Besouro Verde

Ou melhor, vamos pelo original: Green Hornet.

Como fã (quase) incondicional de quadrinhos, eu até queria ter assistido no cinema, quando passou. Mas, como não deu – e como meu joelho, coluna e cabeça resolveram se mancomunar e doer conjuntamente, não proporcionando opções lá muito diferentes – o programa familiar de hoje foi assistir em casa mesmo, via DVD.

Inquestionavelmente.

Uma grande bobagem!!!

Sei que existem opiniões diversas. Aliás, creio que na maioria diversa pra baixo. Mas este é um blog de família, então vamos com calma. Defini-lo como uma “grande bobagem” já está de bom tamanho…

Eu até diria que Bruce Lee e Van Williams devem ter se revirado no túmulo quando lançaram esse histriônico filme. Mas como Williams parece ainda estar vivo, então deixa pra lá.

Mas, como sempre caríssimos leitores (vocês ainda estão aí, não estão?), vamos a um pouquinho de história sobre esse personagem.

O Besouro Verde surgiu em 1936 como um programa de rádio (sim, aquele antigo titã que deu origem à deusa atual). Era uma época em que a família se reunia na sala à noite, sintonizava a emissora WXYZ (juro que o nome era esse mesmo!) e ouviam as aventuras do intrépido herói na voz do ator Al Hodges.

Logo em seguida, na década de 40, desta vez interpretado por Warren Hull, o personagem também foi protagonista de duas sequências feitas especialmente para o cinema, pela Universal Pictures, com os originalíssimos títulos “The Green Hornet” (1940) e “The Green Hornet Strikes Again!” (1941).

Já nas décadas de 40 e 50 o herói estreou sua própria revista em quadrinhos, publicada regularmente nesse período.

E, finalmente, em 1966, foi lançado no formato de série de TV, através do mesmo produtor da série do Batman (SOC!, TUM!, POW!, etc), com Van Williams no papel de Besouro Verde e Bruce Lee como o fiel ajudante Kato. Sendo o mesmo produtor era inevitável que esses heróis acabassem se encontrando em algum momento, cada qual aparecendo na série do outro: Batman versus Besouro e Robin versus Kato – o que pode ser facilmente encontrado lá no Youtube. Entretanto, apesar das estrelas da série – a presença de um legítimo lutador de artes marciais e o fantástico Chrisler Imperial Le Baron 1966 adaptado (apelidado de Black Beauty) – a série não teve lá muita audiência e foi cancelada em 1967, ao final da primeira temporada e após apenas 26 episódios.

 
Um ponto que sempre (me) chamou a atenção é a música do seriado. Eu tinha certeza de já tê-la ouvido em algum lugar, mas no piano. E como na Internet a gente acha, literalmente, DE TUDO, eis a explicação: a música original, cujo nome era Flight of the Bumblebee foi composta por Nikolai Rimsky-Korsakov. Ei-la:

 
Essa música original foi rearranjada especialmente para o seriado num estilo jazz por Billy May, Lionel Newman e Al Hirt. Abusando no trompete, aqui está a versão completa:

 
Com tudo isso não foi muito difícil achar ainda uma outra versão – desta vez, também no estilo jazz, mas toda no piano (particularmente a minha preferida). Mal consigo imaginar os dedos do pianista bailando alucinadamente de um lado para outro nas teclas… Aumente o som dê um play, pois vale a pena!

As Aventuras de Tintin

Muito bom!!!

Mesmo!

Ontem fui com a tropa completa para assistir. Ainda que, particularmente, não goste muito (coisas da idade, eu acho), em 3D.

Um ótimo filme desenho animação programa, sem sombra de dúvidas. Ainda que no início não passe essa impressão, capaz de empolgar e emocionar. E, lógico, com ótimas tiradas!

E, mais lógico ainda, sempre acompanhado de um mega-combo saco de pipocas. Doce por baixo. Salgada por cima. E bastante manteiga…

Meia-noite em Paris

E neste feriadão chuvoso nada como um bom filme para distrair e relaxar, certo?

CERTO.

Com uma ida ao cinema meio que inviável (até porque provavelmente todas as pessoas DO MUNDO teriam a mesma idéia) então foi pela Internet mesmo que resolvemos nossos “problemas”. Baixei um filme antigo – mas divertido – para os filhotes (“O Quinto Elemento” – a garotada gostou…) e, sob recomendações, para mim e a Dona Patroa, “Meia-noite em Paris”, de Woody Allen.

Não vou fazer uma acurada sinopse do filme, pois certamente muita gente mais gabaritada que eu já o fez antes, o que pode ser facilmente encontrado na Rede. Basta dizer que é a estória de Gil, um roteirista de sucesso em Hollywood, especializado em scripts de filmes “adoráveis, mas esquecíveis”, que viaja com sua noiva para Paris moderna, onde acertam detalhes de seu iminente casamento enquanto briga consigo mesmo pela alternativa de abandonar seu trabalho e dedicar-se à vida de escritor (de livros). E eis que numa memorável bebedeira (vinho é sempre vinho) nosso herói se perde nas ruas parisienses e, ao soar das doze badaladas do relógio, uma fenda na realidade se abre, levando o conto para um terreno bem mais interessante: as molhadas ruas da cidade na década de vinte, Era de Ouro cultural, onde conhece pessoalmente os mais diversos artistas e ícones em destaque da época.

O filme, na minha opinião, é delicioso tanto por contar a epopéia de Gil, delineando as personalidades das grandes personalidades culturais da década de vinte, quanto por transmitir em detalhes a fulgurante paixão do autor pela capital francesa.

É… Dá vontade, sim, de conhecer Paris…

Mas vamos a alguns conselhos literários vindos de ninguém menos que Hemingway, quando Gil, em sua primeira noite “no passado”, resolve pedir-lhe para que leia o manuscrito de seu livro:

“Todo escritor precisa de tempo para escrever e não sair tanto.”

“Nenhum tema é horrível, se a história é real. E se a prosa é limpa e honesta e mostra sobretudo valor e elegância.”

“Minha opinião (mesmo sem ler) é que a odeio [a obra de Gil]. Se for má, a odeio. Odeio a má literatura. Se for boa, a invejo e odeio. Não peça opinião de outro escritor. Os escritores são competitivos.”