Esquisitices

Sempre costumo dizer que na hora de trabalhar, vamos trabalhar; na hora de brincar, vamos brincar; mas se pudermos trabalhar brincando – ótimo! Na faxina de e-mails que aproveitei pra fazer nesse fim de semana, achei a seguinte pérola, recebida do amigo Marcelo, de um setor chamado Gerência de Contratos, em MAR/2004:

“1º) A Clarice da empresa X disse que conversou contigo, e que vc já tinha uma posição sobre o contrato. Tem ? Qual ?

2º) Já tem Aditamento ref. contrato X/02 – transporte de alunos?

3º) Pq, apesar do sabão ou sabonete ter diversas cores, a espuma é sempre branca ?

Preciso dessas respostas urgente !”

Ao que respondi:

“Buenas.

1º. Já respondido à V. Santidade pessoalmente, no decorrer desta manhã.

2º. Também já respondido à V. Santidade pessoalmente, no decorrer desta manhã.

3º. Diante dos inúmeros questionamentos com posicionamento filosófico-cultural acerca de grandes verdades internetísticias da vida, creio que, mais ainda que vislumbrar eventuais apoteóticas respostas acerca dos mesmos, cabe, na realidade, uma análise mais profunda procurando a busca do verdadeiro conhecimento e enriquecimento espiritual do ser humano enquanto pessoa. Então, diga-me você: Por que o mês tem mais dias que o salário? Por que a fila do lado sempre anda mais rápido? E por que se mudarmos para essa fila, automaticamente ela fica lenta em detrimento daquela em que estávamos, que passou a ficar rápida? Para onde vão todos os guarda-chuvas que perdemos, se nunca encontramos nenhum? Quem conhece alguém que já ganhou na tele-sena? Por que os cachorros não fazem nada quando, finalmente, os carros, ou motos, ou bicicletas param após exaustiva perseguição? Por que, de todas as revistas do mundo, seu filho sempre vai pegar aquela que você mais gosta para fazer o trabalhinho de escola? Por que as mulheres quando dizem não querem dizer sim, quando dizem talvez querem dizer não e quando dizem sim querem dizer talvez? Quem, afinal de contas, matou Odete Roitman? Por que o ICMS das contas de energia elétrica são calculados com a alínea de 25% sobre o valor da conta somado com o próprio ICMS de 25% – e como eles fazem pra chegar nesses primeiros 25%? Onde está Wally? E, finalmente, a mais apoplética e traumatizante pergunta de todas…

… AS FACAS GINSU CONSEGUEM CORTAR AS MEIAS VIVARINA??????

[ ]s!”

Algarismos

Segue uma pequena contribuição da categoria “Pérolas da Cultura Inútil” encaminhada pelo amigo Xina. Não sei se realmente procede a informação (até porque não consegui contar todos os ângulos), mas até que é interessante…

Há mais de 1000 anos um sábio homem do Marrocos idealizou desenhos para os algarismos de 0 a 9, conhecidos hoje como algarismos arábicos.

Ele os desenhou de forma a que cada um tivesse um número adequado de ângulos.

O Número 1 tem um ângulo, o número 2, dois ângulos, o 3, três ângulos e assim por diante.

O zero não possui ângulos.

“Dois pra subir, senhor Spok”

Essa eu pincei lá do blog do Marco:

Já ouviram falar num treco chamado Teleportec? Vi esse negócio em funcionamento ontem e fiquei besta. Sim, mais ainda. Estava cobrindo um evento, e os organizadores anunciaram que um dos palestrantes participaria a partir de seu escritório em Dallas, via Teleportec. “Tucanaram a videoconferência”, pensei. Bobagem minha. Nem o equipamento nem o palestrante eram banais. Manjam pára-brisa de lancha? Então. Imaginem um pára-brisa de lancha de cabeça para baixo e com a parte côncava voltada para a platéia, incrustado num púlpito de madeira. Aparentemente era só isso o tal Teleportec: vidro e madeira. Bestagem, frescura de design. Pelo menos até o momento em que foi posto em funcionamento: de repente, vindo do nada, o palestrante materializou-se atrás do púlpito. Sorridente, mãos apoiadas sobre o tablado, um pouco transparente aqui e ali, o homem parecia um fantasma camarada. Pelo que me explicaram, o funcionamento do equipamento é relativamente simples: o palestrante se posta frente a um fundo verde, como no velho truque do cromaqui. Na outra ponta, a imagem é projetada no vidro sem o fundo. Como o vidro é transparente, a imagem projetada se sobrepõe ao fundo local (no caso de ontem, as cortinas do teatro). O formato do vidro, dobrado nas laterais, completa a ilusão de três dimensões. Coisa do cão.

Todos os Olhos

Sabe aquelas situações em que você acaba explodindo de dar risada? Às vezes nem é nada tão engraçado assim, mas – sei lá por qual conjunção de motivos – a gente acha determinada coisa de tal forma hilária que não consegue se segurar e ri, ri, ri, ri até doer o estômago e lágrimas saírem dos olhos. Hoje aconteceu isso comigo. Estava lendo uma matéria de autoria de Tiago Cordeiro na revista Superinteressante (out/2006) sobre a censura na época da ditadura militar, onde se contava como os artistas faziam para burlar o crivo dos censores. A pérola que me fez ter esse ataque de riso eu transcrevo abaixo…

No caso da música, a censura podia cortar não só letras, mas também as capas. (…) Naquele mesmo ano (1973), Tom Zé lançava o disco Todos os Olhos. Depois de discutir com o poeta Décio Pignatari a melhor imagem para a situação política e cultural do Brasil naquele momento, os dois tiveram uma idéia: fotografar um ânus com uma bola de gude presa a ele, de forma que o resultado final parecesse um olho. Os militares caíram na artimanha e a capa foi liberada. Só 20 anos depois o cantor revelou a origem da imagem.

Halloween com Saci!

Dentro do rol de temas que aguçam minha curiosidade, juntamente com o tema “história”, sou também um fissurado em estórias, contos, lendas, causos, e folclore em geral. Recentemente ganhei do amigo Bicarato (sempre ele!) um livro chamado O que se conta daqui… Nas palavras das autoras, Érica Turci e Tatiana Baruel, trata-se de um reencontro com o fascinante imaginário do jacareiense, através dos “causos” da cidade, num livro que mistura fatos verídicos e ficção, personagens históricos e seres sobrenaturais.

Fiquei surpreso ao ver causos ali contados – como o do “corpo seco” – que eu mesmo ouvia de minha bisa quando era pequeno. O que para mim comprova que toda essa região está definitivamente ligada com o sul de Minas, e também com a herança cultural deixada pelos bandeirantes que por aqui passaram.

Ainda assim é curioso que, mesmo com tanta riqueza cultural, a molecada de hoje (leia-se crianças e adolescentes) tenham mais afinidade com o norte-americano halloween que com as tradições da terrinha…

Apesar da bem-humorada figura ali de cima, tenho que esclarecer que não, não sou adepto da xenofobia, até porque tem muita coisa divertida e interessante além do nosso próprio quintal. Porém sou da opinião que há espaço para todos – afinal de contas que mal faria para as escolas e outras entidades, ao comemorar o Dia de Todos-os-Santos, fazer uma saudável mescla de ambas (ou mais) culturas? Creio que, culturalmente falando, somente teríamos a ganhar com isso! Ademais o folclore é (e realmente deve ser) dinâmico, ou seja, não temos que nos prender somente em tradições estáticas do passado: elas devem evoluir como todo o restante do mundo. É saudável e recomendável que guardemos suas raízes e origens, mas não podemos manter nossas tradições estagnadas.

Tem gente que já percebeu isso e vem fazendo o possível para demarcar esse território. Por exemplo: pra grande alegria da turma da SOSACI – Sociedade dos Observadores de Saci, temos que foi oficialmente criado o Dia do Saci. Segundo a Wikipedia:

O Dia do Saci é um evento criado pelo governo do Brasil em 2005, de caráter nacional, elaborado pelo então líder do governo Aldo Rebelo (PCdoB – SP) e Ângela Guadagnin (PT – SP) com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas”, ou “Halloween”, da tradição cultural dos Estados Unidos da América. Por isso é celebrado em 31 de Outubro. Anteriormente, o projeto de lei já havia sido aprovado na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e na Câmara Municipal de São Paulo.

E, só por curiosidade, também segundo a Wikipedia, o Halloween – chamado de “Dia das Bruxas” nestas terras tupiniquins – tem suas remotas origens nas tradições celtas, quando se comemorava o fim do verão. Entre o pôr-do-sol do dia 31 de outubro e o amanhecer de 1º de novembro, ocorria a noite sagrada, ou seja, a Hallow Evening, palavra que através dos tempos deve ter sido deturpada para Hallowe’en, e, finalmente, Halloween.

Enfim, particularmente acho que há espaço pra todos. Afinal trata-se do imaginário popular, ou seja, do folclore, do saber do povo – do inglês folk (povo) e lore (saber) – que, repito, deve ser dinâmico.

De minha parte, juntamente com os filhotes, nesse feriado quero ver se consigo ir até São Luiz do Paraitinga pra tentar encontrar algum saci…