E chegamos a mais um Dia dos Pais…

Nove de agosto de dois mil e vinte e seis.

Segundo domingo do mês.

Mais um Dia dos Pais.

E eu aqui, quatro da matina, acordadaço…

Mas, falando desse dia em especial (e, vocês me conhecem, eu sempre tenho que saber o porquê das coisas), não se trata de uma “data mundial” para essa celebração. Especificamente no Brasil a data foi “criada” simplesmente em razão de uma estratégia de marketing imaginada pelo publicitário Sylvio Bhering, então Diretor do jornal e da rádio “O Globo”, para preencher um vazio mercadológico no calendário comercial, por uma simples motivação de aquecer o mercado de varejo num período em que não se tinha nada para comemorar.

A primeira celebração “oficial” do Dia dos Pais no Brasil se deu em 16 de agosto de 1953, data que coincidia com o dia de São Joaquim, pois na tradição católica é considerado o pai de Maria e avô de Jesus – e, na época, a população brasileira era majoritariamente católica. Mas, também estrategicamente, nos anos seguintes passou a ser comemorada no segundo domingo do mês de agosto, para facilitar as tradicionais reuniões e almoços em família – e, lógico, para ampliar ainda mais o impulso ao comércio nos dias antecedentes.

Mas, por ser esse dia o que é, me fez lembrar desse “bilhetinho” que tenho guardado até hoje, lá dos idos do ano de 2000.

E depois disso, além do Kevin, também chegaram o Erik e o Jean – e, infelizmente, depois de tantos anos já não tenho mais como pegá-los a todos no colo.

E nem meu pai conseguiria, pois há muito foi-se o tempo em que era possível me pegar no colo. Só mesmo quando eu era pequenino (“pequenino???”), como lá no comecinho dos anos setenta. Hoje, com um metro e noventa e meus noventa e seis quilos, acho que só mesmo usando um guindaste…

E até porque meu pai já se foi.

Em dezenove de setembro de dois mil e vinte e quatro.

Genealogicamente falando, como na tradição árabe e também dos hebreus (apesar de, ao menos que eu saiba, não ser descendente direto desses povos), que utilizam o prefixo patronímico “ibn” para dar o significado de “filho de”, ou, num sentido amplo, “descendente de”, considerando somente a linha paterna de minha família, teríamos:

– Adauto de Andrade (*02/05/1969), filho de
– José Bento de Andrade (*27/04/1937 +15/09/2024), filho de
– Antonio de Andrade (*06/03/1909 +30/09/1970), filho de
– João Agnello de Andrade (*23/01/1876), filho de
– Joaquim Theodoro de Andrade, filho de
– Francisco Theodoro Teixeira (*20/08/1800 +19/12/1870), filho de
– Manoel Ribeiro Salgado (*16/05/1759 +16/08/1807), filho de
– Bento Ribeiro Salgado (*1720 +29/01/1780), filho de
– Antônio Ribeiro, filho de
– João Pereira.

Todo esse povo nascido em Minas Gerais, exceto eu, que nasci em São José dos Campos, mas como foi no bairro de Santana, praticamente acabo também sendo mineiro…

A “quebra da varonia” se deu com Francisco Theodoro Teixeira, já que o nome “Andrade” sobe por meio da família de sua esposa, Maria Emerenciana de Andrade, até chegarmos na Matriarca da Família, Ângela do Vale e Andrade (*05/03/1629 +10/03/1682), natural de Santa Comba de Fornelos, Arquivo Distrital de Braga, Portugal.

E se prosseguirmos por outros ramos da família, documentalmente chegamos até Mendo Alam (*960 +1050), Senhor das Terras de Bragança. Ainda daria para “subir” mais um pouco, mas aí já fica mais difícil distinguir entre o que seria lenda e realidade…

Mas voltemoa ao Dia dos Pais.

Ainda que a data tenha sido criada por simples apelo comercial, já ficou arraigada em nossa sociedade, sendo uma data em que muitos filhos, ainda que distantes, se lembram de mandar ao menos um “oi” para seus pais. É, na realidade, uma data em que um pai gostaria de se sentir amado e lembrado por seus filhos. E, ainda, é importante lembrar algo que muitas vezes passamos a vida sem perceber: todo pai, um dia também já foi um filho; já passou pela infância, adolescência, fase adulta, talvez tenha tido as mesmas dúvidas e problemas que nós  também já tivemos. É uma situação às vezes difícil de encarar, mas vale a pena pensar um pouco nisso…

É certo, ao menos na minha família, que costumeiramente cada geração diverge diametralmente da anterior. Somente nos casos mais antigos (até por falta de opção) é que os filhos seguiam na mesma lida que seus pais, mas desde os fins do Século XIX, esse panorama começou a mudar.

E, no meu caso, como já disse por aqui anteriormente, faço parte da Geração X, situada entre aqueles que nasceram entre 1965 e 1980, que aprendemos no analógico e amadurecemos com a revolução digital, passamos de um mundo para outro e, geralmente, temos uma capacidade de adaptabilidade imensa: mais pela necessidade do que pela vontade.

Mas na história de minha vida queimei muitas pontes por onde passei, mesmo com relação aos meus próprios filhos, situação que venho tentando consertar – mas que não é nada, nada fácil.

E desse meu atual isolamento auto infligido, curiosamente nos últimos dias tenho sonhado muito com meu pai. O que, para mim, é realmente estranho. Nunca nos demos realmente bem, pois ele era aquela figura de “provedor” eu eu era aquela figura de “filho rebelde”. Lembro mais de nossas discussões do que de momentos de carinho. Acho que, talvez, até hoje ainda não tenha me caído totalmente a ficha – deve ter ficado enroscada no meio do caminho -, pois não consigo ter aquela sensação de perda e de saudade pela qual tanta gente passa. Sigo adiante, um dia atrás do outro, tentando resolver meus próprios problemas – e que não são poucos! – daí me faz todo o sentido estas primeiras linhas da Oração da Serenidade:

“Deus,
Conceda-me a serenidade
Para aceitar aquilo que não posso mudar,
A coragem para mudar o que me for possível
E a sabedoria para saber discernir entre as duas.
Vivendo um dia de cada vez,
Apreciando um momento de cada vez (…)”

Mas essa série de sonhos realmente me deixou com um enorme sifonáptero na parte posterior do pavilhão auricular…

Enfim, FELIZ DIA DOS PAIS para aqueles que o são ou que ainda virão a sê-lo. Desejo também um Feliz dia das “Pães” para todas aquelas moças, moçoilas e senhoras que na vida fizeram o papel duplo de Pai e Mãe. E, também, para todos aqueles que já foram pais, mas quis o destino que continuassem por aqui.

E, por derradeiro, novamente, deixo aqui aquela homenagem que fiz quando meu pai se foi…

Deixando a vida mais colorida…

Em tempos de confinamento há que se arranjar o que fazer… Então descobri o site http://www.myheritage.com.br/incolor para colorir aquelas fotos preto e branco (sim, elas ainda existem!) em apenas alguns segundos e com apenas um clique!

Confiram o resultado comparando as originais com as colorizadas:

       
Casamento de meus pais, Bernardete e José Bento.

       
Casamento de meus tios, Dionísia e Lélio.

       
Casamento de meus sogros, Satiko e Sussumu.

       
Meu avô paterno, Antônio de Andrade.

       
Meu avô materno, Bernardo Claudino Nunes.

       
Dona Bernardete.

       
Seo Zé Bento.

       
Los Tres Hermanos: Adauto, Adilson e Anselmo.

       
Outra de Los Tres Hermanos…

       
Outra de meus sogros.

       
E aquela famosa foto de meu pai em sua motoca!

Livro da Família Andrade

Muito bem, família! Vocês devem se lembrar do quanto aporrinhei todo mundo até conseguir levantar todas as informações para montar esse livro aí do lado… Só que tem um detalhe: ele somente tem os registros de nossa família até 2012! E como já estamos em 2017, como todos sabem muito bem, tem muita gente que já casou, que separou, outros tantos nasceram e infelizmente alguns também morreram…

Então, família, conto com vocês para me ajudar a atualizar este nosso livro!

Pra facilitar procês, eu dividi o livro de acordo com cada ramo da família – ou melhor, cada um(a) dos(as) filho(as) do Vô Antonio e da Vó Bastiana – bastando clicar na respectiva imagenzinha aí embaixo para ter acesso ao arquivo PDF.

Reitero que esse livro é nosso: cada indivíduo descendente tem um par de páginas à sua disposição. As informações básicas, como data e local de nascimento, peso e altura quando nasceu, quando e com quem se casou, quantos e quais filhos teve, bem, esse geralzão em sua maioria já tá lá. Mas caso queiram inserir uma ou mais fotos, trocar a foto que está no livro, acrescentar ou alterar um texto ou uma mensagem, enfim, dar uma personalizada como um todo, agora é a hora!

Aliás, confiram os dados de cada arquivo e assim que possível me mandem as atualizações e correções, ok? E mais: não se limitem ao seu ramo da família não! Até porque não custa nada dar uma fuçada nos arquivos do resto do nosso povo, né?

Vocês podem escrever aqui nos comentários mesmo, ou, se preferirem, basta me encaminhar as informações diretamente para o meu e-mail: adauto@andrade.sjc.br .

E aí? Tão esperando o quê? Bóra atualizar issaí, moçada! 😀

José Bento de Andrade
ZÉ BENTO

Fé dos Santos de Andrade

Esperança dos Santos Andrade
ESPERANÇA

Caridade de Andrade
CARIDADE

Felizberto de Andrade
DINHO

Jorge Andrade
JORGE

Maria Madalena de Andrade
MADALENA

Pedrina de Fátima Andrade
PEDRINA

Maria Laura de Andrade
LAURA

Roberto de Andrade e Geraldo de Andrade
ALEMÃO E GÊRA

Convites e mais convites

No meio de mais uma madrugada – pra variar – insone, eis que mais uma vez comecei a dar uma arrumada na papelada que teimo em guardar e que, de tempos em tempos, teimo em jogar fora…

Como eu estava fazendo algumas anotações sobre genealogia numa pasta (virtual), fui procurar uma pasta (física) que deveria ter alguns documentos que me serviriam. E eis que começo a encontrar alguns outros “documentos” que nem eu mais lembrava que estavam por ali!

Antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisinha: em termos de genealogia as pesquisas em fontes “primárias” são totalmente confiáveis e normalmente são feitas tendo por base certidões e registros diversos de cartório; as pesquisas em fontes “secundárias” são relativamente confiáveis, tendo por base outros estudos já efetuados por outros genealogistas e que estão registrados em livros, artigos, etc; e, por fim, as pesquisas em fontes “terciárias” são confiáveis na justa medida em que envolvem fé, imaginação e chutologia, tendo por base a acurada análise de toda e qualquer migalha de informação que possa vir à mão, tais como relatos de parentes, registros de qualquer tipo, notícias de jornais, atas de reuniões e até mesmo convites de casamento…

E é esse o ponto!

No meio da papelada das famílias que estudo ainda tenho diversos convites de casamento guardados como referência de datas e parentescos. E me surpreendi ao constatar que em alguns casos já se passaram mais de dez anos!!! Vejam só:

Sheila & Rodrigo

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Milena & Carlos

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E como não podia deixar de ser, xereta que sou, fui atrás também daqueles do meu próprio casamento. De ambos…

Adauto & Mieko
(Não encontrei um impresso, mas esta foi a “arte” que lhe deu origem.)

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Adauto & Evanilda
(Também era de dobrar, mas essa parte de cima na realidade era a parte externa do convite.)

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Pois é… O tempo voa, não é mesmo? Sei que tenho por aqui em algum lugar uma raridade ainda maior: o convite de casamento de meus pais! Assim que achar também compartilharei cá neste nosso cantinho virtual…

O Bicarato que não era Bicarato

Quebra-cabeças.

Definitivamente, eu gosto desse tipo de desafio.

E, pior, aventureiro genealogista que sou, os quebra-cabeças que me atraem são aqueles que dizem respeito ao misterioso passado das famílias. De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Qual o porquê desse desgraçado calor insuportável?

Enfim, como já costuma dizer a amiga virtual Regina Cascão, sempre estou na busca dos “meus mortinhos”…

Mas minha curiosidade extrapola minha família! Basta eu ouvir um nome diferente e já fico pensando de onde é que veio, qual sua história, como se formou.

E com o amigo e copoanheiro Bicarato não foi diferente. Paulo Henrique de Almeida Bicarato. Sim, um nome de família com todo jeitão de ser italiano, mas de onde? Ninguém nunca descobriu. E resolvi assumir esse desafio já tem um bom tempo – mas as correrias do dia a dia sempre foram deixando essa pesquisa para trás. Até agora.

Tudo (re)começou quando o Bica me encaminhou a transcrição da certidão de nascimento de seu avô, Bento, nascido em 09/10/1913. Filho de Giovanni Bicarato e Colomba Muscini. A notícia é que esse Giovanni quem teria vindo da Itália para trabalhar no Brasil.

Mas o raio é que esse nome, “Bicarato”, teimava em se esconder em todas as pesquisas que fiz, pois jamais encontrei qualquer referência genealógica fora do contexto da própria família no Brasil. Daí resolvi ir atrás das ilações sobre a grafia errada do nome – coisa muito comum na virada do século, quando a grande maioria dos imigrantes aportou neste nosso país. Poderia ser Bicaratto, Biccarato, Bigarato, ou qualquer outra coisa do tipo. Mas a luz no fim do túnel começou a surgir quando, das pesquisas detetivescas de meu amigo, cogitou-se a possibilidade de, de repente, ter existido alguém cujo nome seria B. Carato e daí, da corruptela da escrita e da pronúncia, ter surgido o atual Bicarato. Idéia interessante a ser explorada, até porque existem vários núcleos de famílias Carato na Itália.

Resolvi tentar essa hipótese através de uma busca no acervo digital do Museu da Imigração. Lancei o nome Carato, apertei a tecla Enter e cruzei os dedos. De cara surgiram 37 ocorrências espalhadas por várias páginas e justamente num dia em que a conexão estava péssima! Paciência. A busca retornou a parte final do nome de várias famílias, além de Carato, tais como Boscarato, Macarato, Zacarato e por aí afora.

Fui pacientemente avançando, página por página, já sem esperanças mas ainda munido da minha habitual teimosia. Espera, carrega página, consulta nome a nome, nada; espera mais um pouco, carrega nova página, consulta, nada… E assim foi indo. Quando cheguei na última página, passando pelos nomes, justamente no penúltimo registro, lá estava ele: Giovanni! Seria ele mesmo? Fui conferir a cidade de destino: conferia. Fui conferir se, nos membros da família que vieram com ele, estaria o nome de sua mulher: também conferia! Só podia ser ele!

Mas o mais curioso e a revelação do dia foi outra: Ele não era um Bicarato, mas sim um RICARATO!

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Como esse negócio de escrita antiga é complicado, ainda fiquei com uma pulguinha atrás da orelha com a grafia utilizada. Aquilo seria mesmo um “R”? Poderia, na prática, se tratar de muitas outras letras… Mas a essa altura do campeonato, feliz com minha “descoberta”, mais que prontamente comuniquei a alvissareira notícia ao amigo e copoanheiro! Juntos, explorando um pouco mais, ele percebeu o nome do navio em que viajou seu antepassado: “Re Umberto”. Lembrei-me que poderia constar seu nome na lista de passageiros e lá fomos explorar. Sucesso!

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Apesar de ter sido ticado bem em cima da primeira letra, vendo a letra de baixo, nitidamente um “B”, não tem como confundir. Aquilo é um “R”!

Enfim, mais algumas peças foram encontradas nesse quebra-cabeças familiar que é o nome Bicarato. Dali teremos condições de explorar novas alternativas, audaciosamente indo onde nenhum Bicarato jamais esteve! Os becos sem saída continuam, pois o nome Ricarato, na Itália, parece ser tão misterioso quanto sua versão brasileira.

Mas tempo ao tempo, paciência e perseverança. Tenho certeza que ainda vou encontrar mais alguma coisa por aí afora.

Agora, a pergunta que não quer calar: devo notificar todos os atuais membros da família Bicarato para que providenciem a alteração de seus nomes para a correta forma Ricarato?…