Quando a tecnologia exclui, o direito fica distante

Vander Ferreira de Andrade
Advogado. Reitor do Centro
Universitário de Santo André

Para muitos idosos, aquilo que deveria facilitar a vida se transforma em uma verdadeira barreira: aplicativos complexos, senhas, códigos de verificação, reconhecimento facial, atualizações constantes, telas pouco acessíveis e serviços que simplesmente deixam de oferecer atendimento presencial.

Agendar uma consulta, acessar um benefício, emitir um documento, pagar uma conta, utilizar serviços bancários ou até mesmo buscar atendimento em um órgão público pode exigir conhecimentos tecnológicos que nem todos tiveram oportunidade de desenvolver.

O problema não é o idoso “não saber usar tecnologia”. O problema é criar um sistema em que o acesso a direitos e serviços essenciais dependa exclusivamente dela.

A inclusão digital precisa caminhar junto com a acessibilidade, a dignidade e o direito de escolha. Tecnologia deve aproximar, facilitar e incluir, jamais se tornar um mecanismo de exclusão.

Garantir atendimento acessível, canais presenciais e suporte adequado não é um favor. É respeito à cidadania e à dignidade da pessoa idosa.

Tecnologia para incluir, não para excluir. Envelhecer não pode significar perder o direito de acessar serviços.

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