Campeonato de arremesso de celulares

Que fique bem claro: o crédito por essa “notícia” é do amigo e copoanheiro Bicarato. Aliás, em uma de nossas últimas sessões etílicas, o que estes temulentos que usualmente vos escrevem chegaram à (óbvia) conclusão de que o que efetivamente nos atrai nos veículos noticiosos é nada mais nada menos que o insólito, o não trivial, o nonsense, enfim…

Mas voltemos à imprescindível notícia sem a qual nem um dia a mais poderia passar sem que dela soubéssemos! Fuçando na Internet, eis o que achei.

Neste último final de semana teve lugar em São Paulo o Primeiro Torneio Nacional de Arremesso de Celular. Evento “importado” da Finlândia, onde ocorre desde o ano de 2000, e que serve para dar um, digamos, “fim mais digno” aos celulares sem uso. Ecologicamente correto, eis que as baterias devem ser retiradas antes do torneio e os próprios celulares são destinados à reciclagem após o mesmo, vence a competição quem arremessar o celular mais longe – havendo mesmo a possibilidade de se premiar algumas variações, tal como o melhor estilo no arremesso.

Pena que somente agora surgiu isso… Lá pelos idos de 95 ou 96, época em que começamos a nos celularizar em terras Tupiniquins, tenho certeza que aqueles bons e velhos “tijorolas” (vulgos PT-550 da Motorola), bem, eles seriam perfeitos para essa competição!

Sexo por obrigação? Agradeço, mas não!

Essa veio da última “Revista da Semana” :

Charla Muller é uma consultora de marketing da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Casada e com dois filhos, há dois anos resolveu dar um presente especial de aniversário ao seu marido, Brad Muller: 365 dias de sexo.

(…)

No décimo mês Charla Muller se arrependeu dessa “estúpida idéia”.

Décimo mês???

Tão rápido assim?…

Nós, os temulentos

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( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

João Guimarães Rosa

Entendem os filosófos que nosso conflito essencial e drama talvez único seja mesmo o estar-no-mundo. Chico, o herói, não perquiria tanto. Deixava de interpretar as séries de símbolos que são esta nossa outra vida de aquém-túmulo, tãopouco pretendendo ele próprio representar de símbolo; menos, ainda, se exibir sob farsa. De sobra afligia-o a corriqueira problemática quotidiana, a qual tentava, sempre que possível, converter em irrealidade. Isto, a pifar, virar e andar, de bar a bar.

Exercera-se num, até às primeiras duvidações diplódicas: – “Quando… – levantava doutor o indicador – … quando eu achar que estes dois dedos aqui são quatro”… – Estava sozinho, detestava a sozinhidão. E arejava-o, com a animação aquecente, o chamamento de aventuras. Saiu de lá já meio proparoxítono.

E, vindo, noé, pombinho assim, montado-na-ema, nem a calçada nem a rua olhosa lhe ofereciam latitude suficiente. Com o que, casual, por ele perpassou um padre conhecido, que retirou do breviário os óculos, para a ele dizer: – Bêbado, outra vez… – o Chico respondeu, com, báquicos, o melhor soluço e sorriso.

E, como a vida é também alguma repetição, dali a pouco de novo o apostrofaram: – Bêbado, outra vez? E: – Não senhor… – o Chico retrucou – … ainda é a mesma.

E, mais três passos, pernibambo, tapava o caminho a uma senhora, de paupérrimas feições, que em ira o mirou, com trinta espetos. – Feia! – o Chico disse; fora-se-lhe a galanteria. – E você, seu bêbado? – megerizou a cuja. E, aí, o Chico: – Ah, mas… Eu?… Eu, amanhã, estou bom…

E, continuando, com segura incerteza, deu consigo nooutro local, onde se achavam os copoanheiros, com método iam combeber. Já o José, no ultimado, errava mão, despejando-se o preciosíssimo líquido orelha adentro. – Formidável! Educaste-a? – perguntou o João, de apurado falar. – Não. Eu bebo para me desapaixonar… Mas o Chico possuía outros iguais motivos: – E eu para esquecer… – Esquecer o que? – Esqueci.

E, ao cabo de até que fora-de-horas, saíram, Chico e João empunhando José, que tinha o carro. No que, no ato, deliberaram e adiaram, e entraram, ora em outra porta, para a despedidosa dose. João e Chico já arrastando o José, que nem que a um morto proverbial. – Dois uísques, para nós… – Chico e João pediram – e uma coca-cola aqui para o amigo, porque ele é quem vai dirigir…

E – quem sabe como e a que poder de meios – entraram no auto, pondo-o em movimento. Por poucos metros: porque havia um poste. Com mais o milagre de serem extraídos dos escombros, salvos e sãos, os bafos inclusive. – Qual dos senhores estava na direção? – foi-lhes perguntado. Mas: – Ninguém nenhum. Nós todos estávamos no banco de trás…

E, deixando o José, que para mais não se prezava, Chico e João precisavam vagamente de voltar a casas. O Chico, sinuoso, trambecando; de que valia, em teoria, entreafastar tanto as pernas? Já o João, pelo sim, pelo não, sua marcha ainda mais muito incoordenada. – Olhe lá: eu não vou contar a ninguém onde foi que estivemos até agora… – o João predisse; epilogava. E ao João disse o Chico: – Mas, a mim, que sou amigo, você não podia contar?

E, de repente, Chico perguntou a João: – Se é capaz, dê-me uma razão para você se achar neste estado?! Ao que o João obtemperou: – Se eu achasse a menorzinha razão, já tinha entrado em lar – para minha mulher ma contestar…

E, desgostados com isso, João deixou Chico e Chico deixou João. Com o que, este penúltimo, alegre embora física e metafisicamente só, sentia o universo: chovia-se-lhe. – Sou como Diógenes e as Danaides… – definiu-se , para novo prefácio. Mas, com alusão a João: – É isto… Bêbados fazem muitos desmanchos… – se consolou, num tambaleio. Dera de rodear caminhos, semi-audaz em qualquer rumo. E avistou um avistado senhor e com ele se abraçou: – Pode me dizer onde é que estou? – Na esquina de 12 de Setembro com 7 de Outubro. – Deixe de datas e detalhes! Quero saber é o nome da cidade…

E atravessou a rua, zupicando, foi indagar de alguém: – Faz favor, onde é que é o outro lado? – Lá… – apontou o sujeito. – Ora! Lá eu perguntei, e me disseram que era cá…

E retornou, mistilíneo, porém, porém. Tá que caiu debruçado em beira de um tanque, em público jardim, quase com o nariz na água – ali a lua, grande, refletida: – Virgem, em que altura eu já estou!… E torna que, sesoerguido, mais se ia e mais capengava, adernado: pois a caminhar com um pé no meio-fio e o outro embaixo, na sarjeta. Alguém, o bom transeunte, lhe estendeu a mão, acertando-lhe a posição. – Graças a Deus! – deu. – Não é que eu pensei que estava coxo?

E, vai, uma árvore e ele esbarraram, ele pediu muitas desculpas. Sentou-se a um portal, e disse-se, ajuizado: – É melhor esperar que o cortejo todo acabe de passar…

E, adiante mais, outra esbarrada. Caiu: chão e chumbo. Outro próximo prestimou-se a tentar içá-lo. – Salve primeiro as mulheres e as crianças! – protestou o Chico. – Eu sei nadar…

E conseguiu quadrupedar-se, depois verticou-se, disposto a prosseguir pelo espaço o seu peso corporal. Daí, deu contra um poste. Pediu-lhe: – Pode largar meu braço, Guarda, que eu fico em pé sozinho… Com susto, recuou, avançou de novo, e idem, ibidem, itidem, chocou-se; e ibibibidem. Foi às lágrimas: – Meu Deus, estou perdido numa floresta impenetrável!

E, chorando, deu-lhe a amável nostalgia. Olhou com ternura o chapéu, restado no chão: – Se não me abaixo, não te levanto. Se me abaixo, não me levanto. Temos de nos separar, aqui…

E, quando foi capaz de mais, e aí que o interpelaram: – Estou esperando o bonde… – explicou. – Não tem mais bonde, a esta hora. E: – Então, por que é que os trilhos estão aí no chão?

E deteve mais um passante e perguntou-lhe a hora. Daí: – Não entendo… – ingrato resmungou. – Recebo respostas diferentes, o dia inteiro.

E não menos deteve-o um polícia: – Você está bebaço borracho! – Estou não estou… – Então, ande reto nesta linha do chão. – Em qual das duas?

E foi de ziguezague, veio de ziguezague. viram-no, à entrada de um edifício, todo curvabundo, tentabundo. – Como é que o senhor quer abrir a porta com um charuto? – É… Então, acho que fumei a chave…

E, hora depois, peru-de-fim-de-ano, pairava ali, chave no ar, na mão, constando-se de tranquilo terremoto. – Eu? Estou esperando a vez da minha casa passar, para poder abrir… Meteram-no a dentro.

E, forçando a porta do velho elevador, sem notar que a cabine se achava parada lá por cima, caiu no poço. Nada quebrou. Porém: – Raio de ascensorista! Tenho a certeza que disse: – Segundo andar!

E, desistindo do elevador, embrigatinhava escada acima. Pôde entrar no apartamento. A mulher esperava-o de rolo na mão. – Ah, querida! Fazendo uns pasteizinhos para mim? – o Chico se comoveu.

E, caindo em si e vendo mulher nenhuma, lembrou-se que era solteiro, e de que aquilo seriam apenas reminiscências de uma antiquíssima anedota. Chegou ao quarto. Quis despir-se, diante do espelho do armário: – Que?! Um homem aqui, nu pela metade? Sai, ou te massacro!

E, avançando contra o armário, e vendo o outro arremeter também ao seu encontro, assetou-lhe uma sapatada, que rebentou com o espelho nos mil pedaços de praxe. – Desculpe, meu velho. Também, quem mandou você não tirar os óculos? – o Chico se arrependeu.

E, com isso, lançou; tumbou-se pronto na cama; e desapareceu de si mesmo.

Do livro “Tutaméia (Terceiras Estórias)”, 8.ed, Nova Fronteira, 1985. p. 115-118

TSE x TRE-RJ

Conforme a notícia lá do Clipping da AASP, eis que surge mais uma voz racional no meio de todo esse imbróglio…

A posição do TSE nesse caso também é diferente da do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Em maio, o coordenador da Fiscalização da Propaganda Eleitoral no Estado do Rio, juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, baixou portaria que permite aos candidatos o uso de seus blogs e comunidades de relacionamento. O magistrado levou em conta que “o acesso às páginas da internet, aos blogs e aos sítios de relacionamento dependem da iniciativa direta dos usuários que espontaneamente buscam os endereços eletrônicos desejados ou mesmo se utilizam de habilitação ou convite para o estabelecimento de contatos nas comunidades”. Para o juiz, é “uma realidade inexorável” o fato de que “a chamada grande rede se tornou um ambiente extremamente democrático”.

Fondue de chocolate com morango

Como fazer?

Compre uma boa barra de chocolate ao leite e uma caixa de morangos maduros. Prepare a mesa. Derreta o chocolate. Deixe os espetinhos e os morangos à mão.

Acrescente três crianças (já de pijamas) de quatro, seis e nove anos.

Reinações a gosto.

Paciência também.

Permita a utilização de uvas brancas e bananas em pedaços. Bolachas não.

Deixe “fermentando” o tempo suficiente para acabar o chocolate. Não, não olhe para a toalha. Esqueça as cadeiras. As manchas de chocolate nas paredes poderão ser limpas mais tarde.

Ao final, junte tudo e coloque debaixo do chuveiro.

Mais uma pitada de paciência.

Considere seriamente a inutilização perpétua dos pijamas rebocados de chocolate.

Após um bom tempo de cozimento (e vapor) retire tudo do chuveiro, ponha dentro de novos pijamas (dentes já escovados, é lógico) e coloque-os na cama.

Deleite-se com o sorriso de satisfação e felicidade de cada um…

Mude o canal de seu computador…

Resolução nº 22.718, do Tribunal Superior Eleitoral:

Art. 4º. É vedada, desde 48 horas antes até 24 horas depois da eleição, a veiculação de qualquer propaganda política na Internet, no rádio ou na televisão – incluídos, entre outros, as rádios comunitárias e os canais de televisão que operam em UHF, VHF e por assinatura –, e, ainda, a realização de comícios ou reuniões públicas.

Péraê, péraê, gente! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa! E ambas não se misturam…

Internet não é televisão. Internet não é rádio. Você “vai” à Internet, ela não “vem” até você. Será que o TSE não consegue dar uma dentro?

Já comentei sobre isso várias vezes por aqui… Aliás, mais do mesmo lá no Sérgio Amadeu.

PS.: Como dizia minha bisa, quando a cabeça não pensa, o corpo padece…

Emenda à Inicial: mais uma pitada em toda essa história foi acrescentada lá no blog Direito e Trabalho, com direito a acesso a mais links e opiniões. É, gente. O furdúncio tá lançado!

Emenda à Emenda: do link acima tive notícia de outro, o Direitos Fundamentais, também de um juiz, mas que assistiu o TSE julgar a resolução que disciplina o uso da Internet na campanha eleitoral deste ano. A íntegra de seu post está aqui. Aliás, seria muito interessante a leitura também deste outro aqui. Independentemente disso, eis o trecho final de seus comentários – o que demonstra a vasta sapiência ministerial…

Na medida em que eu ia vendo as argumentações apresentadas, ficava cada vez mais surpreso ante o despreparo dos ministros para entenderem o que é a internet. Parecia – e essa impressão foi muito forte – que eles não sabiam do que estavam falando. Para se ter uma idéia, Youtube virou U2.

No entanto, merece destaque o posicionamento do Min. Carlos Ayres Brito nesse assunto. Ele disse algo que eu já defendi: em matéria de liberdade de expressão, o Judiciário não deveria tentar regulamentar a internet sem saber do que se trata. Querer igualar a internet com as demais mídias é um grave equívoco. A internet, ao contrário da imprensa tradicional, não tem dona e a informação é livre e gratuita.

No final das contas, a solução foi uma amostra clara de que eles não sabiam direito o que estavam decidindo naquele momento. Ficou decidido que à medida em que os problemas surgissem, a solução seria dada caso a caso. Tanto melhor para os advogados e tanto pior para os eleitores, que ficam com uma espada de Dâmocles em suas cabeças sem saber direito o que podem e o que não podem fazer.