Por quê?

Porque eu não sou de pedir ajuda.

Porque eu sou teimoso.

Porque estou cansado.

Porque sofrer cansa.

Porque amar cansa.

Porque demorei demais para abrir meus olhos.

Porque descobri que não enxergo além de minhas escolhas.

Porque a solidão se faz presente mesmo no meio da multidão.

Porque sozinho vim.

Porque sozinho estou.

Porque sozinho irei.

(2011)

Maurício de Sousa, seus filhos e personagens

Todos que conhecem os quadrinhos da Turma da Mônica já sabem de cor e salteado que Maurício de Sousa baseou sua personagem principal em sua própria filha. Mas vocês sabiam que existem vários outros personagens também inspirados nos (vários) outros filhos do Maurício? Pois é. Confiram a listagem:

Marcelinho – Nos quadrinhos, Marcelinho é um garoto de 7, 8 anos. Na vida real, Marcelo Pereira de Sousa tem 19. É o caçula de Mauricio de Sousa e também foi o último a ser incorporado à Turma. O personagem tem mania de ser certinho, não gosta de desperdícios e sabe ser econômico.

Vanda e Valéria – As gêmeas idênticas foram baseadas nas filhas Vanda Signorelli e Sousa e Valéria Signorelli e Sousa, também gêmeas, hoje com 46 anos. As personagens entraram para a Turma da Mônica somente na fase jovem. Estão sempre juntas, mas têm opiniões divergentes nas histórias.

Professor Spada / Dr. Spam – Para criar o personagem duplo, o cartunista usou duas referências: seu filho Maurício Spada e Sousa, 45 anos, e o conto “O médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson. Nas historinhas, o Prof. Spada dá aulas de informática para a turma. Quando nervoso, se trarnsforma no alterego Dr. Spam, que quer dominar o mundo através dos computadores.

Marina – A filha Marina Takeda e Sousa, 31 anos, é Marina também nos quadrinhos. O talento para desenhar é o aspecto principal da personagem. Sua primeira aparição nos gibis foi em 1994.

Nimbus – As características do personagem surgiram da curiosidade que Mauro Takeda e Sousa, 30 anos, tem por meteorologia, clima e tempo. Nimbus também faz mágicas para a turma. Ele foi criado em 1994, mesmo ano que Marina.

Do Contra – Do Contra é irmão de Nimbus nos gibis, eles foram criados juntos. O rapazinho foi inspirado em Maurício Takeda e Sousa, hoje com 28 anos. O personagem, como o nome revela, gosta de fazer as coisas de maneira diferente, como comer iogurte e catchup “porque sim”.

Maria Cebolinha – Nos quadrinhos a filha mais velha de Mauricio se tornou um bebê. Mariângela Spada e Sousa, 57 anos, foi inspiração para Maria Cebolinha, a irmã de cerca de dez meses do Cebolinha. A primeira aparição dela foi nas tiras do Maurício em 1963, sendo que a história de seu nascimento foi contada em “Bem-Vinda Maria Cebolinha”, de 2001. A personagem é o centro das atenções da família.

Magali – Magali, a melhor amiga de Mônica, foi criada em janeiro de 1964 e inspirada em uma das irmãs da Mônica real: Magali Spada e Sousa, 55 anos. Quando criança, ela comia uma melancia inteira, sem cerimônia. O apetite e a meiguice da filha se tornaram as principais características da personagem.

Mônica – Criada em 1963, a personagem Mônica foi inspirada em Mônica Spada e Sousa, 56 anos, filha de Mauricio. Na época da criação ela demonstrava uma personalidade forte e o cartunista transferiu as características da filha de forma caricata. Afinal a menina é conhecida por se irritar ao ser chamada de gorducha, dentuça e baixinha.

   

Os 100 livros que mudaram a história, segundo a BBC

A BBC Cultura pediu a especialistas de 35 países que indicassem cinco narrativas ficcionais que abalaram o curso da história. Ao todo, 108 escritores, pesquisadores, jornalistas, críticos e tradutores foram ouvidos. Os livros e as histórias mais mencionados por eles foram reunidos em uma lista. Além de obras clássicas da literatura universal, foram lembrados contos folclóricos e poemas. De acordo com o veículo, não se trata de uma lista definitiva, apenas de um ponto inicial de um diálogo sobre o porquê de algumas narrativas perdurarem ao longo dos séculos. Alguns destaques da seleção são “Odisseia” (Séc. 8 a.C.), de Homero, que ocupa a primeira colocação; “A Cabana do Pai Tomás” (1852), de Harriet Beecher Stowe, em segundo lugar; e “Frankenstein” (1818), de Mary Shelley, na terceira posição.

1 — Odisseia (Séc. 8 a.C.), Homero
2 — A Cabana do Pai Tomás (1852), Harriet Beecher Stowe
3 — Frankenstein (1818), Mary Shelley
4 — 1984 (1949), George Orwell
5 — O Mundo se Despedaça (1958), Chinua Achebe
6 — As Mil e Uma Noites (Séc. 8 ao 18), vários autores
7 — Dom Quixote (1605-1615), Miguel de Cervantes
8 — Hamlet (1603), William Shakespeare
9 — Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel García Márquez
10 — Ilíada (Séc. 8 a.C), Homero
11 — Amada (1987), Toni Morrison
12 — A Divina Comédia (1308-1320), Dante Alighieri
13 — Romeu e Julieta (1597), William Shakespeare
14 — Epopeia de Gilgamesh (Séc. 22 a.C ao séc.10 a.C.), autor desconhecido
15 — Série Harry Potter (1997-2007), JK Rowling
16 — O Conto da Aia (1985), Margaret Atwood
17 — Ulysses (1922), James Joyce
18 — A Revolução dos Bichos (1945), George Orwell
19 — Jane Eyre (1847), Charlotte Brontë
20 — Madame Bovary (1856), Gustave Flaubert
21 — Romance dos Três Reinos (1321-1323), Luo Guanzhong
22 — Jornada ao Oeste (1592), Wu Cheng’en
23 — Crime e Castigo (1866), Fyodor Dostoyevksy
24 — Orgulho e Preconceito (1813), Jane Austen
25 — Margem da Água (1589), Shi Nai’an
26 — Guerra e Paz (1865-1867), Lev Tolstoy
27 — O Sol é Para Todos (1960), Harper Lee
28 — Vasto Mar de Sargaços (1966), Jean Rhys
29 — Fábulas de Esopo (séc.620 a.C. ao séc.680 a.C.), Esopo
30 — Cândido, ou O Otimismo (1759), Voltaire
31 — Medeia (431 a.C.), Eurípides
32 — Mahabharata (séc. 4 a.C.), Vyasa
33 — Rei Lear (1608), William Shakespeare
34 — Genji Monogatari (1021), Murasaki Shikibu
35 — Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), Johann Wolfgang von Goethe
36 — O Processo (1925), Franz Kafka
37 — Em Busca do Tempo Perdido (1913-1927), Marcel Proust
38 — Morro dos Ventos Uivantes (1847), Emily Brontë
39 — Homem Invisível (1952), Ralph Ellison
40 — Moby Dick (1851), Herman Melville
41 — Seus Olhos Viam Deus (1937), Zora Neale Hurston
42 — Ao Farol (1927), Virginia Woolf
43 — A Verdadeira História de AQ (1921-1922), Lu Xun
44 — Alice no País das Maravilhas (1865), Lewis Carroll
45 — Anna Kariênina (1873-1877), Lev Tolstói
46 — Coração das Trevas (1899), Joseph Conrad
47 — Monkey Grip (1977), Helen Garner
48 — Mrs Dalloway (1925), Virginia Woolf
49 — Édipo Rei (429 a.C.), Sófocles
50 — A Metamorfose (1915), Franz Kafka
51 — Oresteia (séc.5 a.C.), Ésquilo
52 — Cinderela (autor e data desconhecidos)
53 — Uivo e Outros Poemas (1956), Allen Ginsberg
54 — Os Miseráveis (1862), Victor Hugo
55 — Middlemarch (1871-1872), George Eliot
56 — Pedro Páramo (1955), Juan Rulfo
57 — Amantes Borboletas (autor e data desconhecidos)
58 — Os Contos de Cantuária (1387), Geoffrey Chaucer
59 — Panchatantra (300 a.C.), Vishnu Sharma
60 — Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis
61 — Primavera da Srta. Jean Brodie (1961), Muriel Spark
62 — The Ragged-Trousered Philanthropists (1914), Robert Tressell
63 — Canção de Lawino (1966), Okot p’Bitek
64 — O Carnê Dourado (1962), Doris Lessing
65 — Os Filhos da Meia-Noite (1981), Salman Rushdie
66 — Nervous Conditions (1988), Tsitsi Dangarembga
67 — O Pequeno Príncipe (1943), Antoine de Saint-Exupéry
68 — O Mestre e Margarida (1967), Mikhail Bulgakov
69 — Ramáiana (Séc.11 a.C.), Valmiki
70 — Antígona (441 a.C.), Sófocles
71 — Drácula (1897), Bram Stoker
72 — A Mão Esquerda da Escuridão (1969), Ursula K. Le Guin
73 — Um Conto de Natal (1843), Charles Dickens
74 — América (1980), Raúl Otero Reiche
75 — Diante da Lei (1915), Franz Kafka
76 — Children of Gebelawi (1967), Naguib Mahfouz
77 — Il Canzoniere (1374), Petrarca
78 — Kebra Nagast (1322), Vários autores
79 — Mulherzinhas (1868-1869), Louisa May Alcott
80 — Metamorfoses (8 d.C.), Ovídio
81 — Omeros (1990), Derek Walcott
82 — Um Dia na Vida de Ivan Denisovich (1962), Alexander Soljenítsin
83 — Orlando: Uma biografia (1928), Virginia Woolf
84 — A Serpente e o Arco-íris (lenda indígena australiana, data e autor desconhecidos)
85 — Foi Apenas um Sonho (1961), Richard Yates
86 — Robinson Crusoé (1719), Daniel Defoe
87 — Canção de Mim Mesmo (1855), Walt Whitman
88 — As Aventuras de Huckleberry Finn (1884), Mark Twain
89 — As Aventuras de Tom Sawyer (1876), Mark Twain
90 — O Aleph (1945), Jorge Luis Borges,
91 — O Camponês Eloquente (história egípcia antiga, data e autor desconhecidos)
92 — A Roupa Nova do Rei (1837), Hans Christian Andersen
93 — A Selva (1906), Upton Sinclair
94 — The Khamriyyat (séc.9), Abu Nuwas,
95 — Marcha de Radetzky (1932), Joseph Roth
96 — O Corvo (1845), Edgar Allan Poe
97 — Os Versos Satânicos (1988), Salman Rushdie
98 — A História Secreta (1992) Donna Tartt
99 — Um dia de Neve (1962), Ezra Jack Keats
100 — Toba Tek Singh (1955), Saadat Hasan Manto

(Relação roubartilhada lá da Revista Bula)

Anos Oitenta: 200 músicas nacionais de sucesso

E como eu não sei ficar quieto num canto, resolvi montar uma playlist das músicas nacionais que fizeram sucesso nos anos oitenta. Tá certo que vocês vão encontrar algumas dos anos setenta e até mesmo umas poucas dos anos noventa, mas entendam que tudo o que fez sucesso foi nos oitenta!

E, por favor, estamos falando das músicas de rádio, que tocavam nas baladas, que ouvíamos em nossas vitrolas e nossos toca fitas Roadstar (com equalizador!), então não me venham encher o saco com coisas do tipo “ah, mas não tem samba nessa lista”, “puxa, você deixou nomes importantes de fora”, “não a-cre-di-to que você não colocou a música tal”… Gente, é minha lista, ok? É o que tem pra hoje. Só estou compartilhando porque sei que muitos de vocês têm um gosto mais ou menos como o meu; outros não. Simples assim.

É curioso perceber que no início da década de oitenta (ainda durante a ditadura), as músicas eram mais para baladinhas românticas, cheias de sutilezas, quase ingênuas. Entretanto, enquanto os anos passavam, a pegada foi ficando mais forte, uma música mais contestadora. E, também, com mais humor, com mais diversão, com mais sacanagem – mas ainda assim sutil, mais se aproveitando de trocadilhos e não necessariamente com letras escrachadas.

Mas tudo é relativo e dá pra encontrar um pouco de cada em qualquer ponto daquela fase…

Enfim, fui atrás sempre das gravações originais, aquelas de estúdio e dos discos. Nada de shows ao vivo e muito menos de “versões acústicas” (até que tem umas e outras que prestam, mas na minha nada humilde opinião, na maioria das vezes fica uma bela de uma droga). Para aqueles que quiserem, basta baixar lá do Mega, ok? O link é esse grandão aí embaixo:
https://mega.nz/#F!Z8YjUCBY!Xj65uteDpDkWZNuFj0Gj3w .

A cruz e a espada – Paulo Ricardo.mp3
A dois passos Do Paraíso – Blitz.mp3
A Fórmula do Amor – Léo Jaime.mp3
À Francesa – Marina Lima.mp3
A Revolta dos Dândis I – Engenheiros do Hawaii.mp3
A vida nao presta – Léo Jaime.mp3
A vida tem dessas coisas – Ritchie.mp3
Adelaide – Inimigos do Rei.mp3
Adivinha o quê – Lulu Santos.mp3
Admirável Gado Novo – Zé Ramalho.mp3
Ainda é Cedo – Legião Urbana.mp3
Alagados – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Alice (não me escreva mais aquela carta de amor) – Kid Abelha.mp3
Alô, alô, Marciano – Elis Regina.mp3
Aluga-se – Camisa de Vênus.mp3
Amanhã é 23 – Kid Abelha.mp3
Aquarela – Toquinho.mp3
As dores do mundo – Jota Quest.mp3
Até quando esperar – Plebe Rude.mp3
Autonomia – Titãs.mp3
Bandolins – Oswaldo Montenegro.mp3
Barrados no Baile – Eduardo Dusek.mp3
Beat Acelerado – Metrô.mp3
Bem que se quis – Marisa Monte.mp3
Bem-vindo ao mundo adulto – Biquini Cavadão.mp3
Bete Balanço – Barão Vermelho.mp3
Betty Frigida – Blitz.mp3
Bicho de Sete Cabeças – Zeca Baleiro.mp3
Blues Da Piedade – Cazuza.mp3
Brasil – Cazuza.mp3
Burguesia – Cazuza.mp3
Cabelos Negros – Eduardo Dusek.mp3
Cantando no Banheiro – Eduardo Dusek.mp3
Carimbador Maluco – Raul Seixas.mp3
Carpinteiro do Universo – Raul Seixas e Marcelo Nova.mp3
Carta aos Missionários – Uns e Outros.mp3
Casanova – Ritchie.mp3
Chega Mais – Rita Lee.mp3
Cheia de Charme – Guilherme Arantes.mp3
Ciúme – Ultraje a Rigor.mp3
Codinome Beija-Flor – Cazuza.mp3
Coisa mais gostosa – Dr. Silvana & Cia.mp3
Coleção – Banda Eva.mp3
Como eu quero – Kid Abelha.mp3
Como uma onda – Lulu Santos.mp3
Conquistador Barato – Léo Jaime.mp3
Coração de Estudante – Milton Nascimento.mp3
Corações Psicodélicos – Lobão e seus Ronaldos).mp3
Cruel Cruel Esquizofrenético Blues – Blitz.mp3
De Manhã (Aventuras Submarinas) – Blitz.mp3
De volta ao planeta – Jota Quest.mp3
Décadence Avec Élégance – Lobão e seus Ronaldos.mp3
Dentro do Coração – Rádio Táxi.mp3
Descendo o Rio Nilo – Capital Inicial.mp3
Desculpe O Auê – Rita Lee.mp3
Deus me dê grana – Camisa de Vênus.mp3
Dias de Luta – Ira!.mp3
Doce Vampiro – Rita Lee.mp3
Dona – Roupa Nova.mp3
Eduardo e Mônica – Legião Urbana.mp3
Egotrip – Blitz.mp3
Eh! Oh! – Dr. Silvana & Cia.mp3
Envelheço na Cidade – Ira!.mp3
Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones – Engenheiros do Hawaii.mp3
Espanhola – 14 Bis.mp3
Essa noite não – Lobão.mp3
Esse seu jeito sexy de ser – Sempre Livre.mp3
Estação no Inferno – RPM.mp3
Eu era um Lobisomem Juvenil – Legião Urbana.mp3
Eu gosto de Mulher – Ultraje a Rigor.mp3
Eu me amo – Ultraje a Rigor.mp3
Eu não matei Joana D’Arc – Camisa de Vênus.mp3
Eu nasci há dez mil anos atrás – Raul Seixas.mp3
Eu sou Free – Sempre Livre.mp3
Eva – Rádio Táxi.mp3
Exagerado – Cazuza.mp3
Família – Titãs.mp3
Faroeste Caboclo – Legião Urbana.mp3
Fátima – Capital Inicial.mp3
Faz parte do meu Show – Cazuza.mp3
Festa do Interior – Gal Costa.mp3
Filho da Puta – Ultraje a Rigor.mp3
Fixação – Kid Abelha.mp3
Flores em você – Ira!.mp3
Fui Eu – Sempre Livre.mp3
Garota de Berlin – Tokyo.mp3
Garota Dourada – Rádio Táxi.mp3
Gatinha Manhosa – Léo Jaime.mp3
Geração Coca-Cola – Legião Urbana.mp3
Heavy Metal do Senhor – Zeca Baleiro.mp3
Humanos – Tokyo.mp3
Ideologia – Cazuza.mp3
Impossível – Biquini Cavadão.mp3
Independência – Capital Inicial.mp3
Índios – Legião Urbana.mp3
Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii.mp3
Insensível – Titãs.mp3
Inútil – Ultraje a Rigor.mp3
Johnny Love – Metrô.mp3
Lança Perfume – Rita Lee.mp3
Lanterna dos Afogados – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Lenha – Zeca Baleiro.mp3
Linda Demais – Roupa Nova.mp3
Louras Geladas – RPM .mp3
Maior Abandonado – Barão Vermelho.mp3
Mais uma de Amor – Blitz.mp3
Malandragem – Cássia Eller.mp3
Maluco Beleza – Raul Seixas.mp3
Mama África – Chico César.mp3
Mamma Maria – Grafite.mp3
Mania De Você – Rita Lee.mp3
Marvin – Titãs.mp3
Marylou – Ultraje a Rigor.mp3
Masculino e Feminino – Pepeu Gomes.mp3
Me chama – Lobão e seus Ronaldos.mp3
Me dê uma chance – Camisa de Vênus.mp3
Me Liga – Paralamas do Sucesso.mp3
Menina Veneno – Ritchie.mp3
Menino do Rio – Baby Consuelo.mp3
Meu Bem Querer – Djavan.mp3
Meu Erro – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Meu Ursinho Blau-Blau – Absyntho.mp3
Mim Quer Tocar – Ultraje a Rigor.mp3
Mistérios da Meia-Noite – Zé Ramalho.mp3
Monte Castelo – Legião Urbana.mp3
Muito Estranho – Dalto.mp3
Múmias – Biquini Cavadao.mp3
Música Urbana 2 – Legião Urbana.mp3
Nada tanto assim – Kid Abelha.mp3
Não vou ficar – Kid Abelha.mp3
Nao vou me adaptar – Titãs.mp3
No mundo da lua – Biquini Cavadão.mp3
Nós vamos invadir sua praia – Ultraje a Rigor.mp3
Nosso Louco Amor – Gang 90 e as Absurdetes.mp3
O Astronauta de Mármore – Nenhum de Nós.mp3
O Beco – Os Paralamas do Sucesso.mp3
O Dia em que a Terra parou – Raul Seixas.mp3
O Exército de um homem só – Engenheiros do Hawaii.mp3
O Papa é Pop – Engenheiros do Hawaii.mp3
O Quê – Titãs.mp3
O Romance da Universitária Otária – Blitz.mp3
Obrigado não – Rita Lee.mp3
Óculos – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Olhar 43 – RPM.mp3
Oxigênio – Jota Quest.mp3
Pacato cidadão – Skank.mp3
Panamericana (sob o sol de Parador) – Lobão.mp3
Pastor João e a Igreja Invisível – Raul Seixas e Marcelo Nova.mp3
Pelado – Ultraje a Rigor.mp3
Pelo Interfone – Ritchie.mp3
Perfeita Simetria – Engenheiros do Hawaii.mp3
Pintura Íntima – Kid Abelha.mp3
Planeta Água – Guilherme Arantes.mp3
Planeta Sonho – 14 Bis.mp3
Polícia – Titãs.mp3
Pra ser sincero – Engenheiros do Hawaii.mp3
Pro Dia Nascer Feliz – Barão Vermelho.mp3
Que País é Este – Legião Urbana.mp3
Rádio Atividade – Blitz.mp3
Rádio Bla – Lobão.mp3
Rádio Pirata – RPM.mp3
Rebelde Sem Causa – Ultraje a Rigor.mp3
Revoluções por Minuto – RPM.mp3
Rolam as pedras – Kiko Zambianchi.mp3
Romance Ideal – Paralamas do Sucesso.mp3
Romaria – Elis Regina.mp3
Seguindo no Trem Azul – Roupa Nova.mp3
Sem pecado e sem juízo – Baby Consuelo.mp3
Será – Legião Urbana.mp3
Serão Extra – Dr. Silvana e Cia.mp3
Serra do Luar – Leila Pinheiro.mp3
Sexo – Ultraje a Rigor.mp3
Show de Rock’n Roll – Roupa Nova.mp3
Simca Chambord – Camisa de Vênus.mp3
Só delírio – Telex.mp3
Só pro meu prazer – Heróis da Resistência.mp3
Somos quem podemos ser – Engenheiros do Hawaii.mp3
Sonho de Ícaro – Biafra.mp3
Sônia – Léo Jaime.mp3
Sonífera Ilha – Titas.mp3
Tédio – Biquini Cavadão.mp3
Televisão – Titãs.mp3
Tempo Perdido – Legião Urbana.mp3
Teoria – Biquini Cavadao.mp3
Terceiro – Ultraje a Rigor.mp3
Terra de Gigantes – Engenheiros do Hawaii.mp3
Ti Ti Ti – Metrô.mp3
Tô Cansado – Titãs.mp3
Tropicana – Alceu Valença.mp3
Tudo pode mudar – Metrô.mp3
Um Amor de Verão – Rádio Táxi.mp3
Um certo alguém – Lulu Santos.mp3
Uma Barata chamada Kafka – Inimigos do Rei.mp3
Vento ventania – Biquini Cavadão.mp3
Vila Do Sossego – Zé Ramalho.mp3
Vital e sua Moto – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Voce nao soube me amar – Blitz.mp3
Volta Ao Mundo – Blitz.mp3
Whisky a Go-Go – Roupa Nova.mp3
Zé Ninguém – Biquini Cavadão.mp3

Piloto Automático

Check Point: 04:00 AM

Acordo ao som de violoncelos do despertador do celular. Tonteio um bocadinho durante aquele clássico rápido momento de quemcossô, oncotô, poncovô…

Levanto e vou até o escritório para desativar o alarme – sim, tenho que deixar o celular bem fora de meu alcance, senão eu simplesmente o desligaria e não, “função soneca” não funciona pra mim.

Ato seguinte, já acompanhado pela Nãna, nossa gatinha adolescente, vou para minha ablução matinal (será que mais alguém NO MUNDO além de mim ainda usa palavras desse tipo?), mas antes disso educadamente cumprimento a “Clotilde” – que é o nome que demos à chiadeira meio assoviada que sem explicação ou justificativa surge e desaparece na caixa de descarga do banheiro (mais conhecida como o “Demônio da Caixa de Descarga”). Me encaro no espelho. Sorrio.

– Bom dia, bonitão!

[Pegar o cesto de roupas sujas, colocar duas canecas d’água no fogo, colocar ração para Nãna, colocar ração para a Leia e a Lara (nossas vira-latas de plantão), ir até a área de serviço no fundo de casa, separar a roupa escura do restante, ligar a máquina de lavar, recolher a roupa de ontem ainda pendurada no varal, deixar tudo bem dobradinho (facilita para a Dona Patroa passar e evita que ela me encha o saco), descer de volta para a cozinha, preparar o café da família (forte o suficiente para dar partida no carro), preparar o chá japonês do meu sogro (fraco o suficiente para enxergar o fundo da garrafa), preparar a mesa (canecas de cada um, talheres, Toddy, Nescau, leite, pão de forma, pão francês, maionese, requeijão, margarina, geleia, manteiga e o que mais tiver), preparar e colocar minhas torradas no forninho elétrico (fatias de pão francês amanhecido, azeite, orégano ou chimichurri, Aji-no-moto e sal).]

Check Point: 04:30 AM

Pego o celular, meu óculos pra perto (véinho…) e vou para o “meu íntimo momento matinal”, que é quando dou uma rápida checada nas redes sociais, confiro alguns e-mails e as notícias urgentes do dia. Ato contínuo, uma boa chuveirada e ao passar pela cozinha já aproveito e ligo o forninho elétrico com as minhas torradinhas dentro. Antes de me vestir, confiro meu peso: 104,3kg. Tô me mantendo. Se considerarmos que comecei o ano com 113kg, até que estaria bom, mas ainda tô longe dos esperados dois dígitos…

– Bom dia, filho!

Kevin, o filhote número um, já levantou, se barbeou e veio para a cozinha. Tiro de Guerra é assim mesmo, fazer o quê?… Retiro minhas torradas do forninho e sentamo-nos para o café. Meu primeiro café da manhã. Ele vai de café com leite e eu de café puro, sem açúcar. Mais as torradas.

Depois, enquanto ele vai colocar a farda, volto para a área de serviço.

[Tirar a roupa da máquina, colocar a roupa escura, ligar a máquina de lavar, pendurar a roupa lavada com os prendedores de plástico na ordem azul escuro, azul claro, verde, branco, amarelo, o restante e só depois usar os prendedores de madeira (gente, entendam: eu TENHO que me distrair com algo, nem que seja cultivando um TOC), descer de volta à casa, lavar a louça de ontem que deixaram na pia, colocar o lixo reciclável pra fora (é segunda-feira, único dia em que o caminhão passa), devolver a Nãna pra dentro, pegar a chave do Bilbo (nosso valente Ford Ka).]

Check Point: 05:20 AM

– Bóra, filho!

[Para o Tiro de Guerra: são 15 semáforos, 1 radar de 60km/h, 3 radares de 80km/h e 6 buracos de respeito (entendam “buracos de respeito” como aqueles que você tem que saber exatamente onde estão para, no momento certo, desviar deles – sob o risco até mesmo de amassar o aro da roda). Personagens do trajeto (pessoas que todo santo dia estão ali no mesmo lugar, no mesmo horário, fazendo a mesma coisa e que invariavelmente cumprimento ou não): o alemão palmeirense do segundo posto de gasolina, o motorista de van que sempre me ferra na subida, a moça misteriosa no ponto escuro do ponto de ônibus sem luz. Chegamos. Total: 13,8 quilômetros.]

Check Point: 05:36 AM

– Inté, filho!

[De volta pra casa: são 18 semáforos, 1 radar de 60km/h, 2 radares de 80km/h e 4 buracos. Personagens do Trajeto: a moça loira que sempre está flertando com o porteiro de um prédio e o policial militar pra lá de barrigudo saindo da padaria. Cheguei em casa. Total: 15,7 quilômetros.]

Check Point: 05:53 AM

[Recolher o jornal japonês do meu sogro (sei-lá-o-quê Shimbun), subir direto para a área de serviço, estender a roupa escura respeitando a ordem dos prendedores, pegar minha pilha de roupa passada, descer de volta à casa, conferir se o Erik – o filhote número dois – já levantou, guardar a roupa passada, aproveitar que a Dona Patroa acabou de levantar, já dobrar as cobertas e arrumar a cama, arrancar o Jean – o filhote número três – do embolado de cobertas que todos os dias ele faz, volta para cozinha.]

Agora é hora do meu segundo café da manhã. E olha que nem sou um hobbit! Enquanto saboreio outra xícara de café e termino com o que sobrou das torradinhas, o restante da família vai chegando à mesa. O Erik prepara seu Nescau, a Dona Patroa toma seu café com leite e até mesmo o Jean, que ainda vai levar uns vinte minutos para acordar, mesmo que já esteja tomando seu Toddy. Eles terminam e vão se trocar, bem como arrumar as mochilas: o caçula estuda perto de casa e o do meio está num curso técnico perto do Centro. Eu continuo à mesa, esperando dar o horário.

Check Point: 06:25 AM

– Erik, to the Batmobile!

[Para a escola: são 13 semáforos, 2 radares de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 1 buraco. Personagens do Trajeto: a moça loira sempre elegantemente sentada numa mureta enquanto aguarda a carona, um senhorzinho muito magro, de rosto anguloso, longa barba e cabelo escorrido sempre parado na esquina com um carrinho de feira (que apelidei de Wild Bill), o tiozinho meio careca passeando com uma coisa pequena e peluda que vagamente lembra um cachorro, o rapazinho na esquina da escola que deveria estar coordenando o trânsito (mas que só fica enconstado na parede vendo as menininhas passarem) e o rapaz da guarita. Chegamos. Total: 9,6 quilômetros.]

Check Point: 06:48 AM

– Boa aula, filho!

[De volta pra casa: são 7 semáforos, 1 radar de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 6 buracos. Personagens do Trajeto: o gordinho de uniforme da Urbam mexendo no celular enquanto espera a carona e só. Novamente cheguei em casa. Total: 10,1 quilômetros.]

Check Point: 07:03 AM

Saldo Parcial: 49,2km e 2 máquinas de roupa

[Subir para a cozinha, medir a pressão de meu sogro de 86 anos (ele SEMPRE levanta pontualmente às sete), separar os remédios da parte da manhã (diabetes e, se o caso, pressão), moer tudo num pilãozinho e passar para um copinho (ele tem dificuldade de engolir aqueles comprimidos gigantes), voltar para a frente da casa, fazer uns dez minutos de alongamentos, sair para a avenida, caminhar um quilômetro rua acima, parar para alguns exercícios básicos, correr um quilômetro rua abaixo, chegar em casa.]

Check Point: 07:50 AM

Depois de um esforço final como esse eu sempre continuo suando por por mais pelo menos meia hora… Mesmo debaixo do chuveiro! Sendo assim, distraio-me com uma ou outra leitura e, por fim, passado esse tempo, vou tomar outra ducha, revigorado.

Check Point Final: 08:30 AM

Concluída essa rotina que tenho de segunda a sábado, finalmente posso me dedicar a seja lá o que vá fazer no dia de hoje: quer seja prestar uma consultoria, visitar um cliente, me reunir com as sócias, trabalhar numa peça jurídica, escrever uma crônica, mexer no meu Opala, enfim, sei lá.

Por ora resolvo simplesmente dar uma conferida numa peça que estou montando. Sirvo-me de um café e sento-me à frente do computador. O telefone toca.

– Pronto?

– E aí, Adauto? Bom dia! Desculpa aí se eu te acordei ligando assim tão cedo.

– Não, não. Estou só tomando um café…

– Êita vida boa, hein? Levantou agorinha mesmo, já encontrou seu cafezinho pronto e agora deve estar aí, pensando na vida. Um dia eu chego lá também!

– …

¯\_(ツ)_/¯