunal de Justiça. Fica, porém, mantida a obrigatoriedade de uso de calça e camisa social, para o sexo masculino e de trajes adequados e compatíveis com o decoro judicial, para o sexo feminino. A faculdade de que trata este comunicado não abrange a participação em audiências perante o 1º grau de jurisdição, bem como o exercício profissional perante a 2ª instância, ocasiões em que o uso de terno e gravata se mostra indispensável.

São Paulo, 3 de fevereiro de 2014.

JOSÉ RENATO NALINI

Mas, independentemente disso, sabem qual a grande vantagem das modernidades de hoje em dia? Com o tal do peticionamento eletrônico? Dá pra trabalhar de casa…

😀