Obsolescência (de novo)

E então fui ajudar meu filho de sete anos em seu dever de casa. A missão: escrever o nome de alguém que gosta e, a partir de cada letra desse nome, escrever uma palavra ou frase que lhe dê sentido. Ficou mais ou menos assim:

Enrolada
Legal
Inteligente
Amiga
Nervosa
Amorosa

A esse tipo de construção dá-se o nome de acróstico. Segundo disse o Nário, “composição poética na qual o conjunto das letras iniciais (e por vezes as mediais ou finais) dos versos compõe verticalmente uma palavra ou frase”.

Continuo aprendendo com ele.

Sempre.

Recordar é viver!

Como já devem ter percebido, por esses dias tenho me limitado mais a um Ctrl-C/Ctrl-V do que a escrever algo realmente digno de nota. Talvez a aventura da semana passada tenha consumido a maior parte de minha pseudo capacidade criativa. Talvez eu esteja enfrentando um famigerado “bloqueio de escritor”. Ou talvez eu simplesmente esteja com preguiça. Sei lá.

Como neste dia de hoje devo ficar fora devido a uma pequena viagem a trabalho (com uma sincera esperança de que isso vá me trazer novidades narrativas), deixo por aqui um pouquinho de um gibi de minha coleção que estou (re)lendo, do Laerte. O nome da revista é Striptiras e circulou há não menos que dez e não mais que vinte anos atrás – pela editora Circo. As tiras são dos Gatinhos, um casal composto por um trouxa (na maior parte das vezes) e uma esperta (sempre). Dá pra adivinhar quem é quem?…

REPAROS. Ninguém sabe porque, mas este é o nome de uma peça da válvula da privada. Talvez porque ela vive quebrando e precisando de conserto. E aqui no Brasil é assim: quando você chama o encanador, ele quebra o azulejo. Quando você chama o pedreiro, ele estraga a fiação. Quando você chama o eletricista, ele destrói a pintura. Quando você chama o pintor, ele quebra a porta. Quando você chama o chaveiro, ele pede para ir ao banheiro, fode a vávula e a descarga dispara.

La soberanía de Cuba debe ser respetada

Recebi hoje um e-mail do amigo Cláudio. Interessante…

Mais de 400 personalidades de todo o mundo, entre eles oito prêmios Nobel, assinaram um manifesto divulgado à imprensa nesta segunda-feira (7/8) no qual exigem que os Estados Unidos respeitem a soberania de Cuba. O texto condena também as crescentes ameaças contra a integridade territorial da ilha.

Entre as personalidades estão os brasileiros Chico Buarque, Frei Betto e Oscar Niemayer, além de nomes como Eduardo Galeano, José Saramago, Ignacio Ramonet, Miguel Bonasso, Rigoberta Menchú, Desmond Tutu, Mario Benedetti e Noam Chomsky.

O documento, intitulado ‘A soberania de Cuba deve ser respeitada’, critica com firmeza a postura de Washington diante do problema de saúde do presidente Fidel Castro, afastado há uma semana do poder para se recuperar de uma cirurgia abdominal.

‘Devemos impedir a todo custo uma nova agressão’, defende o documento, levando em conta a crescente militarização da política externa norte-americana. Ao final, há o endereço de uma página na internet criada especialmente para propagar o manifesto e conquistar mais adesões.

Veja mais em http://www.porcuba.org.

Politicamente incorreto

O texto a seguir é um pequeno exemplo da criatividade elevada a sua enésima potência… Seu autor, Marco Aurélio Gois dos Santos, do site Jesus me chicoteia, vem fazendo uma sátira da Bíblia desde o Gênesis. Ah, e sim, tenho certeza ABSOLUTA que os mais carolas vão se sentir ofendidos não só com esse texto, mas com tudo o mais que estiver lá.

Ainda assim o bom humor do politicamente incorreto é inegável…

NOÉ

Se logo na sua segunda geração a humanidade já promovia tamanha zona, imaginem a esculhambação depois de dez gerações. E olhe que neguinho vivia muito naquela época. Adão, o primeiro homem, viveu 930 anos! Enoque, que deve estar lá pela sétima geração, viveu 365 anos e foi levado pro céu sem morrer, e seu filho, Matusalém, viveu 969 anos. E pensar que hoje em dia chamamos qualquer um que chegue aos oitenta de Matusalém, pobres velhinhos…

Mas é de Noé que quero falar. Noé é o décimo dos patriarcas, como podemos ver naquelas intermináveis genealogias bíblicas que parecem o Para Todos do Chico Buarque, com Noé cantando: O meu pai era Lameque/Meu avô, Matusalém/ O meu bisavô, Enoque/ Meu tataravô, Jarede, bom vocês já sabem onde isso vai parar, dez caras que viveram pra cacete em ordem cronológica inversa até Adão.

Quando Noé estava com 500 anos (recém saído da adolescência, portanto), deus o chamou para tomar umas e conversar. Perguntou da patroa, das crianças, Noé disse que Sem, Cam e Jafet eram os filhos que ele tinha pedido a deus, aliás queria muito aproveitar a ocasião para agradecer, e sua família, seu deus, como é que vai? E deus disse que não tinha família, aliás, tinha um filho, mas era uma carta que ele queria jogar só em último caso, o que levava ao assunto que o trouxera até ali: Estava arrependido de ter criado o mundo e a humanidade, os homens portavam-se de forma escandalosa, matavam-se uns aos outros, enganavam-se, traíam-se, blasfemavam contra deus, e aposto cem ovelhas com você como botaram água nesse ketchup. Resumindo, deus resolvera destruir tudo com uma grande inundação, matar todo mundo afogado. Mas Noé era um cara legal, boa praça, e deus determinara que ele seria o pai da nova humanidade.

Pegou um guardanapo e começou a desenhar: “Tá aqui, ó. Você vai construir essa caixa grande, botar uma porta, uma janelinha, uma rampa e encher a caixa com um casal de cada espécie de todos os animais”. Noé olhou o desenho, olhou pra deus pra ver se ele não estava brincando, olhou pro desenho de novo, coçou a barba e disse “Tudo bem”. Deus ficou muito feliz, pediu outra rodada e deu um prazo de cem anos para que Noé concluísse a empreitada.

No dia seguinte, com mil britadeiras dentro da cabeça e uma sede que dava vontade de beber todo o dilúvio, Noé se deu conta da sinuca de bico em que havia se enfiado. Era tarde demais para lamentar, no entanto, então chamou os filhos e perguntou o que eles achavam de um cruzeiro marítimo só de casais. Os três, claro, acharam supimpa. “Então peguem as ferramentas, que vamos construir o raio do barco”.

E passaram-se cem anos. Na hora de botar os animais dentro da arca, Noé percebeu que ali é que começava o trabalho de verdade. Tomou um porre homérico, embora Homero nem sonhasse em nascer naquele tempo, e foi pegando uns bichos a esmo. Pegou uns cachorros, umas cabras, umas vacas, galinhas, enfim, esses bichos de criação. Deus olhou lá de cima, viu que era trabalho demais pro cara e resolveu dar uma força. Sabia que seria impossível, por mais que quisesse, enfiar tudo quanto era animal na tal arca de Noé. Então fez uma seleção dos bichos que mais gostava, botou todo mundo em fila e foram entrando na arca.

Bom, é claro que na arca já viviam os animais de sempre, cupins, formigas, traças, lesmas, baratas de todos os tipos, ratos. E os animais carregavam suas pulgas, carrapatos, vermes. Com essa nem deus contava.

Mas o negócio é que começou a chover, inundou tudo e Noé, sua esposa, seus filhos e suas noras passaram 40 dias navegando sem rumo. Depois desse tempo, as águas começaram a baixar e a arca encalhou no monte Ararat, na Armênia. A família ainda levou um tempo para sair, pois tinham uma partida de pôquer para terminar (“Ninguém sai! Ninguém Sai!”). Mas acabaram por sair, pois precisavam repovoar a terra. Além do mais, o cheiro da bicharada tornava-se insuportável.

Saíram e deram de cara com o arco-íris no céu. Deus explicou a Noé que aquele arco representava o pacto que ele fazia com a humanidade a partir de então, de nunca mais destruir a terra pelas águas (inventando aí, de quebra, o contrato com letras miudinhas: “O que não me impede de, quando me der na telha, destruí-la pelo fogo, pelos terremotos, pela fome, pela peste ou outro meio que me aprouver”).

Todos viveriam felizes, se Noé meses depois não plantasse uma vinha, enchesse a cara mais do que nunca e amaldiçoasse um de seus filhos. Viu deus que tudo recomeçava, fez “tsk, tsk, tsk” e começou a se arrepender de novo. Ah, e Noé viveu até os 950 anos.

Encher X Irritar

“Encher” é quando você passa uns dois dias perturbando a Dona Patroa pra poder fazer um churrasquinho em casa no final de semana.

“Irritar” é quando você liga, num domingo, bem cedinho, pra casa do amigo que você vai convidar para o dito churrasco e ele atende o telefone já no primeiro toque. Você percebe que o caboclo acabou de acordar e atendeu na extensão do lado da cama. Aí você diz, numa voz toda pomposa:

– Bom dia. Aqui é da recepção. Foi nesse quarto mesmo que pediram para acordar às oito e trinta e cinco da manhã?

O restante é impublicável…

Parque da Mônica – a epopéia (V)

V – Home Sweet Home!

(Recapitulando: nossos heróis haviam acabado de voltar ao ponto de encontro outrora combinado, entretanto, consternados, acabam por descobrir que a caravana partiu e, agora, estariam sozinhos naquele labirinto…)

– E agora?

– Elas só podem ter ido até os carros!

– Juuuura? E onde estão os carros messs?…

– No estacionamento?…

– Eu só me lembro que entramos por uma das laterais.

– O jeito é procurar.

Estávamos voltando para as escadas rolantes, mas resolvemos subir de elevador. Já estava ali mesmo, parado, dando sopa, sem fazer nada… Sem saber em qual andar ficava o piso de estacionamentos onde estavam os carros, resolvemos simplesmente subir. Aperta botão. Fecha porta. Sobe lentamente. Pára no andar seguinte. (Que tédio!) Abre porta. E um sujeito do lado de fora, parado, de costas, olhando para os lados, como quem procura algo. Pareceu que uma faísca percorreu o interior do elevador.

– É o Paulo!

– PAULÔÔÔ!!!!

E veio o terceiro mosqueteiro para o elevador. Ficamos MUITO felizes ao vê-lo; aliviados e esperançosos de que agora sim conseguiríamos chegar até os carros. Mas ele só tinha uma certeza: que estávamos estacionados em “G2G”. Em qual andar ficava isso mesmo? Nem idéia. Decidimos que deveria ser o segundo andar, e lá fomos nós.

Descemos do elevador sem ter a mínima idéia de onde ficava a entrada para o estacionamento naquele andar. E então fomos os três, Moe, Larry e Curly, andando, a meio passo, olhando para todos os lados, e conjecturando em voz alta:

– Será que fica lá no fundo?

– Será que tem que virar?

– Será que tem que descer?

– Será que tem que subir?

– Será que alguém lembra?

– Será que alguém saberia informar?

– SERÁ QUE ALGUÉM TEM UMA BÚSSOLA???

(Nota: visando respeitar os direitos autorais nesta minissérie, cumpre esclarecer que a última frase foi um grit…, isto é, um questionamento efetuado pelo Evandro).

Com algum custo, conseguimos encontrar a saída. Ou a entrada. Ou… bem, chegamos lá. Estávamos em “G4”.

Tudo bem. Calma. Bastaria descer dois “Gs”. Tinha um elevador ali do lado, o que afastava a hipótese de nos perdermos novamente. Aperta botão. Espera. Espera. Espera. Espera. Quer saber de uma coisa? Vamos de escada, mesmo! Fomos descendo (ainda bem que era uma escada com legenda), e ao chegarmos em “G2” ainda restou um quê de ansiedade, pois não sabíamos se sairíamos exatamente próximos aos carros.

Saímos! Olhamos à esquerda… e gritamos de emoção e felicidade! Lá estavam elas! Bem atrás dos carros! O porta-malas aberto! Com as crianças! Fazendo… FAROFA?????

Pois é.

Farofa.

Havia guaraná, bolachas, sauduichinhos, pedacinhos de frango e de linguiça empanados, e muitos oniguiris. Pra quem não sabe, oniguiri é uma iguaria japonesa, que nada mais é que arroz na forma de bolinhos. Muito prático para eventos do gênero.

Bem, o que não tem remédio, remediado está. Vamos comer. Num lampejo de humor (e crueldade), o Paulo virou para Dona Patroa e perguntou:

– E aí? Que tal aproveitar que amanhã é domingo? Vamos pra Cidade da Criança?

Ela riu sonoramente. Até agora não sei se foi por diversão ou por nervosismo…

Nesse meio tempo passou um segurança do shopping, com um olhar incrédulo. Acho que ele nunca viu ninguém fazendo um piquenique de porta-mala num estacionamento de shopping. Bom, a bem da verdade, nem eu. Tentei oferecer-lhe algo, mas ele rapidamente olhou em frente, procurando nos ignorar. Melhor assim.

Nesse meio tempo, Dona Patroa resolveu ir até o banheiro. Como ela estava demorando muito, começamos a confabular se ela teria se perdido novamente.

– Que isso, gente! Com certeza ela deve ter levado um oniguiri, foi tirando umas migalhas e deixando pelo caminho para saber como voltar!

– Ah, é? E se tiver passado aquela dona da limpeza com um vassourão de dois metros varrendo tudo?

– Xiii. Aí complica…

Mas – ainda bem – não foi o caso. Logo em seguida ela voltou e todos nos aprontamos para sair. O carro do Paulo na frente, é lógico, pois não conhecíamos o caminho de volta (e só porque não havíamos pensado nas migalhas de oniguiri antes).

É lógico que essa aventura não acabaria assim, de maneira tão simples. O cartão do estacionamento. O maldito cartão do estacionamento. Enquanto estávamos piqueniqueando VENCEU O PRAZO DE VALIDADE DA PORRA DO CARTÃO! E volta o marmitão aqui, dois andares acima, pra pagar mais um real…

Enfim, aproximadamente doze horas depois de nossa saída, chegamos em casa.

Na verdade parecia que dias já haviam se passado!

Falando sério. Apesar de todas as minhas reclamações e de minha tradicional rabugice, as crianças se divertiram – e eu também! Ainda haveremos de marcar um novo passeio – desta vez para a Cidade da Criança. Desde que eu tenha alguns MESES pra descansar deste último…

E assim, concluímos esta minissérie de cinco capítulos de padrão não-tão-global-assim. Agradeço aos que me aturaram, tenham ou não comentado nossas desventuras!

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Em tempo: vocês puderam perceber que no fatídico sábado ficamos praticamente o dia inteiro sem fumar. No domingo houve um churrasco na chácara de minha tia (a mãe da Pimenta e da Pipoca) para comemorar o aniversário da filha de uma outra prima. Resolvi chamar o Evandro para participar.

Só que o pessoal que estava lá era quase todo evangélico.

Não rolou NEM UMA cerveja.

Merda.