Propagandas com mensagens subliminares

Notícias interessantes (e inesperadas) do mundo jurídico…

Essa notícia eu recebi através do clipping da Síntese Publicações em 06/03/2006. Refere-se ao processo nº 102028-0/2004 – Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Ei-la:

Propaganda subliminar gera indenização de R$ 14 milhões

O Juiz de Direito da 4ª Vara Cível de Brasília, Robson Barbosa de Azevedo, condenou a Souza Cruz S/A, Standart Ogilvy & Mather Ltda e Conspiração Filmes e Entretenimento S/A ao pagamento de indenização por danos morais difusos no valor de R$ 14 milhões ao fundo de que trata o artigo 13 da Lei 7.347/85, e à veiculação de contrapropaganda elaborada pelo Ministério da Saúde.

Segundo a ação ajuizada pelo Ministério Público do DF e Territórios, as rés uniram-se para criar e veicular publicidade antijurídica de tabaco, usando mensagens subliminares e técnicas para atingir crianças e adolescentes – público que não reúne condições para julgar as coisas clara e sensatamente. A propaganda, levada ao ar em horários legalmente proibidos, foi suspensa conforme acordo judicial, entretanto a contrapropaganda não foi obtida amigavelmente.

O laudo da publicidade elaborado pelo Instituto de Criminalística do DF analisou as imagens e a transcrição do áudio, revelando silhueta de pessoa com cigarro, a imagem de mulher fumando, pessoas fumando carteira de cigarros e as mensagens escritas na propaganda. E conclui: “As imagens revelam forte apelo e atratividade do público infanto-juvenil pela propaganda do cigarro, sem prejuízo de alcance do público em geral, mas o texto revela um contexto nítido de dedicação aos jovens”.

A conclusão é corroborada por outro laudo, elaborado pelo IML do DF, que revela alucinação visual e visão periférica subliminarmente acrescida de um efeito osciloscópico, concluindo pela não opção de aceitação ou rejeição da mensagem ao ser passada para o consumidor.

Segundo o Juiz, as rés não lograram êxito na demonstração de que não visavam ao atingimento do público infanto-juventil, limitando-se a explanar a respeito de técnicas de marketing quando se pretende vender produtos a jovens e/ou crianças. Além disso, o formato videoclipe utilizado está nitidamente voltado para essa faixa etária, e constata-se abusividade da propaganda na utilização de mensagens subliminares.

Na sentença, o juiz explica que se tratando de propaganda ilegal e abusiva, aplica-se o artigo 56, XII do Codecon, que revela ser cabível a imposição da contrapropaganda às custas das rés, devendo esta ser veiculada nas mesmas emissoras, freqüências e horários e pelo mesmo tempo em que o foi a publicidade original.

Levando-se em conta a dimensão dos direitos difusos atingidos, foi fixada indenização por danos morais em R$ 14 milhões, que será revertida em favor de um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais, de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade, e cujos recursos são destinados à reconstituição dos bens lesados.

Vírus, vírus e mais vírus

“latet anguis in herba”

Ante o surto psico-virótico que nos abordou aqui no trabalho ontem à tarde, acho que é bom trazer algumas definições acerca do ambiente bio-virtual que cerca nossos computadores. Esses conceitos básicos foram veiculados pelo IDG Now! em 22/02/06, através de seu repórter Guilherme Felitti. Não abrangem todo o universo viral – e até acho que poderíamos ter algumas coisas beeeem mais interessantes por aqui – mas já ajuda a saber onde efetivamente pisamos (ou teclamos)…

Cavalo-de-tróia – Tal qual a história sobre o ataque dos gregos à cidade de Tróia, o cavalo-de-tróia permite que hackers entrem em seu PC e tenham acesso à suas informações. Com uma praga deste tipo instalada, o hacker pode instalar um keylogger, para saber tudo o que você digita, ou provocar infecções por diferentes vírus por estar escondido dentro da máquina. Um software antivírus ou anti-spyware detectam e limpam a praga do PC.

Firewall – Quando está conectado à web, o PC do usuário troca informações com outros computadores e servidores. Um firewall controla quais programas instalados no seu PC têm permissão para acessar informações na internet, assim como fecha todas as suas portas para que hackers não invadam a máquina. Caso um cavalo-de-tróia esteja instalado na máquina, o hacker não poderá acessar informações se houver um firewall no caminho.

Keyloggers – Associados em muitos casos aos cavalos-de-tróia, o keylogger é uma espécie de spyware essencial ao trabalho de golpistas online. Instalados no PC do usuário, os pequenos aplicativos registram todos os botões que o usuário bate no teclado. O keylogger então envia o registro para o hackers que, com dados como senhas e sequências numéricas registradas, faz compras e saques onlines facilmente.

Patch – Softwares não saem redondinhos dos desenvolvedores. Para corrigir erros que podem facilitar uma invasão, as empresa responsáveis divulgam pacotes de correção (também conhecidos como patches), que consertam os buracos encontrados pela própria companhia. Um software só está realmente seguro se tem todas suas atualizações instaladas.

Phishing – O nome não soa como o verbo “pescar” em inglês à toa. Hackers formatam mensagens falsas que se parecem com comunicados oficiais distribuídos por bancos e instituições ligadas ao governo. Com a semelhança, o usuário é enganado e envia arquivos e informações sigilosas, achando que está se comunicando com o órgão oficial. As mensagens, com links para páginas que costumam durar pouco tempo, são as iscas para que o usuário incauto caia no golpe.

Scam – representam o primórdio do phishing. Ao invés de direcioná-lo para um site malicioso, os scam buscavam enganar o usuário com uma história dentro de um e-mail. Convencido pelos argumentos que prometiam grandes quantias de dinheiro após uma pequena contribuição, usuários doam o dinheiro para o destinatário da mensagem (um nigeriano, no caso mais conhecido), que sumia do mapa.

Spam – Qualquer tipo de mensagem que você recebeu na sua caixa de entrada sem ter solicitado pode ser classificada como um spam. Os responsáveis por enviar a mensagem, chamados de spammers, ganham dinheiro enviando milhões de e-mails por dia, com conteúdo publicitário, em sua maioria. Como não adianta responder à mensagem pedindo para retirar seu nome na maioria dos casos, o usuário consegue se defender do grande volume apenas com aplicativos anti-spam.

Spyware – Como forma de rastrear os gostos de usuários online, empresas de propaganda desenvolveram um programa leve que se instalava no PC do usuário sem sua permissão e monitorava quais eram os sites mais visitados. A estratégia de entregar publicidade focada foi a base para que hackers aproveitassem a idéia para instalar códigos maliciosos no PC do usuário. Instalados em programas gratuitos ou integrados em sites online, os spywares podem instalar pragas como vírus ou cavalos-de-tróia no micro sem que o usuário note, monitorando assim seu acesso e roubando senhas e dados pessoais.

Vírus – Vovôs das ameaças digitais, os vírus de computador provocam calafrios em quem navega na internet brasileira desde seu início, ainda que seus riscos tenham diminuído com o tempo. A praga chega ao usuário, na maioria das vezes, por e-mail. As consequências de uma infecção dependem do vírus: enquanto uns apenas mostram imagens engraçadas, outros formatam o disco rígido do PC e se enviam para todos os contatos do usuário.

Circo político

Sem comentários!

Ontem à noite realizou-se uma sessão de Câmara que, dentre outras coisas, serviu para confirmar a opinião que tenho daquela Casa Legislativa. Acontece que o prédio ocupado pelos “nobres edis” fica bem no meio de uma praça e é totalmente redondo. Dai a definição que tenho – que, diga-se de passagem, não é minha, mas adotei com fervor – numa construção redonda, cheia de palhaços, somente faltou o toldo…

O mote principal dessa sessão foi o questionamento sobre a área de saúde que a vereança quis impingir ao secretário da pasta do Município. Por falta de codinome melhor, vamos chamá-lo de “Pepe”. Imaginem a situação: numa Câmara com treze vereadores, sendo sete da oposição (estávamos, pois, em minoria). Todos munidos até os dentes com extensa papelada, requerimentos, denúncias, questões específicas que precisavam demonstrar e perguntar ao secretário. Este, por sua vez, sentado, sozinho, na mesa da presidência, tendo como única defesa o poder do verbo.

Foi um massacre.

Pobres vereadores… Não tiveram chance!

Não foi necessariamente o fato de o questionado ser muito bom, ELES é que eram muito ruins.

De início, o principal atacante no pleito quis – como todo político sempre quer – fazer da tribuna um local de discurso, antes mesmo de chegar às perguntas. Depois de meia hora falando, falando, falando, sem chegar a lugar nenhum, por pura pressão das hostes que ocupavam o recinto, que estavam aos gritos de “pergunta logo!”, ele foi obrigado a entrar no mérito da sessão.

Aliás, diga-se de passagem, e como foi colocado por alguns dos presentes, pensou-se seriamente em procurar na multidão o secretário da pasta de educação para verificar a possibilidade de inscrever o nobre edil em alguma EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil)…

Pô! Ele mal conseguia ler a papelada que estava à sua frente, e o tanto que leu sempre foi “comendo” as duas últimas sílabas de todas as palavras. “Constituição” virou “constituis”, “dificuldades” virou “dificuldd” (sim, “Ds” mudos), e assim por diante. É incrível como um político “profissional” consegue ser eleito por tantos mandatos seguidos e sequer se preocupar em crescer um pouco culturalmente…

Pois bem, voltemos ao assunto. O Pepe (que assumiu uma postura que lhe valeria a alcunha de “Pepe onze e meia” – só faltou a caneca) DOMINOU a sessão. Além de se explicar muito bem tecnicamente, teve tiradas sutis e sarcásticas que muitas vezes não eram compreendidas pelo intelecto inferior daqueles que o acusavam.

Sem entrar nesses detalhes técnicos, vou me prender aos “humorísticos”…

Uma das perguntas levantadas por esse vereador foi se ele estava presente no Município quanto a Santa Casa pegou fogo. “Sim, eu estava presente”, foi sua resposta, com uma emenda rápida: “Mas não fui eu não!”. A platéia veio abaixo.

“Quanto recebe o administrador da Santa Casa?”, foi outra das perguntas. Foi esclarecido que não há pagamento para pessoa física, mas sim para a empresa contratada para a gestão do órgão, e que, descontando os valores de impostos, recolhimentos obrigatórios, etc, “ainda não chega aos pés de quanto ganham os ocupantes desta Casa”. Tapa com luva de boxe de pelica…

O presidente da Câmara ocupou a tribuna logo a seguir, tendo feito uma “pergunta morna”, que serviu para recompor todos os presentes e dar a vã esperança que ainda teríamos uma noite de sanidade pela frente.

O inquisidor, desculpem, vereador seguinte já possuía um domínio maior da palavra, mas não do raciocínio. Emendou numa série de considerações altamente sugestivas e incriminatórias para, ao final, fazer uma pergunta pífia e sem relevância. Entretanto foi-lhe respondido a pergunta completa, inclusive de cada uma das consideranda, o que derrubou por terra essa manobra de acusar antes de perguntar. Nesse momento coube uma sutileza tão grande que sequer foi assimilada pela maioria dos presentes. Num comentário de uma dessa questões, Pepe ressaltou que aquela Casa parecia usar o estratagema de um famoso comunicador alemão da década de quarenta, que defendia a tese de que uma mentira, se contada inúmeras vezes, acabaria se tornando uma verdade. Era o assessor de propaganda de Hitler…

Aliás, o que mais chamou a atenção dos presentes, foi que – salvo raras exceções – cada um dos vereadores que lançava as perguntas, no decorrer das respostas, simplesmente não olhava para os olhos daquele que respondia. Ficavam folheando papéis, olhando para os lados, conversando com quem passava, num total descaso ao motivo principal que os reunia.

Triste…

Mais à frente compareceu um vereador que começou a martelá-lo com perguntas repetitivas. Num dado momento, ele se vira para alguém da platéia e pede que se levante. “O senhor conhece esse rapaz?”, foi a pergunta. “Sinto muito, mas o senhor deve compreender que, como secretário da pasta, eu cuido da área administrativa, e não da área clínica. Só na Santa Casa são mais de 400 atendimentos por dia, e não há como conhecer a todos”. “Pois é. Então eu lhe apresento o mais novo viúvo do Município. Minha pergunta é: qual foi o médico que matou a mulher dele?”

“AAAAAAAHHHHHHHH !!!!!” – foi a reação que se ouviu do público presente, que simplesmente não acreditou que alguém poderia fazer uma pergunta tão imbecil…

Mais uma vez a resposta foi técnica, explicando que seria impossível conhecer todos os casos que ocorrem diariamente no ambiente hospitalar, que, se houvesse alguma mínima desconfiança de erro médico isso teria que ser apresentado à Administração para que se pudesse discutir tal fato no foro competente, qual seja, perante o Conselho Regional de Medicina. Também ressaltou que o ambiente hospitalar é o que traz mais alegrias e tristezas à população, em se falando somente em seus extremos: o dos nascimentos e o das mortes.

As duzentas e sessenta e nove perguntas seguintes feitas por esse vereador foram EXATAMENTE sobre o mesmo tema, que obtiveram insistentemente a mesma resposta. Mais tarde, naquela noite, comentando sobre o ocorrido, foi dito à mesa de bar que “aquele vereador realmente tem problemas, pois você fala, fala, fala, e ele não escuta, não entende o que você responde”.

Pepe emendou: “Realmente isso é um problema. Chama-se AUTISMO.”

Bem, houveram inúmeras outras tiradas, sem contar no “teatro” feito pelos vereadores enquanto decorriam as perguntas. Pra se ter uma idéia, essa novela se estendeu por três horas!

Ao fim da sessão, o secretário foi abordado por uma militante que lhe disse: “Meus parabéns! Você disse pra eles TUDO que, faz anos, a gente estava querendo falar!”

Heh… Ele saiu de lá em estado de graça…

Ressalte-se que estes meus comentários não se dão em função de ideologia política ou partidária, nem em função dos escalabros que tenham ou não ocorrido na pasta desse secretário. Minha vontade de escrever sobre isso se dá em função da necessidade de se mostrar o que realmente rola numa sessão de Câmara. É horrível saber que pessoas total e completamente despreparadas sequer para a vida é que comandam o poder legislativo de toda uma sociedade.

Acho que é por isso que os principais projetos de lei que saem daquela Casa continuam sendo o de dar nome a ruas, avenidas e demais logradouros públicos…

Enfim, se as pessoas soubessem exatamente como se faz linguiça e como se legisla, não quereriam usufruir nem de um, nem de outro…

Atarefado

“acta est fabula”

Nosso gramado!

“Ainda não…”

Essa foi a frase dita por Jonathan, pai de Clark, em um dos últimos capítulos que assisti do seriado Smallville – o qual venho acompanhando homeopaticamente em DVD nas últimas semanas. Mas em breve voltaremos a esta frase.

Nesse belo e pomposo feriado carnavalesco, pude desfrutar meu lar por alguns dias. Pois é, como diria Stanislaw Ponte Preta, eu sou um dos quatro brasileiros que não gostam de Carnaval. Nem sei quando exatamente isso começou, pois me lembro que, quando garoto, costumava ir às matinês num antigo clube em Santana. Mas, em algum momento, esse encanto se foi e deu lugar a uma antipatia generalizada.

Bom pra mim, ruim pra festeira da Dona Patroa… Mas tenho certeza absoluta que em Carnavais vindouros ela vai acabar arrastando a criançada para algum clube pra que não “fiquem como o pai”…

Assim, aproveitamos para dar uma geral na casa, podando a hera do muro (que já estava virando um túnel), aparando pela primeira vez a recém-plantada grama (já haviam tigres e alguns guepardos no meio da mata), dando uma acertada em arquivos do computador (perdendo muitos) e coisitas do gênero. Particularmente, ante uma eventual demanda carrapatística que poderia surgir, a Excelentíssima resolveu dar ela própria uma tosquiada nas meninas – nossas cachorrinhas mestiças de Lhasa com Maltês – Suzi e Pietra. Uma loira e uma preta.

Olha, a Suzi ficou como um carneirinho tosquiado com uma faca cega. Mas a Pietra… Putz, parece que tacaram fogo no cachorro. Onde não tem tufinhos desiguais, aparece a pele (pretinha) da coitada… Mas tá certo, foi para o bem delas. Daqui a pouco o pelo cresce de novo (espero).

Além de uma ação de cobrança que (finalmente) montei, o final de semana também serviu para alguns experimentos. Perdi dois DVDs ao fazer a transformação de uma fita 8mm para o meio digital. Como arquivo MPEG2 ficou ótimo. Já ao gravar o DVD, a imagem sai perfeita, mas o som fica péssimo. Ainda não descobri como contornar essa situação, mas não tenho pressa. Afinal levei quase dois anos pra começar a entender e utilizar a placa de captura que está instalada em meu computador… O que seriam alguns meses a mais?

Também, por indicação (não me lembro exatamente de quem, mas tenho 50% de palpite entre as duas pessoas que trabalham comigo), baixei e instalei o programa “Shareaza” – parece-me um trocadilho entre Shareware e Sherazade – que faz conexões P2P (“peer to peer”) entre computadores para download de arquivos de música, vídeo, etc. Simples, intuitivo, fácil, eficiente e gratuito. É, gostei do bichinho… Pode ser encontrado em qualquer desses sites de download.

Hmmm… Acho que o assunto acabou se desviando um pouco daquele sobre o qual eu pretendia falar no início… Tudo bem, deixemo-lo para outro dia.

Até porque, ainda tenho que ir trabalhar. Meio-dia. Mas ainda assim, tenho que ir.

Juramento de Hipócrates

“ab uno disce omnes”

HipócratesO acidente foi em 18 de dezembro. Dois meses depois ainda sangrava por baixo da casquinha que ficou. Como, há muito tempo, eu precisei fazer uma cirurgia cuja cicatrização tinha que ser de “dentro pra fora” (cisto cóccix-lombar), achei que nesse caso deveria ser da mesma maneira.

Então resolvi ir ao médico. Convênio em dia (graças à Dona Patroa), fui na sexta-feira passada. O plantonista do convênio (clínico-geral, eu acho) deu uma olhadinha no ferimento, perguntou o que eu estava sentindo e concluiu dizendo que ele não iria mexer nisso, porque a cicatrização seria assim mesmo, nem sequer iria medicar, mas que eu procurasse um cirurgião vascular, para um procedimento de limpeza e eventual desinfecção.

Saí meio desanimado, pois pensei que já fosse ser “medicado” ali mesmo. É lógico que na correria do trabalho não deu sequer tempo de pensar em marcar com o tal do médico.

Logo no domingo, estou em casa, encafifado com meu ferimento. Aí eu disse pra mim mesmo: “Mim mesmo, é melhor irmos até um pronto-socorro, onde teremos um atendimento imediato”. E lá fui eu.

Faz ficha, senta, espera um pouquinho, fui chamado. Desta vez o médico (um urologista) SEQUER chegou a dar uma olhadinha. Sentado no seu canto, me ouviu, deu uma olhada de soslaio e concluiu que ele não iria mexer nisso, porque a cicatrização seria assim mesmo… Ou seja, quase a mesma coisa que o anterior. A diferença é que ele não me “encaminhou” pra ninguém. Mandou passar uma pomada cicatrizante e tomar um antiinflamatório. A primeira dose do antiinflamatório recebi logo em seguida. Intravenosa? Não. No músculo? Quase. Na bunda. É, levei.

Tá, vamos lá, essa é uma página de família. Leia-se “no glúteo”…

Em seguida, outra enfermeira foi fazer um curativo. Ela olhou bem no ferimento (como qualquer dos médicos deveria ter olhado) e perguntou-me com uma cara de descrédito: “Mas ele mandou só passar a pomada?” Boisé…

Já na enfermaria para curativos, a sós, disse-lhe: “Escuta, posso ser sincero? Assim como eu parece que você não se convenceu com a orientação do médico. Que fique entre nós, mas o que você acha disso?”

Ela nada respondeu. Começou a fazer a assepsia, foi molhando, lavando, limpando, levantando a casquinha, até que ficasse apenas um mero fiapo ligando-a à pele. “Posso tirar?”, me perguntou. “Por mim, DEVE.”, respondi-lhe. Com um bisturi acabou de tirá-la e mostrou aquela coisa horrenda a alguns centímetros de meu nariz, como quem diz “olha só o absurdo de deixar isso em você”. Mas, na prática, nada disse.

Acabou de fazer o curativo e ainda saí de lá já com a pomada e uma cartela do remédio que deveria tomar. Diga-se de passagem, saí satisfeito com o procedimento.

Pra quê toda essa história? Pra mostrar o descaso que a classe médica é capaz de demonstrar para com as pessoas. Ao menos uma parte dela. Aliás, a parte que consultei. Custava o primeiro médico já tomar essas providências? Não, ele tinha que me mandar para um “especialista”. E se eu não tivesse convênio? E se eu tivesse que pagar a consulta? E ainda, no caso do segundo médico, custava ao menos ele olhar para o que estava diagnosticando? Foi necessário uma enfermeira de pronto-socorro, que, apesar de não ser médica, acabou tendo muito mais feeling pra perceber o absurdo do diagnóstico.

Aliás, depois que melhorar um pouco (e está melhorando), acho que devo levar uma caixa de bombons para ela…

Dizem que nosso Sistema de Saúde é falido. Não acho. Tem muita gente realmente boa na linha de frente e que SABE o que está fazendo. Gente preocupada e que realmente se importa com o bem-estar do próximo. O que estaria falido seria a maioria (porque há exceções) da classe médica, que do Juramento de Hipócrates, tranformou em juramento do Hipócrita.

Olha só que bonito seria, se honrado fosse:

“Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Existe uma forma simplificada que usualmente é lida durante solenidades festivas, como as de conclusão do curso médico. É a seguinte:

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.

Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, os quais terei como preceito de honra.

Nunca me servirei da profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu, para sempre, a minha vida e a minha arte, com boa reputação entre os homens.

Se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.”

Só pra concluir o teatro do absurdo, alguém viu, no decorrer da semana, as reportagens sobre médicos que já estariam comercializando soluções (não tem como dar outro nome) baseadas em células-tronco?

Run, Forrest! Run.