Telefônica & Speedy

“Fomos invadidos por hackers”, PROCON estuda ação coletiva, sistema está deficitário desde quarta-feira da semana passada, os usuários serão compensados pela lentidão e inatividade do acesso, etc, etc, etc.

Tãotáintão.

Acontece que eu poderia tecer alguns bons comentários sobre o assunto, tanto do ponto de vista do juridiquês quanto do informatiquês.

Mas já tô cansado em plena manhã de segunda-feira cinzenta, meu humor não tá lá grande coisa e enquanto não houver uma real competitividade no setor só resta mesmo o iuris esperniandis

Quem quiser comentar que comente.

Na terça, uma foto

Pois é, atravessamos uma semana direto sem nenhum post.

Tá complicado manter esse cantinho atualizado…

Mesmo assim, vamos tentar manter o compromisso!

Essa foto abaixo é de meus bisavós pelo lado materno de meu pai. O que é que isso quer dizer? Que são os avós de meu pai pelo lado da mãe dele. Temos o ilustríssimo senhor Alcindo de Paula Maia (*1898/+1942), lavrador, nascido no Turvo, RJ, e a senhora Laura de Casaes Santos (*1898), natural de Santa Rita de Jacutinga, MG. Inclusive uma dessas crianças deve ser minha avó Sebastianna (*1920/+2000) – provavelmente a criança mais velha, no chão, pois meus bisavós se casaram em 1919, em Santa Rita de Jacutinga, MG.

Duas curiosidades. A primeira é que o nome “Laura” acabou atravessando mais uma geração, pois foi o mesmo nome que minha avó deu à sua filha caçula (a décima-segunda da linhagem) – que inclusive é uma tia mais nova que meu irmão mais velho. Coisas de família grande. A segunda curiosidade é a forma pela qual meu pai costuma referir-se à indumentária usada por seu avô para a foto. Segundo ele, trata-se de um “terninho de cagar em pé”

Na terça, uma foto

Copiando descaradamente o costume do Pedro Dória (e já que não tenho conseguido atualizar direito os super-heróis de sábado), vamos combinar o seguinte: toda terça vou colocar uma foto antiga por aqui, relacionada às cidades da região ou à minha própria família.

Como “primeirinha” temos a Capela de Santa Cruz. Tá, e o que é que tem demais? Essa foto era de quando a capela estava começando a ser desmontada (dá pra ver que parte do telhado já tinha sido retirado), sei lá há quantos anos atrás. Talvez há uns cinquenta anos, pois ali ao fundo, do lado direito, hoje existe a casa de meu pai, a qual foi construída entre 1960 e 62. Tudo que restou dessa capelinha foi o nome da praça: Praça de Santa Cruz. Fica no bairro de Santana (de onde sou nascido e criado), em São José dos Campos, SP – subindo pela Av. Rui Barbosa, bem no ponto onde se vira à direita para chegar até o SENAI. O curioso é que havia um senhor que tomava conta dessa capela e, todos os dias, tocava o sino em determinados horários. Quando a construção veio abaixo, levou esse sino para casa, próxima dali, pendurou-o na varanda e continuo a tocá-lo nos mesmos horários de sempre. A capela já não mais existia, mas continuava dando sinal de sua presença através dos badalos diários de seu sino…

PS.: Meus agradecimentos à senhora Joana Rosa Savastano, viúva do “sineiro”, moradora do bairro de Santana e amiga da minha mãe, que permitiu que essa foto fosse escaneada.

“I had a dream”

Foi um sonho até meio maluco – daqueles que misturam montes e montes de coisas e situações totalmente insólitas.

Lembro-me que estava numa oficina mecânica, onde, além de motores consertava-se também bicicletas e estofados. De lá, talvez já na sala ao lado, fui para uma reunião com o presidente da OAB local, mas tive que sair correndo para salvar de uma enchente uma das crianças gêmeas guerreiras, que tinham cavalos alados, as quais estavam tentando insistentemente me matar. Ambas resolveram deixar isso de lado depois que, após tirá-la da morte certa em uma verdadeira cachoeira com apenas uma toalha (algo bem a la Indiana Jones), dei-lhe um pouco de café quente e uma toalha, já de volta naquela oficina do começo.

Como minhas mãos e unhas estavam totalmente pretas de graxa peguei um pouco de pasta arenosa para limpá-las e foi quando chegou O Feio um de meus melhores amigos, acompanhado de sua namorada do momento, uma baixinha de cabelo curto. Dali já fomos (surgimos?) em um show de rock, onde estava rolando um AC-DC (com os próprios), mas, quando percebi, de um ponto de vista totalmente surreal eu era o vocalista, mas, no instante seguinte, o foco e o ângulo de visão mudaram totalmente e já estávamos numa mesa a um canto do palco, bebericando algo, enquanto rolava a música pauleira e Angus Young derretia a guitarra num solo pra lá de memorável.

Daí em diante as coisas ficaram um pouco confusas – se é que já não estavam – e acabei acordando.

Mas o “ponto alto” do sonho foi a namoradinha do amigo meu (não, não trabalhamos com Roberto Carlos), pois ele estava extremamente feliz com ela. Em paz. Aliás, não tinha como não ficar assim perto de alguém como ela. Sabem daquelas pessoas que possuem um bom humor insuportável? Pois é. Essa era ela.

Mal me lembro de seu rosto (aquele rotineiro “efeito névoa” pós-sonho), mas tenho certeza de que era linda. Ou melhor, lindinha. Em termos de comportamento lembrava bastante uma gracinha de menina que esse mesmo amigo já namorou há um bom tempo atrás.

Era uma daquelas pessoas de um tipo especial, pelas quais é fácil, muito fácil, se apaixonar. Mas não estou falando de nada carnal – esqueçam o sexo nesse assunto -, estou falando de uma garota bem resolvida, de bem com a vida, cujas preocupações meramente resvalam em sua pessoa. De risada fácil e extremamente sincera. Com um ar de real curiosidade sobre absolutamente tudo aquilo que você fala ou faz. Com uma simplicidade e uma alegria de viver tão grande que é quase impossível de descrever. Enfim, alguém que não estaria verdadeiramente de corpo presente nesta grande bola de lama à qual chamamos Terra.

Já sinto saudades dela.

Na prática, sinto saudades de todas as pessoas que já conheci (e as que ainda não) e que também são assim.

Tem muita gente assim no mundo – não são necessariamente difíceis de encontrar. Depende de onde você está. De onde você vive. Estuda. Ou trabalha.

E esse é o ponto.

Apesar de eu ter a felicidade de trabalhar com pessoas maravilhosas (e não, isso não é uma rasgação de seda – é fato), sendo um órgão público, tem muita gente, mas MUITA GENTE MESMO, que destila fel em vez de mel. Pessoas cujo caráter é totalmente o avesso dessa menina que acabei de descrever. Por poucas que sejam, têm amargura suficiente para puxar todos a sua volta abaixo da linha d’água, nos envolvendo no redemoinho de conflitos que suas vidas se tornaram – por opção própria. Não conseguem ver beleza, alegria ou sequer esperança ao seu redor. Apenas um dia após o outro. E outro. E outro. E assim por diante.

E, por mais que não se queira, por mais que se combata, isso acaba nos contaminando. Bem devagarinho. E, em lenta intoxicação, quando menos se percebe, já começamos a ver o mundo com os olhos de pessoas como essas.

Ou seja, num ambiente como esse que descrevi é extremamente difícil encontrar Gracinhas como a de meu sonho. Não é um ambiente nada propício para sua existência ou seu florescimento. Talvez até existam, mas certamente não fazem parte de meu dia-a-dia.

Isso me fez recordar de uma tia de minha ex-esposa. Certo dia fomos à sua casa, de moto, numa pequenina cidade vizinha, e lembro-me que a sensação foi como a de conhecer um furacão encarnado numa pessoa. Sentados à uma grande mesa no quintal – onde ela fazia salgados “pra fora” – comentamos de uma bebida que havíamos tomado num bar no dia anterior – abacaxi com champanhe. Foram apenas alguns minutos até ela arranjar um abacaxi e uma garrafa de champanhe e fazer a mesma bebida só para experimentar. Ela era uma pessoa um pouco como a Gracinha, algumas fagulhas nesse sentido centelhavam dentro dela. Para se ter uma idéia, apesar da idade não deixava de frequentar um bailão toda semana. Quantos anos tinha? Cinquenta? Talvez sessenta? É difícil avaliar a idade de alguém quando se é bastante jovem – mas vai ficando mais fácil na medida em que chegamos quase lá…

Mas, enfim, talvez tudo isso seja apenas um pouco de minha boa e velha rabugice que resolveu aflorar. Ou talvez um sinal de incômodo por estar acomodado – pois sempre dei guinadas em minha vida, em média, a cada quatro anos, e onde estou já tem uns oito. Não que eu não goste do que faço – amo meu trabalho! – mas num devaneio escrito como este muitas vezes constatamos o óbvio.

Falta renovação.

Sangue novo.

Gente nova.

E, a exemplo da tia que um dia tive, gente nova não significa necessariamente gente jovem, mas sim gente com alegria sincera pela vida.

Creio que talvez já seja hora de, ainda que continue fazendo tudo igual, começar a fazer tudo diferente…

E torcer para encontrar com alguma Gracinha no meio do caminho!