Teimosas lágrimas

“Segunda-feira: Um dia feito pra acrescentar depressão a uma semana que PODERIA ser feliz. (Garfield)

Tudo bem que nós pais normalmente somos taxados de neandertais toscos e insensíveis ao que ocorre no dia-a-dia em casa. Ser assim não é uma atitude proposital, mas que acontece, acontece. Entretanto certas coisas nos atingem como um raio, nos transformando, além de neandertal, de tosco e de insensível, também em boca aberta…

1st case: Meu filhote do meio passou mal no fim de semana e foi parar no hospital, vomitando até o que já não tinha mais no estômago. No dia seguinte, pouco antes da hora do almoço, ele estava tristinho e lhe perguntei se queria deitar um pouco pra descansar. Disse-me que sim. Após aconchegá-lo, cobri-lo e trazer seu cachorrinho (porque toda criança tem um bichinho de pelúcia pra dormir), eu estava saindo do quarto quando ele se virou e me disse: “Não! Com o papai!” Era para que eu ficasse com ele na cama. Segurou minha mão até dormir. E uma lágrima teimosa e condoída rolou de minha face.

2nd case: O caçulinha, que mal tem um ano e meio, esmerdeou-se (existe esse verbo?) todo ontem à noite. Como eu já estava no banho, bem mais fácil que eu o lavasse – e assim o fiz. Brincamos um pouco, arranquei dele algumas gargalhadas e depois chamei a mãe para que o tirasse dali. Após fechar o box, o bichinho fez uma cara de indignado, e com olhinhos arregalados soltou um sonoro “PAAA-PAAEE”. O primeiro de sua vida. O primeiro que eu ouvi de seus lábios. E uma nova lágrima de alegria e felicidade misturou-se com a água que caía do chuveiro.

3rd case: Hora de dormir, ainda que não tão tarde, retomei o livro que comecei a ler e, por excesso desumano e descomunal de trabalho, fui obrigado a deixar de lado por algum tempo. Aconcheguei-me ao lado da Dona Patroa e de meu mais velho, de seis aninhos, que estavam lendo gibi. De repente, ainda que não movesse um músculo, fui obrigado a me desconcentrar da leitura para ouvi-lo lendo SOZINHO frases inteiras, se divertindo com seu novo poder de compreensão, enroscando apenas em algum eventual ce-cedilha. E fechei o livro, deixando-o sobre a cômoda, deitei-me, e com um sorriso uma terceira lágrima de orgulho veio a molhar meu travesseiro.

Chorão e boca aberta até prova em contrário.

Mas ainda teve mais uma, dessa vez não comigo, que é digno de nota aqui. Minha esposa, muito preocupada com as brincadeiras da criançada, chamou os dois mais velhos e lhes disse: “Escutem: têm três coisas MUITO perigosas nesta casa e eu NÃO quero que vocês abusem de jeito nenhum. Em primeiro lugar a escada que vem da garagem; em segundo lugar a escada que vai para o quintal; e, em terceiro lugar, não quero saber de que coloquem banquinho algum na murada pra ver a rua. Entenderam?”

Após cada um renovar seu compromisso de que entendeu, o mais velho completou: “Mas mamãe, ainda tem uma outra coisa muito perigosa também!” Com uma cara de interrogação, ela perguntou: “Qual?”

Ao que ouviu: “Você, quando está brava…”

Heh… Puxou o pai… Perde o amigo, mas não perde a piada! Tudo bem, no final todos terminaram rindo e – ao menos dessa vez – ninguém apanhou…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Em tempo…

Hoje pela manhã, enquanto eu e Dona Patroa nos preparávamos cada qual para sair para o trabalho, nosso filho do meio, Erik, estava por ali pentelhando. De repente ele resolveu sair do quarto para a sala, e, enquanto ainda estava no corredor, não é que escutamos esse pequeno protozoário, projeto de gente de apenas três anos de idade, sair falando sozinho, de si para si mesmo: “Eu sou demais…”

Pode?

Calvin, te segura que a competição chegou…

Alguns personagens famosos (e outros convencidos)

Glory days!

Com um pouco de esforço de pensamento, e um tanto mais de criatividade, cheguei à conclusão que aqui no meu trabalho temos um rol da fama: sósias de pessoas das mais diversas origens pertencentes ao mundo do cinema, televisão, quadrinhos, literatura, etc. Vejam só a galeria:

  • Shrek
  • Dolores Umbridge
  • Woody Allen
  • Noel Rosa
  • Groucho Marx (se bem que lhe falta o bigode)
  • Senhor Incrível
  • Capitão Caverna
  • Comandante de Espaçonave Klingon (Jornada nas Estrelas)
  • Clark Kent (ao menos quando resolve usar óculos)
  • Barbie
  • Tintin (aquele, do desenho belga ou francês)
  • Meninas Super Poderosas
  • Guzzula
  • Katana (das revistas DC Comics)
  • Lois Lane (já saiu, mas era a do seriado Lois & Clark)
  • Michael Knight
  • Castrinho

 
Pelo menos são esses os que me lembro de cabeça. Aceito sugestões…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Aconselhamentos

(Suspiro…)

Não. Nada de tiras hoje. Não que o assunto seja tão sério assim que não permita uma pitada de humor. Somente acho que a abertura já com uma anedota não iria condizer com a matéria a ser abordada. Amanhã ou depois voltaremos com nossa programação normal…

É curioso como as coisas são cíclicas e o ser humano, cedo ou tarde, se vê participando de situações que lhe são familiares. E às vezes sequer concorremos para desencadear tais eventos!

Tem uma pessoa – que lentamente estou descobrindo ser uma amiga – que está passando por uma situação um tanto quanto difícil. Não, não vou dar detalhes do ocorrido, mas digamos apenas que tratam-se de problemas com o “coraçãozinho véio sem portêra”… E tive um longo papo com ela, de um modo que, creio eu, pude ajudar em algo. Não no sentido de descarregar um monte de conselhos ou de filosofias de vida, mas simplesmente de bater um papo. Ouvir um pouco, falar um pouco, fazer um eventual comentário.

E isso lhe fez bem.

E também ME fez bem.

Mais no sentido de saber que posso ajudar – com um simples papo – do que qualquer outra coisa. Não sou tão velho assim, mas compartilhar as experiências de vida que tenho sempre é um tanto quanto gratificante. Como diria o Dória, um amigo dos círculos genealógicos, “O diabo não é sábio porque é diabo. É sábio porque é velho.”

E isso é uma grande verdade.

E na maior parte das vezes sequer percebemos a experiência que temos! Explico. Eu, que muitas vezes me acho um pai relapso e distante, já ouvi: “Queria ser como você, um paizão.” Eu, que por diversas vezes acho que falto com o devido carinho para com a Dona Patroa, já ouvi: “Queria ter um relacionamento carinhoso como o seu.” Uma boa parte do tempo sou portador de um mau humor cavalar e já ouvi: “Queria ter essa sua disposição, esse seu bom humor.” Sou estressado por natureza e – pasmem – já ouvi: “Queria ser calmo e tranquilo como você.”

Será que sou eu o errado, ou o mundo não me enxerga como sou? Tenho certeza de que sou a mesma pessoa em todas as situações, seja em casa ou no trabalho. Tá bom, tá bom, exceto quando tenho que atender algum cliente que espera ver uma postura de advogado, quando então ostento uma profunda voz cavernosa, com dicção perfeita e porte de lorde inglês, atingindo o ápice de meu metro e noventa…

Mas não é esse o caso. O caso é que tanto eu quanto os demais estão plenamente certos. Tudo é uma mera questão de ponto de vista. E assim o sendo podemos tranquilamente ter duas ou mais pessoas com exatamente a mesma atitude mas que SE enxergam de maneira diferente. Pontos de vista. E o bate papo, a troca de experiências, nada mais seria que mostrar um ao outro que os pontos de vista podem ser exatamente os mesmos, podem convergir – basta que se decida assim. Uma vez compreendendo pontos de vista distintos, conseguiríamos também trilhar caminhos distintos. E sem mudar em absolutamente nada o nosso jeito de ser.

Sei que parece um tanto quanto confuso, mas basicamente o assunto se resume naquele velho ditado: devemos aprender com os erros dos outros – até porque não teremos tempo de cometê-los todos! As opiniões de outras pessoas devem sempre ser aquilatadas com parcimônia, afinal de contas, oras, eles não viverão nossas próprias vidas!

Acho incrível a capacidade que as pessoas têm de decidir a vida de outrem. “Isso é o melhor para você”, ou “Não faça dessa maneira, senão vai se arrepender”. Oras, às favas com essas opiniões! Como dizia minha bisa, muito ajuda quem não atrapalha.

Heh… Na verdade acho que estou simplesmente assimilando outros pontos de vista também. Eu, que sempre estou na incansável busca de qualidade de vida, procurando ser um sujeito mais centrado, através da opinião de terceiros acabo descobrindo que JÁ sou assim. Pelo menos sob outros pontos de vista. Acho que falta somente convencer a mim mesmo…

Pois é, gente, a vida é dinâmica, não pára nunca, etc, etc, etc, e acho que temos que SEMPRE procurar melhorar. Pessoas vêm e vão, amizades aquecem e esfriam, paixões começam e acabam. Entretanto as decisões que tomamos são só nossas. NÓS MESMOS é que temos que resolver o que queremos para nossas vidas, traçar uma linha reta e seguir em frente, sem dó nem arrependimento. Ficar confabulando sobre passados possíveis só serve para nos levar a um passo mais próximo da loucura. Lembram-se do filme Efeito Borboleta?

Maníaco por gibis como sou, não poderia deixar de dar uma pitada da matéria aqui. Uma das coleções favoritas que tenho é a do Sandman, a qual retrata a existência dos Perpétuos, sete irmãos que não são deuses, nem mortais, mas aos quais todos se curvam. Sonho, Morte, Desejo, Delírio, Desespero, Destruição e Destino (ou, do original, Dream, Death, Desire, Delirium, Despair, Destruction e Destiny). Ainda falarei mais deles por aqui, mas por ora fiquemos com Destino.

É o mais velho dos irmãos, cego e acorrentado ao livro que contém tudo que já aconteceu e que ainda acontecerá. Caminha, até o fim dos tempos, em seus jardins, que são completamente tomados por labirintos.

E, diz a lenda, você pode passar toda uma existência andando pelos jardins de Destino, sempre com bifurcações e múltiplas opções de caminhos. Mas, se parar, e olhar para trás, verá que deixou atrás de si um único caminho trilhado. Assim é o destino. Hoje, quando olho pra trás, vejo que o caminho que trilhei tinha que ser esse mesmo, e sou sinceramente feliz por isso.

O difícil é conseguir atingir plenamente essa consciência…

SL em Guarulhos

Eu já não tinha dito que não se deve usar calça social, no frio, de moto?

Bem, bem, bem… Somente pra dar um rápido sinal de vida. Ontem fui num seminário sobre software livre promovido pela Prefeitura de Guarulhos, terrinha onde nasceu uma grande amiga. MUITO bom. Tem tanta coisa pra se falar que o espaço aqui não comporta, de modo que ainda essa semana estaremos com mais um número do Ctrl-C! Aguardem…

Para deleite de vossas senhorias dêem uma olhada nesse vídeo do “Saulo Bulhosa”, que dá todas as dicas indispensáveis para participação em palestras e afins…

 
E, falando em grandes amigas, ontem – depois de longo e tenebroso inverno – eis que a Márcia (aquela do famoso tombo no elevador) deu sinal de vida! Já começou bem, pois meu filho ao atender o telefone lhe deu uma bronca: “Por que você não veio mais aqui?” Tá vendo? É a voz do povo!

E como corolário da minha ausência de ontem chegou um funcionário novo na repartição. E não é que fizeram o infeliz sair em busca de “carbono pautado”? Eu não sei o que é pior: se o fato de ele ter saído incontinenti atrás do produto ou o fato de ele TER ENCONTRADO!

Tinha que ser o Xina…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Recarregando as baterias – carga rápida

Olha o frio aí, gente!

Bem, crianças, aqui estamos nós de novo. Baterias recarregadas, prontos pra todas! De onde vem tanta energia? Já, já explico.

Acontece que não é assim o dia todo – antes o contrário! Com a avalanche de serviço que tem chegado diariamente, mais as “missões” que me são passadas, acrescido da incompetência nata de algumas pessoas (por que ninguém aprende a perguntar direito?), o ponteirinho de meu humor vai abaixo da linha vermelha do zero.

Porém nada como algumas pequenas maldades >;) para alegrar o dia de alguém… Algo como uma bomba de anthrax no pobre do estagiário trancado na sala de xerox… Cruel. Mas divertido…

Mas esse não é o ponto. O ponto é que no decorrer de um dia usualmente sob pressão a solidão que de quando em quando sinto se faz presente, tal qual sombra que se prolonga ao entardecer. O coração fica apertado, o ânimo vai embora e a sensação de futilidade acerca de tudo e de todos acaba por tomar conta de minha convicção.

Mas ao chegar em casa, às vezes em fila, às vezes todos de uma vez, o abraço da criançada dá uma carga rápida que me dá disposição pra encarar tudo outra vez e mais um pouco ainda!

Quando eu era adolescente (tá, mais criança que adolescente) me deparei com um texto que já tinha um “cheiro” de antigo, de autor desconhecido, mas que me cativou na primeira leitura. Eu o copiei e prometi pra mim mesmo que quando tivesse um filho faria um quadro com esse texto e o colocaria na parede. Levou mais de quinze anos, mas cumpri minha promessa. O texto é o seguinte:

O que é um menino?

Os meninos se apresentam em tamanho, peso e cores sortidas. Encontram-se por toda a parte, em cima, em baixo, dentro, fora, trepados, pendurados, caindo, correndo, saltando. As mães os adoram, as meninas os detestam, as irmãs e os irmãos mais velhos os toleram, os adultos os ignoram e o céu os protege. Um menino é a verdade de cara suja, a sabedoria de cabelo esgadelhado, a esperança de calças caindo. Tem o apetite do cavalo, a digestão do avestruz, a energia da bomba atômica, a curiosidade do mico, os pulmões de um ditador, a imaginação de Júlio Verne, a timidez da violeta, a audácia da mola, o entusiasmo do buscapé e tem cinco polidáctilos em cada mão, quando pratica suas reinações. Adora os doces, os canivetes, as serras, o natal e a Páscoa; admira os reis e os livros de figuras coloridas; gosta do guri do vizinho, do ar livre, da água, dos animais grandes, do papai, dos automóveis e dos trens, dos domingos, das bombas e traques. Abomina as visitas, o catecismo, a escola, os livros sem figuras, as lições de música, as gravatas, os casacos, os barbeiros, as meninas, os adultos e a hora de dormir.

Levanta cedo e está sempre atrasado à hora das refeições. Nos seus bolsos há sempre um canivete enferrujado, uma fruta verde mordida, um pedaço de barbante, dois botões e algumas bolinhas de gude, um estilingue, um pedaço de substância desconhecida e um objeto raro, que lhe é precioso por 24 horas. É uma criatura mágica. Você pode fechar-lhe a porta do seu quarto de ferramentas mas não a do seu coração… Pode expulsá-lo do seu escritório mas não do seu pensamento. Toda a sua importância e a sua autoridade se desmoronam diante dele, que é o seu carcereiro, seu chefe, seu amo… Ele, um despótico e ruidoso mandãozinho!… Mas quando você volta para casa, à noite, de esperanças e ambições despedaçadas, ele pode compô-las num instante com as suas palavrinhas mágicas: “OH! – PAPAI!”.

E com três filhotes, ainda que com o risco de um desvio na coluna, eu consigo uma carga tripla! Vejam essa foto de hoje…

Énóisnafita!

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...