“A Lua”

Depois de ler o que o Bicarato citou e o que o Pedro Dória escreveu, bateu uma saudade quando lembrei-me da letra dessa música…

“A Lua – MPB4 – Composição de Renato Rocha

A Lua
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente
Diiiizz!…

Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diz!

A Lua!
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente…

Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diiiiiz!

A Lua!
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diiiiiz!

No youtube: http://www.youtube.com/watch?v=I40qbHFyRkc

Stanislaw Ponte Preta, pai do FEBEAPÁ

Talvez, se vivo fosse, e perguntassem-lhe acerca dessa atribuída paternidade com relação ao FEBEAPÁ, seria bem capaz de responder que pai seria somente em função do reconhecimento em cartório, mas a maternidade estaria muito bem distribuída entre as inúmeras donzelas de vida fácil (FÁCIL?) existentes por aí.

Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do jornalista Sérgio Porto, cunhou de maneira indelével no imaginário brasileiro o termo FEBEAPÁ – Festival de Besteiras que Assola o País. Em plena época da ditadura – e burlando de modo romancesco a censura que então reinava – ele conseguiu reunir em sua obra as mais variadas pérolas do jornalismo brasileiro.

Millôr Fernandes, amigo íntimo do autor, no prefácio de uma reedição de 2006 conta um pouco sobre essa figura ímpar, asseverando seu bom humor à toda prova: “Ele ria, saudável, e continuava recortando, no violento sol da praia, pedaços dos jornais que lia sem parar, aproveitando o tempo. Pois era, como quase todos os humoristas brasileiros, um terrível trabalhador braçal. (…) Tinha uma cultura surpreendente para a sua aparente leveza intelectual e os textos que assinava eram não só extraordinariamente bem escritos como humor, mas também tecnicamente, seu conhecimento formal da língua era bom, a ortografia precisa, até a datilografia era cuidada. De vez em quando, porém, a vida o solicitava demais e ele não tinha dúvida: mandava à merda a técnica, o cuidado, às vezes até a originalidade, porque o dia só tem 24 horas e a vida, como ficou provado, apenas 45 anos.”

De fato. Em 1968, com apenas 45 anos de idade, faleceu Sérgio Porto. Um sujeito que trabalhou duro, sob o lema de que o uísque de nossas noites é ganho com o suor de nossos dias…

Mas o FEBEAPÁ resiste bravamente. Sem sinal de esmorecer. Talvez já existisse desde as mais antigas garatujas ancestrais rabiscadas nas cavernas, revelando desde então a tosca capacidade do ser humano de cometer asneiras. Tanto faladas quanto escritas. Já nos dias de hoje, com o advento da Internet, essa capacidade assumiu proporções praticamente infinitas.

Mas a obra de Stanislaw (Santa Intimidade, Batman!), apesar dos mais de quarenta anos que nos separam dos eventos originais, permanece surpreendentemente atual. Vejam só:

Era o IV Centenário do Rio e, apesar da penúria, o Governo da Guanabara ia oferecer à plebe ignara o maior bolo do mundo. Sugestão do poeta Carlos Drummond de Andrade, quando soube que o bolo ia ter 5 metros de altura, 5 toneladas, 250 quilos de açúcar, 4 mil ovos e 12 litros de rum: “Bota mais rum”.

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Abril, mês que marcava o primeiro aniversário da “redentora”, marcou também uma bruta espinafração do Juiz Whitaker da Cunha no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, que enviara seis ofícios ao magistrado e, em todos os seis, chamava-o de “meretríssimo”. Na sua bronca o juiz dizia que “meretíssimo” vem de mérito e “meretríssimo” vem de uma coisa sem mérito nenhum.

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Quando se desenhou a perspectiva de uma seca no interior cearense, as autoridades dirigiram uma circular aos prefeitos, solicitando informações sobre a situação local depois da passagem do equinócio. Um prefeito enviou a seguinte resposta, à circular: “Doutor Equinócio ainda não passou por aqui. Se chegar será recebido como amigo, com foguetes, passeata e festas.”

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No nordeste de Minas a cidade de Itaboim, que fica à beira da estrada Rio-Bahia, viria para o noticiário depois que o prefeito local plantou lindas e tenras palmeiras para enfeitar a estrada, e a Oposição – com inveja – soltou 100 cabritos de madrugada, que jantaram as palmeiras.

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Até o DASP, repartição criada para cuidar dos quadro de servidores da Nação, consumindo para isso bilhões de cruzeiros anualmente, nomeava para a coletoria de São Bento do Sul dois funcionários que já tinham morrido havia anos. Em compensação, para chefiar seus próprios serviços em Santa Catarina, o DASP nomeava um coitado que estava aposentado há três anos, internado num hospício de Florianópolis.

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Foi então que estreou no Teatro Municipal de São Paulo a peça clássica “Electra”, tendo comparecido ao local alguns agentes do DOPS para prender Sófocles, autor da peça e acusado de subversão, mas já falecido em 406 a.C.

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Nas prefeituras municipais é que o Festival se espraiava com maior desembaraço: o prefeito Tassara Moreira, de Friburgo (RJ), inaugurava um bordel na cidade “para incentivar o turismo”.

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Julho começava com a adesão do Banco Central à burrice vigente, baixando uma circular, relativa ao registro de pessoas físicas, na qual explicava: “Os parentes consanguíneos de um dos cônjuges são parentes por afinidade do outro; os parentes por afinidade de um dos cônjuges não são parentes do outro cônjuge; são também parentes por afinidade da pessoa, além dos parentes consaguíneos de seu cônjuge, os cônjuges de seus próprios parentes consanguíneos”.

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Em  Campos  ocorria  um  fato  espantoso:  a  Associação  Comercial  da  cidade  organizou  um  júri  simbólico  de Adolph Hitler, sob o patrocínio do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Ao final do julgamento Hitler foi absolvido.

:D

Só pra que não passe em branco: muito tempo atrás eu tinha uma das edições do FEBEAPÁ. Na minha recente viagem à Capital encontrei numa livraria a coletânea dos três primeiros livros, tudo numa única obra.

Não tive dúvidas ou remorso.

Comprei-os na mesma hora!

João Victor

Na primeira quinzena desse mês de setembro (que já passou) nasceu o João Victor, filho de minha amiga Simone. Apesar do curto tempo em que estivemos próximos, ainda assim “ouso” chamá-la de amiga, pois é a maneira pela qual trato todas as pessoas pelas quais tenho um carinho muito especial, que têm um cantinho reservado dentro de meu coração. Ela conquistou facilmente esse direito com sua sinceridade, sua humildade, seu bom humor à toda prova, sua garra, seu jeito sincero de brincar com meus filhos, sua maneira franca de conversar com a Dona Patroa, seu amor pela vida… Enfim, ela é daquelas almas iluminadas que a gente teve muita sorte de conhecer.

Parabéns ao casal pelo filhão lindo que tiveram!

Parabéns a você, Simone, pela determinação de trazer essa criança ao mundo!

É o que sentimos de coração, eu, a Dona Patroa e toda a tropinha de casa…

Re-volta

Não se assustem.

Sou eu mesmo.

Adauto de Andrade, sempre a seu dispor.

Vamos (re)começando desse jeitão mesmo, em papel de rascunho. Metade em inglês, metade em português. Bagunçado, como toda casa que passa por reformas. Mesmo assim, ainda estou fuçando para tentar criar um tema do WordPress mais de acordo com a minha cara.

Mas já estava me fazendo mal, MUITO mal, ficar calado. Quieto no meu canto. Sorumbático. Irritadiço. As orelhas ficando pontudas e as garras ficando afiadas. De fato, animalesco. Afinal de contas, como já disse antes por aqui mesmo, enquanto algumas pessoas consultam psicólogos e psiquiatras para desabafar suas neuroses e aliviar seus problemas, eu consigo prefiro fazer isso aqui. On-line. Nesse mundinho virtual que tão bem costuma acolher os devaneios deste velho escriba…

Assim, antes que eu acabe enfartando em algum pico de stress reprimido, volto à ativa.

Tudo apagado, tudo recarregado, algo remodelado, e sempre em fase de eterna reconstrução, eis-me aqui.

De novo.

Se ainda houver alguém por aí, ótimo. Caso contrário, tudo bem, também. Algum dia, em algum lugar, em algum momento, estas malfadadas linhas ainda podem ser úteis para alguém.

Até porque, em que pese a maciça opinião contrária, eu ainda me acho um cara um tanto quanto Legal

Real surrealeza

Às vezes, simplesmente não há o que se falar. Ou mesmo comentar. Um texto muito bem escrito é um texto muito bem escrito e ponto final. Hoje, zappeando (existe isso na Internet?) por aqui e por ali, acabei me deparando com o blog Hoje eu acordei com vontade de escrever, da Aline. O texto a seguir – que é de uma leveza ímpar – foi publicado em 02/08/07, sob o nome de Carteado. No bom e velho estilo Ctrl-C & Ctrl-V, segue abaixo, na íntegra.

Estava lá o rei de copas, majestoso, a espera da sua dama. No começo nem deu pelo tempo a passar, de bate papo com o valete e o rei de paus. Conversa de homens, exageradas histórias de algumas canastras sujas que haviam feito no passado.

Algumas rodadas depois chega a dama. Não a dele, a de paus. Uma morena bonita que levou de rastro os dois companheiros para a mesa. Um às de espadas passou por ali, mas não encontrou nada que o fizesse ficar e foi embora sem nem pestanejar. Os ases são assim, aventureiros. Sabem o valor que têm, reconhecem a sua maleabilidade e ainda assim rodam para lá e para cá, com a certeza de que no momento certo vão decidir o jogo. Deve ser bom ter tanta auto-confiança.

Umas poucas cartas baixas tentavam se arranjar umas com as outras, mas um rei não pode se misturar. Uma das muitas tristezas de pertencer à família real. Mas não se deixou abalar. Pelo menos até ela chegar. Parou de respirar uns instantes quando viu a pele branca que gritava sob o vestido vermelho. Nem por um segundo pensou ser a sua dama. Não confundiria nem a sombra do seu amor platônico, seu objeto do desejo inalcançável desde que se lembrava de si mesmo. Declararia uma guerra para ficar com ela. Mas sabia ser em vão. A dama de ouros não era ainda dama e já arrastava uma carruagem pelo herdeiro do mesmo naipe, um garoto sem graça e afeminado. Doía seu coração vê-la sempre assim, passeando pelo lixo, rodando de mão em mão, à procura daquele rei que – só ela não percebia – era muito mais de valetes do que de damas. Nunca chegou a se declarar. Quase o fez, pouco antes de ser coroado. Mas depois de umas históricas bebedeiras e umas tantas figuras de bobo, decidiu fazer as pazes com o seu destino e aceitar o que era seu.

Deixou-se ser guiado pela sua dama e encontrou o caminho para a felicidade tranquila que os reis merecem. Ao pensar no seu rosto bolachudo e no seu abraço farto, sentiu ainda mais a sua falta e ansiou que fosse a dama de copas a próxima no monte. Não era. Apenas ele e mais um par de cartas desencontradas e sem futuro ainda ficaram ali. O peso da inutilidade é ainda maior para um rei. Reparou no jogo adversário, para se distrair. Sentiu um punhal passear pelo seu coração. Três cartas descem em câmera lenta. Era a sua dama, que sorria à vontade entre o valete de copas e o coringão, num jogo sujo do qual ele não fazia parte e não parecia fazer falta.

– Dama, sua vagabunda!, gritou com a voz trêmula. Era uma carta experiente. Sabia que, por causa daquela traição estava morto. Já não servia nem como lixo.