
O mundo é mesmo chato
E acaba de ficar um pouco mais…
Não é que o Mestre Idelber resolveu tirar umas longas férias?
É verdade sim! Tá bem aqui, ó.
Apesar do tom cataclísmico de seu post, creio que ele volta.
Cedo ou tarde.
Mas volta.
Aliás, tem que voltar!
Até porque eu não tuíto, não leio a Revista Fórum e decidi prender-me na crença de suas palavras de que, na verdade, não existe “ex-blogueiro”.
Ou seja, é só uma questão de tempo…
Mesmo assim (nesse meio tempo), desejo-lhe muita boa sorte nas empreitadas acadêmicas e livrísticas!
João Gualberto Teixeira
Este distinto senhor, João Gualberto Teixeira, não necessariamente é um antepassado direto, eis que trata-se de filho de Francisco Teodoro Teixeira com Maria Emerenciana de Andrade, ou seja, irmão de meu trisavô, Joaquim Theodoro de Andrade – seria, digamos, um tio-trisavô…
Mas foi através de seu inventário que foi possível detalhar um pouco mais esse ramo da família.
INVENTÁRIO de JOÃO GUALBERTO TEIXEIRA ---------------------------------------------------------------------- | Arquivado no Museu Regional de São João del Rei - Caixa 483 | | Transcrito por: Ana Bárbara Rodrigues | | ana2bh@yahoo.com.br | | (32)3371-7663 | | Transcrito em : OUT/2004 | | Solicitante : Adauto de Andrade | | adautoandrade@yahoo.com.br | | Objetivo : Dados Genealógicos | | Inventariado : JOÃO GUALBERTO TEIXEIRA | | Inventariante : MARGARIDA TEIXEIRA GUIMARÃES | | Inventário registrado na cidade de São João del Rei em 21/JUL/1874 | | Número de folhas originais: 87 | ---------------------------------------------------------------------- - FL.001 - Juízo Municipal da cidade de São João del Rei. O coletor da Renda Provincial - suplicante. Dona Margarida Teixeira Guimarães, viúva de João Gualberto Teixeira - suplicada. Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e quatro, quinquagésimo terceiro da Independência e do Império do Brasil, aos vinte e um dias do mês de Julho do dito ano, nesta cidade de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes, em o meu escritório sendo aí autuo a petição que adiante se segue. Eu, Awias Antônio Duarte, Escrivão que escrevi. - FL.002 - Diz o Coletor da Renda Provincial deste Município que tendo sido assassinado no Distrito de Madre de Deus neste Termo João Gualberto Teixeira de Carvalho, e sendo a Fazenda interessada no Inventário que se tem de proceder, requer a Vossa Senhoria, em vista das últimas ordens que tem da Fazenda Provincial para ativar tais Inventários; e que sendo distribuída a autuada se intime a viúva daquele finado Margarida Teixeira de Guimarães para dar andamento no respectivo Inventário logo que se finde o prazo de trinta dias da morte de seu marido. Como se segue, São João del Rei, 21 de Julho de 1874. - FL.005 - Juramento à Inventariante. Aos vinte dias do mês de Agosto de mil oitocentos e setenta e quatro, nesta Fazenda denominada Dois Irmãos, distrito de Madre de Deus, Termo da cidade de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes, em casas de residência de Dona Margarida Teixeira Guimarães onde foi vindo e se acha o Juiz Municipal substituto em exercício Major Christino José Ferreira (...) e sendo aí presente a Inventariante Dona Margarida Teixeira Guimarães (...) e pelo Juiz lhe foi deferido o Juramento dos Santos Evangelhos e lhe encarregou de servir de Inventariante dos bens que ficaram por falecimento de seu marido João Gualberto Teixeira, e que declarasse o dia, mês e ano em que tinha falecido, se tinha feito alguma disposição Testamentária, quais eram os herdeiros que lhe haviam ficado e que idade tinham (...) tudo na forma da Lei e com as penas dela. - FL.005/VERSO - Declarou que seu marido João Gualberto Teixeira tinha sido assassinado em o dia primeiro de Julho do corrente ano de mil oitocentos e setenta e quatro, sem que deixasse testamento e sem ascendentes ou descendentes, sendo seus herdeiros seus irmãos e sobrinhos que se habilitarem, e que prometia dar à conegação (sic) todos os bens pertencentes ao seu casal (...). - FL.008 - Bens de raiz Duzentos alqueires de campos nesta Fazenda dos Dois Irmãos avaliados em trinta e cinco mil réis - FL.008/VERSO - seis cada um alqueire, sete contos de réis. Seis ditos no lugar denominado Cocão; a vinte e cinco mil réis o alqueire. Parte no rancho do Retiro dos Dois Irmãos ciquenta mil réis. O Retiro da Olaria por cem mil réis. Parte das benfeitorias na Fazenda do Afonso, cinco mil réis. Parte na Ponte do Rio Grande, vinte e cinco mil réis. Parte das benfeitorias na Fazenda de José Lopes, cinco mil réis. A quinta parte da Casa Grande, sita no Arraial de Madre de Deus, duzentos mil réis. - FL.010/VERSO - Declarou a viúva Inventariante agora se recorda que é responsável o seu filho Franciso de Paula Teixeira pela quantia de oitenta e três mil seiscentos e sessenta e sete réis pela torna que tem de fazer ao mesmo de sua legítima paterna, e para constar mando o Juiz lavrar este Termo de Aceitação em que assina com a Inventariante digo Inventário e bem assim o seu filho José Venâncio Teixeira a quantia de setenta e sete mil seiscentos e sete réis, o seu filho Domingos Teodoro Teixeira a quantia de noventa e oito mil e sessenta e sete réis. À sua filha Dona Maria Emerenciana - FL.011 - a quantia de cento e trinta e cinco mil seiscentos e sesssenta e sete réis. E para constar mandou o Juiz lavrar este Termo do qual assina a Inventariante. - FL.012 - Diz Dona Margarida Teixeira Guimarães que estando se procedendo o Inventário dos bens do finado seu marido João Gualberto Teixeira, entre eles existe uma morada de casas sita na cidade do Turvo, torna-se necessária a sua avaliação para ser unida aos Autos de Inventário (...) - FL.035 - Dois Irmãos, 11 de Fevereiro de 1875. Importância de que nos é devedor o espólio do nosso finado padrasto João Gualberto Teixeira. Acento que existe no livro por letra do mesmo finado: À Francisco de Paula Teixeira, uma vaca por nome Onça, trinta mil réis À Domingos Teodoro Teixeira, um boi de carro por nome Carmino, cinquenta mil réis, um burro por nome Pimenta, oitenta mil réis (...) À José Baptista de Almeida e Ira. (sic) por cabeça de sua mulher Maria Venância, uma vaca por nome Cachoeira, trinta mil réis (...) À Maria Emerenciana do Carmo, uma vaca por nome Meia Lua, trinta mil réis (...) - FL.036 - Diz Dona Margarida Teixeira Guimarães, que a bem de seu direito precisa que o Escrivão respectivo, revendo os autos do Inventário por falecimento de seu marido Antônio Teodoro de Santana lhe passe por certidão de modo que se faça fé: 1o. a importância da terra a que a suplicante ficou responsável para com cada um dos seus filhos Francisco de Paula Teixeira, Domingos Teodoro Teixeira, Dona Maria Venância e Dona Maria Emerenciana; 2o. Em que data foi este Inventário julgado por sentença (...) - FL.046 - Dizem Antônio Teodoro Nogueira Júnior e sua mulher Dona Ana Isabel Nogueira, esta filha legítima da finada Dona Delfina irmã de João Gualberto Teixeira que estando a proceder-se o Inventário por falecimento do dito João Gualberto querem desistir do que lhes possa caber nessa herança, ficando completamente desonerados de toda e qualquer responsabilidade para com os credores deste casal (...) - FL.047 - Império do Brasil - Província de São Paulo - Termo de São Sebastião da Boa Vista. Procuração bastante que fazem Antônio Teodoro de Nogueira Júnior e sua mulher Dona Ana Isabel Nogueira. Saibam quantos este público instrumento de procuração bastante virem que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e quatro, aos doze dias do mês de agosto nesta Vila de São Sebastião da Boa Vista da Província de São Paulo, comarca de Ca(...)2a Branca, em meu cartório compareceram os outorgantes Antônio Teodoro Nogueira Júnior e sua mulher Dona Ana Isabel Nogueira, residentes neste Termo, e conhecidos de mim pelos próprios de que trato, e por eles foi dito em presença de tuas testemunhas abaixo nomeadas, que nomearam e constituíram seus bastante procuradores na Província de Minas a seu pai e sogro Antônio Teodoro Nogueira e João Teobaldo de Souza (...) - FL.050 - Dizem Diogo Joaquim Alves como Tutor de seus filhos menores; Francisco Alves Teixeira casado com Dona Joaquina de tal; Emerenciano Alves de Andrade e sua mulher Dona Maria Ermelina da Silva; Dona Avelina Joaquina de Andrade; Dona Maria Emerenciana de Andrade; Dona Joaquina Leopoldina de Andrade, e Martiniano Alves de Andrade, o primeiro viúvo e os outros filhos legítimos da finada Dona Maria Venância de Andrade, irmã do finado João Gualberto Teixeira; que estando a proceder o Inventário dos bens do casal deste, querem desistir do que lhes houver de sua herança ficando completamente desonerados de toda e qualquer responsabilidade para com os credores do dito casal. - FL.063 - Do Juízo de Órfãos de São João del Rei para o de Valença. Carta Precatória Citatória passada ex ofício para por bem dela serem intimados Dona Jesuína casada com Pedro Ferreira da Cunha, moradores no Rio Preto, como abaixo se declara. À Vossa Senhoria Ilustríssimo Senhor Doutor Juiz Municipal de Órfãos da cidade e Termo de Valença da Província do Rio de Janeiro (...). O Doutor Francisco de Paula Cordeiro de Negreiros Lobato Juiz Municipal e de Órfãos desta ciade de São João del Rei e seu Termo por Sua Magestade o Imperador. Foi - FL.063/VERSO - declarado que pelo Juízo Municipal deste Termo se procedeu à Inventário, arrolamento e avaliação dos bens que ficaram por falecimento de João Gualberto Teixeira de quem ficou Inventariante Dona Margarida Teixeira Guimarães, e verificando-se depois haverem herdeiros menores representantes de herdeiros falecidos, irmãos germanos do inventariado, passaram os autos ao Juízo competente que é este Juízo de Órfãos, foi proferido o despacho mandando intimar aos herdeiros para a ratificação do processado e todos os mais termos deste Inventário e Partilhas; e como entre eles existia a herdeira irmã Dona Jesuína casada com Pedro Ferreira da Cunha, residentes em Santa Isabel do Rio Preto no município de Valença, digne-se Vossa Senhoria mandar fazer as devidas intimações (...) Dada e passada nesta cidade de São João del Rei, Minas e Comarca do Rio das Mortes, aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro de mil oitocentos e setenta e cinco. - FL.067 - Diz Pedro Ferreira da Cunha, casado com Dona Jesuína Emerenciana de Andrade, irmã legítima do finado João Gualberto Teixeira, que sendo ele intimado por este Juízo para fallar nos termos de Inventário e Partilhas dos bens daquele falecido, como representante de sua mulher, herdeira do mesmo, quer agora juntar procuração nos mesmos autos para o mesmo fim.
Sobre responsabilidades
E eu aqui, fazendo um churrasquinho para meus filhotes, tomando minha usual cervejota e pensando na vida, acabo de concluir uma coisa…
Acho que já não consigo mais ser tão irresponsável quanto já fui um dia.
Mèrde.
Apaga essa brasa, baby!
Tá, eu sei que esse texto teria mais sentido lá no empoeirado Copoanheiros, mas num arresisti…
Quem mandou, via e-mail, foi o Bicarato. O original recortei-e-colei daqui.
Cubatão – 2068
O líder da Resistência, Philip Morris VII, envia para o passado o modelo de Fumegador T-800.
Transilvânia – 1412
Grávido do pequeno José, Conde Drácula é perseguido pelo caçador Van Helsing e pelo Fumegador T-800. Em uma batalha épica, Van Helsing leva a melhor e mata o Conde. Porém seu legado será perpetuado pelo filho, José Serra.
Washington – 2008
José Serra faz uma ponta no filme Crepúsculo. A aparição não é vista pelo público por conta do asco do governador paulista por pontas. E pelo fato dele nunca aparecer quando na frente de espelhos.
Caxambu – 1992
José Serra manda para 2068 o Exterminador de Cigarros T-1000. Enviado com a missão de matar o líder da Resistência, Philip Morris VII, o Exterminador se confunde e mata o verdureiro Souza Cruz.
Nova Orleans – 1847
José Serra, ainda jovem, tem um caso com Brad Pitt no set do filme Entrevista com o vampiro.
Nova Orleans – 1997
José Serra conta ao repórter Cristian Slater que concorrerá aos cargo de governador de São Paulo em 2008.
California – 2010
Arnold Schwarzenegger, o Governador do Futuro, vai até 2068 cobrar os royalties pela ideia de Philip Morris. Por conta da decadência da indústria do cigarro, o Governador volta com duas jujubas.
São Paulo – 2012
O ciborgue Cygarro é enviado do futuro para matar alguém que não recorda, pois está perdido na linha de tempo mais confusa da história.
Nazaré – 33
Morre Jesus Cristo. Os romanos dizem que foi de enfisema pulmonar. Judeus fundam o plano de saúde e cobram mais caro de fumantes. Judas é visto fumando em companhia de romanos e judeus. Tomé, descrente, inventa a maconha.
Londres – 1533
O Papa excomunga Henrique VIII por ele ser um gordinho safado. Em represália, o Rei inglês permite que todo e qualquer súdito fume em bares, em casa, na puta que pariu se preciso for. Puto da vida o Papa pede ao jovem (hein?) José Serra que acabe com aquela putaria.
Moscou – 1920
Josef Stálin proíbe o cigarro e qualquer outra forma de pensamento. De bigode, José Serra ficou irreconhecível.
São Paulo – 2009
Entra em vigor a Lei antifumo. As bestas assumem o controle total do Estado e iniciam uma campanha de coerção contra os fumantes. Em dois anos, o cigarro, que antes matava menos que a gripe suína, faz mais vítimas do que os afiados dentes de José Serra.
Oslo – 2012
José Serra ganha o Prêmio Nobel da Saúde. A Skynet passa a pensar operar de forma autônoma e morre de câncer no pulmão. Schwarzenegger sai do governo da Califórnia e aceita fazer Terminator VII – O trago final. mais de um milhão de fumantes morreram desde o início da Lei Antifumo. As causas: gripe, atropelamento, assalto a mão armada e mílicias de antitabagistas.![]()
Microsoft com síndrome de Regina Duarte!
A notícia peguei aqui e o abaixo transcrito aqui…
Um relatório fiscal publicado esta semana no portal de investidores da Microsoft diz claramente que a Microsoft teme o avanço da adoção do Linux e de software sob a licença GPL, em mercados emergentes. Menciona também que essa tendência tem pressionado a queda dos preços de equipamentos – e forçado, igualmente, a queda do preço das licenças do sistema operacional.
O mais interessante do relatório é a citação das empresas que ela considera como rivais: Apple, Canonical e Red Hat, no mercado de sistemas operacionais; Mozilla, Google e Opera no mercado de browsers; e Android, que pode criar um ambiente propício para as pessoas comprarem mais smartphones e netbooks em detrimento do PC tradicional. Há também parceiros históricos, HP e Intel, investindo em projetos de software livre.
Se você quiser ler na íntegra o relatório em inglês, baixe-o do site oficial (em inglês, e – obviamente — no formato .docx).![]()
Ah! Um detalhe: caso queira ler o tal do relatório, saiba que o formato “.DOCX” é, sim, proprietário. Adivinhem de quem?…
Uma visita ao Professor Pardal
Na prática é assim que, carinhosamente, uma boa parte da família trata meu pai. Desde a mais tenra idade, antes mesmo de sair da roça e tentar a vida na “cidade grande”, ele já era dedicado a trabalhos manuais que exigiam mais paciência do que o necessário, bem como dado a invenções de toda a espécie. Na casa de um de meus tios até hoje ainda existem diversos apetrechos, como, por exemplo, arreios de cavalo, feitos e trançados pelo Seo Bento há décadas.
Como desde pequeno já estou tão acostumado com tudo isso, existem coisas que já fazem parte do dia a dia e nem chamam mais a atenção. Pelo menos a minha. Dia desses, tendo ido lá para almoçar, resolvi registrar alguns desses detalhes…

Bem, comecemos com sua modesta oficina. Fica nos fundos de sua casa e é lá que complementa os rendimentos de sua aposentadoria através do conserto de TVs. Edícula, de teto baixo, quente nos dias de verão, ou seja, uma oficina como outra qualquer com nada de mais, certo?

Bem, creio que devam ter prestado atenção que tem um enorme cano PVC de 4 polegadas que atravessa a oficina de cabo a rabo. E o que vem a ser isso? Olhando mais de perto podemos verificar que é furado em toda sua extensão. E não, isso não é nenhum tipo de sistema contra incêndios – trata-se apenas de uma maneira de ventilar um pouco o ambiente naqueles dias quentes sobre os quais lhes falei…

Para garantir essa ventilação a ponta do cano atravessa a parede e vai captar ar fresco lá fora por meio dessa pequena turbina, a qual impulsiona o ar com força suficiente para preencher o ambiente todo.

Se não me falha a memória, o sistema de ventilação foi idealizado pelo meu pai após ele concluir que o anterior não era tão satisfatório assim (esse, logo acima). Também feito com um par de turbininhas ele se limitava a circular o ar no interior da oficina.

Eis o mesmo “ventilador” numa vista lateral. Ainda que potente não havia uma efetiva “troca de ar”, de modo que o calor acabava continuando o mesmo…

Outros detalhes da oficina, como o divisor de sinal da antena e o sistema de UHF (alguém se lembra disso?) para permitir a conexão de vários aparelhos de TV simultaneamente. Aquelas lâmpadas? Não perguntem. Não lembro mais o porquê delas estarem ali – mas que têm uma função, com certeza têm!

Num mundo de aparelhos como esses existem os mais variados tipos e modelos de parafusos para as mais variadas marcas existentes no mercado. Para garantir uma ínfima parcela de compatibilidade, eis uma das muitas “caixas de parafusos” existentes na oficina. Sim, tanto o interior em fibra quanto o exterior em madeira foram feitos por ele. Aliás, além desses medidores malucos que não tenho nem ideia do que fazem, ali de ladinho, à direita, toda enrolada num fio, dá pra ver a pontinha de uma parafusadeira que ele criou, baseado em um motorzinho elétrico qualquer…

Falando em criar, eis – agora do lado de fora da oficina – uma furadeira de bancada conjugada com um pseudo-esmeril, tudo feito meio que “de cabeça”. Ou seja, não houve traçado, projeto, medidas prévias, planejamento. Tava na cabeça dele e foi cortando, serrando, soldando e montando até ficar pronto.

Exatamente da mesma maneira é que surgiu essa “serra de fita”. Ele aproveita pedaços de fita de serra que se quebraram e que já não são mais utilizadas pelas máquinas tradicionais, tendo feito uma máquina que, inclusive, tem uma solda elétrica já embutida para juntar as pontas dessas fitas.

A mesma máquina, mas de outro ângulo. Sabem aquelas polias ali? São de madeira. Feitas por ele. Foram dezenas (sim, dezenas) de experiências até encontrar o tamanho, ângulo, disposição e rotação certos. Mas meu pai é tão taurino quanto eu (ou será que eu é que sou tanto quanto ele?) e insistiu até que funcionasse a contento. Tão a contento que toda a lataria que foi necessário moldar para o Opala que estou reformando foi cortada exclusivamente nessa serrinha aí…

Aliás, sempre temos aquele negócio de “um no cravo e outro na ferradura”, não é mesmo? Esse “cofre forte” aí em cima, agora relegado a um canto da oficina, nada mais é que um forno elétrico. Blindado, com manta e temporizador – tudo caseiro. Mas era tão feio, tão feio, mas tão feio, que minha mãe raramente o usava e creio que ficou aliviada quando, após eu e meus irmãos termos comprado um microondas, finalmente meu pai tirou o “trambolho” de sua cozinha.

Todo arrebitado, dá pra ver que a espessura de suas paredes serve para acomodar a manta e isolar o aquecimento interno do contato externo…

E, falando em cozinha, não tinha como ele deixar de dar seu pitaco lá também… Ainda que já tenha virado praxe no mundo moderno – por uma questão de segurança – deixar o botijão do lado de fora das casas, isso seria muito simples para o Seo Bento…

Então ele criou (ou adaptou, sei lá) esse sisteminha aí em cima que, ainda que funcione manualmente, está ligado a um controle elétrico (ou eletrônico?), de modo que do lado de dentro da cozinha (esqueci de tirar uma foto disso) existe um botão on-off bem do lado do fogão que controla a liberação de gás.

Aliás, da cozinha para o quarto, eis aí um dos outros hobbies de meu pai. Já há anos ele gravava tudo quanto é filme ou especial que passasse na televisão e achasse interessante. De uns tempos para cá ele resolveu fazer a conversão dessas antigas fitas VHS para DVDs. Comprou uma mesa de escritório simples (é a base de tudo isso aí) e colocou uma tv, um vídeo cassete e um gravador de dvd. Daí comprou outro. Daí trocou de marca. Daí colocou os dois em paralelo. Daí consertou um outro vídeo cassete. Daí pôs uma televisão para dividir o sinal. Daí faltou espaço. Daí foi ampliando a coisa toda. E, sim, todo o trabalho de marcenaria é dele próprio. Daí, enfim, tá (atualmente) nessa “configuração” aí de cima…

Ah, sim! Antigamente, na sala, tínhamos um bom e velho “três-em-um” da Sanyo. Rádio, fitas cassete e toca-discos. Com o tempo o primeiro a falhar foi a parte do toca-fitas (sim, na minha adolescência eu usei e abusei de gravações). O rádio, ainda que funcionasse (mas ninguém o usasse), teve sua vida comprometida em função de cupins que surgiram no aparelho – naquela época, início dos anos oitenta, esses equipamentos eram construídos com chapas de madeira aglomerada. Por fim a vitrola ficou anos jogada num canto, até que meu pai resolveu “ressuscitá-la”, construindo uma caixa de suporte (a parte preta) e uma tampa de acrílico para proteção e, ao final, interconectando-a com um CD player, dando-lhe assim vida nova para ouvir velhos discos.

E, não menos interessante, eis uma verdadeira lanterna caseira. Desde a bateria, passando pela caixa na forma de um “cestinho”, até a própria parte de iluminação (suspeito que tenha sido um farol de milha de algum carro), garanto que funciona que é uma beleza!
Como eu havia dito no início, tem tantas coisas lá na casa de meu pai que eu até já me acostumei e sequer acho estranho…
Puxando pela memória, percebo que esqueci de tirar fotos de diversas coisas. A começar pela caixa de correio, pois ele não encontrou nenhuma no mercado que fosse do jeito que ele queria – então fez sua própria. Na laje, também logo na entrada da casa, tem uma antena parabólica das antigas que estava originalmente jogada no terreiro da casa de um amigo dele, na roça. Recuperou-a e a colocou em funcionamento. No banheiro existem dois chuveiros (daqueles do tipo panelão), ligados num mesmo cano bifurcado. Há um sistema de luzes de emergência caso acabe a energia elétrica. Papeleiras personalizadas na cozinha. Adaptação do sistema elétrico para um torno trifásico. Serra elétrica reconstruída. Plaina. Barcos – de madeira e de alumínio, sendo este último arrebitado manualmente (toda a família ajudou nessa). Conversor para 110 volts na Variant.
E, falando na Variant, e pra encerrar esta mera apresentação, recentemente meu pai comprou um motor num ferro-velho e recuperou-o por completo. Como o da Variant já estava meio ruinzinho, resolveu trocá-lo. Feita a troca, também recuperou o que tirou. E eis que resolveu ficar com esse motor “de reserva”. Mas para não estragar, volta e meia ele o liga. Como? Assim:
