Perdidos pelo caminho

A última semana foi um tanto corrida, não parei em casa um dia sequer! Estava na companhia dos meus queridos avós resolvendo uns assuntos e num desses dias fomos a uma clínica. Lá, diante de tantas pessoas, comecei a pensar sobre as estradas da vida (sim, questionamentos filosóficos em uma sala de espera – a pessoa aqui não é muito normal). Nossas escolhas e “não escolhas”.

– Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
– Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o gato.
– Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.
– Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas – replicou o gato.

Esse é um dos meus trechos favoritos da obra de Carroll. Alice estava perdida e tudo o que queria era sair daquele lugar estranho. Ela apenas queria ir embora dali, não importa para onde fosse – qualquer coisa era melhor do que aquele lugar. Quantas vezes não nos sentimos como Alice? Perdidos pelo caminho…

A vida corre, a vida segue. Não importa se estamos atarefados entre as pilhas de papéis na empresa ou se estamos de pernas para o ar na praia.

Algumas coisas estão tão profundamente marcadas em nossa alma, que tentar apagá-las seria o mesmo que tentar arrancar um pedaço de nós. O tempo cura tudo – é o que dizem – e talvez cure mesmo. Mas acredito que “cura” não seria o termo adequado. Quando o nosso coração está partido é através do tempo que encontraremos uma solução. Não esqueceremos “aquele momento”, afinal, ele faz parte do que somos! Maturidade não vem necessariamente a cada aniversário; ela vem a cada experiência – seja boa ou ruim.

Conforme o tempo atravessa nossa face, as experiências vão se tornando cada vez mais desafiadoras, e isso nos torna mais “nós” – mais fortes, juntamente com a consciência da fragilidade. Aprendemos a perseguir os nossos sonhos, mesmo que todos à volta nos digam que não vale a pena. Aprendemos que às vezes, perder significa ganhar; e que o amanhã reserva um presente maravilhoso para aqueles que acreditam. Aprendemos a amar, a perdoar, a arriscar, a nos doar. Aprendemos a nos tornar mais humanos, e é exatamente aí que habita o segredo da grandeza – na simplicidade do ser.

Voltando para a solução, certamente não é esquecer. Não gosto muito da palavra que vou usar, mas creio que a solução seria aceitar. Isso mesmo, “a-cei-tar”. Pegar toda essa dor que estamos sentindo e vivê-la de maneira adequada – chorar, gritar, relembrar e então guardá-la numa caixinha. Com o tempo ela irá diminuir e acredite, é possível sobreviver! Depois de toda grande tempestade, por mais terrível que pareça, o sol – sempre o sol – volta a brilhar no céu. Ele vai nos iluminar, nos aquecer e embelezar o nosso dia. E quando no futuro os fios alvos fizerem morada entre nossos cabelos iremos relembrar de tudo com um sorriso nos lábios.

A foto que escolhi para essa crônica traz a seguinte mensagem: “Not all those who wander are lost” (Nem todos que andam por aí estão perdidos). Por mais que as adversidades façam com que nos sintamos perdidos, se escolhermos continuar a caminhar, mesmo que não saibamos exatamente para onde, estaremos no caminho certo. Se você conhece a história de Alice, sabe muito bem que isso é verdade.

Sté Spengler

Dia do Fotógrafo

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Ou, se preferirem, Dia da Fotografia ou Dia Nacional do Fotógrafo ou até mesmo Dia Nacional da Fotografia. Estejam à vontade!

Segundo nosso amigo Wikipédia, fotógrafo é a designação profissional para alguém que elabora fotografias estáticas ou dinâmicas. O termo abrange atividades profissionais em campos como, por exemplo, fotografia de filmes, fotojornalismo, fotografia de publicidade, fotografia de natureza, fotografia de moda, aerofotografia, fotografia subaquática, fotografia documental, fotografia de guerra, fotografia panorâmica e outras tantas mais variações sobre o tema.

Até onde sei essa profissão não é regulamentada no Brasil – ainda que existam “esforços legislativos” para tanto. Sinceramente não sei avaliar o quanto uma legislação nesse sentido seria benéfica ou não para quem está na área, pois acabaria tendo o condão de transformar em agente fiscalizador uma dessas diversas associações profissionais existentes – normalmente de caráter meramente cultural e representativo para quem trabalha com fotografia.

Mas o que não consegui descobrir foi o porquê do dia 8 de janeiro. O daguerreótipo – precursor das câmeras modernas – foi criado em agosto de 1839. Sua chegada no Brasil, ao que consta, foi em janeiro de 1840 – mas não foi nesse dia. Aliás chegou e foi direto para as mãos do Imperador Dom Pedro II, apaixonado que era por todas as traquitanas tecnológicas da época, o que lhe dá o título também de primeiro fotógrafo brasileiro…

Bem, só pra constar, o pesquisador francês radicado no Brasil, Hércules Florence também descobriu – e batizou – a fotografia cerca de seis anos antes de Daguérre, por volta de 1832. Mas parece que nunca foi reconhecido “oficialmente” por isso. Curioso como as grandes invenções da história costumam surgir paralelamente em diversos locais do mundo, como se a mesma onda de criatividade banhasse os seres humanos com sua energia ao redor do planeta…

Mas, pra variar, já estou viajando.

Foco.

O que é naturalmente indispensável para o dia de hoje!

Então deixo-lhes a música animada de nosso amigo Déo Lopes e sua turma, em homenagem a todos os fotógrafos de plantão – quer sejam profissionais, amadores, eventuais ou mesmo os lambe-lambe do dia a dia!

Basta clicar no botãozinho de Play aí embaixo…

Trem da Viração – Fotografista

 

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