Internética

( Publicado originalmente em meu antigo domínio “HABEASDATA”, em março/2002 )

INTERNET – PUBLICIDADE – ASSOCIAÇÃO DE ADVOGADOS ATUANTE EM MUNICÍPIO – PROVEDOR DE ACESSO – OFERTA DE HOMEPAGE

Processo n. E-2.546/02
Relator – Dr. JOÃO TEIXEIRA GRANDE
Revisor – Dr. RICARDO GARRIDO JUNIOR
Presidente – Dr. ROBISON BARONI
Julgamento – 21/03/02 – v.u.

EMENTA

INTERNET – PUBLICIDADE – ASSOCIAÇÃO DE ADVOGADOS ATUANTE EM MUNICÍPIO – PROVEDOR DE ACESSO – OFERTA DE HOMEPAGE – Associação de Advogados pode prestar serviços de provedor aos profissionais, facultando-lhes home page. Esta, entretanto, deverá observar as disposições estatutárias e do Código de Ética quanto à publicidade, que não poderá ser imoderada, não poderá estampar fotografias, nome fantasia, anúncio de outras atividades profissionais e qualidades ou títulos estranhos à advocacia, bem como relação de clientes. O advogado deve, sempre, evitar a mercantilização, a captação, e a concorrência desleal. O exercício da advocacia é uma função social, é uma dedicação vocacional, é uma atividade humanística, é um relacionamento pessoal, é o comportamento sereno, enfim, é a colheita do sucesso como resultado do estudo constante, do trabalho árduo, da indicação dos próprios clientes. Proc. E-2.546/02 – v.u. em 21/03/02 do parecer e voto do Rel. Dr. JOÃO TEIXEIRA GRANDE – Rev. Dr. RICARDO GARRIDO JUNIOR – Presidente Dr. ROBISON BARONI.

A História dos Quadrinhos – no Brasil e no mundo

O que são “Quadrinhos”?

Quadrinhos ou Histórias em Quadrinhos, as conhecidas HQs, são narrativas feitas com desenhos sequenciais, em geral no sentido horizontal, e normalmente acompanhados de textos curtos de diálogo e algumas descrições da situação, convencionalmente apresentados no interior de figuras chamadas “balões”.

Difundidos em revistas e jornais, os quadrinhos se tornaram um dos mais importantes veículos de comunicação de massa e criaram linguagem própria, com uma série de signos inovadores, em grande parte incorporada posteriormente pelo cinema, pela televisão e pela publicidade.

As tirinhas de jornal e as revistas de HQs, tornaram-se inquestionavelmente o maior e mais influente campo iconográfico da História, com bilhões de ilustrações produzidas desde 1900 ou um pouco antes. Essa produção certamente representa a mitologia gráfica dominante no Século XX. Nem mesmo o cinema e a televisão podem vangloriar-se de ter conseguido atingir um terço da humanidade, como os quadrinhos o fizeram.

Um início despretensioso

No mesmo período histórico em que surgiu o cinema, o telégrafo e o raio x, surgiu nos Estados Unidos uma forma singular de comunicação que se tornaria um gênero característico do Século XX: as histórias em quadrinhos.

Nos anos de 1895-1900 surgiram nas tiras de jornais dominicais nos Estados Unidos, os primeiros personagens das HQs. Dentre os quais, o primeiro a fazer fama: Yellow Kid, de Richard Outcault. Alguns anos depois, o êxito de Yellow Kid levou Rudolph Dirks a produzir Katzenjammer Kids, a primeira criação a desenvolver totalmente as características da moderna tirinha: usava balões, tinha elenco permanente e era dividida em quadros.

A novidade se espalhou pelo mundo. O Japão e a Europa se mostraram terrenos férteis para material de HQs e surgiram muitos cartunistas célebres no início do Século XX. A revolução estética ficou à cargo de Little Nemo in the Slumberland, lançado em 1905 por Winsor McCay, que usava pela primeira vez a perspectiva em seus desenhos.

Um crescimento assombroso

Nessa época os quadrinhos começavam a se tornar um elemento indispensável nos jornais diários. Foi quando George Herriman lançou Krazy Kat, a história de um mundo poético, ao mesmo tempo surreal e cômico, no qual, com extrema simplicidade gráfica, eram expostas as relações entre os membros de um pequeno elenco de personagens. Essa foi a primeira tirinha para o público adulto e inaugurou as histórias com animais, que culminaria com o aparecimento do famoso Gato Félix, de Pat Sullivan, e do Mickey Mouse, de Walt Disney. Em 1930, Hergé cria Tintin, cujo êxito se prolongou por décadas.

No ano seguinte surgiram Betty Boop, de Max Fleischer e Tarzan, de Harold Foster. Buck Rogers e Popeye (criado por Elzie Crisler Segar) também estrearam em 1931.

A década de 30 trouxe ainda criações quase imortais para os quadrinhos, que introduziram a aventura como tema principal. Alex Raymond, criou Flash Gordon, Jim das Selvas e o agente secreto X-9. Chester Gould criou Dick Tracy. Lee Falk concebeu o Fantasma e o Mandrake.

O sucesso das histórias de aventura gerou as revistas exclusivamente sobre quadrinhos. As pioneiras foram as japonesas (da década de 20). Em 1933 surgiu a primeira revista americana de quadrinhos, a Funnies on Parade. Depois vieram a Famous Funnies, Tip Top Comics, King Comics, Action Comics (onde Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o Super-Homem) e Detective Comics (onde Bob Kane, em 1939, criou o Batman).

Com a disputa da Segunda Guerra Mundial, muitos personagens, sobretudo os heróis, passaram a se envolver em tramas de guerra e violência. Surgiram então, outros personagens célebres, como Capitão Marvel, Tocha Humana, Namor – O Príncipe Submarino, e toda uma legião de justiceiros devotados à causa da paz e da democracia.

Em meio a tantos, a Marvel Comics criou, sob a batuta de Stan Lee e Jack Kirby, o Capitão América. O personagem, que tem o uniforme inspirado na bandeira americana e um escudo de um metal indestrutível, foi como uma personificação da luta dos povos livres contra o nazismo. O personagem tinha todas as características ideais de um americano, como senso de justiça e liberdade e força para lutar pela preservação destes ideais, contra os inimigos alemães.

Nessa época, foi lançada a revista Mad (que satirizava as historietas clássicas) e também o personagem The Spirit, de Will Eisner. Para se ter uma idéia da importância do Spirit, hoje o maior prêmio do mundo das HQs leva o nome do seu criador (se chama Prêmio Will Eisner) e é conhecido como o Oscar dos Quadrinhos.

A entressafra

Fora do controle dos jornais, editados em suas revistas próprias, os quadrinhos foram ficando mais violentos e psicóticos. Surgiam personagens e revistas especializados em terror e violência. Contra essa tendência, se organizaram pais e educadores do todo o mundo e até legisladores de países europeus e, principalmente dos Estados Unidos, levantaram a voz contra os quadrinhos. Eles achavam que as HQs influenciavam negativamente as crianças e queriam proibir suas publicações.

A situação foi ficando cada vez mais tensa e o governo americano chegou ao ponto de censurar vários quadrinhos de heróis. O principal defensor da idéia dizia que as HQs ajudavam negativamente na formação dos jovens americanos. Chegaram a insinuar que a amizade entre o Batman e o Robin sugeria uma relação homossexual e que isso afetava as crianças.

A perseguição da justiça, aliada ao fim da Guerra, fez despencar as vendas de revistas de quadrinhos, pois os heróis já eram o carro-chefe da Nona Arte na época. A criação de códigos de ética e de postura por parte das editoras, para combater a censura, só foi dar resultados alguns anos mais tarde.

Enquanto o mercado de revistas e heróis desmoronava, as tirinhas de jornais voltaram aos dias de glória e surgiram personagens importantes, como Asterix – o Gaulês, de Albert Uderzo e René Goscinny, Mortadelo e Salaminho e Os Smurfs, de Peyo. O personagem Pogo, de Walt Kelly, fez muito sucesso na época.

A recuperação

A década de 60 marcou a recuperação do mercado de heróis. Isso se deveu a vários motivos. O código de ética, que previa menos violência já estava em vigor a algum tempo, a perseguição da justiça americana já estava em baixa e as editoras lançaram heróis com características mais humanas e filosóficas, com dramas psicológicos e problemas cotidianos.

Surgiram nessa época personagens como o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico, o Thor – o Deus do Trovão e o Surfista Prateado. Todos foram criados pela editora Marvel, concebidos pelas mentes dos mestres Stan Lee e Jack Kirby.

Com o mercado de heróis em alta novamente, os quadrinhos ganharam nova explosão de criação. As outras categorias vinham no embalo. Surgiram personagens femininas que inspiravam a moda das mulheres no mundo inteiro. Surgiram também personagens eróticas como Vampirela, de Jean-Claude Forrest, Jodelle, de Guy Peelaert, Valentina, de Guido Crepax. No fim da década, surgiu o gênero underground, que abordava o submundo das drogas e do sexo livre, satirizando as situações. Em 1973, Hagar – o Horrível, é criado por Dirk Browne e vira sucesso instantâneo.

A situação atual

Nas últimas décadas do século XX, os heróis se firmaram e ganharam mais revistas. Os criadores de histórias (roteiristas e desenhistas) passaram a ser celebridades mundialmente famosas e seus nomes nos créditos das histórias passaram a contar tanto quanto o nome de um ator famoso em um filme.

Nomes como Frank Miller, Dan Jurgens, John Byrne, Grant Morrisson, Mark Waid, Kelley Jones, Jim Lee, Leph Loeb, Neil Gaiman, Alan Moore e outros se firmaram e despontaram dentre os demais.

Revistas alternativas, na linha sexo-terror, surgiram e fizeram sucesso com edições de alto nível gráfico, sempre destinadas ao público adulto. São dessa fase revistas como Zulu, Hara-Kiri e a mais clássica de todas, Heavy Metal.

Os personagens continuaram a aparecer. Surgiram Tank Girl, de Jamie Hurlott, Hellblazer, de Alan Moore e Sandman, de Neil Gaiman. É dessa época também a febre X-Men, os heróis mutantes, que se firmou como a maior vendedora de revistas da atualidade. Garfield, de Jim Davis e Calvin, de Bill Waterson se firmaram como os maiores personagens de tirinhas de jornais do fim do século XX.

No fim da década de 90 surge uma editora de peso, a Image Comics, fundada por ex-funcionários da Marvel e da DC Comics (as duas maiores produtoras de heróis), que achavam que não tinham o espaço necessário para criar seus personagens e tinham que seguir as ordens dos editores. Da Image saiu o maior sucesso editorial do fim do século: Spawn, de Todd McFarlane, que se tornou tão popular quanto o Super-Homem e o Batman. O personagem faz enorme sucesso em sua revista e alavanca produtos secundários como bonecos, roupas, jogos e até filmes.

O século termina consagrando McFarlane como um dos grandes nomes das HQs, ao lado de gênios como Alan Moore (que criou a obra-prima dos quadrinhos, a mini-série Watchmen), Frank Miller (autor das fantásticas Batman – Cavaleiro das Trevas e Demolidor – homem sem medo) e do desenhista Alex Ross (que ilustrou as históricas obras Marvels, Reino do Amanhã e Super-Homem – Paz na Terra), que deu uma realidade nunca antes vista nos desenhos das HQs. Ross foi o primeiro desenhista a ganhar tanta fama quanto os roteiristas de quadrinhos de heróis.

Quadrinhos no Brasil

Muitos estudiosos querem o crédito pela invenção do gênero ao cartunista italiano Angelo Agostini, que, radicado no Brasil, escreveu, em 1869 (muito antes de Yellow Kid), As Aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à corte, uma autêntica história em quadrinhos. Quinze anos depois ele seria responsável pela criação dos primeiros quadrinhos brasileiros de longa duração, com as Aventuras do Zé Caipora.

Em 1905 começaram a surgir outras histórias em quadrinhos nacionais com o lançamento da revista O Tico-Tico. Surgiu o personagem Chiquinho, de Loureiro. Também graças à revista, surgiram Lamparina, de J. Carlos, Zé Macaco e Faustina, de Alfredo Storni, Pára-Choque e Vira-Lata, de Max Yantok e Reco-Reco, Bolão e Azeitona, de Luis Sá.

Em meados de 1930, Adolfo Aizen lançou o Suplemento Juvenil, com o qual introduziu no Brasil as histórias americanas. O sucesso o levou a editar mais duas revistas: Mirim e Lobinho. Em 1937, Roberto Marinho entrou no ramo com O Globo Juvenil e dois anos depois lançou o Gibi, nome que passaria a ser também sinônimo de revistas em quadrinhos.

Na década de 50, começaram a ser publicados no Brasil, pela Editora Abril, as histórias em quadrinhos da Disney. A revista Sesinho, do SESI, permitiu o aparecimento de figurinhas carimbadas das HQs no país, como Ziraldo, Fortuna e Joselito Matos.

Para enfrentar a forte concorrência dos heróis americanos, foram transpostos para os quadrinhos nacionais aventuras de heróis de novelas juvenis radiofônicas, como O Vingador, de P. Amaral e Fernando Silva e Jerônimo – o herói do Sertão, de Moisés Weltman e Edmundo Rodrigues. Personagens importados tiveram suas versões brasileiras, como o Fantasma.

A partir da década de 60, multiplicaram-se as publicações e os personagens brasileiros. Destaque para Pererê, de Ziraldo (que mais tarde criaria O Menino Maluquinho), Gabola, de Peroti, Sacarrolha, de Primaggio e toda a série de personagens de Maurício de Sousa, dentre os quais, Mônica, Cascão e Cebolinha.

Maurício de Sousa é o maior nome dos quadrinhos nacionais. Foi o único a viver exclusivamente dos lucros de suas publicações. A Turma da Mônica é o maior sucesso do ramo no país, em todos os tempos. Virou uma linha de produtos que vão desde sandálias, a macarrões, passando por material escolar, roupas, etc. Também já foram produzidos desenhos animados longa-metragem com os personagens.

O jornal Pasquim ficou famoso por suas tirinhas de quadrinhos, principalmente os de Jaguar. O cartunista Henfil também se destaca nessa época. Daniel Azulay também criou e manteve um herói brasileiro, o Capitão Cipó, que representou um dos melhores momentos dos quadrinhos nacionais.

A Editora Abril passa a publicar os heróis da Marvel e da DC Comics no Brasil, com as revistas Capitão América e Heróis da TV. Posteriormente, com Batman, Super-Homem, Homem-Aranha e Incrível Hulk, dentre outros.

A partir da década de 80, os grandes jornais brasileiros passam a inserir trabalhos de autores nacionais em suas tirinhas, antes exclusivamente americanas. Dentre eles, destacam-se Miguel Paiva (Radical Chic), Glauco (Geraldão), Laerte (Piratas do Tietê), Angeli (Chiclete com Banana), Fernando Gonsales (Níquel Náusea) e Luís Fernando Veríssimo (As Cobras). Também a edição brasileira da revista americana Mad passa a publicar trabalhos com autores brasileiros.

Nos anos 90 o mercado brasileiro cresce um pouco mais. Novas revistas em quadrinhos de heróis passam a ser editadas no país, sobretudo da recém criada Image Comics. A Editora Abril continua na frente das rivais e publica a Spawn norte-americana.

O Brasil entra no Século XXI com o mercado de quadrinhos em expansão. A Editora Globo continua a publicar com grande sucesso os gibis da Turma da Mônica; a Editora Abril segue firme com os quadrinhos de heróis das americanas Marvel, DC e Image; a revista Heavy Metal americana lança sua edição brasileira, a Metal Pesado, e editoras menores publicam materiais de outras origens. Alguns cartunistas nacionais lançam a revista caricata Bundas.

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A História da História em Quadrinhos

História em quadrinhos… quando será que ela começou? com a primeira história do Donald? Ou do Mickey? Não, muito antes, amigos… na era das cavernas!

Já na Pré-História o homem primitivo desenhava, nas paredes das cavernas em que morava, cenas de sua própria vida: homens armados de lança, correndo atrás de um bisonte. Eram desenhos contando uma história, a história de suas caçadas. Assim começaram as histórias em quadrinhos.

Muito tempo depois, no Egito, sua escrita, os hieróglifos, já eram uma mistura de letras e desenhos em continuação. Os monumentos egípcios trazidos pelo Império Romano – como a “Coluna de Trajano” – mostram, numa sucessão de desenhos feitos numa coluna de pedra, como o faraó construiu uma pirâmide para seu túmulo, glorificando seu governo. Essa historieta começa lá em cima e vem se desenvolvendo até embaixo.

A história em quadrinhos – ou comics, nos Estados Unidos, bande dessinée, na França, fumetti na Itália – surgiu, tal como a conhecemos hoje, com a invenção da imprensa.

Os primeiros jornais quase que só traziam texto; as ilustrações eram raras. O desenho era incluído ocasionalmente nos artigos e havia três tipos de ilustração: a caricatura, o desenho de um objeto ou retrado de uma pessoa e o que reproduzia, de maneira realista, o acontecimento descrito no texto.

A caricatura era quase sempre de caráter político, refletia a opinião do jornal sobre personalidades famosas ou fatos históricos.

A ilustração das reportagens ou narrativas reproduzia sempre o que estava contado no texto.

Quando a fotografia foi inventada, essa técnica antiga foi inteiramente modificada. em 1886, o fotógrafo Nadar, do jornal francês Le Figaro, sugeriu que as fotos do seu entrevistado fossem montadas na primeira página do jornal, numa série de instantâneos. Era a dinamização da imagem ao lado do texto que se iniciava.

Os editores de jornais americanos começaram a notar que o público preferia os textos com imagens. As duas maiores empresas jornalísticas eram lideradas por Pulitzer e Hearst, nos fins do século XIX. Foi Pulitzer o primeiro a dar oportunidade a um desenhista de quadrinhos. Chamava-se Richard Outcault, e passou a apresentar (no jornal World), The Yellow Kid (O Garoto Amarelo).

As aventuras desse personagem eram mostradas por meio de desenhos em quadros sucessivos. O que mais sensação causou foi o aparecimento do texto dentro da própria imagem, circundado por um traço que se fechava apontando para a boca do personagem. Esse artista lançava, assim, em 1896, uma das técnicas fundamentais da história em quadrinhos: o “balão”.

Hoje a história em quadrinhos tomou conta do mundo inteiro e não só diverte crianças, jovens e adultos, mas também é estudada nos cursos de comunicação, ela que é um poderoso meio de comunicação pela imagem-texto.

Algumas curiosidades sobre as histórias em quadrinhos:

– Lee Falk foi o criador do Fantasma e Mandrake, e um dos maiores roteiristas (escritor de histórias em quadrinhos) à sua época;

– Os Sobrinhos do Capitão são os mais antigos personagens que ainda saem em revistas;

– Alex Raymond, criador de Flash Gordon, foi considerado o maior desenhista de quadrinhos de seu tempo pela beleza de seu traço;

– Al Capp, o criador de Li’l Abner (Ferdinando), o maior humorista;

– Milton Caniff (Terry e os Piratas) e Will Eisner (Spirit), os maiores estilistas;

– Walt Disney, por sua vez, criou a maior galeria de personagens, começando pelo Mickey, Donald e outros.

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Incidência de apelidos de família no Rio de Janeiro e em Porto Alegre

Pércio Pinto
do INGERS (Instituto Genealógico do Rio Grande do Sul), e
CBG (Colégio Brasileiro de Genealogia)

Antroponímia é o estudo do nome das pessoas. O vocábulo foi cunhado em 1887 pelo filólogo português Leite de Vasconcelos, que dedicou um capítulo de suas ‘Lições de Filosofia Portuguesa’ ao: ‘Onomástico Antigo e Moderno’. Ambos os vocábulos foram criados a partir do grego: onomatos, ‘nome’, e anthropos, ‘homem’, mais onoma. Diz o mestre: “O ‘estudo dos nomes próprios em geral’ chama-se onomatologia. O dos nomes geográficos tem em particular o nome de toponímia. Podíamos dizer paralelamente, com relação aos nomes de pessoas e seres personificados, antroponímia.”

O nome, genericamente falando e dentro do conceito de antroponímia, refere todos os vocábulos que compõem a denominação pela qual nos identificamos como pessoas, como estabelece o prof. Franz August Gernot Lippert em: ‘O Nome das Pessoas Físicas no Direito Brasileiro’. Coloquialmente chamamos nome aquele ou aqueles vocábulos que identificam o indivíduo: João ou João Antonio. Da mesma forma coloquial, chamamos sobrenome os apelidos das famílias: Silva, Santos, Oliveira, Souza, Pereira.

Os estudiosos da legislação brasileira mencionam, contudo, que esta não é uníssona nem rigorosa na conceituação dos vocábulos que compõem o nome. A expressão sobrenome, tão comum no Brasil, sequer existe na legislação; existe de fato.

Os franceses distinguem prenomes e nomes, utilizando os primeiros na identificação do indivíduo, e os segundos na identificação das famílias a que ele pertence, como ensina Albert Dauzat.

Estudiosos portugueses e brasileiros admitem apenas as designações clássicas: nomes, para os indivíduos, e apelidos, para as famílias. De um e de outro difere a alcunha, codinome que alguns indivíduos conquistam, ou sofrem.

Os apelidos de família, ou de clã, remontam a mais de cinco mil anos, como se pode ver na Bíblia, Números, 1, 20 a 50, quando o Senhor ordenou a Moisés, no Sinai, que fizesse o recenseamento dos filhos de Israel após a saída do Egito. Foram contados 603.550 homens de mais de vinte anos e toda esta gente, mais a família de cada um, foi dividida em doze tribos, mais a tribo de Levi que ficou encarregada do sacerdócio. Do nome de cada um dos patriarcas originou-se o nome da tribo ou, modernamente, seu apelido. Da tribo de Judá, a Bíblia dá minuciosa genealogia até Jesus.

Como os nomes individuais se sucediam, os judeus adotaram o apelido patronímico: Jacó filho de Abraão, que se distinguia de outros Jacós.

O patronímico foi o primeiro apelido de família; mais tarde foi usado o toponímico, que se refere ao lugar de nascimento ou vivência; e finalmente adotou-se, em certos casos, a alcunha.

O patronímico se caracteriza pelo uso da preposição, prefixos ou sufixos. Por exemplo: judaica, Bar Abas, filho de Abas; gaélica, Ab; árabe: Ibn; são preposições. MacNamara, escocês; O’Henry, irlandês; FitzGerald, inglês; são prefixos. São sufixos: o son, em Johnson, inglês; sen em Andersen, escandinavo; Álvarez, espanhol; Álvares, português. Todos significam: filho de.

São toponímicos portugueses: de Souza, da terra de Souza; de Maia, da terra de Maia; Chaves, da cidade de Chaves; Porto, da cidade do Porto, etc. Os toponímicos formam-se em geral com a preposição de, que não implica origem nobre como muitos entendem.

Finalmente os apelidos de família decorrem de alcunha: Calvo, Velho, Alegria, Negrão.

Essas introdução permitirá que o leitor possa identificar seu apelido de família com a provável origem.

O acadêmico R. Magalhães Jr. publicou em 1974 o livro ‘Como você se chama?’, dando origem a outros estudos de diferentes autores. Como curiosidade publicamos os 28 apelidos mais populares no Rio de Janeiro, por ele levantados a partir do guia telefônico, e 106 apelidos mais comuns em Porto Alegre, da mesma fonte, da lista deste ano (1979). Referem-se naturalmente às classes média e alta apenas, mas tem seguramente boa representatividade.

Em ambas as listas o leitor encontrará apelidos formados das três maneiras que indicamos (a preposição fica implícita em certos apelidos como: da Silva, de Souza, de Oliveira, da Costa, de Barros, e outros).

O exame das duas listas permite certas conclusões, como, por exemplo:

1. No Rio, como em Porto Alegre, os apelidos portugueses predominantes são precisamente os mais antigos registrados nos estudos genealógicos. A coincidência dos cinco primeiros é impressionante.

2. Alguns apelidos tradicionais portugueses comuns no Rio, como Araújo, Barbosa, Castro, Azevedo, Barros e Cardoso, tem menor incidência na lista de Porto Alegre. São famílias reinóis que, de preferência, se radicaram entre Salvador e Rio de Janeiro.

3. Alguns apelidos mais frequentes em Porto Alegre sequer constam da lista do Rio. É que para cá vieram de preferência os açorianos: Silveira, Machado, Rosa, Morais, Soares, Lopes, Gonçalves e Nunes.

4. Na lista de Porto Alegre, quatro grandes famílias alemãs chegadas em 1824 figuram com certa expressão. Nenhum apelido não português consta da lista do Rio. Os alemães são Schmidt (ferreiro), Müller (moleiro), Becker (padeiro) e Schneider (alfaiate). As famílias Bittencourt, Brum e Goulart, de origem francesa ou holandesa, chegaram a Porto Alegre via Açores. Note-se a ausência de grandes grupos familiares italianos. Os alemães chegaram em 1824, a seis ou sete gerações e os italianos a partir de 1875, a três ou quatro gerações.

5. Contrariamente à crença nacional, os espanhóis tiveram pequena influência na composição demográfica de Porto Alegre. Talvez um que outro ramo dos Garcia e dos Ávila.

6. Apesar da preeminência econômica e cultural da comunidade israelita, nenhum grupo familiar se salienta. Os israelitas gaúchos procedem de ambos os grupos mais importantes, asquenásis da Europa Central, na grande maioria, e alguns poucos sefarditas, entre os quais se arrola uma tradicional família Rodrigues. Alguns autores supõem ter havido uma grande colônia israelita nos fins do século XVII e início do XVIII. Se houve, foi absorvida sem deixar traços culturais.

Rio de Janeiro-1974

Silva
Santos 
Oliveira 
Souza 
Pereira 
Costa
Carvalho
Almeida 
Ferreira 
Ribeiro 
Rodrigues 
Gomes 
Lima 
Martins 
Rocha 
Alves 
Araújo 
Pinto 
Barbosa 
Castro 
Fernandes 
Melo 
Azevedo 
Barros 
Cardoso 
Correia 
Cunha 
Dias 
11.520
  7.200
  6.480
  6.480
  5.280
  5.040
  4.600
 4.080
  4.080
  3.360
  2.800
  2.800
  2.800
  2.800
 2.400
  2.400 
  2.400
  2.400
  2.400
  2.400
  2.400
 2.160
  1.920
  1.920
  1.920
  1.920
  1.920
 1.920
Porto Alegre-1979

Silva 
Santos 
Oliveira 
Souza 
Pereira 
Silveira 
Costa 
Machado 
Rodrigues 
Ferreira 
Lima 
Martins 
Rosa 
Ribeiro 
Carvalho 
Gomes 
Morais 
Rocha 
Soares 
Lopes 
Almeida 
Cunha 
Dias 
Gonçalves
Nunes 
Pinto 
Alves 
Correia 
Fernandes 
Melo 
Marques 
Azevedo 
Freitas 
Schmidt 
Teixeira 
Vieira 
Araújo 
Barbosa 
Castro 
Moreira 
Cardoso 
Borges 
Duarte 
Pires 
Garcia 
Ramos 
Andrade 
Fonseca 
Vargas 
Barcelos 
Coelho 
Dorneles 
Flores 
Leite 
Campos 
Medeiros 
Müller
Amaral 
Becker 
Bittencourt
Schneider 
Dutra 
Guimarães 
Porto 
Viana 
Abreu 
Aguiar 
Albuquerque 
Antunes 
Ávila 
Azambuja
Barros 
Braga 
Bueno 
Camargo 
Cruz 
Faria 
Fagundes 
Fiqueiredo 
Fontoura 
Fraga 
Leal 
Lemos 
Matos 
Mendes 
Nascimento 
Neves 
Pacheco 
Pinheiro 
Xavier 
Borba 
Brasil 
Brito 
Brum 
Chaves 
Goulart 
Jardim 
Luz 
Meneses 
Miranda 
Monteiro 
Neto 
Peres 
Santana 
Tavares 
Trindade 
5.250
2.835
2.625
1.785
1.365
1.312
1.260
1.207
1.207
   945
   945
   945
   945
   945
   735
   735
   735
   735
   735
   682
   668
   630
   630
   630
   630
   630
   577
   577
   577
   577
   550
   525
   525
   525
   525
   525
   472
   472 
   472
   430
   427
   420
   420
   420
   420
   420
   367
   367 
   320
   315
   315
   315
   315
   315
   300
   300
   270
   262
   262
   262
   240
   260
   230 
   220
   220
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
   210
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   210
   210
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   200

O porquê do nome Gibi

Os quadrinhos tiveram início nos Estados Unidos em 1895 nos suplementos dominicais coloridos, usando a dimensão total do jornal. Em 1933-1934 surgiram os Comics Books em meio tablóide com estórias completas, passando a se chamar popularmente no Brasil de gibis, por causa do lançamento da revista Gibi, com 32 páginas, papel jornal. Em 1940 começa a ser publicado o Gibi mensal com estórias completas, iguais aos Comics Books. A partir disso crianças e jovens passam a se chamar de “gibi” qualquer revistinha em quadrinhos.

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Vocês viram na televisão os sites que foram hackeados no últimos anos? Não? Então leu nos jornais! Também não? Talvez em revistas especializadas? Ah, algumas… Bem, eu também não vi nada em nenhum dos grandes meios de comunicação, e olhe que são sites dignos de nota: DNER, OAB, Supremo Tribunal, Governo do Brasil… O que ocorre é que a mídia dominante insiste em mostrar hackers como seres desajustados e prontos para invadir, roubar, saquear, destruir tudo que for possível em um computador ligado (ou não) à Internet e até um raio de 23,7 metros do equipamento instalado… Ora, sabemos que não é por aí. Não digo que concordo ou incentivo essas atitudes, entretanto são fatos que ocorreram e devem ser expostos. Mas para que você tenha uma idéia do que está rolando no submundo informático, dê uma olhada nas seguintes invasões, que ficaram algum tempo no ar, frutos do mais puro e genuíno “hacktivismo político”:

Governo do Brasil
DNER
PFL
Embaixada do Brasil em Tóquio
Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina
Polícia Militar de Santa Catarina
Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal
Instituto de Previdência dos Servidores Militares do Est. de Minas Gerais
Escola de Equitação do Exército
OAB
Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região
Ministério do Trabalho
Ministério da Justiça
Microsoft do Brasil
Congresso Nacional
Network Associates
Empresa de Obras Públicas do Governo do Rio de Janeiro
Governo do Mato Grosso
Ministério da Defesa
Agência Brasileira de Cooperação – Ministério das Relações Exteriores
Jornal do Brasil Online
Agência Espacial Canadense
Comissão de Instituições Financeiras Canadense
3rd Center Lake Burnaby Sea Scouts & Venturers (Escoteiros Canadenses)
Emmanuel Bible College
Medical Education Institute – Canadá
Posto Fiscal Eletrônico da Secretaria da Fazenda de São Paulo
Portal X – Loja Virtual da Xuxa
Folha de São Paulo – FolhaInvest
Instituto de Ciências Matemáticas e Computação da USP de São Carlos
FEBRABAN
ANEEL
Supremo Tribunal Federal
iG
Energia Brasil
Terra Networks S.A.
Universidade Federal do Maranhão
Banco Rural
ATT Informática
ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica
SEBRAE
Vésper
Exército Brasileiro
Copoanheiros (sim, até mesmo esse!!!)


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Visão Poética da triste estória do apenado José

Artigo enviado por e-mail para publicação

 
Cláudia Vieira Maciel
Acadêmica do 10º Período de Direito do
Instituto Luterano de Ensino Superior de Ji-Paraná, RO

José foi condenado.
Seu destino: a casa de detenção.
Já nos primeiros dias descobriu uma triste realidade:
Que o cárcere é uma escola,
escola para a marginalização.

José que conhecia apenas o revólver,
Descobriu que tudo pode ser uma arma,
– depende da situação;
E que no submundo carcerário,
Quem faz a lei é o ladrão.

Descobriu também que sem qualquer ato,
Pode-se “puxar” mais anos de prisão;
Pois em troca da própria vida,
Cria-se uma confissão.
E de um crime que José nem sabia,
Nem viu a consumação…

Antagônica realidade a de José.
Prejudicado na lide judicial,
(José agora é reincidente)
Mas, favorecido na sociedade artificial.
– Agora ele é da gente!
Dizem os cabeças da organização.

E José que teria iniciado sua pena,
Sob o fundamento do duplo objetivo:
Castigo e ressocialização,
descobriu que lá se aprende,
é viver mais tempo dentro da prisão.

José nunca foi homem de muitos planos;
E até mesmo dizia, que um dia abandonaria
essa vida de “roubação”;
Que tinham razão os doutores:
“O crime não compensa não.”

– A gente vive roubando, e quando nos pegam,
perdemos o respeito e a própria consolação;
O dinheiro acaba ligeiro e os sonhos são trancafiados
Junto as grades da prisão.

José sabe que vai passar mais sete anos,
Isso com os benefícios da progressão;
Mas desconhece o seu futuro,
Pois seu receio, é quando tiver que encarar de frente,
A sociedade e os reflexos da estigmatização.

José se preocupa com seu egresso
Pois desde que vem puxando cadeia
Só viu os muros e a segurança aumentarem
Como repressões à fuga e a rebelião.

E com isso vão distanciando,
A tão almejada ressocialização;
Pois esquecem que os atos devem ser primados em favor
do apenado
E não da instalação.

José soube que com a LEP,
Apresentaram uma grande inovação;
Instituíram a assistência ao egresso,
Com apoio e orientação para reintegrá-lo à liberdade
E ainda se necessário, alojamento e alimentação.

Mas como a letra é fria, é morta,
Precisa que não só o governo, mas toda a sociedade
A coloque em ação.
Pois o artigo 78 prevê o “patronato”,
Que poderá ser integrado por membros
De qualquer entidade, grupo ou religião.

Então José faz uma apelo, para toda população;
Para que todos se preocupem com os egressos
em favor da própria segurança,
Pois o Brasil está cheio
De quem voltou a ser ladrão,
Por falta de oportunidade
e excesso de discriminação.

E ainda arrisca uma dica,
que vai além dos cursos de profissionalização:
que para as empresas que admitam ex-detentos
seja oferecido um incentivo
nos tributos com o leão.

( Publicado originalmente em meu antigo domínio “HABEASDATA”, em outubro/2001 )