Verdade nua e crua

E para aqueles que ainda tem o desplante de achar que seria absurdo – verdadeira Teoria da Conspiração – esse negócio de a imprensa “alterar” as notícias conforme lhe convenha, eis aí (mais) uma prova. Recortado e colado diretamente do site do copoanheiro Bica:

“:: Fotoxópi ::

*Isto é* o quê mesmo? Jornalismo é que não é, com toda a certeza. Tá na Istoé dessa semana, numa matéria sobre um protesto do MST contra a privatização da Cesp. A foto é do Cristiano Machado pra matéria *O MST contra o desenvolvimento*. O Corpo12 e o BlueBus também comentam. Eu me limito a deixar aí a montagem:


Esquerda: a foto publicada ||| Direita: a foto original

Mais uma na ferradura

Notícia direto lá do pBlog:

“Wordpress.com pode ser bloqueado no Brasil

Erros grotescos do Judiciário em decisões que envolvam a Internet são comuns e, até certo ponto, compreensíveis. O que me espanta nesta notícia, entretanto, é a falta de conhecimento da Abranet, associação dos provedores de Internet, ao tratar questão tão simples e irrelevante de maneira espalhafatosa, optando pela decisão mais burra e destrutiva possível.

A situação é a seguinte: um blog qualquer, criado e mantido no WordPress.com, cometeu algum ilícito, o qual tenho quase certeza de que se trata de crime contra a honra. O ofendido, ou o Ministério Público (depende do crime), ajuizou ação penal contra o dono do blog. A justiça recebeu a queixa-crime/denúncia, e aparentemente, segundo nota do G1, pedirá o bloqueio do domínio wordpress.com no território nacional.

A estupidez de tal decisão, corroborada pela Abranet, é gritante. Fazendo uma analogia exagerada, seria algo com matar uma mosca com uma bala de canhão, ou num exemplo mais próximo, punir todos pelo erro de um.

O WordPress.com possui um canal de denúncias de abusos muito eficiente. Através do e-mail tosreport@wordpress.com, pode-se solicitar a exclusão de algum blog que esteja infringindo os termos de uso do serviço, ou que, como no caso em tela, seja instrumento de um crime. O Mark, que é quem geralmente responde esses e-mails, é muito atencioso e sempre responde as solicitações com muita agilidade – palavra de quem se comunica com ele freqüentemente. Comparando o caso com o da Cicarelli, neste há a vantagem de que o conteúdo dificilmente será replicado, ao contrário daquele, o que torna a mera exclusão do blog-problema mais que suficiente para atingir o objetivo do despacho/sentença/whatever, que é impedir o acesso dos brasileiros ao conteúdo <ironia>de extrema periculosidade</ironia> veiculado por tal blog.

Depois do YouTube, agora é a vez do WordPress.com. Quem será o próximo? pBlog? (Brincadeirinha, haha).

[Via Guia do PC]

De técnico e louco…

Em função de minhas atividades opalísticas participo de uma lista de discussão sobre opalas. Eis uma das perguntas de hoje:

Alguém saberia me dizer qual é o comprimento das bielas do opala 4 cilindros? Houve alguma alteração de comprimento ao longo do tempo? Como aconteceu com os 6 cilindros.

E eis a cristalina resposta:

Os 153 tinham bielas 5.700″ iguais as dos 230 e 250. Todos os 151 tem bielas 6.000″. Os últimos 4100, anos 90, tem bielas 6.000″ tb, iguais as dos 151. Todo motor 4100 biela longa tem vedador acrílico de uma peça só, mas nem todo motor com vedador acrílico de uma peça só no mancal traseiro é biela longa, os primeiros anos de vedador ainda usam a biela curta de 5.700″. Se você quiser comparar com coisas gringas de v8, a biela dos 153 é a mesma dos 283, mas com a diferença que a do V8 tem o pé estreito e a do em linha não.

Simples, não?

:D

Tim-tim!

E eis que ontem, após longas e tenebrosas chuvas, finalmente foi inaugurado o Bar Copacabana, mais um empreendimento do advogado, paizão, visionário, enfartado, meio louco e amigo de todas as horas, Lelis Tursi. Fica em Jacareí, bem ao lado da Faculdade Anhanguera, na Rua Pará, 334, Vila Pinheirinho. Cervejas bem geladas, cachaças das boas e porções no prato são apenas alguns dos itens que integram o ambiente aconchegante e pra lá de hospitaleiro desse novo ponto de encontro da região. E não, não estou ganhando absolutamente nada por essa indicação… ;)

Posso afirmar com certeza absoluta que a inauguração se deu exatamente às 18:32, eis que eu e o copoanheiro Bicarato fizemos o primeiro brinde nas dependências do bar…

Aliás, o Bica acabou de elevar o termo “antenado” a um novo patamar. Isso porque, apesar de madrugador, eu não fui o primeiro a escrever sobre o assunto. Ele próprio o fez, ainda ontem, via iPhone, direto da mesa do bar (vejam aqui) com um sinal wi-fi “emprestado” das redondezas…

Eis algumas fotos lá do bar:


Um belo logotipo!


Decoração interna bem ao estilo da praia.


Os inauguradores – mas faltou um de Los Três Amigos…


Uma foto externa antes do movimento (sim, o Opala é meu).


Todo mundo doido na cozinha para dar conta do atendimento.


Galera do bem, logo ali da faculdade.


Não sei quem são – mas deram “figurantes” de primeira!


Lelis e a Dona Patroa (dele).

VII Encontro de Veículos Antigos de Jacareí

Sei que este seria um tópico mais afeito ao Projeto 676, mas, como ainda não consegui acabar de atualizá-lo (não falta muito, agora), resolvi deixar por aqui mesmo.

Trata-se do VII Encontro de Veículos Antigos de Jacareí, SP, realizado juntamente com as comemorações do aniversário da cidade. Estive lá no sábado com a Dona Patroa e as crianças e foi bastante divertido. Só lamentei que a presença dos Opalas estivesse meio que em baixa… Da última vez que fui num encontro desses, em São Francisco Xavier, a turma do Projeto 676 de São José dos Campos, esteve lá em peso. Mas desta vez a presença marcante foi mais dos carros antigos MESMO – e dá-lhes calhambeques!

Mesmo assim seguem algumas fotos interessantes, sendo que destaco a de um dos “avôs” do Opala, um belo exemplar de Impala.

Relacionamentos

Relacionamentos são coisas estranhas. MUITO estranhas…

Já conheci muitos casais na minha vida. Gente de tudo quanto é tipo. Pessoas carinhosas, pessoas enérgicas, déspotas, submissos, ignorantes, esclarecidos, mandões, enfim, uma variedade tão grande de situações quanto é dado à própria índole do ser humano, mas dentro de um único relacionamento.

E, dentro dessa ampla variedade, não consigo entender o que faz com que duas pessoas continuem juntas mesmo depois de todos os sinais de que aquilo não vai dar certo NUNCA. Vejam bem, não estou falando somente do descompasso do relacionamento entre duas pessoas, mas também da própria atitude individual de cada um frente a esse descompasso. Aliás, atitude essa que usualmente leva à fatídica situação da traição.

Sou um cara bastante antiquado e dentre minhas convicções tenho que um relacionamento monogâmico é a postura correta a ser tomada. Sempre. Não, não estou condenando ninguém, pois cada um sabe muito bem o que o(a) levou à situação pessoal que eventualmente esteja vivendo. Essa postura diz respeito à minha maneira de ser e somente isso. Compreendo (no sentido racional da coisa) os motivos que levam alguém a tomar uma medida dessas mas não entendo (no sentido emocional da coisa) o porquê de continuarem juntos mesmo depois que a coisa já descambou.

Não que ninguém não mereça uma segunda chance (ou terceira, ou quarta…) – muito pelo contrário! Como advogado na minha curta carreira até agora tive a oportunidade de, pelo menos em três situações, separar o casal perante a justiça e depois ter que intervir novamente para reconciliá-los. É uma situação bastante gratificante.

E, independentemente dessas “questões traiçoeiras”, vejo pessoas que se anulam em relacionamentos. Que se submetem em prol dos filhos, do marido, da esposa, da situação financeira, da família, dos amigos, sei lá. Mas suportam uma situação insuportável em nome de manter as aparências. Também não entendo isso.

Particularmente acho que um relacionamento, ainda que somente de duas pessoas, isto é, sem filhos, por si só já constitui o que chamaríamos de “família”. Cada qual saiu de sua casa e resolveu criar um terceiro núcleo, indepedente dos anteriores. Lembro-me da minha infância, quando vivia enfiado dentro da igreja (sim, em determina época este humilde escriba quase resolveu ir para o seminário, mas isso é uma outra história), um trecho de uma música de um certo Padre Zezinho sempre me encantava. Era da música “Utopia”, mais ou menos assim: “O tempo passa e eu vejo a maravilha de se ter uma família enquanto muitos não a têm; agora falam do desquite, do divórcio, o amor virou consórcio – compromisso de ninguém”.

Onde pretendo chegar com esse lenga-lenga? Também não sei. Acho que só dar uma desabafada mesmo. Muitos relacionamentos por perto estão abalados (ou, no mínimo, estremecidos) e isso acabou por captar minha atenção. Quis apenas expressar minha opinião (ou talvez a falta dela) neste nosso espaço. Não quero, nem pretendo, julgar ninguém mas simplesmente fazer com que pensemos sobre o assunto.

Sim, “pensemos”. Nós. Eu e Dona Patroa também temos nossos perrengues de quando em quando. Aliás, qualquer casal NO MUNDO os têm. Mas, mesmo assim, vamos muito bem, obrigado. Entretanto, é da índole do ser humano ser único, distinto, diferente pela própria natureza. Já vi gente que considera uma aberração o que chamo de “família”, pois a priori o ser humano deveria ficar sozinho. Discordo desse ponto de vista. Constituir uma família (ainda que só de dois) implica em cessões e obrigações mútuas. E controladas. Se um cede demais ou obriga demais, aí a coisa começa a ficar complicada. Ou seja, é a eterna busca do equilíbrio.

Heh… Como sempre digo, a gente ensina melhor aquilo que mais precisa aprender…

Por fim, como não para de zumbizar na minha mente uma antiga música do Raul Seixas (qual não é?), eis aqui um trecho da letra de “Diamante de Mendigo”, que retrata razoavelmente bem essas histórias sobre as quais falei:

Eu tive que perder minha família
Para perceber o benefício que ela me proporcionava
É triste aceitar esse engano
Quando já se esgotaram as
possibilidades
E agora sofro as atitudes que tomei
Por acreditar em verdades ignorantes
Que na época tomei acreditando
Numa moda passageira
Que se foi tal qual fumaça
Não respeitei o sacrifício
Que custa para construir
A fortaleza que se chama família
Acabamos no fim perdendo a
quem nos ama
Só por que o jornaleiro da esquina
Falou que é otário aquele que confia
E é tão difícil confiar em alguém
Quando a gente aceita se mentir, se mentir
Somente conhecendo a beleza da união
É que a gente tem a força
Para não, não se enganar
Eu que me achava um diamante
Nas mãos de mendigos
Só pelo medo de não sê-lo

Afinal, quem é louco?

Crônica saborosíssima do Mário Prata compartilhada pelo louco psicólogo (e quase pai) João David:

Sabe aquela história de que terapia é coisa pra louco, e que terapeutas são tão loucos quanto seus pacientes? Esta crônica de Mário Prata vem contribuir para tirar um pouco essa ideia.

Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou oito outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante mais de 40 anos passei longe deles. Mas o mundo gira, a lusitana roda e Portugal me entortou um bocado a cabeça. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando esta loucura semanal.

O melhor na terapia é chegar antes, alguns minutos, e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro, ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer daqui a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura.

E eu, como escritor, adoro observar as pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta deste brinquedo, no mínimo, criativo.

E a sala de espera de um ”consultório médico”, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Herman Hesse como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos eu, um crioulinho muito bem vestido, um senhor de uns cinquenta anos e uma velha gorda. Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual era a loucura de cada um deles. Que motivos os teriam trazido até ali? Qual seria o problema de cada um deles? Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados. Em si mesmos.

O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o casamento, pensei. Ou será que não conseguiu entrar como sócio do Harmonia? Notei que o tênis dele estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejado lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da sua mala assassina.

E o senhor de terno preto, gravata, meia e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz este meu personagem. Uma hora tirou o lenço, e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Herman Hesse da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa! Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era este o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem tinha uma prisão de ventre crônica. Tinha cara, também, de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu terapeuta. Conto para ele a minha viagem na sala de espera. Ele ri, ri muito, o meu terapeuta:

– O Ditinho é o nosso office-boy. O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá do Ipiranga, e passa por aqui uma vez por mês com as novidades. E a gordinha é a dona Dirce, a minha mãe. E você não vai ter alta tão cedo.