Dia Nacional dos Psicólogos

E, obviamente, também das Psicólogas.

[Não vou entrar aqui num debate sobre “linguagem neutra”, pois particularmente acho isso uma grande bobagem: “o” é o, e “a” é a; nada de ficar utilizando um inexistente “e” para englobar ambos os gêneros. A estrutura gramatical da língua portuguesa já definiu que havendo elementos masculinos e femininos juntos, o plural masculino prevalece na concordância. E tentar abranger ambos os gêneros numa mesma frase – “Psicólogos e Psicólogas” -, do ponto de vista gramatical é redundante, pois a palavra “Psicólogos”, neste caso, já abrange os dois gêneros. E, mais ainda, ficaria horrível escrever “Dia Nacional des Psicólogues“…]

Esse dia, 27 de agosto, foi instituído nacionalmente como Dia do Psicólogo através da Lei nº 13.407, de 26 de dezembro de 2016.

Mas por qual motivo foi escolhida essa data específica?

Porque, apesar da psicologia ter chegado no Brasil no início do Século XX, somente foi regulamentada como profissão por iniciativa do Presidente João Goulart, que promulgou a Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, que “Dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo”.

Fazendo uma catança na Internet para tentar entender melhor a cabeça dos psicólogos (se bem que eles é que deveriam tentar entender o balaio de gatos que é a minha própria cabeça), começando pelo Código de Ética disponibilizado pelo CRP – Conselho Regional de Psicologia SP, esse documento trata basicamente de suas responsabilidades e de suas vedações e elenca algumas das especialidades que lhes competem. Mas não todas. E também não satisfez o ponto nodal de minha curiosidade: por que, raios, precisamos de um psicólogo???

Fucei mais um tanto e bordando as definições de vários sites, entendi que o psicólogo é um profissional que busca compreender o comportamento humano em suas mais diversas facetas – emocional, autoconhecimento, social e cultural. E é através dessa compreensão que ele tem a capacidade, por meio de muita escuta e muito proseio, de aplicar estratégias específicas e abordagens terapêuticas para nos ajudar em nossos conflitos, habilidades, traumas, e seja lá mais o que for, com a finalidade de buscarmos uma melhor qualidade de vida.

Acontece que a dinâmica da atual hiperconectividade tem a tendência de fazer com que tenhamos problemas nos relacionamentos, crises de ansiedade, estresse, distúrbios alimentares, depressão, abuso de álcool, de drogas, e tantas outras coisas que eu nem seria capaz de enumerar aqui.

Portanto, as orientações e intervenções desses profissionais buscam fazer com que possamos enfrentar os desafios da vida de forma mais saudável.

Pegou a colinha?

Então tá.

Particularmente eu nunca havia botado muita fé nesse time, não. Mas cerca de quase vinte anos atrás, me encontrei numa situação pessoal que estava me consumindo, tirando meu foco, atrapalhando minha vida como um todo. Então resolvi procurar uma psicóloga para ver se conseguiria me ajudar com isso. Lembro-me bem que na primeira sessão praticamente entrei mudo e saí calado, pois tudo que eu conseguia fazer era chorar. Muito. Aos prantos. Mas nas sessões seguintes conseguimos estabelecer uma certa comunicação, apesar de ela mais ouvir do que falar. Mas foi bom. Só sei que, passado algum tempo (não me lembro mais quanto), eu “me dei alta”. E fui cuidar da minha vida.

Desde então, ficou claro para mim que procurar ajuda psicológica não é uma fraqueza. Não são somente os doidos varridos (assim como eu) que buscam esse tipo de auxílio. Na realidade procurar ajuda psicológica é um ato de coragem, é um sinal contundente de que vocês querem enfrentar e resolver seus próprios problemas, sejam eles quais forem.

Aliás, existe uma saborosíssima crônica do Mário Prata que recomendo veementemente a leitura. Vocês vão encontrá-la neste link aqui: Afinal, quem é louco?.

Mas apesar de tudo isso, existe um detalhe que nem sempre a gente consegue perceber: o corpo grita.

E já faz quase dez anos que passei por uma experiência dessas.

Todos os detalhes do que me aconteceu eu já contei lá na série de oito episódios que vocês podem conferir em detalhes aqui: Volta ao Mundo em 80 Horas.

Enfim, quer tenham resolvido ler ou não essa série, em resumo eu fiquei alguns dias internado, inclusive na UTI, por uma suspeita de ataque cardíaco. Mas, passado o susto e após a alta, pude concluir que muito provavelmente o que eu tive foi uma GIGANTESCA crise de ansiedade, ainda que não tenha percebido. Isso porque quem sinalizou foi meu corpo, pois na minha cabeça tudo estava normal. Vejam só: após longos 16 anos trabalhando na Prefeitura, 8 cuidando de todas as licitações do Município e outros 8 como Secretário de Assuntos Jurídicos, eu meio que me acostumei a trabalhar sob pressão. Pressão absoluta. Tudo é pra agora e não há como delegar. E no final de 2016 o nosso partido perdeu na cidade, o que significava que no dia 31 de dezembro cada qual tomaria seu rumo. Mas nesse meio tempo era minha obrigação ajudar a preparar tudo para a transição, disponibilizando todas as informações necessárias para o novo governo. E pensar no que fazer a partir de 1º de janeiro. E como pagar as dívidas que ainda estavam em aberto e as contas futuras. E como dar o melhor encaminhamento para a parte de minha equipe que também estava saindo (servidores comissionados). E como lidar com a arrogância e despeito da parte da minha equipe que ficou na Prefeitura (servidores de carreira). E mil e uma outras pequeninas coisas com que eu teria que lidar antes do final do ano e depois que ele acabasse.

Como eu disse, na minha cabeça estava tudo normal, pois trabalhar sob pressão já era o meu padrão no dia a dia. Mas meu corpo abriu o bico. Não aguentou. E me obrigou a desacelerar mais que bruscamente antes que entrasse em colapso total. Pura ansiedade.

Hoje percebo que, naquela época, teria sido um bom momento para procurar a ajuda profissional de um psicólogo.

Mas não fui.

Simplesmente toquei a vida adiante.

E, enfim, chegamos aos dias atuais. Ou quase. Devido a alguns problemas que não lhes dizem respeito (sosseguem aí, bando de enxeridos!), fui indicado para uma psicóloga “especialista” em casos como o meu. Se bem me lembro não cheguei à terceira ou quarta sessão. Era uma senhora educada, com profundos conhecimentos sobre o tema, mas… como direi? Não deu match. Não conseguimos nos conectar. Inclusive teve um dia em que eu havia tomado umas cagibrinas antes da consulta, vejam só!

E agora, passados cerca de dois anos dessa última “ocorrência”, cá estou eu de novo em terapia semanal com uma outra psicóloga que me foi indicada. Desta vez, com atendimento online.

E gostei.

De um jeitinho bem humorado, todo brejeiro, a gente vai proseando, proseando, e sem que eu perceba ela está enfiando uma broca de vídea de uns cinco milímetros na minha cabeça, abrindo espaço para que eu compreenda e assimile suas ideias e explicações – e mais: fazendo com que eu me enxergue de uma maneira diferente. Não sei se melhor ou pior, mas ao menos, hoje, consigo ter essa consciência.

E, assim, vamos levando a vida.

Um dia de cada vez.

É como diria meu querido amigo David Martin, “a vida é feita de momentos”

Pois é.

E ainda complemento:

A vida é feita de momentos e existem momentos que ficam gravados na memória, pois a memória é feita de sentimentos.

Para cada um de vocês: olhe para trás em sua vida. Busque suas memórias mais antigas. Garanto-lhe que cada uma delas vai de alguma maneira estar conectada a algum evento ou emoção que você sentiu naquele momento. Você pode nem se lembrar do que almoçou ontem, mas aquele jantar romântico especial com seu par que se deu anos atrás continua vívido em sua memória.

É esse tipo de compreensão que tenho aprendido com minha psicóloga toda vez que nos abrimos um com o outro (sim, porque ela também costuma dar exemplos a partir de suas próprias experiências).

E confiança sempre deve ser uma via de mão dupla.

Enfim, voltando ao propósito original deste texto, o que quero mesmo é parabenizar, tanto a ela quanto a todos os outros profissionais da área, pelo dia de hoje, merecidamente dedicado àqueles que têm por missão tentar colocar nossas vidas de volta aos trilhos.

O Dia Nacional do Psicólogo!

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