
Categoria: Personalíssimo
Descarboidratando
Pois é. Não é que funciona mesmo essa tal de “Dieta do Carboidrato”?
Particularmente nunca fiz dieta na minha vida. Tá, uma vez eu QUASE fiz. Tinham uns tais de triglicérides um tanto quanto zoneados no meu organismo, o que também estavam deixando o colesterol meio cabreiro. Aí eu recebi do doutor (não se enganem, era um cardiologista) uma dieta para seguir à risca pra colocar ordem na casa.
Fui até onde deu. O perrengue é que nada podia. Tudo era proibido. E entre ficar comendo talos de folhas de alface (não me lembro bem, acho que isso podia – mas não tenho certeza) ou voltar à minha sanidade mental, fiquei com a segunda opção. Já comentei sobre isso lá no antigo site, bem aqui, em 18/JAN/2006. Era a validação, na prática, de uma das Leis Garfieldianas – “uma dieta é feita de insossos”.
Mas acabei de comprovar empiricamente que essa Lei pode ser quebrada.
Essa “Dieta do Carboidrato” – assim mesmo, com letras maiúsculas em sinal de respeito – consiste em suprimir drasticamente a cota de carboidratos de seu organismo, forçando-o a consumir as reservas. Não me perguntem como funciona, se quiserem informações detalhadas procurem uma nutricionista ou na Internet – o que for mais barato… Nessa Dieta também existem várias proibições (mas nada muito drástico) – dentre elas a cerveja.
Mas, vejam só, taurino como sou resolvi que a quantidade de eventuais carboidratos cervejerianos deveriam ser insuficientes para afetar a dieta. E EU ESTAVA CERTO!!!
É lógico que não estamos falando daquelas tardes inteiras regadas a cerveja num churrasco, mas sim de uma ou outra eventual cervejota pra aliviar a tensão do dia a dia. Questão medicinal, até.
O único porém para quem se aventurar nessa Dieta é que ela demanda de, basicamente, duas coisas: força de vontade – para não cair em tentação, e um posterior autocontrole – para não encher a pança com tudo que venha a frente após chegar ao peso desejado.
E o peso desejado, no meu caso, é justamente aquele que permita jamais voltar a ocorrer algo como o que aconteceu com minha cama, como eu disse antes, bem aqui.
Ah, a propósito – e especialmente para você, meu amigo Paulo – vale informar que até o momento já perdi um pouco mais de meia arroba…
Dias para lembrança
Às vezes não tem jeito. Velhos fósseis como eu ficam com alguma música martelando na cabeça e que ninguém mais NO MUNDO conhece…
São lembranças de músicas, cheiros, lugares e outras mais que às vezes nos inundam a memória e meio que nos transportam para outras épocas e outras situações. Na maior parte das vezes, pelo menos dez anos separam a realidade da fantasia. Às vezes um pouco mais, às vezes um pouco menos.
Hoje, por exemplo, uma das que me assaltaram de pronto veio lá dos profícuos anos oitenta. O nome do conjunto? “Sempre Livre”. A música? Uma baladinha gostosa e descompromissada chamada “Esse seu jeito sexy de ser”…
Frustração
Como, por Javé, eu consigo fazer dessas coisas? Como é que esta besta que vos escreve tem o dom de só levar na cabeça? Como pude ser tão absurdamente ingênuo de sequer ter consultado o calendário? Acabamos de passar pela única festança anual onde é possível comer montanhas de chocolate sem culpa, e o Jamanta aqui bem no meio de uma dieta maluca…
Um brinde ao ócio
Plena terça-feira. Feriado na cidade de Jacareí – aniversário de 355 anos. Fomos agraciados com um dia de descanso no meio da loucura burocrática que usualmente nos afoga.
Moro na cidade vizinha, onde o comércio funcionou normalmente e “aproveitei” (lema da Dona Patroa) para fazer inúmeras coisas. Desde providenciar algumas “cópias para avaliação perpétua” de alguns DVDs para um amigo, passando pela compra (e armazenamento – na pá!) de meio metro de areia, bem como levar o carro no mecânico, procurar e comprar algumas peças para restauração, levar os filhotes para escola (pelo menos um dia de folga também para a Dona Patroa), até outras compras e tarefas básicas – e eis que me deparei com as duas da tarde.
O mecânico pediu para que eu lhe ligasse lá pelas três, então teria uma hora para matar pela frente.
Com o calor que está fazendo (sei lá, uns 35 graus?) e já suando em bicas, decidi passar essa hora “proseando” com uma loura. Gelada. Estupidamente gelada.
Das diversas opções à minha frente, restaurantes, bares, happy-hours e outros, decidi por um resgate à simplicidade. Um mero boteco em pleno centro comercial de São José dos Campos, próximo do velho shopping e da antiga Câmara Municipal.
Boteco mesmo. Com ovos cozidos na estufa e garrafas empoeiradas de cachaça espalhadas por todas as paredes.
Aliás, essa é a melhor maneira de se tornar total e completamente invisível. Ninguém olha pros capiaus que estão num lugar como esse.
– Pode fumar aqui? – o atendente me olha com uma cara de incredulidade. Tolo que fui. É LÓGICO que pode.
Passei a hora seguinte sentado ao balcão exercendo a mais doce arte do ócio. Sem pensar no passado, presente ou futuro, simplesmente vendo o movimento de pessoas na calçada enquanto me refrescava com uma Brahma (royalties, please) ignorantemente gelada. Acendi um cigarro.
Após a primeira baforada, comecei a prestar mais atenção no desfile humano que passava a minha frente. Inúmeras moças, moçoilas e senhoras, todas com pressa e certeza de que têm que chegar logo a seu destino – seja ele qual for. Em comum entre elas somente o fato de que quase todas estão “na moda”, usando aquelas sandálias, chinelos e tamancos plataformas. Coisas gigantes. Ainda bem que não nasci mulher. Certamente eu cairia daquele troço no primeiro passo.
Passam dois ébrios, um mais encardido e encachaçado que o outro, com os tradicionais cachorros vira-latas os seguindo (alguém sabe explicar esse mistério?). Pelo menos nenhum deles veio me pedir um real para “ir” sabe lá Deus pra onde.
Um carro com um equipamento de som potentíssimo passa na rua, democratizando a todos que não querem ouvir uma música de qualidade muito abaixo do nível do discutível. Outra indagação de cunho universal se faz presente: por que desses caboclos que gastam milhares – sim, milhares – de reais para colocar um equipamento de som desses num carro, nenhum deles têm sequer um mínimo de bom gosto cultural? Não sou nenhum expert na área musical, mas conheço o suficiente para saber que “tô ficando atoladinha” não é nenhum clássico da MPB ou do rock progressivo mundial.
Dois policiais militares passam eu suas motos. Alguém se lembra de CHiPs? Pois é. Totalmente diferentes. Sob suas fardas e coletes à prova de balas (sinal dos tempos), devem estar derretendo com esse calor.
Encho meu copo e acendo outro cigarro.
Como já trabalhei nos mais diversos lugares e profissões, desde entregador de jornais, bicicleteiro, “fazedor” e “entregador” de salgados, passando por bancário, funcionário público, e até mesmo junto à redação de jornais locais e agências de publicidade, conheço MUITA gente. Mais do que sou capaz de lembrar. E dos inúmeros rostos que passam pela minha frente, muitos são de velhos conhecidos, que, em algum momento, pertenceram ao meu passado.
Dentre esses, vejo passar, todo apressado, um rapaz que foi meu funcionário. A última notícia que tive dele foi que assumiu a gerência de uma agência bancária. Está engravatado e com uma camisa de mangas compridas. “Quente”, penso eu. E velho. Marcas de constantes preocupações e estresse estão bem delineadas em sua face. Cabelo grisalho. Ar de cansado.
Mas, como disse, estou invisível e ele não me vê. Pergunto-me intimamente se também não estou tão velho e marcado como ele, apesar de meus parcos 38 anos.
Uma criança, com sua jovem mãe (quanto terá? apenas de uns 16 a 17 anos?) passa saboreando uma espiga de milho verde. Um negro, rastafari, camiseta estampada com uma foto do Bob Marley, passa com um estampado ar de dignidade. Alguns executivos se vangloriando do quão bons eles são, logo são seguidos por algumas prostitutas discutindo quem sairá na próxima etapa do Big Brother.
Um pequeno interlúdio para atender um amigo que me liga no celular, contando uma das inúmeras desventuras que sempre encontra no mister de sua profissão. Hilário. Inenarrável. Mas, ainda assim, hilário.
Mas o desfile continua e meu tempo vai chegando ao fim.
Acendo outro cigarro.
Crianças suando, dormindo no colo de suas mães. Portadores de deficiências (desculpem-me, não sei qual o “termo politicamente correto” em voga) passam lentamente. Quarentões, barrigudos, cobertos de correntes “de ouro”, com suas camisas abertas até o umbigo, mesclam-se com patricinhas e office-boys apressados. Um sujeito que parece saído de uma festa country – ostentando uma gigantesca fivela em seu cinto – pára, tira o chapéu, enxuga o suor da testa, enquanto aguarda alguns momentos para seu cavalo defecar bolotas em plena via pública.
Mesmo assim, o show de horrores e maravilhas continua incessantemente.
Mais rostos conhecidos desfilam à minha frente – alguns me fazem lembrar de nomes e lugares, outros não. Mas minha hora de ócio está praticamente no fim.
No decorrer dessa hora não me tornei mais sábio ou mais inteligente. Não desvendei os segredos do universo, nem tampouco me tornei um ser humano melhor.
Mas, no decorrer das duas cervejas que tomei, tive um momento de sobriedade na vida, constatando quão efêmera ela é.
Estamos aqui de passagem. Invisíveis, apenas observando ou correndo, efetivamente participando. Podemos assumir um papel ativo ou passivo no decorrer das coisas.
Particularmente, creio que o caminho do meio ainda é o melhor. Um pouco de cada. Acho que seria a melhor maneira de não desperdiçar nosso tempo.
E encerro meu relato sob a discussão acalorada de duas meninas que procuram decidir qual seria o melhor meio de retocar a tatuagem de uma delas, enquanto meu vizinho de balcão chuta o cesto de lixo em meus pés e corre para o banheiro (o qual, aliás, é como qualquer banheiro de qualquer boteco).
Minha última imagem?
A passagem de um saltitante pequerrucho, de uns dois anos, segurando a mão de sua mãe, divertindo-se a valer com sua bexiga, fazendo de conta que era um balão.
Esperança. Imaginação criativa. De fato, estas ainda são as melhores opções!
Novas aventuras Opalísticas
Pois é, gente. Depois de alguns dias de calmaria, eis que pude voltar à carga na reforma do Opalão.
A bem da verdade, é que o concreto que fiz precisa de uns três dias de repouso antes que eu possa começar a levantar a parede, então… bem, já viu, né?
A novidade é que mudei a apresentação do link Opala Adventure Projeto 676. Agora ele não está mais na forma de mera página da Internet, mas também como se fosse um blog. Inclusive permitindo a elaboração de comentários (acho que ainda vou me arrepender disso).
Enfim, tá tudo lá. Tudo o que eu já havia escrito antes (devidamente revisado, melhorado e acrescentado de detalhes que havia me esquecido), como também as últimas notícias. Bem devagarzinho (quase parando) a reforma vai saindo.
E antes que pergunte, não, não, Fernanda. Eu não vou escrever para o programa “Lata Velha” para reformar meu carro. Essa é uma coisa que quero fazer sozinho, com meus próprios esforços…
😉
Quer perder peso? Pergunte-me como.
É uma tarefa relativamente fácil. Não requer prática e tampouco habilidade. No meu caso em particular, comecei o dia com cerca de 102kg, o que, distribuído por meu 1,90m de altura, não aparenta ser muita coisa. Mesmo assim é um sobrepeso razoável, de mais de 10kg.
Pois bem. Levante às cinco. Afinal, você pode estar de férias, mas rotina é rotina e é melhor mantê-la do que ter que reimplantá-la mais tarde. Relaxe. Faça suas coisas, leia seus e-mails, consulte alguns blogs, atualize-se.
Sete horas. Vá buscar pão. Pelo caminho mais longo. Afinal de contas uma boa caminhada só faz bem, ainda mais que seu médico mandou fazer exercícios para fortalecer aquele joelho ruim. Quarenta minutos depois, com um ligeiro cansaço saudável – pois você foi em ritmo acelerado – chegue de volta em casa para tomar café.
Hm? A Dona Patroa? Também está de férias. E dormindo. Coitada, afinal ela está bastante cansada e meio que gripada.
A criançada já começou a levantar e clama pelo café da manhã. No problem! Faça o café, o Tody dos pequeninos, prepare a mesa e aguarde sua esposa. Não é porque você está de férias que vão deixar de tomar café juntos, certo?
Bem, mais ou menos. Nada dela levantar. Tome apenas uma xícara de café com leite e aguarde mais um pouco. Oito horas. A empregada já chegou. Você insiste um pouco e ela levanta. Está sonolenta. Você toma outra xícara de café com leite e ela mal toma metade da de café. “Vou me deitar, não estou legal” – diz ela. Paciência.
Deixe o pão pra lá. Já está tarde e temos muitas tarefas programadas. Num resumo da ópera, basicamente, foi o seguinte: recortar parede com marreta e talhadeira, acabar encanamento interno do banheiro, fazer parte elétrica, passar fiação pela parede, arrancar batente velho de porta, sair pra comprar material, reclamar consigo mesmo porque ficou caro, fazer um pouco de massa para assentar os canos, tubulações e alguns tijolos, exagerar na quantidade de massa, não ter onde mais gastar a porra da massa, ficar tapando buraquinhos deixados pelos pedreiros anteriores.
Essa desventura se estendeu até cerca de uma da tarde. Num quartinho no fundo de casa que pega sol direto. Literalmente eu suei em bicas. Mas a massa já estava quase acabando e ao menos eu iria poder bater um pratão de almoço…
– Seu Adauto? Chegou um moço com material aqui! – gritou a empregada, lá de baixo.
A essa altura do campeonato a Dona Patroa finalmente tinha conseguido se levantar e foi levar a criançada na escola. Suspeito fortemente que ela deva ter sido picada por uma mosca Tsé-Tsé. Aliás, era também o primeiro dia de aula do caçulinha. Lembrei-me de uma tira da Mafalda publicada há uns dias no blog do João David e desejei-lhe sorte.
Mas onde estávamos? Ah sim. O material.
Apenas quatro barras de ferro, sendo duas de 3/8″ e duas de 3/16″, um rolinho de arame recozido e uma caixinha d’água de 100 litros. Ah, e também DUZENTOS E ONZE BLOCOS. Daqueles de dez.
– Cumassim na calçada? É só dar mais dois passos e colocar na garagem! Que patrão não deixa o quê! Quebra o galho, vai? E se eu ajudar? Ah, aí pode? Tãotáintão…
E toca o jamanta a descer os blocos da merda do caminhão.
Voltemos à fórmula. Lembre-se: você não comeu seu pãozinho de café da manhã e ainda não almoçou. E já são duas da tarde, com um sol de rachar côco. E você tem DUZENTOS E ONZE blocos na garagem, bem na vaga onde a Dona Patroa guarda o carro. Isso não vai prestar. É melhor levar tudo lá pra cima. Afinal são apenas dois lances (íngremes) de escada e mais uma pequena caminhada até o quintal – tendo que dar uma volta pela casa, pois a empregada havia acabado de limpar com esmero o caminho direto.
A dois blocos por viagem, teremos, deixe-me ver, CENTO E SEIS viagens. É como sempre digo: “a caminhada de mil léguas começa no primeiro passo”. Mãos à obra. O “legal” é que, com dois blocos por vez, assim que você os levanta eles devem pesar cerca de dois a três quilos cada. Ao final da viagem, após escadaria, sol e caminhada, tenho certeza de que pesavam uns quinze quilos cada…
Cinquenta e seis viagens depois, e com uma sensação de ter subido e descido umas cinco vezes – correndo – a escadaria da Penha, resolvi dar uma parada pra descansar. Um pouco antes disso a Dona Patroa chegou, com uma cara de muxoxo. Já estava melhor, mas ainda cansada (Tsé-Tsé, sem dúvida). O pequenino tinha ficado na escolinha numa boa. Tudo bem que ele tem apenas três anos, mas, nos dias de hoje, onde foi parar aquele saudável pânico de primeiro dia de aula?
Vamos lá. Mais cinquenta viagens. Apesar de tudo ainda é melhor não comer nada, pois você está fazendo força, pode até fazer mal. E faltam apenas CEM blocos. Mal começou a carregá-los novamente, você, que NUNCA teve cãibra em nenhum momento da vida, sente o músculo da coxa dar uma violenta repuxada.
– Putaqueopariu!
Pára. Descansa mais um pouco. E volta à tarefa. Mais lentamente, agora. Os últimos dois blocos foram transportados aproximadamente às seis da tarde. Foram cerca de cinco horas de esforço contínuo. Sua mente tem uma vaga noção de estar ligada a um monte de andrajos que um dia já foi chamado de “corpo”.
Após um belo banho de quase uma hora você tem a certeza absoluta de que emagreceu. Uns dois ou três quilos. Não é necessário nem pesar. Se não foi pela fome, foi pelo esforço, ou, em último caso, pela desidratação. O conjunto dos três, então, nem se fala.
Tudo o que você mais deseja na vida agora é descansar, afinal você está cansado demais até mesmo pra comer.
O pior?
Você está tão, mas tão, mas tão cansado que não consegue dormir…
