Por enquanto

Reiteradamente eu costumo dizer que tudo muda e nada muda. E isso nos leva à insofismável constatação de que não há crise que dure pra sempre.

Até porque, como diz a música, “o pra sempre, sempre acaba”

E a conclusão a qual chego é que já é hora de (novamente) sair da caverna. Mas, entendam, eu simplesmente não tenho um “lado Polyana” que me motive. Se saio da caverna não é pra elogiar o maravilhoso Sol lá de fora, mas sim pra poder reclamar dele em alto e bom tom! A minha “polyanice”, a que me deixa de bom humor, está intimamente ligada ao meu bom e velho mau humor, ao sarcasmo cotidiano, ao meu lado sacana que se diverte com isso…

Por mais que eu tente, por mais que eu fuja, é esse meu íntimo que rosna pra sair. É minh’alma e é o que sou. Do exato tamanho que é. Muito do que já fui e muito do que poderia ter sido realmente está enterrado (ou, caso prefiram, numa “bolha”) – e é lá que vai ficar. Tentativas de mudar isso são vãs, frágeis e vazias.

E para poder (re)enxergar tudo isso foi necessária apenas uma boa tarde com meus filhotes. Um bom cinema – com mais pipoca do que poderíamos consumir – antecedido por uma visita a uma boa livraria com um apelo visual delicioso (pois, antes, era um pusta dum bar que infelizmente não conheci). Um propício clima de paz já vinha de véspera, culminando num fraterno foundue com familiamigos e uma tarde com as crias era tudo que eu precisava para sacramentar isso. E dentre todo o divertido o mais divertido foi compartilhar com o filhote nº 1 de ótimos momentos lendo as tiras que ambos adoramos: Garfield.

Assim, rendo-me ao inescapável.

Tomem um pouco de Garfield também para vocês…

Para todos os que teimam em ter um bom humor insuportável…

Para todos os que insistem em tentar me animar…

Para todos os que teimam em me mostrar o dia lindo que faz lá fora…

Para todos os que acham que sabem como me animar…

Saibam que talvez o contrário seja mais fácil!

Pois – ainda que não pareça – tenho plena convicção de meu tamanho…

E que pequenas maldades muitas vezes servem mesmo é para alegrar o dia…

Tudo bem, algumas um pouco maiores também…

E outras menores…

Lembrem-se que comunicação é tudo – e as palavras corretas são importantes…

Mas, mesmo em sua forma mais silenciosa, amigos de verdade relevam até mesmo as palavras…

Não importa se vegetarianos ou mesmo veganos…

Nem a capacidade de um ataque de sono até mesmo no meio dalguma conversa…

Para todos os que cultivam margaridas de todas as cores…

Para todos que duvidam da força dos super-heróis…

Para todos os que se sentem deixados de lado…

Para todos os que compartilham a própria felicidade…

Aliás, para todos os que corroboram minhas idioticas fantasias de velhice…

Saibam que tenho, sim, uma bengala e sei como usá-la…

(Especial para meu pai) E que continuo tendo lá minhas “manias”…

E que se vocês gostam tanto assim do frio, experimentem dormir sem meias…

E, finalmente, deixo aqui uma boa sugestão de diversão para aqueles que ainda tiverem uma torradeira dessas…

Por derradeiro (e só pra constar), dentre outras coisas, eu – que sempre gostei de vinhos tintos suaves – começo a me descobrir um apreciador de vinhos tintos secos (e, mais, minha “uva” predileta parece ser a Carmenère)…

VIVE LA VIE!!!

Referências e identidades

Eis algumas cenas de, na minha opinião, uma das melhores sequências de quadrinhos já feitas. Frank Miller conseguiu o impensável em Dark Knight e mudou para sempre a maneira com que as pessoas passariam a encarar essa arte.

 

 

Total e completamente impossível para mim não admirar e, mesmo, me identificar com o personagem. Inclusive no (mau) humor. É aquele tipo de sentimento que nos invade, nos consome e gargalha de nossa relutante ousadia de combatê-lo.

Sei exatamente o que é isso…

Churrasqueando

Putz!

E não é que está rolando um churrasco justamente ali no vizinho do fundo? Já passa do meio dia, o frio está mais que presente, atrapalhando até mesmo a digitação (é simplesmente horrível tentar digitar de luvas!) e nada me anima a sair de casa…

Mas um churrasco…

Pôxa, bem que eles podiam me convidar, né? “Ei vizinho do fundo (eu, não eles)! Que tal aproveitar que você não está fazendo nada e vir até aqui comer um churrasquinho, hein?” A gente conversaria, daria algumas risadas, eles veriam que eu até que sou um cara legal, tento pagar minhas contas em dia, consigo ter umas tiradas engraçadas de vez em quando, posso até mesmo comentar um livro, música ou filme qualquer – desde que mais antigos.

E no meio de todo esse proseio eu ainda poderia curtir um bom churrasco…

Mas acho que não vai rolar, não.

E o que arrebenta com esta criatura que vos tecla é esse cheiro maravilhoso de churrasco invadindo a casa…

Insônia

Uma noite.

Longa.

Muito longa.

Um disco de blues ao fundo.

Um dos poucos que eu realmente conheço…

Algumas cervejas.

Um maço de cigarros.

Solidão.

Própria, pretendida e merecida.

E me pergunto…

De que são feitos os caminhos?

De pretensões, ilusões, iniciativas, sonhos. Caminhos são nossa eterna busca por aquilo que desconhecemos e, ainda assim, almejamos conquistar. Conseguir. Simplesmente chegar lá – onde quer que seja, quando quer que seja, onde quer que esteja, por onde quer que siga. Os caminhos não foram feitos para se chegar, pois são simplesmente um meio. O chegar não é o fim, o caminho sim. O que importa verdadeiramente é a viagem. Eles  nos levam ao ponto onde pretendemos chegar (ainda que não saibamos) para, de fato, começar um novo caminho. Os caminhos nos levam ao nosso destino.

O que é o destino?

É um sem-fim de possibilidades. Uma miríade de alternativas. E o curioso – como sempre digo – é que, ultrapassadas todas as encruzilhadas, todas as prováveis, possíveis e indefiníveis bifurcações, em algum momento olharemos para trás e veremos que existia apenas um caminho a ser trilhado. Ainda que não o enxergássemos. Mas o caminho era óbvio – depois de ultrapassado. Era o que tinha que ser. Era o destino.

O que é um blues?

É um sax rasgado. Um piano martelado. Um clarinete chorado. Uma corda arrebentada. Um interminável lamento. Uma nota dissonante na constância de nossas vidas que nos leva a um estado de espírito propenso a avaliar, reavaliar e novamente avaliar todos os caminhos trilhados. E chegar à incontestável conclusão que o caminho jamais termina, segue por incontáveis retornos, encruzilhadas e novos caminhos – cada vez mais distantes do pretenso fim que almejávamos, o qual cada vez mais também se torna distante, tal qual miragem que serpenteia na linha do horizonte, delineada, febril, palpável e inatingível.

E o que nos leva a teimar em trilhar esse serpentuoso caminho para este nosso pretendido destino sob os acordes de um blues que nos toca a alma?

Creio eu que, talvez, a esperança. A eterna esperança de que dias melhores virão. Que nossas pretensões serão atingidas, nossas ilusões se concretizarão, nossas iniciativas renderão frutos, nossos sonhos se tornarão realidade. E assim voltamos à motivação que nos leva ao caminho. Que nos leva ao destino. Que, por minha própria escolha, é trilhado no ritmo de um blues. E cujo combustível para se manter em movimento é a própria esperança.

Essa, talvez, seja a verdade que hoje – agora – me serve como explicação para o caminho que decidi trilhar. Incontáveis percalços e incompreensões fazem parte deste meu caminho. Provavelmente não seja o seu, do seu amigo, do seu vizinho, do seu parente – mas, até onde posso perceber, é o meu. Pela simples teimosia de tentar encontrar a miragem que sequer consigo delinear claramente com minha visão ou mesmo com minha mente. Mas é meu. E dele não abro mão.

Resta-me a certeza de estar certo segundo minhas próprias convicções, por mais absurdas que pareçam ao alheio olhar que teima em me julgar segundo suas próprias convicções. Não há certo nem errado. O que existe na realidade, além desse mundo de percepção onde preto e branco imperam – e muito além do cinza (mera nuance da mescla entre ambos) é um terceiro estado, uma terceira palavra, uma que não existe, além do que se define como certo, além do que se define como errado.

E é pra lá que vou.

E é isso que me atormenta.

E é isso que me conforta.

E sigo através de minha própria, pretendida e merecida solidão.

Com um maço de cigarros.

Algumas cervejas.

Com alguns dos poucos blues que conheço ao fundo.

Através de uma longa noite.

Da mais pura insônia…

Medo

Em algum lugar, alguma vez, lembro de ter lido uma frase que dizia algo como “é o medo que nos define”.

É uma afirmação que sempre achei curiosa, devo confessar…

Mas nunca parei muito para pensar nisso.

Até agora.

Se tomarmos essa premissa como verdadeira, temos uma barreira praticamente intransponível para enfrentar. Entendam que quando falo de “medo”, não estou tratando apenas das famosas fobias, daqueles grandes medos que nos impedem de tomar atitudes, paralisando-nos de maneira tal que corremos até mesmo o risco de perder o discernimento entre o certo e o errado. Quando falo de “medo”, refiro-me a todos os pequeninos temores de nosso dia-a-dia, todos os receios, todas as indefinições que também têm o condão de, senão paralisar-nos, ao menos fazer com que hesitemos.

E, creio eu, é aí que reside a singela verdade da frase lá do início. Na maior parte das vezes é através do medo, do receio, que encontramos um limite natural para nossa valentia…

Sim, confuso, eu sei. Mas vamos tentar melhorar um pouco essa linha de raciocínio tentando definir o que, afinal de contas, esse medo – ou “medos” – podem vir a definir? Nossos atos. Nossas vontades. Até mesmo nosso livre arbítrio, por que não?

– medo de fazer a coisa errada – ou a certa;

– medo de não ser aceito – ou de sê-lo;

– medo de não dar conta de suas responsabilidades – ou de dar;

– medo de não ser bom o suficiente – ou de ser ainda melhor;

– medo de não sobreviver – ou de sobreviver a todos;

– medo de não ter resposta – ou de tê-la;

– medo de não estar à altura – ou de se superar;

– medo de esquecer – ou de lembrar;

– medo do passado – ou do futuro;

– medo de não ser amado – ou de amar…

Enfim, os exemplos são incontáveis. Mas, vejam, de um modo geral, quão pequeninos são! A palavra “receio” talvez realmente seja uma substituta melhor nesse contexto… Mas, ainda assim, é possível perceber que ao darmos ouvidos a esses insignificantes corvos crocitando em nossos ombros, realmente estaremos sendo “definidos” por eles! E esses medos nos acompanham diariamente, passo a passo, momento a momento e quando menos esperamos o coração dá um solavanco de insegurança e nos permitimos ser guiados pelo mero receio que um ou mais desses medos se realizem.

Ainda que nunca venham a acontecer.

Mesmo que a lista acima seja um mero exemplo, tenho absoluta certeza que em algum momento qualquer um de vocês já passou por alguma dessas situações, isoladamente ou não.

Por puro medo.

Deixamos de fazer o que queremos, o que gostaríamos ou mesmo o que desejamos – somente para adequar nossas ações a uma expectativa que talvez jamais se cumpra!

E isso é um fato.

E vejo esse padrão repetir-se não só ao meu redor, por aqueles que me cercam, mas inclusive por aqueles que sequer conheço e até mesmo comigo também…

O que nos leva ao ponto primordial que este texto pedia – porque são eles, os medos, que vêm até mim, ainda que eu não os procure.

Não sei vocês. Mas, por mais que pareça uma bravata, tenho certeza absoluta de que uma atitude concreta é necessária. Ao menos para mim. Uma decisão com a qual convivo e devo conviver. Sempre.

Por mais medo que aparentemente me cause.

E é simplesmente simples:

– Recuso-me a ser definido pelos meus medos!

(E vocês? Como ficam?)

Fire Rainbow

“O arco-íris de fogo (fire rainbow) é um dos fenômenos meteorológicos mais raros e bonitos da natureza.”

Concordo.

Tive a oportunidade de que um “arco-íris de fogo” tenha passado pela minha vida. Realmente é um fenômeno tão raro quanto empolgante… Depende, antes de mais nada, de você estar no lugar certo na hora certa. E, mais: existem diversos fatores – talvez até improváveis – que devem estar sincronizados e combinados de uma maneira tal que permita que tal situação exista! Foi realmente uma sensação única poder estar diante dessa presença e curtir muito de seus detalhes…

Bem, a explicação técnica diz que nesse tipo de fenômeno “com aparência similar a um arco-íris horizontal, a refração da luz ocorre dentro dos cristais de gelo encontrados em nuvens cirrus. (…) Esse é um fenômeno muito raro dado a quantidade de fatores que precisam ser combinados para ele acontecer. O Sol precisa estar bem alto (pelo menos 58° acima da linha do horizonte), a presença de nuvens cirrus também é imprescindível e os cristais de gelo das nuvens têm de estar todos alinhados horizontalmente. / A luz que entra nos cristais é separada num espectro de cores, como num prisma, dando a impressão de que toda a nuvem é um arco-íris em chamas.”

Mas, como qualquer grande fenômeno da natureza, apesar de seu encanto, foi passageiro e, diria até, fugaz… Com certeza deverá continuar a se manifestar em outras paragens, mostrando toda sua exuberância contida e, provavelmente, proporcionando uma saudável sensação de paz. Isso porque,  até mesmo pela distância que mantém deste nosso mundinho, não é da natureza do arco-íris causar estragos – ao contrário de nós, pequenos mortais imersos em nossas questiúnculas do dia a dia. Percebo agora o quão privilegiado fui de estar em sua presença e quão tolo fui de não parar, descer do veículo, e simplesmente curtir, me dar ao luxo de me perder em todos seus detalhes enquanto estava por ali…

Paciência.

Assim é a vida.

O verdadeiro ponto a se destacar é a necessidade de sempre tentar manter a capacidade de olhar adiante. Olhar pra frente e procurar não deixar passar despercebidos os arco-íris que surjam em nossas vidas. E, enquanto em sua presença, absorver cada detalhe cada segundo que for possível. Pois nunca saberemos quanto tempo isso irá durar…

Mas esse arco-íris em especial passou.

E, como já disse – e como é de sua natureza -, não volta mais.

Adeus, Fire Rainbow…