(Sim, em tempo real… Digno do Copoanheiros!)

(Sim, em tempo real… Digno do Copoanheiros!)

Acima temos o desenho Firebird Suite (Fantasia 2000), baseado num conto russo em que o Espírito da Primavera fica frente a frente com o Pássaro de Fogo – retratando musicalmente e visualmente os temas vida, morte e ressurreição.
Para mim esse desenho (e a música – ah, a música…) representa magistralmente a figura dos solstícios…
Explico:
Na astronomia, solstício (do latim sol + sistere, ou seja, “que não se mexe”) é o momento em que o Sol, durante seu movimento aparente na esfera celeste, atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem duas vezes por ano: em dezembro e em junho, sendo que o dia e hora exatos variam de um ano para outro. Aqui no Hemisfério Sul, quando ocorre no verão (dezembro) significa que a duração do dia é a mais longa do ano; já quando ocorre no inverno (junho), significa que a duração da noite é a mais longa do ano.
Na mitologia antiga o Solstício de Inverno – o menor dia do ano, a partir de quando a duração do dia começa a crescer – simbolizava o início da vitória da luz sobre a escuridão. Festas das mitologias persa e hindu referenciavam as divindades de Mitra como um símbolo do “Sol Vencedor”, marcada pelo Solstício de Inverno. A cultura do império romano incorporou a comemoração dessa divindade através do “Sol Invictus”. Com o enfraquecimento das religiões pagãs, a data em que se comemoravam as festas do “Sol Vencedor” passaram a referenciar o Natal (no hemisfério norte), numa apropriação visando incorporar à fé católica as festividades de inúmeras comunidades recém-convertidas.
Pois bem. Esse momento do ano marca o “retorno da luz” (tanto no sentido real quanto figurado), pois a partir dessa data o Sol renasce e retorna a seu ciclo em torno do planeta, cada vez mais forte, com os dias se tornando gradualmente mais longos, para chegar ao seu ápice no Solstício de Verão. Assim, o Solstício de Inverno é também uma comemoração de renascimento. Marca o fim do Outono, que representa a morte do que não nos serve mais e ao mesmo tempo o início do Inverno, trazendo com ele seus ensinamentos.
É a época de Inverno, em que a natureza está adormecida e em que muitas plantas morrem. É o fim do que foi plantado. Mas também é o momento de fertilizar o solo para o plantio na Primavera.
O Solstício de Inverno, neste ano de 2011, dá-se neste dia 21 de junho pontualmente às 14h16min.
E – mais uma vez – é quando este velho e cansado causídico que vos tecla novamente tenta colocar em prática suas decisões – já há muito tomadas, mas que sempre acabam por apresentar um grau de dificuldade maior do que o esperado para serem aplicadas… Serão 93 dias de Inverno. Praticamente três meses. E deverá ser também o tempo necessário para sacramentar o fim de tudo que foi plantado. De morte. De fim de um ciclo. Mas também de introspecção, resgate e preparação para a Primavera que há de vir. E, óbvia e consequentemente, de renascimento. De Ressurreição.
E de paciência.
Muita, mas muita paciência…

Eduardo e Mônica – Legião Urbana
11:11

Eu sempre costumo dizer que toda semana curta é intensa…
E, nesta, teremos apenas segunda, quarta e sexta – seguida de três sábados e um domingo.
“Por quê?”, perguntaria o incauto.
“Porque teremos o feriado de Corpus Christi no próximo dia 23 de junho”, responderia o Mestre.
“Aahh… E o que é isso messs?”, novamente perguntaria a anta.
E, sem paciência para responder às 1.469 perguntas que se seguiriam, foi o Mestre à Wikipedia para encerrar o assunto.
Então, senta que lá vem história…
Corpus Christi (do latim, Corpo de Cristo) é uma festa da Igreja Católica que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia.
É realizada na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma festa de “preceito”, isto é, para os católicos é de comparecimento obrigatório assistir à missa neste dia, na forma estabelecida pela Conferência Episcopal do país respectivo.
A procissão pelas vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código Canônico (artigo 944) que determina ao bispo diocesano que a providencie, onde for possível, “para testemunhar publicamente a veneração para com a Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”.
A origem da solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. A Igreja Católica (assim, sim, em maiúsculas, afinal trata-se de uma “instituição”…) sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. A festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula “Transiturus”, de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
Isso porque o Papa Urbano IV foi anteriormente o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica (hein?), que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no ano litúrgico. A “Fête Dieu” (Festa de Deus) começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia.
Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.
O ofício foi composto por São Tomás de Aquino o qual, por amor à tradição litúrgica, serviu-se em parte de Antífonas, Lições e Responsórios já em uso em algumas Igrejas.
A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa perdeu sua vida em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de 1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois na França e na Itália. Em Roma é encontrada desde 1350.
A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: “Este é o meu corpo… isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim”. Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.
Em muitas cidades portuguesas e brasileiras é costume ornamentar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos de inspiração religiosa (feitos de serragem colorida, areia colorida, pinturas, flores, grãos – e até mesmo vidro moído!). Essa festividade de longa data se constitui uma tradição no Brasil, principalmente nas cidades históricas se revestem de práticas antigas e tradicionais são embelezadas com decorações de acordo com costumes locais.
Muito bem.
Encerrada a aula do dia.
Voltemos à nossa curta semana e aos dragões de praxe que teremos que enfrentar (ou incorporar)…
Volta por Cima – Noite Ilustrada
11:10

“Infelizmente não foi possível internar todos os loucos. Um escapou e fará comício amanhã.”
Ademar de Barros, em comício durante a disputa da presidência da República, em 1960, comentando sobre a inauguração de um hospício em São Paulo.
“Não foi possível trancafiar todos os ladrões. Um escapou e fez comício aqui ontem.”
Jânio Quadros, no dia seguinte, devolvendo a indireta na mesma moeda.