Quatorze

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Caramba!

Quatorze anos!

Pois é, filhote, o tempo passa…

Acho que não preciso repetir tudo que já disse aqui, quando de seus dez anos; nem tampouco preciso colocar novamente todas as fotos de seus aniversários, conforme já tinha feito aqui, quando de seus treze anos.

Mas o registro tem que ficar. Tem que ser feito. O primeiro de três filhos cujo amor não tenho como mensurar – não se ama mais este ou aquele, mas sim a cada um de um modo único e especial.

E hoje é o seu dia especial.

Feliz aniversário, filho.

Aquilo que faz a diferença

E eis que neste final de semana comemorou-se os setenta anos do Doutor Fábio Cesnik.

Uma das pouquíssimas pessoas que faço questão de chamar por esse título. E, para quem me conhece um bocadinho (bem como à minha chatice), sabe o quanto isso significa…

Enfim, eu e Dona Patroa estivemos presentes à festa. Uma delícia! Ainda que não conhecêssemos a maioria das pessoas presentes, era nítido o clima de real alegria, de união familiar, de amizade, de verdadeiro respeito. E um detalhe que faz toda a diferença: aos sete-ponto-zero veio também a aposentadoria compulsória da corporação.

E foi ali, entre pessoas queridas que esse senhor, essa simpatia em pessoa, delegado, benfeitor, artesão, proseador de primeira – foi ali que se deu o causo e a mais singela e emocionante homenagem que já vi.

Que me perdoem todos os demais oradores da noite – e não foram poucos -, aos quais reconheço e credito discursos sinceros e comoventes, cada qual abrangendo uma pequenina faceta da vida do nosso mui digno aniversariante, seja como profissional, como amigo, como pai, como benemérito. Mas o que verdadeiramente me tocou foram as palavras dessa senhora, prima querida e mais velha do Doutor Fábio.

Reescrevo de memória – que nunca foi lá grande coisa (ainda mais depois de quatro ou doze uísques) – as palavras que ecoaram em nossos corações naquela noite:

“Eu sou prima, aqui, do Fábio. Aliás, como sou mais velha – tenho oitenta anos – na verdade ele é que é meu primo já há setenta anos! Apesar de morar em São Paulo e ele aqui, tão pertinho, nos vemos muito pouco. Mas essa frequência não corresponde ao tamanho do amor que sentimos um pelo outro – e há tanto tempo!

Então resolvi comprar alguma coisinha, uma lembrancinha, para esse meu tão amado primo. Fui numa loja que conheço e que adoro muito pela quantidade de badulaques e lembranças diferentes e originais que se pode encontrar. Tem de tudo por lá! Mas, ainda assim, não sabia o que lhe dar de presente. Então uma vendedora veio tentar me ajudar a escolher algo.

– A senhora sabe para qual time ele torce?

– Não, não sei não…

– Tudo bem. Então, que número ele calça?

– Também não sei.

– Talvez o número da camisa que ele usa a senhora saiba?

– Não, também não.

– Certo… E de vinho? A senhora sabe se ele gosta de vinho?

– Não, não sei…

E nessa conversa, quanto mais ela me perguntava parece que menos eu sabia. Fiquei impressionada e, confesso, assustada, ao descobrir que, apesar do amor gigantesco que sinto por esse homem, quão pouco verdadeiramente o conheço. Nos detalhes. Nos pequenos gostos. Naquilo que faz a diferença.”

Bem, de minha parte, confesso que não me recordo mais do final do discurso. Não tinha como. Depois dessa frase minha cabeça entrou numa espiral, reconhecendo a força e a importância dessas palavras, ao mesmo tempo que buscava saber o quanto verdadeiramente conheço quem amo.

E é impressionante a verdade disso tudo. Vivemos com nossas pessoas amadas por anos e anos a fio. Somos criados, criamos, compartilhamos, convivemos. E tão pouco sabemos sobre elas…

Pois, nesse caso, a riqueza – a verdadeira riqueza – está nos detalhes. Nas pequeninas coisas, às vezes do dia a dia, às quais conseguimos ter a delicadeza de perceber. O tipo de roupa que gosta de usar, os autores que gosta de ler, se suave o perfume, se delicada a jóia, se salto ou saltinho, se tinto ou branco, seco ou suave, margarina ou manteiga – até o quanto de leite vai no café. Podemos não perceber e mesmo automatizar um ou outro destes gestos. Mas, ainda assim, continuam tendo seu significado, demonstrando o quanto verdadeiramente conhecemos, respeitamos e queremos simplesmente agradar. De graça. Do nada. Porque amamos. Porque sabemos que faz a diferença.

Então, primeiramente tenho que agradecer sinceramente ao Doutor Fábio. Pois foi por participar dessa reunião de amor fraternal e familiar que tive a possibilidade e a honra de conhecer as palavras de tão profunda sabedoria daquela que é prima há mais de setenta anos. O aniversariante foi ele, mas o presenteado fui eu.

E, no mais, deixo uma pergunta para todo incauto leitor que por aqui passar: quão verdadeiramente você conhece a pessoa que ama?

Pense nisso.

Pense nos detalhes.

Busque, dentro do seu íntimo, a solução.

E, como muitos, perceba suas respostas mudarem.

Ao menos até que consiga enxergar o que verdadeiramente faz a diferença…

Corrida Maluca

Ou, se preferirem no original, “Wacky Races”!

Acontece que numa de minhas surfadas internetísticas, enquanto estava procurando um outro vídeo, com essa “mania” agora que o Youtube tem de soltar umas propagandas obrigatórias, acabei me deparando com esse vídeo.

E gostei!

Estão de parabéns os publicitários que buscam maneiras diferenciadas de chamar a atenção para um mundo de propagandas – em tese estagnadas por falta de criatividade – e conseguem fazer com que tenhamos interesse pelo produto. Ou, pelo menos, que prestemos atenção nos detalhes do produto!

Tudo bem que esse tal de “novo” Peugeot 208 não é pra mim. Jamais seria. Continuo firme e fiel ao bom e velho Opala. Mas é impossível negar que esse reclame teve a capacidade de fazer subir ao paladar um saudoso gostinho de infância… Conseguiram “transformar em filme” um desenho que – posso arriscar dizer – absolutamente todo mundo gostava. Estão lá, bem representados em toda sua maluquice (e efeitos especiais) Barão Vermelho, Dick Vigarista, Quadrilha de Morte e tantos outros…

Mas, enfim, confiram por si mesmos!

 
Agora, cá entre nós, vamos combinar que o Dick Vigarista sempre foi uma besta, né? Invariavelmente com o carro mais turbinado e possante do que todos seus concorrentes ele sempre se ferrava tentando colocar em prática as armadilhas malucas dele.

Mas, de volta ao comercial, o final com a Penélope Charmosa é perfeito.

E o Mutley, pra variar, impagável!

Dias do passado

Já que andamos com esta inenarrável falta de assunto, sem imediatos prognósticos para o futuro, vejamos o que de interessante nos diz o passado acerca deste 15 de abril:

1452 – Nasce Leonardo da Vinci, artista e engenheiro renascentista italiano.

1865 – Morre Abraham Lincoln, presidente norte-americano.

1874 – Uma exposição organizada pelo atelier de Nadar, em Paris, da qual participaram Monet, Renoir, Cézanne, Degas e Manet, dá origem ao movimento chamado Impressionismo.

1912 – O naufrágio do Titanic. Em 15 de abril de 1912, o Titanic, o maior e mais luxuoso transatlântico do mundo, com 10 andares naufraga, após se chocar contra um iceberg perto de Terranova. Morrem 1.513 pessoas, e apenas 705 sobrevivem por problemas com barcos reservas. O navio havia partido de Southampton e se dirigia à Nova York.

1927 – Um grande terremoto atinge Santiago do Chile.

1931 – Os escritores Oswald de Andrade e sua esposa Patricia Galvão, a Pagu, são presos.

1940 – Segunda Guerra Mundial: Forças aliadas desembarcam em Narvik (norte da Noruega).

1959 – O ditador cubano Fidel Castro visita os Estados Unidos pela primeira vez depois da revolução.

1979 – Nasce Larissa de Mancilha Dias.

1980 – Morre Jean-Paul Sartre, escritor e filósofo francês.

1990 – Morre Greta Garbo, atriz sueca.

E já que hoje também é o Dia Mundial do Desenhista, eis uma singela homenagem a Greta Garbo…

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Caco e Forcinha – lembranças de dois malucos

Sei que já há um bom tempo não conto nenhum causo por aqui… Sinal dos tempos, da correria, das obrigações, da correria, das responsabilidades, da correria, da preguiça, enfim, em resumo: da correria.

Mas também já há alguns dias tenho algumas lembranças me martelando a memória e pedindo pra sair. Não sei exatamente o porquê, mas vamos lá!

“Caco” e “Forcinha” são dois amigos da minha já distante adolescência. Dois malucos (no sentido amplo da palavra) que invariavelmente estavam com suas motos em todo e qualquer ponto do pacato bairro de Santana, Zona Norte de São José dos Campos, verdadeira e legítima estância hidro-mineIral (água embaixo, mineiro em cima). Ambos cabeludos e loucos como só eles sabiam ser, mestres do wheelie, viviam empinando suas motos em toda e qualquer oportunidade nos áureos anos do início da década de oitenta. Não me lembro mais da moto do Forcinha, mas o Caco com certeza tinha uma Yamaha DT 180 – só não consigo lembrar se preta ou vermelha. Ah, essa memória…

O irmão do Forcinha tinha uma oficina de motos – de aparência tão maluca quanto a de todos os irmãos – que era constituída de um amplo salão e, logo após a entrada, havia uma escada de concreto com largos degraus, tendo correntes estilizadas como corrimão e que ia de lugar nenhum a lugar algum: começava no nada e acabava na parede. Assim, no nada mesmo. A qualquer um que chegasse e tivesse a petulância de perguntar o porquê daquela escada, a invariável resposta era:

“Stairway to Heaven, cara! Stairway to Heaven…”

A bom entendedor, meia palavra basta.

Certa vez, num conversê de cachoeira lá em São Francisco Xavier, o Forcinha – magrelo como ele só – me contou que tinha problemas com a virada do tempo por conta dos pinos que tinha no corpo (o que hoje, com meus dois quase espanados parafusos no joelho, compreendo muito melhor). Também não lembro mais a quantidade, mas sei que era muita coisa. Mesmo. Perguntei-lhe como foi aquilo, se tombo de moto ou o quê.

“Ah, foi, também. É que foram dois acidentes. Primeiro eu bati a moto no meio de um poste.”

Até ali nada demais. Mas ele fez uma cara de riso nem um pouco disfarçada me instigando a perguntar o que mais tinha por trás daquele acidente, de modo que não resisti. Perguntei. E ele explicou que não bateu simplesmente no meio do poste “na horizontal” – mas sim “na vertical”.

“Cumassim???”

Correndo demais (como sempre) no alto de uma subida simplesmente decolou e foi pro ar. Mas calculou (muito) mal a “aterrisagem”, pois foi pro lado. E no meio do caminho havia um poste. E havia um poste no meio do caminho. E ele se esborrachou no poste. E as pessoas que chegaram depois não entendiam aquele cara estendido no chão, a moto destruída e nenhum sinal de carro ou de batida por perto. Até que olhassem para cima e visualizassem a alguns metros do chão, abaixo dos fios e acima das placas, a nítida marca do acidente no poste…

“Putz… E o outro acidente?”

Assim como quem não quer nada, como se tivesse sido a coisa mais trivial do mundo, respondeu-me:

“Capotei um jipe.”

Isso mesmo. Um jipe. Já imaginaram? Sem capota, tudo aberto, rodopiando de lado como nos filmes de ação e com aquele magrelo firme no volante girando junto com o bólido. Não vou entrar nos detalhes do resgate nem tampouco da experiência extra corporal de quando ele estava na UTI. Mas ele foi praticamente reconstruído (santo Steve Austin, Batman!), com direito a placa no crânio e tudo o mais. E ali estava ele, magrelo, bem vivo, bem maluco, feliz e brincalhão como sempre, curtindo uma cachoeira como se nada disso jamais tivesse acontecido…

Doutra feita, num dos costumeiros acessos de loucura de ambos, Caco e Forcinha começaram uma discussão:

– Eu sou mais maluco que você!

– Claro que não! Eu é que sou mais maluco!

– Nada! Sou eu!

– Eu!

E tocaram a fazer todas as proezas que se pode – ou não – imaginar. Concluíram pelo empate. Mas a discussão não acabou ali.

– Ok, na moto estamos iguais. Mas na prática eu sou mais maluco que você!

– De jeito nenhum, eu é que sou!

E resolveram provar sua maluquice. Tradicionais e conhecidíssimos pelos cabelos nas costas e barba no peito, entraram numa barbearia. Sentaram-se ao mesmo tempo em duas cadeiras lado a lado. Chamaram os barbeiros.

“Tira a barba” – em uníssono.

E toca os barbeiros, com aquela cara de interrogação, a escanhoar os rapazes até que suas jovens feições aparecessem novamente…

Empate.

Um olhou para o outro. Já com raiva. Ainda deitados nas cadeiras, cada qual esticou o braço e segurou o outro pela camisa, na altura do peito. E a outra mão em punho fechado. Já sabiam qual seria a próxima “prova” pra conferir quem seria mais louco. Mas também cada qual queria se certificar que o outro não fugiria no meio do caminho…

“Raspa” – rosnaram ao mesmo tempo.

Os barbeiros, já não sabendo se deveriam se divertir ou temer aqueles dois comprovados malucos, passaram ao trabalho de tosquiar a cabeça dos agora imberbes motoqueiros.

Final de serviço, novo empate.

Com um nada dissimulado ódio da situação, pensando como numa única mente pra onde é que agora iriam, foram no que sobrou: as sobrancelhas. A princípio nenhum dos barbeiros queria levar aquilo adiante, mas ao final acabaram também cedendo. Cada qual passou a Gilette no seu freguês, deixando-o mais próximo de Roger Waters, em The Wall, que qualquer outra coisa.

E naquela nova bizarra aparência ambos se levantaram.

Os barbeiros se afastaram.

Ambos se olharam.

Se mediram.

Se encararam.

E…

Tiveram o mais monumental acesso de riso jamais outrora registrado na face deste nosso planetinha Terra!

Anos de cabelo e barba se transformaram em horas de trabalho no chão. E esses dois malucos, amigos-irmãos, tiveram a absoluta certeza de que não importava quem fosse mais maluco, desde que estivessem perto um do outro pra poder rir um pouco de toda aquela doideira…

Não sei mais desses dois. Nunca mais vi. Nunca mais ouvi falar. Conhecia muito mais o Forcinha que o Caco, mas podia tranquilamente me dizer amigo dos dois. Até porque o divertido era a “química” de ambos. Espero que ainda estejam por aí, assim como também poder encontrá-los, nem que seja só pra saber de outras maravilhosas maluquices que, certamente, já aprontaram e ainda devem estar aprontando por este mundão afora!

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Mas toda essa (re)lembrança foi simplesmente pra manter a linha e a mão na escrita, de modo a pelo menos tentar fazer jus à menção honrosa que a amiga virtual Edna Medici fez a este nosso humilde – mas Legal – cantinho virtual, bem como a este contador de causos (mas prefiro o termo “causídico”) que vos tecla.

Se quiserem conferir – e, de quebra, descobrir outros indicados sabores de endereços virtuais bem próximos – dêem uma olhada lá na página 54 da revista Absolut. Sim, essa mesma que está aí embaixo!

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