E aventura continua

A palestra hoje (até o momento) foi de Vera Monteiro. Manja bastante da área, principalmente da parte de licitação por pregão.

Muitas novidades, conclusões e previsão para mudanças. As meninas (forma carinhosa pela qual denomino as duas advogadas e estagiária que trabalham comigo) não perdem por esperar. Creio que vou deixá-las doidinhas em dois tempos, pois já estou com aquela gana de voltar ao batente a mais de mil por hora…

À tarde teremos Marçal Filho num debate com Marçal Neto. No mínimo curioso, isso. Primeiro pelo fato de o filho não só ter seguido a mesma carreira do pai, como também a mesma área específica; segundo porque como será um debate público de opiniões entre pai e filho? Haverá conflito de gerações? De entendimentos? Ficará de castigo em casa se discordar do pai? Dará bronca se discordar do filho?

Veremos…

Ainda SL

O interessante – ou divertido – nesses seminários é, principalmente, a troca de experiências que ocorre entre os participantes, eis que oriundos das mais diversas profissões e funções nos mais variados pontos do território nacional.

Num desses bate-papos conheci um distinto senhor que trabalha na área de licitações da Receita Federal. Cheguei à conclusão que as mudanças pretendidas com relação ao Software Livre, como contei outro dia, serão mais espinhosas do que eu esperava.

O discurso do distinto beirou quase que uma “teoria da conspiração”, pois, segundo sua opinião, o Linux, por ser um sistema aberto, “mas aberto mesmo”, significaria um risco muito grande para se trabalhar com os dados da população.

“O problema”, segundo ele, “é que pegam um cara da técnica, que pode até ser muito bom, um expert mesmo, mas que não entende absolutamente nada de gerência”.

Realmente. Se essa opinião refletir a dos demais funcionários da Receita, significa que o caminho será árduo (mas não impossível) até a eventual implantação do Software Livre.

E também significa que esse povo “gerencial” não entende nada, “mas nada mesmo”. Nem de Linux, nem de segurança de sistemas…

Quebrando o protocolo

Eu sei que disse que voltaria somente daqui a alguns dias… Mas ieu num arresistu!!!

Assim, cá estou eu num cyber café, a R$5,00 a hora – até porque no hotel seria R$16,00!

Pois bem. O curso ao qual me referi no post anterior é sobre licitações. Em Brasília. E vejam só o antagonismo da situação: pela manhã eu estava numa feirinha suburbana de automóveis, daquelas onde os carros andam mais por do que por condições técnicas, em chão de terra mesmo, com barraquinhas de churrasgatinhos, povão mesmo; já ao anoitecer estava eu confortavelmentte instalado num hotel five stars bem na capital do país, com um sem número de “channels of shit to choose on” (lembrei-me do Pink Floyd…).

Após um vôo tranquilo (é, sobrevivi) e devidamente instalados, eu e meu parceiro de viagem fomos à busca de atendimento das mais básicas necessidades do ser humano. Ou seja, comida e álcool (ao menos para mim).

Fomos à tal rua 405, ou “Rua dos Restaurantes”. 405 por quê? Deve ter uns 40,5m somente… Mesmo assim, domingão à noite, quase tudo fechado, o negócio foi parar numa pizzaria para um rodízio de pastéis.

Depois de uma noite bem dormida, e tendo acordado às cinco da matina (maldito relógio biológico!), no momento oportuno eis que desço para tomar um reforçado café da manhã. Apesar da suntuosidade do lugar, minha concentração é absorvida pelos funcionários da casa. A que horas chegaram? De onde vieram? Quanto será que ganham? No final das contas estão aqui somente para servir àqueles que se hospedaram no hotel – hospedagem essa, diga-se de passagem, que tem uma diária quase equiparável ao que muitos ganham num mês inteiro…

Essas elucubrações acabam me causando um certo incômodo que gera um gosto amargo na boca. Quase sete. O curso começará às oito. Vou bater perna.

Tenho um sei-lá-o-quê de explorador no sangue. Ao mesmo tempo que sou meio bicho-do-mato e não gosto de sair da toca, quando saio, simplesmente tenho que conhecer os arredores de onde estou. Me dá uma certa sensação de familiaridade que, por consequência, me dá segurança.

Assim, num curto espaço de tempo, identifiquei nas proximidades um shopping (com cinema – êba!), algumas lanchonetes e restaurantes, livrarias, galerias comerciais e muitas barraquinhas ainda sendo instaladas para enfrentar o duro dia a dia dos ambulantes (não tão ambulantes assim).

Visitei uma banca de revistas com uma simpática e sorridente velhinha, regateei o preço de óculos escuros com uma mocinha gravidaça em uma das barraquinhas, acompanhei, surpreso, o (bem organizado) trânsito da capital, enfim, procurei me integrar um pouco às atividades diárias dos nativos.

Mais à vontade e já de volta ao hotel, encontrei meu parceiro de viagem e fomos ao seminário. Começamos bem, com Jessé Torres Pereira Júnior.

Isso vai render…

Em tempo: esqueci de comentar que, do nosso lado, no avião, sentou-se um rapaz cheio de bom humor antes, durante e depois do voo, exceto quando da decolagem e da aterrisagem; nesses momentos ele ostentava um semblante pálido e preocupado, ficando nítido que suava frio, enquanto que, de cabeça abaixada e olhos cobertos, rezava fervorosamente…

Questão de violência

Muitas vezes, para escrever algo que (talvez) valha a pena ser lido, a gente até quer se preparar, se concentrar, relaxar, respirar pela barriga, numa sincera preparação para começar a falar pelos cotovelos.

Aí, antes de mais nada, damos uma surfada pela Net para ver o que é que tá “rolando”.

E então, de uma forma nua e crua, você dá de cara com a violência – tão noticiada e explorada pela mídia que já ficou meio que banalizada (seria isso proposital?). Fisicamente distante, mas virtualmente próximo de você.

Uma grande amiga virtual passou um sufoco do cão num semáforo em São Paulo. Condenável. Lamentável. Causa perplexidade e até mesmo vergonha.

Seremos nós meras vítimas num mundo de predadores? Simples alvos, rezando para que não sejamos o próximo? Prisioneiros de um cárcere sem grades?

Sinceramente não sei. Aliás, não sei se quero saber. Graças a Deus ela está bem. Fisicamente, pelo menos. Mas só quem já passou por qualquer coisa parecida é que sabe mensurar como a alma fica fragilizada diante da realidade.

Os detalhes lá no blog da Ana Téjo, especificamente bem aqui.

Batalhas

Fragmento extraído diretamente dos pergaminhos Crônicas do Guerreiro Suburbano, uma série histórica de alto valor cultural e moral que narra trechos do cotidiano de algumas batalhas vividas do final do Século XX em diante.

Ah, os dias de glória, os dias de esplendor! Tal época certamente ficou para trás… Desde a batalha anterior, ao desafiar as tórridas temperaturas em elevadas alturas, e monstros alados que desafiavam o equilíbrio no topo do mundo, tenho vivido dias de letargia…

Mesmo assim a aventura não cansa de bater à minha porta, desafiando-me a superar meus próprios limites! A última batalha travada se deu em decorrência de uma série de eventos menores – que até poderiam também serem chamados de ‘batalhas’ – e que me levou ao limite da exaustão tanto do corpo quanto da alma.

E não estou falando simplesmente do cansaço de subir e descer os inúmeros degraus das infinitas escadas que separam a caixa de força da instalação elétrica. Sequer alego o hercúleo esforço de passar e repassar fios por inóspitos conduítes totalmente obstruídos. Tampouco me refiro a ter adentrado num mundo esquecido pelo próprio tempo, causticante e claustrofóbico, desbravando totalmente agachado imensas distâncias em meio à escuridão, teias de aranha e fios elétricos, completamente oprimido pelo pequeno espaço que separa o forro do telhado. Mesmo a cruel e sanguinolenta luta travada com uma multidão de monstros himenópteros alados (uma vez que tive que passar pelo ninho formado por essas criaturas também conhecidas como “marimbondo-cavalo”) e da qual – pasmem! – saí totalmente ileso, mesmo tal peleja não merece ser considerada uma verdadeira batalha.

A verdadeira batalha, a batalha que consumiu todas as minhas energias, todas as minhas forças, que praticamente esgotou todo meu poder de concentração, de estratégia, de persuasão e que ainda por cima minou a ferrenha esperança que usualmente possuo de que dias melhores virão, foi ter que ligar no 103-15

VIGOR x vigor

E eu aqui, após um dia inteiro de trabalho no Opalovski (sim, eu sei, já passou da hora de dar uma atualizada lá no site Opala Adventure Projeto 676…), com os braços cansados, o joelho destruído, as batatas das pernas ameaçando cãibras, enfim, um caco pior que o usual.

Diga-se de passagem que sou mero ajudante de meu pai, que é quem faz o verdadeiro serviço técnico, ou seja, os moldes de chapa, as soldas – tanto elétrica quanto a oxigênio, que se enfia nas mais estapafúrdias posições para conseguir chegar naquele ponto específico que precisa de reparo.

A mim cabe as operações de desmontagem geral do veículo, preparar os locais a soldar (raspar a tinta, arrancar a massa, cavucar a ferrugem), limpar esses mesmos locais após a solda, lixar e aplicar a tinta de fundo.

Eu tenho 38 anos. Meu pai, 70.

Eu cheguei de manhã ele já estava trabalhando. Antes de encerrarmos ele ainda inventou mais algumas coisas para fazermos.

Eu tô acabado. Ele não.

Olha, desse jeito, se eu chegar até os setenta, já tô no lucro. Se chegar com o vigor dele, então – putz!