Operação Resgate

Não é de hoje que ando querendo “voltar a desenhar”… Mas sequer consigo arranjar tempo – ou paciência (leia-se “ânimo”) – para ao menos uma caminhada diária, que dizer então dessa tola pretensão?

Bem enquanto – frise-se “enquanto” – isso não ocorre (desenhar, não caminhar), andei resgatando alguns rabiscos que tenho guardado comigo já há muito tempo…

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Este é um dos mais antigos. Se bem me lembro era a ilustração de uma camiseta de meu irmão e que achei bem bacaninha…

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Este aqui, ainda da época do ginásio, vem a provar que desde sempre eu estava fadado a ter uma Harley!

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Quando estudava Administração de Empresas, no segundo grau, haviam algumas aulas simplesmente insuportáveis! E o que me restava era rabiscar nas folhas do meu caderno. Este desenho é fruto de um desses momentos de tédio. Existem outros, mas são impublicáveis…

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Já este daqui, baseado em uma imagem tirada de uma das revistas do Conan, remonta ao tempo em que eu estudava Desenho Técnico Mecânico, na ETEP.

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Falando em Conan, já tratamos deste desenho antes, bem aqui

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Mais alguns devaneios – já não sei mais de qual época…

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Este aqui tem uma longa história – que não cabe nestas parcas linhas. Basta, por ora, saber que foi um “estudo” pensando num “brasão de família”, baseado na figura central, que é a tatuagem que tenho.

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Eis outro desenho que também não sei dizer exatamente de que época foi, copiado de uma das tirinhas do Laerte, referente aos Piratas do Tietê.

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E pra fechar, o guru mutcholoco do Angeli, desenhado quando eu trabalhava no Valeparaibano, como Supervisor de Digitação, e tinha que ficar às vezes horas aguardando o fechamento do jornal…

Vamos ver se crio coragem para trazer algo de novo por aqui. Até mesmo pra saber se ainda resta alguma firmeza nestas trêmulas e ébrias mãos que invariavelmente vos tecla… 😉

Desenhices

Fuçando nas minhas tralhas – nas quais guardo um tanto de coisas de minha longínqua adolescência – acabei encontrando este desenho.

Lembro-me bem de quando o fiz.

Eu estava internado, aguardando uma cirurgia para remoção de um cisto cóccix lombar (nem vou contar o que é isso, mas acreditem em mim quando digo que é tão ruim tê-lo quanto curá-lo…) e, já naquela época, entediado. Tudo que tinha como companhia era uma das primeiras revistas do Conan, comprada numa banca a caminho do hospital, e com o maravilhoso traço do John Buscema.

Chamei a enfermeira e lhe pedi papel e caneta. Tudo que ela conseguiu foi um envelope de exames usado e uma caneta Bic quase no fim da carga! Enquanto não começava a cirurgia fiquei ali, deitado na cama, me esmerando no desenho. Até que ficou bem bom! O suficiente para que DEPOIS DA CIRURGIA a mesma enfermeira voltasse, agora com um bom papel, lápis, borracha, etc e me pedisse para desenhar um Papai Noel pra ela…

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Em tempo: até que minha letrinha de meus 15 anos não tá assim tão diferente da de agora…

Meu Mundo Perfeito

No meu mundo perfeito eu sou casado. Sim, pois por mais que eu goste de meus momentos de solidão, por mais que aprecie poder ter a paz de espírito de me largar em devaneios e sempre reavaliar tudo que ocorre à minha volta, ainda assim eu gosto de companhia. Gosto de poder acordar – ou ser acordado – logo pela manhã e ter alguém para ver, abraçar, aninhar. Gosto de ouvir e ser ouvido. Gosto de debater sem ser julgado. Gosto de fazer pequenas surpresas e de ser gentilmente surpreendido. Gosto de cuidar. Gosto de ser cuidado.

No meu mundo perfeito eu tenho filhos. Minhas crianças, sempre, não importa que idade tenham. São bonitos, inteligentes e amorosos. Gostam de perguntar, de tentar entender como o mundo funciona e apreciam a minha opinião acerca disso. São alegres, divertidos e espirituosos. E eu os amo profundamente – não porque são meus filhos, mas porque eu os criei, cuidei, sofri e me regozijei com cada pequenino novo momento e etapa de suas tenras vidas.

No meu mundo perfeito eu trabalho naquilo que gosto. E, curiosamente, não é preciso chamar isso de “trabalho”. Vejam só: eu faço aquilo que gosto, me dão condições mínimas necessárias para fazê-lo, tenho uma equipe capacitada e dedicada e ainda me pagam por isso? Não, realmente eu não tenho um trabalho e – definitivamente – não tenho um “emprego”. Eu faço aquilo que gosto e ponto final.

No meu mundo perfeito eu ganho o suficiente. Não preciso ser rico. Nunca quis isso. É necessário, sempre, ter limites para que saibamos que eles existem. Ganho o suficiente para sustentar o modo de vida que escolhi. Às vezes pode ter algum aperto daqui, alguma dificuldade dali, mas sempre existem saídas. Sempre é possível dar a volta por cima. Sempre.

No meu mundo perfeito eu tenho amigos. Não importa a idade, o credo, a cor, o sexo, a orientação sexual, o posicionamento político ou seja lá o que for. São amigos. Não estou falando de “colegas”, mas sim de amigos. Aqueles que me são fiéis na mesma proporção em que lhes sou, que me dão apoio e a quem apoio, que me escutam e a quem oriento, que tanto me divertem quanto lhes faço rir, sem cobranças, sem trocas, sem dedos em riste. Como diria Quintana: “a amizade é um amor que nunca morre”. Meus amigos são imortais.

No meu mundo perfeito nada é perfeito. Existem crises – para que as contornemos. Existem fracassos – para que possamos vencer. Existe tristeza – para que possamos nos alegrar. Existem brigas – para que nos reconciliemos. Existe dor – para que possamos ter alívio. Existem distâncias – para que nos reaproximemos. Existe ódio – para que possamos amar. Esse meu mundo é binário (por mais nuances que possam existir entre um limite e outro), pois para cada negativo haverá sempre um positivo. Basta que prestemos atenção o suficiente que conseguiremos enxergá-lo.

E então resolvo sair da utopia e encarar a realidade. E comparando meu mundo perfeito com essa imperfeita vida que levo, na qual reclamo, me entristeço, me revolto, me deixo levar, me deprimo e sabe-se lá o que mais pode caber dentro do coração e da cabeça de um ser humano, percebo finalmente a verdade que não está lá fora, mas aqui dentro: não existe mundo perfeito. Pois todos os mundos são perfeitos. Nós é que somos imperfeitos ao encarar nosso dia-a-dia e, muitas vezes, simplesmente não ter a coragem suficiente de relaxar, sorrir e compreender que o mundo perfeito daquele que está ao seu lado não é melhor ou pior que o seu, pois é dele e a ele pertence. E sim, a vida é um caos – mas de alguma maneira, no final, tudo sempre dará certo. E, chavão dos chavões, se ainda não deu certo é porque ainda não chegou no final.

E um dia de cada vez é o que temos que encarar.

Vivendo, cada qual, em seu mundo perfeito.

Imperfeitamente, é claro.

Outro proseio

– E aí, meu rapaz?

– E aí…

– Êêêê… Já vi tudo. Problemas de novo, né?

– Oi?

– PRO-BLE-MAS. Pê-érre-ô-bê-éle-ê-ême-á-ésse. Problemas.

– É. Mais ou menos…

– Sabe o que é infinitamente incrível? E olhe que de infinito Eu entendo. Você raramente vem aqui, quando vem é porque tem alguma coisa incomodando sua cachola e quando Eu pergunto o que é, você fica com essa infantilidade de “meio que sim”, “meio que não”… Enfim, DE-SEM-BU-CHA!

– Caramba! Calma aí! Um pouquinho de paciência, faz favor.

– Paciência Eu tenho. Divina paciência, Eu diria. Mas se você já sabe o que precisa, então poupe Meu tempo.

– Ei! E aquele negócio de onipresença, hein? Presente em todos os lugares, etc, etc, etc?

– Não é porque Sou onipresente que o tempo passa mais rápido ou mais devagar para cada aspecto de Mim. Aliás, no nosso último proseio já não deixei bem claro que nem precisava vir aqui para Me procurar? Lembra? “Sempre contigo…”

– Sim, sim. Eu sei. É que, apesar de toda esta ostentação, aqui na cidade, na falta de um bosque, de um riacho, de uma cachoeira, fica mais fácil nossa conversa aqui neste lugar. Grande, arejado, geladinho…

– Tá, tá, tá. Mas, e daí?

– Tá bom. Calma. E não adianta me olhar assim, hein? Na nossa última conversa eu estava meio que sozinho, meio que deprimido, lembra? Mas eu já superei isso!

– E?…

– Bom, o problema agora não está em mim. Está nos outros. Estou ficando cansado, muito cansado… Sabe, a mesquinhez desse povo me espanta! No meu dia-a-dia tenho encontrado situações que não dá pra acreditar!

– Não acredito!

– Não?

– Na verdade, sim. Mas continue.

– Tá. Pois bem. Ficar decepcionado com quem não faz parte do seu círculo, tudo bem. Na realidade, é bem isso: faz parte. Sabe, é revoltante suspeitar que algumas pessoas são capazes de jogar sujo – e muito – para conseguir alcançar seus próprios objetivos. Mas é frustrante não saber se isso acontece ou não. Contudo é extremamente decepcionante ter a certeza de que isso realmente acontece.

– Então é isso?

– Não, na realidade tem até mais. Às vezes sou obrigado a assistir pessoas maravilhosas serem engaioladas. Privadas de sua criatividade, de seu fantástico potencial de transformação. Pessoas que, por conta de situações que envolvem seus maridos, suas esposas, sua chefia, seu vizinho – não importa quem! – pessoas que são tolhidas da própria existência, limitando-se a levar uma vidinha controlada, planilhada, regrada, abrindo mão da própria felicidade sem sequer perceber o que verdadeiramente está lhe acontecendo!

– Acho que já estou entendendo…

– Não é por mim. Não mais! É por essas pessoas que não despertam para a realidade! Do quão prejudiciais estão sendo para com os outros ou para consigo mesmas! Será que não percebem? Existe um bem maior! Um plano maior!

– E disso COM CERTEZA Eu entendo!

– Heh… Tá, tá bom. Pedi por essa alfinetada, né?

– Né?

– Então. Estou cansado, extremamente cansado, justamente porque estou rodeado desse tipo de pessoas. Por que é que são assim? Não consigo entender o porquê… Por quê?

– Ah, minha criança… Se algum dia você tiver a resposta para todas essas perguntas, mande engarrafar, rotular, reproduzir e fique rico vendendo esse elixir milagroso…

– Cuméquié?

– O que eu quero dizer é que não há resposta. Ou melhor, há. Sabe onde?

– Em mim mesmo? Nah! Não me venha com esse papinho de novo não!

– Olha o respeito, moleque… Mas perceba bem o quanto você já evoluiu: antes você vinha aqui num estado de autocomiseração, agora você vem PEDIR pelos outros!

– Não estou pedindo por ninguém! O que eu quero é saber como me livrar deles!

– Pensa bem. Não mesmo?

– (…)

– Presta atenção. Você, com seu discursinho autopiedoso, acabou demonstrando mais piedade é pelos outros que por si mesmo. Você vê injustiça nessas pessoas engaioladas em si mesmas e não consegue se conformar com a ideia de que elas não possam ou não consigam se libertar. Não é bem isso?

– É, olhando por essa ótica…

– Então. Mas o que você não sabe – ou não aceita – é que nem todos estão prontos pra voar. Tem gente que, muito pelo contrário, prefere a “segurança” de sua gaiola, mesmo com todas as limitações que ela lhes impõe. Mas sabe o que é pior?

– Não. O quê?

– É que não existe gaiola. Cada um de vocês é dotado com a pequena centelha divina que Eu lhes dei, e, por isso mesmo, têm o livre arbítrio necessário para fazer o que bem desejarem. Apesar de uma gigantesca capacidade tanto para o bem quanto para o mal, a decisão sempre vai ser individual. E impor limites a si mesmos, prender-se em situações – gaiolas – das quais acreditam que não podem se livrar, bem, isso faz parte também desse livre arbítrio…

– Mas não seria melhor acordá-los para a vida? Mostrar que tudo é uma grande ilusão e que cada um pode se livrar de seu próprio sofrimento?

– Você andou lendo aquele livro do Richard Bach de novo?

– Não é isso – apesar de eu praticamente tê-lo de cor em minha mente. É que essas pessoas têm tudo pra ser felizes e não o são! Não querem ser!

– Por uma decisão única e exclusiva delas próprias… Livre arbítrio, lembra? Aliás, você mesmo tem sua própria gaiola sentimental e não percebe, não é mesmo?

– Na verdade, sim… Mas prefiro ignorá-la.

– Decisão sua…

– Como é que Você sempre consegue me fazer sentir como um tolo, como seu eu já tivesse todas as respostas?

– Porque você as tem!

– É, né?

– É.

– Bem, tãotáintão. Vou nessa.

– Tá bom. Vai em paz. E se precisar….

– Sim, sim. Sempre comigo, né?

– Isso… Sempre.

Eterna fuga

Algumas elucubrações mentais baseadas nesta pequena estória de minha vida que não é minha…

Isso mesmo.

Em minhas entranhas uma criatura rosna e diz do que eu preciso.

É a noite que piora tudo.

É quando não suporto mais ficar dentro de nada. Paredes físicas, relacionais ou virtuais.

Eu sou um zumbi, um Holandês Voador, um cadáver… morri há anos. Ninguém sequer percebeu.

E a criatura me impele. E gargalha. E me faz lembrar.

Você é frágil…

Você é pequeno…

Você é menos que nada…

Uma carcaça vazia…

Um trapo que não pode me conter!

Eu queimo sua pele…

E brilho cada vez mais forte e feroz!

Você não pode me conter…

Nem mesmo com o uísque…

Ou com a velocidade…

Ou com o peso da idade…

Você não tem como me deter…

E, mesmo assim, ainda tenta…

Ainda foge!