Mundo cão



Então você passou por aqui esperando aquela famosa mensagem animadora, pra cima, de bom tom, otimista, toda up, que iria dar um gás no seu dia, certo?

Errado.

Tem um zilhão de blogs e pseudo-blogs diferentes pra isso. Aqui – sinto muito dizer – você estará refém de meu humor. OU falta dele.

Já que continuou a leitura, deixe-me lembrá-lo que se existe uma constante no Universo material que nos cerca, e deixando a metafísica de lado, é a capacidade que a vida tem de nos surpreender. Mesmo quando pensamos que tudo está nos conformes, que todos os problemas existentes NO MUNDO foram superados, e que nada mais resta senão ser feliz – AAA-HÁÁÁÁÁ! Eis que a mesa vira, o jogo muda, e tudo o mais sai fora dos eixos.

Não, não. Estou me lixando se o Brasil ganhou ou perdeu na Copa (se bem que ainda torço por Portugal), sempre fui apático à política e tampouco me importa a situação econômica do país – já que nem a minha própria consigo resolver…

Sei lá. Se alguém quiser arranjar algum motivo, diga que surtei. E pronto.

Pra quem conhece História em Quadrinhos, basta lembrar do ato final de Morpheus na série Sandman, antes de encontrar-se com sua irmã pela última vez. A compreensão de sua motivação torna fácil a compreensão de seus atos…

Volto dentro de alguns dias, quando a pilha de serviço baixar, meu humor melhorar e o sol voltar a brilhar.

Movido pela paixão

Sou um sujeito dado a paixões. Por mais que eu não goste, não tenho como negar. Quando ocorre alguma paixão de momento, isso me consome de uma forma tal que concentro (quase) todas minhas energias naquele foco – até que o mesmo mude.

Ei, ei, ei! Péraê! Não estou falando de mulheres, não! Estou falando de atitudes.

Por exemplo: um ponto ao qual volta e meia retorno é a informática. Estou, inclusive, numa daquelas fases de retomar alguns projetos inacabados (o que tenho aos montes nas catacumbas de meu computador), e em minha busca encontrei uma série de links que fazem referência ao “Rits” – Rede de Informações para o Terceiro Setor.

Normalmente vejo com desconfiança alguns empreendimentos do gênero, pois tem muita gente simplesmente querendo “tirar uma casquinha” das febres do momento. Mas, inclusive pelo tempo que está no ar, parece não ser o caso. A parte do acervo é bastante interessante…

Enfim, tirem suas próprias conclusões: http://www.rits.org.br.

Assumo a idade

Eu sempre digo que, para um advogado, a língua portuguesa é sua maior ferramenta de trabalho – mais até do que a lei em si. Não adianta nada um profissional conhecer de cor e salteado toda a legislação pátria se não souber como efetuar um pedido perante a Justiça.

Daí a pergunta: o quanto eu gosto da língua portuguesa? Bem, só pra se ter uma idéia, na última sexta-feira, depois de umas quatro ou doze cervejas, de madrugada, num boteco’s bar da vida, estávamos eu e o Bicarato discutindo sutilezas de nosso idioma. Isso lá é coisa de se tratar em mesa de bar? Tudo bem que logo depois passamos para uma sessão de tortura acadêmica, disputando qual de nós conseguia lembrar mais detalhes das revistas do Asterix, mas isso é uma outra história. A propósito: deu empate técnico.

Mesmo assim, é certo que devo me dedicar mais ao estudo da língua (hmmmm…), pois ainda cometo alguns erros crassos. E é justamente esse o ponto. O nobre copoanheiro me alertou de uma escorregadela que dei no texto anterior (“Japão 1 x Brasil 4”), pois escrevi a palavra “assumidade”. Tá errado, gente. Até porque essa palavra não existe. O correto é “sumidade”.

Como disse o Nário: “[Do lat. summitate.] S. f. 1. Qualidade de alto, eminente. 2. O ponto mais alto; cumeeira, cimo, cume. 3. Fig. Pessoa que sobressai às outras por seus talentos ou saber.” (Dicionário Aurélio Eletrônico – 1999).

Aliás, não foi erro de digitação, não. Limitação mesmo. Acho que eu sempre devo ter escrito errado essa palavra, e só agora é que me dei conta. É como outra confusão que eu fazia entre olvidar e envidar. Sempre usava a primeira mas com o sentido da segunda…

Mas tudo bem. Apesar da idade, sou novo ainda. E já que não sou nenhuma sumidade na área – ainda aprendo!

Japão 1 x Brasil 4

Samurai vencido

Não. Eu não sou nenhum torcedor fanático. Muito pelo contrário: eu não sou torcedor de espécie nenhuma. Se tem uma coisa pela qua eu jamais consegui desenvolver interesse em minha vida é o futebol. Mesmo nos meus tempos de infância eu só jogava por obrigação – nas famosas aulas de “educação física” – e ainda assim era justamente aquele garoto que ficava por último na hora da divisão dos times.

– Tudo bem. O Adauto é de vocês. Vamos jogar.

– Péraê! O nosso time já tá completo e o seu ainda tá faltando um!

– Não tem problema, a gente vai desfalcado mesmo. Vamos jogar.

– De jeito nenhum! Até porque o professor não vai deixar…

– (Bosta.) Tá, tá, tá. Adautô! Você vai no gol, hein? E vê se não faz bobagem!

E lá ia o garoto de ossos fortes para o gol. Tá bom, tá bom. Gordo, mesmo. E eu era uma assumidade nessa posição: conseguia desviar DE absolutamente todas as bolas!

Enfim, como eu disse, jamais me interessei por futebol. E o Campeonato Brasileiro, então? Eu mal sei o nome de meia dúzia de times – ainda assim por repetição do que ouço no trabalho. Nomes de jogadores? De jeito nenhum! Aliás, segundo a Dona Patroa, essa minha característica foi um dos “pontos positivos” quando começamos a namorar. Até hoje não tive coragem de perguntar quais seriam os negativos…

Essa introdução serve somente para deixar bem claro que não sou uma pessoa lá muito qualificada para falar de futebol. Mesmo assim, vamos lá!

Bem, época de Copa é época de Copa. E… Putz, pelo menos eu consigo assistir um jogo até o fim. Acho que a última Copa que assisti e realmente gostei foi a de oitenta e dois. E pronto. Dali em diante achei tudo muita papagaiada. “Mas e o Tetra? E o Penta?” Grande coisa. Entendo que não necessariamente o nosso time foi o melhor, mas o menos pior.

Mas, particularmente, gostei do jogo entre Brasil e Japão – e já aviso aqueles que me conhecem que não foi pelo fato de que minha esposa é sansei (segunda geração de uma família japonesa fora do Japão). Mas o time brasileiro parece que despertou. Conhecem aquele boneco chamado João-Bobo? A visão que eu tinha nos jogos anteriores era a de que haviam onze no campo. Mas nesse jogo eles desceram da plataforma e despertaram para a vida.

Lamento sinceramente que o Japão tenha perdido com uma diferença tão grande. Não, não queria que ganhassem – afinal ainda sou brasileiro – mas que ficassem com um placar mais equilibrado. Ao menos eles tiveram o gostinho de abrir o placar do jogo contra uma seleção que não tinha levado nenhum gol até agora. E mais: abriram o placar contra o BRASIL! Vocês não têm noção da idolatria que existe naquele país com relação ao nosso futebol…

Bem, perder já era esperado; tanto é, que o Zico se preocupou somente com o ataque – a defesa que se lasque! Certo ele. Tudo bem que já bombardeamos os croatas e fizemos churrasquinho de canguru. Mas sinto sinceramente pela batalha com o samurai.

E, por final, ainda continuo achando intragável essa rasgação de seda em cima do “Ronaldo – o Felômeno”. Tá, ele marcou dois gols, quebrou o paradigma, agora vai, etc, etc, etc. Mesmo assim ainda acho que tem gente muito melhor que o gordo para se colocar em campo. Mas, fazer o quê? Acho que o contrato dele deve determinar a presença do bicho por lá.

Pra mim continua a campanha do meu amigo Paulo (devidamente plagiada pelo Macaco Simão): “Tira o redondo do quadrado!”

Por um fio

E então meu filho está crescendo. Os dentes de leite estão caindo e começando a dar lugar aos permanentes. Mas ontem parecia coisa de filme (e antigo), pois estava meu filhote mais velho correndo de um lado para outro da casa, com a mãe em seu encalço, e com um FIO amarrado no dente da frente que estava bambo, bambo, bambo. “Mas você não quer que saia?” – perguntava a Dona Patroa. “Quero, mas vai doer”. E dá-lhe correria de um lado para outro.

Até que, finalmente, num arroubo de coragem, ele deixou que puxasse o malfadado dentinho. Daí, num desfecho que envolveu necessariamente muito mais manha que dor:

AAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ !!!!!! – foi o berro que perdurou durante uns três minutos, estremecendo e abalando as fundações da casa…

Aliás, isso sim podemos chamar de “exagero línguístico”.

Aliás do aliás, numa mensagem recente pudemos contar com a sempre preciosa contribuição do nosso amigo, juiz de marchinhas, canhoto, campeão de xadrez etílico, violeiro das palavras, e ótimo copoanheiro, Paulo Bicarato. Numa tradicional manobra Ctrl-C – Ctrl-V, tá lá em O BUCÉFALO, sob o auspicioso título de “Manual (bem-humorado) de Redação”.

Aliás do aliás do aliás, sempre é bom lembrar as palavras de Luís Fernando Veríssimo (MESMO), extraídas de um trecho da crônica “O gigolô das palavras”:

“Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo mas é claro, certo?”

Curiosidades

E o que fazer num feriado prolongado? De minha parte tive que acertar algumas pendências da vida profissional, bem como resolvi também colocar parte da leitura em dia. Assim, pude ler (na verdade dar uma passada crítica d’olhos) cerca de 4.000 mensagens pendentes das listas de discussão de genealogia das quais participo. Também rendeu uma pequena (até que enfim!) atualização do site, especificamente no link O BUCÉFALO, onde coloquei mais algumas dicas para quem gosta de escrever.

E, com tanta leitura, obtive algumas pérolas de curiosidades, que nunca interessam a ninguém, mas que me ajudam a manter o título de “Príncipe da Cultura Inútil” – entendo que a coroa ainda é do meu amigo e recém-pai, Sylvio…

1. Genealogia de verdade

Para os bantos (ou mesmo não-bantos, como os iorubas da Nigéria que ocuparam a Bahia), a linhagem é tudo – os ancestrais perduram nos vivos e a reencarnação ocorre no clã, o avô reencarnado no filho e nos netos – até quando ainda vivo.

2. Índio, de bobo, não tem nada

Entender a linha dos índios e adaptar conceitos para promover o cristianismo nos trópicos não foi suficiente para os jesuítas portugueses e espanhóis serem assimilados. Encontraram muita resistência pela frente. Eles precisavam procurar os detalhes, as nuances e as expressões que evidenciassem a superioridade católica. Nem sempre conseguiam.

Uma manhã os caciques dos charruas procuraram o missionário de plantão para dizer que não queriam nada com um Deus que “vê tudo e sabe tudo o que nós fazemos”. E foram embora, deixando o jesuíta com cara de bobo. Com sincera surpresa e muitas risadas, os índios da fronteira do Brasil com o Paraguai se deram conta de que estavam fadados ao inferno, quando foram os brancos que mataram Jesus Cristo. O crime não era deles, afinal. E quando alguns tupis e guaranis descobriam que, após a morte, os portugueses e os espanhóis também iriam para o céu, perdiam o interesse na ressurreição. Não queriam tal companhia por toda a eternidade.

3. Guinada de 180 graus

O termo “abrigo” significava “estar exposto ao sol” nos tempos do imperador Nero, o exato oposto do sentido atual dado à palavra. O termo vem de apricare (aquecer ao sol), que por sua vez gerou apricus (exposto ao sol para retirar a umidade). Com o tempo, a idéia deslizou para o sentido mais específico de “pôr em lugar seguro” e, por fim, o de “agasalhar, proteger”.

4. Língua Brasílica

O Brasil tem cerca de 180 línguas nativas que ainda são usadas. Já foram mais de 1.200 no século 16. O tupi reinava nos primeiros séculos de Brasil. Deu a primeira unidade nacional até o século 17. Numericamente inferior e tendo de relacionar-se e tocar negócios com os índios, o colonizador passou a usar tupi, mas ao seu modo. Os invasores europeus passaram a usar um dialeto prático para a comunicação imediata, misto de português e tupi, o tupinambá, língua geral, brasílica ou nheengatu. No século 17, acredita-se que só dois de cada cinco moradores da cidade de São Paulo falassem português. Em meados do século 18 só um terço da população usava o português e todos eram bilíngues.