Serra do Luar

Sono, soninho, eu…

“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”

É uma parte da música Serra do Luar, totalmente apaixonante na voz de Leila Pinheiro. Bem, isso é quase uma filosofia de vida. Tudo bem que é BEEEM difícil (ainda mais pra mim) manter a mente quieta. E a espinha ereta, então? Mas o coração… é, acho que essa seria a parte mais fácil.

Depois de uma noite insone debruçado sobre o trabalho no computador em casa, o dia começa com aquela falsa sensação de ânimo, de lucidez. Porém, pouco a pouco o cansaço vai batendo, o corpo vai pedindo arrego, os músculos vão relaxando, os olhos vão se enchendo de areia…

Zzzzzzzzzzzz…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

O que é um calafrio?

Família:5 x Virose:3

Calafrio. Alguém tem a mais vaga noção do que REALMENTE é um calafrio?

Segundo nosso amigo Aurélio, seria: “S.m. 1. Med. Contração involuntária dos músculos voluntários, acompanhada de palidez cutânea e sensação de frio. [Sin., pop.: arrepio.] 2.Tremor e bater de dentes, com frio, antes de um acesso febril.” Tem, ainda, uma descrição das raízes da palavra que é bem interessante: “[Var., por assimilação, da f. ant. e pop. calefrio, composta de dois elementos de sentidos opostos (à maneira de vaivém), o primeiro proveniente da raiz do lat. calere, ‘esquentar’, e o segundo do lat. frigidu, ‘frio’; ou seja, quente e frio.]”

O que acontece é que a “criançada” de casa tá atacada. Primeiro o Erik pegou uma virose e se desidratou. Depois foi a vez do Jean, que só não desidratou porque já corremos com ele pra medicar. Agora foi a criança grande aqui. Foi uma linda noite, treze horas de cama e colocando os bofes pra fora. Pra quem me conhece e sabe que eu durmo só umas poucas horas por noite sabe que estou me sentindo como se um rolo compressor tivesse passado por cima de mim. E dado ré. Duas vezes.

Mas o pior foram os calafrios. Não tem como descrever, pois é uma sensação pra lá de horrível. A gente tem a impressão de que nunca mais vai conseguir sentir calor de novo. Qualquer semelhança com os dementadores de Harry Potter NÃO é mera coincidência.

Agora estamos aqui, de volta ao trabalho, pois ficar em casa seria pior. Basta que eu mantenha o estômago vazio e tudo vai ficar bem. Espero.

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Aconselhamentos

(Suspiro…)

Não. Nada de tiras hoje. Não que o assunto seja tão sério assim que não permita uma pitada de humor. Somente acho que a abertura já com uma anedota não iria condizer com a matéria a ser abordada. Amanhã ou depois voltaremos com nossa programação normal…

É curioso como as coisas são cíclicas e o ser humano, cedo ou tarde, se vê participando de situações que lhe são familiares. E às vezes sequer concorremos para desencadear tais eventos!

Tem uma pessoa – que lentamente estou descobrindo ser uma amiga – que está passando por uma situação um tanto quanto difícil. Não, não vou dar detalhes do ocorrido, mas digamos apenas que tratam-se de problemas com o “coraçãozinho véio sem portêra”… E tive um longo papo com ela, de um modo que, creio eu, pude ajudar em algo. Não no sentido de descarregar um monte de conselhos ou de filosofias de vida, mas simplesmente de bater um papo. Ouvir um pouco, falar um pouco, fazer um eventual comentário.

E isso lhe fez bem.

E também ME fez bem.

Mais no sentido de saber que posso ajudar – com um simples papo – do que qualquer outra coisa. Não sou tão velho assim, mas compartilhar as experiências de vida que tenho sempre é um tanto quanto gratificante. Como diria o Dória, um amigo dos círculos genealógicos, “O diabo não é sábio porque é diabo. É sábio porque é velho.”

E isso é uma grande verdade.

E na maior parte das vezes sequer percebemos a experiência que temos! Explico. Eu, que muitas vezes me acho um pai relapso e distante, já ouvi: “Queria ser como você, um paizão.” Eu, que por diversas vezes acho que falto com o devido carinho para com a Dona Patroa, já ouvi: “Queria ter um relacionamento carinhoso como o seu.” Uma boa parte do tempo sou portador de um mau humor cavalar e já ouvi: “Queria ter essa sua disposição, esse seu bom humor.” Sou estressado por natureza e – pasmem – já ouvi: “Queria ser calmo e tranquilo como você.”

Será que sou eu o errado, ou o mundo não me enxerga como sou? Tenho certeza de que sou a mesma pessoa em todas as situações, seja em casa ou no trabalho. Tá bom, tá bom, exceto quando tenho que atender algum cliente que espera ver uma postura de advogado, quando então ostento uma profunda voz cavernosa, com dicção perfeita e porte de lorde inglês, atingindo o ápice de meu metro e noventa…

Mas não é esse o caso. O caso é que tanto eu quanto os demais estão plenamente certos. Tudo é uma mera questão de ponto de vista. E assim o sendo podemos tranquilamente ter duas ou mais pessoas com exatamente a mesma atitude mas que SE enxergam de maneira diferente. Pontos de vista. E o bate papo, a troca de experiências, nada mais seria que mostrar um ao outro que os pontos de vista podem ser exatamente os mesmos, podem convergir – basta que se decida assim. Uma vez compreendendo pontos de vista distintos, conseguiríamos também trilhar caminhos distintos. E sem mudar em absolutamente nada o nosso jeito de ser.

Sei que parece um tanto quanto confuso, mas basicamente o assunto se resume naquele velho ditado: devemos aprender com os erros dos outros – até porque não teremos tempo de cometê-los todos! As opiniões de outras pessoas devem sempre ser aquilatadas com parcimônia, afinal de contas, oras, eles não viverão nossas próprias vidas!

Acho incrível a capacidade que as pessoas têm de decidir a vida de outrem. “Isso é o melhor para você”, ou “Não faça dessa maneira, senão vai se arrepender”. Oras, às favas com essas opiniões! Como dizia minha bisa, muito ajuda quem não atrapalha.

Heh… Na verdade acho que estou simplesmente assimilando outros pontos de vista também. Eu, que sempre estou na incansável busca de qualidade de vida, procurando ser um sujeito mais centrado, através da opinião de terceiros acabo descobrindo que JÁ sou assim. Pelo menos sob outros pontos de vista. Acho que falta somente convencer a mim mesmo…

Pois é, gente, a vida é dinâmica, não pára nunca, etc, etc, etc, e acho que temos que SEMPRE procurar melhorar. Pessoas vêm e vão, amizades aquecem e esfriam, paixões começam e acabam. Entretanto as decisões que tomamos são só nossas. NÓS MESMOS é que temos que resolver o que queremos para nossas vidas, traçar uma linha reta e seguir em frente, sem dó nem arrependimento. Ficar confabulando sobre passados possíveis só serve para nos levar a um passo mais próximo da loucura. Lembram-se do filme Efeito Borboleta?

Maníaco por gibis como sou, não poderia deixar de dar uma pitada da matéria aqui. Uma das coleções favoritas que tenho é a do Sandman, a qual retrata a existência dos Perpétuos, sete irmãos que não são deuses, nem mortais, mas aos quais todos se curvam. Sonho, Morte, Desejo, Delírio, Desespero, Destruição e Destino (ou, do original, Dream, Death, Desire, Delirium, Despair, Destruction e Destiny). Ainda falarei mais deles por aqui, mas por ora fiquemos com Destino.

É o mais velho dos irmãos, cego e acorrentado ao livro que contém tudo que já aconteceu e que ainda acontecerá. Caminha, até o fim dos tempos, em seus jardins, que são completamente tomados por labirintos.

E, diz a lenda, você pode passar toda uma existência andando pelos jardins de Destino, sempre com bifurcações e múltiplas opções de caminhos. Mas, se parar, e olhar para trás, verá que deixou atrás de si um único caminho trilhado. Assim é o destino. Hoje, quando olho pra trás, vejo que o caminho que trilhei tinha que ser esse mesmo, e sou sinceramente feliz por isso.

O difícil é conseguir atingir plenamente essa consciência…

Embromation

Reclamou, reclamou… Agora aguenta a chuva…

Realmente esse negócio de PHP é divertido… Devagar (BEEEEEM DEVAGAR) estou aprendendo a mexer com esse bichinho… Ainda que seja uma ferramenta que permita dar mais dinamismo a um site, estou gostando de trabalhar com esses códigos encalacrados em HTML, pois gosto – também – de uma parte estática, na qual eu consiga ter domínio absoluto do que aparece na tela.

A quem interessar possa: a audiência de sábado foi tranquila. De verdade. Não estou sendo irônico. Mais de duzentas pessoas e nenhum agitador! Os raríssimos problemas que surgiram acabaram sendo de ordem pessoal, cujo tempo certamente vai cuidar de cicatrizar.

Mas algumas das questões que, na ocasião, me atormentavam a alma já foram em parte resolvidas. Ainda que Nicolau Maclavellus tenha escrito sua obra máxima por volta de 1513, ela ainda continua atualíssima. E como.

Agora, com um pouco de sorte e paciência, creio que minha vida deve começar a voltar aos eixos. As maiores batalhas já foram – praticamente – resolvidas, restando apenas algumas lapidações a serem feitas em alguns trabalhos a entregar. Alguns prazos a cumprir, o que, É LÓGICO, vai ficar para o último momento do último minuto da última hora do último dia. Nada de diferente do que ocorre na vida de qualquer advogado.

E, ante a inefastável certeza de que não adianta espremer a cabeça para ver se sai algum sumo literário, considerando que a embromação definitivamente não é meu forte, posto que prefiro ao menos tentar escrever algo de útil ou no mínimo aproveitável para quem passa por aqui, despeço-me por hoje.

Aliás, isso me lembrou uma boa anedota, típica da vida política…

“- Senhor Presidente, peço a palavra.

– Tem a palavra, nobre deputado.

– Tenho dito, Senhor Presidente.

– Como? Mas Vossa Excelência não disse nada!

– Disse “tenho dito”.

– Tenho dito o quê?

– O que tinha a dizer.

– Eu sei. Mas o que é que Vossa Excelência tinha a dizer?

– O que disse. Muito obrigado.

– Mas Vossa Excelência limitou-se a pedir a palavra…

– Exatamente, pedi a palavra. E desde que Vossa Excelência ma concedeu, eu vi que nada mais havia a dizer, a não ser o óbvio, gastando inutilmente o tempo precioso desta ilustre Assembléia com uma exploração mais ou menos demagógica de todas as implicações e consequências do simples fato, em si tão significativo, de eu haver pedido a palavra – o que prova que a palavra existe, e pode ser solicitada, requisitada, exigida – uma vez que Vossa Excelência mesmo, ao permitir que eu fizesse uso dela, reconheceu implicitamente não ser a palavra um mito divino, mas um instrumento de comunicação acessível à capacidade humana. Obtendo-a, podemos usá-la ou não, falar ou silenciar, e eu da minha parte, confesso que prefiro silenciar, mesmo porque estou meio rouco e com um pouco de dor de garganta mas de qualquer forma, sei que a palavra me foi concedida, e, assim sendo, não estou condenado à nudez. O resto depende de mim, da minha loquacidade ou da minha parcimônia verbal, da minha audácia ou de minha prudência, da minha coragem ou da minha covardia. Assumo a responsabilidade dos meus atos. Dependendo de mim mesmo – e não dos outros. A palavra existe. E eu peço a Vossa Excelência que mande consignar esse auspicioso acontecimento nos anais. Ainda uma vez, Senhor Presidente, tenho dito. E mais não direi”.

Exemplo significativo de quando se pode gastar as palavras, sem dizer absolutamente nada!

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Expectativa…

Malditos pernilongos!

Pois é. Minha boca ainda está meio seca, mas sobrevivi. Não que o dia de hoje não tenha sido produtivo, mas foi marcado pelos cataclismas habituais que ocorrem por aqui nas sextas-feiras. Acho que até já estou me acostumando com isso…

Se bem que deu PT em duas das pessoas que trabalham comigo (se não souber o que é PT, veja o post de 31/AGO) – mas jurei, sob pena de arder no mármore do inferno, que não iria citar nomes. Pra ódio mortal daqueles que têm a obrigação de chegar cedo, um deles só entra ao meio-dia. NO MÍNIMO, deve ter acordado lá pelas 11h45min. Cruel.

Muito bem, muito bem. Hoje é sexta-feira. O que, para a maioria dos mortais seria o supra-sumo da felicidade pelo advento do final de semana, para mim marca a derradeira noite de expectativa.

Afinal de contas, amanhã, às oito da noite, teremos a segunda (e – ALÁ! – última) audiência pública sobre transporte coletivo na cidade.

É… Vai ser uma LOOOOOONGA noite…

Boa sorte pra mim…

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Esoterices et caterva

Outra. Noite. QUENTE!

E já que falávamos de memória e viagem ao passado…

Existe uma série de procedimentos para relaxamento e meditação que, de quando em quando, utilizo para dormir. Com isso, com apenas três ou quatro horas de sono, consigo recuperar forças, energia e disposição para o dia seguinte. Seria algo como passar direto pra fase do sono profundo logo que se deita, “pulando” etapas e repousando de verdade.

E curiosamente – não me perguntem o porquê – lembrei-me da pessoa com a qual aprendi a primeira fase disso, o relaxamento.

Eu deveria ter uns treze anos e meu irmão mais velho, hoje respeitável engenheiro poliglota em uma multinacional de Curitiba, na época – se não me falha a memória – estava enfiado em uma comunidade alternativa no interior do Rio de Janeiro. E eis que, do nada, ele aparece com duas ripongas na casa de meus pais: uma alta e loira, fissurada por mapas astrais, e outra, adepta da meditação transcedental, mais baixinha e gordinha, de pele muito branca, profundos olhos verdes e cabelos pretos e curtos. E é tudo que me lembro dela – juro, Mi… AI!

Mas, bem no estilo da música Eduardo e Mônica, apesar da diferença de idade tivemos um pseudo-namorico, e, no curto período em que ficou em casa, ela me ensinou algumas técnicas de relaxamento que nunca mais esqueci – e que acabei combinando com outras esoterices (???) que aprendi mais tarde.

Mas por que mesmo eu estou falando sobre isso? Sei lá… devaneios, eu acho, de mais uma noite quente de inverno.

Aliás, pra não passar em branco, semana passada aprendi uma nova. E, segundo uma grande amiga, toda vez que se aprende algo novo deve-se utilizar pelo menos três vezes para nunca mais esquecer. Na quinta passada foi comemorado o aniversário de uma colega de trabalho, sendo que houve comparecimento quase total do povo. Eu, pianinho como sou, e antes que virasse abóbora (ou pasta de), puxei o carro lá pelas dez e tantas, deixando a balbúrdia etílica que se fez presente. Muita gente foi pra lá visando partir pro crime (e sei de alguns que realmente partiram), mas como já deixei essa praia há muito, o único lugar para o qual eu parti foi pra casa.

No dia seguinte… Bem, encontrei com a Fernanda, uma amiga que participou do massacre, e perguntei como foi o restante da noite. E ela: “IIIHHHH, cara. Cê nem imagina. Deu PT na Jose e no Ed. PERDA TOTAL. Até agora não chegaram.”

“Perda Total”. Achei ótima essa. Traduz bem o estrago que deve ter sido…

Aliás, a Fernanda é nossa artista de plantão. Ao saber do carinhoso apelido pelo qual tratamos nosso chefe – “Senhor Incrível” – ela providenciou a “arte” aí de baixo. Como, mesmo após ter pregado essa figura no lado de dentro da porta do chefe eu ainda continuo empregado, creio que ele se divertiu…

Sr. Incrível

Tirinha do dia:
Deus!