Mundo globalizado?

Que sirva de lição aos grandes amantes das modernidades e de todas essas traquitanas tecnológicas. Nossa realidade é bem outra. O mundo lá fora existe, sim senhores. Eu mesmo somente acabei me lembrando disso ao – só hoje! – ler o post  do último dia 10 de junho lá no Lente do Zé.

Ficamos tão preocupados com as novidades, com o virtual, com as posturas, com os movimentos sociais na rede, e, no meu caso ainda pior, com posturas jurídicas, correntes doutrinárias, decisões de tribunais, sentenças incongruentes, que acabamos esquecendo que o mundo não gira em torno de nosso umbigo. O ser humano foi “inventado” bem antes dos computadores e costumava ter seu próprio modus operandi antes dessa era digital. Eu sou o primeiro a sempre me dar esse puxão de orelha para me lembrar disso – mas também sou sempre o primeiro a esquecer…

Bem, segue o texto na íntegra, que foi publicado pelo Zé sob o título de “Rosário e Chapada do Norte”.

Alguém já ouviu falar em Chapada do Norte?

Trata-se de uma cidadezinha mineira de apenas 15 mil habitantes (destes, 9.000 na zona rural), 555 km pra cima de Belo Horizonte – mais precisamente no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais miseráveis do país.

Minha diarista, a Rosário, é de lá. Há mais de vinte anos trabalhando comigo, em quatro casas eu morei, nas quatro ela me ajudou a organizar o caos semanal. Também faz faxina no Villaggio, na casa da Rô e até na gravadora Lua, ainda hoje. Trabalha duro seis dias por semana, incansável.

Vinte anos trabalhando pra mim e até hoje não sei seu sobrenome – até porque nunca precisei saber. Também nunca soube seu endereço, e só passei a ter como falar com ela fora de casa depois lhe dar um celular que havia trocado por um modelo mais novo, cerca de dois anos atrás. Não porque tivesse necessidade ou motivos pra ligar – já que nunca faltou sequer um dia. Simplesmente perguntei se ela queria a geringonça e a resposta foi sim, aceito, obrigado.

Perto dos seus sessenta anos, sempre foi do tipo caladona, séria. Nos últimos anos é que começou a rir um pouco das minhas brincadeiras, a conversar timidamente. Solteira e sem filhos, mora num desses subúrbios da Capital com uma “sobrinha”, moça (des) casada que era filha de uma de suas ex-patroas e que, quando perdeu a mãe, foi morar com a amada faxineira – vejam só.

Das poucas coisas que sei dela, uma é que, há anos, vem economizando e mandando caraminguás pra construção de uma casinha para os pais, velhinhos, lá em Minas. Nesse “palácio”, que nunca termina de ser construído, é que planeja morar quando se aposentar.

Já faz três anos que Rosário não vai a Chapada do Norte. Um pouco por falta de dias livres, outro pra não deixar a “sobrinha” sozinha com seu bebê, já que praticamente sustenta todo mundo em casa. “Este ano ano eu vou dar um jeito de ir”, vinha dizendo.

Ontem ela soube, através de um telefonema – que nem teve chance de atender -, que seu pai falecera. Na verdade, já tinha até sido enterrado, no último sábado.

Veio trabalhar assim mesmo, mais calada do que de costume. Hoje cedo sua tristeza só não era maior do que a frustração e a sensação de impotência diante de um simples detalhe: não tem como falar com seus familiares. Não pode saber como está a mãe, só soube – por quem ligou e deixou recado na sua casa – que a velha senhora “não estava bem”.

Ora, mas como – em pleno 2008 – alguém não consegue falar com alguém neste país por telefone, questionei? Resignada, respondeu que na zona rural de Chapada do Norte só tem um telefone, comunitário, e que não consegue completar uma mísera ligação pra lá. “Deve estar quebrado, como sempre”, concluiu, com pesar. Quem ligou e avisou sobre a perda do pai, explica, teve que rodar pelo menos 40 minutos em estrada de terra até a cidade, sabe-se lá em que condução, pra ter como mandar a triste mensagem.

“Meu pai tinha 84 anos, mas sua saúde era boa”, falou. “Nem sei do que ele morreu, vamos tentar mandar um telegrama amanhã e pedir notícias”.

E continuou seu trabalho, calada, como sempre fez nesses vinte anos.

Sobre liberdade de expressão

Contribuição do amigo Marcelo Bicarato, dando seus dois cents para toda essa controvérsia que já vem acontecendo no cenário pré-eleitoral.

Segundo notícia da Folha Online o juiz Francisco Carlos I. Shintate, da Primeira Zona Eleitoral de São Paulo, em sentença de 14 de junho de 2008 (que pode ser lida na íntegra aqui), acolheu duas representações do Ministério Público Eleitoral e numa tacada só decidiu multar, por “propaganda eleitoral antecipada”, a editora Abril, a Folha e Marta Suplicy.

Numa até bem construída linha de raciocínio ele cita diversos dispositivos constitucionais, bem como traz outras fundamentações doutrinárias e jurisprudenciais (credo, quanto juridiquês!), até desaguar no seguinte:

Por outro lado, a publicação de entrevista em mídia escrita poderia violar a igualdade entre os pré-candidatos, ao permitir que um deles expusesse, antes dos demais e fora do período permitido, sua pretensão de concorrer ao cargo, sua plataforma de governo, enaltecendo suas qualidades e realizações passadas, criticando as ações do atual governo e imputando qualidades desfavoráveis aos adversários.

(…)

Dito isso, força é convir que, embora a liberdade de imprensa esteja elevada à categoria de princípio constitucional, não se pode esquecer que, além desta garantia, por igual vigora outro princípio, de mesma hierarquia, que garante a igualdade dos candidatos no pleito.

PÉRAÊ!!!

E cadê a liberdade de expressão, nesse sentido? Mesmo os “pré-candidatos” a tem, de modo que entendo plenamente passível de que possam dizer se gostam ou não de determinada administração, de suas realizações, de suas omissões, da cara de beltrano ou fulano, da cor de seus olhos, enfim, de que possam se expressar propriamente dito.

Ademais, se fosse como deseja o ilustre magistrado, e até mesmo voltando à discussão sobre candidatos, blogs e Internet, então nenhum veículo noticioso poderia trazer qualquer entrevista com eles? Mesmo que se tratasse de pessoas atualmente exercendo cargos públicos? Tudo que eles disserem será usado contra eles até prova em contrário? É isso?

Ora, se a liberdade de comunicação é princípio constitucional, assim como o tratamento com igualdade entre as pessoas, também o é a liberdade de expressão, não concordam?

E daí? Quem teria razão?

Trago a lição do juiz George Marmelstein (também blogueiro), que em seu artigo “Princípios e Regras: uma distinção didática” ensina (grifos meus):

E com relação aos princípios? O que fazer quando dois princípios apresentam soluções diferentes para o mesmo problema, já que não há entre eles, em regra, hierarquia e eles foram promulgados ao mesmo tempo e possuem o mesmo grau de abstração?

Esse fenômeno é chamado de colisão de princípios e é muito mais frequente do que se imagina. Muitas vezes, quando se segue um rumo indicado por uma norma-princípio é possível que se afaste do rumo indicado por outra norma-princípio. Os princípios nem sempre apontam para o mesmo destino.

Observe os direitos de personalidade (honra, imagem, privacidade etc.). Eles apontam para a proteção da pessoa, para o resguardo da intimidade, para o segredo, para a não divulgação da imagem…

Agora observe o direito de informação e o direito de liberdade de expressão. Eles apontam para a direção oposta: para a transparência, para a divulgação de dados e informações, inclusive pessoais…

Quanto mais se caminha em direção aos direitos de personalidade mais se distancia do direito à liberdade de expressão e vice-versa.

Acontece que, na minha ótica, a liberdade de expressão individual não deixa de ser um direito personalíssimo. E, assim o sendo, o dito “tratamento com igualdade” – que, neste caso, será exercido por terceiros – possui um cunho generalizador que extrapola o direito pessoal.

E o curioso é que em sua sentença o juiz chega a considerar essa questão, quando então deveria ser exercida uma ponderação, de modo a verificar a prevalência deste ou daquele princípio. Mas, em sua equação, faltou considerar também a própria liberdade de expressão do indivíduo…

Bom, enfim, acho que ainda tem muito pano pra manga nesse caso. Não diria necessariamente que o juiz esteja “errado” (a despeito de outros absurdos vistos em instâncias superiores), mas simplesmente que não levou em consideração todas as facetas do problema.

Ou seja, seus sucrilhos ainda não estão vencidos – mas tá bem pertinho disso!

😉

Emenda à Inicial: numa curiosa invertida, observando o disposto no artigo 3º da malfadada Resolução nº 22.718 do TSE, eis um trechinho do clipping da AASP: O presidente do TSE também afirmou que não é proibida a realização de entrevista com ‘supostos ou até prováveis candidatos’. ‘Não está proibido nesse período fazer entrevista com supostos candidatos ou até prováveis candidatos. Pode traduzir idéias, opiniões. O que não pode é antecipar uma plataforma de governo.’

Evolução da informática

Alguém saberia me dizer o que exatamente seria esse “objeto” aí da foto?

Não?

Ninguém?

Você, aí do fundo?

Pois bem, acreditem ou não, esse trambolho é nada mais nada menos que um disco rígido!

Foi o amigo Xina que me enviou um e-mail com essa foto já há algum tempo, mas antes de divulgar eu quis dar uma fuçada e comprovar a “veracidade” da coisa. Revendo a data do e-mail percebo que levei nove meses pra isso…

Mas voltemos ao HD. Em setembro de 1956 a IBM lançou o primeiro computador com disco rígido. Seu nome: RAMAC 305. Pesava cerca de uma tonelada (só o HD, não o computador) e possuía a portentosa capacidade de armazenamento de – adivinhem? – 5Mb!

Não. Eu não errei na digitação, não. Eram cinco megabytes mesmo.

E você aí reclamando que seu pendrive tem um giga, hein?…

Evolução da matemática

Tragicômico.

Mas real.

A estória recebi já há um bom tempo do amigo Cláudio (um dos mais novos cidadãos Pelotenses), mas poderia ser plenamente real. E ainda preciso falar por aqui sobre a volta da matéria Filosofia às escolas. Mas por enquanto fiquemos na matemática…

Semana passada comprei um produto que custou R$1,58. Dei à balconista R$2,00 e peguei na minha bolsa 8 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 50 centavos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que deve ter sido assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. Escolha a resposta certa,que indica o lucro:

( )R$20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção desse carro de lenha é R$80,00. O lucro é de R$20,00. Está certo?

( )Sim ( )Não

6. Ensino de matemática em 2007:
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$80,00. Se você consegue ler coloque um X no R$20,00.

( )R$20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

Onde vamos parar?…

Um brinde ao ócio

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Adauto de Andrade

( Publicado no Legal em 04/04/2007 )

Plena terça-feira. Feriado na cidade de Jacareí – aniversário de 355 anos. Fomos agraciados com um dia de descanso no meio da loucura burocrática que usualmente nos afoga.

Moro na cidade vizinha, onde o comércio funcionou normalmente e “aproveitei” (lema da Dona Patroa) para fazer inúmeras coisas. Desde providenciar algumas “cópias para avaliação perpétua” de alguns DVDs para um amigo, passando pela compra (e armazenamento – na pá!) de meio metro de areia, bem como levar o carro no mecânico, procurar e comprar algumas peças para restauração, levar os filhotes para escola (pelo menos um dia de folga também para a Dona Patroa), até outras compras e tarefas básicas – e eis que me deparei com as duas da tarde.

O mecânico pediu para que eu lhe ligasse lá pelas três, então teria uma hora para matar pela frente.

Com o calor que está fazendo (sei lá, uns 35 graus?) e já suando em bicas, decidi passar essa hora “proseando” com uma loura. Gelada. Estupidamente gelada.

Das diversas opções à minha frente, restaurantes, bares, happy-hours e outros, decidi por um resgate à simplicidade. Um mero boteco em pleno centro comercial de São José dos Campos, próximo do velho shopping e da antiga Câmara Municipal.

Boteco mesmo. Com ovos cozidos na estufa e garrafas empoeiradas de cachaça espalhadas por todas as paredes.

Aliás, essa é a melhor maneira de se tornar total e completamente invisível. Ninguém olha pros capiaus que estão num lugar como esse.

– Pode fumar aqui? – o atendente me olha com uma cara de incredulidade. Tolo que fui. É LÓGICO que pode.

Passei a hora seguinte sentado ao balcão exercendo a mais doce arte do ócio. Sem pensar no passado, presente ou futuro, simplesmente vendo o movimento de pessoas na calçada enquanto me refrescava com uma Brahma (royalties, please) ignorantemente gelada. Acendi um cigarro.

Após a primeira baforada, comecei a prestar mais atenção no desfile humano que passava a minha frente. Inúmeras moças, moçoilas e senhoras, todas com pressa e certeza de que têm que chegar logo a seu destino – seja ele qual for. Em comum entre elas somente o fato de que quase todas estão “na moda”, usando aquelas sandálias, chinelos e tamancos plataformas. Coisas gigantes. Ainda bem que não nasci mulher. Certamente eu cairia daquele troço no primeiro passo.

Passam dois ébrios, um mais encardido e encachaçado que o outro, com os tradicionais cachorros vira-latas os seguindo (alguém sabe explicar esse mistério?). Pelo menos nenhum deles veio me pedir um real para “ir” sabe lá Deus pra onde.

Um carro com um equipamento de som potentíssimo passa na rua, democratizando a todos que não querem ouvir uma música de qualidade muito abaixo do nível do discutível. Outra indagação de cunho universal se faz presente: por que desses caboclos que gastam milhares – sim, milhares – de reais para colocar um equipamento de som desses num carro, nenhum deles têm sequer um mínimo de bom gosto cultural? Não sou nenhum expert na área musical, mas conheço o suficiente para saber que “tô ficando atoladinha” não é nenhum clássico da MPB ou do rock progressivo mundial.

Dois policiais militares passam eu suas motos. Alguém se lembra de CHiPs? Pois é. Totalmente diferentes. Sob suas fardas e coletes à prova de balas (sinal dos tempos), devem estar derretendo com esse calor.

Encho meu copo e acendo outro cigarro.

Como já trabalhei nos mais diversos lugares e profissões, desde entregador de jornais, bicicleteiro, “fazedor” e “entregador” de salgados, passando por bancário, funcionário público, e até mesmo junto à redação de jornais locais e agências de publicidade, conheço MUITA gente. Mais do que sou capaz de lembrar. E dos inúmeros rostos que passam pela minha frente, muitos são de velhos conhecidos, que, em algum momento, pertenceram ao meu passado.

Dentre esses, vejo passar, todo apressado, um rapaz que foi meu funcionário. A última notícia que tive dele foi que assumiu a gerência de uma agência bancária. Está engravatado e com uma camisa de mangas compridas. “Quente”, penso eu. E velho. Marcas de constantes preocupações e estresse estão bem delineadas em sua face. Cabelo grisalho. Ar de cansado.

Mas, como disse, estou invisível e ele não me vê. Pergunto-me intimamente se também não estou tão velho e marcado como ele, apesar de meus parcos 38 anos.

Uma criança, com sua jovem mãe (quanto terá? apenas de uns 16 a 17 anos?) passa saboreando uma espiga de milho verde. Um negro, rastafari, camiseta estampada com uma foto do Bob Marley, passa com um estampado ar de dignidade. Alguns executivos se vangloriando do quão bons eles são, logo são seguidos por algumas prostitutas discutindo quem sairá na próxima etapa do Big Brother.

Um pequeno interlúdio para atender um amigo que me liga no celular, contando uma das inúmeras desventuras que sempre encontra no mister de sua profissão. Hilário. Inenarrável. Mas, ainda assim, hilário.

Mas o desfile continua e meu tempo vai chegando ao fim.

Acendo outro cigarro.

Crianças suando, dormindo no colo de suas mães. Portadores de deficiências (desculpem-me, não sei qual o “termo politicamente correto” em voga) passam lentamente. Quarentões, barrigudos, cobertos de correntes “de ouro”, com suas camisas abertas até o umbigo, mesclam-se com patricinhas e office-boys apressados. Um sujeito que parece saído de uma festa country – ostentando uma gigantesca fivela em seu cinto – pára, tira o chapéu, enxuga o suor da testa, enquanto aguarda alguns momentos para seu cavalo defecar bolotas em plena via pública.

Mesmo assim, o show de horrores e maravilhas continua incessantemente.

Mais rostos conhecidos desfilam à minha frente – alguns me fazem lembrar de nomes e lugares, outros não. Mas minha hora de ócio está praticamente no fim.

No decorrer dessa hora não me tornei mais sábio ou mais inteligente. Não desvendei os segredos do universo, nem tampouco me tornei um ser humano melhor.

Mas, no decorrer das duas cervejas que tomei, tive um momento de sobriedade na vida, constatando quão efêmera ela é.

Estamos aqui de passagem. Invisíveis, apenas observando ou correndo, efetivamente participando. Podemos assumir um papel ativo ou passivo no decorrer das coisas.

Particularmente, creio que o caminho do meio ainda é o melhor. Um pouco de cada. Acho que seria a melhor maneira de não desperdiçar nosso tempo.

E encerro meu relato sob a discussão acalorada de duas meninas que procuram decidir qual seria o melhor meio de retocar a tatuagem de uma delas, enquanto meu vizinho de balcão chuta o cesto de lixo em meus pés e corre para o banheiro (o qual, aliás, é como qualquer banheiro de qualquer boteco).

Minha última imagem?

A passagem de um saltitante pequerrucho, de uns dois anos, segurando a mão de sua mãe, divertindo-se a valer com sua bexiga, fazendo de conta que era um balão.

Esperança. Imaginação criativa. De fato, estas ainda são as melhores opções!