A Lei de Murphy – qual sua origem, afinal?

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 04, de fevereiro/2003 )

Acho que todos conhecem a malfadada “Lei de Murphy”. É aquela que tem como premissa básica que “Tudo o que puder dar errado, dará”. Vários livros foram editados sobre o assunto, estendendo suas definições para as mais variadas áreas de atuação.

Temos, por exemplo, a clássica situação das filas: se você estiver numa fila, a do lado certamente estará andando mais rápido; mas caso resolva mudar de fila, aquela em que você entrou certamente passará a andar devagar, enquanto que a anterior começará a fluir. É a manifestação da Lei: “A fila do lado sempre anda mais rápido”. A Lei de Murphy, na minha opinião é tão complexa que se você tentar tirar benefício dela, dará com os burros n’água. No exemplo citado, caso você resolva ficar na mesma fila aguardando a aplicação tácita da Lei de Murphy, com certeza ela não ocorrerá, de modo que sua fila não sairá do lugar…

E em informática então? Basta não salvar o arquivo em que está trabalhando para aumentar as chances de ocorrer um travamento. Como dita a Lei: “A possibilidade de algo sair errado é diretamente proporcional ao tamanho do prejuízo”.

É a verdadeira Teoria do Caos materializada!

Mas, afinal de contas, de onde surgiu tudo isso? Existiu mesmo um tal de Murphy que deu início a esse conceito? A resposta é SIM!

O nome correto é Edward A. Murphy Jr, engenheiro, nascido em 1917, sendo que no final dos anos 40 trabalhava como pesquisador e chefe de desenvolvimento em Wright-Patterson, base da Força Aérea localizada em Dayton, Ohio, Estados Unidos.

Nessa época desenvolvia um projeto – o USAF MX-981 – cujo intuito era testar os limites da tolerância humana às forças de aceleração. Um dos vários experimentos envolvia a montagem de 16 medidores de aceleração a serem instalados em diferentes partes do corpo da cobaia, quer dizer, do voluntário. Esses medidores somente poderiam ser montados de duas maneiras (sim, sim, a certa e a errada). É mais que óbvio que alguém conseguiu o prodígio de instalar todos os 16 medidores exatamente da maneira errada, inviabilizando o experimento.

Foi face a essa experiência desastrosa que Murphy fez a seguinte alegação: “Se há duas ou mais formas de se fazer algo, e uma delas pode resultar em uma catástrofe, então, alguém a fará”. Dias depois, a cobaia, digo, o voluntário que se submeteu ao teste, major John Paul Stapp, numa conferência de jornalistas parafraseou o conceito, com suas próprias palavras.

Estava feito o estrago. Dentro de alguns meses a frase, cada vez mais adaptada, havia se propagado para várias áreas técnicas ligadas à engenharia espacial, chegando mesmo a entrar para o dicionário Webster, em 1958. A sua forma atual foi consagrada pelo escritor Larry Niven, em sua obra de ficção científica “Lei das Dinâmicas Negativas de Finagle”, onde cunhou o enunciado “Tudo o que puder dar errado, dará”.

Existem muitas variações desse enunciado, sendo que um dos meus prediletos é que “se uma série de coisas puder dar errado, dará na pior sequência possível”.

E, por fim, o corolário que dita que “se algo que tinha tudo pra dar errado, no final deu certo, é porque na verdade deu tudo errado”

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Software Livre e Linux: a grande diferença

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 04, de fevereiro/2003 )

Derneval R. R. Cunha

(O autor esteve em Porto Alegre e assistiu a uma conferência sobre Software Livre, com o Richard Stallman, tendo feito uma tradução consecutiva da palestra, a qual serviu de base para o texto a seguir, juntamente com algum material retirado da Free Software Foundation.)

Para entender essa diferença, o melhor é primeiro pensarmos em termos de COZINHA. É, receita de bolo mesmo. Não as “receitas de bolo” que são os passos para se fazer isso ou aquilo, mas sim uma receita para se fazer doces, seja num fogão ou num forno de microondas. Se você não sabe do que estou falando, pergunte para alguém que realmente faz comida de verdade (comida pré-fabricada não serve). Bom, receita de bolo é a melhor coisa.

A não ser que estejamos falando daquelas receitas onde se adiciona leite e pronto, voilá, a culinária existe e para mim pelo menos consiste na arte de cozinhar (que não tem muito a ver com informática, per si). Então o que é uma receita? É um conjunto de ingredientes, tipo farinha, açúcar, etc, que se mistura de determinada forma, mexe, coloca-se no forno e depois serve para alguma vítima experimentar e falar se está bom. Algumas pessoas fazem ótimos doces e bolos a partir de alguma receita que pegou na internet ou nos jornais. E qual o barato dessa receita? A pessoa pode passar adiante. Se eu faço, mudo alguns ingredientes da receita, posso fazer um bolo diferente. Se meus amigos sobreviverem e gostarem do bolo, posso escrever num papel e passar a receita para eles. Que poderão repetir em casa o que fiz. Sem nenhum problema.

O mesmo não acontece na informática. Se eu configuro meu Windows ou Word para Windows em casa, de um forma X, com um visual super legal, não posso legalmente copiar esse software que modifiquei para meus amigos, presumindo-se que eu tenha pago por ele (claro, imagina se vou fazer pirataria). Tudo bem que a instalação do Windows no meu computador ficou ótima: não posso copiá-la para meu vizinho (mesmo se conhecesse). Tudo bem que meu Windows está totalmente protegido contra invasões. Não posso fazer um CD com ele e distribuir para que meus amigos fiquem protegidos (claro, posso ir na casa deles e colocar as mesmas proteções, talvez até cobrar pelo serviço, mas copiar para o micro deles, LEGALMENTE, não posso).

Então, o que é que está pegando? Com a culinária, sou livre para trocar ou alterar receitas de bolo ou qualquer outra comida. Com a informática, não. Se faço com a informática aquilo que faço com receitas de bolo (não confundir com “receita de bolo” da informática) ou de qualquer comida, posso ser processado por violação de direitos autorais. Ninguém precisa pagar um tostão pela fórmula de se fazer arroz com feijão. Cada pessoa faz comida das mais variadas maneiras, ganha dinheiro como cozinheiro ou não e precisa prestar contas a uma Microsoft da vida? Não.

Pensando nisso é que se iniciaram os trabalhos da Free Software Foundation. O “Free” aí no caso, não significa grátis (apenas). Significa “Livre”, como na palavra liberdade. Qual liberdade?

“A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nr. 0)”

“A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nr. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade”.

“A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nr. 2)”.

“A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nr. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade”.

(obs: tudo acima está disponível no URL http://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt.html)

O que pesa nisso tudo é que todo e qualquer programa de informática se baseia num ambiente operacional. Quer dizer, não adianta programar em C, Pascal ou Ada. Ainda assim, o programa terá que rodar num sistema operacional. O primeiro passo consiste em projetar um sistema operacional que tenha as características acima. O sistema operacional é a base para outros programas GNU. Qualquer programa desenvolvido terá que ter o código fonte disponível para as pessoas que irão utilizá-lo. Essas pessoas poderão alterar, implementar ou simplesmente usar os programas, como lhes der na telha. Poderão até mesmo comercializar, desde que o código fonte vá junto.

O que que isso tem a ver com o Linux? Bom, Linus Torvalds começou seu projeto de Linux com um pensamento vagamente semelhante, mas a idéia era de que seria algo divertido de se fazer. Difere portanto como opção política. Ao usar GNU, está se dizendo NÃO à Microsoft. É uma opção política de se recusar a entrar no jogo de pagar pelo uso de um software sem quebrar a lei. Já no Linux, tem uma questão de Ego e também de fazer um software para se aprender mais sobre informática. Não há uma questão de não pagamento de royalties e sim de como construir algo que funcione. Não entendeu?

Bom, vejamos de outra forma (minha idéia, não o que foi explicado na palestra): todo mundo usa computadores para fazer serviço sério, em qualquer lugar. Quando se monta uma empresa, precisa-se de software legalizado. E software como o da Microsoft cedo ou tarde necessita de atualização. Não se pode “remendar” um programa velho para continuar funcionando no micro novo. Consequência: Muita gente usa software pirata por achar que nunca sofrerá consequências disso. Convive-se com a idéia de burlar a lei. Mas o que acontece? A pessoa acaba pagando pelo software, cedo ou tarde. Basta precisar legalizar aquilo que faz com o software.

O pessoal que fundou ou ajudou no que seria o GNU estava interessado nesse detalhe: poder usar um software sem se preocupar com os direitos autorais ou a legalização de qualquer espécie. O pessoal que ajudou a construir o Linux estava preocupado com algo mais ou menos parecido como ajudar só para poder dizer “ó, meu nome está lá, eu também fiz isso, é obra minha”. Ou por diversão. Não estou criticando, só demonstrando, eu também gostaria de ser um dos responsáveis pelo Linux, um dia me inscrevo num dos dois grupos.

Bom, como foi a junção? O pessoal do GNU já tinha feito parte do trabalho (um sistema operacional semelhante ao UNIX não é brincadeira de se fazer). O pessoal do Linux já havia feito outro. Mas o Linux foi distribuído a torto e a direito sem se explicitamente divulgar que o chamado Linux era “GNU + Linux”. O que deixa o pessoal da Free Software Foundation meio pê da vida, mas que também não pode reclamar muito, já que está previsto que o “software livre GNU” pode ser distribuído sem essa preocupação de ficar dando nome aos bois. Dura lex, sed lex (Dura lei, mas é a lei). Então, só falar Linux não está errado, mas sem o GNU, talvez o Linux ainda não estivesse pronto, talvez não existisse.

É isso o que entendi da palestra, que foi curta. Os mais interessados, podem acessar a página abaixo, que tem inclusive tradução para o português:

GNU não é UNIX: O projeto GNU e a Fundação do Software Livre: http://www.gnu.org/home.pt.html

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É agora ou nunca!

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 04, de fevereiro/2003 )

Novo governo quer promover o Software Livre em todo o Brasil. Será que conseguem resistir ao lobby das grandes empresas?

Maurício Martins

Levantai-vos ó geeks, pois podemos estar às vésperas de uma verdadeira revolução. O Brasil está prestes a se tornar o novo bastião de resistência do Software Livre na América Latina. Tudo porque o PT está no poder, e pretende levar para Brasília uma das suas principais bandeiras em governos estaduais e municipais pelo Brasil: a adoção de programas não-proprietários em órgãos governamentais.

O assunto é muito mais importante do que se imagina. Se quiser, o governo federal alavanca de vez o uso do Software Livre no Brasil e pode, com isso, diminuir drasticamente os lucros da Microsoft neste que é um dos maiores mercados de computação do mundo. Não é à toa que a primeira coisa que Mr. Bill Gates fez, depois de saber o resultado das eleições, foi tentar desesperadamente um encontro com Mr. da Silva. Não conseguiu.

As primeiras declarações do novíssimo secretário de Logística e Tecnologia da Informação, Rogério Santanna dos Santos, dão mostras de que o PT não pretende recuar agora. Ele disse que o governo deve diminuir a dependência que o Poder Executivo tem em relação a grandes fornecedores, reduzindo os gastos com tecnologia. Para alcançar o objetivo, segundo o secretário, a SLTI deverá implementar alternativas que incluem uma política mais agressiva que contemple o Software Livre.

Mas, sejamos justos. Não é só o PT que luta por isso no Brasil. Há setores de outros partidos, como o PMDB do Paraná, que também vem apostando no Software Livre, como bem apontou Rodrigo Stulzer, da Conectiva.

Falamos com o secretário, com o novo diretor do Instituto de Tecnologia da Informação e com representantes de grandes empresas interessadas no assunto para tentar prever como será essa briga de gigantes, que promete se desenrolar nos próximos anos.

Afinando o discurso

Como o PT é um partido que acaba de chegar pela primeira vez à presidência, ainda não existe um discurso afinado sobre como será encaminhado o assunto em Brasília. Em fevereiro, Sérgio Amadeu, atual coordenador do Governo Eletrônico em São Paulo, deve assumir o Instituto de Tecnologia da Informação, responsável direto pela questão do certificado digital, uma polêmica abordada nas últimas edições da Geek. Mas, com certeza, ele terá papel importante nas decisões tomadas com relação ao uso de Software Livre pelo governo. Para ele, o software proprietário deve ser totalmente descartado pelo Estado:

“É um absurdo pagar licenças para utilizar editores de textos e planilhas de cálculos. Existem pacotes não-proprietários estáveis e em constante aprimoramento que são desenvolvidos pela comunidade GNU/Linux.”

Mas não é essa a opinião do secretário de TI, Rogério Santanna, que é quem terá a palavra final nesta área. Ele é enfático ao defender a coexistência de softwares proprietários e open source no governo:

“Não há como simplesmente estabelecer uma nova regra e converter todos os sistemas para uma única solução, para que utilizem apenas um tipo de software. Isso seria absurdo, pois custaria uma fortuna e seria extremamente complicado.”

Com isso, ele está mais próximo da ideologia open source, criada por Bruce Perens, do que do Software Livre de Richard Stallman.

Ao analisar a atuação de FHC na área, os dois são bastante críticos, especialmente Amadeu:

“O governo FHC foi muito tímido na adoção do Software Livre. No final, fizeram totens que custavam R$21 mil a unidade, apenas para acessar a Internet. Por que não usaram o GNU/Linux e navegadores como o Mozilla, Galeon ou Netscape? Por que cada estação custou esta fortuna?”

Santanna concorda, mas aponta alguns avanços nas compras eletrônicas, na arrecadação de impostos e no próprio Sistema de Pagamentos Brasileiro, o SPB. Segundo ele, essas iniciativas tiveram reconhecimento internacional. “Deixou a desejar no que diz respeito à universalização do acesso e integração de sistemas”, diz ele.

“O Windows vai continuar sendo usado pelo governo brasileiro. Mas a adoção de soluções baseadas em código fechado, proprietário, evidentemente fragilizam sistemas de informação que requerem elevado nível de segurança. Qualquer projeto sério de segurança e privacidade deve levar isso em consideração”, diz Santanna. Ele aposta nas soluções de criptografia para proteger os dados sigilosos do governo.

A conclusão a que se chega é a seguinte. Apesar de defender com força o uso exclusivo do Software Livre nos Estados e municípios que governa, o PT chega a Brasília com um discurso mais amistoso. Vai tentar conciliar os dois modelos, sem abrir mão de, com os Telecentros, democratizar o acesso à informática e a programas originais no Brasil. Nós ficamos aqui torcendo. Nunca estivemos tão perto de ver o monopólio ruir.

A lição de São Paulo

Ricardo Bimbo é o Coordenador Técnico do Governo Eletrônico do Município de São Paulo. Conversamos com ele para saber como está sendo a experiência do uso de programas open source na maior cidade da América do Sul. O que ouvimos foi surpreendente. Segundo ele, em março deveremos ter um total de 100 Telecentros por toda a cidade, cada um deles capaz de atender até 3 mil pessoas. Isso dá um universo de 300 mil pessoas, ao mesmo tempo, utilizando computador com a distribuição Debian GNU/Linux, com Internet, e programas livres, totalmente de graça.

O resultado pode-se prever facilmente: uma população mais próxima da alta tecnologia que se desenvolve no mundo, menos vítima da divisão digital que ameaça isolar ainda mais o Terceiro Mundo, e uma economia monstruosa para o Estado, que passa a conseguir muito, por muito pouco.

“Todos os Telecentros estão em áreas carentes, da perifieria ou do centro. Por enquanto, são apenas 19 (atendendo 69 mil pessoas), mas a grande revolução deve vir em breve”, diz Bimbo. Até agora, 23 mil pessoas fizeram os cursos ministrados pelos Telecentros. São 23 mil novos linuxers.

Perguntamos sobre o problema do treinamento e da dificuldade em se iniciar em Linux. Ele respondeu que, para quem começa a mexer no computador, não há muita diferença entre abrir um Windows ou aprender noções básicas do sistema livre.

“Temos uma boa estrutura para trabalhar. Mostramos ao usuário como usar a interface gráfica do sistema, e isso é suficiente para o usuário comum. Temos dez instrutores avançados que são responsáveis por treinar os demais instrutores (aqueles que vão atender as pessoas nos Telecentros). Em março, eles já serão 300”. Sobre o custo de cada Telecentro, ele diz: “Uma unidade custa apenas R$80 mil, com seus 3 mil computadores. Com certeza, uma opção muito melhor do que os totens do FHC, que custavam R$21 mil a unidade, com apenas um computador”.

Custos de treinamento

Um dos principais argumentos da Microsoft contra o Software Livre é o de que ele acaba sendo mais caro, devido ao aumento nos custos de treinamento. Claro que isso se deve ao fato de que as pessoas estão acostumadas a usar apenas os programas da empresa monopolista.

Rogério Santanna explica que os custos de treinamento são responsáveis por um terço dos gastos na implementação de um software. Os outros dois terços são referentes a licenças (mais um terço) e hardware (o terço restante). Então, elimina-se o fator licenças com um pequeno aumento no item treinamento. Ele diz que, vendo dessa forma, a tendência é o Software Livre representar menos gastos, especialmente a médio e longo prazo.

E quanto ao lobby das grandes empresas, como a Microsoft, será que o governo terá força contra ele? Os dois são unânimes em dizer que tais pressões são normais numa democracia e que cabe ao governo se manter fiel ao interesse público. Assim esperamos.

Quisemos saber também de nossos novos dirigentes o que eles têm a dizer sobre os problemas de segurança e de ameaça à soberania nacional causados pelo Windows e seu código fechado. A resposta mostra que o governo não quer se ver longe da Microsoft, mas que pretende limitar muito mais sua participação nos sistemas do governo.

O que diz a Microsoft

Para ninguém dizer que a Geek só vê um lado da questão, fomos atrás da única empresa do mundo que vê o Software Livre como um câncer, como costumam dizer os seus executivos. E, talvez pelo fato de tal opinião ser difícil de ser defendida, não obtivemos resposta até o fechamento desta edição. Os leitores tirem suas próprias conclusões.

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Ctrl-C nº 04

( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 04, de fevereiro/2003 )

* NOTA: Essa foi a abertura de uma das edições de um e-zine que escrevi, de nome Ctrl-C, a qual transcrevo aqui no blog para viabilizar futuras buscas por artigos.

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 Qualquer lei será tão obtusa quanto o for seu intérprete...
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Buenas.

Desde a última vez que escrevi no Ctrl-C muita coisa aconteceu…

Dentre as grandes mudanças de minha vida, em primeiro lugar, temos o nascimento de meu segundo filho, Erik (que já está com mais de um ano de vida, andando e querendo começar a falar). E, também, apesar de sempre ter sido um “infomaníaco” declarado, hoje estou trabalhando na Prefeitura de Jacareí, na área de licitações, contratos e convênios, matéria fascinante e sobre a qual ainda falarei algo por aqui. Por fim, descobri uma nova paixão, na forma de (mais) um hobbie que venho desenvolvendo: a genealogia.

Na realidade o número dessa edição não deveria ser “quatro”, mas sim “três e meio”, pois não tive o tempo necessário para me aprofundar nos temas, como usualmente eu faço. Na prática, estou escrevendo-o para enfrentar uma noite de insônia, bem como dar um suspiro de alento ao pobre do Ctrl-C…

Justamente pela falta de tempo em função de minhas novas atividades fui obrigado a abandonar o domínio básico “www.habeasdata.com.br”, que estava totalmente sem manutenção, mas com custo mensal contínuo. Optei por um dos gratuitos, no caso o Kit.Net. Até que se prove o contrário, bem bãozinho.

No mais vamos levando, tentando me manter informado do que rola no mundo informático, até para manter a mão treinada, e com sincera e profunda ESPERANÇA (nada a ver com a novela que acabou) no nosso novo governo, desejando que o Lula, ops, quer dizer, que o Excelentíssimo Senhor Presidente Lula faça uma boa administração.

Certa vez li num gibi (será que ainda existe alguém que usa esse termo?), que tratava da eleição de um novo presidente – fictício – nos Estados Unidos dos anos sessenta, a seguinte frase: “O fato de Prez ser um BOM presidente surpreendeu a muitos, mas ser ÓTIMO surpreendeu a todos”.

E é isso que eu espero de Lula: que ele surpreenda a todos.

 [ ]s!                  ________________         _
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 Adauto                           .--`--'../
                                 '---._____./!

                             INFORMATION MUST BE FREE !

 
ADVERTÊNCIA:

O material aqui armazenado tem caráter exclusivamente educativo. Como já afirmei, minha intenção é apenas compartilhar conhecimentos de modo a informar e prevenir. Não compactuo nem me responsabilizo pelo uso ilegal ou indevido de qualquer informação aqui incluída. Se você tem acesso à Internet e está lendo estas linhas significa que já é grandinho o suficiente para saber que a utilização deste material visando infringir a lei será de sua própria, plena e única responsabilidade.

Você pode, inclusive com minha benção, reproduzir total ou parcialmente qualquer trecho deste e-zine. A informação tem de ser livre. Mas não se esqueça de citar, também, quem é o autor da matéria, pois ninguém aqui está a fim de abrir mão dos direitos autorais.

NESTE NÚMERO:

I. É agora ou nunca! – Novo governo quer promover o Software Livre em todo o Brasil. Será que conseguem resistir ao lobby das grandes empresas? (Maurício Martins)
II. Software Livre e Linux: a grande diferença (Derneval R. R. Cunha)
III. A Lei de Murphy – qual sua origem, afinal?
IV. Humor
V. Bibliografia

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Próxima Edição

Homens e mulheres que fazem a DC Comics

Karen Berger

Antes de trabalhar na DC, Karen Berger nunca foi fã de quadrinhos. Isso não a impediu de ser uma das mais respeitadas editoras do meio. “Bem, fiz o tipo de quadrinhos que eu gostaria de ler. Felizmente, muitas outras pessoas também gostaram!” Ela ficou com a edição das revistas da área de horror e fantasia.

Karen foi essencial para transformar o Monstro do Pântano num dos títulos mais premiados, e seus esforços em sofisticar o horror continuam ainda hoje. Mesmo os títulos de heróis que edita não seguem a regra – Mulher-Maravilha e Homem-Animal são aclamados por não serem comuns. “Uma coisa que aprendi com os argumentistas talentosos com quem convivi foi trabalhar por uma outra perspectiva situações já muito exploradas”.

Karen gastou muita energia para se tornar a ligação britânica oficial da DC. “É incrível a quantidade de talentos que existe lá”. Ela descobriu que, vindos de uma cultura diferente, os ingleses trabalham HQs de modo diferente. “Alan (Moore) nos mostrou que quadrinhos de terror não precisam ser violentos e assustadores”.

Perguntada sobre qual o lançamento mais excitante que está preparando: “É duro responder. Um editor é como um pai. Tenta amar todas as revistas igualmente. Até estremeço ao pensar no que Grant (Morrison) e Dave (McKean) fizeram com o Asilo Arkham. É de assustar!”.

Mike Carlin

“Algumas pessoas dizem que nasci para editar as revistas do super-herói mais famoso do mundo! Bem… na verdade, só a minha mãe disse isso”, admite Mike Carlin. Ele foi apresentado aos quadrinhos pela sua mãe, grande fã do Super-Homem. “Enquanto estive na Marvel, ela nunca foi me visitar. Mas, assim que fui pra DC e comecei a editar o Super-Homem, ela apareceu”!

O amor de Mike por super-heróis se expressa na grande quantidade de títulos antigos que edita. “Trabalhar com o Super é legal, mas também é muito bom lidar com os personagens criados pelo Kirby”.

Mike ajudou a relançar os Novos Deuses em Odisséia Cósmica e no título mensal Novos Deuses. Sua linha de publicações inclui Doc Savage e Rapina & Columba. “R&C decolou mesmo! Isso é gratificante, já que a dupla vinha sendo pouco publicada”. Ele também gosta de trabalhar com personagens menos tradicionais, como Sombra, Justice Inc. e Adam Strange.

De tudo o que fez desde que entrou na editora, Carlin se orgulha mesmo é de manter fortes os vários títulos do Super-Homem. “Trabalhar com gente como o Ordster (Jerry Ordway), Sterno (Roger Stern) e Gammilmeister (Kerry Gammil) tem sido um sonho”. Mike impôs uma aproximação consistente e variada do herói, criando uma superequipe para tanto. A mais recente aquisição é George Pérez. “Aí está um cara que conhece o Super! Ele se encaixa como uma luva na equipe”.

Quando elogiado por sua superfaçanha, Carlin responde: “Manter os supertítulos na linha não é nada… tirar um argumento de Andy Helfer… isso é um problema!”.

Mike Gold

Um dos trabalhos mais gratificantes que Mike Gold faz é por trás dos cenários. A maioria deles são esforços como diretor de desenvolvimento da DC. “Basicamente, a equipe de desenvolvimento da DC deve descobrir novas áreas onde a editora possa atuar. Tentamos expandir o material que fazemos, e isso inclui desenvolver propriedades dinâmicas em outras áreas e meios de comunicação”.

Como editor, Gold é responsável por alguns dos títulos mais famosos da DC. “Tenho sorte de estar trabalhando com pessoas muito criativas no mundo dos quadrinhos, de Denny O’Neil e Denys Cowan no ‘Questão’ até Mike Grell, Dan Jurgens e Ed Hannigan em ‘Arqueiro Verde’, fora o projeto Swamp Angel, de Grell”.

A ressureição do Gavião Negro é outro sucesso de Mike na revitalização dos personagens mais venerados da DC, incluindo o Arqueiro Verde e o Flash. Outra grande obra do editor foi selecionar histórias para as coletâneas “Melhores Histórias do Batman” e “Melhores Histórias do Coringa”. Entretanto, é a estréia de novas séries que mais agrada a Mike. “Considero cada lançamento um grande projeto. A criação de um título é a parte mais gostosa do negócio”. Ele e e seu grupo têm várias propostas interessantes em mente, incluindo adaptações de tiras de jornal e de grandes filmes de cinema.

Andy Helfer

Se comparássemos a edição de quadrinhos a crianças brincando na praia, você não poderia deixar de notar um garoto construindo os castelos de areia mais incríveis que já viu. Andy Helfer atribui seu sucesso como editor ao fato de que permaneceu criança em seu coração. “Se não é legal, por que fazer?”. O amor que dedica aos livros, quadrinhos, brinquedos, jogos, filmes, música e tudo o que for colecionável transmite frescor e atualidade às revistas por ele editadas.

O sucesso da revitalização da Liga da Justiça é uma evidência. “Quando os ‘cabeças’ me disseram que eu poderia fazer o que quisesse para a revista vender, pensei: ‘Vamos fazer exatamente o contrário do que o pessoal vem fazendo!'”. Embora a lógica não pareça muito clara, a teoria de Andy se mostrou correta. “As outras publicações estavam sérias demais. Então, pensei: ‘Por que não fazer revistas engraçadas de novo?’ Aí veio o sucesso. Parecia que todos queriam gostar da liga, mas não havia muito do que gostar nela”.

Ele trabalhou para montar uma equipe de heróis que hoje aparecem em duas revistas mensais e em diversos cross-overs (interligações de histórias de duas ou mais revistas). “Vamos encarar os fatos: se houvesse super-heróis no mundo, todos eles se conheceriam. Talvez até se agrupassem. Como os astros de rock, sabe?”

O atual trabalho de Andy inclui vários livros, nem todos engraçados ou de jogos. Há uma bela edição de luxo (de capa dura), Enemy Ace, de George Pratt, mini-séries de ficção em “prestige format”, Twilight (feita por Chaykin e Garcia-López) e a volta de Lanterna Verde, uma revista que ele já fez famosa um dia. “Ei, não esqueça a ‘seríssima’ Caçadora (Huntress) do Joey (Cavalieri) e Joe (Staton)! É até engraçada… a seu modo!”

Denny O’Neil

Denny O’Neil é um daqueles caras que viraram lenda na indústria dos quadrinhos, “o que não rejuvenesce nada!”. Entretanto, é sua maneira jovem de editar as revistas que as deixa modernas e interessantes. “Não esperava passar minha vida nos quadrinhos, mas, olhando pra trás, valeu a pena. Fiz várias histórias de que me orgulho. Como editor, pude melhorar muitas”.

Denny começou sua carreira como jornalista e ficou famoso pela produção de boas histórias em quadrinhos no final dos anos 60 e começo dos 70. “Não queríamos mudar o mundo, mas achávamos que as HQs, como qualquer outro meio, poderiam expressar idéias e valores importantes – além de divertir”.

E os leitores se divertiram (na verdade, se deliciaram) quando Denny passou a editar Batman com um realismo impressionante, o que popularizou ainda mais o herói. Essa aproximação do personagem é hoje mais importante do que nunca, e ninguém melhor que Denny para editá-lo. “O Batman é um herói de quadrinhos mais complexo que os outros. Os aprofundamentos psicológicos me mantiveram por perto. As pessoas estão gostando muito dele assim”. Denny ainda tem vários planos emocionantes para o Cavaleiro das Trevas, incluindo mini-séries inteiras às revistas mensais, graphic novels e cross-overs. “Com o filme atraindo tanto interesse para o personagem, sinto uma grande responsabilidade em fazer alguma coisa nova e diferente com ele. É uma pressão positiva. Do tipo que deixa você atento e sua mente ativa”. Uma ótima atitude para a lenda mais jovem da indústria dos quadrinhos.


Texto publicado na revista DC 2000 nr 02

  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)

Bem-vindos ao mundo do Xeque-Mate!

O conceito de organizações governamentais ultra-secretas que nos protegem do mal reverte às próprias raízes das histórias em quadrinhos. Antes de existirem as revistas em quadrinhos, havia os pulps – revistas de contos policiais e de terror, editadas em papel de preço muito baixo, que apresentavam todo tipo de combatentes do crime, os encapuzados, os do governo e outros (Sombra e Doc Savage são os que mais se destacaram nesse tipo de publicação). Mas, antes dos pulps, já existiam os chamados penny-dreadfuls (misto de romance e conto nascido na Inglaterra que, depois, levado aos Estados Unidos, acabou dando origem aos pulps). Os penny-dreadfuls eram revistas semanais e quinzenais da virada do século que apresentavam ficções heróicas mais violentas. Uma forma de entretenimento carregada de ação, com aventuras bastante romanceadas de mitos da história, como Buffalo Bill Cody, Jesse James e até Teddy Roosevelt, ou de personagens totalmente fictícios como Nick Carter. As revistas em quadrinhos, portanto, evoluíram indiretamente dos penny-dreadfuls (um aparte: o título de uma das revistas mais populares da DC nos anos 60 e 70, The Brave and The Bold, originalmente era usado como nome de um penny-dreadful.

Esses três tipos de publicação apresentavam como tema aventuras heróicas. Parece que nós queremos ter certeza de que alguém lá fora está nos protegendo. E muita gente acredita que o governo deveria se esforçar para fornecer essa proteção. Pense nisso: James Bond, o agente secreto X-9, Nick Carter, Napoleão Solo… nossa cultura popular está abarrotada de agentes do governo que são superpoliciais.

Mais recentemente, tivemos muitas histórias mostrando como o governo lida com tais elementos. Você já leu sobre isso em aventuras do Capitão Átomo, Esquadrão Suicida, Lendas e muitos outros títulos (o exemplo mais famoso é a influência do governo sobre Super-Homem em O Cavaleiro das Trevas).

Assim como o Esquadrão Suicida representa os esforços do governo em recrutar criminosos para realizar o serviço que lhe cabe (isto é, proteger a sociedade), Xeque-Mate representa os esforços do governo em recrutar heróis. Para os membros do Xeque-Mate, as missões são só um serviço (mas um serviço que precisa ser feito), onde cada agente realiza suas aspirações pessoais a fim de transformar o mundo num lugar melhor.

Vai ser um trabalho bem duro para essas pessoas, mas para nós, leitores, será, no mínimo, emocionante. Você encontrará muitas referências ao Vigilante (Adrian Chase), o ex-juiz que trabalhava para a agência de Harry Stein antes de sucumbir às pressões de sua própria vida.

O policial reformado da cidade de Nova Iorque, Harry Stein, dirigia uma agência federal sem nome, encarregada de neutralizar terroristas internacionais que se infiltrassem no território nacional. Atuava como seu braço direito, Harvey Bullock, um veterano do departamento de polícia de Gotham City. A organização já empregou muitas pessoas, incluindo dois agentes uniformizados de estabilidade emocional questionável: o já mencionado Vigilante e Christopher Smith, mais conhecido como Pacificador. Dizer que eles tinham uma “estabilidade emocional questionável” é eufemismo: o Pacificador é um louco comprovado, e o Vigilante entrou em profunda depressão e acabou se suicidando.

Como você pôde ver na história Jogada de Abertura (no Brasil publicada em DC 2000 nr 01), a agência conseguiu uma chance de entrar nos eixos. Agora, há uma nova superestrutura. A popular Amanda Waller, do famoso Esquadrão Suicida, um dos braços da Força-Tarefa X (o outro é o Xeque-Mate), está nos bastidores, de olho em tudo. Há uma equipe de agentes de campo totalmente diferente e até uma perspectiva mais urbana: a agência não ficará limitada à luta contra o terrorismo internacional.

Há, entretanto, uma peça atrapalhando o jogo. A personagem Espinho Negro não trabalha com Stein, porém, ela tem uma forte vinculação com a equipe: é compelida a prosseguir com a missão de Adrian Chase, ou seja, caçar criminosos. Nós sabemos muito pouco a respeito da Espinho Negro, mas, em edições posteriores, conheceremos mais fatos que explicam por que Stein e Bullock se preocupam tanto com ela.

A Equipe de Criação do Xeque-Mate

O argumentista Paul Kupperberg nasceu no dia 14 de junho de 1955, no Brooklin, Nova Iorque. Como a maioria dos jovens, Paul era um voraz leitor de quadrinhos. Quando conheceu Paul Levitz no Ginásio Meyer Levin, os dois se tornaram muito amigos, e essa amizado os lançou no caminho da fama. Os dois Pauls começaram editando e publicando fanzines, logo assumindo as rédeas da já consagrada revista mensal The Comics Reader. Por ser a mais importante e mais lida publicação dos bastidores de quadrinhos, ela levou o nome dos dois jovens ao conhecimento das grandes editoras americanas.

Paul Kupperberg deixou de ser fã para se tornar profissional da área quando vendeu sua primeira história à Charlton Comics em 1975 (publicado em Scary Tales nr 3, com arte de Mike Zech). Meia dúzia de histórias depois, ele recebeu um convite do editor da DC, Denny O’Neil, para escrever uma história para a série O Mundo de Krypton, na revista Superman Family (desenhada por Marshall Rogers). Ele passou a fazer roteiros para Asa Noturna (não confundir com o atual Asa Noturna, ex-Robin) e Pássaro Flamejante (que também não tem nada a ver com a Pássaro Flamejante das aventuras do Nuclear) e escreveu também várias histórias de mistério e guerra. A partir daí, Kupperberg fez uma tonelada de outros trabalhos. Seu primeiro título regular foi Aquaman, depois tornou-se o escritor de Showcase (a série da Patrulha do Destino e da Poderosa, bem como o famoso crossover gigante da Showcas nr. 100) e ganhou do editor Julius Schwartz toda a família de personagens do Super-Homem: Super-Homem, Superboy, Supermoça, a tirinha de jornal do Super-Homem e a mini-série do mundo de Krypton.

Mais tarde, Paul roteirizou a Tropa dos Lanternas Verdes (na revista Lanterna Verde), Vigilante e a mini-série do Pacificador. Fez também alguns trabalhos para a Marvel Comics, incluindo o Capitão América, a revista Crazy (uma concorrente da Mad) e dois romances do Homem-Aranha. Além de Xeque-Mate, escreveu a Patrulha do Destino, a mini-série da Poderosa e as histórias do Vingador Fantasma na revista Action Comics.

O desenhista Steve Erwin nasceu em 16 de janeiro de 1960, em Oklahoma. Ele foi praticamente autodidata, embora tenha estudado arte comercial na Escola Técnica Estadual do Oklahoma. Depois de se formar, entrou para o ramo da arte comercial, tendo vários trabalhos publicados. Estreou nos quadrinhos em 1985, na revista Grimjack, da First Comics. Ainda na mesma editora, ele usou seu talento para a graphic novel parcialmente gerada por computador chamada Shatter. Steve passou para Epsilon Wave antes de vir para a DC desenhar o Vigilante.

O arte-finalista Al Vey nasceu em 22 de abril de 1955, em Milwaukee, Wisconsin. Como Steve, Al é um autodidata, e os dois são realmente novos no ramo. Al Vey começou fazendo alguns trabalhos para fanzines e acabou conseguindo um emprego de assistente num estúdio de Milwaukee, o mesmo onde atuavam Jerry Ordway, Mike Machlan e Pat Broderick. Ele colaborava virtualmente em todos os trabalhos desses desenhistas.

Com mais experiência, Al passou a arte-finalizar as revistas DC, Os Renegados, Centurions, Corporação Infinito, Gladiador Dourado, Teen Titans Spotlight (edição que traz aventuras solo dos Novos Titãs), Super-Homem IV (o filme) e a Legião dos Super-Heróis. Também arte-finalizou Nexus, Psychoblast e outros títulos para diversas editoras. Xeque-Mate é a primeira série de histórias em que Al trabalhou regularmente.


Mike Gold
Texto publicado na revista DC 2000 nr 01

  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)

Lanterna Verde

“No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante nossa presença!”

Alan ScottA história do Lanterna Verde também tem início na década de 1940, assim como todos os super heróis. Assim sendo, foi criado um personagem de muito sucesso: o Lanterna Verde. A fórmula era simples : Uma pessoa usava um anel verde que a cada 24 horas deveria ser carregado numa bateria elétrica que ele carregava consigo. Porém o primeiro Lanterna Verde era totalmente diferente do que conhecemos hoje. Seu nome era Alan Scott, era loiro, usava uma camisa vermelha, uma calça verde e uma capa amarela e preta. O sucesso das aventuras de Alan Scott (à esquerda) duraram até a década de 1950, quando em meio de uma crise no gênero de vendas de quadrinhos obrigou a DC Comics a cancelar a revista.

Hal JordanA volta do Lanterna Verde teve início no fim da década de 1950, quando vários heróis foram reformulados. Agora, existia um outro Lanterna. Seu nome: Harold Jordan, piloto de testes de uma companhia aeronáutica. A origem de Hal Jordan aconteceu quando ele ouviu um estrondo de um avião caído perto da companhia onde trabalhava. Ele foi correndo até lá e encontrou Abin Sur, um Lanterna Verde que protegia a Terra, desconhecido até então. Abin Sur, muito ferido, entregou a Jordan o seu anel e a bateria para recarregá-lo. Assim que Hal Jordan virou Lanterna Verde, Abin Sur tombou. Seu corpo foi sepultado no memorial dos Lanternas Verdes em OA (um planeta existente, sede da Tropa dos Lanternas Verdes, governado pelos Guardiões do Universo). Neste planeta, haviam muitos Lanternas alienígenas de vários planetas, todos com uma só missão: Proteger o Universo (ou Multiverso) das forças do mal.

Porém, um Lanterna Verde se rebelou e virou ditador de seu planeta natal. Seu nome: Sinestro. Ele foi alijado de seu anel, e mandado para Quard (um planeta onde regem as forças do mal). Lá ele virou o Governador do planeta e ganhou um anel amarelo com os mesmos poderes do anel verde (detalhe: a cor amarela é o único ponto fraco das forças do anel verde). E com esse anel, Sinestro aterrorizou e jurou destruir a Tropa dos Lanternas Verdes.

John StewartVoltando a nossa história, Hal Jordan sempre foi um Lanterna exemplar, cumpridor do seu dever, ao mesmo tempo em que conciliava as atividades da Tropa e da Liga da Justiça. Porém, ele resolveu abandonar o grupo em nome de um grande amor (que depois acabaria perdendo para o mal), bem perto do início da “Crise nas Infinitas Terras”. O seu sucessor passou a ser John Stewart, arquiteto, escolhido pelos guardiões e que ganhou a batata quente de assumir a responsabilidade de ajudar a contornar a Crise. Stewart cumpriu bem o seu papel durante a Crise e mesmo depois do fim dela, continuou a usar o anel por muito tempo ajudando na Tropa. Jordan voltaria a usar o anel após a Crise, depois que um Lanterna Verde alienígena morreu, ficando com o seu anel. Nesta Crise, os guardiões resolvem também escalar Guy Gardner. Sua história teve muito a ver com o início de carreira de Hal Jordan.

Guy GardnerGuy Gardner era um professor de Educação Física. Quando Abin Sur estava prestes a morrer, este viu dois candidatos ao seu anel: Guy Gardner e Hal Jordan. Abin Sur escolheu Jordan porque estava mais perto dele. Assim sendo, Gardner continuava a sua vida normalmente até que foi ferido ao salvar uma criança que corria perigo. Gardner foi salvo por Jordan e mais tarde convidado a participar da Tropa. Gardner aceitou e recebeu o anel das mãos de Jordan. Mas Jordan advertiu-o para ir até OA e consertar o anel que recebeu porque segundo ele estava com problemas na hora de carregar. Gardner esqueceu este detalhe no primeiro dia em que teve que carregá-lo. Quando viu, o problema não era no anel, mas na bateria que explodiu e levou ele ao estado de coma.

Guy Gardner ficou assim até o dia em que os guardiões tiraram ele do coma e lhe deram o anel. Mas sua mente foi afetada. Antes, gentil e humilde, virou arrogante e convencido. Eram hilárias as discussões de Gardner com Jordan e Stewart. Mesmo assim, Gardner conciliava suas atividades da Liga da Justiça e da Tropa dos Lanternas Verdes. Até que chegou ao ponto em que Jordan ocupou o lugar de Gardner na Terra. Com isso, houve uma briga entre os dois. Quem perdesse na porrada, perderia o anel. E Gardner perdeu. Ele teve que entregar o seu anel para Jordan.

Guy Gardner ficou pouco tempo sem poderes. Ao lembrar que Sinestro foi morto pelos Lanternas, ele foi atrás do anel amarelo de Sinestro e depois de descer porrada nos guerreiros de Quard, ele roubou o anel do túmulo de Sinestro e passou a usá-lo, salvando OA de uma invasão de Quard. Gardner passou a lutar com este anel por muito tempo.

ParallaxMas a partir daí, as coisas começaram a mudar radicalmente. Primeiro, com a destruição de Coast City, cidade natal de Harold Jordan, vários amigos de infância dele acabaram morrendo. Jordan, então, pede para os Guardiões conferirem a ele mais poderes para desfazer a tragédia e ressuscitar os habitantes. Pedido negado porque um Lanterna jamais pode usar o anel para benefício próprio ou recriar a vida.

Jordan perde a razão e completamente insano, mata numa só tacada TODOS os Lanternas Verdes (cada Lanterna morto tinha seu anel arrancado por ele) e também todos os Guardiões. Também destruiu o anel amarelo de Gardner, arrancou o pescoço do corpo de Sinestro e para deixar o serviço “perfeito”, destruiu a bateria central de OA, absorvendo seu poder e se tornando Parallax, um super vilão. Esta se tornou uma das maiores atrocidades cometidas com um super herói depois da morte de Flash II.

Kyle RainnerNeste mesmo momento, Kyle Rainner, um desenhista de quadrinhos, recebeu o anel de John Stewart e passou a se tornar o quinto Lanterna Verde da cronologia. Jordan e Rainner se enfrentaram, onde Jordan queria os poderes dele de qualquer jeito. Rainner venceu Parallax e a partir daí passou a fazer parte da Liga da Justiça.

Hoje, o que fazem os Lanternas predecessores de Kyle Rainner:

Alan Scott (o precursor) – é aposentado, e tem dois filhos: Jade (uma heroína de pele verde) e Manto Negro, ambos da Corporação Infinito (equipe composta pelos filhos da Sociedade da Justiça). Participou da série “O Reino do Amanhã”, onde se tornou Presidente de New OA, um planeta com tecnologia de ponta dos Guardiões.

Harold Jordan (o eterno) – completamente insano, assumiu uma nova identidade, com o nome de Parallax. Mas o que fica na memória de todos os fãs é o Lanterna Verde que ele sempre foi e não o Parallax.

John Stewart (o substituto) – foi comandante dos Darkstars depois que perdeu a esposa, morta por Safira Estrela (ex-namorada de Jordan) e licenciou-se da Tropa. Hoje voltou a trabalhar como arquiteto e se tornou conselheiro de Kyle Rainner.

Guy Gardner (o anti-herói) – Depois que perdeu o anel de Sinestro, ganhou novos super poderes, virou dono de restaurante temático sobre Lanternas Verdes e hoje atua como Warrior, entrando em casos de emergência.


Vanderson Castilho Munhoz

  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)