Velhas lições não morrem jamais…

E eis que me vem à mente a lição de meu bom e velho professor de história, “Seo” Rotschild, ensinada lá nos idos da sétima e oitava série, no também bom e velho ginásio estadual em que estudei…

“O que fazer com os revolucionários uma vez que finda a revolução? Suma com eles! São verdadeiroa atentados ambulantes à nova ordem estabelecida!”

Política de reflorestamento

Simplesmente perfeito. Segue, na íntegra, lá do blog da Cláudia, no melhor estilo Ctrl-C/Ctrl-V…

Tramita pela Câmara dos Deputados projeto de lei de autoria do deputado Manato (PDT-ES), que obriga, entre outras situações, o plantio de árvores em caso de casamento e de divórcio.

10 árvores em caso de casamento; 25 em caso de divórcio. Vinte e cinco???

É, 25. Segundo o genial raciocínio do autor do projeto, quando as famílias se dividem e vão morar separadas, há maior ocupação de espaço e maior consumo de energia e água. Daí a necessidade de mais que o dobro do número de árvores do que quando se casam. Ele deve imaginar, por exemplo, que mulheres divorciadas tomam mais banho que as casadas, uma vez que precisam estar mais cheirosas para conquistar um novo par. É, faz sentido.

Resumindo: como se não bastassem as dolorosas questões inerentes a qualquer divórcio, por mais amigável que seja ele, como divisão de bens, separação de corpos, separação de objetos cuja propriedade se confundiu ao longo do tempo, explicar para os filhos o que acontece, saudade dos filhos, saudade um do outro, confusão na hora de tratar o ex-parceiro que foi seu marido/mulher por tanto tempo, mudança de casa, abrir mão de amigos algumas vezes, as lembranças aqui e ali, os espaços vazios dentro dos armários e mais uma montanha de coisas que certamente não cabem nas linhas de um blog, as pessoas que se divorciam ainda terão que pagar o preço por não terem sido capazes de manter o compromisso firmado. Além, é claro, no caso de serem católicas, de não poderem mais se casar na igreja, nem comungar, nem ir para o céu quando morrerem.

O que, do ponto de vista ecológico, faz com que a dissolução do casamento seja muito mais benéfico para o planeta. Se você se casa, duas pessoas juntas têm de plantar 10 árvores. Se essas duas pessoas não se separarem, não precisam plantar mais nada, e se tiverem filhos, estão contribuindo de maneira decisiva para o aumento do consumo de energia, água e outros recursos naturais, diretamente proporcional ao número de filhos que tiverem. Tudo isso na conta daquelas 10 arvrinhas do começo da vida a dois.

Por outro lado, quanto mais rápido duas pessoas se divorciarem, mais elas estarão preservando o planeta, porque não terão tempo de ter muitos filhos – se forem realmente rápidas, não terão tempo de ter nenhum, o que, sob o ponto de vista do excelentíssimo deputado Manato, já os candidata a receber uma medalha de honra ao mérito do Greenpeace – e de cara já terão de plantar 25 árvores.

Levando em conta que pessoas divorciadas têm a possibilidade de se casar de novo, eis que o nobre deputado acaba de propor a multiplicação das árvores. Eu explico: os noivos plantam 10 árvores, certo? e os divorciados, 25. Só aí, temos 60 árvores: 10 dos noivos, que fazem tudo juntos, e 50 dos divorciados, 25 cada um, pois divorciados não fazem nada juntos. Quando cada um dos divorciados se casa novamente, cada um planta, junto com seu novo par, mais 10 árvores. Isso significa que cada casal original, divorciando-se apenas uma única vez e casando-se novamente tem potencial para o plantio de 80 novas árvores!

Não é maravilhoso que tenhamos parlamentares capazes de propor coisas tão geniais? E a gente aqui preocupadíssima, achando que a Amazônia ia acabar, olha só que bobagem!

Campeonato de arremesso de celulares

Que fique bem claro: o crédito por essa “notícia” é do amigo e copoanheiro Bicarato. Aliás, em uma de nossas últimas sessões etílicas, o que estes temulentos que usualmente vos escrevem chegaram à (óbvia) conclusão de que o que efetivamente nos atrai nos veículos noticiosos é nada mais nada menos que o insólito, o não trivial, o nonsense, enfim…

Mas voltemos à imprescindível notícia sem a qual nem um dia a mais poderia passar sem que dela soubéssemos! Fuçando na Internet, eis o que achei.

Neste último final de semana teve lugar em São Paulo o Primeiro Torneio Nacional de Arremesso de Celular. Evento “importado” da Finlândia, onde ocorre desde o ano de 2000, e que serve para dar um, digamos, “fim mais digno” aos celulares sem uso. Ecologicamente correto, eis que as baterias devem ser retiradas antes do torneio e os próprios celulares são destinados à reciclagem após o mesmo, vence a competição quem arremessar o celular mais longe – havendo mesmo a possibilidade de se premiar algumas variações, tal como o melhor estilo no arremesso.

Pena que somente agora surgiu isso… Lá pelos idos de 95 ou 96, época em que começamos a nos celularizar em terras Tupiniquins, tenho certeza que aqueles bons e velhos “tijorolas” (vulgos PT-550 da Motorola), bem, eles seriam perfeitos para essa competição!

Sexo por obrigação? Agradeço, mas não!

Essa veio da última “Revista da Semana” :

Charla Muller é uma consultora de marketing da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Casada e com dois filhos, há dois anos resolveu dar um presente especial de aniversário ao seu marido, Brad Muller: 365 dias de sexo.

(…)

No décimo mês Charla Muller se arrependeu dessa “estúpida idéia”.

Décimo mês???

Tão rápido assim?…

Nós, os temulentos

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( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

João Guimarães Rosa

Entendem os filosófos que nosso conflito essencial e drama talvez único seja mesmo o estar-no-mundo. Chico, o herói, não perquiria tanto. Deixava de interpretar as séries de símbolos que são esta nossa outra vida de aquém-túmulo, tãopouco pretendendo ele próprio representar de símbolo; menos, ainda, se exibir sob farsa. De sobra afligia-o a corriqueira problemática quotidiana, a qual tentava, sempre que possível, converter em irrealidade. Isto, a pifar, virar e andar, de bar a bar.

Exercera-se num, até às primeiras duvidações diplódicas: – “Quando… – levantava doutor o indicador – … quando eu achar que estes dois dedos aqui são quatro”… – Estava sozinho, detestava a sozinhidão. E arejava-o, com a animação aquecente, o chamamento de aventuras. Saiu de lá já meio proparoxítono.

E, vindo, noé, pombinho assim, montado-na-ema, nem a calçada nem a rua olhosa lhe ofereciam latitude suficiente. Com o que, casual, por ele perpassou um padre conhecido, que retirou do breviário os óculos, para a ele dizer: – Bêbado, outra vez… – o Chico respondeu, com, báquicos, o melhor soluço e sorriso.

E, como a vida é também alguma repetição, dali a pouco de novo o apostrofaram: – Bêbado, outra vez? E: – Não senhor… – o Chico retrucou – … ainda é a mesma.

E, mais três passos, pernibambo, tapava o caminho a uma senhora, de paupérrimas feições, que em ira o mirou, com trinta espetos. – Feia! – o Chico disse; fora-se-lhe a galanteria. – E você, seu bêbado? – megerizou a cuja. E, aí, o Chico: – Ah, mas… Eu?… Eu, amanhã, estou bom…

E, continuando, com segura incerteza, deu consigo nooutro local, onde se achavam os copoanheiros, com método iam combeber. Já o José, no ultimado, errava mão, despejando-se o preciosíssimo líquido orelha adentro. – Formidável! Educaste-a? – perguntou o João, de apurado falar. – Não. Eu bebo para me desapaixonar… Mas o Chico possuía outros iguais motivos: – E eu para esquecer… – Esquecer o que? – Esqueci.

E, ao cabo de até que fora-de-horas, saíram, Chico e João empunhando José, que tinha o carro. No que, no ato, deliberaram e adiaram, e entraram, ora em outra porta, para a despedidosa dose. João e Chico já arrastando o José, que nem que a um morto proverbial. – Dois uísques, para nós… – Chico e João pediram – e uma coca-cola aqui para o amigo, porque ele é quem vai dirigir…

E – quem sabe como e a que poder de meios – entraram no auto, pondo-o em movimento. Por poucos metros: porque havia um poste. Com mais o milagre de serem extraídos dos escombros, salvos e sãos, os bafos inclusive. – Qual dos senhores estava na direção? – foi-lhes perguntado. Mas: – Ninguém nenhum. Nós todos estávamos no banco de trás…

E, deixando o José, que para mais não se prezava, Chico e João precisavam vagamente de voltar a casas. O Chico, sinuoso, trambecando; de que valia, em teoria, entreafastar tanto as pernas? Já o João, pelo sim, pelo não, sua marcha ainda mais muito incoordenada. – Olhe lá: eu não vou contar a ninguém onde foi que estivemos até agora… – o João predisse; epilogava. E ao João disse o Chico: – Mas, a mim, que sou amigo, você não podia contar?

E, de repente, Chico perguntou a João: – Se é capaz, dê-me uma razão para você se achar neste estado?! Ao que o João obtemperou: – Se eu achasse a menorzinha razão, já tinha entrado em lar – para minha mulher ma contestar…

E, desgostados com isso, João deixou Chico e Chico deixou João. Com o que, este penúltimo, alegre embora física e metafisicamente só, sentia o universo: chovia-se-lhe. – Sou como Diógenes e as Danaides… – definiu-se , para novo prefácio. Mas, com alusão a João: – É isto… Bêbados fazem muitos desmanchos… – se consolou, num tambaleio. Dera de rodear caminhos, semi-audaz em qualquer rumo. E avistou um avistado senhor e com ele se abraçou: – Pode me dizer onde é que estou? – Na esquina de 12 de Setembro com 7 de Outubro. – Deixe de datas e detalhes! Quero saber é o nome da cidade…

E atravessou a rua, zupicando, foi indagar de alguém: – Faz favor, onde é que é o outro lado? – Lá… – apontou o sujeito. – Ora! Lá eu perguntei, e me disseram que era cá…

E retornou, mistilíneo, porém, porém. Tá que caiu debruçado em beira de um tanque, em público jardim, quase com o nariz na água – ali a lua, grande, refletida: – Virgem, em que altura eu já estou!… E torna que, sesoerguido, mais se ia e mais capengava, adernado: pois a caminhar com um pé no meio-fio e o outro embaixo, na sarjeta. Alguém, o bom transeunte, lhe estendeu a mão, acertando-lhe a posição. – Graças a Deus! – deu. – Não é que eu pensei que estava coxo?

E, vai, uma árvore e ele esbarraram, ele pediu muitas desculpas. Sentou-se a um portal, e disse-se, ajuizado: – É melhor esperar que o cortejo todo acabe de passar…

E, adiante mais, outra esbarrada. Caiu: chão e chumbo. Outro próximo prestimou-se a tentar içá-lo. – Salve primeiro as mulheres e as crianças! – protestou o Chico. – Eu sei nadar…

E conseguiu quadrupedar-se, depois verticou-se, disposto a prosseguir pelo espaço o seu peso corporal. Daí, deu contra um poste. Pediu-lhe: – Pode largar meu braço, Guarda, que eu fico em pé sozinho… Com susto, recuou, avançou de novo, e idem, ibidem, itidem, chocou-se; e ibibibidem. Foi às lágrimas: – Meu Deus, estou perdido numa floresta impenetrável!

E, chorando, deu-lhe a amável nostalgia. Olhou com ternura o chapéu, restado no chão: – Se não me abaixo, não te levanto. Se me abaixo, não me levanto. Temos de nos separar, aqui…

E, quando foi capaz de mais, e aí que o interpelaram: – Estou esperando o bonde… – explicou. – Não tem mais bonde, a esta hora. E: – Então, por que é que os trilhos estão aí no chão?

E deteve mais um passante e perguntou-lhe a hora. Daí: – Não entendo… – ingrato resmungou. – Recebo respostas diferentes, o dia inteiro.

E não menos deteve-o um polícia: – Você está bebaço borracho! – Estou não estou… – Então, ande reto nesta linha do chão. – Em qual das duas?

E foi de ziguezague, veio de ziguezague. viram-no, à entrada de um edifício, todo curvabundo, tentabundo. – Como é que o senhor quer abrir a porta com um charuto? – É… Então, acho que fumei a chave…

E, hora depois, peru-de-fim-de-ano, pairava ali, chave no ar, na mão, constando-se de tranquilo terremoto. – Eu? Estou esperando a vez da minha casa passar, para poder abrir… Meteram-no a dentro.

E, forçando a porta do velho elevador, sem notar que a cabine se achava parada lá por cima, caiu no poço. Nada quebrou. Porém: – Raio de ascensorista! Tenho a certeza que disse: – Segundo andar!

E, desistindo do elevador, embrigatinhava escada acima. Pôde entrar no apartamento. A mulher esperava-o de rolo na mão. – Ah, querida! Fazendo uns pasteizinhos para mim? – o Chico se comoveu.

E, caindo em si e vendo mulher nenhuma, lembrou-se que era solteiro, e de que aquilo seriam apenas reminiscências de uma antiquíssima anedota. Chegou ao quarto. Quis despir-se, diante do espelho do armário: – Que?! Um homem aqui, nu pela metade? Sai, ou te massacro!

E, avançando contra o armário, e vendo o outro arremeter também ao seu encontro, assetou-lhe uma sapatada, que rebentou com o espelho nos mil pedaços de praxe. – Desculpe, meu velho. Também, quem mandou você não tirar os óculos? – o Chico se arrependeu.

E, com isso, lançou; tumbou-se pronto na cama; e desapareceu de si mesmo.

Do livro “Tutaméia (Terceiras Estórias)”, 8.ed, Nova Fronteira, 1985. p. 115-118

TSE x TRE-RJ

Conforme a notícia lá do Clipping da AASP, eis que surge mais uma voz racional no meio de todo esse imbróglio…

A posição do TSE nesse caso também é diferente da do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Em maio, o coordenador da Fiscalização da Propaganda Eleitoral no Estado do Rio, juiz Luiz Márcio Victor Alves Pereira, baixou portaria que permite aos candidatos o uso de seus blogs e comunidades de relacionamento. O magistrado levou em conta que “o acesso às páginas da internet, aos blogs e aos sítios de relacionamento dependem da iniciativa direta dos usuários que espontaneamente buscam os endereços eletrônicos desejados ou mesmo se utilizam de habilitação ou convite para o estabelecimento de contatos nas comunidades”. Para o juiz, é “uma realidade inexorável” o fato de que “a chamada grande rede se tornou um ambiente extremamente democrático”.