Só pra que possam matar as saudades dos pequenos petizes (bem como para que eu possa deslanchar minha corujice), reapresento-lhes minha Turminha do Barulho, pela ordem:
Garoto Dinamite, Kevin Skywalker e Mangá-Boy…

Só pra que possam matar as saudades dos pequenos petizes (bem como para que eu possa deslanchar minha corujice), reapresento-lhes minha Turminha do Barulho, pela ordem:
Garoto Dinamite, Kevin Skywalker e Mangá-Boy…

Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
AASP Clipping, 23/08/07
A concorrência por clientes entre advogados beirou o absurdo na Comarca de Tubarão, onde um causídico ingressou com novo instrumento de mandato procuratório de cliente em seu nome, sob a justificativa do falecimento do representante legal anterior. O defensor original, contudo, atento aos movimentos do processo, notou a manobra e apresentou-se ao fórum para dizer que, “retornando do além”, estava vivo – para a infelicidade de alguns e e felicidade da maioria.
O Juiz Luiz Fernando Boller, titular da 2ª Vara Cível da Comarca de Tubarão, diante de fato que classificou de “esquisito, extravagante e excêntrico”, ordenou a imediata intimação da cliente para que diga se renuncia – ou não – ao mandato outorgado àquele deslealmente dado como morto pelo colega. A ação em tela trata de homologação de partilha de bens em benefício de herdeiros de Pedro Mendes da Silva. Processo: 07505000269-9![]()
Apensado em 25/04/08…
Taí o link com a “prova do crime” (brinde do Jus Navigandi):
o-advogado-que-retornou-do-alem1.pdf
Nirlando Beirão
Carta Capital, 05/09/07, p.41
Os ministros do Supremo, às voltas com o julgamento do mensalão que nada tinha de mensal, desfilaram pela arena de suas perorações eruditas, intermináveis, em Brasília, o garbo de fardamentos negros que lhes chegam à canela. Os estilistas das autoridades chamam a isso trajes talares.
É como se atestassem, na simbólica configuração das togas e dos babados, que estão ali para ministrar justiça, apenas isso, em sisuda contrição, compenetradíssimos, embora tenham entre eles o divertido ministro Marco Aurélio Mello e ainda que um marciano desavisado que ali chegasse pudesse imaginar ter caído no meio do mais carnavalesco dos sambódromos. Quem já foi ao Vaticano sabe, aliás, do que estou falando.
A Justiça, no Brasil, legitima-se menos nos seus atos do que nos seus ritos. Por isso a extravagância de becas esvoaçantes mesmo quando se trata de um modesto júri no tórrido interior do Tocantins. Culto das aparências enganosas: aqui a Justiça tarda e falha, mas, é bom reconhecer, está sempre checando a silhueta à frente de um bom espelho.
Não se sabe de nenhuma corte que, em um surto de bom senso, tenha dispensado algum dia o valor representativo da fatiota. A cansada OAB e os organismos da magistratura estão aí, de olho nos eventuais rebeldes. É que o figurino comprido e escuro impõe, de cara, um sentido de superioridade imperiosa. Os que ministram a Justiça não prestam contas senão à sua própria consciência, quando a têm – nunca ao coro imperfeito dos míseros mortais.
Quando se propõe algum tipo de controle social sobre a Magistratura, é aquele deus-nos-acuda. Só os jornalistas – quer dizer, os donos dos veículos de comunicação – são capazes de espernear mais que juízes e promotores. É como se alguém quisesse amarfanhar-lhes a vestimenta. Fecham-se em casta, engalanados em suas togas, becas e, agora, laptops.
Conheço o caso de um aprendiz de advogado que se viu, pela primeira vez, diante de um juiz de Direito. Tão aterrorizado estava o pobrezinho, ante toda aquela farfalhante liturgia, que, quando enfim o Meritíssimo lhe dirigiu a palavra, ele replicou: “Pois não, Majestade”. Faz todo sentido.![]()
Aproveitando a deixa do flagrante que o copoanheiro Bicarato registrou outro dia, acho bastante curiosa a inversão de valores que temos vivido nos últimos tempos.
No meu “começo de carreira”, há uns dez anos (credo: tô velho!), lá no escritório tínhamos uma boa e velha impressora matricial LX (acho que 810) que, pouco tempo depois, foi substituída por uma moderníssima LX 300 com – pasmem! – capacidade de imprimir em páginas avulsas! As impressoras jato de tinta eram admiradas com respeito, pois eram muito caras para nós, pessoas comuns. E as impressoras laser, então? Veneradas e cultuadas a distância! Totalmente sem acesso para meros mortais. “Quando eu estiver bem, e o escritório estiver rendendo, ainda vou ter uma!” – era o que dizíamos.
Apesar de ter uma história interessante lá nos idos de 1984 sobre um terreno de meio lote num bom bairro que meu pai trocou por um vídeo cassete – novo, diga-se de passagem – , esse equipamento foi caindo de preço até que levou uma estocada que muitos pensavam ter sido a derradeira quando da popularização do DVD. Essa situação piorou mais ainda quando os gravadores de DVDs também começaram a se multiplicar no mercado.
E as vitrolas, então? Bem no começo da década de oitenta tínhamos na sala, em lugar de honra na recém comprada estante, um poderoso três-em-um preto da Sanyo. Detalhe: o aparelho possuía um pino central com uma trava para acumular alguns discos, um sobre o outro, e permitia fazer uma boa sequência musical. Ééééé… Coisa fina! Até hoje ainda rende boas lembranças, como a que comentei com a Ana Téjo, já há uns três meses, lá no Pensatriz. Mas os discos de vinil – pobres coitados – foram substituídos pelos CDs. E mesmo estes já têm sua hegemonia balançada em função do MP3.
Então tudo isso seria lixo, concordam? Todo esse equipamento antigo, velho, ultrapassado, obsoleto, já não serviria para mais nada, certo?
ERRADO.
Procurem qualquer um dos itens supra no mercado e ficarão de queixo caído. Talvez o vídeo cassete seja o único que ainda não tenha um preço absurdo, mas impressoras matriciais não são encontradas por menos que uns quinhentos contos, e algumas vitrolas ultrapassam com folga a casa dos mil!
“Mas quem iria comprar essa velharia” – perguntaria o incauto.
Respondo.
Comerciantes, para utilização da impressora matricial para emissão de notas fiscais, por exemplo.
DJs, que trabalham com suas centenas de discos de vinil e que precisam operá-los num sistema próprio, de confiança, que não vá estragá-los. Para isso foram lançadas vitrolas moderníssimas, mas, que ainda assim, não deixam de ser vitrolas. No caderno Link, do Estadão, no último dia 3 saiu uma boa matéria a esse respeito.
Ou seja, tudo equipamento low-tech de alto custo.
Enquanto isso os high-tech vão caindo de preço – cada vez mais.
É ou não é uma verdadeira inversão de valores?…
Não se assustem.
Sou eu mesmo.
Adauto de Andrade, sempre a seu dispor.
Vamos (re)começando desse jeitão mesmo, em papel de rascunho. Metade em inglês, metade em português. Bagunçado, como toda casa que passa por reformas. Mesmo assim, ainda estou fuçando para tentar criar um tema do WordPress mais de acordo com a minha cara.
Mas já estava me fazendo mal, MUITO mal, ficar calado. Quieto no meu canto. Sorumbático. Irritadiço. As orelhas ficando pontudas e as garras ficando afiadas. De fato, animalesco. Afinal de contas, como já disse antes por aqui mesmo, enquanto algumas pessoas consultam psicólogos e psiquiatras para desabafar suas neuroses e aliviar seus problemas, eu consigo prefiro fazer isso aqui. On-line. Nesse mundinho virtual que tão bem costuma acolher os devaneios deste velho escriba…
Assim, antes que eu acabe enfartando em algum pico de stress reprimido, volto à ativa.
Tudo apagado, tudo recarregado, algo remodelado, e sempre em fase de eterna reconstrução, eis-me aqui.
De novo.
Se ainda houver alguém por aí, ótimo. Caso contrário, tudo bem, também. Algum dia, em algum lugar, em algum momento, estas malfadadas linhas ainda podem ser úteis para alguém.
Até porque, em que pese a maciça opinião contrária, eu ainda me acho um cara um tanto quanto Legal…
Este site foi completamente excluído entre os dias 08/AGO/07 e 10/SET/07, permanecendo on-line apenas a imagem abaixo.


Às vezes, simplesmente não há o que se falar. Ou mesmo comentar. Um texto muito bem escrito é um texto muito bem escrito e ponto final. Hoje, zappeando (existe isso na Internet?) por aqui e por ali, acabei me deparando com o blog Hoje eu acordei com vontade de escrever, da Aline. O texto a seguir – que é de uma leveza ímpar – foi publicado em 02/08/07, sob o nome de Carteado. No bom e velho estilo Ctrl-C & Ctrl-V, segue abaixo, na íntegra.
Estava lá o rei de copas, majestoso, a espera da sua dama. No começo nem deu pelo tempo a passar, de bate papo com o valete e o rei de paus. Conversa de homens, exageradas histórias de algumas canastras sujas que haviam feito no passado.
Algumas rodadas depois chega a dama. Não a dele, a de paus. Uma morena bonita que levou de rastro os dois companheiros para a mesa. Um às de espadas passou por ali, mas não encontrou nada que o fizesse ficar e foi embora sem nem pestanejar. Os ases são assim, aventureiros. Sabem o valor que têm, reconhecem a sua maleabilidade e ainda assim rodam para lá e para cá, com a certeza de que no momento certo vão decidir o jogo. Deve ser bom ter tanta auto-confiança.
Umas poucas cartas baixas tentavam se arranjar umas com as outras, mas um rei não pode se misturar. Uma das muitas tristezas de pertencer à família real. Mas não se deixou abalar. Pelo menos até ela chegar. Parou de respirar uns instantes quando viu a pele branca que gritava sob o vestido vermelho. Nem por um segundo pensou ser a sua dama. Não confundiria nem a sombra do seu amor platônico, seu objeto do desejo inalcançável desde que se lembrava de si mesmo. Declararia uma guerra para ficar com ela. Mas sabia ser em vão. A dama de ouros não era ainda dama e já arrastava uma carruagem pelo herdeiro do mesmo naipe, um garoto sem graça e afeminado. Doía seu coração vê-la sempre assim, passeando pelo lixo, rodando de mão em mão, à procura daquele rei que – só ela não percebia – era muito mais de valetes do que de damas. Nunca chegou a se declarar. Quase o fez, pouco antes de ser coroado. Mas depois de umas históricas bebedeiras e umas tantas figuras de bobo, decidiu fazer as pazes com o seu destino e aceitar o que era seu.
Deixou-se ser guiado pela sua dama e encontrou o caminho para a felicidade tranquila que os reis merecem. Ao pensar no seu rosto bolachudo e no seu abraço farto, sentiu ainda mais a sua falta e ansiou que fosse a dama de copas a próxima no monte. Não era. Apenas ele e mais um par de cartas desencontradas e sem futuro ainda ficaram ali. O peso da inutilidade é ainda maior para um rei. Reparou no jogo adversário, para se distrair. Sentiu um punhal passear pelo seu coração. Três cartas descem em câmera lenta. Era a sua dama, que sorria à vontade entre o valete de copas e o coringão, num jogo sujo do qual ele não fazia parte e não parecia fazer falta.
– Dama, sua vagabunda!, gritou com a voz trêmula. Era uma carta experiente. Sabia que, por causa daquela traição estava morto. Já não servia nem como lixo.![]()