Categoria: Personalíssimo
Reflexões…

Como se faz para retornar à sua vida antiga? Como você pode continuar quando, em seu coração, você começa a entender que não há volta? Há certas coisas que o tempo não pode curar… Algumas feridas são tão profundas que permanecem para sempre.![]()
(Frodo Bolseiro – O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei)
Sazonalidades
Confesso que fiquei com preguiça de repetir todo o “procedimento”… Daí resolvi aproveitar o que já tava pronto, ou seja, esse vídeo aqui. De diferente, além da barba (bem) mais branca e o cabelo (um pouco) mais comprido, somente uns dois ou cinco quilos a mais…
😉
Recordâncias…
Até onde posso me lembrar, eu estava trabalhando.
Preocupado, vendo a papelada de sempre, com os telefonemas de sempre, pensando nas reuniões de sempre.
Quando menos esperava estava na hora do almoço.
Saí.
O ambiente, ainda que familiar, me parecia estranho…
Sei que, de cara, pouco antes da rua, numa mesa com outros dois rapazes (seria um deles seu marido?) eu a vi.
Evanilda.
Deixei de chamá-la de “falecida” há pouco tempo, por respeitosíssimas relevantes recomendações…
Olhei novamente, disfarçadamente, enquanto passava. Era ela mesma.
Cabelo bem mais curto, quase chanel. Um pouco mais morena, mas ainda assim com a pele quase alva de sempre…
Sim, era ela.
Saí encafifado.
Mas, afinal de contas, o que raios ela estava fazendo por ali?
E, pensando nisso, atravessei a rua olhando para o Colégio Olavo Bilac, onde estudei pouco antes de conhecê-la. Até mesmo vi alguns rostos familiares. Continuei meu caminho, desviando das barracas dos camelôs de sempre em frente às Lojas Americanas – movimentada como de costume. Novamente atravessei a rua, indo em direção ao Banco Nacional. Olhei para as grandes portas envidraçadas de correr, por experiência própria difíceis de serem puxadas. E olhei para minha imagem nelas refletida.
E percebi que estava sem barba.
E achei curioso.
Já tem quase um ano que ostento esta minha esbranquiçada barba. Eu deveria me lembrar claramente de quando a tirei. E busquei pela memória. Nada. Parei. Olhei novamente para aquelas grandes portas. E o movimento dentro da agência. E daí comecei a perceber o que na realidade estava acontecendo…
Eu estava sonhando!
Voltei-me e novamente encarei as Lojas Americanas: até o balcãozinho lá no fundo, onde eu costumava almoçar sentado nos tamboretes ainda estava lá! E visível!
Também olhei para o lado e a boa e velha pastelaria do chinês, com seu magnífico frango xadrez, também estava aberta!
Mas nada disso existe mais!
Então me apercebi de que, na realidade, estava sonhando. E me lembrei dos mais de quatrocentos quilômetros quase ininterruptos de viagem, de minha exaustão física, de que fui deitar cedo e de que já devia estar dormindo há, pelo menos, nove horas!
E me instalei naquele tênue limiar entre o sonhar e o acordar. Acordei dentro do sonho. Mas não despertei na vida real. Tomei consciência de que estava perambulando pelas paragens do mundo onírico, onde tudo é possível e qualquer coisa pode se tornar realidade.
E resolvi que minha realidade seria ter uma boa e franca conversa com ela.
Voltei correndo, torcendo para não acordar de vez, torcendo para que continuasse dormindo, semi-desperto, ou seja lá o que for que se chame esse estado.
Parei do lado de sua mesa, puxei de lado a cadeira em que estava sentada e encarei-a fixamente. Ela sorriu. Aquele sorriso tão completo que somente ela sempre soube dar. E ali mesmo, ignorando sua companhia, beijei-a. Profundamente. Sinceramente. Melhor: fui beijado. Aqueles lábios carnudos me tomaram por completo e podia perceber que ela também sorria durante esse desencontrado mas absoluto beijo.
E sentei-me.
E conversamos.
Conversamos sobre tudo. Sobre todos. Sobre mim. Sobre ela. Conversamos como sempre conversávamos quando nos tínhamos um ao outro à disposição. Conversamos sobre uma infinidade de coisas por uma eternidade de tempo. Pois o tempo se move de maneira diferente quando sonhamos. E o mundo parou de girar e nós continuamos a conversar. Eternamente pra sempre enquanto durou.
Mas, como diz a música, “o pra sempre, sempre acaba”…
Acordei.
Sem saber como terminou a conversa. Como nos despedimos. Quase, sequer, como nos encontramos.
Aquela estranha sensação de não saber bem onde se está ou o que falar ou com quem falar.
Mas acordei.
Estranhamente impressionado por algo tão recente e tão vívido em minha mente. Seu gosto ainda estava em minha boca. E, mesmo assim, eu não havia saído dali.
Como explicar?
Pra onde, mesmo?

Cacos de vida

E eu aqui, mais uma vez pensando nas ironias que o destino teima em me impor… Letras de músicas, pedaços de filmes, trechos de livros, de estórias e de histórias que li ou vivi, bailam em minha mente, como sempre, num caleidoscópio alucinado que insiste em não manter uma imagem coesa de um futuro certo. Em momentos como esses – como de praxe – me sinto velho, clássico, antigo como as estrelas…
As idéias que a instantes se assenhoravam de minha mente, traçando uma linha reta e decisiva, agora já se tornam fugidias. Enevoadas. É como aquele sonho que tentamos resgatar nos primeiros momentos do despertar: por um milésimo de segundo até conseguimos ver o quadro inteiro, mas quanto mais nos esforçamos para enxergar seus detalhes, mais embaçado se torna, restando em seu lugar apenas uma densa, inexpugnável e avalonesca bruma.
Então saio.
Preciso andar, caminhar, expandir.
Meus pensamentos, meus sentimentos, meus devaneios começam a querer fugir do controle e é necessário espaço para que eles possam galopar em meu entorno. Nada que possa ser contido por quatro paredes…
Me perco sem me perder, trilhando por caminhos que sempre passo mas pelos quais jamais andei.
E penso.
Necessariamente penso.
Furiosamente penso.
Penso no quanto a fuga para a solidão é tão mais fácil de enfrentar. Penso em verdades ignorantes que repetimos tal qual mantra para que nos convençamos da importância de nossa pequenez. Penso no orgulho que permeia a nossa volta e do quanto verdadeiramente nos deixamos contaminar por ele. Damos força ao monstro e permitimos que ele se instale em nossas vidas da maneira que melhor lhe aprouver.
Penso em todo esse ouro de tolos, em sua exuberância, inconstância e falsidade. Penso em todos aqueles mineiros de nuvens que a ele se dedicam, espalhando suas vaidades, certezas, ignorâncias, conceitos e pré-conceitos…
E, pensando em tudo isso, tento formar uma imagem do que realmente seria relevante. Quais as pepitas desprezadas, que jazem ocultas, mas que seriam verdadeiramente capazes de levar seu portador rumo à felicidade?
Não aquela momentânea, nem tampouco a inconstante – mas sim àquela terna, calma e perene.
E, nas minhas andanças por lugar nenhum, do céu começa a cair uma chuva.
Abro-lhe os braços e ofereço-lhe o rosto para recebê-la, abençoada chuva.
Gélida, fina e cortante chuva.
E eis que, no meio das agulhadas que me despertam, uma imagem – mais uma vez e ainda que fragmentada – volta a se formar. E, de lugar algum, músicas antigas, impregnadas em alguma parede d’alma, per si tocam em meus ouvidos. E tudo isso me faz lembrar do imponderável sacrifício que custa para construir essa fortaleza que se chama “família”…
E percebo que todos esses fragmentos estão ali no meu caleidoscópio de vida. Por vezes estilhaçados, na maioria, por minhas próprias mãos. As mesmas mãos que precisam ter a coragem e a ousadia de manejá-lo até que se forme a imagem daquilo que precisa ser. Até que todos os cacos de vida de uma vida inteira assumam a configuração única que somente a mim pertence.
E é – será? – um trabalho árduo.
Garimpar o verdadeiro ouro.
Ainda que se corra o risco dos tolos.
Mas o que é a vida senão um risco?

Férias!!!
Sei que o tema (e até mesmo o vídeo) já é recorrente por aqui… Mas não consigo resistir!
Depois de dez (ei, eu disse DEZ) anos sempre tirando férias de 15 em 15 dias, pela PRIMEIRÍSSIMA vez emendo 30 dias direto…
É isso mesmo, crianças!
Férias, e lá vamos nós!!!!
