Fundamentação sem fundamento

A questão é simples.

Constitucionalmente simples.

É a Lei a fonte de direito para toda e qualquer sentença. Sua interpretação literal ou extensiva é que dá o fundamento necessário para garantir o assim chamado “Estado de Direito”. Portanto fundamentar (não exemplificar ou ilustrar, mas fundamentar) uma sentença em dizeres da Bíblia ou em personagens de quadrinhos… Bem, vamos combinar que não é algo que condiz com a melhor das técnicas!

Ah, sim: a celeuma toda se deu porque o autor, em sua peça inicial, esclarece que teve “desperdiçados os preciosos 38 minutos de sua vida, entre às 13h57min e 14h35min aguardando numa fila”

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
COMARCA DE CASCAVEL
1º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE CASCAVEL – PROJUDI

Autos n° 0006624-98.2011.8.16.0021

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE DANOS MORAIS

Polo Ativo: E.O.R.J.;
Polo Passivo: BANCO BRADESCO S/A.

SENTENÇA

1. Relatório dispensado (art. 38 da Lei n° 9.099/95).

2. Conciliação rejeitada e julgamento antecipado que se impõe.

3. Os fundamentos da sentença, ainda mais no sistema dos Juizados Especiais, devem primar pela objetividade, simplicidade, informalidade e precisão, a fim de permitir a celeridade na resolução dos conflitos (art. 2° da Lei n° 9.099/95), sem prejuízo de enfrentar as questões importantes suscitadas pelas partes e expor o livre convencimento motivado do juiz (art. 131 do CPC c/c artigos 5° e 6° da Lei n° 9.099/95), e, aqui, são os seguintes:

O pedido de indenização por danos morais, formulado pelo autor contra o réu, deve ser rejeitado, isto porque:

(a) o fato de alguém ter que esperar atendimento em filas, por tempo não extraordinário, seja de bancos, de supermercados, de prefeituras, de guichês de cartórios, da pizzaria, da pista de boliche, num laboratório ou clínica médica, não representa em si dano moral algum; é fenômeno que integra o cotidiano; indesejável, mas tolerável;

(b) nem tudo pode ser na hora, pra já, imediatamente, tampouco em cinco ou dez minutos! Nem aqui nem na China, ou nos EUA;

(c) quem chega primeiro tem a preferência, é atendido primeiro; a lei, ainda, acrescenta outras preferências para idosos, gestantes, etc.; se “a fila anda”, ainda que não no ritmo alucinado e frenético que o autor almeja (pelo menos é o que parece), não se pode intuir, sem provas, que os funcionários do banco não estivessem trabalhando ou deixando de atender outras pessoas, tão importantes quanto o autor (CF, art. 5º, caput), enquanto a vez dele não chegava;

(d) o eventual desrespeito dos bancos ao tempo máximo de espera para atendimento de clientes, fixado em lei, sob pena de sanção de ordem administrativa (multa), geralmente imposta pela fiscalização do PROCON, não quer dizer, automaticamente, que cada pessoa que não tenha sido atendida dentro daquele período foi violada em seus direitos íntimos de personalidade, que foi abalada, aviltada, desprezada, traumatizada, enxovalhada, humilhada ou qualquer coisa desse gênero; o aprimoramento do sistema de atendimento dos consumidores é desejável em todas as áreas, mas isso não é a “senha” para que todo mundo se considere um mártir ou um supremo injustiçado;

(e) sinceramente, ninguém é senhor absoluto do seu próprio tempo; além de não saber quanto tempo tenho de vida, não tenho como afirmar onde estarei e o que estarei fazendo daqui a meia hora ou dez minutos porque as variáveis são imponderáveis, por mais que me queira organizar e planejar; se o autor tem esse poder, não sei, mas desconfio que não;

(f) a Bíblia Sagrada, em Eclesiastes, capítulo 3, dos versos 1 a 8, já ensina: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.”; o que diria para o autor, apoiado nesta Palavra é: “há tempo de ficar na fila, conforme-se com isso”;

(g) o comprovante de autenticação bancária trazido pelo autor, com a petição inicial, até pode servir de prova, ainda que indireta, para a alegação de que no dia 09/03/2011, ele teve “desperdiçados” os preciosos 38 minutos de sua vida, entre às 13h57min e 14h35min aguardando numa fila, em pé, dentro da Agência Central (0438) do BRADESCO, em Cascavel, para ser atendido por um caixa livre;

(h) a questão é que o ser humano possui uma condição privilegiada entre toda a criação; nós não fazemos uma coisa só por vez; nossa mente trabalha permanentemente, nossos sentidos captam o que se passa e, pois, a vida do autor não foi abreviada ou diminuída enquanto ele, pacienciosa ou irritadamente, passou aquele tempo aguardando; talvez tenha falado ao celular, organizado mentalmente seus afazeres posteriores, encontrado algum conhecido, ou reclamado de tudo e de todos, sei lá;

(i) o que tenho certeza é que ele não foi vítima de dano moral por parte do banco; a existência de um dano é fundamental para que se possa condenar alguém a indenizar ou reparar alguma coisa; e por dano moral não se entende, absolutamente, qualquer desgosto ou contratempo; tem pessoas que se estressam por qualquer coisa;

(j) aliás, é absolutamente previsível que se possa enfrentar alguma espera para ser atendido num banco; afinal, há milhões de pessoas que são clientes bancários e na nossa cidade são quase trezentos mil habitantes; categorizar o incidente, sem mais elementos circunstanciais, como ilícito, abusivo ou imprevisto já é complicado, que dirá dize-lo danoso da personalidade de alguém; o dano moral não estáposto para ser parametrizado pelos dengosos ou hipersensíveis;

(l) digo isso porque o autor, na petição inicial, chega ao ponto de sustentar que“qualquer ser que seja Humano, portanto que tenha a capacidade de sentir emoções, e saiba se colocar na “pele” do lesado, conseguirá perceber que NÃO estamos diante de mero dissabor do cotidiano e/ou contratempos. É visível para qualquer ser Humano que o fato ocorrido com o Autor causou humilhação, impotência, stress, perda de tempo, angustia, e até ausência de condições para realização de necessidades básicas”;

(m) bem, desde que “me conheço por gente” me considero bem humano, e também não tenho nenhuma “redoma de vidro” a me proteger – para ir à outra alusão da petição inicial; aliás, o único sujeito que conheço que anda com essa tal redoma de vidro é o Astronauta, personagem das histórias em quadrinhos do Maurício de Souza; ele sim, não pega fila, pois vive mais no espaço sideral do que na terra; em compensação, é solitária a beça;

(n) a Turma Recursal do Paraná que me desculpe, com seu Enunciado nº 2.7, mas não considero apropriado erigir a espera em fila de agência bancária como fator desencadeante de danos morais, senão em situações especialíssimas, às quais se agreguem fatos concorrentes peculiares, tais como algum problema de saúde com o cliente, e o descaso dos prepostos da instituição financeira esteja escancaradamente comprovado, o que não é o caso dos autos (e as partes dispensaram outras provas na audiência conciliatória);

(o) não sou nada simpático à tal da “Teoria da Rentabilidade sobre o Caos” (!), propalada na petição inicial, a pretexto de querer colocar o Poder Judiciário no papel de educador mor da Nação, a distribuir chineladas de dinheiro nos inescrupulosos capitalistas, para dar “um basta” no comportamento reprovado por esse ou aquele; se bem que talvez essa teoria se aplique a muitas demandas talhadas para se converterem em ações repetitivas, com intuito de enriquecimento sem causa, se acolhidas forem em Juízo, donde o caos seria da Justiça, cada vez mais vem sendo entupida com a mania de judicializar as pequenas banalidades, e a rentabilidade dos escritórios de advocacia que se propõem a isso; Nesse caso, tudo bem… Dê-me aqui o chinelo!

(p) o STJ, no julgamento do REsp nº 844.736/DF, da 4ª Turma, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, teve oportunidade de equilibradamente afirmar:

“Segundo a doutrina pátria “só deve ser reputado como dano moral a dor, vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à normalidade, interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e desequilíbrio em seu bem-estar. Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada estão fora da órbita do dano moral, porquanto tais situações não são intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo”; e este magistrado assina embaixo;

(q) específico sobre o tema, encontramos o seguinte julgado estadual, de cujos princípios norteadores compartilho:

“RESPONSABILIDADE CIVIL. DANOS MORAIS. DECORRENTE DE LARGO TEMPO NA ESPERA NA FILA NO BANCO. CASO CONCRETO. Dano moral não caracterizado. O simples aguardo em fila de instituição bancária, por período superior ao previsto na Lei 8.192/98, constitui mero dissabor do cotidiano na hipótese vertente. Não configurando qualquer dano à personalidade da parte autora, em decorrência do caso concreto. NEGARAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME.” (TJ-RS, Apelação Cível nº 70025538570, 9ª Câmara Cível, Relator: LÉO ROMI PILAU JÚNIOR, Julgado em 24/09/2008);

(r) enfim, tantas outras coisas poderia dizer, para repelir o pleito do autor, contudo já superei 38 minutos de pensamento e digitação, e até precisarei acessar de novo o PROJUDI, pois minha sessão expirou. . : Julgo improcedente o pedido, extinguindo o processo 4 DISPOSITIVO com resolução do mérito (CPC, art. 269, I).

P. R. I.

Cascavel, 16 de dezembro de 2011.

ROSALDO ELIAS PACAGNAN
Juiz de Direito

Autoexame

E já que tiramos o dia pra falar de questões médicas, eis aqui uma campanha bem legal – ao menos do ponto de vista deste fã de quadrinhos que vos tecla…

A Associação de Luta Contra o Câncer (ALCC) de Moçambique lançou (não sei há quanto tempo) uma campanha de conscientização com relação ao câncer de mama na qual algumas famosas personagens dos quadrinhos realizam o exame de toque em si mesmas. A mensagem diz o seguinte:

Ninguém é imune ao câncer de mama. Quando o assunto é câncer de mama, não existe mulher ou super-heroína. Todas têm que fazer o autoexame uma vez por mês. Lute conosco contra esse inimigo e, quando em dúvida, fale com seu médico.”

Eis a campanha (clique em cada uma delas para acessar a imagem original):

Wonder Woman Cat Woman She Hulk Tempest


DOE

Não, ô bando de causídicos de plantão. Nada a ver. Isso não é nenhuma referência ao DOE – Diário Oficial do Estado…

É do verbo “doar”!

DOE!

Mas doar o que messs?…

SANGUE, é lógico.

Acontece que ainda ontem recebi uma mensagem no celular: “BANCO DE SANGUE SJC: Adauto, precisamos urgente de sangue A+. Por favor agende uma doação pelo 3519-3766.”

E, ainda que seja até comum o tipo sanguíneo “A” Positivo (vamos combinar: eu TINHA que ser A+…), nesse momento eu não posso doar. Por conta da cirurgia. É verdade – eu liguei lá pra confirmar: quem recebe uma anestesia geral (que é o caso do #enjoelhado que vos tecla) tem que esperar pelo menos seis meses pra poder doar novamente!

Então, senhoras, senhores, senhoritas e senhoritos que estão aí de bobeira (ou não): aproveitem pra fazer algo de útil e doem sangue. Não só hoje, mas sempre que puderem. Por experiência própria garanto que não vai fazer falta nenhuma pra vocês. Mas para outros, literalmente, pode vir a ser caso de vida ou morte.

E o que é que ainda estão fazendo lendo isso aqui?

Xô, xô!!!

🙂

A Páscoa

Coelhinhos à parte – como muita gente gosta de lembrar – é importante frisar que, nestes nossos dias de hoje, a Páscoa serve para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo, depois de sua morte por crucificação.

Para os hereges de plantão que não lembram dos evangelhos canônicos (não, os apócrifos ficam para um outro dia) o evento diz respeito a um dos mistérios centrais da fé cristã. Ou seja, é literalmente uma questão de fé. De crença. Como é dito num trecho do Credo, uma das mais tradicionais orações da Igreja Católica: “Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu a mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso (…)”.

Assim, a celebração da Páscoa diz respeito à vitória da graça sobre o pecado e a inauguração de um novo tempo, tempo de graça, de santidade, de vida, vida plena e vida eterna. Tempo de esperança e tempo de paz na crença da ressurreição de Cristo.

E deixemos aquela história de “libertação dos escravos” de lado.

Mas…

Alguém já ouviu falar de Ostara?…

Ostara (ou Ostera), no Velho Continente, é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão enquanto observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. Os elementos dessa deusa tríplice (a mulher, o ovo e o coelho), símbolos da chegada de uma nova vida, reforçavam o ideal de fertilidade comemorado entre os pagãos de outrora, muitos séculos antes do advento do cristianismo.

Ou seja, estava relacionada com as festividades celebradas durante o Equinócio de Primavera (já não falamos sobre isso antes?), cujo primeiro dia ocorre cerca de 21 de setembro no hemisfério sul e 21 de março no hemisfério norte. O inicio da Primavera marca também a volta do Sol e uma época do ano em que dia e noite tem a mesma duração depois do inverno. É o (re)despertar da Terra com sentimentos de equilíbrio e renovação, e é por isso que seus símbolos estão relacionados à fertilidade que chega depois do inverno. É renascimento. É renovação do espírito e da mente.

Algumas das tradições e rituais que envolvem essa deusa incluem ovos, flores e o coelho (festividades também conhecidas como Sabbat do Equinócio Vernal, Festival das árvores, Alban Eilir, Ostara e Rito de Eostre). Segundo a crença antiga, seu rosto muda a cada toque suave do vento, gosta de observar os animais recém-nascidos saindo detrás das árvores distantes, deixando seu espírito se renovar. Os pássaros estão cantando, as árvores estão brotando; surge o delicado amarelo do Sol e o encantador verde das matas…

OstaraOstara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Era Astarte na mitologia suméria e fenícia. Na antiga tradição saxônica, Eostre / Ishtar – que, daí, para variações como Ester e Easter foram bem simples. Em português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques. Mas, etimologicamente falando, não parece haver qualquer tipo de relação entre as palavras “Easter” e “Páscoa”.

Mesmo assim, Easter é na realidade um termo pagão com um significado “genérico” de Páscoa – mas a data só recebeu oficialmente esse nome lá pelo final da Idade Média.

As representações tradicionais da Páscoa Cristã vêm desses rituais à Ostara, como os ovos, símbolo da fertilidade e da reprodução, que eram pintados com símbolos mágicos ou de ouro, e eram enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses. Em seu dia eram acesas fogueiras novas ao nascer do sol e as pessoas se rejubilavam com o despertar desse novo período, dessa nova fase de fertilidade. Em certas partes do mundo pintavam-se esses ovos do Equinócio da Primavera de amarelo ou dourado (cores solares sagradas), utilizando-os em rituais para honrar o Deus Sol. Outra tradição muito antiga é a de esconder os ovos e depois achá-los – e, talvez, tenha vindo daí o costume dos norte-americanos (lamento, não sei escrever “estadunidense”…) de esconderem os ovos de chocolate no dia da Páscoa para que as crianças os encontrem.

Os alimentos tradicionais da comemoração do Equinócio da Primavera são os ovos cozidos (é lógico!), os bolos de mel, as primeiras frutas da estação em ponche de leite. Em particular na Suécia, os “waffles” eram o prato tradicional da época (o que teriam a ver com tudo isso é que não sei…).

Como a maioria dos antigos festivais pagãos, o Equinócio da Primavera foi cristianizado pela Igreja na Páscoa (também já não falamos disso por aqui antes?…). Desse modo a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, sendo que até hoje, o Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema do calendário lunar, que estabelece o dia santo no primeiro domingo após a primeira lua cheia, no ou após o Equinócio da Primavera.

E os ovos de chocolate?

Bem, lá pelo auge do período medieval, séculos após a Igreja ter dado início às reformas necessárias para ampliar o seu número de fiéis por meio da adaptação de antigas tradições e símbolos religiosos a outros eventos relacionados ao ideário cristão, ocorria que nobres e reis de condição mais abastada costumavam comemorar a Páscoa presenteando súditos e amigos com o uso de ovos feitos de ouro e cravejados de pedras preciosas. Também podiam ser encontrados ovos de madeira, metal, porcelana e outras (ricas) variações.

Fabérge Mas vamos a uma curiosidade no meio de tantas outras curiosidades: os famosos Ovos Fabérge. O ilustríssimo Karl Fabergé e os seus trabalhadores desenharam e construíram o primeiro ovo em 1885. Foi encomendado pelo Czar Alexandre III como uma surpresa de Páscoa para a sua esposa Maria Feodorovna. Do lado de fora parecia um simples ovo de ouro branco, mas quando se abria, revelava um outro ovo de ouro puro onde se escondia uma galinha feita do mesmo material, com uma pequena coroa de rubis na cabeça. A Imperatriz gostou tanto da sua prenda que o Czar nomeou Fabergé como “Fornecedor da Corte” e encomendou um ovo de Páscoa por ano a partir de então, estipulando que deveria ser único e conter uma surpresa. O seu filho, Nicolau II, continuou a tradição, oferecendo todas as primaveras um ovo Fabergé à sua esposa Alexandra e também à sua mãe…

Foi esse o primeiro Kinder Ovo da história!

Bem, já longe dos originários ovos das comemorações pagãs e de toda sua rica variação de ovos preciosíssimos, daí até que chegássemos ao famoso (e – vamos combinar? – bem mais acessível) ovo de chocolate não demorou muito. Mas foi necessário o desenvolvimento da culinária e, antes mesmo disso, a descoberta do continente americano.

Pois foi somente ao entrarem em contato com os maias e astecas (percebam que até eles fazem parte de nossos costumes pascais!), que os espanhóis descobriram a existência do cacau e foram responsáveis pela divulgação desse alimento sagrado (o chocolate!) no Velho Mundo. Diz a lenda que somente uns duzentos anos mais tarde, os culinaristas franceses tiveram a idéia de fabricar os primeiros ovos de chocolate da história, recheando ovos de galinha, depois de esvaziados de clara e gema, e, ainda, pintando-os e enfeitando-os por fora.

Talvez, num exercício até meio forçado de imaginação, uma possível correlação com toda a idéia de renascimento e renovação esteja ligada à energia que o chocolate proporciona, esse calórico extrato retirado da semente do cacau…

Enfim, depois dessa longa história, independentemente de qual seja sua crença ou religião, é importante sim celebrar toda essa energia positiva à nossa volta, pois estamos numa época de começar a plantar, época do amor, de promessas e de decisões, pois a comemoração básica é de que a Terra e a natureza despertam para uma nova vida!

E, por isso mesmo, não tinha como não lembrar deste fantástico vídeo…

 
(Obs.: As informações deste texto – à parte do pouco que eu já sabia – foram campeadas aqui e ali na Internet, sendo possível aprofundar-se em qualquer destes assuntos numa simples fuçada básica…)