Nota de falecimento

É sem nenhum pesar que comunico o início do falecimento, de morte matada, de uma notória personalidade que vinha ocupando um espaço pouco desejado em minha vida: o egoísmo.

Nascido da fertilidade da imaginação e acalentado pela solidão, sempre esteve presente no limiar dos corredores mais sombrios de meu viver. Até há pouco tempo era simplesmente uma sombra fugidia, daquelas perceptíveis somente na área limítrofe da visão, mas que desaparecia por completo ao se focar onde estava.

Entretanto, ultimamente, com desgosto percebi que se fazia cada vez mais presente. Foi chegando, se instalando, se acomodando e não lhe dei a devida atenção, preocupado que estava em meus afazeres. Quando finalmente percebi sua presença ele já estava sutilmente a ditar rumos que eu jamais deveria tomar em sã consciência.

Nada mais me restou senão começar a matá-lo…

Sim, pois ele é forte e não morre assim tão fácil. Tanto, que afeta totalmente o bom senso e a real percepção, fazendo com que se veja o mundo sob uma ótica distorcida. Assim, decidi sufocá-lo até sua extinção – senão completa, ao menos num nível que volte apenas a ser aquela sombra fugidia de outrora (mesmo agora, sinto-o arranhar a tampa de seu esquife, nas catacumbas de meu ser, implorando por liberdade…).

Deixa por viúva a inveja, bem como as filhas cobiça e mesquinhez – outras personalidades que jamais tive o desprazer de conhecer.

Em tempo: descobri que havia ainda um pequeno órfão, parente distante dessa família, o amor-próprio, que vinha sendo mantido oculto pela insegurança. Informo a quem interessar possa que o mesmo foi resgatado e passa bem, em fase de franca recuperação, posto que, por abandono, encontrava-se totalmente desnutrido…

Inferno!

Alguém, EM NOME DE DEUS, sabe dizer quando necessariamente começa o Inferno Astral pré-aniversário?

Estou desconfiado que o meu está começando com MUITA antecedência…

Talvez seja castigo por não ter cumprimentado direito os amigos que têm feito aniversário por esses dias (discurpa Paulo!).

Creio que abril vai ser um looooongo mês – que, inclusive, já começou em março…

Ja-man-ta não mor-reu… (dinovo!)

Boisé…

Nem bem me “curei” do último acidente, não é que já me meti em outro? Dessa vez com a moto…

Estava eu, belo e formoso, indo trabalhar quando me deparo com um semáforo, próximo a um posto de gasolina. Pista dupla, com busão parado à direita, não tive dúvidas: fui à direita deste, pelo posto de gasolina, para aguardar o verde.

Mas o verde veio antes do esperado…

E nesse meio tempo, um carro À ESQUERDA DO ÔNIBUS resolveu entrar nesse mesmo posto de gasolina. Com um ônibus entre ambos nenhum de nós viu o outro até que fosse tarde demais. A lateral do carro foi crescendo na minha frente, resolvi virar pra direita pra acompanhar o carro, mas a roda dianteira ameaçou derrapar, comecei a juntar no freio e aí que a moto começou a deslizar de vez, cada vez mais perto do carro, restou a derradeira alternativa:

– A moto que se foda!

Pulei fora no último momento, mas ainda não deu pra evitar que ela caísse sobre minha perna (a outra, a boa).

Levanta daqui, olha dali, “tá tudo bem, tá tudo bem” – “não se machucou, quer que leve para o hospital?”… Enfim. Ambos estávamos errados, ambos sofremos com isso, cada um paga o seu.

O que mais me doeu – pensamento inclusive que ocorreu no MOMENTO da batida – foi o bolso. Não ficou caro pra arrumar, mas – putz! – já estou sem grana, e acabei gastando o que não podia…

Ao menos teve o lado bom da coisa (1ª Lei de Polyana). Eu estava mancando da perna esquerda, com o tombo passei a mancar da perna direita, ou seja: praticamente parei de mancar! Tudo bem que diminui uns 10cm na altura…

Bom, enfim, após looooooongo e tenebroso inverno, mais algumas derrapadas de aprendizado, finalmente consegui liberar a área de comentários. Tive que aprender a usar uns três softwares diferentes, bem como descobrir como funciona o MySQL básico pra poder fazer isso, mas (acho que) consegui. Ainda falta acertar a configuração geral do site, mas com algum tempinho acho que dá pra corrigir…

Atarefado

“acta est fabula”

Nosso gramado!

“Ainda não…”

Essa foi a frase dita por Jonathan, pai de Clark, em um dos últimos capítulos que assisti do seriado Smallville – o qual venho acompanhando homeopaticamente em DVD nas últimas semanas. Mas em breve voltaremos a esta frase.

Nesse belo e pomposo feriado carnavalesco, pude desfrutar meu lar por alguns dias. Pois é, como diria Stanislaw Ponte Preta, eu sou um dos quatro brasileiros que não gostam de Carnaval. Nem sei quando exatamente isso começou, pois me lembro que, quando garoto, costumava ir às matinês num antigo clube em Santana. Mas, em algum momento, esse encanto se foi e deu lugar a uma antipatia generalizada.

Bom pra mim, ruim pra festeira da Dona Patroa… Mas tenho certeza absoluta que em Carnavais vindouros ela vai acabar arrastando a criançada para algum clube pra que não “fiquem como o pai”…

Assim, aproveitamos para dar uma geral na casa, podando a hera do muro (que já estava virando um túnel), aparando pela primeira vez a recém-plantada grama (já haviam tigres e alguns guepardos no meio da mata), dando uma acertada em arquivos do computador (perdendo muitos) e coisitas do gênero. Particularmente, ante uma eventual demanda carrapatística que poderia surgir, a Excelentíssima resolveu dar ela própria uma tosquiada nas meninas – nossas cachorrinhas mestiças de Lhasa com Maltês – Suzi e Pietra. Uma loira e uma preta.

Olha, a Suzi ficou como um carneirinho tosquiado com uma faca cega. Mas a Pietra… Putz, parece que tacaram fogo no cachorro. Onde não tem tufinhos desiguais, aparece a pele (pretinha) da coitada… Mas tá certo, foi para o bem delas. Daqui a pouco o pelo cresce de novo (espero).

Além de uma ação de cobrança que (finalmente) montei, o final de semana também serviu para alguns experimentos. Perdi dois DVDs ao fazer a transformação de uma fita 8mm para o meio digital. Como arquivo MPEG2 ficou ótimo. Já ao gravar o DVD, a imagem sai perfeita, mas o som fica péssimo. Ainda não descobri como contornar essa situação, mas não tenho pressa. Afinal levei quase dois anos pra começar a entender e utilizar a placa de captura que está instalada em meu computador… O que seriam alguns meses a mais?

Também, por indicação (não me lembro exatamente de quem, mas tenho 50% de palpite entre as duas pessoas que trabalham comigo), baixei e instalei o programa “Shareaza” – parece-me um trocadilho entre Shareware e Sherazade – que faz conexões P2P (“peer to peer”) entre computadores para download de arquivos de música, vídeo, etc. Simples, intuitivo, fácil, eficiente e gratuito. É, gostei do bichinho… Pode ser encontrado em qualquer desses sites de download.

Hmmm… Acho que o assunto acabou se desviando um pouco daquele sobre o qual eu pretendia falar no início… Tudo bem, deixemo-lo para outro dia.

Até porque, ainda tenho que ir trabalhar. Meio-dia. Mas ainda assim, tenho que ir.

Juramento de Hipócrates

“ab uno disce omnes”

HipócratesO acidente foi em 18 de dezembro. Dois meses depois ainda sangrava por baixo da casquinha que ficou. Como, há muito tempo, eu precisei fazer uma cirurgia cuja cicatrização tinha que ser de “dentro pra fora” (cisto cóccix-lombar), achei que nesse caso deveria ser da mesma maneira.

Então resolvi ir ao médico. Convênio em dia (graças à Dona Patroa), fui na sexta-feira passada. O plantonista do convênio (clínico-geral, eu acho) deu uma olhadinha no ferimento, perguntou o que eu estava sentindo e concluiu dizendo que ele não iria mexer nisso, porque a cicatrização seria assim mesmo, nem sequer iria medicar, mas que eu procurasse um cirurgião vascular, para um procedimento de limpeza e eventual desinfecção.

Saí meio desanimado, pois pensei que já fosse ser “medicado” ali mesmo. É lógico que na correria do trabalho não deu sequer tempo de pensar em marcar com o tal do médico.

Logo no domingo, estou em casa, encafifado com meu ferimento. Aí eu disse pra mim mesmo: “Mim mesmo, é melhor irmos até um pronto-socorro, onde teremos um atendimento imediato”. E lá fui eu.

Faz ficha, senta, espera um pouquinho, fui chamado. Desta vez o médico (um urologista) SEQUER chegou a dar uma olhadinha. Sentado no seu canto, me ouviu, deu uma olhada de soslaio e concluiu que ele não iria mexer nisso, porque a cicatrização seria assim mesmo… Ou seja, quase a mesma coisa que o anterior. A diferença é que ele não me “encaminhou” pra ninguém. Mandou passar uma pomada cicatrizante e tomar um antiinflamatório. A primeira dose do antiinflamatório recebi logo em seguida. Intravenosa? Não. No músculo? Quase. Na bunda. É, levei.

Tá, vamos lá, essa é uma página de família. Leia-se “no glúteo”…

Em seguida, outra enfermeira foi fazer um curativo. Ela olhou bem no ferimento (como qualquer dos médicos deveria ter olhado) e perguntou-me com uma cara de descrédito: “Mas ele mandou só passar a pomada?” Boisé…

Já na enfermaria para curativos, a sós, disse-lhe: “Escuta, posso ser sincero? Assim como eu parece que você não se convenceu com a orientação do médico. Que fique entre nós, mas o que você acha disso?”

Ela nada respondeu. Começou a fazer a assepsia, foi molhando, lavando, limpando, levantando a casquinha, até que ficasse apenas um mero fiapo ligando-a à pele. “Posso tirar?”, me perguntou. “Por mim, DEVE.”, respondi-lhe. Com um bisturi acabou de tirá-la e mostrou aquela coisa horrenda a alguns centímetros de meu nariz, como quem diz “olha só o absurdo de deixar isso em você”. Mas, na prática, nada disse.

Acabou de fazer o curativo e ainda saí de lá já com a pomada e uma cartela do remédio que deveria tomar. Diga-se de passagem, saí satisfeito com o procedimento.

Pra quê toda essa história? Pra mostrar o descaso que a classe médica é capaz de demonstrar para com as pessoas. Ao menos uma parte dela. Aliás, a parte que consultei. Custava o primeiro médico já tomar essas providências? Não, ele tinha que me mandar para um “especialista”. E se eu não tivesse convênio? E se eu tivesse que pagar a consulta? E ainda, no caso do segundo médico, custava ao menos ele olhar para o que estava diagnosticando? Foi necessário uma enfermeira de pronto-socorro, que, apesar de não ser médica, acabou tendo muito mais feeling pra perceber o absurdo do diagnóstico.

Aliás, depois que melhorar um pouco (e está melhorando), acho que devo levar uma caixa de bombons para ela…

Dizem que nosso Sistema de Saúde é falido. Não acho. Tem muita gente realmente boa na linha de frente e que SABE o que está fazendo. Gente preocupada e que realmente se importa com o bem-estar do próximo. O que estaria falido seria a maioria (porque há exceções) da classe médica, que do Juramento de Hipócrates, tranformou em juramento do Hipócrita.

Olha só que bonito seria, se honrado fosse:

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Existe uma forma simplificada que usualmente é lida durante solenidades festivas, como as de conclusão do curso médico. É a seguinte:

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.

Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, os quais terei como preceito de honra.

Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu, para sempre, a minha vida e a minha arte, com boa reputação entre os homens.

Se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.”

Só pra concluir o teatro do absurdo, alguém viu, no decorrer da semana, as reportagens sobre médicos que já estariam comercializando soluções (não tem como dar outro nome) baseadas em células-tronco?

Run, Forrest! Run.