Isabel Pedrosa

E aqui, na sequência, seu inventário.


 INVENTÁRIO de ISABEL PEDROSA

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 | Arquivado no Museu Regional de São João del Rei - Caixa 189        |
 | Transcrito por: Edriana Aparecida Nolasco                          |
 | Transcrito em :                                                    |
 | Solicitante   : Regina Junqueira                                   |
 | Objetivo      : Dados Genealógicos                                 |
 | Inventariada  : ISABEL PEDROSA                                     |
 | Inventariante : MANOEL DA COSTA SILVA                              |
 | Inventário em São João del Rei em 1813                             |
 | Número de folhas originais: 110                                    |
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 - FL.001 -

 Inventário dos bens que ficaram por falecimento de Dona Isabel Pedrosa
 de quem é Inventariante e Testamenteiro  seu  filho  Manoel  da  Costa
 Silva.

 Data: 20-10-1813

 local: Fazenda do Ribeirão de São João, Aplicação de Nossa Senhora  do
 Porto, Freguesia de Lavras do Funil Termo da Vila de São João del Rei,
 Minas e Comarca do Rio das Mortes.

 - FL.001/VERSO -

 Declaração

 (...) logo declarou que sua mãe havia falecido aos sete dias do mês de
 Abril deste mesmo ano  de  mil  oitocentos  e  treze  com  seu  solene
 testamento (...).

 - FL.002 -

 Filhos

 01- Maria de Nazaré, viúva.

 02- Ana Rodrigues, viúva

 03- Isabel Rodrigues da Silva, vi[uva

 04- João da Costa, casado

 05- Manoel da Costa Silva, casado

 06- Antonio da Costa, casado

 07- Ana Inácia,. casada com o Capitão Thomas de Aquino, já falecida, e
 tem filhos.

 08- Domingos Rodrigues Goulart, casado, já falecido, tem filhos.

 Netos, filhos da herdeira falecida Ana Inácia:

 01- Luis, solteiro, de idade de vinte e quatro anos.

 02- Francisca, casada com Carlos José.

 03- Luciano, viúvo.

 04- José, solteiro, de idade de dezoito anos

 05- Clara, viúva

 06- Manoel, solteiro, de idade de dezesseis anos.

 07- Maria, casada com Joaquim José.

 08- Silvério, solteiro, de idade de quatorze anos.

 09- Ana, solteira, de idade de treze anos.

 10- Theresa, solteira, de doze anos.

 11- Rita, solteira de dez anos.

 12- Felicidade, de nove anos.

 13- Francisco, de idade de oito anos.

 Netos, filhos do herdeiro Domingos, já falecido:

 01- José Rodrigues, casado

 02- Antonio Rodrigues, casado e já falecido e tem filhos.

 03- Ana Hipólita, casada com José Ferreira Martins.

 Bisnetos, filhos do neto Antonio Rodrigues, falecido.

 01- Domingos, de idade de cinco anos.

 - FL.004 -

 Bens de Raiz

 - uma parte das casas de vivenda, terreiro, quintal e  mais  pertences
 100$000

 - em parte da fazenda de culturas e campos de criar e  mais  pertences
  40$000

 - um oratório com todos os seus pertences  12$000

 - FL.021 -

 Diz Manoel da Costa Silva testamenteiro e  inventariante  de  sua  mãe
 Dona Isabel Pedrosa (...) declarar no mesmo Inventário  os  dotes  que
 seu pai João da Costa Guimarães  deu  aos  filhos  de  José  Rodrigues
 Goulart, primeiro marido da mãe do Suplicante, cujos dotes são:  Maria
 de Nazaré, casada com José Garcia; Ana Rodrigues, casada com Francisco
 da Silva; Isabel Rodrigues, casada com José Lemes de Andrade (...).

 - FL.030/VERSO -

 Adição - Divida Ativa

 - Leandro Homem    80$000

 - herdeiro Capitão Thomas de Aquino  36$969

 - FL.035 -

 Adição - Bens de Raiz

 - parte do valor da fazenda de cultura cita  no  Ribeirão  de  S. João
 891$839

 Monte Mor  2:019$754

 - FL.048 -

 Diz José Rodrigues Goulart neto e herdeiro  da  falecida  Dona  Isabel 
 Pedrosa (...) se deu quinhão ao Suplicante e  a  seus  irmãos  Antonio
 Rodrigues,  já  falecido;  Ana  Hipólita,  casada  com  José  Martins;
 sucedendo ao dito Antonio Rodrigues seu filho Domingos que  terá  hoje
 nove anos de idade (...).

Reinstalando o instalado – Fase III

Não ficou bom.

Sou (às vezes) um tanto quanto perfeccionista, e, para mim, ainda não ficou bom.

É que, após “espetar” as placas sobressalentes – de fax-modem e de som – para configuração, foi que percebi que a placa de vídeo (on board) não estava necessariamente configurada e isso me deixou com uma pulga atrás da orelha.

Tentei configurá-la através do próprio Windows e não deu.

Tentei configurá-la através do CD de instalação e não deu.

Tentei configurá-la através de atualizações automáticas e não deu.

Seria agora questão de descobrir o porquê disso, pois sem o driver (programa de instalação e ativação do hardware) correto para a placa de vídeo não será possível uma resolução melhor que 640 x 480 e muito menos uma quantidade de cores decente.

Poderíamos estar na presença de alguma incompatibilidade da versão do sistema operacional face o drive utilizado. Ou seja, o driver seria antigo para o XP SP3. Tá, é um chute, mas alguma coisa deve ser tentada…

Então, recomecemos do princípio – mas agora com o XP original, também.

Voltei ao Setup do computador (apertando a tecla DEL quando da inicialização) e, lembrando que estamos com uma motherboard ASUS P5S800-VM, para que não restassem dúvidas, refiz algumas alterações.

Em primeiro lugar novamente recarreguei a “configuração de fábrica” através dos menus Exit -> Load Setup Defaults.

Depois, em função daquela questão do disco rígido, desativei os controladores SATA em Main -> OnChip SATA Controller -> Disabled.

Daí foi a vez de ativar a função on board da placa de vídeo, pois originalmente sua configuração vem para que se instale uma placa PCI ou AGP (que seria quando da instalação de uma placa de vídeo específica na baia PCI ou AGP, conforme o caso). Isso estava lá em Advanced -> Chipset -> NorthBridge SIS661FX Configuration -> Primary Graphics Adapter -> On Board AGP.

Aproveitei que já estava nessa tela e também dei uma acelerada numa função específica do vídeo on board lá em Advanced -> Chipset -> NorthBridge SIS661FX Configuration ->AGP Fast Write Control -> Enabled.

E, já que os dois giga de memória estão plenamente funcionais, nada melhor que dar um pouco mais de folga às funções de vídeo, o que foi possível com Advanced -> Chipset -> NorthBridge SIS661FX Configuration -> Share Memory Size -> 128 Mb.

Configurada a função on board do vídeo, não haveria necessidade de alocar recursos específicos do sistema para a instalação de uma placa fisicamente, de modo que também reconfigurei essa opção em Advanced -> PCIPnP -> Allocate IRQ to PCI VGA -> No.

Por fim, como instalaremos uma placa de som à parte, ainda seria necessário desabilitar essa função on board, lá em Advanced -> SouthBridge SIS964 Configuration -> Onboard AC97 Audio DEVICE -> Disabled.

Pronto. Agora o toque final em Exit -> Exit & Save Changes -> OK.

Reiniciado o sistema básico, já com um outro CD de instalação, dessa vez o original Win XP Home Edition, dei início a uma nova instalação, do zero, reformatando e começando tudo de novo.

Após tudo concluído fui dar uma checada no vídeo carregado e…

A lesma lerda!

Em vez de carregado o driver correto, lá no Gerenciador de Dispositivos do Windows constava um maldito Controlador de vídeo (Compatível com VGA). Caramba! Não quero nada compatível, quero o driver correto!

Novamente acessei o site da ASUS, localizei os driver da motherboard em questão e baixei o específico para o vídeo – que seria o SiS 661 FX. Já apreensivo instalei-o.

Funcionou.

Perfeitamente.

Vai explicar?

Como diria Tsutomu Shimomura, lá no livro Contra Ataque, computadores têm dessas coisas…

Bem, por mais paciência taurina que eu tenha (pra não dizer que sou turrão), não estava a fim de reinstalar tudo de novo, dessa vez com o XP Service Pack 3. Daí optei por atualizar completa e totalmente o sistema. Como a conexão à Internet via rede já estava funcionando perfeitamente, bastou baixar os pacotes específicos – o SP1, SP2 e SP3 – coisa de uns 700Mb.

Instalados um por um, tudo ok para a fase 2, ou seja, a instalação das “placas sobressalentes” citadas lá no início deste post.

Ah, e sim, o disco rígido tem se comportado perfeitamente, o computador ficou ligado e ativo durante horas a fio e não ocorreu – até o momento – nenhum tipo de travamento…

Santa peidação, Batman!

Esse texto (recortado e colado daqui) vai em homenagem a um dileto amigo e eventual copoanheiro que, recentemente, ficou preocupado em estar às portas da morte. Começou a sentir dores no coração e aquilo estaria “caminhando” pelo braço, causando um certo amortecimento, um tantico de falta de ar e seja lá o que mais seu hipocondo-cérebro tenha lhe sugerido…

Dor no peito: gases ou infarto?

Muita gente entra em desespero ao sentir dor no peito que irradia para o resto do corpo. Geralmente, a suspeita é de enfarte. Mas para ter certeza, o melhor a fazer é procurar um hospital. Depois de alguns exames, muita gente tem a surpresa: a dor era causada por gases! A gravidade do enfarte nem se compara com a dos gases, mas a sensação é bem parecida e o temor, justificado.

“Os gases pressionam o diafragma e a dor é irradiada para a coluna e o tórax, o que causa a sensação parecida com a do enfarte”, diz o especialista em colonterapia Tiago Almeida, co-autor de Coloterapia – Reeducação Alimentar, Desintoxicação e Rejuvenescimento. Quem tem histórico de gases, problemas digestivos, disfunção da flora intestinal e distensão do abdome deve ficar atento para não ser pego de surpresa por um ou outro problema.

Tratar os gases requer um pouco de disciplina para reeducar o intestino, tratar a prisão de ventre e analisar a combinação dos alimentos ou possíveis intolerâncias. “Leite e feijão, por exemplo, provocam muitos gases e devem ser retirados do consumo diário. Quem não consegue abrir mão do feijão, pode cozinhá-lo com folhas de louro, que diminuem a produção dos gases. Outra opção é beber chá de hortelã ou erva-doce todos os dias”, diz Almeida.

A mudança na dieta é fundamental na luta contra os gases. Evitar alimentos que formam gases ou que na combinação com outros podem formá-los é fundamental. Quem já está com o abdome distendido tem a opção de tomar remédios com indicação médica, fazer compressas de água quente na barriga ou partir para um tratamento com colonterapia (lavagem intestinal) e reequilíbrio da flora intestinal por meio de lactobacilos.

Enfim, espero que este meu amigo resolva seu problema com um mero Luftal (royalties, please!) sem ter que, digamos, “estimular” fisicamente a saída dos gases…

😀

Trabalhando

Depois de um feriado prolongado, uma volta ao trabalho intercalada com um dia de molho por causa da garganta, eis que hoje – após as tão cobradas visitas ao médico – por volta da hora do almoço estava eu me preparando para sair.

De repente ouço uma bela duma algazarra no fundo de casa.

E não é que estava toda a criançada lá, sem aula, de sunga, brincando de guerra d’água no gramado com a mangueira?

Bateu uma baita duma vontade de ficar em casa…

STF nonsense

O original tá aqui.

STF tem ativismo sem paralelo, diz jurista

O jurista português José Joaquim Gomes Canotilho acredita que o Supremo Tribunal Federal está avançando em assuntos do Legislativo e do Executivo, num “ativismo judicial exagerado que não é compreendido na Europa”. Por outro lado, ele reconhece que, ao entrar nessas questões, o STF faz alertas aos outros Poderes, com mensagens positivas e busca de soluções para problemas práticos do Brasil.

Canotilho é um dos principais constitucionalistas de Portugal. Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, suas ideias fundamentaram a Constituição Portuguesa de 1976 e a Carta Brasileira de 1988. Ele defendeu que a Constituição deve ser um programa para o país. Em 1976, Portugal necessitava de um programa, após a Revolução dos Cravos, e, em 1988, o Brasil precisava de um para a Nova República. O problema, segundo Canotilho, é que o nosso programa de 1988 está sendo conduzido pelo STF e ele questiona se é função do Judiciário resolver questões como demarcações de reservas indígenas, infidelidade de políticos aos seus partidos e uso das algemas pela polícia.

“Meus amigos do Supremo me disseram que, quando as políticas não se movem, eles fazem as políticas em acordo com a Constituição”, afirmou Canotilho, que é bastante conhecido pelos ministros do STF.

Na última vez em que ele esteve na sede do tribunal, em Brasília, em agosto de 2008, mais da metade dos onze ministros da Corte pararam as suas atividades para cumprimentá-lo no gabinete de Gilmar Mendes, de quem é amigo. A amizade, no entanto, não impede Canotilho de questionar o papel do Supremo. Ele fez estudos sobre decisões recentes e concluiu que o STF segue metodologia única no mundo. Para Canotilho, o Supremo não julga partindo das normas. O tribunal procura agir a partir de problemas concretos e tenta encontrar soluções práticas. “Perguntei ao Gilmar se era mesmo o tribunal que pegava um helicóptero e ia ver as terras dos índios e definir os limites. De fato, o STF tenta captar a realidade”, concluiu.

Só que esse tribunal não é compreendido na Europa, pois lá é “nonsense” (sem sentido) tribunal definir política pública. “O STF faz coisas que nenhum tribunal constitucional faz”, disse Canotilho ao Valor. O maior exemplo, segundo ele, são as súmulas vinculantes – orientações dadas pelo STF que devem ser seguidas por todos os juízes do Brasil. “Eu compreendo a tentativa de dar alguma ordem, mas o problema é que as súmulas vinculantes se transformam em direito constitucional enquanto não são revogadas pelo próprio tribunal. Elas não são apenas legislação. São verdadeiras normas constitucionais.” Em outras palavras, é como se o STF promovesse novas definições para a Constituição.

Essa advertência de Canotilho ao STF aproxima-se muito de outra, feita, há três anos, a empresários que queriam criar um movimento de revisão da Constituição, na sede da Fiesp, na avenida Paulista. “Eles me disseram que cada geração poderia fazer a Constituição que quiser. Então, eu perguntei a eles: vocês têm povo para fazer a Constituição? Não havia. Era uma elite de São Paulo.”

Por outro lado, Canotilho vê um aspecto extremamente positivo no STF. Para ele, o Supremo transforma julgamentos em alertas, “numa vigilância aos outros poderes de que não podem ficar parados”. Assim, se o Congresso não aprova a lei de greve dos servidores públicos, e o Brasil enfrentou uma crise sem precedentes por conta da paralisação dos controladores de voo, o Supremo decide, por analogia, que eles terão de cumprir as regras de greve para o setor privado. “Esse tribunal procura respostas para problemas que não se colocam na França, ou na Alemanha, e cuja solução não é fácil.”

Para Canotilho, o STF chegou a uma “solução razoável” no caso da fidelidade partidária. O tribunal decidiu que os parlamentares podem mudar de partido, mas perdem o mandato se trocarem de legenda na mesma legislatura em que foram eleitos. “É a mensagem de que o parlamentar é escolhido numa lista. Nos outros países, isso está resolvido a nível legislativo. No STF, vai ser regulado com súmulas.”

Outra decisão interessante, segundo ele, foi a que proibiu a exposição de pessoas algemadas pela Polícia Federal. “A partir da visão de que as algemas podem ser humilhantes para a pessoa humana se buscou a igualdade para todo o cidadão e essa mensagem em termos da dignidade das pessoas está correta.”

Apesar de incompreendido na Europa, o Supremo brasileiro é citado “como um caso paradigmático de evolução na discussão sobre os entendimentos entre os poderes”. Neste ponto, Canotilho vê outro aspecto positivo no STF, pois o tribunal procura entrar em sintonia com demandas da população, que não são atendidas pelo Congresso e pelo Executivo. No caso da fidelidade partidária, por exemplo, é difícil acreditar que os parlamentares fossem punir os seus semelhantes por mudarem de partido. “Neste aspecto, o tribunal está adotando uma posição de alerta, chamando a atenção dos outros poderes para que tomem posição”, afirmou Canotilho. “Mas a minha posição é a de que não são os juízes que fazem a revolução. Nunca o fizeram. Só que eles podem pressionar os outros poderes políticos dessa forma. E eu creio que é essa a posição do STF.”

São Thomé das Letras – A Viagem (I)

“Caminhante: não há caminho – o caminho se faz caminhando.”
Ataualpa

I – Preparativos

Não lembro ao certo como o convite surgiu. Só tenho certeza que deve ter sido numa mesa de bar.

– E aí? Vamos pra São Tomé?

– Das Letras?

– De onde mais?

Dei uma longa tragada em meu cigarro e pensei um pouco sobre o assunto. Um feriadão se aproximando, uma oportunidade de fazer algo diferente com a criançada, levar a Dona Patroa a um lugar que ela ainda não conhecia e – por que não? – tentar resgatar um pouco de mim mesmo que parece ter ficado naquele lugar quando estive lá, já tem quase uns vinte anos.

– Legal. Só vou ver com a Dona Patroa e depois a gente se fala.

Tenho certeza absoluta que já era essa a resposta esperada pelo Evandro, autor do convite, copoanheiro eventual e parceiro em desventuras no geral. Sabem, é algo como aquele caboclo que está na mesa do bar – normalmente no mais divertido da festa -, levanta-se e diz algo como “vou até tal lugar e, qualquer coisa, eu volto”. Não adianta protestar ou argumentar. Esse não volta mais. E a resposta que eu dei soou exatamente nesse tom. E eu tinha consciência disso.

Mesmo assim, no final de semana seguinte, conversei com minha amada, idolatrada, salve, salve, Dona Patroa. E ela topou.

Na mesma hora liguei e avisei que iríamos.

E a comoção geral tomou conta da platéia naquele momento…

Os dias seguintes foram, digamos, interessantes. Um meio que preparativo – mas sem preparativos. Tá, na prática a semana se resumiu num feriado maluco – o Dia do Servidor Público – que, em alguns lugares foi adiantado para segunda-feira, em outros foi comemorado no dia mesmo, na quarta-feira, e, em ainda outros, ficou para sexta-feira. E como Murphy é um velho sacana, é lógico que eu e a Dona Patroa tivemos nossos feriados escalados para dias diferentes: ela na quarta e eu na sexta.

Mesmo assim, zuzo bem.

Ela aproveitou a quarta para fazer as compras do que fosse necessário para viagem. Ou seja, zilhares de lanchinhos, frutas, água, refri, etc. O mínimo indispensável para manter calmos os três filhotes – de cinco, sete e dez anos – pelas horas a fio que passariam dentro do carro.

Mas, e na prática, como fazer?

Bem, sendo ela funcionária pública estadual, com direito à chamada licença abonada – uma vez a cada mês, ou bimestre ou a cada seis meses, sei lá – e considerando que em mais de dez anos de serviços prestados nunca utilizou essa prerrogativa, não foi sem surpresa de sua chefe que ela pleiteou esse direito para a sexta seguinte.

E por que na sexta? Bem, como o feriado não seria geral para todos na sexta, mas sim na segunda seguinte (Finados), então seria o melhor dia de pegar a estrada para ir, com um movimento, no máximo, médio, e deixar para voltar no domingo, praticamente sem movimento, enquanto que todo o resto do mundo deixaria para voltar na segunda.

Parecia o plano perfeito.

Já na véspera, quinta-feira, ao combinar com o Evandro o caminho pelo qual iríamos, propus o circuito das águas, pois passei por aquela estrada há uns cinco anos e me pareceu confortável o suficiente para prosseguir até São Tomé. Ele iria propor a SP-50 (também conhecida como estrada para Monteiro Lobato), mas concordou comigo. Avisou que sua irmã e mãe também iriam, em carro próprio. Combinamos um ponto qualquer na Dutra para nos encontrarmos.

Masssss…

Conversando com a Dona Patroa chegamos à conclusão que o “divertido” não seria a viagem propriamente dita, mas sim o “viajar” em si. Daí que um caminho, digamos, mais bucólico, deveria ser bem mais interessante.

Falei com o Evandro novamente e recombinamos o ponto de encontro. Já aí não tive como não vislumbrar alguns acordes do Raul: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Bons auspícios, em se tratando de São Tomé das Letras…

Como eu havia deixado a viatura para alguns ajustes mechânicos, fui gentilmente levado para o serviço pela Dona Patroa. Aliás chegaram inclusive a me perguntar se eu não iria para lá com o Opalão.

– Não. Por mais que eu queira – e eu quero – ainda não confio nele.

– Como assim?

– É que, para mim, todo carro novo que a gente pega – ainda mais sendo velho – passa por um período de adaptação. Eu tenho que pegar confiança nele. Saber que ele não vai me deixar na mão, conhecer seus macetes, manias, cacoetes e birras. Só então daria para encarar uma viagem dessas.

– É, mas isso não é só com carro velho não, carro novo também…

Enfim, ao encerrar o expediente na quinta, após um merecido choppinho com o copoanheiro Bicarato – que, infelizmente, por motivos trabalhísticos não pode se juntar à nossa caravana – a Dona Patroa foi me pegar com as crianças. Deixei a tropa em casa para acabar de arrumar as malas e parti para providências de praxe antes de qualquer viagem. Amortecedores, freios e pneus já eram novos, substituídos há cerca de três meses. Então foi questão de trocar óleo, completar água, calibrar pneus (inclusive o estepe), trocar o extintor vencido há dois anos, completar o tanque e tomar três latinhas nesse processo.

Tudo pronto.

Chegando em casa acabei de fazer também as minhas malas, separei uma muda de roupas para viagem, colocamos tudo no carro – inclusive pensando na logística de acesso aos mantimentos, remédios, blusas, etc.

Celulares carregados e baterias da câmera fotográfica completas.

Algum dinheiro em espécie disponível na carteira.

Tudo preparado.

Heh…

E pensar que, nas minhas viagens de antigamente, o máximo que eu me preocuparia seria em deixar uma graninha à parte para eventualmente pegar o busão de volta caso não conseguisse carona. De resto era carregar o mínimo de peso indispensável para não passar nenhum perrengue. Ou seja, máxima eficiência com mínimo esforço.

Com tudo encaminhado, ansiedade da criançada devidamente controlada e despertadores a postos bastava aguardar o raiar do dia 30 de outubro para a grande viagem.

Mal sabíamos o que nos aguardava.

Continua?

Quintana de hoje

Depois de ter feito na Clínica Pinel o tratamento contra o alcoolismo, no início dos anos 50, Mario nunca mais bebeu. Certa vez, lembrando os velhos tempos, disse que na verdade não bebia, havia tomado apenas um porre. E que este porre durara 25 anos.

Durante o tal porre, numa manhã Nelson Boeira Faedrich se dirigia à redação da Revista do Globo quando viu o amigo entornando o copo num bar da Rua da Praia. Acercou-se e, cuidando para que não parecesse censura, em tom protetor:

– Mario! Já bebendo?

– Já não, ainda.

Do livro Ora Bolas – O humor de Mario Quintanta, de Juarez Fonseca.