A perseguição política do compartilhamento

Direto daqui.

A decisão de condenar os co-fundadores do site The Pirate Bay à prisão é absurda e injusta. Isso ilustra como uma obsoleta lei de direitos autorais e sua aplicação indiscriminada são prejudiciais para a sociedade como um todo. Essa incompreensão das realidades tecnológicas, econômicas e sociais não devem mascarar o fato que esta decisão é, acima de tudo, política.

Os cidadãos que se preocupam com as tecnologias digitais e com a Internet estão assustados com a decisão da Corte de apelação de Svea que julgou o recurso para (reduzir) as sentenças de prisão de F. Neij, P. Sunde e C. Lundström, os fundadores do The Pirate Bay. O tribunal também manteve as multas gigantescas e aumentou os  prejuízos que, supostamente, as empresas de música que os processaram tiveram.

  • Do ponto de vista técnico e jurídico, a decisão é injusta porque o The Pirate Bay não é nada além de um índice, que agrega recursos que já existem online. Esta decisão equipara-se a condenar uma  biblioteca por seu catálogo, mesmo sem  conteúdos ou atividades que violam direitos autorais.
  • De um ponto de vista filosófico, esta decisão é injusta porque tende a condenar o ato do compartilhamento. Compartilhar é bom e legítimo. A cultura só existe porque ela é compartilhada. O problema é que as atuais leis de direito autoral e sua implementação são obsoletas. Estão fundamentalmente em desacordo com os novos usos que criam e difundem a cultura de hoje e de amanhã.
  • De um ponto de vista político, a decisão é revoltante. É uma declaração para convencer as pessoas de que o compartilhamento  é ruim para os criadores, quando tem um efeito positivo e comprovado sobre a diversidade cultural, sobre as receitas de shows e outras atividades e não há efeito  negativo comprovado nas vendas de mídias de música ou outros. Esta decisão vai tornar-se o emblema da imperiosa necessidade de se adaptar à realidade os direitos autorais ao invés de tentar mudar a realidade para que se encaixe os ditames dos direitos autorais.

 
Os fundadores do The Pirate Bay podem provavelmente contestar esta decisão e levá-la à suprema corte, e esperamos que a justiça será restabelecida em breve. Estamos convencidos de que em poucos anos, esta decisão irá aparecer para todos como uma reminiscência de um sistema decadente, interessado em marcar alguns  últimos pontos  antes do advento de uma inevitável mudança.

Concluem juntos Jérémie Zimmermann e Philippe Aigrain, co-fundadores de La Quadrature du Net.

Tecnologia policial

Sim, eu sei que a piada é velha.

Mas, ainda ontem, ao ver aquela famosa “condução dos presos” no fórum, com nossa valorosa PM armada até os dentes e com meio corpo pra fora da viatura, demonstrando que o Código de Trânsito é uma coisa que somente se aplica aos reles mortais… bem, não teve como não lembrar dela!

E naquele dia ensolarado, ia ser realizado o teste definitivo para se dizer qual seria a melhor Policia do planeta. Os finalistas eram: o FBI, a Scotland Yard e a PM de São Paulo. O teste consistiria no seguinte: um coelho seria solto na floresta e cada Policia, usando seus melhores métodos e pessoal, teria que achá-lo e trazê-lo de volta. Quem fizesse isso no menor espaço de tempo, seria o vencedor.

Soltaram o coelho.

Por sorteio, o FBI foi designado para tentar primeiro. Usando fotos de satélite, análise de DNA dos pelos encontrados e um cerco gigantesco à floresta, com dezenas de helicópteros e centenas de homens, o coelho foi capturado em 3 horas e 14 minutos.

Soltaram o coelho novamente, e lá foi a Scotland Yard na sua vez. Usando analistas de comportamento, psicólogos, estudiosos da psiquê coelhística, mais um batalhão anti-bombas terroristas com óculos de visão noturna, armaram uma armadilha com uma coelha usando passaporte irlandês falso e uma cenoura com sonífero. Capturaram o coelho em 1 hora e 30 minutos, o que arrancou reações de espanto na comissão julgadora.

Mais uma vez soltaram o coelho, e a nossa valorosa PM foi mostrar serviço. Saíram numa Veraneio 74, com os paralamas cheios de massa, 4 pneus carecas e um pedaço de fio amarrado na tampa traseira (o fecho da tampa caiu em 1982), com 8 policiais com mais de meio corpo para fora das janelas da perua, batendo nas portas com revólveres 38 e escopetas em punho, e em alta velocidade adentraram a floresta. Retornaram em 20 minutos, deixando atônitos os juizes, o FBI e a Scotland Yard. Abriram a tampa do camburão, e lá dentro estava um porco-espinho cheio de hematomas, trêmulo, encolhido, que gritava:

– TÁ BOM!! TÁ BOM!! EU SOU UM COELHO!!!! EU SOU UM COELHO!!!

Pensamentos

Pensamentos são como pássaros que vêm quando querem e pousam em nosso ombro. Não, eles não vêm quando os chamamos. Vêm quando desejam vir. E se não os registramos, voam para nunca mais. Isso acontece com todo mundo. Só que as pessoas, achando que a literatura se faz com pássaros grandes e extraordinários, tucanos e pavões, não ligam para as curruíras e tico-ticos… Mas é precisamente com curruíras e tico-ticos que a vida é feita.

Rubem Alves
Quarto de Badulaques

Mais Roseanices

E essa minha criançada não cansa de me surpreender…

Desta vez novamente foi o Jean, tal e qual a anterior.

Ontem à noite, meio que perdido em meus pensamentos enquanto a chuva fina e insistente despencava fora da área, estava lá eu empurrando o balanço e conversando com esse pequenino senhor que, do alto dos seus seis anos de idade, me contava como foi seu dia, suas opiniões, relatos e conclusões. No meio disso tudo, me veio com essa:

– Sabe, tem aquele brinquedo que você nos deu – que é um igualzinho ao outro? Então, o Kevin quebrou o dele. O meu não, o meu tá guardadinho. Mas o dele só quebrou porque ele deixou num lugar descuidadoso!

Trabalho em equipe

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( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Adauto de Andrade

Recebi esta via e-mail lá do amigo Cláudio Graziano. Se é do tal do livro “Bar do Zé”, não sei – mas que faz sentido, isso lá faz. Confiram:

Você vai ao bar e bebe uma cerveja.

Bebe a segunda cerveja…

A terceira, e assim por diante.

O teu estômago manda uma mensagem pro teu cérebro dizendo;

– Caracas véio… O cara tá bebendo muito liquido, tô cheião !!!

Teu estômago e teu cérebro não distinguem que tipo de líquido está sendo ingerido, ele sabe apenas que “é líquido”.

Quando o cérebro recebe essa mensagem ele diz:

– Caracas, o cara tá maluco !!!

E manda a seguinte mensagem para os rins:

– Meu, filtra o máximo de sangue que tu puder. O cara aí tá maluco e tá bebendo muito líquido. Vamos botar isso tudo pra fora.

E o rim começa a fazer até hora-extra, filtrando muito sangue e enchendo rápido.

Daí vem a primeira corrida ao banheiro.

Se você notar, esse primeiro xixi é com a cor normal, meio amarelado, porque além de água, vêm as impurezas do sangue.

O rim aliviou a vida do estômago, mas você continua bebendo, e o estômago manda outra mensagem, agora para o cérebro:

– Cara, ele não pára. Socorro !!!

E o cérebro manda outra mensagem pro rim:

– Véio, estica a baladeira, manda ver aí na filtragem !!!

O rim filtra feito um louco, só que agora, o que ele expulsa não é o álcool, ele manda pra bexiga apenas… água (o líquido mais precioso do corpo).

Por isso que as mijadas seguintes são transparentes, porque é água.

E quanto mais você continua bebendo, mas o organismo joga água pra fora, e o teor de álcool no organismo aumenta, deixando você mais “bunitim”.

Chega uma hora que você tá com o teor alcoólico tão alto que teu cérebro te “desliga”.

Essa é a hora que você desmaia… dorme… capota… resumindo: essa é a hora que o “teu” não tem dono!!!

Ele faz isso porque pensa:

– Meu, o cara tá afim de se matar. Tá bebendo veneno pro corpo. Vou apagar esse doido pra ver se assim ele para de beber e a gente tenta expulsar esse álcool do corpo dele…

Enquanto você está lá, apagado (sem dono), o cérebro dá a seguinte ordem pro sangue:

– Bicho, apaguei o cara. Agora a gente tem que tirar esse veneno do corpo dele. O plano é o seguinte: como a gente está com o nível de água muito baixo, passa em todos os órgãos e tira a água deles, e assim a gente consegue jogar esse veneno fora.

O sangue é como se fosse o Office-Boy do corpo.

E como um bom Office-Boy, ele obedece às ordens direitinho, e por isso começa a retirar água de todos os órgãos..

Como o cérebro é constituído de 75% de água, ele mesmo é o que mais sofre com essa “ordem”, e daí vêem as terríveis dores de cabeça da ressaca.

Então…

Eu sei que na hora a gente nem pensa nisso, mas quando forem beber, bebam de meia em meia hora um copo d’água, porque à medida que você mija, já repõe a água perdida.

Ou então… BEBA MODERADAMENTE !!!!!!!

(Texto retirado do livro “O Bar do Zé”)

Zinabre

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( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

Sempre com o nobre intuito de compartilhar conhecimentos e, modestamente, dar a nossa singela contribuição ao nosso já riquíssimo léxico, este Copoanheiros traz, em primeira mão — nem o Google tem (até agora) essa resposta –, mais uma acepção pra um verbete que, provavelmente, só não foi dicionarizada até agora por que os acadêmicos não frequentam botecos. Ok, tudo bem, eles até devem frequentar, mas entre os dois copos que cada um bebe, ficam apenas com

acepipes, antepastos, aperitivos, bijungarias, chichas, gulodices, gulosarias, guloseimas, guloseiras, gulosices, gulosidades, gulosinas, iguarias, lambarices, lambetas, lambujems, paparichos, paparicos, petiscos, petisqueiras, pipiretes, pitéus, quitutes, tira-gostos

Ocorre que, dia desses, a Yaso jogou no Facebook uma daquelas dúvidas existenciais que nos acometem frequentemente: *tentando descobrir onde tomar alguma coisa hoje*.

Prontamente, a Lau e o Duende se prontificaram a ajudar a minimizar essa angústia e eu, separado por alguns milhares de quilômetros, me prontifiquei a, fraternalmente, brindar a todos psiquicamente, sugerindo ainda alguns zinabres pra acompanhar. Mas, eis que a Lau, talvez pela tenra idade (!), simplesmente desconhecia o que seriam zinabres! E foi procurar no Google — evidentemente, sem sucesso.

Voltando ao início — esses papos de boteco vão e vêm, num têm muita lógica não –, e evitando que outros jovens passem pela mesma angústia da Lau, arrisquemos, portanto, uma definição a ser dicionarizada. Contribuições, sugestões e acréscimos são bem-vindos:

Zinabre subst. 2gên. — a quintessência dos botecos, são a verdadeira alma que dão o tom (e salgam) elucubrações etílicas e fraternos encontros. Mas, cuidado! Depois que se descobrem os segredos iniciáticos dos zinabres, sua vida nunca mais será a mesma.

Enfim, esperamos que, se nossa modesta contribuição não seja acatada pelo Houaiss ou pelo Aurélio, sirva pra salgar outros papos etílicos por aí.

P.S.: além de inúmeras referências, descobri, aliás, que o site Baixa Gastronomia tem como extensão na URL exatamente… .zinabre.com.
CQD!

As incríveis aventuras do Pequeno Parker

E eis que falta apenas um dia para eu sair de férias!

Com tanta coisa acontecendo no melhor estilo do tudo-aqui-ao-mesmo-tempo-agora, já nem consigo avaliar se isso será bom ou ruim…

No que diz respeito à Tropinha de Elite, não tenho dúvidas! Faz tempo que lhes devo umas férias decentes e por pura pressão vontade creio que vamos passar uns dias (ai!) na praia. Pra quem me conhece pessoalmente e, em especial, meu resolvidíssimo bronzeado moreno-hypoglós, vai entender do que estou falando.

No mais, tudo é solidamente etéreo…

Até porque, por conta do trabalho, ainda terei algumas “missões” a cumprir nesse meio tempo.

Bem, após este devaneio inicial, dando uma checada em alguns posts pendentes – rascunhos, anotações e vontades de escrever, tal qual no Quarto de Badulaques (fantástico livrinho, do qual ainda volto a falar por aqui), encontrei alguns trechinhos perdidos sobre o Puny Parker.

A premissa seria acerca do que aconteceria se Stan Lee tivesse criado Calvin & Haroldo? Ou ainda: imagine Charlie Brown desenhado por Steve Ditko. É mais ou menos o que ocorre com As Incríveis Aventuras do Pequeno Parker, criação do mineiro Vitor Caffagi. Natural de Belo Horizonte, esse artista de trinta e poucos anos pegou emprestado o alterego do escalador de paredes e transportou-o não só para tirinhas estilo cartoon, como também de volta à infância. O trabalho é tão fiel à mitologia do herói que dá impressão de ser produzido pela própria Marvel.

Quem quiser acompanhar basta se inscrever no RSS lá do blog (já na terceira temporada): www.punyparker.blogspot.com.

Seguem algumas tiras cuidadosamente pinçadas diretamente lá da primeira temporada. Basta clicar na imagem para abri-la num tamanho mais confortável…

Não sei se vou conseguir passar por aqui neste (curto) período de férias. Um pouco de “desintoxicação digital”, ainda que indesejada, pode ser salutar – talvez eu até consiga dormir mais que as usuais quatro a seis horas por noite…

Mas, enfim, o recado tá dado.

Volto assim que voltar!