Superman – XII

Como passei minhas superférias de verão

Ali estava eu, em Cleveland, Ohio, numa grande exposição do Super-Homem, em 16 de junho de 1988. Apenas alguns meses antes, eu havia concordado em escrever e desenhar um novo título do Homem de Aço para o editor Mike Carlin. Acho que um dos motivos por eu ter aceito o projeto foi que me senti muito lisonjeado pela proposta. Quando Mike me ofereceu o trabalho, ele não estava pedindo a George Pérez, o artista, mas a George Pérez, o escritor. Considerando que, na época, eu só estava fazendo roteiros há um ano, foi muito gratificante pro meu ego. Talvez Mike estivesse contando com isso. Quando optei por também esboçar a série artisticamente, acho que superei suas expectativas. Presumo que, no fundo, todo quadrinista deseja conseguir pelo menos UMA chance de desenhar o Super-Homem. Agora tudo que Mike tinha a fazer era juntar todos os criadores num só lugar pra fazer a bola rolar. Aliás, esse era o motivo por que estávamos em Cleveland, pra discutir planos para o maior herói da DC e meu envolvimento com o personagem. Que lugar melhor para traçar o futuro do Homem de Aço do que a cidade em que ele nasceu? Que melhor ocasião que a celebração de seu 50º aniversário? Aquela noite decisiva em junho foi como um sonho que se tornou real para mim. Ali estávamos todos nós, no Restaurante Watermark, perto do cais. Sentado ao meu lado, estava um dos meus eternos ídolos do ramo, o homem que muitos consideram como O artista de Super-Homem… Curt Swan.

Fiquei tão emocionado com sua presença que quase esqueci o motivo de termos nos reunido ali, mas o Poderoso Mike logo me trouxe de volta à Terra. E em volta de nossa grande mesa redonda também estavam Jerry Ordway, Roger Stern, a esposa de Roger, Carmela Merlo, e o desenhista Kerry Gammill. Nós éramos o Supertime, chamados pra tocar a bola que John Byrne tinha nos passado. A missão: continuar a tradição cheia de emoções inicada 50 anos antes por Jerry Siegel e Joe Shuster; começar o segundo meio século do herói com um estouro.

Eu estava apavorado.

Na verdade, eu ainda não estava muito familiarizado com a versão atual do Super-Homem reformulado por John, Jerry e Marv Wolfman. Depois de Mike me mandar todos os números passados dos três títulos do Super, inclusive anuais, mini-séries, edições ainda por sair, argumentos, etc., eu comecei a pensar que talvez tivesse me metido em águas profundas demais. Como eu poderia contribuir com algo novo para as revistas do kryptoniano? O que eu tinha pra oferecer? Em primeiro lugar, Jerry, Mike e Roger deram um panorama da linha narrativa atual do Super e determinaram onde minha estréia no personagem se encaixaria mais logicamente. Em seguida, expus minhas idéias sobre o Homem de Aço. Só que, o mais importante pra mim era determinar como minha revista seria diferente das de Jerry e Roger. E eu tinha pensado muito sobre isso durante as semanas anteriores.

Não queria apenas mais um título do herói, indistinguível dos outros. Nenhum de nós queria isso. Se íamos ter três revistas do Super-Homem, teríamos que encontrar três maneiras diferentes de interpretar o personagem e ainda manter sua consistência apesar da abordagem estilística individual de cada criador. Afinal, o Super-Homem era maior que qualquer um de nós. Tínhamos que jogar em equipe. Eu precisava achar um gancho, uma faceta do novo mito do kryptoniano que ainda não tinha sido completamente explorada. Eu queria sondar um aspecto diferente da personalidade dele que seria exclusiva ao meu título afetando e sendo afetada pelos acontecimento nas demais revistas.

Então, tive um estalo. Era tão claro, tão óbvio. Ele já tinha três personalidades distintas – há anos! Na verdade, quando garotos, todos nós acabamos decorando a narração de abertura de cada episódio do seriado clássico da TV As Aventuras do Super-Homem:

“…estranho visitante de outro planeta que veio à Terra…”

“…repórter tímido de um grande jornal metropolitano…”

“…Verdade, Justiça e o Modo de Vida Americano!”

A auorora chegou. Roger já estava cuidando do Super-Homem como o herói campeão, o combatente pela verdade, justiça e modo de vida americano no título principal. As preferências de Jerry pareciam centralizar-se em torno do lado mais humano do Super, em Clark Kent, repórter tímido, e seu círculo de amigos, muito reminiscente do seriado de TV. Então, pro meu novo e ainda não batizado título, marquei meu território em Kal-El, a herança kryptoniana do personagem, o estranho visitante de outro planeta.

Me ocorreu que o Super é tão intrinsecamente terráqueo, tão caracteristicamente americano, que a maioria dos coadjuvantes em suas revistas tenderia a esquecer, se é que soubessem, que ele não era “um de nós”. Era esse caráter alienígena do herói que eu queria explorar – como é ser o último filho de Krypton e saber que sua raça, sua tradição e história, irão morrer com ele a não ser que se faça algo a respeito. A reinterpretação de John Byrne da História de Krypton tinha sido minha parte favorita do novo Super-Homem. Fazia sentido pra mim. Eu tinha encontrado meu gancho.

Agora, se ao menos pudesse vender essa idéia aos outros… Foi mais fácil do que pensei. As sugestões começaram a voar mais rápidas que uma bala. Todo mundo tinha algo interessante pra contribuir, inclusive Curt, que nos informou que em todas as décadas em que ele desenhou o Super-Homem, essa era a primeira vez que havia sido chamado a participar dos argumentos. Ele parecia muito entusiasmado com isso.

Começamos a expandir a premissa inicial, descartando o que não funcionava, mudando uma cena aqui, um personagem ali, encontrando o melhor caminho a tomar pra chegarmos à conclusão mais dinâmica possível. Demos idéias para as revistas dos outros, tentando fazer tudo se encaixar num mito coerente do Super-Homem. Havíamos entrado com picaretas de imaginação, minerando por uma linha narrativa, e atingimos o veio principal.

E o mais importante: éramos uma equipe.

Agora, ainda havia uma barreira a saltar. Algo estava faltando. Tanto do que discutimos naquela noite seria armado durante os meses antes de meu primeiro número, que era uma vergonha eu não estar envolvido fisicamente naquilo. Jerry e Roger já estavam alterando a estrutura da narrativa “Super-Homem no espaço” para preparar o ângulo do “Filho de Krypton”. Através dos sacrifícios e talentos de meus supercolegas, minha série do Homem de Aço estava se beneficiando de uma grande preparação. Mas minha chegada à nova série ainda estava a um ano inteiro de distância.

Foi então que o Poderoso Mike sugeriu fazer um anual especial do Super-Homem, uma história grande (publicada em SH 84, aqui no Brasil), que agiria como o ponto de virada do herói e seria co-escrita por seus três novos roteiristas para lançar a nova era, por assim dizer.

Devo confessar que a idéia de Mike me causou um pouco de preocupação. Com todo o pampeiro sobre minha chegada à nova série, meu envolvimento não diminuiria o impacto do primeiro número? Mike pensou bastante e por muito tempo, mas concluiu que as características únicas do projeto valiam o risco. Já era óbvio que eu cuidaria do capítulo relacionado à História de Krypton, e pedi que Mike Mignola, que havia feito um trabalho maravilhoso ilustrando o Mundo de Krypton, fosse o artista. Para mim, ele era a escolha óbvia. Mike Carlin disse que iria cuidar disso.

Então, o negócio principal estava acabado, assim como o prato principal, e era hora de liberar nossa garçonete sobrecarregada e voltar ao hotel. Estávamos todos entusiasmados. Realizamos muito naquela noite, mas havia ainda bem mais a fazer. As superférias tinham apenas começado.

Tivemos uma outra reunião meses depois em Nova Iorque. Além de Jerry, Mike, Roger e eu, dessa vez apareceu o arte-finalista Dennis Janke, que deu algumas sugestões e se mostrou contente em ficar sentado pra ouvir os argumentistas loucos jogando mais idéias de um lado pro outro. Tem gente que pede castigo. Bolamos o esqueleto básico do que viria a ser o segundo Action Comics Annual, e tudo o que restava era decidir quem cuidaria do quê. Isso não foi tão fácil quanto parecia. Nós tínhamos nos empolgado um pouco com a história. Nossas linhas narrativas estavam tão entreleçadas que era impossível dividir a revista em capítulos consecutivos.

Então, adivinhe qual foi o doido voluntário pra datilografar o esboço básico do argumento? Peguei o trabalho porque todo mundo achava que eu tinha a melhor memória (Marv Wolfman e eu havíamos há muito tempo abandonado argumentos por escrito nos trabalhos para os Novos Titãs – eu desenhava a revista a partir das minhas lembranças de nossas discussões de roteiro). Aprendi porque os soldados costumam recomendar pra nunca sermos voluntários pra nada. Foi uma tremenda empreitada: não apenas a história tinha que ser desenvolvida logicamente, mas cada página deveria ser projetada para um escritor e/ou artista em particular, sem que nenhuma equipe fosse sobrecarregada demais com o grosso do trabalho.

A despeito das dificuldades, eu achei isso estimulante. Talvez fosse porque a história finalmente era mais que um conceito intangível. Talvez por causa da confiança que meus colegas puseram em mim ou porque simplesmente era o Super-Homem. Visões dos atores Kirk Alyn, George Reeves e Christopher Reeve voavam por minha mente enquanto meus dedos corriam pelas teclas do computador. Eu poderia ouvir a voz de Bud Collier nos desenhos animados de Max Fleischer na década de 40. O tema do Homem de Aço tocava em minha cabeça com toda sua ousadia metálica. Eu estava fazendo aquilo! Eu estava mesmo escrevendo o Super-Homem!

Depois de uma semana, o esboço estava pronto pra ir em frente. Pro meu alívio, Mike aceitou. Roger e Jerry pegaram suas páginas e deram corpo às suas partes do argumento. Minhas páginas já estavam prontas para o desenhista, que, para meu enorme prazer, acabou sendo Mike Mignola – e eu ia fazer a arte-final! Com Jerry desenhando seu próprio capítulo com arte-final de John Statema, e a parte de Roger a ser ilustrada por Curt Swan e Brett Breeding, esse anual ia ser algo realmente especial. Brett, a essa hora, já tinha começado seu mandato como meu co-artista na nova série do herói kryptoniano, que, ironicamente, acabou sendo o mais antigo dos três títulos.

Após meses tentando bolar um nome para a nova revista do Super-Homem, eu acabei com a cinquentona Action Comics, que havia voltado a ser um título do Super-Homem. Tudo que é velho está novo mais uma vez.

Este anual me deu outro bônus. Jerry quis fazer a arte-final sobre meu lápis para a capa. Eu não tive ninguém para arte-finalizar minhas capas por quatro anos, mas nem pensar em recusar uma oferta feita por Jerry.

E quando você acha que está tudo acertado, o destino vem sacudir as coisas de novo. Meses após a reunião inicial em Cleveland durante o superverão, depois de todos os preparativos, depois de todo o planejamento, quase ninguém trabalha na mesma revista do Super-Homem que estava naquela época.

Pra falar a verdade, Brett e eu somos os únicos remanescentes dos planos originais.

Mas, sabe, acho que isso só vai aumentar o entusiasmo. Eu, por exemplo, estava querendo trabalhar com Roger desde nossos dias juntos na Marvel. É, acho que isso tudo acabou dando certo. E, conhecendo Mike Carlin, eu não ficaria surpreso em ver uma história ocasional feita por gente como Kerry Gammill, Curt Swan, Keith Giffen e qualquer outro que Mike possa agarrar. Esta equipe do Super-Homem continua crescendo e crescendo.

E é realmente ótimo fazer parte dela.


George Pérez

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Superman – XI

Biografia de Otto O. Binder

Escritor norte-americano de quadrinhos e irmão de Jack Binder, nascido em 26 de agosto de 1911, em Bessemer, Michigan.

Entre os anos de 1932 e 1942, Binder passou a maior parte de seu tempo escrevendo contos, livros, artigos e romances “pulp”, em colaboração com seu irmão Earl e usando o pseudônimo de “Eando” Binder. Sua carreira nos quadrinhos começou em 1939, contratado como argumentista para o estúdio de Harry “A” Chesler. Mais tarde, começou a escrever para o estúdio de seu irmão Jack (1941). Lá, ele entrou em contato com o Capitão Marvel, da Fawcett Comics.

Binder trabalhava muito – o que era claramente demonstrado por sua vasta lista de créditos como argumentista principal da revista Captain Marvel Adventures e várias outras.

Certa vez, Jim Steranko estimou que ele havia escrito mais da metade da saga Marvel inteira. E, embora produzir histórias de ritmo rápido e agradável ocupasse a maior parte de seu tempo, binder escreveu 451 das 618 histórias possíveis, de acordo com Steranko. Ele também ajudou a criar algumas das outras séries Marvel, inclusive Mary Marvel, Marvel Family e a série em texto Jon Jarl. Além disso, criou muitos dos ótimos coadjuvantes da família Marvel: Tawky Tawny, um popular tigre falante; o Sr. Mente, a minhoca maligna que quase derrotou a família Marvel várias vezes; e a família Silvana, arquiinimiga da família Marvel. E isso sem mencionar seus argumentos para outros personagens já estabelecidos, como Captain Marvel Jr. e Hoppy, O Coelho Marvel.

Numa carreira nos quadrinhos que se prolongou por 32 anos, Binder escreveu histórias para dezoito grandes editoras e bem mais de duzentas séries, entre elas Falcão Negro (1942-1943), Capitão América (1941-1946), Super-Homem (1953-1969), Spy Smacher, Bulletman e Gavião Negro. Também criou dúzias de outros personagens, inclusive The Young Allies (Timely), Tio Sam (Quality), Captain Battle (New Friday) e outros. Binder mostrou uma tremenda flexibilidade, escrevendo todos os tipos de histórias, de contos de ficção científica e horror para a New Trend, da E.C., passando por histórias de humor, como Campy Chimp e Fatman, a material regular de super-heróis, como Dollman, Steel Sterling, Spy Smasher e Capitão Meia-Noite. “Quadrinhos”, ele disse uma vez, “são como uma droga: viciam”. O argumentista não deixou de escrever quadrinhos ativamente até 1969.

A carreira de Binder como escritor também teve grande sucesso fora da indústria de HQs. Depois de abandonar o pseudônimo “Eando”, Otto começou a escrever material assinando seu próprio nome. Binder tem dúzias de romances de ficção científica em seus créditos, foi um dos editores da revista Space World e escritor para a NASA, entre dúzias de outros projetos de redação.

Binder morreu em 13 de outubro de 1974.


Mário L. C. Barroso

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Superman – X

Biografia de Mort Weisinger

Escritor e editor de revistas em quadrinhos, nascido em 25 de abril de 1915, em Nova Iorque. Após vários anos como escritor de revistas “pulp” (populares e de fácil acesso nos EUA), como editor de revistas e agente literário, Weisinger entrou para a National Comics em 1940. Embora tenha criado várias histórias de super-heróis, como Arqueiro Verde e Airwave (Vendaval), ele é mais conhecido por seu longo período como editor da família de revistas do Super-Homem (1940-1970). Mais que os criadores Siegel e Shuster, foi Weisinger quem elaborou o que, até antes da Crise, era conhecida como a lenda do Super-Homem.

Nos seus primeiros anos, o Super-Homem era artisticamente primário e totalmente sem humor. Mas Weisinger entrou com uma nova direção: tornou o Super-Homem do fim dos anos 40 e 50 um artista superpoderoso do pastelão. Não era estranho para o kryptoniano de Weisinger ser surpreendido por vilões mais bizarros. Ele não iria mais permitir que o Homem de Aço combatesse e derrotasse o segundo homem mais forte do mundo.

Weisinger fez o herói combater demônios e homens ensandecidos. Vilões como o Homem dos Brinquedos, o Galhofeiro (Prankster) e o pentadimensional Sr. Mxyztplk começaram a surgir, lançando ataques de brinquedos, piadas, truques, magia e qualquer coisa, exceto força bruta, na tentativa de derrotar o Super-Homem.

Weisinger também deve receber crédito por conseguir muitos argumentistas talentosos para narrar as aventuras do personagem. Artisticamente, Weisinger confiava em Wayne Boring, Al Plastino e Curt Swan para desenhar o Super-Homem; em Jim Mooney, para a Supermoça; e em Kurt Schaffenberger, para Lois Lane; mas Jack Burnley, Irwin Hasen e outros de mérito também entravam nessa lista. Para o texto, escritores como Otto Binder, Edmond Hamilton, Al Bester, Bill Finger, Manly Wade Wellman e outros foram usados.

Foi sob a égide de Weisinger que conceitos como o da kryptonita foram desenvolvidos; ele também expandiu consideravelmente a lista de sobreviventes de Krypton. A cidade Argo, a Zona Fantasma e a cidade engarrafada de Kandor também sobreviveram à destruição do planeta, juntamente com personagens concebidos por Weisinger, como Supermoça, Mon-El (embora a origem desse legionário tenha sido reformulada), Krypto e o Super-Robô. Durante os anos 50, Weisinger foi responsável por supervisionar a criação da Fortaleza da Solidão, o mundo de Bizarro, Lex Luthor, Brainiac, a Legião dos Super-Heróis, histórias imaginárias e muitos outros pedacinhos da supermania. Ele escreveu pessoalmente o roteiro do seriado cinematográfico estrelado por Kirk Alyn e atuou como editor de história para o programa de televisão do Super-Homem.

Weisinger deixou o Super-Homem e os quadrinhos em 1970 para dedicar todo o seu tempo a uma carreira ascendente como escritor de livros e revistas.


Mário L. C. Barroso

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Superman – IX

Biografia de Joe Shuster

Joe Shuster é um artista de HQs e tiras nascido no dia 10 de junho de 1914 em Toronto, Canadá. sua família se mudou para Cleveland, Ohio, em 1923, e foi ali que ele conheceu o argumentista Jerry Siegel. Juntos, quando adolescentes, os dois começaram a publicar fanzines de ficção científica. Em uma das edições, fizeram um artigo sobre o romance Gladiator, de Philip Wylie, que foi a base para a maior criação deles, o Super-Homem, concebido em 1933.

Ao mesmo tempo, Shuster estava estudando Arte e cursava o John Huntington Polytechnical Institute e a Cleveland School of Art. Em 1936, Siegel e Shuster entraram no negócio de revistas em quadrinhos através da New Fun Comics, Inc. – que, mais tarde, se tornaria Detective Comics e depois National Periodics -, produzindo histórias convencionais de aventura, como Dr. Occult, Henry Duval, Spy, Federal Men, Radio Squad e Slam Bradley.

Em 1938, porém, a companhia comprou deles a primeira história do Super-Homem por 130 dólares. Fazendo sua primeira aparição na edição inaugural de Action Comics, o Homem de Aço foi um sucesso imediato e, desde então, avançou até se tornar o mais conhecido personagem de aventuras dos quadrinhos.

A arte de Shuster era primitiva, chapada, até mesmo primária, mas lindamente projetada e bem concebida. De certo modo, seu estilo simples tornou-se a receita para os primeiros gibis de aventuras, mas seu trabalho era em geral melhor e mais inspirado do que as imitações que se seguiram. Ele gostava de usar planos distantes, que mostravam o personagem inteiro; sua arte nunca foi pretensiosa ou experimental. Em vez disso, Shuster se contentou com o trabalho narrativo direto, que o crítico e artista James (Jim) Steranko uma vez comparou ao estilo dos cartunistas editoriais.

Embora Siegel e Shuster tenham ganho bastante dinheiro com o Super-Homem – o Saturday Evening Post estimou a renda deles em 75 mil dólares em 1940 – e embora tenham aberto um estúdio para produzir as quantidades sempre ascendentes de material solicitadas pela National, eles nunca tiveram nenhum direito sobre o personagem. Shuster desenhou o kryptoniano até 1947 – para os gibis e para as tiras de jornal do McLure Syndicate – e terminou sem nada.

Após trabalhar um período com o Bell Syndicate na tira Funnyman, escrita por Siegel, o canadense abandonou completamente a indústria quadrinística.


Mário L. C. Barroso

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Superman – VIII

Biografia de Jerry Siegel

A primeira criação de Jerome “Jerry” Siegel para gibis foi o Super-Homem, o personagem quintessencial dos quadrinhos e bisavô de milhares de super-heróis, que desde então tomaram o meio. A carreira de Siegel foi assombrada pelo personagem desde sua concepção, em 1933, e sua primeira aparição no número um da revista Action Comics, da editora National Periodics, em junho de 1938. Siegel e o artista Joe Shuster, um amigo de infância, venderam o personagem por 130 dólares e receberam pouco mais a partir de então. Na verdade, Siegel gastou boa parte de sua vida adulta tentando inutilmente reconquistar um pouco dos direitos sobre o que é indiscutivelmente o personagem mais lucrativo dos quadrinhos.

Nascido em Cleveland, Ohio, em 17 de outubro de 1914, Siegel baseou frouxamente seu conceito de Super-Homem no romance Gladiator, escrito por Philip Wylie em 1930. A origem do Homem de Aço foi incorporada às tradições norte-americanas, naturalmente, e centenas de imitações o seguiram. Em retrospectiva, porém, o personagem de Siegel era único, pois mostrava um ser superpoderoso adotando o disfarce de um repórter tímido, Clark Kent. Os contemporâneos do Super-Homem costumavam ser humanos normais que se transformavam em super-heróis. As implicações psicológicas de sua criação têm sido estudadas há anos.

Mas, apesar de sua posição atual de destaque, o Super-Homem foi inicialmente rejeitado por todas as grandes agências de tiras de jornal da época. Somente em 1938, os editores da revista especializada em histórias policiais e de aventura, Detective Comics, compraram os direitos do Super-Homem e o publicaram na revista Action Comics: o personagem de Siegel e Shuster decolou imediatamente. Siegel continuou a trabalhar no herói até 1948 – com histórias que consistem em pequenas peças de moralidade. Sua caracterização do Homem de Aço era mais sóbria que a de escritores posteriores – e a disputa em torno da propriedade do herói se seguiu quase imediatamente. Até hoje, Siegel e a National (agora DC Comics) estão nos tribunais por causa do personagem.

Todavia, apesar de Jerry afirmar constantemente que foi incluído na lista negra da indústria de gibis por causa do processo contra a National, seu rol de créditos é tão longo quando o de qualquer um da área. Siegel trabalhou em muitas tiras de jornal – incluindo Super-Homem, Funnyman, Reggie Van Twerp, Ken Winston, Tallulah – e também foi o primeiro diretor de revistas em quadrinhos da Ziff-Davis. Mas muitos especialistas acham estranho que nenhuma de suas criações tenha alcançado sucesso prolongado. Muitos acreditam que, embora Siegel possa não estar na lista negra, talvez ele tenha sido punido constantemente por suas tentativas de reconquistar o Super-Homem.


Mário L. C. Barroso

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Superman – VII

Supermoça

A Supermoça foi criada pelo editor Mort Weisinger e pelo argumentista Otto Binder como série de apoio para o Super-Homem na revista Action Comics, a partir do número 252 (maio de 59). A nova série estreou após uma fantástica reação dos leitores a uma edição de Superman, publicada um ano antes, na qual Jimmy Olsen usava um totem para criar uma Supermoça, que posteriormente sacrificou sua vida para salvar o Super-Homem. A partir do enorme sucesso dessa edição, decidiu-se criar uma nova Supermoça para aparecer em Action Comics.

A nova “Moça de Aço” era a última sobrevivente (na época) da cidade de Argo, parte do planeta Krypton. Quando o astro explodiu – explicava a história de origem -, Argo foi lançada ao espaço num grande bloco de rocha que logo se transformou na letal kryptonita. Folhas de chumbo foram usadas para cobrir o solo, mas, anos depois, uma chuva de meteoros perfurou a proteção, liberando as radiações mortais para os kryptonianos. O cientista Zor-El (irmão do pai de Super-Homem, Jor-El) enviou sua filha adolescente, Kara, para a Terra, do mesmo jeito que Jor-El havia feito com seu filho anos antes. Nesse período, Kal-El tinha crescido e se tornado o Super-Homem. Como a nova Supermoça era prima do Defensor de Metrópolis, isso eliminava qualquer possibilidade de um romance entre os dois alienígenas, não interferindo no namoro entre o Homem de Aço e Lois Lane.

A loura e adolescente Supermoça recebeu uma peruca castanha e o alter ego de Linda Lee, moradora do Orfanato Midvale. Durante algum tempo, a existência de uma Supermoça foi mantida cuidadosamente em segredo e Linda Lee, continuando a viver no orfanato, evitava a adoção. Finalmente, em agosto de 1961, ela foi adotada pelo casal Danvers (mudando a identidade para Linda Lee Danvers), e, em fevereiro do ano seguinte, o Super-Homem anunciou que o “período de treinamento” dela havia terminado e que o mundo deveria saber de sua presença.

A primeira história de Supermoça foi desenhada por Al Plastino, que foi substituído por Jim Mooney até 1968, quando Kurt Schaffenberger assumiu. As histórias eram fornecidas por Binder, Leo Dorfman, Edmond Hamilton e muitos outros. Ao longo dos anos, a Supermoça também apareceu com frequência em todas as outras revistas derivadas do Super-Homem, inclusive, na Legião dos Super-Heróis. Linda Lee Danvers cresceu e se matriculou na faculdade.

Em junho de 1969, a Supermoça começou a aparecer em Adventure Comics (nº 381) e, tempos depois, tomou a revista inteira, abandonando a vaga secundária em Action Comics. Schaffenberger e Winslow Mortimer ilustraram a série até o ano seguinte, quando Mike Sekowsky assumiu edição, argumento e arte da Moça de Aço. Linda Lee Danvers se formou na faculdade por essa época, e, pouco depois, Sekowsky foi substituído por uma série de escritores e artistas, como Bob Oskner, Art Saaf, vince Colleta, John Albano, Steve Skeates e, mais tarde, Sekowsky novamente. Em 1972, a Supermoça deixou a Adventure Comics e apareceu numa revista, Supergirl, começando do número 1 (novembro). A revista durou apenas dez edições, mas, após o cancelamento do seu título próprio, a Supermoça passou a aparecer regularmente na revista The Superman Family.

Como foi visto em Crise nas Infinitas Terras, a heroína morreu lutando contra o Anti-monitor.

Entretanto, há rumores de que Byrne ressuscitou a Moça de Aço…


Mário L. C. Barroso

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Superman – VI

As Origens do Super-Homem – Quinta Parte

Numa tentativa final de atualizar a imagem do Super-Homem, Clark Kent deixa o Planeta Diário. O jornal tinha sido comprado por Morgan Edge, uma mescla de Rupert Murdoch e Don Corleone. Engolido completamente pelo Sistema Galáxia de Telecomunicações de Edge, o venerável Planeta tornou-se apenas uma pequena engrenagem num grande império da mídia, e Kent transformou-se em âncora do SGT. Com o cabelo devidamente tratado, gravatas largas e chamativas, o “novo” Clark parecia distante da criação de Siegel e Shuster. E, para muitos, o conceito de Clark como personalidade televisiva pareceu problemático desde o início. Se, digamos, o Cid Moreira fosse secretamente o Homem de Aço, como ele poderia cobrir um desastre natural ou um sequestro ao vivo e ainda cumprir seu dever heróico? O trabalho de Clark como repórter de jornal dava exatamente a mobilidade de que ele necessitava para, simultaneamente, cobrir histórias chamativas e ainda salvar a pátria como Super-Homem. No entanto, estar diante das câmaras comprometia demais sua tão necessária liberdade.

Durante essa era, por um curtíssimo período, uma lenda dos quadrinhos passou a trabalhar com o Super-Homem. Jack Kirby, assim como Siegel e Shuster, fôra um dos precursores dos quadrinhos de super-heróis e, em quase meio século de carreira, esteve envolvido na criação de uma infinidade de personagens com apelos quase tão duradouros quanto os do Homem de Aço.

Contratado para trabalhar na revitalização do personagem, Kirby preferiu atuar mais perifericamente, indicando o caminho, em vez de comandar sua revista principal. Ele assumiu o título Superman’s Pal: Jimmy Olsen a partir do nº 133, de outubro de 1970, e deixou naquelas páginas a marca de seu impressionante gênio criativo. O resultado foi puro brilhantismo num título anteriormente chinfrim. As histórias em Jimmy Olsen nunca tinham sido mais do que histórias do Super-Homem com outra roupagem, mas, sob a tutela de Kirby, Jimmy conquistou um espaço bem maior.

Kirby ressuscitou a Legião Jovem – equipe criada com Joe Simon na década de quarenta – e, com ela, enviou Jimmy numa frenética jornada pelo mundo da contracultura do início da década de 70. Ali estavam os Cabeludos, um grupo quase tribal de motoqueiros hippies que habitava uma cidade arbórea na Área Selvagem. Ali estava o Projeto, um experimento ultra-secreto que produzia super-criaturas geneticamente alteradas de todas as formas e todos os tamanhos, inclusive o grupo de agentes especiais conhecido como os DNAlienígenas. Ali também estava a Montanha do Julgamento, um colosso motorizado que cruzava velozmente o interior do país numa missão misteriosa e incompreensível. Em páginas de três quadros, Kirby despejava conceitos que um roteirista menos capacitado teria espalhado por três ou quatro revistas.

No título The Forever People, Kirby apresentou ao Super-Homem os Deuses de Nova Gênese. Pela primeira vez, o Homem de Aço encontrava seres que eram iguais ou talvez superiores a ele.

Lamentavelmente, esta torrente de criatividade teve vida curta. O principal interesse de Kirby estava voltado para seu ciclo do Quarto Mundo, os Novos Deuses, o Povo da Eternidade e o Senhor Milagre. Esta tapeçaria de intrincado tecido, retratando um Novo Ragnarok, uma guerra cósmica entre seres de estatura divina, tomava todo o seu tempo. Quando acabou sua participação em Jimmy Olsen, ele havia contribuído para o panorama geral, mas não tinha influenciado os outros títulos o suficiente. O Super-Homem ainda enfrentava sérios problemas.

Foi nessa época que o roteirista Dennis O’Neil apontou o que ele acreditava ser o maior defeito no herói. O Homem de Aço havia se tornado poderoso demais. O’Neil afirmava que era impossível criar histórias empolgantes e dinâmicas com um ser praticamente divino. Ao lado do editor Julius Schwartz e do veterano desenhista Curt Swan, O’Neil iniciou sua reformulação do personagem.

Teria sido difícil selecionar uma equipe melhor. Schwartz já era um dos Grandes Anciões tanto das revistas em quadrinhos quanto da ficção científica. Sua carreira era tão longa quanto a do Super-Homem, e ele já tinha renome por revitalizar personagens conhecidos.

Swan havia começado a desenhar o Super-Homem em meados da década de 50, e seu trabalho estava entre os melhores. Seu estilo limpo e realista era o mais identificado com o Homem de Aço. O’Neil era um roteirista premiado, vindo da surpreendente revitalização do Lanterna Verde e, principalmente, do Batman, com histórias que tinham recuperado muito do conceito original do Cavaleiro das Trevas.

O’Neil tomou uma atitude bem simples: privou o personagem de um terço de seu poder. Isto foi concretizado a partir de janeiro de 1971, na edição Superman 233, com a criação de uma duplicata do Super-Homem. A enigmática criatura recebeu um terço do poder do Homem de Aço e, dessa perda, emergiu um herói mais gerenciável. Para sorte do desenergizado Super-Homem, toda a kryptonita da Terra foi transformada em ferro inofensivo por uma reação em cadeia gerada pelo mesmo acidente que criara a duplicata. Ao fim deste ciclo, a duplicata havia drenado metade dos poderes do Homem de Aço.

Schwartz humanizou um pouco mais Clark Kent, deixando-o de costeletas e usando ternos de outras cores além de azul. Ele também começou a integrar mais o Super-Homem com o universo DC. Em grande parte por causa da “realidade” intrincada e interativa criada pela Marvel Comics, leitores de toda parte exigiam aventuras mais complexas e ambientações mais perenes para os personagens DC. Mort Weisinger havia criado uma continuidade bastante coerente entre os títulos do Super e, agora, Schwartz se dispunha a fazer com que o herói interagisse mais com os outros personagens da editora.

Depois da saída de O’Neil, o Homem de Aço recuperou seus poderes perdidos. Afinal, muitos afirmavam que os dons de qualquer kryptoniano eram infinitos, e dois terços do infinito são… bem… ainda infinito (esta leitura dos poderes do personagem tinha o efeito colateral lamentável de implicar que Krypto e Beppo, o supermacaco eram tão poderosos quanto o Super-Homem, mas, uma vez que nenhum dos dois continuava aparecendo, o problema potencial havia sido habilmente jogado para debaixo do tapete.

No início da década de oitenta, outra reavaliação entrou em andamento. O editor-executivo Dick Giordano e a diretora Jenette Kahn perceberam que toda a linha DC estava irremediavelmente bagunçada. Uma enorme faxina se fazia necessária.

Grandes mudanças foram possibilitadas por uma mega-saga sem precedentes na história: Crise nas Infinitas Terras, um massacre calculado. Os leitores ficaram sem fôlego. E, mais importante ainda, foram preparados para outras mudanças. Era a ocasião perfeita de se fazer outra reformulação no Super-Homem. Na verdade, a mais completa de todas elas. Dick Giordano me procurou e, em íntima colaboração com os editores Mike Carlin e Andrew Helfer, eu estabeleci os parâmetros de um novo Super-Homem.

Ele fez sua estréia nos EUA em 1986 e, para falar a verdade, não era tão “novo” assim. Foi uma aproximação do personagem de Siegel e Shuster. Eliminamos os poderes divinos e sua carreira como Superboy. O planeta Krypton foi reprojetado e redefinido. Jor-El e Lara pareciam diferentes. O casal Kent estava mais jovem quando encontrou o bebê. Os dois disseram ao mundo que o garoto era filho natural, e não tiveram de passar por um elaborado ritual de adoção.

Mais uma vez, como no início, ele chegou à idade adulta sem assumir a identidade de Superboy. Na verdade, uma vez que nesta versão seus superpoderes se desenvolveram lentamente, o jovem Clark não precisou esconder suas capacidades, pois ainda não as tinha. Quando visto pela primeira vez, com a idade de dezoito anos, ele havia se tornado campeão pelo time de futebol americano do Colégio Pequenópolis, para irritação dos outros jogadores. Ao ver a chateação dos colegas de equipe de Clark, Jonathan Kent decidiu contar ao filho a verdadeira história de seu nascimento e deixou bem claro para o rapaz que ele jamais deveria usar suas habilidades extraordinárias para se fazer superior aos outros, mas sempre para ajudar a todos.

Adquirindo humildade por meio das palavras do pai, Clark resolveu assumir a responsabilidade inerente a seus poderes de maneira secreta. Ele não queria que o mundo soubesse que um “anjo da guarda” estava à disposição.

Somente depois de ser forçado a agir abertamente para salvar um ônibus espacial em Metrópolis, Clark Kent voltou a Pequenópolis e, com a ajuda de seus pais, criou a identidade uniformizada de Super-Homem. Só então ele decidiu alterar sua aparência como Clark, assumindo o tradicional penteado para trás e os óculos fundo-de-garrafa.

Numa grande inversão filosófica, Clark tornou-se o verdadeiro personagem, que se fazia passar pelo Homem de Aço, e não o contrário. Mais ainda, ninguém na Terra, exceto Martha e Jonathan Kent, sabia que o Super-Homem tinha dupla identidade. Livre da compulsão exaustiva de fingir que não era Super-Homem, Clark pôde se tornar um personagem mais dinâmico, exibindo orgulhosamente seus troféus de futebol americano, que também serviam para justificar seu físico magnífico.

Lois ficou livre para se tornar a personagem inteligente e segura de si de cinquenta anos antes. Uma vez que ninguém suspeitava que o Super-Homem tinha um alter ego, Lois não precisava mais perder tempo tentando revelar o segredo.

O Planeta Diário voltou a seu local original na história. Perry White foi apresentado como editor-chefe, e não executivo, tornando mais lógico o relacionamento íntimo com seus repórteres.

Talvez a maior de todas as mudanças tenha sido proposta pelo meu colega Marv Wolfman. Ele sugeriu “ajeitar” Lex Luthor. Não mais um cientista maluco, Luthor tornou-se um “super-homem” dos negócios, o mais poderoso de Metrópolis… até a chegada do Homem de Aço. O herói tirou de Luthor sua posição privilegiada. Como o Salieri em Amadeus, reconhecendo o gênio de Mozart, Luthor sabia que, para voltar a ser o Número Um, deveria eliminar seu rival. Porém, diferente de Salieri, Luthor não aceita a idéia de que o Homem de Aço é melhor do que ele e, por isso, está condenado a fracassar sempre.

Desta forma, nosso herói decola rumo ao seu segundo meio-século. Ele passou por situações difíceis nas suas cinco primeiras décadas de vida. Voou mais alto do que qualquer outro personagem, mas também caiu a pontos baixíssimos. Conquistou a glória em histórias empolgantes e mergulhou na tolice e na pretensão. Serviu como um orgulhoso emblema para a nação e foi constrangido pelos excessos dela. Brega, cultuado, clássico.

Ele foi essas coisas e muito mais. Mas, acima de tudo, sempre foi o Super-Homem.

E sempre será.



John Byrne

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  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)